ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 6: 60-71 – PARTE I

Alimento diário

O sermão de Cristo aos seus discípulos. O efeito do sermão de Cristo. O caráter de Judas

 

Aqui temos uma narrativa sobre os efeitos do sermão de Cristo. Alguns se sentiram ofendidos, e outros, edificados, por ele. Alguns se afastaram dele, e outros se sentiram atraídos a Ele.

I – Para alguns, era um cheiro de morte para morte. Não somente para os judeus, que eram inimigos declarados, seus e da sua doutrina, mas até mesmo para muitos dos seus discípulos, como os que eram discípulos em geral, que eram seus ouvintes frequentes e que o seguiam em público. Uma multidão mesclada, como aquelas, entre Israel, que iniciavam todos os descontentamentos. Aqui, temos:

1. Suas murmurações, diante da doutrina que ouviam (v. 60): “Duro é este discurso; quem o pode ouvir?”

(1) Eles não gostam do sermão: “Que é isto? Torna a carne, e beba o sangue do Filho do homem! Se isto deve ser interpretado de modo figurado, não é compreensível. Se deve ser interpretado literalmente, não é praticável. O que? Devemos nos transformar em canibais? Não podemos ser religiosos, mas devemos ser bárbaros?”. Mas, quando consideraram duro este discurso, se tivessem humildemente implorado que Cristo lhes explicasse esta parábola, Ele a teria esclarecido, e teria aberto também seus entendimentos, pois aos mansos ensinará seu caminho. Mas eles não desejavam a explicação das palavras de Cristo, porque não desejavam perder este pretexto para rejeitá-lo, que Ele proferia discursos severos demais.

(2) Eles julgam impossível que qualquer pessoa o aprecie: “‘Quem o pode ouvir? Certamente ninguém”. Desta maneira, aqueles que zombam da religião estão prontos a garantir que toda a porção inteligente da humanidade esteja de acordo com eles. Eles concluem, com grande segurança, que nenhum homem de bom senso irá aceitar a doutrina de Cristo, nem qualquer homem que aja segundo o espírito irá se sujeitar às suas leis. Por não suportarem ser instruídos desta maneira, eles pensam que ninguém mais poderá fazê-lo: Quem o pode ouvir? Graças a Deus, milhares de milhares ouviram as palavras de Cristo, e as julgaram não somente confortáveis e confortadoras, mas agradáveis, o alimento necessário a todas as pessoas.

2. As repreensões de Cristo às suas queixas.

(1) Ele conhecia bem suas murmurações, v. 61. Suas críticas eram secretas, nos seus próprios seios, ou eram sussurradas, entre eles, nos cantos. Mas:

[1] Cristo as conhecia. Ele as via, Ele as ouvia. Observe que Cristo percebe não somente os desafios ousados e abertos que são feitos ao seu nome e à sua glória, pelos ousados pecadores, mas também a indiferença secreta que é dedicada à sua doutrina pelos que professam a fé, porém sendo carnais. Ele sabe aquilo que o tolo diz no seu coração, e não se atreve, por vergonha, a dizer abertamente. Ele observa como sua doutrina provoca ressentimento naqueles a quem é pregada; quem se alegra com ela, e quem reclama dela; quem está em conformidade com ela, e se curva diante dela, e quem discute com ela, e se rebela contra ela, ainda que o faça secretamente.

[2] Ele sabia, em si mesmo, não por alguma informação que lhe fosse dada, nem por alguma indicação exterior, mas pela sua própria onisciência divina. Ele sabia, não como os profetas, por uma revelação divina (pois aquilo que os profetas desejavam saber estava, muitas vezes, oculto deles, como em 2 Reis 4.27), mas por um conhecimento divino residente em si mesmo. Ele é aquela Palavra essencial, que discerne os pensamentos do coração, Hebreus 4.12,13. Para Cristo, os pensamentos são palavras. Nós devemos, portanto, tomar cuidado, não somente com o que dizemos e fazemos, mas com o que pensamos.

(2) Ele sabia perfeitamente bem como responder a eles: “‘Isto vos escandaliza? ‘Isto é uma pedra de tropeço para vós?” Veja como as pessoas, pelos seus próprios enganos deliberados, criam ofensas a si mesmas. Elas se ofendem quando nenhuma ofensa lhes foi feita, e até mesmo tomam a ofensiva quando não é necessário. Observe que nós podemos, com razão, nos admirar de que a doutrina de Cristo causasse tanta ofensa, com tão pouca causa. Cristo fala sobre isto com admiração: “Isto vos escandaliza?” Em resposta àqueles que condenavam sua doutrina como sendo intrincada e obscura.

[1] Ele lhes faz uma alusão à sua ascensão ao céu, como aquilo que lhes daria uma evidência incontestável da verdade da sua doutrina (v.62): “Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do Homem para onde primeiro estava?” Que aconteceria, então? Em primeiro lugar: “Se Eu lhes dissesse isto, certamente se ofenderiam muito, julgando que minhas pretensões seriam realmente altas demais. Se este é um discurso tão duro, e vocês não conseguem ouvi-lo, como digerirão minhas palavras quando Eu lhes falar sobre meu retorno ao céu, de onde vim?” Veja cap. 3.12. Aqueles que tropeçam nas menores dificuldades devem considerar como conseguirão passar pelas maiores. Em segundo lugar: “Quando vocês virem o Filho do homem ascender; isto lhes ofenderá muito mais, pois então meu corpo terá menos capacidade de ser comido por vocês naquele sentido mais bruto com que vocês agora interpretam minhas palavras”. Ou, em terceiro lugar: “Quando vocês virem, ou ouvirem daqueles que o verão, certamente, então, ficarão satisfeitos. Vocês pensam que Eu sou pretensioso quando digo que desci do céu, pois este foi um motivo de discussão entre vocês (v. 42). Mas será que vocês pensarão a mesma coisa quando me virem retornando ao céu?” Se Ele subiu, certamente desceu, Efésios 4.9,10. Cristo frequentemente se refere, desta maneira, a provas subsequentes, como em João 1.50,51; 2.14; Mateus 12.40; 26.64. Esperemos um pouco, até que o mistério de Deus seja concluído, e então veremos que não havia nenhuma razão para nos escandalizarmos por causa de alguma palavra de Cristo.

[2] Ele lhes dá uma explicação para este e para todos os discursos semelhantes, em forma de parábolas, ensinando-lhes que eles devem ser interpretados espiritual­ mente, e não de uma maneira corpórea ou carnal: “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita”, v. 63. Assim como no corpo natural o espírito o vivifica e anima, e sem ele o alimento mais nutritivo não se aproveitaria (que tornaria o corpo melhor para o alimento, se não estivesse vivificado e animado pelo espírito?), o mesmo também ocorre com a alma. Em primeiro lugar, a simples participação nas ordenanças, a menos que o Espírito de Deus trabalhe com elas, e vivifique a alma por meio delas, não traz nenhum benefício. A palavra e as ordenanças, se o Espírito trabalha com elas, são como o alimento para um homem vivo. Caso contrário, são como alimento para um homem morto. Nem mesmo a carne de Cristo, o sacrifício pelo pecado, nos servirá para algo, a menos que o bendito Espírito vivifique, com ela, nossas almas, e intensifique as poderosas influências da sua morte sobre nós, até que nós, pela sua graça, sejamos semeados à sua semelhança. Em segundo lugar, a doutrina de comer a carne de Cristo, e beber seu sangue, se interpretada literalmente, não traz nenhum benefício, mas nos conduz a enganos e preconceitos. Porém, o sentido ou significado espiritual da doutrina vivifica a alma, torna-a viva e vívida. E isto ocorre de acordo com o que está escrito a seguir: ”As palavras que eu vos disse são espírito e vida”. Comer a carne de Cristo! Este é um discurso duro, mas crer que Cristo morreu por mim, obter desta doutrina a força e o consolo quando eu me dirigir a Deus, minha oposição ao pecado e meus preparativos para um estado futuro, este é o espírito e a vida deste discurso. E, se o interpretarmos assim, constataremos que se trata de um discurso excelente. A razão pela qual os homens não gostam das palavras de Cristo é por que eles as interpretam mal. O sentido literal de uma parábola não nos traz benefícios, nós não nos tornamos mais sábios através dele, mas o significado espiritual é instrutivo. Em terceiro lugar, a carne para nada aproveita – aqueles que estão na carne (assim alguns interpretam), que estão sob o poder de uma mente carnal, não se beneficiam dos discursos de Cristo. Mas o Espírito vivifica – aqueles que têm o Espírito, que são espirituais, são despertados e vivificados por eles, pois eles são recebidos de um modo correspondente ao estado da mente de quem os recebe. Eles encontram defeitos nas palavras de Cristo, quando, na verdade, o defeito estava neles mesmos. É somente para as mentes carnais que as coisas espirituais não têm sentido nem vida. Porém, as mentes espirituais as saboreiam. Veja 1 Coríntios 2.14,15.

[3] Ele lhes dá uma indicação do seu conhecimento sobre eles, e que Ele não esperava nada melhor deles, embora se dissessem seus discípulos, vv. 64,65. Agora se cumpriam as palavras do profeta, ao falar a respeito de Cristo e da sua doutrina (Isaias 53.1 ): “Quem deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do Senhor?” Cristo aqui toma conhecimento de ambas as coisas.

Em primeiro lugar, eles não criam na sua pregação: “Há alguns de vocês que disseram que deixariam tudo para seguir-me, mas que ainda assim, não creem”, e esta foi a razão pela qual a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé, Hebreus 4.2. Eles não creram que Ele era o Messias, caso contrário teriam se submetido à doutrina que Ele pregava, e não teriam contendido com ela, embora houvesse algumas coisas nela difíceis de serem compreendidas. Os jovens principiantes no aprendizado devem crer na palavra do seu professor. Observe:

1. Entre aqueles que são cristãos nominais somente, existem muitos que são verdadeiros infiéis.

2. A incredulidade dos hipócritas, antes de se revelar ao mundo, está nua e aberta diante dos olhos de Cristo. Ele sabia, desde o início, quem eram aqueles da multidão que o seguiam, que criam, e qual dos doze iria traí-lo. Ele sabia, desde que começaram a se relacionar com Ele, e a acompanhá-lo, quando estavam demonstrando o zelo mais acalorado, conhecia aqueles que eram sinceros, como Natanael (cap. 1.47), e quais não o eram. Antes que eles se distinguissem por um ato aberto, Ele podia, infalivelmente, distinguir aqueles que criam e os que não criam, aqueles cujo amor era dissimulado e aqueles cujo amor era cordial. Com base nisto, podemos concluir:

(1) Que a apostasia daqueles que fizeram uma profissão plausível de religião há muito tempo é uma prova certa da sua hipocrisia constante, e de que desde o início não criam, mas não é uma prova da possibilidade da apostasia total e final de qualquer crente fiel. Tais revoltas não devem ser consideradas como a queda dos verdadeiros santos, mas como a revelação dos falsos. Veja 1 João 2.19. A estrela que cai, nunca foi uma estrela.

(2) Que é prerrogativa de Cristo conhecer o coração. Ele conhece aqueles que não creem, mas fingem na sua profissão de fé, e ainda assim os mantém na sua igreja, no desempenho das suas ordenanças, e na credibilidade do seu nome, e não os revela a este mundo, a menos que eles, pela sua própria iniquidade, se revelem, porque tal é a constituição da sua igreja visível, e o dia da revelação que ainda está por vir. Mas, se nós pretendermos julgar os corações dos homens, estaremos subindo ao trono de Cristo, como se pudéssemos antecipar seu julgamento. Nós somos frequentemente enganados em relação aos homens, e vemos motivos para modificar nossos sentimentos por eles, mas disto podemos ter a certeza, que Cristo conhece todos os homens, e que seu juízo é de acordo com a verdade.

Em segundo lugar, a razão pela qual eles não creram na sua pregação era porque o braço do Senhor não tinha se manifestado a eles (v. 65): “Por isso, Eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai lhe não for concedido”, v. 44. Cristo, portanto, não podia deixar de saber quem cria e quem não cria, porque a fé é um dom e uma obra de Deus, e todos os dons e obras do seu Pai não poderiam deixar de ser conhecidos por Ele, pois todos passaram pelas suas mãos. Ali, Ele tinha dito que ninguém poderia vir a Ele, a menos que o Pai o trouxesse. Aqui Ele diz: “Se por meu Pai lhe não for concedido”, o que mostra que o Senhor Deus traz as almas, dando-lhes graça e forças, e uma coragem de vir, sem as quais, tamanha é a impotência moral do homem, no seu estado caído, ele não poderia vir.

3. Aqui temos sua apostasia final em relação a Cristo: “Desde então, muitos dos seus discípulos tornaram para trás e já não andavam com Ele”, v. 66. Quando nós admitimos, nas nossas mentes, maus pensamentos sobre a palavra e as obras de Cristo, e alimentamos um desagrado secreto, e estamos dispostos a ouvir insinuações que tendam a reprová-las, então estamos entrando em tentação. Ê como o gotejar da água, que, mais tarde, se tornará uma torrente. E como olhar para trás. Se a infinita misericórdia não evitar que esta situação danosa se intensifique, o resultado será o retrocesso. Portanto, cuidado com o início da apostasia.

(1) Veja aqui as apostasias destes discípulos. Muitos deles voltaram para suas casas, e famílias, e vocações, que tinham deixado, por algum tempo, para segui-lo. Voltaram, um para sua casa, e outro para seu trabalho. Voltaram, como voltou Orfa, ao seu povo e aos seus deuses, Rute 1.15. Eles tinham entrado na escola de Cristo, mas voltaram, não somente fugiram da aula uma vez, mas abandonaram o Senhor e sua doutrina para sempre. Observe que a apostasia dos discípulos de Cristo, ao abandoná-lo, embora seja realmente algo estranho, ainda assim é algo relativamente comum, com que não devemos nos surpreender, de maneira alguma. Aqui houve muitos que se retiraram. Isto acontece frequentemente. Quando alguns retrocedem, vários retrocedem com eles. Esta é uma doença infecciosa.

(2) A ocasião em que esta apostasia aconteceu: “desde então”, desde a ocasião em que Cristo pregou esta confortável doutrina, que Ele é o pão da vida, e que aqueles que pela fé se alimentarem dele viverão por Ele (que, poderíamos pensar; deveria ter motivado os discípulos a se apegarem mais fortemente a Ele) – desde então, se retiraram. Observe que o coração corrupto e perverso dos homens frequentemente transforma em motivo para ofensa aquilo que, na verdade, é motivo para o maior consolo. Cristo previu que eles se ofenderiam com o que Ele dizia, mas ainda assim o disse. Porque aquilo que é a palavra indubitável e a verdade de Cristo deve ser fielmente transmitida, não importando a quem ela ofenda. A disposição dos homens deve ser cativada pela Palavra de Deus, e não a Palavra de Deus se acomodar à disposição dos homens.

(3) O grau da sua apostasia: eles “já não andavam com Ele”, não mais voltaram a Ele, e não acompanharam mais seu ministério. Há fortes empecilhos para que aqueles que foram esclarecidos uma vez, e provaram a boa Palavra de Deus, se renovem para o arrependimento depois de terem caído, Hebreus 6.4-6.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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