OUTROS OLHARES

A PASSOS (MUITO) LENTOS

Apesar de avanços recentes, teocracias como a Arábia e o Irã continuam a negar direitos fundamentais às mulheres.

A passos (muito) lentos

TOTALITARISMO MASCULINO

Imagine dormir em um país livre e acordar na República de Gilead, um regime totalitário e teocrático com uma doutrina baseada no Velho Testamento, onde as mulheres – todas, em diferentes níveis – são submetidas aos caprichos de um homem. Trata-se de uma história de ficção, o mote da série The handmaid’s tale, inspirada no livro O conto da aia, de Margaret Atwood, publicado em 1986. Mas poderia ser o Irã, pós-Revolução Islâmica, a Nigéria, atormentada por extremistas do Boko Haram, ou a Arábia Saudita, sob o regime do poderoso príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.

Na ficção, as mulheres são divididas por castas: as “aias” servem os militares para procriação, o que torna o estupro permitido por lei. As “esposas”, embora estejam acima das aias, podem ser punidas pelos maridos, inclusive com agressões físicas. As “Marthas” são empregadas domésticas que só têm permissão para realizar suas tarefas dentro de casa. Antes da implantação do regime, eram médicas, advogadas, cientistas, usavam a roupa que queriam e eram livres para fazer o que bem entendessem. Agora, são obrigadas a vestir uniformes, de acordo com sua respectiva função, que não deixam qualquer parte do corpo à mostra.

Embora O conto da aia seja considerado uma distopia, seu roteiro é assustadoramente parecido com a Revolução Islâmica no Irã, que começou como um movimento popular em um dos países mais liberais da região e terminou com a criação da primeira república islâmica do mundo. Segundo o Código Civil iraniano, vigente de lá para cá, as mulheres precisam usar véu em público e não podem se maquiar. O estupro dentro do casamento e a violência doméstica não são reconhecidos como crimes.

Assim como na República de Gilead, autoridades iranianas vêm recorrendo à lei para tentar confinar as mulheres às funções de mãe e esposa. Quem deseja se divorciar precisa provar que padece de “sofrimentos insuportáveis”. Os homens, por sua vez, têm o direito de possuir ao menos duas esposas permanentes em matrimônios polígamos – e todas as outras que desejarem em casamentos temporários.

A passos (muito) lentos.3

Nesta semana, Mona Hoobeh Fekr e Samira Shimardi entraram para a história do jornalismo esportivo iraniano como as primeiras mulheres autorizadas a cobrir uma Copa do Mundo pelo país – mulheres são proibidas de assistir a jogos nos estádios dentro do Irã ou trabalhar neles, mas foram em grande número às arenas da Rússia. As imagens das iranianas assistindo aos jogos da seleção sem véu viralizaram nas redes.

Mas as semelhanças não se restringem ao Irã. No Iêmen, a lei obriga as mulheres a satisfazer seus maridos na cama, queiram elas ou não. Na Nigéria, o homem pode bater na mulher para “corrigi-la”.

Em um artigo publicado no jornal The New York Times, em março de 2017, Margaret Atwood, autora do livro que deu origem à série, explicou o nome da personagem principal. Offred é composto de um nome de batismo masculino, Fred – o comandante militar que “a possui” -, e um prefixo que denota “pertencente à”. Nesse caso, é impossível não se lembrar da Arábia Saudita, onde, apesar de mudanças recentes, as mulheres continuam sob a tutela de um homem – seja o pai, o marido ou até o próprio filho – para realizar tarefas como estudar ou ir ao médico.

No domingo, o país ganhou os holofotes com a esperada permissão para que as mulheres, enfim, dirijam veículos. No ano passado, elas já haviam conquistado o direito de frequentar estádios. As mudanças foram feitas pelo jovem príncipe herdeiro que assumiu o trono em junho de 2017.

A mudança, no entanto, tem sido acompanhada do aumento da repressão. Poucos dias depois, a polícia saudita prendeu a proeminente ativista de defesa dos direitos femininos Hatoon al- Fassi.

“A Arábia Saudita está dando um passo para a frente e dois para trás na implementação de reformas”, avaliou Dana Ahmed, ativista e representante da Anistia Internacional no país. Para ela, as autoridades não podem alegar que buscam mudanças quando fecham o espaço para o envolvimento da sociedade civil nessas reformas.

Segundo Ahmed, todos os ativistas independentes de direitos humanos da Arábia Saudita, assim como qualquer um que seja crítico às autoridades, foram detidos, forçados a permanecer em silêncio ou fugiram. “O fim da proibição de dirigir é um passo importante, mas deve ser seguido por novas reformas para acabar com o sistema de tutela masculina e todas as formas de discriminação contra as mulheres”, afirmou a representante da Anistia Internacional.

Por isso, para grande parte dos ativistas, as conquistas são insuficientes – ou soam hipócritas.

O novo príncipe tenta passar uma imagem de reformista no Ocidente, sendo saudado por presidentes como (o francês Emmanuel) Macron e (o americano Donald) Trump. Ao meu ver, no entanto, esse reformismo é bem marginal e uma clara tentativa de dar uma capa de um regime mais confiável ao país”, explicou Juliana Costa, professora de relações internacionais da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado. Em sua opinião, a situação das mulheres não mudou na Arábia Saudita.

A especialista afirmou ainda que os retrocessos não acontecem apenas em países onde religião e política se misturam: em nações africanas como Serra Leoa, costumes profundamente arraigados nas culturas locais permitem violações como a mutilação genital feminina – outra prática retratada na série.

“Cada país tem seu perigo para a mulher, por isso é muito complicado dizer onde ela estaria mais ou menos segura no mundo. No Brasil, por exemplo, o estupro vem aumentando”, disse Costa. Em sua avaliação, a política de imigração dos Estados Unidos, separando mães e filhos, é também um retrocesso em relação às mulheres.

Em países como a Síria ou a Nigéria há ainda outro monstro: o extremismo. Grupos como o Estado Islâmico ou o Boko Haram impõem a sharia, que permite o estupro, e obrigam ao uso da burca – traje islâmico que cobre todo o corpo e o rosto. As mulheres também não têm permissão para falar com um homem em público e são submetidas a agressões em casa. Assim como na República de Gilead.

A passos (muito) lentos.2

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

2 comentários em “OUTROS OLHARES”

    1. Também acompanho…gosto de filmes e séries que nos fazem pensar fora da caixa. Temos que ter sempre um olhar diferente para certas questões que, de certa forma ainda parece tabu para alguns. É uma realidade triste para um mundo globalizado…Abraços

      Curtido por 1 pessoa

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