ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 7: 14-36 – PARTE II

Alimento diário

Cristo na Festa dos Tabernáculos

 

Aqui o povo rudemente interrompeu as palavras de Jesus, e contradisse o que Ele dizia (v. 20): “Tens demônio; quem procura matar-te?” Isto evidencia:

[l] A boa opinião que o povo tinha dos seus líderes, que, na opinião deles, nunca tentariam algo tão atroz como matá-lo. Tal era a veneração que tinham pelos seus anciãos e principais dos sacerdotes, que poderiam jurar que eles não fariam mal a um homem inocente. Provavelmente, os lideres tinham, no meio da multidão, seus emissários, que lhes sugeriram isto. Muitos negam a maldade ao mesmo tempo em que a planejam.

[2] A má opinião que tinham do nosso Senhor Jesus: “Tens demônio”. Tu estás possuído por um espírito mentiroso, e és um homem mau por dizeres isto”, segundo alguns intérpretes. Ou, mais exatamente: “Você é melancólico, e um homem fraco. Você se amedronta com temores infundados, como fazem as pessoas hipocondríacas”. Não apenas as loucuras declaradas, mas também as melancolias silenciosas eram comumente atribuídas ao poder de Satanás. “Você está louco, está com a mente perturbada”. Não devemos julgar estranho se aos melhores homens forem atribuídas as piores características. A esta calúnia vil, nosso Salvador não responde diretamente, mas aparenta não ter tomado conhecimento dela. Observe que aqueles que desejam ser como C1isto devem tolerar pacientemente as afrontas, e ignorar as indignidades e ofensas que lhes forem feitas, não devem levá-las em consideração, e muito menos se ressentir por elas, e ainda menos se vingar delas. “Eu, como surdo, não ou­ via”. Quando Cristo era injuriado, não injuriava.

(2) Ele argumenta sob a forma de apelação e defesa.

[1] Ele recorre aos seus próprios sentimentos sobre este milagre: “Fiz uma obra, e todos vos maravilhais”, v. 21. “Vocês não podem deixar de se maravilhar, porque esta obra é verdadeiramente grandiosa, e completamente sobrenatural. Todos vocês devem reconhecer que ela é maravilhosa”. Ou: “Embora Eu tenha realizado apenas uma obra na qual vocês têm algum pretexto para encontrar algum defeito, vocês se ofendem e desagradam como se Eu fosse culpado de algum crime terrível ou hediondo”.

[2] Ele apela para suas próprias práticas em outros exemplos: “Eu ‘fiz uma obra’ no sábado, e ela foi realizada facilmente, com o pronunciar de uma palavra, e vocês todos se assombram, vocês acham estranho que um homem religioso tenha ousado realizar tal coisa, ao passo que vocês mesmos, muitas vezes, fazem no sábado o que é um trabalho muito mais servil, no caso da circuncisão. Se é lícito para vocês, e se é seu dever, circuncidar uma criança no sábado, quando acontece do sábado ser o oitavo dia, sem ter nenhuma dúvida, muito mais lícito e bom era que Eu curasse um homem enfermo no mesmo dia”. Observe:

Em primeiro lugar, o rito e a origem da circuncisão: “Moisés vos deu a circuncisão”, ele lhes deu a lei a este respeito. Aqui:

1. Está escrito que a circuncisão foi dada, e (v. 23) está escrito que eles a receberam. Ela não lhes foi imposta como um jugo, mas lhes foi conferida como uma graça. Observe que as ordenanças de Deus, e particularmente aquelas que são selos do concerto, são dons dados aos homens, e assim devem ser recebidas.

2. Está escrito que Moisés a deu, porque ela era parte daquela lei que lhe fora dada. No entanto, como Cristo falou a respeito do maná (cap. 6.32), Moisés não o deu, mas foi Deus. Ou melhor, não era de Moisés, a princípio, mas dos pais, v. 22. Embora estivesse incorporada à instituição mosaica, ela tinha sido ordenada muito antes, pois era um selo da justiça da fé, e, portanto, tinha tido início com a promessa, quatrocentos e trinta anos antes, Gálatas 3.17. A irmandade de crentes da igreja, e sua semente, não era de Moisés ou de sua lei, e, portanto, não caiu com ela. Ela era dos pais, pertencia à igreja patriarcal, e era parte daquela bênção de Abraão que devia chegar aos gentios, Gálatas 3.14.

Em segundo lugar, o respeito devotado à lei da circuncisão, acima do devotado ao sábado, na prática constante da igreja judaica. Os judeus casuístas frequentemente observam: A circuncisão e sua cura afastam o sábado, de modo que se uma criança nascesse em um sábado, sem dúvida seria circuncidada no sábado seguinte. Então, se quando o descanso do sábado era algo em que se insistia com tanta rigidez, ainda assim estas obras eram permitidas, porque eram para preservar a religião, muito mais eram elas permitidas agora, sob o Evangelho, quando a ênfase é colocada mais sobre o trabalho aos sábados.

Em terceiro lugar, a conclusão que Cristo tira disso para justificativa de si mesmo, e daquilo que Ele tinha feito (v. 23): “Um filho varão recebe a circuncisão no sábado, para que a lei da circuncisão não seja quebrantada”. Os mandamentos divinos devem ser interpretados como tendo coerência uns com os outros. “Se isto é permitido por vocês, como vocês são pouco razoáveis, pois estão irados comigo porque curei um homem no sábado!”. A palavra é usada somente aqui, originada de  fé e rancor. Eles estavam enfurecidos com Ele, com a máxima indignação. Era uma ira rancorosa, uma ira com rancor em si. Observe que é extremamente absurdo e irracional que condenemos nos outros aquilo que defendemos em nós. Observe a comparação que Cristo faz entre a circuncisão que eles faziam de uma criança e a cura que Ele fez de um homem no sábado.

1. A circuncisão era apenas uma instituição cerimonial. Era realmente dos pais, mas não desde o início. Porém, o que Cristo fazia era uma boa obra, pela lei da natureza, uma lei mais excelente do que aquela que fazia da circuncisão uma boa obra.

2. A circuncisão era uma ordenança sangrenta, e trazia dor, mas o que Cristo fazia era cura, e trazia plenitude. As obras da lei causam aflição, e se estas obras podem ser realizadas aos sábados, muito mais as obras do Evangelho, que produzem paz.

3. Considerando especialmente que, quando se circuncidava uma criança, a preocupação era somente curar aquela parte que tinha sido circuncidada, o que podia ser feito, e ainda assim a criança poderia sofrer de outras enfermidades. Porém, Cristo curou este homem de uma forma completa, fez com que o homem se tornasse saudável em todo o seu organismo. O corpo todo foi curado, pois a doença afetava o corpo todo, e foi uma cura perfeita, de modo que não houve sequelas da doença. Na verdade, Cristo não somente curou seu corpo, mas também sua alma, com a advertência: “Não peques mais”, e desta maneira, Ele verdadeiramente curou o homem todo, pois a alma é o homem. O propósito da circuncisão, na verdade, era o bem da alma, e atingir o homem todo, como deveria ser. Mas eles a tinham corrompido, e a tinham transformado em uma mera ordenança carnal. Porém, as curas exteriores que Cristo realizava eram acompanhadas com a graça interior, e, desta maneira, tornavam se sacramentais, e curavam o homem todo.

Ele finaliza esta argumentação com a regra (v. 24): “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça”. Isto pode ser aplicado, ou, em primeiro lugar, particularmente a esta obra, que eles argumentavam que era uma violação da lei. Não sejam parciais no seu julgamento. Não julguem com respeito às pessoas, de acordo com a aparência das pessoas, que é a expressão em hebraico, Deuteronômio 1.17. É contrário à lei da justiça, assim como da caridade, censurar aqueles que têm opiniões diferentes das nossas, como se fossem transgressores, assumindo aquela liberdade que só permitimos àqueles que fazem parte do nosso próprio círculo, e caminho, e opinião. Também é errado elogiar alguns que demonstram uma rigidez e severidade desnecessária, algo que, em outros, nós condenamos como imposição e perseguição. Ou, em segundo lugar, de maneira geral, à pessoa e à pregação de Cristo, com que eles se ofendiam e das quais tinham preconceitos. As coisas que são falsas, e que são designadas a impor-se sobre os homens, normalmente têm melhor aparência quando julgadas segundo a aparência externa, elas parecem mais plausíveis à primeira vista. Foi isto que conquistou aos fariseus tanto interesse e reputação, que por fora realmente pareciam formosos (Mateus 23.27,28), e os homens os julgavam de acordo com esta aparência, e eram tristemente enganados por eles. “Mas”, diz Cristo, “não confiem excessivamente que todos os que parecem santos realmente o são”. Com referência a si mesmo, sua aparência externa estava muito longe da sua verdadeira dignidade e excelência, pois Ele assumiu a forma de servo (Filipenses 2.7), era em semelhança da carne do pecado (Romanos 8.3), não tinha parecer nem formosura, Isaías 53.2. De modo que aqueles que se dedicavam a julgar se Ele era ou não o Filho de Deus, pela sua aparência exterior certamente não faziam um julgamento justo. Os judeus esperavam que a aparência exterior do Messias fosse pomposa e magnífica, e de acordo com todas as cerimônias de grandiosidade secular. E julgando Cristo segundo esta regra, seu julgamento foi, do princípio ao fim, um contínuo engano, pois o reino de Cristo não seria deste mundo, não viria com aparência exterior. Se um poder divino o acompanhava, e Deus lhe dava testemunho, e as Escrituras se cumpriam nele, ainda que sua aparência fosse humilde, eles deviam recebê-lo, e julgar pela fé, e não segundo a vista dos seus olhos. Veja Isaías 11.3 e 1 Samuel 16.7. Cristo e sua doutrina e suas obras não desejam nada além de um julgamento justo. Se a verdade e a justiça pudessem apenas dar a sentença, Cristo e sua causa seriam vitoriosos. Não devemos julgar a ninguém segundo sua aparência exterior, nem segundo seus títulos, segundo o papel que desempenha no mundo, ou pela sua manifestação agitadora, mas pelo seu valor intrínseco, e pelos dons e graças do Espírito de Deus em sua vida.

4. As palavras de Cristo a respeito de si mesmo, de onde Ele vinha e para onde Ele ia, vv. 25-36.

(1) De onde Ele vinha, vv. 25-31. Quanto a isto, observe:

[1] A objeção feita por alguns dos habitantes de Jerusalém, que pareciam ter mais preconceitos contra Ele do que os demais, v. 25. Poderíamos pensar que aqueles que viviam junto à origem do conhecimento e da religião fossem os mais dispostos a receber o Messias. Mas, na verdade, era exatamente o contrário. Aqueles que têm abundância dos meios do conhecimento e da graça, se não são aperfeiçoados por eles, normalmente são piorados, e nosso Senhor Jesus frequentemente encontrava a pior acolhida por parte daqueles de quem se esperaria a melhor. Não foi sem justa razão que isto se transformou em provérbio: Quanto mais próximo da igreja, mais distante de Deus. Estas pessoas de Jerusalém mostravam sua má vontade para com Cristo:

Em primeiro lugar, por sua reflexão sobre os líderes, porque eles o abandonavam: “Não é este o que procuram matar?” A multidão de pessoas que vinha de fora para a festa não suspeitava que houvesse algum desígnio em andamento contra Jesus, e por isto perguntaram: “Quem procura matar-te?” v. 20. Mas os que habitavam em Jerusalém conheciam a trama, e incentivavam seus líderes a colocá-la em execução: “Não é este o que procuram matar?” Por que não o fazem então? Quem os impede? Eles dizem que desejam tirá-lo do caminho, e ainda assim, veja! Ele está falando abertamente, e nada lhe dizem. “Porventura, sabem, verdadeiramente, os príncipes, que este é o Cristo?” v. 26. Aqui, eles insinuam astutamente e maliciosamente duas coisas, para exasperar os príncipes contra Cristo, quando eles realmente precisavam de incentivo.

1. Ao conspirarem contra sua pregação, eles traziam o desprezo sobre sua autoridade. “Um homem que é condenado pelo Sinédrio como sendo enganador pode receber a permissão para falar abertamente, sem nenhuma censura ou contradição? Isto faz com que a sentença seja apenas uma ameaça inútil. Se nossos líderes toleram ser pisoteados desta maneira, eles podem agradecer a si mesmos, se ninguém se maravilhar com eles ou com suas leis”. Observe que a pior das perseguições frequentemente é realizada sob o pretexto do apoio necessário à autoridade e ao governo.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

3 comentários em “ALIMENTO DIÁRIO”

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