PSICOLOGIA ANALÍTICA

SEXUALIDADE DESVIANTE

De onde vem o impulso libidinal anômalo que faz sentir atração sexual por crianças e adolescentes? E o que fazer contra ele? A pedofilia tem componentes psicológicos e neurológicos – e talvez genéticos – identificáveis e passíveis de tratamento.

Sexualidade desviante

Um homem e uma menina estão sentados num banco de parque. Ela olha para um livro. Ele a observa. Em pouco tempo eles iniciam uma conversa e são simpáticos um com o outro. “Quer sentar no meu colo? “, ele pergunta em voz baixa. Nesse momento, um traço de excitação é revelado em sua voz.

No cinema, os espectadores afundam na cadeira. Eles assistem ao filme de Nicole Kasell, O Lenhador (2003), que conta a história de um homem pedófilo. Após 12 anos de prisão por abuso infantil, Walther tenta começar uma nova vida – com apartamento próprio, trabalho e uma mulher a seu lado. Porém, retomar vida normal não é tão simples. Walther sentiu a fria rejeição de seus colegas de trabalho, sofreu com o desprezo da irmã e com o preconceito da polícia. Com razão, talvez? Os espectadores se perguntam: será que um homem como Walter é capaz de mudar? Ou suas pulsões são tão extremas que é mais conveniente mantê-lo permanentemente afastado?

A opinião pública é quase unânime: todo indivíduo que sente atração por crianças representa um perigo. No entanto, os dados científicos dizem o contrário. Nem todos os homens com tendências pedófilas chegam a vivê-las e agem de forma violenta. Além disso, homens que abusam de crianças não são necessariamente pedófilos.

O conceito de pedofilia (do grego Pais: menino, criança, e Philia, amizade) foi criado em 1890 pelo psiquiatra alemão Richard Freiher von Krafft Ebing. Em sua obra Psycopathia Sexuals, que mais tarde se mostrou revolucionária, descreveu padrões de doenças relacionadas a diferentes preferências sexuais. Desde então, sexualidade desviante não foi mais considerada crime, mas entendida, em determinados casos, como distúrbio patológico. Krafft Ebing distingue a Pedophilia erótica, na qual as pessoas se sentem atraídas por crianças desde a puberdade, de outras formas de abuso infantil, como por exemplo, a de “homens, impotentes com baixa autoestima que se satisfazem com um objeto sexual mais fraco (como uma criança)”.

FRUSTRAÇÃO E HUMILHAÇÃO

Hoje os especialistas identificam dois tipos de pedófilos: reativos e violentos (agressivos e deslocados socialmente). Os primeiros são, sobretudo, homens sexualmente inexperientes ou com atraso do desenvolvimento psicomotor e que por isso não conseguem manter uma relação equilibrada com adultos. Eles vivenciaram frustrações e humilhações em seus relacionamentos amorosos e escolheram crianças como compensação. O mesmo vale para a chamada pedofilia de idade, descrita por Krafft-Ebing, homens que por causa da senilidade ou da diminuição da potência sexual concentram seu interesse em parceiros sobre os quais mantêm ascendência. Além disso, ao grupo dos reativos somam-se também aqueles que por causa da profissão têm intenso contato com crianças. Esses indivíduos se sentem protegidos pelo trabalho e aproveitam-se dessa situação para estabelecer um relacionamento de interesse sexual com as crianças.

Indivíduos violentos, em geral deslocados socialmente, por outro lado, muitas vezes são sexualmente sádicos e procuram vítimas para sua satisfação ao acaso – dentre elas, crianças incapazes de se defender contra agressões. Em geral, têm distúrbios de relacionamento e buscam simplesmente satisfazer suas necessidades sexuais, sem sentir falta de uma relação ou segurança íntimas. Elas utilizam o sexo para se auto- afirmar ou como recompensa, sobretudo quando passam por fases frustrantes na vida.

A divulgação das pesquisas de Krafft-Ebing deu início a uma busca por causas psicológicas e biológicas de tal sexualidade desviante. A partir da metade da década de 80, estudos do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Toronto notaram a existência de uma suposta cadeia de relações entre pedofilia e determinadas afecções no cérebro. O grupo, organizado pelo psicólogo Ron Langvin, descobriu alterações semelhantes na região do lobo frontal de homens que abusavam de crianças. Essa área é responsável por funções importantes da cognição, bem como pela capacidade de se planejar ações e controlar emoções e relacionamentos. Com isso, os pesquisadores registraram que a preferência sexual se modifica em pacientes com tumores cerebrais localizados no lobo temporal.

Em 2002, uma equipe do mesmo instituto organizada por Ray Blanchard pesquisou essas relações em 1.200 pacientes, buscando entender em que grau lesões no cérebro ocasionadas na primeira infância aumentam a probabilidade de desenvolver tendências pedófilas. Nesse procedimento, os psicólogos dividiram os pacientes de acordo com suas preferências sexuais, separando-os em grupos de pedófilos e não-pedófilos. Os pesquisadores lhes perguntavam sobre dados de sua história patológica pregressa – sobretudo se eles tinham sofrido algum trauma craniano com perda de consciência. A conclusão foi que, por um lado, os acidentes ocorridos antes do sexto ano de vida em geral acarretavam baixo nível de inteligência e formação; por outro, essas mesmas lesões eram frequentemente acompanhadas por pedofilia.

Portanto, perturbações do sistema nervoso central na infância podem levar a tendências sexuais fora do padrão biológico na idade adulta. Ao mesmo tempo, é possível que um déficit de desenvolvimento congênito também cause propensão para a pedofilia. O transtorno de hiperatividade, também conhecido como transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, é associado à pedofilia por alguns estudiosos. Médicos diagnosticam esse transtorno com frequência na infância e adolescência de pedossexuais.

Outros pesquisadores supõem que as causas biológicas da pedofilia estejam na herança genética humana. Em 1984, a equipe de Fred Berlin, da Universidade John Hopkins, em Baltimore, avaliou a frequência com que ocorrem casos de pedofilia e de outros comportamentos sexuais desviantes em indivíduos de famílias com boas condições socioeconômicas. A pesquisa restringia-se a um pequeno número de casos. Causas genéticas, principalmente, não puderam ser comprovadas. Porém, tal explicação simplista não seria esperada no atual estágio do conhecimento, em que se sabe que existem complexas relações entre efeitos genéticos e ambientais.

O PRIMEIRO AMOR

O foco de atenção da pesquisa está hoje nas fases críticas do desenvolvimento de um homem na infância e na adolescência. Essa é a fase em que a sexualidade é formada – assim como preferências e modos de agir, os chamados “lovemaps”, que determinam com que idade alguém escolhe suas preferências sexuais ou que papel mais gosta de representar: se uma pessoa se comporta em relação ao seu parceiro de forma carente, egoísta, tímida, passiva ou agressiva.

De acordo com o cientista social americano Davis Finkelhor, da Universidade de New Hampshire, quatro fatores principais contribuem para o desenvolvimento de um comportamento pedófilo. Seu modelo, de 1984, parte de uma espécie de falha de conduta, não tolerada, de homens adultos que reagem com excitação ao sinal “criança”. Mais uma vez, as causas desse tipo de atração são múltiplas e estão relacionadas, na maioria dos casos, a indivíduos que tiveram infância e adolescência difíceis. Assim, pode-se dizer que homens pedófilos foram, muitas vezes, vítimas de violência e abusos sexuais na infância.

Um segundo fator é a identificação emocional do adulto com a vida e o pensamento infantis – em consequência de uma formação psicológica frágil ou de baixa auto- estima. A isso se soma um terceiro fator que é um bloqueio do desenvolvimento de uma sexualidade normal, gerado por um medo sexual profundo e cristalizado. Por fim, há ainda uma “dedução” geral, pedófilos sofrem, geralmente, de psicoses, transtorno obsessivo compulsivo ou alcoolismo.

Depois desses resultados, duas equipes inglesas desenvolveram diferentes pesquisas para estudar a influência de experiências traumáticas na infância e na adolescência no desenvolvimento da pedofilia. Em 2001, pesquisadores do Hospital Escola Royal Free analisaram 747 pacientes de uma policlínica forense e concluíram que os protagonistas de abusos eram com mais frequência vítimas de violência sexual. Em2003, um estudo do Instituto da Saúde da Criança de Londres revelou que vítimas de abuso tendem a se tomar futuros agressores sexuais: os pesquisadores interrogaram 224 jovens que sofreram abusos e descobriram que 12% dos meninos se tornaram eles próprios protagonistas de abusos. Nessa troca de papéis, de vítima a agente, parece que a tese psicanalítica se comprova, com o desejo sexual desviante procura se transformar uma derrota na infância em triunfo na idade adulta.

Uma outra motivação para os homens está no fato de que eles se identificam com o modo de pensar das crianças (de acordo com o segundo fator de Finkelhor). Nesses casos, a chamada congruência emocional faz com que os homens experimentem um sentimento de sorte e segurança quando estão na companhia de crianças – ocasião em que podem se tornar criança novamente. Atos sexuais não estão necessariamente no foco de seu interesse, ao contrário, seu desejo surge de uma “genuína” vontade de estabelecer relacionamento. É famoso o caso do autor de livros infantis Charles Ludwig Dodgson (1832-1898), conhecido por seu pseudônimo Lewis Carroll. Ele criou o mundo de sonhos infantil de Alice no País das Maravilhas, lugar onde ele parecia se sentir melhor.

TRAUMA NO PROPRIO CORPO

Temos a impressão de que o distúrbio pedófilo está relacionado a uma dimensão decisiva da vida amorosa de um indivíduo, tal como conflitos com pessoas próximas na infância, como a mãe ou o pai, por exemplo. A psicoterapia é indicada para conhecer e superar acontecimentos traumáticos, assim como crises de identidade e auto estima da vida de um homem considerado pedófilo. Com frequência, os pacientes sofrem de alterações cognitivas enganosas, muitos abusadores se convencem que “no fim das contas, a criança gostou”.

Além da psicoterapia, medicamentos como antidepressivos do grupo de “inibidores seletivos de recaptação de serotonina”(ISRS) são geralmente utilizados no tratamento. Eles são indicados em casos de depressão, distúrbios de medo e ansiedade, assim como em casos de distúrbio de preferência sexual. Esses inibidores aumentam a quantidade disponível de serotonina no cérebro, causando no indivíduo uma sensação de bem-estar. Estudos realizados em 2003 por nosso grupo comprovam, especialmente no tratamento de pedófilos, a existência de um efeito dos ISRS na orientação dos afetos: com o uso de ISRS observou-se evidente diminuição das fantasias sexuais e das necessidades sexuais e de masturbação. No entanto, faltam ainda estudos de controle mais definitivos, com o auxílio de placebos.

Médicos depositam novas esperanças em substâncias que agem em um plano mais superior do ciclo regular hormonal do hipotálamo e da hipófise. No cerne da pesquisa estão os chamados “análogos dos hormônios liberadores do hormônio luteinizante” (análogos de LH e RH). Essas substâncias são utilizadas no tratamento de câncer de próstata: o crescimento do carcinoma depende, entre outros fatores, da produção do hormônio masculino testosterona. Os médicos conhecem há 30 anos a influência desse hormônio na agressividade e na anti- sociabilidade de um indivíduo. Análogos de LH e RH influenciam não apenas a produção de testosterona, como são capazes de diminuí-la até níveis de castração. Pacientes que trataram sua sexualidade desviante com esse medicamento mostraram-se claramente menos agressivos com o uso dessa fórmula.

Apesar do sucesso no uso de tais medicamentos, a psicoterapia não pode ser abandonada. Ao contrário do que se pensa, às vezes o medicamento utilizado alivia o paciente e faz com que ele não sinta mais necessidade de falar abertamente sobre suas fantasias sexuais angustiantes e sobre seu comportamento. Quando a parte do cérebro responsável pela sexualidade desviante, pela confiança e pela estabilidade da auto estima é alterada, a identidade do indivíduo sofre um abalo e observamos, com frequência, crises pessoais agudas. Em tais casos, o psicoterapeuta deve, junto com o paciente, procurar encontrar um substituto para a função da atividade pedófila. A bem da verdade, a maioria dos pedófilos deve aprender a controlar sua inclinação sexual por toda a vida.     

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NO BRASIL, FALTA DE RECURSOS E SILÊNCIO DIFICULTAM LEVANTAMENTO

O tema é delicado e grave. As estatísticas, escassas no Brasil. Embora a pedofilia já aparecesse nos escritos de Sigmund Freud em 1896, só na última década o assunto passou a ser discutido no país de forma mais sistemática, inclusive entre profissionais de saúde. É comum que especialistas se referiram ao tema, muitas vezes considerado tabu, como “um campo de areias movediças”. Segundo dados obtidos pela Associação Brasileira Multidisciplinar de Proteção à Infância (Abrapia), o Sudeste é a região com mais casos de denúncias a órgãos públicos (52 %) nos últimos cinco anos. O estado do Rio é líder de denúncias, com 29% do total, seguido por São Paulo, com 15%.

De acordo com psicólogos e psicanalistas, porém, os números podem estar longe de revelar a dimensão do problema. “As dificuldades para obter dados confiáveis são inúmeras. Faltam recursos para realização de levantamentos e a pressão que se coloca sobre a vítima impõe códigos de silêncio; a própria família, muitas vezes, oculta o caso”, diz o psicólogo judiciário e psicanalista Sidney Shine, que estuda o tema. No Brasil, a Lei 8069 /90, conhecida como Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), tomou a notificação obrigatória a professores, médicos e profissionais de saúde em geral (incluindo psicólogos e psicanalistas).

A doutora em psicologia clínica Sandra Dias, professora de psicopatologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, lembra que o termo pedofilia (amor e desejo por crianças, surgido na Grécia), por si só, não designa um crime. “O que é condenável é o abuso sexual, físico ou psicológico, uma vez que a criança não tem condições emocionais e psíquicas para fazer escolhas e se defender”, ressalta. O abuso pode se dar de forma incestuosa – e é nesse ambiente que a maioria dos casos ocorre-, a partir de um profissional ou amigo dos pais, com quem a vítima mantém relação de proximidade afetiva ou, num nível mais amplo, com a prostituição infantil ou a veiculação de imagens pornográficas.

“Embora seja delicado falar de um perfil do abusador, sabemos que a maioria é do sexo masculino, tem entre 30 e 45anos, bom nível de inteligência e informação, independentemente da classe social a que pertence, é habilidoso para se aproximar da criança.” Muitos apresentam tendência à compulsão, baixa auto- estima e histórico de abuso sofrido na infância.  Especialistas ressaltam, porém, que a presença dessas características não basta para identificar um pedófilo.

“O pedófilo sente-se atraído pela criança amada pela mãe que ele mesmo foi um dia; ele está fixado nessa imagem e na maioria dos casos não sente culpa; baseado em racionalizações chega mesmo a acreditar que foi a criança quem o seduziu”, diz Sandra. Muitas vezes, o abusador está bem mais perto do que se imagina e em lugares inusitados. São frequentes os registros de casos nos quais o pedófilo se aproxima da vítima e a conquista, usando a relação profissional privilegiada que mantém com ela para trair sua confiança e cometer o abuso.

Em 2002, por exemplo, os pais de mais de 2 mil adolescentes, clientes do pediatra Eugenio Chipkevitch, ficaram alarmados diante das imagens contidas num lote de 37 fitas. O material revelava cenas de abuso sexual praticado contra cerca de 40 meninos, com idades entre 8 e 17 anos, que ocorriam durante as consultas médicas. Depois de sedá-los, ele os despia, e enquanto estavam inconscientes, fazia-lhes carícias e tocava seus órgãos genitais. Ucraniano naturalizado brasileiro, o pediatra era conhecido como uma das maiores autoridades do país quando o assunto era adolescência. Pouco antes dos escândalos, Chipkevitch havia sido mencionado pela Universidade de Cambridge na listados 2 mil cientistas mais importantes do século XX.

O advento da internet tem facilitado a vida de muita gente em todo o planeta. E também dos pedófilos. A psicóloga Dalka Chaves de Almeida Ferrari, coordenadora do Centro de Referência às Vítimas de Violências, do Instituto Sedes Sapientiae, diz que crianças na faixa dos 8 anos, ainda sem condição de discernimento são as mais suscetíveis ao assédio online. Pela rede, possíveis abusadores entram facilmente em chats infanto-juvenis e blogs e assumem personalidades fictícias para convencer as crianças. “Para se aproximar dos pequenos e conquista-los, os criminosos usam termos da linguagem infantil e muitos até criam sites com temática que interessem às crianças”, afirma Sandra Dias. “É fundamental que pais e professores estejam em alerta, conversem com seus filhos e orientem sobre riscos e pessoas mal-intencionadas.”

Dados da organização não-governamental Itália na Telefono Arcobaleno, empenhada na defesa da infância, mostram que o Brasil ocupa o 4º lugar no ranking mundial de países com números de sites voltados para a pornografia infantil (atrás da Rússia, Coréia do Sul e Estados Unidos). No relatório de 2003, a entidade – que trabalha com informações fornecidas por polícias de vários países, pela Interpol (Polícia Internacional) e pelo FBI (polícia federal dos EUA) – rastreou mais de 1.200sites de pornografia infantil no Brasil.

Mas, se há abusadores, também existem pessoas empenhadas em denunciar e coibir o abuso virtual. É o caso do técnico em informática Anderson Batista e sua mulher, a advogada Rosane Miranda, de São José dos Campos. Os dois criaram um site (www.denuncia.org.br) para receber e encaminhar informações sobre pedofilia e para as polícias no Brasil e no exterior. Graças ao trabalho voluntário, já foram elaborados quase 7 mil registros de abuso infantil.

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PEDOFILIA E A LEI

De acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) válida mundialmente, o conceito de pedofilia engloba fantasias intensas, excitantes e reincidentes, que pressupõem ato sexual com crianças de 13 anos ou menos e que ocorrem há, no mínimo, mais de seis meses.

Isso pode soar um pouco árido, mas possui consequências importantes: a pedofilia foi categorizada como distúrbio patológico – ao menos ainda é considerada assim. Algumas pessoas são a favor da exclusão de parafilias da CID, por exemplo casos de exibicionismo e voyeurismo. Pedofilia tem para a OMS o mesmo peso que o homossexualismo, como uma forma de orientação sexual, que tem sua origem no desenvolvimento pessoal.

Apesar de a pedofilia não ser considerada juridicamente como crime de orientação sexual desviante, na maioria dos países tal condição, assim como o contato sexual com crianças, é reprovado. Da mesma forma, medidas compensatórias como a produção, a propriedade ou a aquisição de representações que mostrem crianças em ato ou posição sexuais (pornografia infantil) também são reprováveis. De acordo com estatísticas policiais todo ano cerca de 20 mil crianças são vítimas de violência sexual.

OUTROS OLHARES

A DURA VIDA DO BEIJA-FLOR

A aparência frágil e delicada esconde uma espécie agressiva e egoísta. Sexo, por exemplo, só consegue à força.

A dura vida do beija-flor

Nem tudo são rosas para quem vive de flores. Os dias num mundo feito de néctar e cores se passam em ataques contra inimigos maiores e coração acelerado a literais 1.000 batidas por minuto. Sexo, só o conquistado no grito. É dura a vida do beija-flor. O deleite está em apreciá-los, o que no Brasil pode ser feito em quase qualquer lugar, do asfalto à floresta. Ou até mesmo nas páginas de livros, como o recém-lançado Beija-flores do Brasil (editora Marte), que torna essas obras-primas da natureza em obras de arte em papel.

Esse não é o primeiro guia sobre beija-flores brasileiros, mas inova ao tratar a arte com o rigor da ciência. “Ilustrações são melhores porque muitas espécies são difíceis de fotografar, e as fotos nem sempre mostram os detalhes”, explicou Luís Fábio Silveira, um dos autores do livro e o curador da maior coleção de aves brasileiras do mundo, a do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP).

Silveira assina os textos, e Eduardo Parentoni Bretta as ilustrações. O mineiro Bretta trabalha para alguns dos principais centros de ornitologia do país e do exterior, como os da USP e o da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. “É um privilégio ter o trabalho de Brettas, o maior pintor de aves do Brasil”, elogiou Silveira.

Ganham novos ares o brilho-de-fogo (Topaza pella), o maior e um dos mais belos colibris do Brasil, e raridades como o rabo-branco-de-margarette, ou balança-rabo-de-margarette (Phaethornis margarettae), cujo nome popular acabou por se tornar uma duvidosa homenagem a Margaretta du Pont Greenewalt, mulher de Crawford Hallock Greenewalt, que foi presidente da DuPont e conservacionista. Hoje esse rabo -branco só existe em algumas poucas áreas do litoral da Bahia e do Espírito Santo.

O livro chama a atenção também para o pouco conhecido micro­ cosmo dos beija-flores, onde a aparência muitas vezes engana. Nele, as cores não se originam de pigmentos, mas da iridescência. O fenômeno óptico é produzido por estruturas nas penas que refletem a luz em diferentes ângulos e fazem com que a tonalidade e o brilho mudem de acordo com a posição do observador.

Daí se originam os nomes indígenas colibri – resplandecente – guainumbi – ave cintilante – e guaraciaba – raio de sol. Para reproduzir em tinta o espetáculo de plumas e penas de cada uma das 87 espécies do Brasil, Brettas precisou recorrer a uma paleta de mais de 2 mil cores.

As menores espécies, como o topetinho-vermelho (Lophornis magnificus), pesam 2 gramas, menos que a finada moeda de R$ 0,01, e chegam a não mais que 6 centímetros – perdem até para besouros. As maiores, como o brilho-de-fogo e o beija-flor-tesoura (Eupetomena macroura) – uma das mais comuns do país -, figuram fácil em qualquer jardim, pesam 9 gramas e medem até 20 centímetros.

Tudo é superlativo na vida desses passarinhos que comem para se mover e se movem para comer. Um colibri precisa visitar até 2 mil flores por dia. Para isso, voa quase sem cessar, chega a 80 quilômetros por hora, com tiros curtos de 150 quilômetros por hora. O coração alcança 1.200 batimentos por minuto em movimento, reduzidos para 600 quando a ave está pousada. O coração do ser humano bate de 60 a 100 vezes por minuto. Nem Usain Bolt, o homem mais rápido do planeta, que já chegou a 45 quilômetros por hora, tem fôlego para se comparar ao menor dos colibris.

Gastar tanta energia exige a ingestão de até oito vezes o peso do próprio corpo por dia em comida. Mas essas avezinhas que amam açúcar são tudo menos doces. Por flores e pela própria vida, brigam com o planeta. Audácia, excesso de autoestima e absoluta falta de noção de perigo se explicam por necessidade. Néctar não é tão abundante quanto parece. Símbolos de jardins de paz e contemplação, beija-flores são fúria concentrada em plumas.

“São agressivos com outros beija-flores e até mesmo com aves muito maiores. Chegam a atacar predadores de passarinhos, como gaviões e corujas. Tamanho definitivamente não é problema para eles: disse Fernando Pacheco, um dos mais respeitados especialistas em aves do Brasil. O beija-flor-tesoura, por exemplo, concorre ao título de peso-pena mais folgado do reino animal. Pesa 9 gramas. mas não se furta a atacar preventivamente gaviões-carijós, ávidos comedores de passarinhos, que pesam cerca de 30 vezes mais do que eles.

Quando um beija-flor descobre uma boa flor, cheia de néctar, toma-a para si. Fica de guarda empoleirado na vizinhança e ai de quem se atreva a beijar sua preferida, mesmo que seja da própria espécie, observou Pacheco. Invasores são repelidos a bicadas. Não há espaço para gentileza numa vida sem descanso.

Mesmo os minúsculos topetinhos encaram espécies maiores. Pense em 2 gramas de impetuosidade e beleza. “Eles nem são os mais agressivos, mas ainda assim são superbriguentos: contou Luciano Lima, coordenador do primeiro observatório de aves do Brasil, o do Instituto Butantan, em São Paulo.

O açúcar faz do beija-flor um prisioneiro do dia, destinado a jamais ver a noite. Só lhe resta se recolher ao fechar das pétalas, pois, com tamanho gasto energético, morreria de fome em poucas horas. O beija-flor então busca um lugar seguro para se empoleirar e entra em profundo torpor. A temperatura cai à metade, e os batimentos cardíacos para menos de 40 por minuto. Ele passa assim as horas de escuridão, até que a luz o ponha de novo em movimento.

Se comida é guerra, amor significa disputa. É possível que o comportamento agressivo também seja uma espécie de chamariz para a reprodução. Uma hipótese é que exibir agressividade seja uma mensagem do tipo “Veja como estou bem, sou forte e vou sobreviver. Tenha filhos comigo”, acrescentou Pacheco.

Certo mesmo é que os beija-flores fazem tumultos. Esse é o nome dado a aglomerações de passarinhos que podem acontecer para espantar no grito – ou a piados – predadores como corujas e cobras. É também no grito que conquistam as fêmeas. Os machos de algumas espécies do grupo dos balança-rabos ou ermitões se reúnem e formam “arenas” em galhos próximos.

Vinte a 30 machos balança-rabos cantam o mais alto que conseguem, explicou Vítor Piacentini, pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso e um dos maiores especialistas em beija-flores do Brasil. A tese de doutorado de Piacentini trata justamente dos ermitões.

“A fêmea passa entre eles e escolhe quem quiser. Mas, depois que copula, é abandonada. Cabe a ela construir o ninho e criar os filhotes sozinha. As fêmeas também são agressivas e disputam comida e território. O beija-flor é bélico’; afirmou Piacentini.

Para conseguir néctar, é preciso saber voar ao sabor do vento que balança as flores e se alimentar sem destruir sua delicada fonte de alimento. É por isso que os beija-flores são capazes de parar em pleno ar e voar em qualquer direção, com uma rapidez sem comparação. Isso exige que batam as asas até 200 vezes por minuto.

“Eles são os baladeiros da floresta. Não param nunca, tamanha a energia, e volta e meia se envolvem em confusão”. divertiu-se Pacheco. Porém, colibris não são veganos adoradores de néctar, mas onívoros vorazes, que não dispensam mosca, mosquito, vespa e o que der para pegar. As flores podem ser o prato principal, mas não o único do cardápio. Eles tiram dos insetos as proteínas de que precisam para sustentar os músculos.

No Brasil, não faltam lugares para apreciar beija-flores. Mesmo grandes cidades têm muitas espécies. O município do Rio de Janeiro, disse Piacentini, é campeão: tem pelo menos 30, graças à diversidade de ambientes, da restinga às florestas dos maciços da Tijuca e da Pedra Branca. Mas São Paulo, Brasília e Manaus não ficam muito atrás. Entre as florestas, as mais ricas, além da Amazônia, são

as remanescentes da Mata Atlântica no Espírito Santo e na Bahia.

“Talvez o lugar mais rico do Brasil e um dos mais especiais do mundo seja a ainda pouco conhecida Serra da Mocidade, em Roraima. Ela mal começou a ser estudada e já tem 30 espécies; destacou Piacentini, autor de um respeitado guia sobre os beija-flores do Brasil em parceria com o fotógrafo Luiz Carlos Ribenboim.

Para viver cercado de beija-flores – que para o ser humano representam inofensivas fontes de delicadeza, beleza e deslumbramento -, basta lhes oferecer flores. Ou recorrer às garrafinhas com água açucarada, injustamente demonizadas, acusadas de transmitir fungos e bactérias. Bobagem, asseguraram Luciano Lima e Luís Silveira. É só lavá-las uma vez por dia para eliminar os riscos – e, em troca, receber a visita de mais de uma espécie das espetaculares, mas não tão meigas, avezinhas.

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GESTÃO E CARREIRA

NETWORKING E O GERENCIAMENTO DE CARREIRA

Networking e o gerenciamento de carreira

É considerado um desafio para a maioria dos profissionais reconhecer que um dos mais importantes pilares de suas carreiras depende da eficiência com que é gerenciada sua rede de relacionamentos – o networking. Essa habilidade, tão simples e, ao mesmo tempo, tão complexa e necessária, vem sendo imposta àqueles que necessitam dela para a sua sobrevivência no mundo corporativo, principalmente para aqueles que optaram por seguir a carreira corporativa.

Diante das exigências da função e do atual ambiente em constante mudança, a maioria dos executivos não se atenta da necessidade de construir e gerenciar uma rede de contatos profissionais. Afinal de contas, como muitos alegam, não têm tempo para isso!

Essa desculpa explica, mas não justifica. Isso porque o profissional deve, sobretudo, saber distinguir o contato amigo, aquele com quem nos relacionamos informalmente, do contato profissional, ou seja, o contato o qual fomos apresentados por outro profissional em algum momento (por isso o termo rede). Exatamente ai é que começamos a construir nossa rede de relacionamentos.

O objetivo desse contato será para troca de informações no qual, você leva informações relevantes sobre mercado e, ao mesmo tempo, recebe outros tantos dados que irão mantê-lo, além de tudo, bem-informado. É um processo interessante de troca.

O mais importante é compreender que o networking não deve se restringir ao círculo do mercado em que você se encontra naquele momento. Ele deve expandir sua rede, abrindo oportunidades de relacionamentos em outros círculos profissionais, cujos segmentos de mercado serão atrativos no futuro. É o profissional se expondo em setores do mercado que julga promissores para sua carreira futura. É exatamente essa expansão que fortalecerá sua exposição e consequentemente, sua empregabilidade.

CONTATO

Mas, a pergunta que fica é: como você deve construir uma rede que seja eficiente e permita que continue administrando sua agenda e seus compromissos com o cargo que exerce no momento?

Procure reservar um almoço por semana para se encontrar com um profissional que nunca tenha visto, mas que tenha sido apresentado por outro contato de suas relações. Isso vai exigir pesquisa sobre quais mercados você tem interesse em acessar e, por conseguinte quais profissionais contatar que irão lhe ajudar a acessar esses novos segmentos.

Você deve reservar tempo para essas atividades: pesquisa dos mercados promissores, lista de empresas desses mercados, principais concursos em suas redes e ainda, se preparar para conduzir a reunião, uma vez que foi você quem a solicitou.

Após realizar o contato, você deve garantir o vínculo. Se você não cria um vínculo na primeira reunião, dificilmente vai conseguir manter esse relacionamento profissional ao longo de sua c:arreira. Os assuntos discutidos e os planos individuais conversados devem ser mantidos e arquivados como o histórico do relacionamento, e existem muitas oportunidades para criar esse vínculo.

Por exemplo, um plano de iniciar um novo curso de seu novo contato pode ser o motivo de enviar a ele um e-mail. Após 4 ou 5 meses, perguntando se gostou e valeu a pena o tal curso, e assim por diante.

Se você mantiver o vínculo com apenas vamos dizer, 50 desses contatos, sua rede seria extremamente poderosa, atraindo oportunidades para sua cultura, criando fontes de referências e informações, novas alternativas de investimentos em novas competências, atraindo ainda mais contatos e, assim, expandindo sua rede num círculo vicioso extremamente produtivo.

Saiba que o networking é uma atividade que deve ser exercida por todos os profissionais que queiram crescer em suas carreiras, independente da escolha: mundo corporativo, atividade da consultoria, o empreendedorismo, a carreira acadêmica, dentre outras. Porém, no mundo corporativo, como dito anteriormente, o networking é um dos principais pilares de sustentação de um executivo.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 7: 14-36 – PARTE II

Alimento diário

Cristo na Festa dos Tabernáculos

 

Aqui o povo rudemente interrompeu as palavras de Jesus, e contradisse o que Ele dizia (v. 20): “Tens demônio; quem procura matar-te?” Isto evidencia:

[l] A boa opinião que o povo tinha dos seus líderes, que, na opinião deles, nunca tentariam algo tão atroz como matá-lo. Tal era a veneração que tinham pelos seus anciãos e principais dos sacerdotes, que poderiam jurar que eles não fariam mal a um homem inocente. Provavelmente, os lideres tinham, no meio da multidão, seus emissários, que lhes sugeriram isto. Muitos negam a maldade ao mesmo tempo em que a planejam.

[2] A má opinião que tinham do nosso Senhor Jesus: “Tens demônio”. Tu estás possuído por um espírito mentiroso, e és um homem mau por dizeres isto”, segundo alguns intérpretes. Ou, mais exatamente: “Você é melancólico, e um homem fraco. Você se amedronta com temores infundados, como fazem as pessoas hipocondríacas”. Não apenas as loucuras declaradas, mas também as melancolias silenciosas eram comumente atribuídas ao poder de Satanás. “Você está louco, está com a mente perturbada”. Não devemos julgar estranho se aos melhores homens forem atribuídas as piores características. A esta calúnia vil, nosso Salvador não responde diretamente, mas aparenta não ter tomado conhecimento dela. Observe que aqueles que desejam ser como C1isto devem tolerar pacientemente as afrontas, e ignorar as indignidades e ofensas que lhes forem feitas, não devem levá-las em consideração, e muito menos se ressentir por elas, e ainda menos se vingar delas. “Eu, como surdo, não ou­ via”. Quando Cristo era injuriado, não injuriava.

(2) Ele argumenta sob a forma de apelação e defesa.

[1] Ele recorre aos seus próprios sentimentos sobre este milagre: “Fiz uma obra, e todos vos maravilhais”, v. 21. “Vocês não podem deixar de se maravilhar, porque esta obra é verdadeiramente grandiosa, e completamente sobrenatural. Todos vocês devem reconhecer que ela é maravilhosa”. Ou: “Embora Eu tenha realizado apenas uma obra na qual vocês têm algum pretexto para encontrar algum defeito, vocês se ofendem e desagradam como se Eu fosse culpado de algum crime terrível ou hediondo”.

[2] Ele apela para suas próprias práticas em outros exemplos: “Eu ‘fiz uma obra’ no sábado, e ela foi realizada facilmente, com o pronunciar de uma palavra, e vocês todos se assombram, vocês acham estranho que um homem religioso tenha ousado realizar tal coisa, ao passo que vocês mesmos, muitas vezes, fazem no sábado o que é um trabalho muito mais servil, no caso da circuncisão. Se é lícito para vocês, e se é seu dever, circuncidar uma criança no sábado, quando acontece do sábado ser o oitavo dia, sem ter nenhuma dúvida, muito mais lícito e bom era que Eu curasse um homem enfermo no mesmo dia”. Observe:

Em primeiro lugar, o rito e a origem da circuncisão: “Moisés vos deu a circuncisão”, ele lhes deu a lei a este respeito. Aqui:

1. Está escrito que a circuncisão foi dada, e (v. 23) está escrito que eles a receberam. Ela não lhes foi imposta como um jugo, mas lhes foi conferida como uma graça. Observe que as ordenanças de Deus, e particularmente aquelas que são selos do concerto, são dons dados aos homens, e assim devem ser recebidas.

2. Está escrito que Moisés a deu, porque ela era parte daquela lei que lhe fora dada. No entanto, como Cristo falou a respeito do maná (cap. 6.32), Moisés não o deu, mas foi Deus. Ou melhor, não era de Moisés, a princípio, mas dos pais, v. 22. Embora estivesse incorporada à instituição mosaica, ela tinha sido ordenada muito antes, pois era um selo da justiça da fé, e, portanto, tinha tido início com a promessa, quatrocentos e trinta anos antes, Gálatas 3.17. A irmandade de crentes da igreja, e sua semente, não era de Moisés ou de sua lei, e, portanto, não caiu com ela. Ela era dos pais, pertencia à igreja patriarcal, e era parte daquela bênção de Abraão que devia chegar aos gentios, Gálatas 3.14.

Em segundo lugar, o respeito devotado à lei da circuncisão, acima do devotado ao sábado, na prática constante da igreja judaica. Os judeus casuístas frequentemente observam: A circuncisão e sua cura afastam o sábado, de modo que se uma criança nascesse em um sábado, sem dúvida seria circuncidada no sábado seguinte. Então, se quando o descanso do sábado era algo em que se insistia com tanta rigidez, ainda assim estas obras eram permitidas, porque eram para preservar a religião, muito mais eram elas permitidas agora, sob o Evangelho, quando a ênfase é colocada mais sobre o trabalho aos sábados.

Em terceiro lugar, a conclusão que Cristo tira disso para justificativa de si mesmo, e daquilo que Ele tinha feito (v. 23): “Um filho varão recebe a circuncisão no sábado, para que a lei da circuncisão não seja quebrantada”. Os mandamentos divinos devem ser interpretados como tendo coerência uns com os outros. “Se isto é permitido por vocês, como vocês são pouco razoáveis, pois estão irados comigo porque curei um homem no sábado!”. A palavra é usada somente aqui, originada de  fé e rancor. Eles estavam enfurecidos com Ele, com a máxima indignação. Era uma ira rancorosa, uma ira com rancor em si. Observe que é extremamente absurdo e irracional que condenemos nos outros aquilo que defendemos em nós. Observe a comparação que Cristo faz entre a circuncisão que eles faziam de uma criança e a cura que Ele fez de um homem no sábado.

1. A circuncisão era apenas uma instituição cerimonial. Era realmente dos pais, mas não desde o início. Porém, o que Cristo fazia era uma boa obra, pela lei da natureza, uma lei mais excelente do que aquela que fazia da circuncisão uma boa obra.

2. A circuncisão era uma ordenança sangrenta, e trazia dor, mas o que Cristo fazia era cura, e trazia plenitude. As obras da lei causam aflição, e se estas obras podem ser realizadas aos sábados, muito mais as obras do Evangelho, que produzem paz.

3. Considerando especialmente que, quando se circuncidava uma criança, a preocupação era somente curar aquela parte que tinha sido circuncidada, o que podia ser feito, e ainda assim a criança poderia sofrer de outras enfermidades. Porém, Cristo curou este homem de uma forma completa, fez com que o homem se tornasse saudável em todo o seu organismo. O corpo todo foi curado, pois a doença afetava o corpo todo, e foi uma cura perfeita, de modo que não houve sequelas da doença. Na verdade, Cristo não somente curou seu corpo, mas também sua alma, com a advertência: “Não peques mais”, e desta maneira, Ele verdadeiramente curou o homem todo, pois a alma é o homem. O propósito da circuncisão, na verdade, era o bem da alma, e atingir o homem todo, como deveria ser. Mas eles a tinham corrompido, e a tinham transformado em uma mera ordenança carnal. Porém, as curas exteriores que Cristo realizava eram acompanhadas com a graça interior, e, desta maneira, tornavam se sacramentais, e curavam o homem todo.

Ele finaliza esta argumentação com a regra (v. 24): “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça”. Isto pode ser aplicado, ou, em primeiro lugar, particularmente a esta obra, que eles argumentavam que era uma violação da lei. Não sejam parciais no seu julgamento. Não julguem com respeito às pessoas, de acordo com a aparência das pessoas, que é a expressão em hebraico, Deuteronômio 1.17. É contrário à lei da justiça, assim como da caridade, censurar aqueles que têm opiniões diferentes das nossas, como se fossem transgressores, assumindo aquela liberdade que só permitimos àqueles que fazem parte do nosso próprio círculo, e caminho, e opinião. Também é errado elogiar alguns que demonstram uma rigidez e severidade desnecessária, algo que, em outros, nós condenamos como imposição e perseguição. Ou, em segundo lugar, de maneira geral, à pessoa e à pregação de Cristo, com que eles se ofendiam e das quais tinham preconceitos. As coisas que são falsas, e que são designadas a impor-se sobre os homens, normalmente têm melhor aparência quando julgadas segundo a aparência externa, elas parecem mais plausíveis à primeira vista. Foi isto que conquistou aos fariseus tanto interesse e reputação, que por fora realmente pareciam formosos (Mateus 23.27,28), e os homens os julgavam de acordo com esta aparência, e eram tristemente enganados por eles. “Mas”, diz Cristo, “não confiem excessivamente que todos os que parecem santos realmente o são”. Com referência a si mesmo, sua aparência externa estava muito longe da sua verdadeira dignidade e excelência, pois Ele assumiu a forma de servo (Filipenses 2.7), era em semelhança da carne do pecado (Romanos 8.3), não tinha parecer nem formosura, Isaías 53.2. De modo que aqueles que se dedicavam a julgar se Ele era ou não o Filho de Deus, pela sua aparência exterior certamente não faziam um julgamento justo. Os judeus esperavam que a aparência exterior do Messias fosse pomposa e magnífica, e de acordo com todas as cerimônias de grandiosidade secular. E julgando Cristo segundo esta regra, seu julgamento foi, do princípio ao fim, um contínuo engano, pois o reino de Cristo não seria deste mundo, não viria com aparência exterior. Se um poder divino o acompanhava, e Deus lhe dava testemunho, e as Escrituras se cumpriam nele, ainda que sua aparência fosse humilde, eles deviam recebê-lo, e julgar pela fé, e não segundo a vista dos seus olhos. Veja Isaías 11.3 e 1 Samuel 16.7. Cristo e sua doutrina e suas obras não desejam nada além de um julgamento justo. Se a verdade e a justiça pudessem apenas dar a sentença, Cristo e sua causa seriam vitoriosos. Não devemos julgar a ninguém segundo sua aparência exterior, nem segundo seus títulos, segundo o papel que desempenha no mundo, ou pela sua manifestação agitadora, mas pelo seu valor intrínseco, e pelos dons e graças do Espírito de Deus em sua vida.

4. As palavras de Cristo a respeito de si mesmo, de onde Ele vinha e para onde Ele ia, vv. 25-36.

(1) De onde Ele vinha, vv. 25-31. Quanto a isto, observe:

[1] A objeção feita por alguns dos habitantes de Jerusalém, que pareciam ter mais preconceitos contra Ele do que os demais, v. 25. Poderíamos pensar que aqueles que viviam junto à origem do conhecimento e da religião fossem os mais dispostos a receber o Messias. Mas, na verdade, era exatamente o contrário. Aqueles que têm abundância dos meios do conhecimento e da graça, se não são aperfeiçoados por eles, normalmente são piorados, e nosso Senhor Jesus frequentemente encontrava a pior acolhida por parte daqueles de quem se esperaria a melhor. Não foi sem justa razão que isto se transformou em provérbio: Quanto mais próximo da igreja, mais distante de Deus. Estas pessoas de Jerusalém mostravam sua má vontade para com Cristo:

Em primeiro lugar, por sua reflexão sobre os líderes, porque eles o abandonavam: “Não é este o que procuram matar?” A multidão de pessoas que vinha de fora para a festa não suspeitava que houvesse algum desígnio em andamento contra Jesus, e por isto perguntaram: “Quem procura matar-te?” v. 20. Mas os que habitavam em Jerusalém conheciam a trama, e incentivavam seus líderes a colocá-la em execução: “Não é este o que procuram matar?” Por que não o fazem então? Quem os impede? Eles dizem que desejam tirá-lo do caminho, e ainda assim, veja! Ele está falando abertamente, e nada lhe dizem. “Porventura, sabem, verdadeiramente, os príncipes, que este é o Cristo?” v. 26. Aqui, eles insinuam astutamente e maliciosamente duas coisas, para exasperar os príncipes contra Cristo, quando eles realmente precisavam de incentivo.

1. Ao conspirarem contra sua pregação, eles traziam o desprezo sobre sua autoridade. “Um homem que é condenado pelo Sinédrio como sendo enganador pode receber a permissão para falar abertamente, sem nenhuma censura ou contradição? Isto faz com que a sentença seja apenas uma ameaça inútil. Se nossos líderes toleram ser pisoteados desta maneira, eles podem agradecer a si mesmos, se ninguém se maravilhar com eles ou com suas leis”. Observe que a pior das perseguições frequentemente é realizada sob o pretexto do apoio necessário à autoridade e ao governo.

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