PSICOLOGIA ANALÍTICA

DELÍRIOS DA PAIXÃO

Como reconhecer a paixão doentia quando a convicção delirante da relação amorosa parece tão real. O comportamento de fixação amorosa é perigoso e precisa de cuidados.

Delírios da paixão

O psiquiatra francês De Clêrambault descreveu o problema como uma síndrome de emoções doentias que passa pelos estágios de esperança, despeito e rancor. A fase de rancor seria a mais importante delas. Após sofrer diversos sinais de rejeição, a pessoa busca se vingar do objeto de seu amor, podendo transferir suas retaliações para terceiros.

Pessoas que alimentam esse tipo de fantasia são reservadas, socialmente inexpressivas; solitárias, muitas são privadas de contato sexual por anos, a maioria ocupa cargos subalternos, e, em muitos casos, são pouco atraentes. Esse perfil pode resultar numa personalidade hipersensível, em desconfiança acentuada ou assumida superioridade em relação aos outros.

Por outro lado, os objetos de amor delirante (na realidade ou em fantasia), são sempre superiores em inteligência, posição social, aparência física, autoridade ou uma combinação dessas qualidades. Quase sempre o amor doentio pode ser visto como um meio de proteger o sujeito que o sente contra um profundo e doloroso estado de solidão.

Embora atos físicos ou sexuais sejam incomuns, essas pessoas podem trazer grandes conturbações às suas vítimas. O inconveniente varia de chamadas telefônicas no meio da noite a declarações de amor em ambientes públicos. A pessoa pode desejar ter relações sexuais com o objeto de seu amor delirante. Os homens tendem mais à perseguição do que as mulheres.

Há casos em que o amor fantasioso se desenvolve a partir de um único e específico incidente – o que já é suficiente para que a pessoa se convença do amor que sente por seu objeto. Alimenta-se a crença de que ele iniciou o caso de amor a partir de olhares, mensagens cifradas, mensagens de jornal, de televisão ou até mesmo telepáticas.

A pessoa pode até rejeitar o objeto do seu amor, porém, o aceita e se apaixona por ele de maneira obsessiva. A despeito de vigorosas negações da outra pessoa, a fantasia de estar sendo amado persiste por anos, havendo necessidade de hospitalizações ou de ações legais que impeçam a perseguição da vítima pelo paciente.

O paciente crê no imenso amor que a outra pessoa tem por ele, ao mesmo tempo em que preserva certo senso de inocência ao considerar que o objeto de seu amor jamais será feliz sem a sua companhia.

Quem sofre com esse amor geralmente racionaliza a conduta da pessoa que elege: interpreta as rejeições que sofre como afirmações secretas de amor, testes de fidelidade ou tentativas de despistar outras pessoas de seu “romance”. Pensam que são amados por um bom tempo, quando então renunciam a esse amor para reiniciar suas fantasias com outra pessoa.

Existe um potencial para comportamento violento e vingativo, com taxas de comportamento   agressivo chegando a 57% em amostras de homens que foram diagnosticados com esse tipo de problema. Apesar de haver poucos estudos sobre o tema, alguns pesquisadores sugerem que a sua frequência não deva ser considerada tão baixa quanto se acredita. As causas podem variar. Déficits no funcionamento da visão espacial ou lesões no sistema límbico, particularmente nos lobos temporais, em combinação com experiências amorosas ambivalentes e de isolamento afetivo   poderiam contribuir com as interpretações delirantes. E a falta de flexibilidade cognitiva faria com

que esses delírios persistissem.

O sistema límbico medeia a interpretação do ambiente ao acrescentar um a resposta afetiva aos estímulos externos. Assim, interpretações inadequadas do meio poderiam ser causa das por anormalidades límbicas. O conteúdo específico do delírio, entretanto, seria determinado pela cultura e pelas experiências pessoais de cada paciente.

O desenvolvimento dos delírios pode originar-se de percepção ou interpretação anormais do meio, mas a manutenção de uma crença delirante, em face de informações distorcidas, tem sido atribuída a um funcionamento deficiente do sistema frontal. O lobo pré-frontal desempenha um importante papel nos testes de realidade.

Um fator que pode contribuir para a manutenção dos delírios é a rigidez cognitiva, surgida de disfunção frontal sub ­ cortical, a que pode resultar numa dificuldade em alterar determinado sistema de crenças. Disfunções nessas mesmas áreas têm sido associadas a outros tipos de delírios. Também ficou constatado que pessoas que sofriam com esse problema tinham um comprometimento maior do hemisfério cerebral direito.

A integridade dessas funções é crítica para o reconhecimento das interpretações delirantes que ocorrem com maior probabilidade, em pacientes privados de relacionamentos íntimos, porém, altamente motivados a tais experiências. Esse desejo por relacionamento pode ser contrabalançado por temores de rejeição e de intimidade.

O amor patológico é perigoso e necessita de tratamento psicológico e muitas vezes medicamentoso. Fique alerta.

 

ROBERTA DE MEDEIROS é Jornalista científica.

E-mail: robertaneurociencias@gmail.com

 

OUTROS OLHARES

O BOM E VELHO CAFEZINHO

Além dos efeitos estimulantes, a bebida mais popular do mundo é rica em nutrientes e pode ajudar a combater doenças.

O bom e velho cafezinho

Desde o século VIII a. C., quando um pastor árabe descobriu suas propriedades estimulantes, o café se tornou uma bebida popular, de consumo diário, e em vários países, como o Brasil, está muito arraigado aos hábitos sociais. No mundo todo são consumidas mais de 120 mil toneladas de café por ano. E embora seja notório seu efeito de aumentar o alerta e de reduzir a fadiga, a ação de seu componente mais importante – a cafeína – já foi e continua sendo muito estudada pela ciência.

A cafeína promove alterações no estado de alerta, memória, aprendizado, orientação espacial e variáveis psicomotoras, como tempo de reação e de locomoção. Seus efeitos, entretanto, dependem da dose e do tipo de tarefa estudada. Alcaloide pertencente ao grupo das metil xantinas ela parece atuar no sistema de ativação reticular ascendente, localizado no tronco cerebral, por isso sua evidente influência nos processos atencionais. Sabe-se que a atenção pode modificar a atividade neural de áreas corticais específicas que participam na análise perceptiva. Assim, a atenção –  ou melhor, a ampliação dela –  é capaz de aumentar a resposta dos neurônios a determinados estímulos.

Capaz de combater a fadiga e a sonolência, a cafeína é muito usada por médicos plantonistas, motoristas de caminhão e outros profissionais que precisam estar bem acordados durante a noite. Alguns autores concordam que, apesar de não melhorar diretamente o aprendizado, seu efeito direto na atenção e na atividade motora espontânea acaba contribuindo para ganhos significativos de desempenho, o que é multo difícil de distinguir do aprendizado em si.

Em relação à memória, não há evidências de melhora na capacidade de recordação; por outro lado, as respostas tendem a ser mais rápidas e precisas. Estudos realizados em 2010 pelo farmacologista Alain Patat, então do laboratório Synthélabo Recherche, em Bagneux, França, indicam também efeitos benéficos no desempenho psicomotor e na atividade motora espontânea. Seus experimentos mostraram diminuição do tempo de reação e aumento na velocidade de digitação após o consumo de cafeína. Outras evidências sugerem que os efeitos facilitadores desse alcaloide ocorrem tanto antes, quanto depois do surgimento da fadiga e do declínio do desempenho.

Apesar de ser a substância psicoativa mais consumida do mundo, a cafeína não é considerada uma droga de abuso. Segundo a Organização Mundial da Saúde, “não existem evidências de que o uso da cafeína possa levar às consequências físicas e sociais associadas às verdadeiras drogas de abuso· Nas últimas décadas, diversos estudos mostraram que as alterações cognitivas e psicomotoras causadas pela cafeína não levam ao desenvolvimento de dependência química.

É possível observar, entretanto, algum grau de tolerância nos casos de consumo regular, mas não se trata da tolerância típica, em que os usuários aumentam a dose da droga de forma exponencial, como ocorre com a cocaína ou as anfetaminas. O fenômeno parece estar associado a um incremento na atividade do receptor de adenosina. Por outro lado, vários estudos mostram que a cafeína não é capaz de sensibilizar o sistema de recompensa do cérebro.

O consumo de cafeína se caracteriza, de forma geral, por padrões de consumo relativamente fixos.  As pessoas evitam doses que possam induzir ansiedade ou privá-las de sono além do desejado. Isto sugere que a ingestão tende a se restringir a limites individuais muito variáveis de tolerância e sensibilidade.

A cessação do uso de cafeína não parece provocar um quadro completo de abstinência. Em contrapartida, o organismo costuma apresentar respostas fisiológicas para se ajustar à falta da substância. Os sintomas são brandos e incluem sonolência, dificuldade de concentração, cansaço e dores de cabeça que desaparecem em poucos dias. A sonolência e o cansaço podem ser explicado pelo acúmulo do neuromodulador adenosina, que deixa de competir com a cafeína pelos mesmos receptores e pode novamente exercer efeito inibitório sobre a atividade neuronal. As dores de cabeça também são resultado da ligação, agora em maior quantidade, da adenosina ao seu receptor, já que ela produz vasodilatação no sistema nervoso central. Além de mais sangue chegar ao cérebro, ele chega com muito mais pressão

 CONTRA O PARKINSON

A cafeína já foi sugerida como droga coadjuvante da L-dopa no tratamento da doença de Parkinson, com melhora de sintomas motores, como o tremor dos membros superiores. O distúrbio é resultado da degeneração de neurônios dopaminérgicos em regiões cerebrais conhecidas como substância negra e estriado. A cafeína evita a depleção da dopamina, principalmente no estriado.

Diversos estudos, entre eles os do farmacologista Alberto Ascherio, da Universidade Harvard, sugerem que a cafeína poderia reduzir o risco de Parkinson. Levantamentos epidemiológicos verificaram que a maior ingestão de café durante a vida está associada a menor incidência da doença. Essa relação pode ser explicada pela inibição causada pela cafeína nos receptores de adenosina do tipo A2A.

Alguns pesquisadores acreditam que esse efeito protetor abre uma nova possibilidade de tratamento da doença. Na verdade, drogas desse tipo já estão em teste e poderão não apenas aliviar os sintomas do Parkinson, mas quem sabe retardar o progresso da doença

Nos últ1mos anos, vem crescendo também o interesse na possibilidade de o consumo de café proteger contra o Alzheimer. Em 2002, um estudo retrospectivo realizado por pesquisadores da Universidade de Lisboa demonstrou que a ingestão de cafeína nos 20 anos precedentes era inversamente proporcional ao risco de desenvolver a doença. No mesmo ano, um estudo prospectivo realizado na Universidade de Ottawa revelou resultados semelhantes. Ainda assim, mais pesquisas são necessárias para a completar a elucidação do assunto.

O café parece exercer efeito benéfico também nas pessoas com diabetes tipo 2. Estudo recente, realizado na Holanda, com mais de 17 mil adultos observou que as pessoas que ingeriam no mínimo sete xícaras de café por dia tinham metade da probabilidade de desenvolver o problema. O resultado vem sendo confirmado por diversas pesquisas realizadas desde 2006 em diferentes populações e que mostram correlação parecida.

A relação da cafeína com as doenças cardiovasculares é outra área imensamente estudada. Algumas pesquisas investigam a relação entre consumo excessivo de café e as doenças do coração, mas falham, porém, no controle de outros fatores importantes como dieta e tabagismo. Segundo o lnternational Food lnformation Council Foundation (lfic), a ingestão de cafeína não contribui para o aumento do risco de doença coronária, diferentemente da dieta rica em gorduras e do tabagismo; em compensação um leve aumento de HDL, conhecido como colesterol bom, é esperado naqueles que têm o hábito de tomar café.

A associação do principal componente do café com a hipertensão também vem sendo sugerida há tempos. O que muitos estudos mostram, entretanto, é um pequeno aumento transitório da pressão, menor que o provocado pelas atividades normais diárias. A cafeína não causa hipertensão crônica ou incremento persistente da pressão arterial. Alguns indivíduos sensíveis a essa substância, porém, podem experimentar um ligeiro aumento de pressão que geralmente não dura mais que algumas horas,

BOM PARA OS OSSOS

Diversas pesquisas examinaram também a relação entre cafeína e osteoporose, mostrando que não há relação entre o consumo desta substância e fratura de quadril, exceto em mulheres que ingeriam mais de 450 mg de cafeína e menos de 800 mg de cálcio por dia.

Além do Parkinson, a relação benéfica entre café e outras doenças, vem sendo muito estudada atualmente. Pesquisa realizada entre 1980 e 1990 na Universidade de Boston, com mais de 200 mil pessoas, mostrou que quatro xícaras de café por dia podem ajudar a prevenir depressão e suicídio. Nesse caso, o princípio ativo não é a cafeína, mas um grupo de antioxidantes resultantes do processo de torrefação, os chamados ácidos clorogênicos.

Assim como as drogas usadas no tratamento do alcoolismo, essas substâncias também atuam como antagonistas opioides e poderiam ajudar as pessoas a se livrar desta dependência. Vale lembrar, entretanto, que esses estudos se encontram em fase inicial, sendo necessárias mais pesquisas nessa área.

A tecnologia atualmente disponível permitiu descobrir a variedade de substâncias e princípios ativos presentes nessa bebida. Além da cafeína e dos ácidos clorogênicos, o café, ao contrário do que se imaginava recentemente, contém muitos minerais, como potássio, magnésio, cálcio, sódio e ferro.  Entre os aminoácidos estão a alanina, arginina, asparagina, cisteína, ácido glutâmico, glicina, histidina, isoleucina, lisina, metionina e muitos outros. Triglicerídeos e ácido graxos livres constituem os lipídeos, e entre os açúcares, estão a sucralose, glicose, frutose, arabinose, galactose, maltose e os polissacarídeos. Vale lembrar, contudo, que a maioria desses nutrientes pode se degradar se a torrefação for excessiva, exceto a cafeína, que é termoestável.

Como se pode notar essa bebida tão popular no Brasil e malvista em certas épocas e culturas é uma boa fonte nutricional e pode dar um empurrãozinho mental na hora em que mais precisamos. Não há motivos convincentes, portanto, para dispensarmos aquele bom e velho cafezinho.

O bom e velho cafezinho2

DESEMPENHO NO ESPORTE

Embora não haja evidências conclusivas, muitos atletas acreditam que a cafeína melhora o desempenho e aumenta a resistência em atividades que requerem intenso gasto energético. Para alguns pesquisadores, porém, trata-se apenas de uma alteração da percepção do esforço e da disponibilidade física.

Seja como for, uma pesquisa mostrou que corredores que tomaram 300 mg de cafeína (o equivalente a duas xícaras de café) uma hora antes do início do exercício correram em média 15 minutos mais do que os que fizeram o mesmo sem cafeína nas veias. Em outro estudo, ciclistas que consumiram 2,5 mg de cafeína por quilo de peso corporal tiveram rendimento 29% maior que o grupo controle.

Até 2004 a cafeína fazia parte da lista de substancias proibidas pelo Comitê Olímpico Internacional. Mais de 12 µg/ml de urina – que podem ser facilmente atingidos com a ingestão de cinco xícaras de café – configuravam doping e eliminação da competição.

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RECOMPENSA E RESISTÊNCIA À FADIGA

Produzida em regiões específicas do cérebro, como a área tegmental ventral e a substância negra, a dopamina é o neurotransmissor de excelência do chamado sistema de recompensa. Quando fazemos coisas que nos dão prazer (alimentação, sexo e drogas, por exemplo), ocorre: uma intensa liberação de dopamina numa estrutura conhecida como núcleo accumbens, o que nos motiva a experimentar a sensação outras vezes. Essa estrutura está intimamente relacionada aos mecanismos de dependência e ao abuso de drogas como a cocaína e a heroína.

Alguns estudos já mostraram que, apesar de a cafeína elevar a concentração de dopamina na circulação, ela não interfere no núcleo accumbens. Evidências sugerem, entretanto, que seus efeitos estimulantes dependem de uma transmissão dopaminérgica intacta, particularmente de circuitos mediados por receptores do tipo D2, mas sem afetar o sistema de recompensa; por essa razão a cafeína não apresenta potencial de abuso.

A transmissão noradrenérgica também é afetada pela cafeína e, nesse caso, o efeito é mais duradouro. Essa substância estimula a hipófise a liberar hormônios cuja ação culmina na secreção de adrenalina pelas glândulas adrenais. Resultado: taquicardia, dilatação da pupila, aumento da pressão arterial, dilatação das vias respiratórias, contração muscular, constrição de vasos sanguíneos na região abdominal e maior secreção de lipase, enzima que mobiliza os depósitos de gordura para utilizá-los como fonte de energia – isso reduz o uso de glicogênio muscular, o que aumenta a resistência à fadiga.

CAMILA FERREIRA-VORKAPIK – Bióloga, professora de educação física e pesquisadora do Laboratório de Mapeamento Cerebral e Integração Sensório-motora do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

GESTÃO E CARREIRA

O DESAFIO DE UMA NOVA CULTURA

Implementar boas práticas de governança exige mudar velhos hábitos e engajar colaboradores no processo.

O desafio de uma nova cultura

A necessidade de implementar boas práticas de governança cresce a cada dia no ambiente corporativo. Trata-se de uma demanda dos investidores, das autoridades regulatórias e da sociedade em vários âmbitos, os quais exigem mais transparência e responsabilidade social, ambiental e financeira das empresas. A boa governança também é fundamental para a saúde das próprias companhias. Além de proporcionar maior valorização em bolsa, ela reduz o risco de fraudes. Um relatório da Association of Certified Examiners analisou 2.140 casos de fraude no mundo todo, entre 2014 e 2015, que provocaram perdas estimadas em US$ 6,3 bilhões. Em média, cada empresa perdeu US$ 150 mil. Na América Latina e no Caribe, onde foram examinados 112 casos, o prejuízo médio foi de US$ 174 mil.

Mas, se as boas práticas de governança são tão saudáveis para as empresas e para a sociedade, por que elas não são automaticamente adotadas por todos? É que o processo vai além do manual de conduta e do código de ética da empresa. É preciso incorporar esse comportamento à rotina da companhia em todos os níveis hierárquicos. E mudar a cultura interna de uma empresa não é tarefa simples.

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COMPROMISSO DA CÚPULA

O primeiro passo para essa mudança deve ser da alta administração. É ela que representa a influência mais forte na cultura organizacional, e é ela que vai determinar o estímulo às mudanças. Em resumo, a conduta da cúpula da empresa deve balizar o comportamento dos demais níveis da hierarquia, criando um efeito cascata dentro da organização. Afinal, o compromisso e as ações devem ser condizentes com o discurso de mudança, ou não haverá colaboração da força de trabalho. Sem o exemplo de cima, qualquer reforma de governança corre sério risco de virar um documento sem grande utilidade.

Também é preciso contar com profissionais capacitados e um departamento responsável pelo que deve garantir o respeito às regras e aos códigos internos e a adequação de todas as práticas da companhia às normas legais do país em que opera.

Um bom código de ética e conduta e um setor de compliance bem estruturado, no entanto, não são suficientes para garantir a transformação cultural na empresa. É preciso investimento em comunicação e treinamento dos colaboradores para disseminar as novas práticas e sua incorporação no dia a dia do negócio.

Esse processo deve levar à conscientização dos funcionários sobre os novos valores da companhia. Aos poucos, as novas práticas devem ser internalizadas, criando uma consciência coletiva sobre a governança. O discurso deve ser afinado para evitar dissonâncias e as comunicações da alta cúpula devem ser frequentes na fase de implementação.

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MODELO TRANSFORMADOR

Um bom exemplo de transformação no modelo de governança no Brasil é a Petrobras. Nos últimos anos, a empresa vem reformulando suas práticas. Por isso, milhares de profissionais foram treinados, com foco em atividades expostas a riscos como contratação, fiscalização de contratos e comercialização.

O processo começou justamente pelos membros do Conselho de Administração e da Diretoria Executiva, para servir de exemplo da mudança na política da empresa. Essa ação foi divulgada em amplas campanhas internas para preparar o terreno para a transformação cultural na empresa.

Essa política de engajamento na transformação conta com os próprios funcionários como multiplicadores. No âmbito de seu Programa de Prevenção da Corrupção, a Petrobras conta com 150 profissionais de diversas áreas formados como agentes de Compliance, divulgando e promovendo essa cultura entre os demais. É importante observar que os Agentes não estão vinculados à Diretoria de Governança e Conformidade da companhia. Eles ajudam a identificar riscos e propõem melhorias nos mecanismos de prevenção dos desvios de conduta. E incentivam o debate sobre as leis e o cumprimento das normas internas, com atenção ao combate à corrupção.

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CANAL DE DENÚNCIA

Para que a mudança cultural seja completa, é preciso que os colaboradores sintam confiança de que serão ouvidos caso denunciem desvios de conduta. Essa é uma das tarefas mais delicadas no processo de implementação da boa governança em qualquer empresa.

Para cumpri-la, a Petrobras criou um Canal de Denúncia independente, com funcionamento 24 horas. Esse canal é terceirizado e garante o sigilo do denunciante, que pode acompanhar o desdobramento do caso de forma anônima. Apesar do número expressivo de denúncias, não houve ocorrência de queixas sobre retaliações.

O desempenho da empresa brasileira nesse sentido é algo a se destacar. Uma pesquisa da Ethics & Compliance Initiative nos Estados Unidos apontava, em 2013, que 21% dos trabalhadores americanos que usaram canais de denúncias de suas empresas sofreram retaliações. Já em empresas com programas eficientes de Ética e Compliance, a média caía para 4%. Mais um sinal de que a transparência e a confiança devem ser construídas todos os dias para que o ciclo da boa governança se fortaleça no interior das companhias.

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ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 7: 45-53 – PARTE I

Alimento diário

O Testemunho dos servidores a respeito de Cristo

 

Os principais dos sacerdotes e os fariseus estão aqui tramando juntos, planejando como eliminar a Cristo. Embora este fosse “o grande dia da festa”, eles não compareceram aos serviços religiosos do dia, mas os deixaram à multidão, para quem era comum que estes grandes eclesiásticos transferissem e delegassem as atividades de devoção, se julgassem que estariam mais bem empregados nos assuntos da política da igreja. Eles ficaram na sala do conselho, esperando que Cristo fosse trazido prisioneiro, pois tinham enviado servidores para o prenderem, v. 32. Aqui temos:

I – O que aconteceu entre eles e seus próprios servidores, que retornaram sem Ele, re infecta – sem ter feito nada. Observe:

1. A repreensão que eles fazem aos servidores, por não terem executado a ordem de prisão de que lhes tinham incumbido: “Por que o não trouxestes?” Ele aparecia publicamente, muitas pessoas da multidão estavam desgostosas e os teriam ajudado a prendê-lo, este era o último dia da festa, e eles não teriam outra oportunidade como esta. “Por que vocês negligenciaram seu dever?” Eles se irritaram com o fato de que aqueles que eram seus subordinados, que dependiam deles, e em quem eles confiavam, em cujas mentes eles tinham instilado preconceitos contra Cristo, os desapontassem assim. Observe que os homens perversos se irritam por não poderem realizar o mal que desejam, Salmos 112.10; Neemias 6.16.

2. A razão que os servidores apresentam para a não execução da ordem de prisão: “Nunca homem algum falou assim como este homem”, v. 46. Veja:

(1) Isto era uma grande verdade, pois nenhum homem falava com tanta sabedoria, e poder, e graça, e a clareza convincente, e a doçura encantadora, com que Cristo falava, nenhum dos profetas, não, nem o próprio Moisés.

(2) Os mesmos servidores que tinham sido enviados para prendê-lo tinham sido cativados por Ele, e admitiam isto. Embora fossem provavelmente homens sem nenhum sentido de razão ou eloquência, e certam ente sem nenhuma tendência para pensar bem de Jesus, ainda assim havia tanta evidência no que Cristo dizia, que eles não podiam deixar de preferi-lo a todos os que se sentavam na cadeira de Moisés. Desta maneira, Cristo foi preservado pelo poder que Deus tem sobre as consciências, até mesmo dos homens perversos.

(3) Eles disseram isto aos seus senhores e mestres, que não podiam suportar ouvir qualquer coisa com a tendência de honrar a Cristo e, no entanto, não puderam evitar ouvir isto. A Providência ordenou que isto lhes fosse dito, para que pudesse ser um agravo do pecado deles, e para que fossem envergonhados. Seus próprios seguidores, de quem não se podia suspeitar que estivessem influenciados a favor de Cristo, são testemunhas contra eles. Est e testemunho dos servidores deveria tê-los levado a refletir com este pensamento: “Saberemos nós o que estamos fazendo, quando odiamos e perseguimos a alguém que fala tão admiravelmente bem?”

3. Os fariseus se empenharam em assegurar o apoio dos servidores aos seus interesses, e a produzir neles preconceitos contra Cristo, pois viram que eles começavam a se influenciar por Ele. Eles sugeriram duas coisas:

(1) Que se eles aceitassem o Evangelho de Cristo, eles seriam enganados (v. 47): “Também vós fostes enganados?” O cristianismo foi, desde seu surgimento, representado ao mundo como uma grande trapaça, e os que o aceitavam eram vistos como homens enganados, justam ente quando começavam a deixar de ser enganados. Aqueles que procuravam um Messias com pompa exterior julgavam que os enganados eram os que acreditavam em um Messias que aparecia em pobreza e desgraça. Mas o evento declara que ninguém era mais vergonhosamente enganado, nem era alvo de maior trapaça, do que aqueles que se prometiam riquezas terrenas e dominação secular com o Messias. Veja o “elogio” que os fariseus fazem a estes servidores: “Também vós fostes enganados?’ Que! Homens com sua inteligência, e conhecimento, e posição. Homens que não seriam estúpidos a ponto de serem enganados por cada impostor e professor recém-surgido?” Eles se empenhavam em torná-los preconceituosos contra Cristo, persuadindo-os a pensar bem sobre si mesmos.

(2) Que eles seriam desacreditados. A maioria dos homens, mesmo na sua religião, está disposta a ser governada pelo exemplo dos elementos de classe mais alta.

Estes servidores, portanto, cuja promoção lhes dava um sentido de honra, deveriam considerar:

[1] Que, se porventura se tornassem discípulos de Cristo, seriam contrários àqueles que eram pessoas de qualidade e reputação: ‘”Creu nele, porventura, algum dos principais ou dos fariseus?’ Vocês sabem que eles não creram, e vocês deveriam ser influenciados pelo julgamento deles, e crer e agir, na religião, de acordo com a vontade dos seus superiores. Ou vocês pretendem ser mais sábios do que eles?” Alguns dos principais tinham aceitado Cristo (Mateus 9.18; João 4.53), e mais deles criam nele, mas lhes faltava a coragem para confessá-lo (cap. 12.42). Porém, quando o interesse por Cristo diminui no mundo, é comum que seus adversários o representem como menor do que realmente é. Mas também era verdade que poucos, muito poucos deles, o aceitaram. Observe que, em primeiro lugar, a causa de Cristo raramente tinha os principais dos sacerdotes e os fariseus do seu lado. Ela não precisa de apoios seculares, nem propõe vantagens seculares, e, portanto, nem corteja nem é cortejada pelos grandes homens deste mundo. A renúncia a si mesmo e a cruz são duras lições para os principais dos sacerdotes e os fariseus. Em segundo lugar, o fato de que os principais dos sacerdotes e os fa1iseus não o viam com bons olhos confirmava a muitos seus preconceitos contra Cristo e seu Evangelho. Pretenderão os homens seculares se preocupar mais com as coisas espirituais do que os próprios homens espirituais, ou ver mais na religião do que aqueles que têm por profissão o estudo da religião? Se os principais e os fariseus não creem em Cristo, aqueles que creem nele serão as pessoas mais singulares, antiquadas e mal-educadas do mundo, e sem preferências. Desta maneira, as pessoas são tolamente influenciadas por motivações externas em questões de gravidade eterna, dispõem-se a serem condenadas em nome da moda, e a irem para o inferno como um gesto de cortesia aos governantes e fariseus.

[2] Que eles irão se unir a um tipo vulgar e desprezível de pessoas (v. 43): “Mas esta multidão, que não sabe a lei, é maldita”, referindo-se especialmente àqueles que eram influenciados pela doutrina de Cristo. Observe, em primeiro lugar, com que zombaria e desdém eles se referem a estas pessoas: “Esta multidão”, para distingui-los dos que eram o clero, mas, esta gentalha, estas pessoas patéticas, escandalosas e ordinárias, a quem eles desdenhavam a ponto de colocá-las com os cães do seu rebanho, embora Deus as tivesse colocado com os cordeiros do seu. Se eles queriam referir-se às pessoas comuns da nação judaica, estas eram a semente de Abraão, e tinham um concerto com Deus, e não deviam ser mencionadas com tanto desprezo. Os interesses comuns da igreja são traídos quando uma parte dela trama para tornar a outra inferior e desprezível. Se eles queriam referir-se aos seguidores de Cristo, embora fossem, em geral, pessoas de pouca fama, ainda assim, reconhecendo a Cristo, eles revelavam inteligência, integridade e interesse pelos favores do Céu, o que os tornava verdadeiramente grandes e dignos de consideração. Observe que, assim como a sabedoria de Deus frequentemente escolhia elementos humildes, e que eram desprezados, também a tolice dos homens comumente humilhou e desprezou aqueles a quem Deus escolheu. Em segundo lugar, com que injustiça eles os repreendem, como sendo ignorantes da palavra de Deus: “Esta multidão… não sabe a lei”, como se ninguém conhecesse a lei, exceto os que a conheciam por intermédio deles, e nenhum conhecimento sobre as Escrituras existisse, exceto o que saía das suas mentes, e como se ninguém conhecesse a lei, exceto aqueles que observavam seus cânones e suas tradições. Talvez muitos daqueles que eram assim desprezados conhecessem a lei, e também os profetas, melhor do que eles. Muitos discípulos de Cristo, simples, honestos e sem instrução, pela meditação, experiência, orações, e principalmente pela obediência, obtêm um conhecimento mais claro, sólido e útil da palavra de Deus do que muitos grandes estudiosos, com toda a sua inteligência e todo o seu estudo. Assim, Davi veio a ter mais conhecimento do que os velhos e todos os seus mestres, Salmos 119.99,100. Se as pessoas comuns não conheciam a lei, ainda assim os principais dos sacerdotes e os fariseus, entre todos os homens, não deviam tê-las censurado por isto, pois de quem podia ser a culpa, exceto deles mesmos, que podiam tê-las ensinado melhor, mas, em vez disto, removiam a chave da ciência? Lucas 11.52. Em terceiro lugar, a maneira magistral como proferem uma sentença sobre a multidão: ela “é maldita”, odiosa a Deus e a todos os homens sábios, um povo execrável. É interessante que o fato de que a pronunciassem maldita não a tornava maldita, pois a maldição sem causa não virá (Provérbios 26.2). É uma usurpação da prerrogativa de Deus, além de uma grande falta de caridade, dizer a quaisquer pessoas em particular, muito menos a qualquer grupo de pessoas, que elas são reprováveis. Nós somos incapazes de julgar, e, portanto, inadequados para condenar, e nossa regra é: ”Abençoar e não amaldiçoar”. Alguns pensam que eles não queriam dizer nada além de que as pessoas podiam ser enganadas e ludibriadas, mas eles usam estas palavras odiosas: “Esta multidão é maldita”, para expressar sua própria indignação, e para amedrontar os servidores, por terem algo a favor da multidão. Assim, a linguagem do inferno, na nossa época profana, chama de maldita, condenável e desgraçada qualquer coisa que lhe seja desagradável. Pelo que parece, estes servidores tiveram suas convicções confundidas e asfixiadas por estas sugestões, e nunca mais procuraram a Cristo. Uma palavra de um principal ou fariseu influenciará mais a muitas pessoas do que a verdadeira razão das coisas e os maiores interesses das suas almas.

 

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