PSICOLOGIA ANALÍTICA

EXISTE ESCOLHA CERTA?

Todos os dias, tomamos milhares de decisões, desde as corriqueiras sobre o tipo de bebida que preferimos até aquelas a respeito da pessoa com quem queremos dividir (ou continuar dividindo) a vida.

Existe escolha certa

Os mecanismos que influenciam nossas decisões têm sido investigados pela ciência há muito tempo. Um marco nesse campo foi a troca de cartas entre dois eminentes matemáticos franceses, Blaise Pascal e Pierre de Fermat, em 1654. Seus insights sobre jogos de azar formaram a base da teoria da probabilidade. No século 20, o tema atraiu a atenção de psicólogos, cientistas sociais e economistas. Algumas “teorias da decisão” consideram que os seres humanos tendem a pesar cada opção, levando em conta seu valor e probabilidade para, em seguida, tomar a resolução “mais adequada”. Na prática, porém, não é bem assim. Talvez seja mais fácil entender como gostaríamos de fazer escolhas, guiados por princípios lógicos, do que como de fato as fazemos. A verdade é que uma gama de fatores molda e embasa nossas opções: tendências inatas, emoções, expectativas, equívocos, características de personalidade, aspectos culturais e conteúdos inconscientes. Às vezes, a tomada de decisão pode parecer inconsistente ou perversa, e o mais intrigante talvez seja o quão frequentemente forças aparentemente irracionais nos ajudam a fazer a opção certa – se é que ela existe.

Todos os dias, tomamos milhares de decisões – desde definir a marca de café que preferimos até avaliar relacionamentos. Não é novidade que nossas emoções podem ser a força motriz nos processos de tomada de escolha. Do ponto de vista evolutivo, muitas vezes o que sentimos (mais até do que aquilo que pensamos) nos direcionou para a sobrevivência. A raiva, por exemplo, pode nos motivar a punir um transgressor, o que, para nossos antepassados, foi fundamental na manutenção da ordem e da coesão do grupo. Já o nojo nos torna exigentes e moralistas, levando a escolhas que podem evitar doenças e o descumprimento de normas sociais. O medo, por sua vez, nos deixa mais cuidadosos – e, às vezes, nos mantém vivos. Se pensarmos na reação de seres humanos pré-históricos diante de um ruído nos arbustos, talvez valha considerar que os mais corajosos, que não apostaram na possibilidade de haver um predador escondido entre as folhagens, tenham pago com a própria vida pelo erro de avaliação – e, assim, não conseguiram passar seus genes para a geração seguinte. Especialistas consideram que emoções nos ajudam a nos concentrar no que realmente importa em dado momento, já que até mesmo as situações diárias mais básicas são complexas para nosso cérebro e exigem que inúmeras informações sejam levadas em conta. Por isso, sempre que possível é preciso simplificar.

O pesquisador Gordon Brown, da Universidade de Warwick, no Reino Unido, afirma, porém, que na maioria das vezes tendemos a classificar possibilidades com base em processos cognitivamente fáceis, como comparações binárias. Por exemplo: ao decidir se R$ 5,50 é muito para pagar por um suco, você pode se lembrar de meia dúzia de ocasiões em que o mesmo produto custou menos e de apenas duas nas quais pagou mais, o que o fará colocar essa bebida específica na categoria “cara” – e, eventualmente, optar por não comprá-la. Essa é uma típica “decisão por amostragem”, útil quando temos à disposição opções simplificadas, mas que podem levar a decisões ruins quando as informações usadas para classificar possibilidades estiverem incorretas, forem limitadas ou se basearem em crenças falsas. A decisão por amostragem pode influenciar nossas escolhas até quando enfrentamos ameaças mais imediatas. Pessoas que vivem em sociedades com altas taxas de mortalidade, por exemplo, são mais propensas a decidir colocar-se em risco em comparação com alguém que tem pouca experiência de perigo.

SEGUINDO O REBANHO

Ainda do ponto de vista da evolução, por meio da aprendizagem podemos aprimorar nossa capacidade de escolher as informações sobre as quais baseamos nossas decisões. A seleção natural pode explicar até a intrigante propensão da maioria das pessoas para evitar fazer escolhas mais amplas – e simplesmente “seguir o rebanho”. O pesquisador Rob Boyd, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, destaca que nós, humanos, evoluímos à medida que aprendemos com os outros e os imitamos – até porque essa é, muitas vezes, uma boa opção.

Na maioria das situações, saber por si só qual é a melhor coisa a fazer está além da capacidade de um único indivíduo. Mas somos bons em reconhecer o que os outros fazem de forma acertada – e copiar. Resultado: nossas tendências conformistas em geral nos levam a escolhas surpreendentemente eficazes, que nos permitem nos socializar quando começamos um novo curso ou trabalho e a adquirir produtos de qualidade mesmo quando não somos experts.

O lado ruim da situação é que, excessivamente conformados, corremos o risco de nos desresponsabilizar por nossas opções e cair nas armadilhas da manipulação, sem sequer nos darmos conta disso. Desabituados a exercitar o pensamento crítico, abrimos espaço para preconceitos. Assim, em situações novas ou nas quais trabalhamos com informação limitada, temos o hábito infeliz de basear nossas decisões em conexões aleatórias. Esse efeito, conhecido como “ancoragem”, foi apresentado pela primeira vez pelos psicólogos Daniel Kahneman, da Universidade Princeton, ganhador do Nobel de Economia em 2002, e Amos Tversky, já falecido, que participou da pesquisa que rendeu o prêmio ao colega.

Os dois revelaram algumas atitudes peculiares em relação ao risco. Por exemplo, tendemos a ser muito mais cautelosos quando há a possibilidade de grandes ganhos ou de perdas pequenas. No entanto, escolhemos opções arriscadas sem grande apreensão se existe a probabilidade de pequenos ganhos ou de perda significativa. Essa inclinação para subestimar eventos raros, mas catastróficos, tem sido chamada de “efeito cisne negro”. O que se pode dizer sem medo de errar é que nossas escolhas, quaisquer que sejam, grandes ou pequenas, estão sujeitas a uma quantidade enorme de influências e variáveis, nem todas sob nosso controle. Mas tudo indica que a compreensão mais clara das forças que sustentam nossas decisões pode nos ajudar a fazer melhores escolhas. Um exemplo prático? A descoberta recente de pesquisadores das universidades Ben-Gurion, em Israel, e Stanford sobre a “fadiga de decisão”, que faz com que juízes sejam quatro vezes mais propensos a conceder penas menores de manhã do que à tarde, poderá persuadir não só os profissionais, mas qualquer pessoa a ser mais cuidadosa quando se vê diante de um dilema. E, com certeza, de todas as escolhas que enfrentamos todos os dias, a de se comprometer a tomar boas decisões é seguramente a melhor.

RECONHECER O ERRO FAZ BEM

Do ponto de vista evolutivo, o arrependimento por ter tomado uma decisão errada está associado à preservação da espécie. Embora seja desagradável, esse sentimento tem enorme importância, já que deveríamos tirar dele lições e, assim, correr menos riscos de sofrer decepções quando novamente precisarmos fazer escolhas no futuro. Os mais habilidosos para tomar decisões contariam com uma espécie de “superioridade”, teriam maiores chances de viver mais, de forma saudável, e, consequentemente, transmitir seus genes.

Hoje, numerosos estudos mostram que pessoas com lesão no lobo orbito frontal apresentam grande dificuldade para tomar decisões que as beneficiem e, por isso, tendem a perder o emprego, são incapazes de manter relações pessoais estáveis e fazem repetidamente investimentos financeiros desastrosos. Porém, essa anomalia não resulta de falta de conhecimento, criatividade ou inteligência.

O neurocientista Antônio Damásio, professor de psicologia e neurologia da Universidade do Sul da Califórnia em Los Angeles, acredita que o problema está relacionado a um déficit emocional. Esses pacientes seriam incapazes de produzir “marcadores somáticos”, isto é, reações emocionais manifestadas quando antecipamos uma decisão, as quais nos previnem dos resultados prováveis da escolha que nos preparamos para fazer (por exemplo, o desconforto que sentimos diante da ideia de repreender severamente um amigo).

Estudos desenvolvidos pela neuropsicóloga Ângela Sirigu, em parceria com os neuroeconomistas Giorgio Coricelli e Nathalie Camille, então do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), sugerem que o arrependimento constitui um marcador somático controlado primeiramente pelo córtex orbito frontal – daí lesões nessa região acarretarem consequências tão específicas. Essa área teria se tornado muito importante por conduzir todas as situações de escolha, produzindo os “arrependimentos antecipados” − daí a sensação desconfortável, uma espécie de “efeito colateral” de nossa capacidade de fazer escolhas. Inversamente, as pessoas incapazes de se arrepender tomam decisões que com frequência lhes trazem dificuldades.

OUTROS OLHARES

ALTRUÍSMO VERSUS EGOÍSMO

A era na qual é politicamente correto fazer trabalho voluntário debate essa questão. Afinal, doar- se ao outro é consciência social ou satisfação do ego?

Altruísmo versus egoísmo

Diante das dores e dificuldades que rondam a população nesse momento atual de crise, aliadas ao desejo de muitos em tentar ajudar o seu próximo, muitas questões podem ser levantadas e refletidas acerca do tema: altruísmo versus egoísmo.

Até que ponto abrir mão de si para cuidar do bem-estar do outro pode ser considerado altruísmo? Até que ponto colocar uma vontade ou necessidade sua em primeiro lugar pode ser considerado egoísmo? É evidente que cada caso deve ser analisado à parte, mas o fato é que qualquer situação que envolva esse tipo de questão exige uma reflexão acerca de ambos os lados envolvidos. Pois caso contrário, caímos num problema de outra ordem, como falta de amor-próprio, abnegação, julgamento equivocado, críticas e condenações injustas etc.

LIMITE TÊNUE

Vamos começar a pensar nessa questão que atormenta e é motivo de culpa e críticas em todas as esferas de relações interpessoais. Pegando a definição dos termos, temos o seguinte:

Altruísmo é um tipo de comportamento encontrado em seres humanos e outros seres vivos, em que as ações voluntárias de um indivíduo beneficiam outros. É sinônimo de filantropia. No sentido comum do termo é, muitas vezes, percebida como sinônimo de solidariedade. A palavra “altruísmo” foi criada em 1831 pelo filósofo francês Auguste Comte para caracterizar o conjunto das disposições humanas (individuais e coletivas) que inclinam os seres humanos a se dedicarem aos outros. Esse conceito opõe-se, portanto, ao egoísmo, que são as inclinações específicas e exclusivamente individuais (pessoais ou coletivas).

Egoísmo (ego + ismo) é o hábito ou a atitude de uma pessoa colocar seus interesses, opiniões, desejos, necessidades em primeiro lugar, em detrimento (ou não) do ambiente e das demais pessoas com que se relaciona. Nesse sentido, é o antônimo de altruísmo.

Olhando de longe, e grosso modo, notamos que ambos são tidos como antônimos. Mas há que se tomar cuidado com esse tipo de conceito na prática diária. Muito cuidado deve se ter ao buscar o limite saudável ou equilibrado entre um e outro. Deve-se estar atento no sentido de não prejudicar nenhum dos lados para beneficiar o outro. Se a ajuda ao próximo implica em prejuízo ao ajudador, deve ser avaliada a extensão e a profundidade desse prejuízo. Dependendo do prejuízo, não se justifica efetivar esse tipo de “ajuda” que beneficia o necessitado, mas lesa o ajudador e/ ou os que dele dependam de alguma forma. E sendo dessa maneira, não se pode apontar essa decisão como egoísta.

Tomando esse tipo de cuidado, o de não prejudicar nenhum dos lados – o ajudador-ajudado ou eu -outro -, nada há de errado em colocar seus cuidados e necessidades pessoais em primeiro lugar. Há quem afirme, inclusive, que o ideal é procurar cuidar de si primeiro e estar pleno para então cuidar do outro. Atribui-se o nome de amor-próprio para esse tipo de conduta.

A generosidade consiste em dar ao outro o que excede em você.

Como dar ao outro o que nos falta? Se não me cuido, como posso estar apto e pronto a cuidar do próximo? Dessa forma, pressupõe-se que você deveria estar minimamente abastecido de algo para então poder compartilhar com os demais o que lhe abunda e falta ao outro.

Lembremos da instrução dada pelas aeromoças nos procedimentos para decolagem: em caso de despressurização das cabines, os pais devem colocar primeiramente as máscaras de oxigênio em si para então colocar em seus filhos. Um conceito um tanto controverso em uma sociedade em que aprendemos que crianças e idosos devem ter a prioridade e que é errado pensar primeiro em si. Mas, dependendo da situação, como num caso de ajuda como esse, se você não se cuida e salva como poderá cuidar e salvar a vida do outro?

Seria altruísta tirar sua roupa do corpo para aplacar o frio do outro e passar a sentir e sofrer com o frio? Quantos adultos vemos hoje tentando ensinar o altruísmo às suas crianças, tentando fazer com que elas abram mão do que estão brincando e emprestem ao amiguinho para não serem egoístas? Seria correto ensinar uma criança pequena a abrir mão de suas vontades, gostos e desejos em detrimento da vontade alheia? Qual o limite entre altruísmo e egoísmo?

Precisamos sim ensinar as crianças a pensar no próximo, ensiná-las a dividir coisas e lidar com a espera e a frustração. Mas há que se estar atento ao momento certo e à forma de ensinar esse tipo de valor tão complexo de ser compreendido em sua essência real. Não estamos defendendo, por exemplo, o caso da criança que possui um saco cheio de biscoitos e se nega a dar alguns aos coleguinhas.

Mas devemos estar atentos para não ensiná-la, mesmo sem notar, que seus desejos ou necessidades não devem importar diante do desejo ou necessidade do outro.

Precisa-se tomar cuidado com a maneira que ensinamos para que, realmente, se aprenda sobre altruísmo e egoísmo, e na vida adulta não padeça com relações na quais ela se anula e prejudica em benefício do seu próximo para ser querida, valo­ rizada ou reconhecida pelos demais como uma boa pessoa.

As crianças menores, por estarem ainda formando sua personalidade, necessitam se abastecer e nutrir para formarem o seu mundo interno e sua personalidade primeiramente. Mais tarde, a partir disso, podem e devem aprender a reconhecer e a lidar melhor com o mundo e as necessidades do outro. E precisarão aprender a avaliar e decidir o que fazer quando seus desejos e necessidades vão contra os desejos e as necessidades do outro, de forma a poder compor uma solução mais equilibrada possível. Uma solução que prejudique o menos possível ambas as partes, sem desconsiderar nenhuma das partes, porque mesmo que a outra parte seja a aparente­ mente prejudicada pela decisão es­ colhida, sabemos já que o prejuízo real recai sobre todos os envolvidos em alguma proporção.

O mais efetivo no sentido da transferência de valores como esses para as crianças está no exemplo dado pelos pais. As crianças aprenderão sobre altruísmo ou egoísmo vendo como os adultos mais próximos agem nesse sentido. E o processo de aprendizagem se dará de uma forma mais natural, numa espécie de imitação. Se aliamos isso a muita conversa e orientação, conseguimos ajudar que eles compreendam esses conceitos e apliquem em suas vidas.

Altruísmo versus egoísmo.5

TRABALHO VOLUNTÁRIO

Muitas instituições e pessoas se encontram hoje dedicando seu tempo, suor e/ou dinheiro com o objetivo de ajudar pessoas carentes. Podemos ver movimentos significativos em instituições ou através de mídias sociais com essa finalidade; de prover o que alguns necessitam para sobreviver ou ajudar a viver de forma mais digna e saudável.

Acerca disso, há muito o que se discutir. Há quem diga que a facilidade de receber doações e ajuda faz com que pessoas se acomodem e permaneçam na condição de pedinte, ao invés de procurar algum tipo de trabalho remunerado para o autossustento ou sustento da família.

Ouvimos muitos casos nos quais pessoas simulam uma doença ou situação caótica para angariar fundos de pessoas bondosas e utilizar essa verba para fins não explicitados e não tão nobres. E isso vai tirando a capacidade do ser humano de acreditar no seu próximo, vai nos tornando desconfiados e arredios quando abordados por algum necessitado. E, infelizmente, alguns pagam pela má-fé de tantos outros.

Mas o fato que não podemos esquecer é do benefício que o trabalho voluntário, feito com amor e com disposição para servir, traz para quem o recebe e lógico que para os que o praticam também. Muitas crianças e idosos abandonados, doentes esquecidos em leitos de hospitais, portadores de necessidades especiais, moradores de rua, pessoas sem recurso financeiro suficiente para sustentarem suas famílias, e tantos outros grupos com alguma demanda, são hoje beneficiados por diversas instituições de caridade espalhadas por aí.

Com ou sem um vínculo religioso, essas instituições se propõem a aliviar a dor e o sofrimento de algum grupo específico de pessoas, e quem participa de um programa desses pode se sentir útil e satisfeito consigo por poder dedicar parte de seu tempo ao cuidado de quem precisa.

Com afeto, respeito, atenção, música, brincadeiras, alimentos, serviços profissionais dos mais variados tipos ou conversas, esses voluntários passam a fazer a diferença no dia a dia das pessoas carentes. E não se pode negar seu precioso valor.

Outra coisa que não se pode negar é o bem-estar e a satisfação pessoal que esse tipo de prática traz ao ajudador. Há pessoas que encontram o sentido de vida ou o alento para suas almas nesse tipo de tarefa no bem. E os ganhos, nesses casos, são infinitamente maiores do que o que é ofertado aos necessitados.

FUGA DE PROBLEMAS

trabalho de assistência e caridade deveria começar em casa, com o cuidado de sua família e manutenção de um ambiente familiar saudável. Parece paradoxo ver um voluntário saindo para realizar um bonito trabalho de assistência a pessoas carentes, deixando em casa seus familiares desassistidos em qualquer âmbito dessa palavra – de cuidado, afeto, atenção, preocupação ou de sua simples presença no dia a dia familiar.

Infelizmente, esse quadro não é algo raro de acontecer. É comum nos surpreendermos com a informação de que algum voluntário dedicado e amoroso em seu trabalho assistencial se transforma em casa com seu (ua) parceiro(a) e filhos agindo de forma intolerante, rude e seca, por exemplo. Será que essas pessoas notam sua drástica mudança? Como um familiar seu deve se sentir ao vê-lo tão amável e prestativo nos demais ambientes, ao mesmo tempo que se mantém tão pesado e difícil de lidar dentro de casa?

Há pessoas que não consegue m manter uma convivência harmoniosa em casa e acabam se embrenhando em algum tipo de trabalho assistencial de forma a fugir um pouco de seu ambiente hostil, onde mantêm relações desafiadoras, para se sentirem melhor de alguma forma a serviço do bem. Um perigo, nesses casos, é a pessoa manter o trabalho voluntário como uma bengala para um casamento falido, por exemplo, ou para a manutenção de uma situação dolorosa em sua vida pessoal, que acaba alienada pela distração nos afazeres do bem. Enquanto o trabalho fica nesse lugar, de certa forma preenchendo o es­ paço vazio e amenizando os embates e mal-estar, o problema tarda a ser solucionado. E a dor se mantém ali, preservada e inalterada.

Às vezes, a dificuldade está em se modificar, outras está em modificar algo em sua relação. Mas se não dedicamos nossa atenção a isso, apenas prolongamos amarguras e dor e retardamos o nosso desenvolvimento e crescimento pessoal e/ou nas relações. Temos também os casos nos quais as pessoas parecem ter uma boa relação em casa, mas estão tão preocupadas com o externo que acabam por deixar seus “afortunados filhos” de lado para cuidar dos carentes, sem ter a menor consciência do que estão fazendo.

Está aí mais um ponto importante a se avaliar. De que vale acolher e cuidar das pessoas carentes de qualquer instituição se deixo de dar assistência aos participantes do meu núcleo familiar, deixando-os, de certa forma, carentes ou desprovidos de algo tão fundamental quanto o afeto? Isso pode acontecer por elas julgarem o trabalho voluntário mais importante e glorioso, por necessitarem do reconhecimento e admiração social, pela dificuldade de encarar seu trabalho pessoal de reforma íntima ou a necessidade de resolução de seus conflitos interpessoais em família.

Quem nunca conheceu alguém irrequieto, que viveu uma vida inteira correndo de um lado para o outro, se atribulando com ocupações e tarefas externas evitando estarem quietas e sozinhas consigo mesmas, para não se depararem com suas questões internas? São pessoas que têm tanta dificuldade de se olharem e entrarem em contato com suas mazelas e dores na alma que passam sua vida ou parte dela se “distraindo” em cuidar e resolver os problemas dos outros. E esses outros vão de parceiros, filhos ou parentes, vizinhos até trabalhos assistenciais e pessoas carentes conhecidas ou não. E nessa busca desenfreada de negar o contato com seu ser e com as dores e marcas que carregam, muitas pessoas têm vivido uma vida praticamente superficial e artificial. Pois o vazio na alma toma conta, cada vez mais, fazendo com que elas pareçam alegres e agradáveis do lado de fora, mas permaneçam secas e amarguradas por dentro.

Nesse sentido, podemos questionar a manutenção do trabalho voluntário na vida de pessoas assim. O quanto será que essa ajuda mecânica – possível para esse tipo de pessoa destruída e perturbada internamente acrescenta mais aos necessitados do que a possibilidade de cura e alívio de sua dor interna?

Será que para o necessitado existe diferença em receber algo que transborda e extrapola do outro ou receber de quem esburaca sua alma para ajudar? Talvez não superficialmente. Então, podemos concluir que o autocuidado é tão importante quanto o cuidado ao próximo. Se queremos ser boas ferramentas no alívio do sofrimento humano, precisamos lembrar também de cuidar de nosso sofrimento pessoal. Um cuidado fortalece e potencializa o outro. Ambos são importantes e necessários e nenhum exclui a necessidade do outro, apenas se complementam e empoderam.

DIFICULDADE RELACIONAL

Existem pessoas que tendem a trabalhar demais. Geralmente são pessoas que só encontram conforto nessa área da vida e, por isso, permanecem focados nela. Ter que sair da sua zona de conforto e segurança para encarar novas áreas desafiadoras da vida acaba sendo uma tarefa deixada de lado. E, dessa forma, as pessoas se acomodam em áreas que dominam com facilidade, mas, com isso, evitam seu desenvolvimento e crescimento através de experiências novas.

O trabalho voluntário passa a ser uma forma de essas pessoas se inserirem em um grupo e manterem algum tipo de relação; mesmo que distanciada e impessoal. Representa, muitas vezes, a possibilidade de aplacar a solidão em que se encontram e passam a ser um alento muitas vezes maior para o voluntário do que para o ajudado.

Mesmo que nesse tipo de tarefa o contato não necessite ser estreito e as relações não se aprofundem, essa passa a ser uma forma, mesmo que distanciada de relação. Longe de um relacionamento íntimo, mas, muitas vezes, a forma possível daquela pessoa de se relacionar.

Além de todas as questões levantadas até agora acerca da prática do trabalho voluntário, temos ainda o conflito entre o motivo de muitos voluntários estarem na posição de ajudadores para alimentar seu ego e não pelo altruísmo.

Isso se dá de forma muito sutil e parece mais frequente do que se imagina. Existem instituições nas quais a entrada de novos voluntários já se torna algo difícil e seletivo. Como compreender uma instituição de caridade que limita ou condiciona a entrada de novos voluntários de forma que inviabiliza o aumento de seu potencial de ajuda?

E quando a pessoa interessada em participar de um programa voluntário consegue, por vezes com muito custo, ingressar em alguma instituição de caridade, passa a ter de lidar com outras dificuldades. E dentre as causas desse rol de dificuldade algumas passam pela vaidade e pela necessidade de satisfação do ego pessoal. Fatores como tempo de serviço ou função ocupada na instituição, classe social, estado civil dentre outros são razões utilizadas para criar certa ascendência de uns perante outros.

E diante de tudo isso, muitas vezes vemos os interesses dos assistidos serem sobrepostos pela necessidade dos dirigentes estarem numa posição de comando, poder ou superioridade.

Seria caridade ingressar num trabalho assistencial, que tem o in­ tuito de ajudar o próximo, munido de uma crença de superioridade que o faz humilhar e submeter os demais voluntários?

Altruísmo versus egoísmo.4

CAMINHOS DA VAIDADE

Existem pessoas que se embrenham por esse campo e são seduzidas e arrebatadas pelo status e reconhecimento adquirido lá. E passam cada vez mais a dedicar seu tempo e esforço para esse tipo de atividade não pelo sentido de caridade que aquele trabalho tem, mas pela necessidade de ser cada vez mais reconhecido e valorizado.

É tentador ser reconhecido na rua, receber regalias e certo destaque e não querer mais e mais disso. E, em nome desse prazer, alguns deixam de dar atenção a outras áreas de suas vidas e se tornam escravos desse tipo de satisfação: a satisfação do ego. Nada lhe parece mais importante. A família fica de lado e os compromissos sociais se tornam mais frequentes. Até seu cuidado com a saúde fica de lado quando o assunto é se manter no foco dos holofotes!

Com isso, os vaidosos acabam por criar verdadeiros personagens dotados das características exatas para encantar e seduzir sua plateia de admiradores. Personagens que seduzem seguidores e ouvintes, mas que os distanciam cada vez mais de seu eu interior. Personagens que os tornam prisioneiros do aplauso e da admiração que vêm de fora. E os isolam de relações próximas e verdadeiras.

Pensando nisso, podemos afirmar que os maiores enganados não são as pessoas que recebem a ajuda, mas sim os ajudadores que estão ali em nome de outra coisa que não seja ajudar o próximo.

Por essas e outras razões precisamos estar atentos e nos questionar a todo momento em nome do que realizamos determinado trabalho voluntário. Quanto mais alinhados com nosso propósito estivermos, mais força nosso trabalho terá e mais poderemos ajudar.

Altruísmo versus egoísmo.2 

ESTATÍSTICA

Segundo dados divulgados em março deste ano, quatro em cada 100 pessoas desenvolvem algum trabalho voluntário no Brasil. Em números absolutos são 6,5 milhões de pessoas, o que representa 3.9% da população de mais de 14 anos. A informação é do módulo Outras Formas de Trabalho, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Continua), que concluiu que a proporção é maior entre mulheres (4.6%) que homens (3.1%) e maior nas regiões Norte (5.6%) e Sul (5.0%). Nordeste (3%) apresentou a menor taxa.

Altruísmo versus egoísmo.3

ENTIDADE

O Centro de Voluntariado de São Paulo (CVSP) foi criado em 1997 por um grupo de pessoas de diferentes segmentos da sociedade e por participantes de várias organizações sociais. A ideia surgiu devido à grande demanda de iniciativas da sociedade civil em relação ao trabalho

voluntário. O CVSP é uma organização sem fins lucrativos e integra uma grande rede de centros de voluntariado no país. Mais informações: http://www.voluntariado.org.br

GESTÃO E CARREIRA

E A VAGA VAI PARA…

Enviar vídeos vendendo o próprio peixe se torna cada vez mais comum nas disputas por um emprego. Saiba como se preparar para sair bem na fita.

e a vaga vai para.

Você acessa seu computador ou smartphone e grava um vídeo de 90 segundos mostrando por que você é especial. Parece seleção do Big Brother, mas é entrevista de emprego. Em vez de chamar a atenção de produtores de TV, o desafio está em convencer recrutadores. A seleção de talentos mudou.

Aquelas etapas longas e burocráticas estão sendo substituídas por processos mais tecnológicos. Isso ocorre por várias razões, segundo um relatório da consultoria Deloitte. Uma é o avanço da inteligência artificial, que possibilita às empresas aperfeiçoar metodologias. Outra é a entrada dos jovens no mercado de trabalho, que obriga as mesmas companhias a se reinventar. Assim, dinâmicas de grupo são substituídas por jogos virtuais e conversas com o RH perdem espaço para as filmagens caseiras. “Os vídeos proporcionam uma experiência mais atraente e confortável a quem procura emprego”, escrevem os autores do estudo. Na visão da Deloitte, além de as gravações serem mais práticas do que os encontros presenciais, elas ajudam a melhor identificar futuros funcionários, economizando dinheiro e reduzindo o tempo de contratação. Os vídeos também são mais seguros do que as conversas não padronizadas entre o profissional e os recrutadores, pois obrigam o candidato a responder de maneira objetiva a perguntas direcionadas – e permitem aos selecionadores tirar a teima revendo o arquivo de maneira minuciosa.

“Esse movimento surgiu nos Estados Unidos e chegou timidamente ao Brasil há cerca de seis anos. Agora cresce”, afirma André Miceli, coordenador do MBA de marketing digital na Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. Projeções mostram que até 2020, 80% do tráfego digital será de vídeos. Para André, a estatística deverá se estender à seleção de pessoas, com oito em cada dez processos usando essa ferramenta.

Na consultoria EY (antiga Ernest & Young), com 5.000 funcionários no Brasil, 40% das entrevistas de emprego conduzidas no escritório de São Paulo já ocorrem pelo Skype. Conversa olho no olho? Só na reta final. “0 vídeo permite observar o comportamento, a forma como o profissional se expressa e sua postura. Ainda assim, podemos perder alguns detalhes, como movimentos sutis que demonstrem nervosismo. Então, sempre fazemos um encontro presencial com o candidato, afirma Elisa Garra, diretora de RH da E.Y.

LUZ, CÂMERA, AÇÃO

Itaú, Natura, Via Varejo e Drogasil são exemplos de grandes corporações que usam vídeo em alguma etapa do processo seletivo. As startups especializadas em soluções para gestão de pessoas (as HRTechs) são as principais responsáveis por levar o modus operandi de reality show ao recrutamento. Entre elas estão Kenoby, Connekt e Apponte. “O modelo serve para avaliar competências técnicas ou inglês”, diz Celso Hupfer, CEO da Connekt. Já Marcel Lotufo, sócio- fundador da Kenoby, diz que as gravações são solicitadas nas etapas mais avançadas do processo para facilitar a vida do RH. “Os vídeos funcionam melhor no final, quando boa parte dos candidatos já foi eliminada na análise de currículo ou nos questionários on-line.”

Mesmo com propostas diferentes, os empreendedores recomendam aos interessados que façam vídeos curtos, de até 2 minutos, apresentando a si mesmos ou respondendo a perguntas estratégicas – a filmagem pode ser feita no computador ou no celular. Às vezes, as companhias só dão uma chance ao profissional: depois de apertado o play, não dá para voltar atrás nem editar o que foi gravado.

Por enquanto, o recurso tem sido usado com candidatos em início de carreira, como estagiários, trainees, analistas e coordenadores. Rafael Henrique, de 28 anos, passou por esse tipo de recrutamento há dois meses. Para conquistar a vaga de analista de gestão de portfólio no banco Itaú, teve de fazer cinco vídeos respondendo a questões técnicas e comportamentais. Sua tática foi filmar em casa, num ambiente tranquilo e bem iluminado. “Isso me ajudou a manter a calma e a responder com autoridade”, afirma. Segundo ele, além de economizar no tempo de deslocamento, os vídeos também o ajudaram na posterior entrevista pelo Skype. “Já estava familiarizado com as exigências, então a conversa foi mais assertiva e produtiva para ambos os lados.”

DESCONFIANÇA

Embora os vídeos sejam cada vez mais comuns nos processos seletivos, Mário Custódio, gerente de treinamento da consultoria Robert Half vê o excesso de gravações com reserva. “A tecnologia ajuda, dando agilidade, mas atrás dela existe um ser humano e o contato pessoal não pode ser descartado.”

A analista financeira Gisele Tayar Varella, de 28 anos, era resistente à ideia de gravar a si mesma e já havia desistido de outros processos por causa disso. Até que resolveu encarar a câmera para conseguir uma vaga na Agente Imóvel, startup de imóveis. Ela teve de fazer cinco vídeos, sendo um deles em inglês, de 1 minuo cada um, respondendo a questões como: “O que você faria numa manhã de segunda-feira?” Gisele escreveu um roteiro para cada pergunta e leu os textos em voz alta. “Depois, filmei duas vezes para testar, porque estava atropelando as palavras.” Apesar de ter se empenhado nas gravações, a conversa presencial, na qual detalhou sua experiência na Austrália, foi decisiva. Como o atual gestor é sueco, eles buscavam alguém com vivência internacional.

Uma vez que as gravações podem ser o passaporte para a sonhada vaga de emprego, é melhor se preparar. Veja as dicas para se sair bem na fita.

SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO FILMADO

Recomendações de Fátima Toledo, responsável por preparar atores de filmes como Tropa de Elite e Cidade de Deus, e Dirceu Lemos, professor de rádio, TV e internet na Faculdade Cásper Libero

TESTE DE VÍDEO

Faça uma ou duas experiências rápidas de filmagem antes de começar o processo para valer – mas evite ensaiar muitas vezes para não ficar engessado. “Mantenha uma distância cujo enquadramento seja do busto para cima e olhe diretamente para a lente, imaginando que há uma pessoa do outro lado”, diz Dirceu. Ficar muito perto da lente, além de mostrar falsa intimidade com o interlocutor, destaca apenas o rosto e não permite que o recrutador avalie os movimentos corporais, o que pode prejudicar a escolha. Também não grave como se fosse uma selfie, pois é informal demais e dá a sensação de desleixo e descompromisso.

PREPARAÇÃO

É verdade que os atores fazem alguns exercícios antes das filmagens, mas são profissionais e, em geral, gravam várias horas seguidas, interpretando uma personagem. Como esse não é o caso, Fátima diz que o ideal é procurar relaxar antes de ligar a câmera. Não é necessário fazer exercício especifico. “Respire calmamente e fale como se estivesse conversando com alguém conhecido”, diz a preparadora de elenco. “Você vai se apresentar e falar de suas competências. Quanto mais natural, melhor.”

VISUAL DISCRETO

Evite peças brancas, listradas ou com padrões miúdos, como bolinhas, que podem confundir a visão no vídeo e causar o famoso ruído: quando a roupa chama mais a atenção do que aquilo que está sendo dito. Mulheres devem usar maquiagem leve. O cabelo pode ficar solto ou preso, tanto faz. O importante é estar confortável com o visual. Isso porque, de acordo com os especialistas, a câmera transparece quando se quer “vender” uma imagem que não é real. “Exagerar no esforço, na maioria das vezes, gera incômodo,” diz Fátima.

TELEPROMPTER IMPROVISADO

Antes de gravar os vídeos, crie um script. Organize as informações que pretende abordar de forma clara e objetiva, tendo em mente que você terá de ressaltar sua experiência profissional recente e destacar resultados obtidos. Para se sentir mais seguro, um truque é deixar um cartaz ao lado da câmera com palavras-chave para você se lembrar do que precisa dizer. Só cuidado para não parecer que está lendo, o que pegará mal. “Olhe discretamente, apenas para se manter dentro do roteiro”, diz o professor Dirceu. Desviar o olhar da lente o tempo todo demonstra insegurança, timidez ou, pior, que não se está falando a verdade.

AMBIENTE ADEQUADO

Na hora de gravar, escolha com atenção o local. “Recomendo uma parede neutra – se for gravar no quarto, cuidado com o ângulo da câmera para não mostrar sua cama desarrumada ou a porta de um armário aberta”, afirma Fátima. Lembre-se: quem precisa chamar a atenção é você, não os objetos de decoração. Como você não terá iluminação profissional à disposição, terá de se virar com a luz do ambiente. “Esse tipo de iluminação não favorece a imagem, pois gera sombra. O ideal é acender uma luminária ou abajur próximo a você”, diz Dirceu. O abajur com cúpula é o mais indicado, pois esse tipo de cobertura funciona como um difusor da luz. O professor recomenda ainda passar um lenço de papel no rosto para evitar que a pele brilhe. “Brilho remete a medo e tensão.”

ROTEIRO AMARRADO

O roteiro deve ser coerente e apresentar uma estrutura com começo, meio e fim. Isso evitará improvisos e, consequentemente, tropeços. Segundo Dirceu, para que o discurso não soe afetado ou, então, mecânico demais, use palavras e uma linguagem com a qual esteja acostumado. Priorize informações mais relevantes sobre você e sua carreira. Calcule também o tempo de gravação, para não falar rápido demais e atropelar as palavras, nem muito devagar, pois fica cansativo.

DETALHES TÉCNICOS

Antes de começar a filmar, limpe com um pano seco a lente da câmera – se ela estiver suja, a imagem pode ficar embaçada. Tenha cuidado, também, com o áudio. Desligue aparelhos (como telefone e alarmes) e feche janelas para evitar que o som exterior comprometa a qualidade da gravação. Se estiver gravando pelo celular, atenção para não cobrir o microfone do smartphone e abafar o som. Aliás, uma dúvida recorrente é se é melhor gravar no celular ou no computador. De acordo com os especialistas, depende do tipo de equipamento que você tem. Dirceu lembra que até filmes recentes, como Tangerine (2015) e o brasileiro Charlote SP (2016), foram feitos com iPhone 5. “Hoje, é possível criar um vídeo com qualidade acessando alguns tutoriais na internet e baixando programas gratuitos. Quem baixá-los pode ter um resultado ainda melhor.”

 

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 6: 60-71 – PARTE II

Alimento diário

O Sermão de Cristo aos seus discípulos. O efeito do sermão de Cristo. O caráter de Judas

II – Suas palavras foram, para outros, cheiro de vida para vida. Muitos voltaram atrás, mas, graças a Deus, não todos. Mesmo nesta ocasião, os doze permaneceram com Ele. Embora a fé de alguns possa ser abalada, ainda assim a fundação de Deus permanece segura. Observe aqui:

1. A pergunta carinhosa que Cristo faz aos doze (v. 67): “Quereis vós também retirar-vos?” Ele não disse nada àqueles que se retiraram. Se os incrédulos se retiram, que se retirem. Não era grande a perda daqueles que Ele nunca teve. Vêm fácil, vão fácil. Mas o Senhor aproveita esta oportunidade para falar com os doze, para confirmá-los e, testando sua constância, deixá-los mais estáveis: “Quereis vós também retirar-vos?”

(1) “Vocês decidem, se vão ou não. Se desejam me abandonar, a hora é agora, quando tantos o fazem. É uma hora de tentação. Se vocês desejam tornar atrás, vão agora”. Observe que Cristo não deterá ninguém consigo, contra a vontade. Seus soldados são voluntários, e não homens pressionados. Os doze agora tinham tido tempo suficiente para julgar o que pensavam a respeito de Cristo e da sua doutrina, e, para que nenhum deles pudesse, posteriormente, dizer que tinham caído na armadilha do discipulado, e que, se pudessem fazê-lo novamente, não o fariam, aqui Ele lhes dá um poder de revogação, e deixa que eles decidam. Como em Josué 24.15; Rute 1.15.

(2) “Será por sua própria conta, se forem embora”. Se havia alguma inclinação secreta, no coração de qualquer um deles, de separar-se dele, Ele a interrompe com esta pergunta para despertá-los: ‘”Quereis vós também retirar-vos?’ Não penseis que tendes tão poucos objetivos como eles, e podeis ir embora tão facilmente como eles puderam. Eles não eram tão íntimos a mim como tendes sido, nem receberam de mim tantos favores. Eles se foram, mas vós também ireis? Lembrai-vos do seu caráter, e dizei: Não importa o que os outros façam, nós nunca partiremos. ‘Um homem, como eu, fugiria?”‘ Neemias 6.11. Observe que, quanto mais próximos estivermos de Cristo, e quanto mais tempo tivermos estado com Ele, mais vínculos teremos com Ele, e maior será nosso pecado, se o abandonarmos.

(3) “Tenho motivos para pensar que vocês não irão. Quereis retirar-vos? Não, Eu tenho uma influência mais forte sobre vocês do que sobre eles. Eu espero coisas melhores de vós (Hebreus 6.9), pois vós sois os que tendes permanecido comigo”, Lucas 22.28. Enquanto a apostasia de alguns é uma tristeza para o Senhor Jesus, a constância de outros é sua honra em uma medida muito maior, e Ele se compraz nela de uma forma bastante adequada. Cristo e o crente conhecem muito bem um ao outro, para que se separem a cada dissabor desta vida.

2. A resposta de fé que Pedro, em nome dos demais, deu a esta pergunta, vv. 68,69. Cristo lhes fez a pergunta, assim como Josué, que deixou Israel escolher a quem desejava servir, com o desejo de extrair deles uma promessa de união a Ele, e teve o resultado desejado. “Não, nós desejamos ser vir ao Senhor”. Pedro era, em todas as ocasiões, a boca dos demais, não tanto porque o Mestre o ouvisse mais do que a eles, mas porque ele tinha mais disposição para falar, e o que ele dizia era, às vezes, aprovado, e em outras ocasiões, repreendido (Mateus 16.17,23) – o destino comum daqueles que são rápidos para falar. Isto foi bem dito, admiravelmente bem dito, e provavelmente Pedro o disse mediante a orientação e o consentimento expresso dos seus co-discípulos. Pelo menos, ele sabia o que eles pensavam, e falava o que eles sentiam. E, se não fosse por Judas, poderíamos esperar o melhor de todo aquele grupo.

(1) Aqui está uma boa decisão de unir-se a Cristo, e é expressa de modo a indicar que eles não alimentariam o menor pensamento de deixá-lo: “‘Senhor, para quem iremos nós?” Seria tolice fugir de ti, a menos que soubéssemos onde haveria alguém melhor. Não, Senhor, nós conhecemos nossa escolha bem demais para mudar”. Observe que aqueles que deixam a Cristo deveriam considerar a quem irão, e se poderão esperar encontrar descanso e paz em algum lugar, exceto nele. Veja Salmos 73.27,28; Oséias 2.9. Para onde iremos? Cortejaremos o mundo? Ele certamente nos enganará. Retornaremos ao pecado? Ele certamente nos destruirá. Deixaremos a fonte de águas vivas à procura de cisternas quebradas? Os discípulos decidem continuar na sua busca de vida e felicidade, e desejam um guia para isto, e ficarão unidos a Cristo como seu guia, pois jamais poderão ter alguém melhor. “Iremos aos filósofos pagãos, e nos tornaremos seus discípulos? Eles se tornam inúteis nas suas imaginações, e, professando ser sábios em outras coisas, tornam se tolos em religião. Iremos aos escribas e fariseus, e nos sentaremos aos pés deles? Que bem podem nos trazer aqueles que anularam os mandamentos de Deus, substituindo-os pelas suas tradições? Iremos a Moisés? Ele nos mandará de volta a ti. Portanto, se encontrarmos o caminho para a felicidade, será seguindo a ti”. Observe que a santa religião de Cristo se mostra em grande vantagem, quando comparada a outras instituições, pois é patente e claro como ela é superior a todas as outras. Que aqueles que encontram defeitos nesta religião encontrem uma melhor antes de abandoná-la. Precisamos do Mestre divino. Poderíamos encontrar alguém melhor do que Cristo? Não podemos ficar sem a revelação divina. Se as Escrituras não fossem esta revelação, onde poderíamos procurá-la?

(2) Aqui está uma boa razão para esta decisão. Não foi a decisão irrefletida de um afeto cego, mas o resultado de uma deliberação madura. Os discípulos decidiram que jamais se afastariam de Cristo:

[1] Por causa dos benefícios que lhes foram prometidos pelo próprio Senhor Jesus: “Tu tens as palavras da vida eterna”. Eles ainda não compreendiam plenamente as palavras de Cristo, pois a doutrina da cruz ainda era um enigma para eles. Mas, de maneira geral, eles se contentavam com o fato de que Ele tinha as palavras da vida eterna, isto é, em primeiro lugar, que a palavra da sua doutrina mostra o caminho para a vida eterna. Ele é colocado diante de nós, e nos indica o que fazer, para que possamos herdá-la. Em segundo lugar; que a palavra da sua determinação deve conceder a vida eterna. O fato de que Ele tem as palavras da vida eterna é a mesma coisa que Ele ter o poder de dar a vida eterna a todos os que lhe forem dados, cap. 17.2. No discurso anterior; o Senhor Jesus tinha garantido a vida eterna aos seus segui­ dores. Estes discípulos se apegaram a estas palavras claras, e por isto decidiram continuar com Ele, enquanto os demais ignoraram isto, e somente ouviram as palavras mais severas, decidindo abandoná-lo. Embora não possamos explicar todos os mistérios e todas as coisas obscuras, na doutrina de Cristo, ainda assim sabemos, de maneira geral, que ela é a Palavra de vida eterna, e por isto devemos viver e morrer de acordo com ela, pois, se abandonarmos a Cristo, nós estaremos abandonando nossas próprias misericórdias.

[2] Por causa da certeza que eles tinham a respeito dele (v. 69): “Nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo”. Se Ele é o Messias prometido, então Ele deve trazer a justiça eterna (Daniel 9.24), e por isto tem as palavras de vida eterna, pois ajustiça reina para a vida eterna, Romanos 5.21. Observe, em primeiro lugar; a doutrina em que eles criam: que este Jesus era o Messias prometido aos pais e esperado por eles, e que não era um mero homem, mas o Filho do Deus vivo, o mesmo a quem Deus tinha dito: “Tu és meu Filho”, Salmos 2.7. Em tempos de tentação à apostasia, é bom recorrermos aos nossos primeiros princípios, e permanecermos firmes neles, e, se agirmos fielmente de acordo com aquilo que é indiscutível, seremos mais capazes tanto de encontrar quanto de conservar a verdade nos assuntos que causam debates duvidosos. Em segundo lugar, o grau da sua fé: ela nascia de uma certeza completa: “Nós temos… conhecido”. Nós sabemos por experiência. Este é o melhor conhecimento. Nós devemos aproveitar a oportunidade da hesitação de outros para ficarmos ainda mais firmes, especialmente na verdade que está diante de nós. Quando tivermos uma fé tão forte no Evangelho de Cristo, tão ousada a ponto de arriscarmos nossas almas nele, sabendo em quem cremos, então, e não antes disto, estaremos dispostos a arriscar tudo o que tivermos por amor ao Senhor e ao seu Evangelho.

3. A melancólica observação que nosso Senhor Jesus fez à resposta de Pedro (w. 70,71): “Não vos escolhi a vós os doze? E um de vós é um diabo”. E o evangelista nos diz a quem Ele se referia: “Dizia ele de Judas lscariotes”. Pedro tinha se pronunciado em nome de todos, garantindo que todos os apóstolos seriam fiéis ao seu Mestre. Agora Cristo não condena a caridade demonstrada por Pedro (é sempre bom esperar o melhor), mas, tacitamente, corrige sua confiança. Jamais devemos pensar que podemos ter absoluta certeza a respeito de alguém. Deus conhece aqueles que são seus, porém nós não. Observe aqui:

(1) Os hipócritas e aqueles que traem a Cristo não são melhores do que os demônios. Judas não somente tinha um demônio, mas era um demônio. “Um de vocês é um caluniador”, pois diabolos, às vezes, tem este significado (2 Timóteo 3.3), e é provável que Judas, quando vendeu seu Mestre aos principais dos sacerdotes, o tivesse descrito como um homem mau, para justificar a atitude que estava tomando. Mas eu prefiro interpretar o texto como se lê: Ele é um diabo, um diabo encarnado, um apóstolo caído, assim como o Diabo é um anjo caído. Ele é Satanás, um adversário, um inimigo de Cristo. Ele é Abadom, e Apoliom, um filho da perdição. Judas era do seu pai, o demônio, realizava seus desejos, cuidava dos seus interesses, como Caim, 1 João 3.12. Aqueles cujos corpos estão possuídos pelo demônio nunca são chamados de demônios (são chamados de endemoninhados, mas não de demônios), mas Judas, em cujo coração Satanás entrou, enchendo-o, é chamado de diabo.

(2) Muitos daqueles que aparentemente são santos, são, na realidade, demônios. Judas tinha a mesma aparência que muitos dos apóstolos. Seu veneno era, como o da serpente, coberto com uma pele fina. Ele expulsava demônios, e parecia ser um inimigo do reino do Diabo, mas era um diabo durante todo o tempo. Não somente seria um, em breve, mas era um, já naquele momento. Isto é estranho e assombroso, e Cristo fala disto com assombro: Não escolhi? É triste e lamentável que até mesmo o cristianismo possa ser, em algumas ocasiões, um disfarce para o Diabo.

(3) Os disfarces dos hipócritas, por mais que possam enganar os homens e trapacear contra eles, não podem enganar a Cristo, pois seus olhos penetrantes enxergam através deles. Ele pode distinguir aqueles demônios que se dizem cristãos, como na saudação do profeta à esposa de Jeroboão, quando ela se apresentou disfarçada diante dele (1 Reis 14.6): “Entra, mulher de Jeroboão”. A visão divina de Cristo, muito mais precisa do que qualquer visão excelente, é capaz de enxergar o espírito de cada pessoa.

(4) Existem aqueles que são escolhidos por Cristo para serviços especiais, e que, apesar disto, se mostram falsos para com Ele: Escolhi vocês para o apostolado, pois está escrito expressamente que Judas não foi escolhido para a vida eterna (cap. 13.18), e ainda assim, um de vocês é um diabo. Observe que a promoção a posições de honra e confiança na igreja não é uma evidência garantida da graça salvadora. “Nós profetizamos em teu nome”.

(5) Nas mais seletas sociedades deste lado do céu, não é novidade encontrar-se com aqueles que são corruptos. Dos doze que foram escolhidos para uma conversa íntima com uma Divindade encarnada, uma honra e um privilégio maiores do que quaisquer outros para os quais os homens pudessem ser escolhidos, um deles era um diabo encarnado. O historiador enfatiza este fato, de que Judas era um dos doze, que foram tão honrados e distinguidos. Não devemos rejeitar ou execrar os doze pelo fato de um deles ter sido um diabo, nem dizer que todos foram trapaceiros e hipócritas porque um deles o foi. Que aquele que o é leve a culpa, e não aqueles que, enquanto ele não é descoberto, se associam a ele. Existe um grupo do lado de dentro do véu, ao qual nada impuro terá acesso, uma igreja dos primogênitos, na qual não há falsos irmãos.

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