ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 7: 1-13

Alimento diário

O sermão de Cristo aos seus irmãos. Os rumores a respeito de Cristo

Aqui temos:

I – A razão pela qual Cristo passava mais tempo na Galileia do que na Judéia (v. 1): porque “os judeus”, o povo da Judéia e de Jerusalém, “procurava matá-lo”, por ter curado o paralítico no sábado, cap. 5.16. Eles pensavam em matá-lo, fosse por um tumulto do povo, ou por um processo legal, e por isto Ele ficava à distância, em outra parte da nação, fora das linhas de comunicação de Jerusalém. Não está escrito: Ele não andaria pela Judéia, mas: Ele “não queria andar pela Judéia”. Não foi por medo ou covardia que Ele se recusou, mas por prudência, porque sua hora ainda não era chegada. Observe que:

1. A luz do Evangelho é, com justiça, afastada daqueles que se esforçam para apagá-la. Cristo irá se afastar daqueles que o afastam de si, irá ocultar seu rosto daqueles que cospem nele, e, com razão, irá fechar suas profundezas àqueles que as desprezam.

2. Em tempos de perigo iminente, não é somente permitido, mas aconselhável, afastar-se e fugir, para nossa própria segurança e preservação, e escolher servir nos lugares que sejam menos perigosos, Mateus 10.23. Só seremos chamados para expor e entregar nossa vida quando não pudermos salvá-la sem pecar, e não em alguma situação diferente desta.

3. Se a providência de Deus leva as pessoas de mérito a lugares de obscuridade e pouca importância, isto não deve ser considerado estranho. Era a sorte do nosso próprio Mestre. Aquele que era digno de sentar-se na mais alta das cadeiras de Moisés voluntariamente andava na Galileia entre as pessoas comuns. Observe que Ele não ficou parado na Galileia, nem se enterrou vivo ali, mas andava. Ele andava por ali fazendo o bem. Quando não pudermos fazer o que queremos, e onde queremos, nós devemos fazer o que pudermos, e onde pudermos.

 II – A proximidade da Festa dos Tabernáculos (v. 2), uma das três solenidades que exigiam o comparecimento de todos os varões a Jerusalém. Veja a instituição desta festa, Levítico 23.34ss., e como ela foi revivida depois de muito tempo em desuso, Neemias 8.14. Ela pretendia ser tanto uma recordação da condição de Tabernáculo de Israel no deserto como uma imagem da condição do Tabernáculo do Israel espiritual de Deus neste mundo. Esta festa, que tinha sido instituída há muitas centenas de anos antes, ainda era religiosamente observada. Observe que as instituições divinas nunca ficam antiquadas, nem fora de moda, devido à passagem do tempo, nem devem ser esquecidas às graças do deserto. Mas ela é chamada de festa dos judeus, porque dentro de pouco tempo seria abolida, como uma característica meramente judaica, e deixada àqueles que serviam no Tabernáculo.

 III – O sermão de Cristo aos seus irmãos, alguns dos seus parentes, não se sabendo ao certo se sua mãe ou seu suposto pai estavam presentes. Mas estes eram os que fingiam ter interesse por Ele, e por isto interferiram para aconselhá-lo quanto à sua conduta. Observe:

1. Sua ambição e sua altivez ao insistir que Ele fizesse mais aparições públicas do que fazia: “Sai daqui e vai para a Judéia”, disseram eles, (v. 3), pois ali ficarás mais em evidência do que aqui.

(1) Eles dão duas justificativas para este conselho:

[1] Que isto seria um incentivo para que aqueles que habitavam em Jerusalém, e nas proximidades, tivessem respeito por Ele. Pois, à espera do seu reino temporal, o trono real que eles concluíam que devia estar em Jerusalém, eles queriam que os discípulos dali fossem particularmente incentivados, e consideravam que o tempo que Ele passava entre seus discípulos da Galileia era um tempo desperdiçado, e seus milagres não teriam mérito, a menos que as pessoas de Jerusalém os vissem. Ou: “Para que seus ‘discípulos’, todos eles, em geral, que estivessem reunidos em Jerusalém para observar a festa, pudessem ver suas obras, e não uns poucos em uma ou outra ocasião, como aqui”.

[2] Que isto promoveria seu nome e sua honra: “Não há ninguém que procure ser conhecido que faça coisa alguma em oculto”. Eles supunham que Cristo procurava fazer-se conhecido, e por isto julgavam que era um absurdo que Ele ocultasse seus milagres: ‘”Se fazes essas coisas’, se és tão capaz de obter o aplauso do povo e a aprovação dos líderes pelos milagres, aventure-se ao estrangeiro, e ‘manifesta-te ao mundo’. Apoiado por estas credenciais, você não deixará de ser aceito, e por isto é o momento certo para definir um interesse, e pensar em ser grande”.

(2) Ninguém pensaria que houvesse algum mal neste conselho, mas ainda assim o evangelista o considerou como uma evidência da infidelidade deles: “Porque nem mesmo seus irmãos criam nele” (v. 5), pois se cressem, não teriam dito isto. Observe:

[1] Era uma honra ser parente de Cristo, mas não uma honra que levasse alguém automaticamente à salvação. Aqueles que ouvem suas palavras, e as guardam, são os parentes que Ele valoriza. Certamente, a graça não corre em nenhum sangue no mundo, exceto no sangue da família de Cristo.

[2] Era um sinal de que Cristo não almejava nenhum interesse secular, pois, se assim fosse, seus irmãos teriam se adequado a este, e Ele os teria beneficiado primeiro.

[3] Havia aqueles que eram parentes de Cristo segundo a carne, que realmente criam nele (três dos doze eram seus irmãos), ao passo que outros, tão relacionados a Ele quanto aqueles, não criam nele. Muitos dos que têm os mesmos privilégios e vantagens externos não fazem o mesmo uso deles. Mas:

(3) O que havia de errado com o conselho que eles lhe deram? Eu respondo:

[1] Era muita presunção por parte deles dar ordens a Cristo, e ensinar a Ele quais medidas tomar. Era um sinal de que eles não acreditavam que Ele fosse capaz de guiá-los, se não o julgavam suficiente para guiar a si mesmo.

[2] Eles revelaram uma grande despreocupação com a segurança dele, quando desejavam que Ele fosse à Judéia, onde sabiam que os judeus procuravam matá-lo. Aqueles que criam nele, e o amavam, dissuadiam-no de ir à Judéia, cap. 11.8.

[3] Alguns pensam que eles acreditavam que, se seus milagres fossem realizados em Jerusalém, os fariseus e líderes os experimentariam, e descobririam alguma trapaça ou algum truque neles, o que justificaria sua falta de fé.

[4] Talvez eles estivessem cansados da sua presença na Galileia (Pois não são galileus todos estes que falam?) e talvez isto fosse, na verdade, um desejo de que Ele saísse da sua região.

[5] Infundadamente, eles insinuam que Ele negligenciava seus discípulos, e lhes negava uma visão das suas obras, que seria necessária para dar suporte à sua fé.

[6] Tacitamente, eles o censuram como se Ele tivesse um espírito inferior, pois Ele não deseja fazer parte das listas dos grandes homens, nem colocar-se no palco da ação pública, coisa que, se tivesse alguma coragem e grandeza na alma, Ele faria, e não se esquivaria desta maneira, escondendo-se em um canto. Desta maneira, a humildade de Cristo, e sua humilhação, e a pouca presença que sua religião normalmente tem tido no mundo, sempre se conve1tiam em uma censura a Ele e a ela.

[7] Eles parecem questionar a verdade dos milagres que Ele realizava, dizendo: “Se você pode fazer estas coisas, se elas suportam o teste de um escrutínio público das cortes, realize-os lá”.

[8] Eles julgam que Cristo é alguém completamente igual a eles mesmos, tão sujeito à política do mundo e tão desejoso quanto eles de realizar uma boa exibição na carne, ao passo que Ele não procurava a honra dos homens.

[9] O egoísmo estava no fundo de tudo. Eles esperavam que, se Ele se apresentasse tão grandioso quanto podia, eles, sendo seus parentes, compartilhariam da sua honra, e seriam respeitados por causa dele. Observe que, em primeiro lugar, muitas pessoas carnais comparecem aos cultos públicos para adorar na festa, ou seja, somente para se exibirem, e toda sua preocupação é fazer uma boa apresentação pública, apresentarem-se de maneira agradável ao mundo. Em segundo lugar, muitos dos que parecem procurar a honra de Cristo, na realidade, estão procurando a sua própria, e procuram torná-la útil para si mesmos.

2. A prudência e a humildade do nosso Senhor Jesus, que fica evidente na sua resposta ao conselho que seus irmãos lhe deram, vv. 6-8. Embora houvesse tantas insinuações perversas no conselho, Ele responde mansamente. Observe que mesmo aquilo que é dito sem razão deve ser respondido sem paixão. Nós devemos aprender com nosso Mestre a responder com mansidão mesmo àquilo que é mais impertinente e imperioso, e onde for fácil encontrar muita incorreção, parecer não vê-la, e fechar os olhos à afronta. Eles esperavam a companhia de Cristo na festa, talvez esperando que Ele tolerasse o que eles diziam. Mas aqui:

(1) Ele mostra a diferença entre Ele e eles, em dois aspectos:

[1] Sua hora era fixada, e não a deles: “Ainda não é chegado o meu tempo, mas o vosso tempo sempre está pronto”. Entendemos o tempo como sendo sua ida à festa. Era indiferente a eles a ocasião quando fossem, pois não tinham nada a fazer onde estavam, que os detivesse ali, nem onde iam, que os apressasse para lá. Mas cada minuto do tempo de Cristo era precioso, e tinha sua própria atividade designada a ele. Ele ainda tinha algum trabalho para realizar na Galileia antes de deixar a região. Na concordância dos Evangelhos, entre esta sugestão feita pelos seus irmãos e sua ida à festa, está a história do envio dos setenta discípulos (Lucas 10.1 ss.), o que foi um evento de grandes consequências. Seu tempo ainda não era chegado, pois isto deveria ser feito antes. Aqueles que vivem vidas inúteis têm seu tempo sempre pronto. Eles podem ir e vir quando quiserem. Mas aqueles cujo tempo está repleto de obrigações frequentemente se encontrarão presos, e não terão tempo para aquilo que os outros podem fazer a qualquer momento. Aqueles que são servos de Deus, como todos os homens deveriam sei e que se fazem servos de todos, como são todos os homens úteis, não devem esperar controlar seu próprio tempo. A prisão do trabalho é melhor do que a liberdade da ociosidade. Ou isto pode significar o tempo da sua aparição pública em Jerusalém. Cristo, que conhece todos os homens e todas as coisas, sabia qual era o momento melhor e mais adequado, pois seria aproximadamente no meio da festa. Nós, que somos ignorantes e de pouca visão, somos capazes de tentar dar ordens a Ele e de pensar que Ele deveria libertar seu povo e manifestar-se agora. O tempo presente é nosso tempo, mas o Senhor é mais capacitado para julgar, e pode ser que seu tempo ainda não seja chegado. Seu povo ainda não está preparado para a libertação, nem seus inimigos, prontos para a destruição. Portanto, esperemos com paciência pelo seu tempo, pois tudo o que Ele faz será mais glorioso na ocasião apropriada.

[2] Sua vida era procurada, e não a deles, v. 7. Ao se mostra rem ao mundo, eles não corriam riscos: “O mundo não vos pode odiar”, porque sois do mundo, sois seus filhos, seus servos, e estais no mundo com seus interesses, e sem dúvida o mundo irá amar os seus”. Veja cap. 15.19. Às almas ímpias, a quem o santo Deus não pode amar, o mundo que está na iniquidade não pode odiar. Mas Cristo, ao se apresentar ao mundo, expunha-se aos maiores perigos, pois “ele [o mundo] me odeia a mim”. Cristo não somente era desprezado, como insignificante no mundo (o mundo não o conhecia), mas odiado, como se tivesse sido prejudicial ao mundo. Assim, Ele era mal recompensado pelo seu amor ao mundo: o pecado reinante consiste em uma antipatia e uma inimizade enraizadas por Cristo. Mas por que o mundo odiava a Cristo? Que mal Ele lhe tinha feito? Teria Ele, como Alexandre, sob o pretexto de conquistar, assolado o mundo? “Não, mas porque”, diz Ele, “dele testifico que as suas obras são más”. Observe que, em primeiro lugar, as obras de um mundo mau são obras más. Os frutos são como é a árvore: é um mundo escuro, e apóstata, e suas obras são obras de trevas e rebelião. Em segundo lugar, nosso Senhor Jesus, tanto por si mesmo quanto por meio dos seus ministros, revelou e testemunhou contra as más obras deste mundo pecaminoso, e continuará a fazê-lo. Em terceiro lugar, é um grande constrangimento e uma provocação ao mundo ser condenado pela maldade das suas obras. É para a honra da virtude e da piedade que aqueles que são ímpios e maldosos não se preocupam em ouvir, pois suas próprias consciências os envergonham da maldade que existe no pecado, e os fazem temer o castigo que segue o pecado. Em quarto lugar, não importa qual seja o pretexto, a real causa da inimizade do mundo ao Evangelho é o testemunho que ele dá contra o pecado e os pecadores. As testemunhas de Cristo, pela sua doutrina e pelas suas palavras, atormentam aqueles que habitam na terra, e por isso elas são tratadas de maneira tão bárbara, Apocalipse 11.10. Mas é melhor sofrer o ódio do mundo, testificando contra sua maldade, do que obter sua boa vontade, acompanhando sua corrente.

(2) Ele os envia, com o desejo de permanecer por algum tempo na Galileia (v.8): “Subi vós a esta festa; eu não subo ainda a esta festa”.

[1] Ele permite que eles subam à festa, embora fossem carnais e hipócritas. Note que mesmo aqueles que não comparecem às ordenanças sagradas por motivos justos e intenções sinceras não devem ser impedidos nem desencorajados de participar. Quem sabe se eles não serão transformados ali?

[2] Ele lhes nega sua companhia quando vão à festa, por que eles eram carnais e hipócritas. Aqueles que comparecem às ordenanças por ostentação, ou servem a algum propósito secular, vão sem Cristo, e o resultado será correspondente. Como é triste a condição daquele homem, embora se considere parente de Cristo, a quem Ele diz: “Suba a tal ordenança, vá orar, vá ouvir a palavra, vá receber o sacramento, mas Eu não irei com você. Vá e apresente-se diante de Deus, mas eu não me apresentarei com você”, como em Êxodo 33.1-3. Mas, se a presença de Cristo não for conosco, com que objetivo devemos ir? “Subi vós… eu não subo”. Quando nós estamos indo, ou voltando de ordenanças solenes, é conveniente que sejamos cautelosos quanto à companhia que temos e escolhemos, e evitemos aquela que for vaidosa e carnal, para que a brasa das boas intenções não seja apagada por uma comunicação corrompida. “Eu não subo ainda a esta festa”. Ele não diz: Eu não subo, de maneira nenhuma, mas diz: Não ainda. Pode haver razões para adiar uma obrigação particular, que, no entanto, não deve ser completamente omitida ou negligenciada. Veja Números 9.6-11. A razão que Ele dá é: “Ainda o meu tempo não está cumprido”. Observe que nosso Senhor Jesus é muito exato e pontual no conhecimento e acompanhamento do seu tempo, e assim como havia o tempo fixado, também havia o melhor tempo.

3. A permanência de Cristo na Galileia até que seu tempo tivesse chegado, v. 9. Ele, havendo-lhes dito isso, “ficou na Galileia”. Por causa deste sermão, Ele permaneceu ali, pois:

(1) Ele não seria influenciado por aqueles que o aconselhavam a procurar a honra dos homens, nem acompanharia aqueles que se aproveitariam dele para se exibirem. Ele não toleraria a tentação.

(2) Ele não deseja abandonar seu próprio objetivo. Ele tinha dito, com uma visão clara e deliberação amadurecida, que Ele não subiria ainda a esta festa, e, portanto, Ele permaneceu na Galileia. É conveniente que os seguidores de Cristo sejam também firmes, e não usem de leviandade.

4. Sua ida à festa, quando seu tempo chegou. Observe:

(1) Quando Ele foi: “Quando seus irmãos já tinham subido”. Ele não desejava subir com eles, para que eles não provocassem um alvoroço e distúrbio, com o pretexto de mostrá-lo ao mundo, considerando que, de acordo tanto com a predição como com seu espírito, “não clamará, não se exaltará, nem fará ouvir a sua voz na praça”, Isaías 42.2. Mas Ele subiu depois deles. Nós podemos, legitimamente, estar presentes à mesma adoração religiosa daqueles com quem não desejamos ter um conhecimento íntimo, e um relacionamento de amizade que inclua frequentes conversas, pois a bênção das ordenanças depende da graça de Deus, e não da graça dos companheiros de adoração. Seus irmãos carnais subiram antes, e depois Ele subiu. Observe, que no desempenho externo da religião, é possível que os hipócritas oficiais possam obter as vantagens daqueles que são sinceros. Muitos podem ir ao templo antes, os que são levados pela arrogância, e sem justificativa, como o fariseu de Lucas 18.11. A questão não é: Quem vem primeiro? Mas: Quem vem mais preparado? Se nossos corações estiverem completamente voltados ao Senhor, não importará quem chegue antes de nós.

(2) Como Ele foi – como se estivesse se escondendo: “não manifestamente, mas como em oculto”, mais por medo de ofender do que de ser ofendido. Ele subiu à festa, por que esta seria uma oportunidade de honrar a Deus e fazer o bem, mas Ele subiu como em oculto, por que não desejava provocar o governo. Observe que a obra de Deus é realizada com eficácia, e é mais bem realizada, quando realizada com menos alvoroço. O reino de Deus não precisa vir com aparência exterior, Lucas 17.20. Nós podemos realizar a obra de Deus privativamente, e mesmo assim não realizá-la de modo enganoso.

5. A grande expectativa que havia sobre Ele entre os judeus de Jerusalém, vv. 11-14. Tendo vindo anteriormente às festas, e se identificado pelos milagres que realizava, Ele tinha se tornado o assunto de muita discussão e observação.

(1) Eles não podiam deixar de pensar nele (v. 11): “Os judeus procuravam-no na festa e diziam: Onde está ele?”

[1] As pessoas comuns desejavam vê-lo ali, para que pudessem ter sua curiosidade satisfeita com a visão da sua pessoa e dos seus milagres. Elas não julgavam que valesse a pena ir procurá-lo na Galileia, embora, se o tivessem feito, o esforço não teria sido perdido, mas esperavam que a festa o trouxesse a Jerusalém, quando então poderiam vê-lo. Se uma oportunidade de conhecer a Cristo lhes vem à porta, eles devem apreciá-la. “Procuravam-no na festa”. Quando nós nos apresentamos diante de Deus nas suas santas ordenanças, devemos procurar Cristo nelas, procurá-lo nas festas do Evangelho. Aqueles que desejam ver a Cristo em uma festa devem procurá-lo ali. Ou:

[2] Talvez fossem seus inimigos, que esperavam uma oportunidade de prendê-lo, e, se possível, interromper definitivamente seu progresso. Eles diziam: “Onde está ele?” Eles falavam dele de maneira desprezível e zombeteira. Quando deviam ter aproveitado a festa como uma oportunidade de servir a Deus, eles estavam satisfeitos por usá-la como uma oportunidade de perseguir a Cristo. Assim, Saul esperou assassinar Davi na lua nova, 1 Samuel 20.27. Aqueles que procuram uma oportunidade de pecar nas assembleias solenes de adoração religiosa estão profanando as ordenanças de Deus ao máximo, desafiando-o em seu próprio terreno. É como bater com o bordão da corte.

(2) As pessoas tinham sentimentos muito diferentes a respeito dele (v. 12): “Havia grande murmuração entre a multidão a respeito dele”. A inimizade dos governantes contra Cristo, e suas buscas, faziam-no ainda mais comentado e observado entre o povo. O Evangelho de Cristo conquistou este terreno devido à oposição feita a ele, que foi mais inquirido, e, sendo mal reputado em todo lugar, em todo lugar veio a ser reputado, e por meio deste expediente, foi propagado ainda mais, e os méritos de sua causa foram mais investigados. Estes murmúrios não eram contra Cristo, mas a respeito dele. Alguns murmuravam contra os líderes, porque não o toleravam e incentivavam. Outros murmuravam contra eles por­ que não o silenciavam e refreavam. Alguns murmuravam que Ele tinha muito interesse na Galileia. Outros, que Ele tinha pouco interesse em Jerusalém. Observe que Cristo e seu Evangelho têm sido, e serão, assunto de muita controvérsia e muito debate, Lucas 12.51,52. Se todos estivessem de acordo em receber a Cristo como deveriam, haveria uma paz perfeita. Mas como alguns recebem a luz e outros deliberam contra ela, haverá murmúrios. Os ossos no vale, embora estejam mortos e secos, estavam quietos. Mas quando lhes foi dito: Vivam, houve um ruído e uma agitação, Ezequiel 37.7. Mas o ruído e o reencontro da liberdade e do trabalho são preferíveis, certamente, ao silêncio e à conformidade de uma prisão. Quais eram os sentimentos do povo a respeito de Jesus?

[1] “Diziam alguns: Ele é bom”. Isto era uma verdade, mas estava longe de ser toda a verdade. Ele não somente era um bom homem, mas era mais do que um homem, Ele era o Filho de Deus. Muitos que não pensam mal de Cristo, ainda assim têm pensamentos inferiores a respeito dele, e mal o honram, mesmo quando falam bem dele, porque não dizem o suficiente. Mas o fato de que mesmo aqueles que não acreditavam que Ele fosse o Messias não podiam deixar de reconhecer que Ele era um bom homem era verdadeiramente uma honra para Cristo, e uma reprovação para aqueles que o perseguiam.

[2] “Outros diziam: Não; antes, engana o povo”. Se isto fosse verdade, Ele teria sido um homem muito mau. A doutrina que Ele pregava era sólida, e não podia ser contestada; seus milagres eram reais, e não podiam deixar de ser provados; suas palavras eram manifestamente santas e boas. E, ainda assim, supunha-se, apesar disto, que houvesse alguma trapaça não revelada no fundo, porque era interesse dos principais dos sacerdotes opor-se a Ele e destruí-lo. Murmúrios como estes que havia entre os judeus, a respeito de Cristo, ainda existem entre nós. Os socinianos dizem: Ele é um bom homem, e não dizem nada mais; os deístas não reconhecem isto, mas dizem: Ele engana o povo. Desta maneira, alguns o depreciam, outros o maltratam, mas grande é a verdade.

[3] Eles tinham medo de falar muito sobre Ele, devido aos seus superiores (v. 13): “Ninguém falava dele abertamente, por medo dos judeus”. Ou, em primeiro lugar, eles não ousavam falar bem dele abertamente. Embora todos tivessem liberdade de criticá-lo e reprová-lo, ninguém o defendia. Ou, em segundo lugar; eles não ousavam falar abertamente nada sobre Ele. Como nada poderia ser dito contra Ele com justiça, eles não toleravam que nada fosse dito sobre Ele. Era um crime dizer seu nome. Assim, muitos desejaram suprimir a verdade, sob o pretexto de silenciar as controvérsias sobre ela, e desejavam silenciar todas as conversas sobre religião, esperando, desta maneira, enterrar a própria religião no esquecimento.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

Blog O Cristão Pentecostal

"Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva. Convertam-se! Convertam-se dos seus maus caminhos!" Ezequiel 33:11b

Agayana

Tek ve Yek

Envision Eden

When We Improve Ourselves, We Improve The World

4000 Wu Otto

Drink the fuel!

Ms. C. Loves

If music be the food of love, play on✨

troca de óleo automotivo do mané

Venda e prestação de serviço automotivo

darkblack78

Siyah neden gökkuşağında olmak istesin ki gece tamamıyla ona aittken 💫

Babysitting all right

Serviço babysitting todos os dias, também serviços com outras componentes educacionais complementares em diversas disciplinas.

M.A aka Hellion's BookNook

Interviews, reviews, marketing for writers and artists across the globe

Gaveta de notas

Guardando idéias, pensamentos e opiniões...

Isabela Lima Escreve.

Reflexões sobre psicoterapia e sobre a vida!

Roopkathaa

high on stories

La otra luna de Picasso

El arte es la esencia de la espiritualidad humana.

%d blogueiros gostam disto: