ALIMENTO DIÁRIO

 

JOÃO 6: 28-59 – PARTE III

Alimento diário

Cristo, o verdadeiro Pão do Céu. Cristo dá as boas-vindas a todos os que veem a Ele. A necessidade de alimentar-se de Cristo

2. Ao falar desta maneira a respeito de si mesmo, como o pão da vida que desce do céu, Cristo nos deixa ver as observações que seus ouvintes fizeram.

(1) Quando ouviram falar de algo como o pão de Deus, que dá a vida, eles fervorosamente pediram (v. 34): “Senhor, dá-nos sempre desse pão”. Eu não consigo pensar que isto tenha sido dito de maneira zombeteira, como a maioria dos intérpretes entende: “Dê-nos um pão como este, se puderes. Que sejamos alimentados com ele, não em uma refeição, como a dos cinco pães, mas para sempre”. Como se esta fosse uma oração diferente daquela do salteador impenitente: “Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo e a nós”. Mas eu entendo que, embora de forma ignorante, este pedido foi feito honestamente e teve boa intenção, pois eles o chamam de Senhor, e desejam uma parte daquilo que Ele dá, não importando o que Ele quer dizer com isto. Noções gerais e confusas das coisas divinas produzem, em corações carnais, algum tipo de vontade em relação a elas, e desejo delas, como o desejo de Balaão, de morrer a morte dos justos. Aqueles que têm um conhecimento indistinto das coisas de Deus, que veem os homens como árvores que andam, fazem, como eu as chamo, orações desconexas pedindo bênçãos espirituais. Eles julgam que o favor de Deus é uma coisa boa, e que o céu é um bom lugar, e não podem deixar de desejá-los para si mesmos, embora não valorizem nem desejem, de maneira nenhuma, esta santidade, o que é necessário tanto para uma coisa quanto para a outra. Que este seja o desejo das nossas almas. Já provamos que o Senhor é bondoso? Já fomos alimentados com a Palavra de Deus, e por Cristo, que está na Palavra? Devemos dizer: “Senhor, dá-nos sempre desse pão”. Que o pão da vida seja nosso pão diário, o maná celestial, nosso constante banquete, e que nunca sintamos a falta dele”.

(2) Mas, quando compreenderam que, por este pão da vida, Jesus se referia a si mesmo, eles o desprezaram. Não sabemos se estas eram as mesmas pessoas que tinham pedido deste pão (v. 34), ou outras pessoas no grupo, pois não está escrito. Aparentemente, eram outras, pois são chamadas de judeus. Agora está escrito (v. 41): “Murmuravam … dele”. Isto está escrito imediatamente depois da solene declaração que Cristo tinha feito sobre a vontade de Deus e sua própria missão a respeito da salvação do homem (vv. 39,40), que certamente foram algumas das palavras mais poderosas e graciosas que saíram da boca do nosso Senhor Jesus, as mais fiéis e mais dignas de toda aceitação. Poderíamos pensar que, como Israel no Egito, quando ouviram que Deus os tinha visitado, teriam curvado suas cabeças e o adorado. Mas, ao contrário, em vez de aceitar a oferta que lhes era feita, eles murmuraram, discutiram com o que Cristo tinha dito e, embora não se opusessem abertamente, contradizendo-o, ainda assim, privadamente, sussurraram entre eles, desprezando a oferta, e instilando, nas mentes uns dos outros, preconceitos contra ela. Muitos que não se atreverão a contradizer abertamente a doutrina de Cristo (suas críticas são tão fracas e infundadas, que se envergonham de reconhecê-las, ou temem vê-las silenciadas), dizem, em seus corações, que não gostam dela. Agora:

[1] O que os ofendeu foi a declaração de Cristo, de que sua origem era do céu, vv. 41,42. “Como, pois, diz ele: Desci do céu?” Eles tinham ouvido sobre anjos vindos do céu, mas nunca sobre um homem vindo do céu. Eles ignoraram as provas que Ele lhes tinha dado, de que era mais do que um homem.

[2] O que eles pensavam que os justificava era o fato de que conheciam a origem de Cristo na terra: “Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos?” Eles julgaram impróprio que Ele dissesse que vinha do céu, sendo um deles. Eles falam com desprezo do seu bendito nome, Jesus: “Não é este Jesus”. Eles tinham por certo que José era realmente seu pai, embora ele somente tivesse a reputação de sê-lo. Observe que equívocos a respeito da pessoa de Cristo, como se Ele fosse um mero homem, concebido e nascido por geração comum, são ocasionados pelas ofensas e provocações à sua doutrina e às suas obras. Não é de admirar que aqueles que o colocam no mesmo nível que os demais filhos dos homens, cujo pai e mãe conhecemos, menosprezem a honra da sua expiação e os mistérios da sua missão, e, como os judeus aqui, murmurem contra sua promessa de nos ressuscitar no último dia.

3. Tendo falado da fé como a grande obra de Deus (v. 29), Cristo discursa longamente a respeito desta obra, instruindo-nos e incentivando-nos nela.

(1) Ele mostra o que é crer em Cristo.

[1] Crer em Cristo é vir a Cristo. A expressão “aquele que vem a mim” é a mesma coisa que “aquele que crê em mim” (v. 35), e também é mencionada outra vez através da frase (v. 37): “O que vem a mim”. Também vv.  44,45. O arrependimento em relação a Deus é vir a Ele (Jeremias 3.22), como nosso bem supremo e nosso objetivo mais elevado, e a fé em relação ao nosso Senhor Jesus Cr isto consiste em vir a Ele, como nosso príncipe e Salvador, e nosso caminho para o Pai. Isto denota nossa afeição por Ele, pois estes são os impulsos da alma, e as ações correspondentes. Isto consiste em deixar todas aquelas coisas que estão em oposição a Ele, ou em competição com Ele, e, ir àqueles termos nos quais a vida e a salvação nos são oferecidas, por seu intermédio. Quando Cristo estava na terra, isto significava mais do que simplesmente, ir até onde Ele estava. Agora também é mais do que vir à sua Palavra e às suas ordenanças.

[2] É alimentar-se de Cristo (v. 51): “Se alguém comer desse pão”. A expressão anterior denota aplicar-se a Cristo. Esta denota aplicar Cristo a nós mesmos, com apetite e deleite, para que possamos receber dele a vida, a força e o consolo. Alimentar-se dele, como os israelitas se alimentaram do maná, tendo deixado a vida que tinham no Egito, e não dependendo do trabalho das suas mãos (para comer), mas vivendo puramente do pão que lhes era dado do céu.

(2) O Senhor mostra o que é conseguido quando se crê nele. O que Ele nos dará, se viermos a Ele? Em que seremos melhores, se nos alimentarmos dele? A necessidade e a morte são nossos principais temores. Se tivermos a certeza dos consolos da nossa existência, e da continuidade dela em meio a estes consolos, teremos o suficiente. Estas duas coisas são, aqui, asseguradas aos verdadeiros crentes.

[1] Eles nunca terão necessidades, nunca terão fome, nunca terão sede, v. 35. Desejos, eles terão, desejos ardentes, mas são tão adequadamente, tão oportunamente e tão abundantemente satisfeitos, que não podem ser chamados de fome e sede, que são desconfortáveis e dolorosas. Aqueles que comiam o maná, e bebiam da rocha, sentiam fome e sede depois. O maná os satisfazia por algum tempo, e a água da rocha os refrigerava. Mas em Cristo existe uma plenitude tão abundante, que nunca poderá ser esgotada. Ele transmite constantemente sua graça e seu poder; e estas bênçãos nunca podem ser interrompidas.

[2] Eles nunca morrerão, não morrerão eternamente, pois, em primeiro lugar, aquele que crê em Cristo “tem a vida eterna” (v. 47). Ele tem a certeza disto, a garantia disto, o depósito dela. Ele a tem na promessa e nas primícias. A união com Cristo e a comunhão com Deus são o início da vida eterna. Em segundo lugar, em­ bora aqueles que comiam o maná morressem, Cristo é um pão que um homem pode comer e nunca morrer, vv. 49,50. Observe aqui:

1. A insuficiência do maná típico: “Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram”. Pode-se fazer muito bom uso da morte dos nossos pais. Seus túmulos nos dizem, e seus monumentos nos lembram, particularmente, que a maior plenitude do alimento mais delicioso jamais prolongará o fio da vida, nem desviará o golpe da morte. Aqueles que comiam o maná, o manjar dos anjos, morriam, como os outros homens. Não havia nada errado na sua dieta que encurtasse seus dias, nem suas mortes poderiam ser apressadas pelos esforços e fadigas da vida (pois eles não semeavam nem colhiam), e ainda assim, morriam.

(1) Muitos deles morreram pelos golpes imediatos da vingança de Deus, pela sua descrença e pelas suas murmurações, pois, embora eles comessem aquela comida espiritual, Deus não estava satisfeito com muitos deles, mas eles foram prostrados no deserto, 1 Coríntios 10.3-5. O fato de que comessem o maná não os protegia da ira de Deus, como crer em Cristo protege a nós.

(2) O restante deles morreu pelo curso da natureza, e suas carcaças caíram, por uma sentença divina, naquele mesmo deserto onde tinham comido o maná. Naquela mesma época em que os milagres eram o pão diário, a vida do homem foi aparentemente reduzida ao limite que agora tem, Salmos 90.10. Assim, os judeus não deveriam e não poderiam se vangloriar tanto do maná.

2. A suficiência do verdadeiro maná, do qual o outro era somente um tipo: “Este é o pão que desce do céu”, este alimento verdadeiramente divino e celestial, “para que o que dele comer não morra”, isto é, não caia sob a ira de Deus, que é morte para a alma, não morra a segunda morte. Não, nem a primeira morte, pois esta será uma situação final e irrecuperável. Não morra, isto é, não pereça, não deixe de alcançar a Canaã celestial, como os israelitas deixaram de alcançar a terrena, por falta de fé, embora tivessem o maná. Isto é ainda mais explicado pela promessa contida nas palavras seguintes: “Se alguém comer desse pão, viverá para sempre”, v. 51. Este é o significado deste “nunca morrer”. Embora o crente desça à morte, ele passará por ela e entrará naquele mundo em que não haverá mais morte. Viver para sempre não significa existir para sempre (os condenados no inferno existirão para sempre, pois a alma do homem foi feita para um estado eterno), mas ser feliz para sempre. E como o corpo precisa morrer, e ser como água derramada no chão, aqui Cristo se compromete a cuidar da situação (como antes, v. 44: “Eu o ressuscitarei no último Dia”). E assim viveremos para sempre.

(3) O Senhor Jesus mostra os incentivos que nós temos para crer nele. Cristo aqui fala de alguns que o tinham visto, e ainda assim, não criam, v. 36. Eles viram sua pessoa e seus milagres, mas não foram levados a crer nele. A fé nem sempre é o resultado da visão; os soldados foram testemunhas oculares da ressurreição de Cristo, e ainda assim, em vez de crerem nele, mentiram a seu res­ peito. Assim, vemos que é difícil levar as pessoas a crer em Cristo. Mas, pela operação do Espírito da graça, muitos daqueles que não viram, creram. Duas coisas nos são asseguradas aqui, para encorajar nossa fé:

[1] Que o Filho dará boas-vindas a todos aqueles que vierem a Ele (v. 37): “O que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”. Quão bem-vindas são às nossas almas estas palavras de boas-vindas da pare de Cristo! “O que vem” está no singular, denotando favor, não somente ao corpo de crentes em geral, mas a toda alma, em particular, que se apresente a Cristo. Aqui, em primeiro lugar, o dever exigido é um puro dever expresso pelo Evangelho: vir a Cristo, para que possamos vir a Deus por seu intermédio. Sua beleza e seu amor, estes grandes atrativos, devem nos atrair a Ele. O sentimento de necessidade e o medo do perigo devem nos levar a Ele. Qualquer coisa que nos levar a Cristo será vantajosa para nós. Em segundo lugar, a promessa é uma pura promessa do Evangelho: de maneira nenhuma o lançarei fora. Há duas negativas: Não o farei, não o farei.

1. Grandes favores estão expressos aqui. Nós temos razões para temer que Ele nos lance fora. Considerando nossa mesquinhez, nossa vilania, nossa indignidade ao vir, nossa fraqueza em vir, nós podemos, com razão, esperar que Ele nos repreenda e feche suas portas para nós. Mas Ele apaga estes temores com esta certeza: Ele não fará isto. Embora sejamos mesquinhos, não desdenhará de nós, embora sejamos pecadores, não nos rejeitará. Os pobres alunos vêm até Ele para serem ensinados? Embora sejam tolos e lentos, Ele não os lançará fora. Os pobres pacientes vêm até Ele para serem curados, os pobres clientes vêm até Ele para serem aconselhados? Embora sua situação seja difícil, e embora venham de mãos vazias, Ele não os lançará fora, de maneira nenhuma. Mas:

2. Há mais favores implícitos do que expressos. Quando está escrito que Ele não os lançará fora, o significado é: Ele os receberá, e lhes dará as boas-vindas, e lhes dará aquilo por que vieram até Ele. Assim como Ele não os rejeita por ocasião da primeira vez em que vieram a Ele, também depois, a cada desprazer, não os lançará fora. “Os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento”.

[2] Que o Pai irá, sem dúvida, trazer a Cristo, no devido tempo, todos os que foram dados a Ele. Nas transações entre o Pai e o Filho, com relação à redenção do homem, assim como o Filho empreende a justificação, a santificação e a salvação de todos os que vêm a Ele (“Que sejam postos nas minhas mãos, e eu cuidarei deles”), também o Pai, a fonte e a origem da existência, da vida e da graça, tem prazer em colocar nas mãos de Jesus todos aqueles que lhe foram dados, trazendo-os a Ele.

Em primeiro lugar, aqui Ele nos assegura que isto será feito: “Tudo o que o Pai me dá virá a mim”, v. 37. Cristo tinha se queixado (v. 36) daqueles que, embora o tivessem visto, ainda assim não criam nele. E então Ele acrescenta isto:

[1] Para a convicção e motivação deles, dando a entender claramente que se insistissem em não vir a Ele e não cressem nele, isto seria um sinal certo de que não pertenciam à escolha da graça. Como podemos pensar que Deus nos entregou a Cristo, se nos entregamos ao mundo e à carne? 2 Pedro 1.10.

[2] Para seu próprio consolo e encorajamento: “Israel não se deixou ajuntar; contudo… serei glorificado”. A eleição foi feita e alcançará seus objetivos, ainda que as multidões estejam endurecidas, Romanos 11.7. Embora o Senhor perca muitas das suas criaturas, por não desejarem se entregar a Ele, ainda assim, não perderá nenhuma daquelas que estiverem sob seus cuidados: tudo o que o Pai lhe dá, virá a Ele. Aqui temos:

(a) A descrição da escolha: “Tudo o que o Pai me dá”, todas as coisas que o Pai me dá. Os eleitos, e tudo o que pertence a eles. Todos os seus serviços, todos os seus interesses. Assim como tudo o que Ele tem é deles, também tudo o que eles têm é dele, e Ele fala deles como seus. Eles lhe foram dados, como recompensa total da sua missão. Não somente todas as pessoas, mas todas as coisas, são congregadas em Cristo (Efésios 1.10), e reconciliadas com Ele, Colossenses 1.20. A entrega do remanescente escolhido a Cristo é mencionada (v. 39) como algo já concluído. Ele os deu. Esta entrega é aqui mencionada como algo em andamento. Ele os dá, porque, quando o Primogênito foi trazido ao mundo, aparentemente houve uma renovação da garantia. Veja Hebreus 10.5ss. Agora Deus estava prestes a dar a Cristo os pagãos, por sua herança (Salmos 2.8), a dar-lhe a posse das herdades as­ soladas (Isaias 49.8), e dar-lhe a parte de muitos, Isaías 53.12. E embora os judeus, que o viram, não cressem nele, estes (diz Ele) “virão a mim”. As outras ovelhas, que não pertencem a este aprisco, serão agregadas, cap. 10.15,16. Veja Atos 13.45-48.

(b) O resultado assegurado: eles “virão a mim”. Isto não faz parte da natureza de uma promessa, mas é uma predição de que tantos quantos foram, no conselho de Deus, ordenados para a vida, serão trazidos à vida, sendo trazidos a Cristo. Eles estão dispersos, misturados entre as nações, mas ainda assim nenhum deles será esquecido. Nem um grão do trigo de Deus será perdido, como foi prometido, Amós 9.9. Eles estão, por natureza, alienados de Cristo, e são contrários a Ele, e ainda assim, virão. Assim como a onisciência de Deus está envolvida para encontrar todos os que estão de fora, sua onipotência também está envolvida para trazê-los, a todos, para dentro. Não: Eles serão forçados a vir a mim, mas: Eles virão livremente, voluntariamente.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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