PSICOLOGIA ANALÍTICA

EXISTE ESCOLHA CERTA?

Todos os dias, tomamos milhares de decisões, desde as corriqueiras sobre o tipo de bebida que preferimos até aquelas a respeito da pessoa com quem queremos dividir (ou continuar dividindo) a vida.

Existe escolha certa

Os mecanismos que influenciam nossas decisões têm sido investigados pela ciência há muito tempo. Um marco nesse campo foi a troca de cartas entre dois eminentes matemáticos franceses, Blaise Pascal e Pierre de Fermat, em 1654. Seus insights sobre jogos de azar formaram a base da teoria da probabilidade. No século 20, o tema atraiu a atenção de psicólogos, cientistas sociais e economistas. Algumas “teorias da decisão” consideram que os seres humanos tendem a pesar cada opção, levando em conta seu valor e probabilidade para, em seguida, tomar a resolução “mais adequada”. Na prática, porém, não é bem assim. Talvez seja mais fácil entender como gostaríamos de fazer escolhas, guiados por princípios lógicos, do que como de fato as fazemos. A verdade é que uma gama de fatores molda e embasa nossas opções: tendências inatas, emoções, expectativas, equívocos, características de personalidade, aspectos culturais e conteúdos inconscientes. Às vezes, a tomada de decisão pode parecer inconsistente ou perversa, e o mais intrigante talvez seja o quão frequentemente forças aparentemente irracionais nos ajudam a fazer a opção certa – se é que ela existe.

Todos os dias, tomamos milhares de decisões – desde definir a marca de café que preferimos até avaliar relacionamentos. Não é novidade que nossas emoções podem ser a força motriz nos processos de tomada de escolha. Do ponto de vista evolutivo, muitas vezes o que sentimos (mais até do que aquilo que pensamos) nos direcionou para a sobrevivência. A raiva, por exemplo, pode nos motivar a punir um transgressor, o que, para nossos antepassados, foi fundamental na manutenção da ordem e da coesão do grupo. Já o nojo nos torna exigentes e moralistas, levando a escolhas que podem evitar doenças e o descumprimento de normas sociais. O medo, por sua vez, nos deixa mais cuidadosos – e, às vezes, nos mantém vivos. Se pensarmos na reação de seres humanos pré-históricos diante de um ruído nos arbustos, talvez valha considerar que os mais corajosos, que não apostaram na possibilidade de haver um predador escondido entre as folhagens, tenham pago com a própria vida pelo erro de avaliação – e, assim, não conseguiram passar seus genes para a geração seguinte. Especialistas consideram que emoções nos ajudam a nos concentrar no que realmente importa em dado momento, já que até mesmo as situações diárias mais básicas são complexas para nosso cérebro e exigem que inúmeras informações sejam levadas em conta. Por isso, sempre que possível é preciso simplificar.

O pesquisador Gordon Brown, da Universidade de Warwick, no Reino Unido, afirma, porém, que na maioria das vezes tendemos a classificar possibilidades com base em processos cognitivamente fáceis, como comparações binárias. Por exemplo: ao decidir se R$ 5,50 é muito para pagar por um suco, você pode se lembrar de meia dúzia de ocasiões em que o mesmo produto custou menos e de apenas duas nas quais pagou mais, o que o fará colocar essa bebida específica na categoria “cara” – e, eventualmente, optar por não comprá-la. Essa é uma típica “decisão por amostragem”, útil quando temos à disposição opções simplificadas, mas que podem levar a decisões ruins quando as informações usadas para classificar possibilidades estiverem incorretas, forem limitadas ou se basearem em crenças falsas. A decisão por amostragem pode influenciar nossas escolhas até quando enfrentamos ameaças mais imediatas. Pessoas que vivem em sociedades com altas taxas de mortalidade, por exemplo, são mais propensas a decidir colocar-se em risco em comparação com alguém que tem pouca experiência de perigo.

SEGUINDO O REBANHO

Ainda do ponto de vista da evolução, por meio da aprendizagem podemos aprimorar nossa capacidade de escolher as informações sobre as quais baseamos nossas decisões. A seleção natural pode explicar até a intrigante propensão da maioria das pessoas para evitar fazer escolhas mais amplas – e simplesmente “seguir o rebanho”. O pesquisador Rob Boyd, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, destaca que nós, humanos, evoluímos à medida que aprendemos com os outros e os imitamos – até porque essa é, muitas vezes, uma boa opção.

Na maioria das situações, saber por si só qual é a melhor coisa a fazer está além da capacidade de um único indivíduo. Mas somos bons em reconhecer o que os outros fazem de forma acertada – e copiar. Resultado: nossas tendências conformistas em geral nos levam a escolhas surpreendentemente eficazes, que nos permitem nos socializar quando começamos um novo curso ou trabalho e a adquirir produtos de qualidade mesmo quando não somos experts.

O lado ruim da situação é que, excessivamente conformados, corremos o risco de nos desresponsabilizar por nossas opções e cair nas armadilhas da manipulação, sem sequer nos darmos conta disso. Desabituados a exercitar o pensamento crítico, abrimos espaço para preconceitos. Assim, em situações novas ou nas quais trabalhamos com informação limitada, temos o hábito infeliz de basear nossas decisões em conexões aleatórias. Esse efeito, conhecido como “ancoragem”, foi apresentado pela primeira vez pelos psicólogos Daniel Kahneman, da Universidade Princeton, ganhador do Nobel de Economia em 2002, e Amos Tversky, já falecido, que participou da pesquisa que rendeu o prêmio ao colega.

Os dois revelaram algumas atitudes peculiares em relação ao risco. Por exemplo, tendemos a ser muito mais cautelosos quando há a possibilidade de grandes ganhos ou de perdas pequenas. No entanto, escolhemos opções arriscadas sem grande apreensão se existe a probabilidade de pequenos ganhos ou de perda significativa. Essa inclinação para subestimar eventos raros, mas catastróficos, tem sido chamada de “efeito cisne negro”. O que se pode dizer sem medo de errar é que nossas escolhas, quaisquer que sejam, grandes ou pequenas, estão sujeitas a uma quantidade enorme de influências e variáveis, nem todas sob nosso controle. Mas tudo indica que a compreensão mais clara das forças que sustentam nossas decisões pode nos ajudar a fazer melhores escolhas. Um exemplo prático? A descoberta recente de pesquisadores das universidades Ben-Gurion, em Israel, e Stanford sobre a “fadiga de decisão”, que faz com que juízes sejam quatro vezes mais propensos a conceder penas menores de manhã do que à tarde, poderá persuadir não só os profissionais, mas qualquer pessoa a ser mais cuidadosa quando se vê diante de um dilema. E, com certeza, de todas as escolhas que enfrentamos todos os dias, a de se comprometer a tomar boas decisões é seguramente a melhor.

RECONHECER O ERRO FAZ BEM

Do ponto de vista evolutivo, o arrependimento por ter tomado uma decisão errada está associado à preservação da espécie. Embora seja desagradável, esse sentimento tem enorme importância, já que deveríamos tirar dele lições e, assim, correr menos riscos de sofrer decepções quando novamente precisarmos fazer escolhas no futuro. Os mais habilidosos para tomar decisões contariam com uma espécie de “superioridade”, teriam maiores chances de viver mais, de forma saudável, e, consequentemente, transmitir seus genes.

Hoje, numerosos estudos mostram que pessoas com lesão no lobo orbito frontal apresentam grande dificuldade para tomar decisões que as beneficiem e, por isso, tendem a perder o emprego, são incapazes de manter relações pessoais estáveis e fazem repetidamente investimentos financeiros desastrosos. Porém, essa anomalia não resulta de falta de conhecimento, criatividade ou inteligência.

O neurocientista Antônio Damásio, professor de psicologia e neurologia da Universidade do Sul da Califórnia em Los Angeles, acredita que o problema está relacionado a um déficit emocional. Esses pacientes seriam incapazes de produzir “marcadores somáticos”, isto é, reações emocionais manifestadas quando antecipamos uma decisão, as quais nos previnem dos resultados prováveis da escolha que nos preparamos para fazer (por exemplo, o desconforto que sentimos diante da ideia de repreender severamente um amigo).

Estudos desenvolvidos pela neuropsicóloga Ângela Sirigu, em parceria com os neuroeconomistas Giorgio Coricelli e Nathalie Camille, então do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), sugerem que o arrependimento constitui um marcador somático controlado primeiramente pelo córtex orbito frontal – daí lesões nessa região acarretarem consequências tão específicas. Essa área teria se tornado muito importante por conduzir todas as situações de escolha, produzindo os “arrependimentos antecipados” − daí a sensação desconfortável, uma espécie de “efeito colateral” de nossa capacidade de fazer escolhas. Inversamente, as pessoas incapazes de se arrepender tomam decisões que com frequência lhes trazem dificuldades.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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