PSICOLOGIA ANALÍTICA

FILHOS ON-LINE

A infância deve ter aprendizados incitados a partir da diversidade de experiências e estímulos cognitivos, mentais, físicos e afetivos. Será que a tecnologia oferece essas características?

Filhos on-line

“Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever – inclusive a sua própria história.” (Bill Gates)

Em educação, há uma máxima que deve conduzir todas as condutas: bom senso. O que é isso? É a capacidade de ponderar, de discernir sobre limites que temos que impor para segurança das próprias crianças, na aquisição de novos comportamentos e aprendizagens. Isso se aplica muito bem à questão do uso dos eletrônicos. Dificilmente encontramos adultos que não façam uso diário desse recurso para falar, escrever, se comunicar de modo geral, trabalhar, se divertir e se informar. Ainda que os familiares não utilizem esses recursos, há apelos por toda parte nesse sentido. Como a televisão nos anos 50, os eletrônicos vieram para ficar. Ensinar a lidar com essa ferramenta de modo inteligente, sadio e seguro é uma obrigação dos pais.

Não é difícil perceber que existem exageros tanto naqueles que apoiam o uso de forma indiscriminada como naqueles que enxergam perigo em tudo. A questão é que, assim como ensinamos nossas crianças a usarem uma série de coisas novas durante seu crescimento, a terem condutas cada vez mais autônomas e assumirem responsabilidades, também devemos pensar de modo lógico nas regras que vamos gradativamente impor para que aprendam a utilizar com segurança todos os recursos eletrônicos de que hoje dispomos. Recentemente, dois grandes e conceituados institutos americanos, a Sociedade Canadense de Pediatria e a Academia Americana de Pediatria, publicaram resultados de estudos que alertam pais e educadores e que podem ser resumidos na forma de alguns itens:

Crianças pré-escolares devem ter um tempo controlado e reduzido de exposição a eletrônicos, pois seu cérebro está em um período muito sensível de formação e alguns estudos mostram que a superexposição pode ser prejudicial e vir a ser a causa de déficit de atenção, atraso cognitivo, gerando posterior dificuldade de aprendizado, aumento de impulsividade e diminuição da habilidade de regulação própria das emoções. Aliás, antes dos 24 meses, o uso deve ser evitado. Não é proibido, mas deve realmente ser controlado no tempo e no conteúdo: há materiais criados para bebês e estes não duram mais que 5 a 10 minutos.

A obesidade infantil está diretamente atrelada aos hábitos sedentários e alimentação desregulada. As consequências são de ordem física (problemas de saúde), emocionais e sociais (baixa autoestima e bullying). Estima-se que crianças com aparelhos no próprio quarto têm 30% mais chance de serem obesas, pois poucas trocam espontaneamente a inatividade frente ao conforto que os eletrônicos incitam pelas brincadeiras no parque.

Está comprovado que a luz das telinhas excita o cérebro e impede o sono. Infelizmente muitas crianças e jovens levam seus portáteis para o quarto à noite e trocam os momentos de descanso por jogos e conversas nos aparelhos.

Distúrbios de ordem emocional, cansados por uso excessivo de tecnologia na infância, são citados em vários estudos: depressão, ansiedade, isolamento, comportamento social inadequado etc. Como as crianças tendem, por natureza, a copiar e repetir não apenas os comportamentos que observam nos adultos, mas aqueles que são elogiados e permitidos com aval dos pais, é normal que copiem alguns personagens que tomam como referência. Por isso muitos estudiosos recomendam cuidado especial com o conteúdo de jogos e filmes que incitem a violência, a agressividade como comportamento usual, até os 12 anos.

Pela velocidade e superficialidade do tratamento dos temas em alguns conteúdos digitais, há possibilidade de aumento de déficit no desenvolvimento do sistema atencional e de memória dos pré-escolares. Mas é bom lembrar que há estudos provando que jogos construídos com a finalidade de atender corretamente as necessidades desse período de desenvolvimento infantil não trazem esses problemas, se usados de modo apropriado, e são muito úteis para o desenvolvimento da cognição.

Qualquer material radioativo deve ser evitado antes dos 2 anos e usado com parcimônia durante a infância, pois não se sabe ao certo qual o grande prejuízo que pode trazer, já que essa geração é das primeiras a ter o uso de eletrônicos tão disponível.

O tempo de exposição da criança aos estímulos virtuais deve ser liberado paulatinamente e sempre considerando a adequação dos conteúdos à sua idade: a partir dos 2 anos pode-se acrescentar 5 minutos de exposição diária para cada ano de vida. Assim, aos 7 anos a criança pode ter de 35 a 40 minutos liberados para brincar, jogar, com os seus eletrônicos. Aos 11 ou 12 anos, 2 horas diárias de uso já devem incluir as pesquisas escolares, por exemplo.

Eletrônicos podem ser ferramentas de comunicação e desenvolvimento. Mas a presença e o diálogo familiar é que desenvolvem e mantêm o equilíbrio mental e emocional de que as crianças precisam para se desenvolverem e estarem aptas a se adaptar com sucesso às grandes inovações e desafios que as aguardam no futuro.

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MARIA IRENE MALUF – é especialista em Psicopedagogia, Educação Especial, Neuroaprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp (gestão 2005/07). É autora de artigos e publicações nacionais e internacionais. Coordena curso de especialização em Neuroaprendizagem – irenemaluf@uol.com.br

OUTROS OLHARES

A SAÚDE VIROU UM FARDO

A crise tirou 3 milhões de brasileiros dos planos médicos privados, e a classe média sofre para pagar as mensalidades, que sobem bem acima da inflação.

A saúde virou um fardo

 

O publicitário Luiz Sztutman, de 39 anos, pagava em torno de 200 reais por seu plano básico de saúde e, em pouco tempo, viu a mensalidade subir para 400 reais. Depois que deixou o trabalho fixo, a conta ficou pesada para ele. Vivendo como autônomo e sem carteira assinada, tomou uma decisão difícil: encerrou o plano e hoje tem seguro médico. Sua história é o retrato fiel de um problema que vem atormentando a classe média. Nos últimos três anos, em decorrência do arrocho econômico, mais de 31 milhões de brasileiros deixaram de pagar o plano privado de saúde. Essas pessoas, na grande maioria, contavam com o seguro da empresa em que trabalhavam. Demitidas, não tiveram condições de contratar planos individuais ou familiares, bem mais caros que os coletivos oferecidos pelas companhias. Sem os planos privados, elas agora precisam cobrir suas despesas de exames, consultas e internações exclusivamente com dinheiro do próprio bolso ou aguardar na fila do atendimento da rede pública – e isso em um momento no qual a qualidade do Sistema Único de Saúde (SUS), historicamente mal avaliada, tem sido ainda pior nos estados em crise financeira. Uma pesquisa divulgada na semana passada, feita pelo Datafolha sob encomenda do Conselho Federal de Medicina (CFM), atesta a insatisfação dos brasileiros: 54% avaliam o atendimento público como ruim ou péssimo, 28% como regular e somente 17% como ótimo ou bom.

Atualmente, apenas um quarto da população (47,1 milhões de pessoas) tem algum tipo de seguro médico. Os outros 160 milhões de brasileiros precisam recorrer ao serviço público. O índice de cobertura privada, que havia avançado nos anos de bonança e crescimento do número de trabalhadores com carteira assinada, recuou. A explicação é uma só: o preço. Para os que conseguem bancar um plano privado, com ou sem a ajuda do empregador, a dificuldade é enfrentar o custo crescente das mensalidades. O encarecimento das despesas médicas é uma realidade vivida em muitos países, por causa do envelhecimento populacional e da in­ corporação de novos tratamentos. No Brasil, os reajustes dos planos de saúde, ano após ano, ficam acima da inflação. Na semana passada, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão do governo que regula o setor, autorizou um aumento de até 10% para os planos individuais, retroativo a 12 de maio. É simplesmente o triplo da atual inflação corrente no país. Em 2017, o repasse máximo permitido para os planos (13,6%) já havia sido mais que o quádruplo da inflação (3%) e, nos anos anteriores, a situação não foi muito diferente. AANS controla apenas o reajuste dos planos individuais. Nos planos coletivos, a negociação é feita livremente entre as empresas e as operadoras do serviço de saúde, mas os reajustes nas mensalidades pagas pelos beneficiários também têm se mantido acima do índice geral de custo de vida. Os aumentos autorizados motivaram a ação de institutos de defesa do consumidor e do Tribunal de Contas da União(TCU), que consideram as razões para os valores aplicados um tanto obscuras. Segundo o diretor da ANS Leandro Fonseca, os reajustes devem refletir os custos dos procedimentos e o aumento no uso. “Precisamos zelar pela manutenção da solvência das operadoras. Limitar os ajustes por ação judicial pode ameaçar a sustentabilidade do sistema. Os penalizados serão os próprios usuários,” diz Fonseca. José Seripieri Junior, presidente da Qualicorp, uma das maiores administradoras de planos de saúde do país, defende a formulação de um indicador mais transparente: “Faz-se necessário um novo índice de referência, acima do bem e do mal. Só assim será possível discutir reajustes sustentáveis e justos para todos”, afirma.

O fato é que os gastos com saúde mordem uma fatia cada vez maior do orçamento das famílias. Cerca de 40% das despesas totais dos brasileiros na área médica dizem respeito ao pagamento dos planos. Para quem trabalha em uma grande empresa, a conta é dividida com o patrão. São 38 milhões de pessoas nessa situação hoje privilegiada. Outros 9,1 milhões de brasileiros pagam integralmente o custo para utilizar um plano individual, e, nesse tipo de contrato, as mensalidades são bem mais caras. O preço médio para uma pessoa de 40 anos fica ao redor de 500 reais (para os idosos, a mensalidade é ao menos o dobro disso). Para que se tenha direito a usar os hospitais de primeira linha em São Paulo, como o Albert Einstein e o Sírio-Libanês, por exemplo, a conta explode. É tão pesada que nem existem planos individuais com esse tipo de cobertura em comercialização. Essa modalidade só é disponibilizada para quem está ligado a uma empresa ou associação. As mensalidades para as pessoas de até 40 anos ficam em torno de 3.000 reais e, para os idosos, sobem para a casa dos 8.000 reais. Como o salário médio dos trabalhadores é de 2.100 reais, fica evidente que são poucas as famílias capazes de arcar com esses preços.

Dentro do possível, os brasileiros vêm procurando encontrar maneiras para driblar a pressão dos gastos. Uma das alternativas é trocar de operadora, buscando opções mais econômicas. Existem planos em que os exames e atendimentos médicos são feitos exclusivamente na rede hospitalar do próprio convênio. É mais barato, embora o cliente não possa escolher o hospital de sua preferência (os preços variam sempre de acordo com o perfil da pessoa e seu histórico médico). Outra saída é procurar os planos por adesão, ligados a associações ou sindicatos. Essa é uma situação comum entre executivos e profissionais de salários elevados que tenham perdido o emprego e deixaram de ter plano coletivo. Trabalhando como autônomos, engenheiros, médicos e advogados podem aderir aos planos conveniados de suas associações, com mensalidades inferiores às de plano individual. Para as operadoras, esse tipo de contrato dilui riscos e custos, da mesma maneira que ocorre nos contratos coletivos com as grandes empresas. Daí por que as mensalidades são mais baixas.

Um bom contingente de brasileiros da classe média, entretanto, vive atualmente à margem do cobertor do seguro médico. De acordo com uma pesquisa da consultoria SPC Brasil, quase metade das famílias das classes A e B não tem plano de saúde. “Quem contrata o plano, no entanto, considera o serviço como de primeira necessidade, tanto que a inadimplência é baixíssima”, diz a economista-chefe da SPC Brasil, Marcela Kawauti. Entre as pessoas que já tiveram plano, mas não têm mais, a maior parte afirma que perdeu o emprego ou que não tem condições de pagar as mensalidades, enquanto um pequeno porcentual diz que o utilizava pouco e não via necessidade de contratar o serviço privado. Essas pessoas recorrem ao atendimento público ou pagam do próprio bolso as eventuais despesas com consultas particulares e exames.

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Outra opção, que começa a ganhar espaço, são os grupos privados que oferecem consultas a preços mais em conta. São companhias como Dr. Consulta, Global Med e Doutor Agora. Antes focados na classe C, esses serviços vêm conquistando público entre as classes B e até mesmo A. É a esse nicho mais abastado que pertence mais da metade da clientela do Dr. Consulta, afirma Renato Velloso, vice-presidente de desenvolvimento de mercado da companhia. “São pessoas atraídas pela facilidade para marcar o atendimento, tudo feito via aplicativo, e também pelo custo”, diz Venoso. Outra parte dos clientes são pessoas insatisfeitas com o serviço público. O valor das consultas dessas novas empresas varia de acordo com a especialidade, mas as mais caras não passam de 180 reais – e quem tem algum plano sempre poderá pedir o reembolso.

Os grupos de consultas a preços populares são um paliativo, mas não lidam com situações mais complexas. Por isso, segundo os especialistas, é necessário reavaliar os procedimentos – e, como consequência, os custos da saúde por aqui. Em termos de gasto em relação ao tamanho do PIB, o Brasil tem índices similares aos das nações europeias e fica atrás dos Estados Unidos, um país notório pelo excesso de despesas na área e onde existe um esforço para reformular o sistema de atendimento. Na comparação com os europeus, os americanos fazem mais consultas, mais exames, mais cirurgias – e nem por isso são mais saudáveis. Nos Estados Unidos, assim como no Brasil, o sistema regulatório incentiva o gasto excessivo. Os hospitais e laboratórios são remunerados pela quantidade de serviço prestado, e não pela qualidade. É um estímulo ao desperdício. Muitos países mudaram esse modelo e partiram para a adesão a padrões de atendimento de acordo com os sintomas do paciente. É necessário seguir protocolos predeterminados, o que impede abusos na requisição de exames, por exemplo. O médico e o hospital têm pouca liberdade para pedir análises adicionais. Países como Alemanha, França e África do Sul passaram a adotar esse modelo. No caso alemão, as despesas hospitalares caíram 25%, segundo o Instituto de Estudos em Saúde Suplementar (IESS).

As operadoras de saúde, tantas vezes criticadas por dificultar a realização de procedimentos requeridos pelos médicos, dizem que tentam coibir os abusos para evitar que as contas fujam do controle. “Existe um uso abusivo”, afirma Reinaldo de Camargo Scheibe, presidente da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge). “Batemos no teto. Os consumidores precisam ser chamados para discutir a questão dos custos.” De fato, existem fatores inexoráveis de pressão sobre o preço, sobretudo o envelhecimento populacional e o aumento no custo dos tratamentos de alta complexidade. Mas, de acordo com os especialistas na área, a inflação médica seria bem menor caso o país seguisse o exemplo de nações que equilibraram as despesas sem perda na qualidade, em vez de seguir o modelo em crise dos americanos. Se houver desperdício – como no caso da realização de exames caros e desnecessários -, a conta fatalmente terá de ser rateada entre todos os segurados.

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Chama atenção o caso das ressonâncias magnéticas. Entre os brasileiros com plano privado, são feitos, a cada ano, 148 exames para cada grupo de 1.000 pessoas. É um número ligeiramente superior ao dos exagerados americanos – e vergonhoso quando comparado aos de outros países. Na Austrália, por exemplo, são feitos 42 exames para cada 1.000 habitantes. No Canadá, cerca de 56. Exames mais sofisticados são uma importante fonte de receita financeira tanto para médicos como para hospitais. Outro exemplo de disparidade nacional é o famoso excesso de cesarianas. Segundo a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa ideal de partos naturais deve ficar entre 90% e 85%. No Brasil, é de ridículos 16%. “As cesáreas são dominantes, seja pela opção da mãe, seja pela comodidade do médico – e, é claro, são procedimentos mais caros do que partos normais”, diz o consultor Luiz Edmundo Rosa, diretor da Associação Brasileira de Recursos Humanos. “Precisamos corrigir esse escândalo nacional.” A inflação da medicina não pesa apenas no bolso das famílias. Para as empresas, essa já é uma de suas maiores despesas no orçamento, atrás apenas da folha de pagamento dos funcionários (e dos impostos). Mais uma vez, o Brasil copiou uma anomalia americana. Como os tributos não baixam e a prioridade é manter a mão de obra, as companhias estão se esforçando para controlar os gastos com a saúde dos funcionários. Isso significa que mesmo aqueles que estão empregados vêm paulatinamente pagando mais e tendo menos benefícios. De acordo com os especialistas em gestão de recursos humanos, as companhias devem avaliar melhor as despesas médicas dos trabalhadores e acompanhar a saúde dos funcionários. Os grupos que não tratam o assunto com o devido cuidado correm o risco de enfrentar no futuro uma bola de neve de gastos crescentes.

Nos Estados Unidos, uma experiência inédita com o intuito de controlar o aumento de gastos com saúde das empresas estará sob a atenção de todo o mundo: a Amazon, em associação com o banco JP Morgan e a empresa de investimentos Berkshire Hathaway, pretende investir em uma nova companhia, que vai explorar maneiras de reduzir as despesas com saúde. Os três grupos possuem ao todo mais de 1 milhão de funcionários nos Estados Unidos. A iniciativa será capitaneada pelo médico e consultor Atul Gawande, que escreveu alguns livros sobre o tema e colaborou também com reportagens para a revista The New Yorker. Em uma delas, publicada em 2009, ele tratou justamente dos gastos excessivos em alguns hospitais. No texto, comparava a prestação de serviços médicos à construção de uma casa. Imagine, dizia ele, se, em vez de pagar um empreiteiro pelo projeto como um todo, você pagasse o eletricista de acordo com o número de tomadas sugeridas por ele, o encanador pelo número de torneiras que ele julgasse necessárias, da qualidade e da marca que ele escolhesse, e assim por diante. A conclusão, óbvia, é que isso seria um incentivo para que os custos do projeto fugissem do controle. Escreveu Gawande: “Você se surpreenderia se tivesse no fim uma casa com milhares de tomadas e torneiras, construída pelo triplo do preço estimado, e ainda assim ela desabasse dois anos mais tarde?”. A analogia descreve, em grande medida, o que acontece atualmente no sistema privado brasileiro. Sem correções, feitas em acordo com médicos, hospitais e operadoras, o custo dos planos particulares ficará inviável para uma parcela cada vez maior da população, e eles serão, infelizmente, um privilégio para poucos. Bem poucos.

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GESTÃO E CARREIRA

AMBIENTE LEVE, FUNCIONÁRIO FELIZ

Sabe aquela dor de cabeça que não passa? Pode ser a iluminação errada do seu local de trabalho ou até a cor que escolheu para pintar as paredes. Saiba por que o seu escritório precisa estar em harmonia com o seu negócio.

Ambiente leve, funcionário feliz

Receber bem um cliente, motivar a equipe, criar condições para o desenvolvimento criativo. Tudo isso pode ser facilitado quando você leva em coma detalhes que vão da Inter pessoalidade à decoração da empresa.

O VP de Estratégia e Criatividade da Weber Shandwick, Everton Schultz, conta que gerencia cerca de 40 profissionais e se envolve na orientação de toda a agência, composta por 200 pessoas. Segundo ele, é importante garantir um ambiente que permita a todos se sentirem à vontade para colaborar, opinar e entende, que a evolução da empresa garante o sucesso deles também.

Mas existe um desafio no mundo corporativo para quebrar paradigmas culturais sobre a relação entre os profissionais. “Ainda estamos apegados a um modelo hierárquico vertical, que amarra a evolução para um modelo mais circular. É algo inerente à nossa cultura, mas que está mudando. Processos amarrados ou o controle da informação podem ser a ruína das empresas. Em agências de comunicação e engajamento como a nossa, é muito importante garantir um ambiente aberto à diversidade. Ideias e visões complementares que garantem projetos mais conectados com a realidade, argumenta Schultz.

Essa transição traz novas necessidades à tona e as ferramentas são variadas.

A tendência open space, por exemplo, forma espaços literalmente abertos, que permitem maior interação. Independentemente da sua escolha, leve em consideração que elementos básicos de arquitetura e organização afetam o andamento do trabalho. “Ter colaboradores tumultuados em um mesmo ambiente pode gerar desconforto e diminuição produtiva. Colocá-los em frente à parede e sem visão para a sala ou janela também não é recomendado. Ilhas de trabalho com núcleos distintos, espaço de circulação e conforto fazem toda a diferença ao funcionário”, explica o arquiteto e cenógrafo Eduardo Vieira, também vencedor do episódio 13 do programa “Missão Design, da GNT.

NA PRÀTICA

Em espaços como o open space, é importante comunicar o espírito de equipe e colaboração, mas deve-se ter cuidado com os excessos, que podem poluir visualmente os ambientes. As cores gerais devem ser mais neutras para não causar agitação ou perda de foco. Forros ou paredes muito coloridas em áreas de grande permanência (como estações de trabalho) podem prejudicar a concentração e o raciocínio”, conta a sócia do Studio BR Arquitetura, Bruna de Lucca.

Eduardo Vieira concorda! Ele completa explicando que cores quentes como vermelho, amarelo-gema ou laranja são estimulante, o que pode deixar a equipe inquieta. Por isso, são usadas em redes de fast-food, onde as pessoas precisam ter um ciclo rápido dentro do estabelecimento. Podem também ser aplicadas a espaços para reuniões curtas e dinâmicas. Já cores frias e pastéis com mesclas assimétricas em faixas e formas geométricas podem ser boas aliadas da sua empresa. Verde, azul e roxo, por exemplo, são calmantes e geram conforto, dependendo da maneira como compõem o escritório. “Quando um cliente chega, o espaço acaba tornando-se o cartão de visita. Caso esteja bagunçado ou desleixado, ele verá isso como padrão, para o método de trabalho. O mesmo vale para um escritório limpo e organizado, ressalta.

Em espaços que exigem maior criatividade e energia, Bruna indica também móveis confortáveis, porém que não sejam um convite a permanecer no local por mais tempo. Já onde é preciso estar focado, além de cores, é preciso móveis e formas que auxiliem o processo, a acústica precisa ser feita de maneira que o colaborador se sinta confortável e com sensação de privacidade respeitada.

A palavra de ordem é wellness, que significa bem-estar. Nesse contexto, ambientes com melhor iluminação natural, ventilação e interação com o exterior são boas escolhas. A saúde física deve ser levada em conta, principalmente se a atividade exigir muito tempo sentado ao computador. A máquina precisa manter uma distância contornável aos olhos e a empresa deve estimular pequenas paradas para exercícios laborais, essenciais na prevenção de tendinites, torcicolos e dores. Preste atenção também aos apoios reguláveis para os pés, que melhoram a circulação sanguínea.

Um escritório mal iluminado prejudica não apenas os colaboradores, que ficam facilmente com as vistas cansadas, como dá uma má primeira impressão a clientes que chegam ao local. Outro ponto importante são as baias. Elas podem representar um ambiente onde conversas não são toleradas e dão um caráter impessoal, com exceção daquelas horizontais que apenas dividem a mesa ao meio para melhor aproveitamento do espaço.  “Baias individuais acabam tornando o ambiente claustrofóbico. As mesas compartilhadas caem muito bem quando o método de trabalho é colaborativo. Já as individuais são importantes em trabalhos que necessitam de mais lógica e pensamento exato, completa Eduardo Vieira.

FORA DA CAIXINHA

Criar setores alternativos para movimentação do colaborador é essencial, uma vez que está comprovado que mudar de local ajuda na circulação sanguínea, na oxigenação do cérebro e consequentemente na produtividade.

Espaços criativos são aqueles que auxiliam na qualidade de vida de seus colaboradores. Eles podem ser físicos, como uma sala de jogos, e também subjetivos, como liberar cerveja durante o expediente às sextas. Isso demonstra um voto de confiança da empresa no profissionalismo da pessoa. É um sinal que a organização acredita no bom senso e na responsabilidade do indivíduo de utilizar com moderação e inteligência os incentivos”, conta o consultor de empresas e professor de pós-graduação Luciano Miguel Salamacha. Ele reforça que são ambientes bem-vindos, mas que não devem ter toda a responsabilidade na criação de um escritório agradável, uma vez que é a relação entre as pessoas que vai orquestrar a convivência de maneira positiva ou negativa. Hoje em dia, não é preciso estar no Google para idealizar escritórios dessa maneira. Alguns coworkings, como o We Work de São Paulo, por exemplo, já possuem salas específicas para interação, com diferentes    jogos, pufes e chopeiras. “A sala de descompressão tem sido multo utilizada nas modernas multinacionais e principais startups. Geralmente, elas contam com sofás confortáveis, videogames, mesas de sinuca etc. O principal objetivo é que o funcionário se sinta acolhido e, para isso, é preciso lidar com visual e sensorial. Mas indico para esses espaços cores agradáveis que possam relaxar e móveis confortáveis para um descanso rápido. Além disso, opções interativas que não ocupem muito tempo do funcionário, como uma mesa de pinball”, sugere o vencedor do programa da GNT.

ALÉM DAS PAREDES

Uma vez que o espaço está totalmente apto à criatividade e ao conforto, outras questões entram em pauta. “Profissionalismo nas relações interpessoais. Esse é o grande pilar que mantém uma equipe unida e com um bom clima. Não se pode confundir bons amigos na empresa com flexibilidade no profissionalismo. A alta gestão deve ter em mente que não adianta um bom clima em um ambiente em que as pessoas têm preocupação de debater um determinado problema ou de chamar a responsabilidade de alguém na discussão por receio”, acrescenta Vieira.

Eventualmente, momentos de tensão podem surgir e tentar esconder a realidade ou redimensionar a gravidade da situação não são as melhores atitudes a se tomar. O erro mais comum é buscar os culpados ao invés da resolução. Organizar prazos de maneira que haja tempo hábil para a realização de uma tarefa também é essencial. Salamacha lembra ainda que o foco nos resultados gera comprometimento, enquanto que o foco apenas nas tarefas leva ao isolamento e individualismo.

AO COLABORADOR, COM CARINHO

Para as cadeiras dos colaboradores, as ergométricas com encosto telado são as mais indicadas, como exp1ica o arquiteto Vieira. Elas ajudam na saúde da lombar e fazem fluir melhor a produção. “Além disso, todo colaborador deve se sentir ponto fundamental das reuniões e atividades em grupo. Mensagens motivacionais são importantes, mas devem ser embasadas pelos reais valores da empresa. Usar clichês apenas para decorar é ultrapassado. A motivação e o engajamento precisam ser fundamentados”, acrescenta Bruna.

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TIPOS DE AMBIENTE

SALAS DE REUNIÃOCOMUNS: salas fechadas com acústica e privacidade. Essencial serem dotadas de móveis ergonômicos para reuniões de média e longa duração, cores neutras, tecnologia de rápida comunicação e uso de equipamentos, iluminação acima de 4000k para conforto da visão.

 SALAS DE REUNIÃO FLEXÍVEIS: salas com divisórias que podem abrir e integrar-se com outras, aumentando tamanho e alternando função de trabalhos focados a trabalhos dinâmicos e de criação/inovação. Essencial ter elementos físicos e cores que promovam a criatividade e o engajamento e, se possível, itens naturais que promovam conforto (luz natural, paisagismo, ventilação natural).

 PRAÇA/RECEPÇÃO DE CLIENTES: a recepção dos clientes deixa de ser tradicional, e integra-se em um formato praça em que o cliente pode ter contato com a essência e equipes da empresa Diversidade de texturas, materiais e cores devem interagir com a diversidade de móveis e tecnologias do espaço.

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