ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 6: 22-27

Alimento diário

O Discurso de Cristo à Multidão

 

Nestes versículos, temos:

I – A busca cuidadosa das pessoas para encontrar Cristo, vv. 23,24. Eles viram os discípulos saindo para o mar. Viram Cristo, retirando-se para o monte, provavelmente com uma indicação de que Ele desejava um pouco de privacidade por algum tempo. Mas, como seus corações estavam decididos a fazê-lo rei, eles ficaram espreitando seu retorno, e no dia seguinte, o ardoroso ataque de zelo ainda continuava.

1. Eles estavam muito confusos por causa dele. Cristo havia partido, e eles não sabiam o que teria acontecido com Ele. Eles viram que não havia barcos ali, exceto aquele no qual os discípulos haviam zarpado, pois a Pro­ vidência assim o ordenou, para a confirmação do milagre que contemplaram: Cristo andando sobre o mar. Não havia nenhum barco que Ele pudesse utilizar. Eles observaram, também, que Jesus não acompanhou seus discípulos, mas que eles saíram sozinhos, e o deixaram entre eles, neste lado da água. Note que aqueles que desejam encontrar Cristo devem observar diligentemente todos os seus movimentos, e aprender a compreender os sinais da sua presença e ausência, para que possam mover-se de maneira correspondente.

2. Eles foram muito empenhados ao procurá-lo. Eles procuraram nos lugares próximos, e quando viram que Jesus não estava ali, nem seus discípulos (nem Ele nem ninguém que pudesse dar notícias dele), decidiram procurá-lo em outros lugares. Observe que aqueles que desejam encontrar Cristo devem realizar uma busca diligente, devem procurar até encontrar devem ir de mar a mar, procurar a Palavra de Deus, ao invés de viver sem ela. E aqueles a quem Cristo alimentou com o pão da vida devem ter suas almas repletas de fervorosos desejos em relação a Ele. Muito mais terão, em comunhão com Cristo. Agora:

(1) Eles decidiram ir a Cafarnaum, à procura de Jesus. Ali era o quartel-general de Cristo, onde Ele normalmente residia. Para lá, seus discípulos tinham ido, e eles sabiam que Ele não ficaria muito tempo separado deles. Aqueles que desejam encontrar a Cristo devem seguir os passos do rebanho.

(2) A Providência lhes concedeu uma oportunidade de ir para lá por mar, que era o modo mais rápido, pois outros barquinhos tinham chegado de Tiberíades (que ficava um pouco afastada, na mesma costa, perto, embora não muito, do lugar onde comeram o pão), nos quais eles poderiam logo fazer uma viagem a Cafarnaum, e provavelmente os barcos rumariam àquele porto. Observe que aqueles que procuram sinceramente Cristo, e procuram oportunidade para estar com Ele, normalmente são reconhecidos e auxiliados pela Providência, nas suas buscas. O evangelista, tendo oportunidade de mencionar que eles comeram do pão multiplicado, acrescenta: “havendo o Senhor dado graças”, v. 11. Os discípulos ficaram tão influenciados pelo fato de seu Mestre dar graças, que nunca poderiam esquecer a impressão que isto lhes causou, tendo um prazer em lembrar das graciosas palavras que então saíram da sua boca. Est a tinha sido a graça e a beleza daquela refeição, e que a tornaram notável. Seus corações ardiam dentro deles.

3. Eles aproveitaram a oportunidade que se oferecia, e “entraram… também nos barcos e foram a Cafarnaum, em busca de Jesus”. Eles não tardaram, esperando vê-lo outra vez neste lado da água, mas, como suas convicções eram fortes, e seus desejos, fervorosos, eles o seguiram imediatamente. Os bons impulsos são frequentemente esmagados, e reduzidos a nada, por não serem obedecidos a tempo. Eles foram a Cafarnaum, e, pelo que parece, estes seguidores hipócritas e imperfeitos de Cristo tiveram uma travessia calma e agradável, ao passo que seus discípulos sinceros tiveram uma travessia difícil e tempestuosa. Não é estranho que neste mundo aconteça o pior com os melhores homens. Eles vieram, procurando a Jesus. Observe que aqueles que desejam encontrar Cristo, e encontrar consolo nele, devem estar dispostos a se esforçar, e, como aqui, a percorrer terra e mar para procurar e servir àquele que veio do céu à terra para nos procurar e servir.

II – O sucesso desta busca: eles o acharam “no outro lado do mar”, v. 25. Observe que Cristo será encontrado por aqueles que o procuram, quer sejam os primeiros ou os últimos. E vale a pena cruzar um mar ou melhor, ir ” de mar a mar, e desde o rio até às extremidades da terra”, para procurar a Cristo, se pudermos encontrá-lo, por fim. Estas pessoas pareceram, posteriormente, imperfeitas e não motivadas por nenhum bom princípio, e ainda assim foram tão zelosas. Observe que até os hipócritas podem se mostrar muito motivados a atender as ordenanças de Deus. Se os homens não tiverem mais nada a apresentar pelo seu amor por Cristo do que sua procura por sermões e orações, e sua angústia em reação à boa pregação, eles têm motivos para suspeitar de que não são melhores do que esta ansiosa multidão. Mas, embora estas pessoas não tivessem melhores princípios, e Cristo soubesse disto, ainda assim Ele estava disposto a ser encontrado por eles, e os aceitou na comunhão consigo. Mesmo que pudéssemos conhecer os corações dos hipócritas, que procuram apresentar uma profissão de fé plausível, não poderíamos excluí-los da nossa comunhão. Quanto menos poderíamos fazê-lo sem conhecer seus corações.

III – A pergunta que eles fizeram a Jesus quando o encontraram: “Rabi, quando chegaste aqui?”

Parece, pelo texto do versículo 59, que o encontraram na sinagoga. Eles sabiam que este era o lugar mais provável onde procurar Cristo, pois era seu costume comparecer às assembleias públicas para a adoração religiosa, Lucas 4.16. Observe que Cristo deve ser procurado, e será encontrado, nas congregações do seu povo, e na administração das suas ordenanças. Cristo se compraz em reconhecer e agraciar a adoração pública com sua presença e com suas manifestações. Eles o encontraram ali, e tudo o que tiveram para dizer a Ele foi: “Rabi, quando chegaste aqui?” Eles viram que Ele não desejava ser feito rei, e, portanto, não mais falaram sobre isto, mas o chamaram de Rabi, seu mestre. Sua pergunta se refere não somente à hora, mas à maneira como Ele foi para lá; não somente: “Quando”, mas: “Como vieste até aqui?” Pois não havia barco onde Ele pudesse entrar. Eles eram curiosos para perguntar a respeito dos movimentos de Cristo, mas não solícitos para observar os seus próprios.

IV – A resposta que Cristo lhes deu, não direta à sua pergunta (Quando e como Ele tinha ido para lá?), mas uma resposta conforme exigia sua situação.

1. Ele revela o princípio corrupto que os havia levado a procurá-lo (v.26): “Na verdade, na verdade vos digo”, Eu, que sondo o coração, e que sei o que há no homem, Eu, o Amém, a Testemunha Fiel, Apocalipse 3.14,15. Vós ‘me buscais’, o que é bom, mas isto não é proveniente de um bom princípio”. Cristo sabe não somente o que nós fazemos, mas por que o fazemos. Estes seguiam a Cristo:

(1) Não por causa da sua doutrina: “Não pelos sinais que vistes”. Os milagres eram a grande confirmação da sua doutrina. Nicodemos o procurou por causa dos milagres (cap. 3.2), e investigou desde o poder das suas obras até a veracidade da sua palavra. Mas estes eram tão tolos e descuidados, que jamais consideraram os fatos como deveriam ser considerados.

(2) Por causa dos seus estômagos: “Porque comestes do pão e vos saciastes”. Eles não o seguiram porque Ele os ensinou, mas porque Ele os alimentou. Ele lhes tinha dado:

[1] Uma refeição completa: eles comeram, e ficaram saciados. E alguns deles talvez fossem tão pobres, que não soubessem, há muito tempo, o que significava ter o suficiente, comer o quanto quiser e ainda sobrar.

[2] Uma refeição extremamente saborosa. É provável que, da mesma maneira como o vinho produzido pelo milagre foi o melhor vinho, também o alimento produzido pelo milagre tenha sido mais agradável do que seria usualmente.

[3] Uma refeição gratuita, que não lhes custou nada. Nenhuma conta foi apresentada. Observe que muitos seguem a Cristo por causa de pão, e não por amor. Assim agem aqueles que visam um benefício secular através da sua profissão de religiosidade, e o seguem porque, com este artifício, conseguem o que desejam. Estas pessoas chamaram Cristo de Rabi, e lhe demonstraram grande respeito, mas Ele lhes falou fielmente da hipocrisia que estavam demonstrando. Seus ministros devem, então, aprender a não adular aqueles que os adulam, nem ser comprados por palavras bonitas, de forma que declarem a paz a todos aqueles que lhes chamem de Rabi. Os ministros fiéis devem repreender aqueles que precisarem ser repreendidos, no momento certo, e com as palavras certas.

2. Ele os orienta a melhores princípios (v. 27): “Trabalhai… pela comida que permanece para a vida eterna”. Com a mulher de Samaria, Ele tinha falado de coisas espirituais, fazendo comparação com a água. Aqui, Ele lhes fala fazendo comparação com a comida, aproveitando a oportunidade dos pães que eles tinham comido. Seu objetivo era:

(1)  Moderar todas as nossas buscas terrenas: “Trabalhai não pela comida que perece”. Isto não proíbe o trabalho honesto pelo alimento conveniente, 2 Tessalonicenses 3.12. Mas não devemos fazer das coisas deste mundo nosso principal interesse. Observe:

[1] As coisas do mundo aqui consistem na comida que perece. A riqueza, a honra e o prazer mundanos são comida. Eles alimentam a imaginação (e muitas vezes, isto é tudo) e enchem o estômago. Estas são coisas de que as pessoas sentem fome como de comida, e se empanturram com elas. E, com um coração carnal, desejam viver para as coisas do mundo enquanto estas durarem. Mas elas perecem, elas têm uma natureza perecível, esgotam se, e estão expostas a milhares de acidentes. Aqueles que têm grandes porções delas não têm a certeza de que as terão enquanto viverem, mas podem ter a certeza de que um dia as deixarão. Eles as perderão quando morrerem.

[2] Portanto, é tolice trabalharmos desordenadamente por tais coisas. Em primeiro lugar, não devemos trabalhar na seara de Deus, nem realizar sua obra, pela comida que perece, tendo-a como propósito. Não devemos tornar nossa religião subserviente a um interesse mundano, nem desejar obter benefícios seculares através dos nossos procedimentos sagrados. Em segundo lugar, não devemos, de maneira nenhuma, trabalhar por esta comida, isto é, não devemos fazer destas coisas que perecem nosso bem principal, nem fazer da nossa preocupação e dos nossos esforços por elas nossa ocupação principal. Não procure estas coisas acima de todas as demais, Provérbios 23.4,5.

(2)  Despertar e incentivar nossas buscas pela graça: “Esforcem-se para alcançar objetivos melhores, e trabalhem por aquela comida que pertence à alma”. Com referência a esta, o Senhor mostra:

[1] Que ela é indescritivelmente desejável. É uma “comida que permanece para a vida eterna”. É uma felicidade que irá durar tanto tempo quanto nós, que não somente dura eternamente por si só, mas que nos irá nutrir até a vida eterna. As bênçãos do novo concerto são nossos preparativos para a vida eterna, nosso conservante para ela, e a garantia e o depósito dela.

[2] Que é indubitavelmente alcançável. Deverão todos os tesouros do mundo ser saqueados, e todos os frutos da terra reunidos, para nos proporcionar provisões que irão durar por toda a eternidade? Não, diz o mar, não está em mim, nem mesmo entre todos os tesouros escondidos na areia. “Não se dará por ela ouro fino”. Mas ela é aquilo que “o Filho do Homem vos dará”, qualquer que seja a comida, ou a vida, o Filho do Homem vos dará. Observe aqui, em primeiro lugar; quem dá esta comida: o “Filho do homem”, o grande chefe de família e administrador dos celeiros, a quem é confiada a administração do reino de Deus entre os homens, e a dispensação dos dons, graças e consolos de tal reino, e que tem o poder de dar a vida eterna, bem como todos os seus meios e preparativos para ela. Nós lemos que devemos trabalhar por ela, como se ela devesse ser obtida pelo nosso próprio esforço, e vendida com valiosa consideração, como diziam os pagãos: Os deuses vendem todos os benefícios aos que se esforçam. Mas mesmo que trabalhemos muito por ela, nós não a merecemos como nosso salário, mas o Filho do homem a dá. E o que pode ser mais gratuito do que um presente? O fato de que aquele que a dá é o Filho do homem é um incentivo para nós, pois assim podemos esperar que os filhos dos homens que a procuram, e se esforçam para obtê-la, não deixarão de obtê-la. Em segundo lugar; que autoridade Ele tem para dá-la: “Porque a este o Pai, Deus, o selou”, por Ele, o Pai selou (provou e evidenciou) que é Deus, alguns assim interpretam. Ele declarou que era o Filho de Deus com poder. O Pai o selou, isto é, deu-lhe plena autoridade para lidar entre Deus e o homem, como embaixador de Deus junto ao homem e intercessor do homem junto a Deus, e provou sua comissão por meio de milagres. Ao dar-lhe autoridade, Ele nos deu a certeza disto. Tendo-lhe concedido poderes ilimitados, Ele nos satisfez com indubitáveis provas de tais poderes. De modo que o Senhor pôde prosseguir com confiança na sua missão por nós, e também nós, em nossa resignação a Ele. Deus, o Pai, o selou com o Espírito que havia nele, por meio da voz do céu, pelo testemunho que Ele lhe deu através de sinais e prodígios. A revelação divina é aperfeiçoada nele. Nele, a visão e a profecia estão seladas (Daniel 9.24), todos os crentes confirmam que Ele é verdadeiro (cap. 3.33), e nele todos são selados, 2 Coríntios 1.22.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

CHÁ CONTRA A DEPRESSÃO

Pesquisa conduzida no Brasil mostra que a ayahuasca, chá alucinógeno usado em rituais religiosos, tem efeito benéfico sobre o tipo mais grave da doença.

Chá contra a depressão

O chá ayahuasca, utilizado em rituais religiosos como os do santo-daime, mostrou-se eficaz no combate ao tipo de depressão mais severa, aquela que responde mal aos medicamentos disponíveis e acomete 100 milhões de pessoas no mundo, 4 milhões delas no Brasil. Conduzido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e recém- publicado no periódico britânico Psychological Medicine, o trabalho é o primeiro a avaliar deforma controlada os benefícios de uma substância psicodélica (ou seja, que provoca alterações na percepção e consciência) no tratamento da doença. O estudo envolveu 29 pacientes, com idade entre 21 e 59 anos, que conviviam com a doença havia onze anos, em média. Parte deles ingeriu uma bebida inócua e a outra parte recebeu uma única dose do chá, em quantidades que variaram de um quarto a meia xícara, dependendo do peso corporal de cada um deles.

A administração da ayahuasca exigiu cuidados especiais. Para que seus efeitos colaterais agudos fossem minimizados – além das alucinações, ela pode provocar tonturas e enjoos -, os pacientes receberam a bebida no hospital.

Os quartos foram preparados para proporcionar-lhes um ambiente de tranquilidade – decorados com plantas e iluminados por luz natural. Depois de ingerirem o chá, os participantes, sempre acompanhados de dois pesquisadores do estudo, foram orientados a permanecer em silêncio, pensando no próprio corpo e com os olhos fechados. A maioria recebeu alta no fim do dia. O efeito foi gradual. Todos os pacientes se submeteram a um questionário sobre a depressão, além de exames de sangue e de imagem, antes e depois do experimento. Um dia depois, aqueles que haviam ingerido o chá tiveram redução de 50% na intensidade dos sintomas da depressão. Uma semana depois, essa diminuição foi ainda mais pronunciada – de 64%, o dobro do verificado entre os participantes que tomaram o placebo.

O resultado significa que, de portadores de depressão grave, os pacientes passaram a ser portadores do tipo leve da doença. Os achados ainda não permitem dizer se os efeitos notados –   redução de pensamentos suicidas, melhora na qualidade do sono e diminuição do sentimento de tristeza – são permanentes. Para averiguar esse aspecto decisivo, novos estudos serão necessários. As primeiras suspeitas de que a ayahuasca teria alguma ação contra a doença mental surgiram nas últimas duas décadas, quando avaliações psiquiátricas observaram que os consumidores da bebida em rituais apresentavam índices baixos de desânimo crônico.

As origens do uso da ayahuasca remontam à pré-história. Há evidências arqueológicas pictóricas que indicam a utilização da planta alucinógena desde 2000 a.C. No século XVI, padres colonizadores já descreviam o emprego da bebida entre indígenas. O chá popularizou-se por meio do movimento religioso santo-daime, na década de 20. O Brasil é um dos poucos países que liberam a ayahuasca, mas com restrições – apenas para rituais de doutrinas específicas. Tal uso, porém, só foi autorizado por lei em 1987.

Amargo e de coloração marrom-escura, o chá é feito da mistura de compostos de duas plantas encontradas apenas na Floresta Amazônica: as folhas do arbusto Psychotria viridis e do cipó Banisteriopsis caapi. A primeira contém uma substância que causa alucinações cujo nome é difícil

pronunciar: dimeititriptamina, conhecida pela sigla DMT. Ela age contra a depressão ao se ligar aos neurônios, aumentando a disponibilidade de serotonina, hormônio deficitário na maioria dos portadores da doença. Já o cipó contém substâncias que facilitam a ação da primeira, mantendo a serotonina por mais tempo em circulação no organismo. “Além disso, a ayahuasca estimula a irrigação de sangue em áreas do cérebro envolvidas no processamento das emoções e modulação dos estados de humor”, explica o neurocientista Dráulio Araújo, professor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

A pesquisa brasileira com a ayahuasca marca uma volta aos estudos dos efeitos das drogas psicodélicas nas doenças mentais, populares nos anos 60. Um dos mais conhecidos foi o de autoria do psicólogo Timothy Leary, da Universidade Harvard. Leary, que analisou os efeitos terapêuticos do LSD, foi acusado de falta de rigor científico e acabou demitido da universidade – terminou a vida como guru.

Nos últimos anos, porém, os conhecimentos aprofundados sobre o funcionamento do cérebro mostraram que é possível conduzir esse tipo de trabalho com maior rigor e segurança. Levantamentos com a psilocibina, por exemplo, um alucinógeno encontrado nos cogumelos, têm se mostrado efetivos no alívio da ansiedade em pacientes com câncer terminal.

O estudo mais avançado, no entanto, é com o MDMA, o princípio do ecstasy, no tratamento do transtorno pós-traumático. Prestes a passar para a fase 3, ou seja, a última etapa, uma pesquisa publicada neste ano na revista britânica The Lancet Psychiatry revelou que a droga reduziu os sintomas da doença em 68% dos 26 participantes (socorristas e veteranos de combate). O MDMA aumenta no cérebro a disponibilidade de hormônios associados a sentimentos de confiança e bem-estar – além da serotonina, também o cortisol. No tratamento do transtorno pós-traumático, esses hormônios permitem que os pacientes passem a lidar melhor com as lembranças ruins. Se os testes em larga escala conseguirem repetir os resultados obtidos até agora, o medicamento poderá ser aprovado para uso legal até 2022.

 Chá contra a depressão.2

 

OUTROS OLHARES

GOTAS DE MAROMBA

Um novo e perigoso anabolizante bomba em sites e academias.

Gotas de maromba

O frasquinho chegara pelo correio, embrulhado em uma caixa de papelão. Tinha um rótulo pouco convidativo: “Impróprio para consumo humano”, dizia em inglês. Lucas Cabral, de 30 anos, 1,74 metro e bíceps de 44 centímetros, contou que não se importou com a advertência. Passava pouco das 7 da manhã quando pressionou o conta ­ gotas e sugou 10 milímetros do líquido transparente. Aquela era a medida ideal, segundo lera em um fórum na internet, para obter os melhores efeitos do LGD-4033- ou Ligandrol -, um tipo novo de anabolizante que Cabral descobrira. As gotas foram despejadas sobre a língua. Não tinham gosto. Cabral tomou o café da manhã e foi trabalhar.

Cabelo cortado rente, ombros largos e uma tatuagem tribal que lhe desce pelo lado direito do dorso, Lucas Cabral exibe, com orgulho, o corpo esperado de um rato de academia, como se define. Treina, religiosamente, de segunda a sábado, sempre no mesmo horário. O desejo de ter o corpo trincado surgiu há cerca de três anos, quando Cabral decidiu que devia parar de fumar e eliminar a barriga de chope. “Vi meu corpo secar”, disse, animado. “Minha saúde melhorou, e minha autoestima também.”

Mas, no final de 2017, a transformação obtida na academia pareceu estagnar. Cabral já não emagrecia com a mesma facilidade, nem seus músculos cresciam no mesmo ritmo. Foi quando descobriu o Ligandrol num fórum de discussão. O composto prometia ganho muscular sem efeitos colaterais e – dado importante – dispensava o uso de agulhas. Bastavam algumas gotinhas insípidas tomadas antes do treino.

Cabral usou o Ligandrol por 49 dias, duas vezes ao dia: de manhã, pouco antes do café, e à noite, antes do treino. Os resultados vieram aos poucos: o volume muscular cresceu, a gordura corporal diminuiu. Mais importante que isso, a estética melhorou. “Deu para notar as pessoas na academia me olhando de um jeito diferente”, disse, satisfeito. “Eu não queria usar um anabolizante tradicional. E o Ligandrol me pareceu um bom ponto de partida.”

O LGD-4033 é mais uma “bomba”, como outras usadas por frequentadores de academias. Desenvolvidas a partir de meados da década de 1990, receberam o complicado título de “moduladores seletivos do receptor de androgênio”. Ou, para facilitar, ARMs, da sigla em inglês. O Ligandrol é um entre mais de uma dezena de SARMs, uma resposta da indústria farmacêutica aos dissabores causados pelos esteroides anabolizantes tradicionais. A maioria dos anabolizantes tenta imitar o funcionamento da testosterona, o hormônio sexual masculino. Uma vez injetados nos músculos, conectam-se a estruturas no interior das células e dão a partida numa sequência de reações que culminam na produção de proteína.

São usados para tratar pacientes que perdem massa óssea e muscular.

Mas o uso prolongado de anabolizantes – mesmo com acompanhamento médico – pode provocar câncer de próstata ou problemas de fígado. Nas mulheres, provoca o surgimento de características masculinas, como pelos na face ou engrossamento da voz. Os ARMs têm a vantagem de se conectarem somente aos receptores dos músculos esqueléticos. “Em teoria, isso deveria permitir que eles estimulassem a síntese de proteína sem provocar os mesmos efeitos colaterais”, disse o professor Alexandre Hohl, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia. O primeiro membro desse novo grupo foi descoberto quase por acidente, por uma equipe de cientistas da Universidade do Tennessee, nos Estados Unidos. Na época, o professor James Dalton estudava uma substância que promovia o aumento dos músculos em ratinhos: “Foi quando percebemos que nosso composto não vinha acompanhado por efeitos androgênicos”, disse Dalton. “Para nós, foi uma grata surpresa.”

A novidade deu a largada numa corrida pelo desenvolvimento de novas substâncias com características similares. Gigantes do setor farmacêutico, como Johnson & Johnson e Merck, criaram seus próprios SARMs.  As pesquisas pareciam muito promissoras: ‘Mas a primeira geração desses compostos desapontou”, disse Hohl. No ano passado, a Food and Drug Administration (FDA) – a agência americana que se encarrega de avaliar a segurança e eficiência de novas drogas – publicou um relatório atestando que os ARMs estudados até ali podiam provocar problemas hepáticos e cardiovasculares, aumentando o risco de ataques cardíacos. “Era um sinal de que precisavam de mais anos de desenvolvimento”, disse Hohl.

Entretanto, como sempre, algo saiu do controle. Atletas profissionais começaram a usar os SARMs, tanto que em 2008 a Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) os colocou entre as substâncias proscritas. Mas uma droga que aumenta músculos só podia cair nas graças daqueles que são ávidos por isso e topam experimentalismos: os fisiculturistas.

Num vídeo postado em março deste ano, o fisiculturista Fernando Maradona fez o anúncio entusiasmado. “Hoje, estamos aqui para falar sobre um suplemento que está invadindo o meio do bodybuilding”, disse, encarando a câmera com o dedo em riste. “Isso aí: SARMs.” Nas redes sociais, os fãs chamavam Maradona pelo manjado apelido de “Hulk brasileiro”: os músculos retesados já lhe renderam títulos importantes em competições no Brasil e no exterior e boas colocações no Mr. Olympia – uma das principais competições do meio. “O bodybuilder é como um ratinho de laboratório”, disse Maradona. “Ele testa toda substância nova que promete melhorar seu desempenho.” Fisiculturista há 20 anos, há três Maradona virou também youtuber. Seus vídeos documentam, é claro, sua rotina de treino, dão dicas de dieta e exercícios e fazem a crônica do que há de novo no “meio bodybuilding”.

Em 2010, Maradona participava de uma competição nos EUA quando ouviu falar nos SARMs pela primeira vez. Um amigo, dono de uma loja de suplementos, decidiu presenteá-lo com o composto novo: “Mas, na época, não levei a sério. Achei que fosse papo de vendedor”. A droga ficou esquecida em alguma prateleira. Cerca de três anos depois, durante uma viagem a Las Vegas, o amigo refez a oferta. Dessa vez, Maradona deu uma chance à substância. “Eu me surpreendi”, disse. “Melhorou minha performance, resistência e capacidade de recuperação.”

Cinco anos depois, Maradona viu o interesse pelos SARMs explodir para além do meio competitivo. Foi quando decidiu gravar vídeos sobre o assunto. Afirmou que sua intenção não era estimular a procura pelos compostos, apenas tirar dúvidas sobre um tema que seus fãs já discutiam. “O que acontece é que todo mundo quer ter os mesmos resultados que um fisiculturista”, teorizou. Para ele, o interesse por anabolizantes varia como a moda. “Toda vez que a ciência aparece com algo novo, há um boom. Hoje, o boom é dos SARMs.”

O personal trainer Maurício Medeiros tem 36 anos, cabelos curtos e pele levemente bronzeada. Na internet, ganhou notoriedade ao integrar o elenco do Fábrica de Monstros – um canal no YouTube (bastante) satírico, por vezes sério, criado pelo marombeiro profissional Leo Stronda. A atração tem mais de 2 milhões de inscritos. Medeiros terminara de dar uma aula quando recebeu uma mensagem pelo WhatsApp: “Olha só. Esse é o SARM da moda”, disse, entregando o celular à reportagem. Troncudo, sério, sentava-se empertigado na poltrona. Na foto, havia um frasco com um rótulo azul, no qual fora impressa uma cadeia de carbonos. “A promessa é que a pessoa perca 30 quilos ao mês. Imagine o risco.”

Imerso nesse universo de anilhas, halteres, barras e suplementos alimentares, Medeiros vive atento ao inevitável burburinho que acompanha o surgimento de um novo anabolizante. “Há sempre alguém que conhece alguém que usa”, disse. Por seus cálculos, o bochicho sobre os SARMs chegou às academias – já além do meio dos fisiculturistas – há cerca de três anos e ganhou vigor nos últimos 12 meses. A percepção é confirmada por estatísticas do Google. A procura pelo termo “melhor SARM” cresceu cerca de 5.000% no último ano no Brasil.

O frequentador de academia que procura SARMs, mesmo sem intenção de competir, o faz por vaidade. “Aquele menino magro, que as garotas nunca notaram, começa a ganhar corpo”, disse Medeiros. “E isso vicia. Resultado vicia.” A propagação do assunto é explosiva. Essa nova vaga de anabolizantes tem um instrumento que faltava às anteriores: as redes sociais. “Costumo dizer que a internet foi como uma bomba de Hiroshima para os anabolizantes”, disse Medeiros. “Hoje, se quiser comprar isso aqui” – disse, apontando para o frasco na foto do celular -, “basta passar meia hora no Google.”

No YouTube há canais especializados nos SARMs. Alguns usuários narram suas experiências com os anabolizantes por semanas a fio – sob o olhar atento de uma audiência que comenta e pede dicas. Quem os vê quer saber qual SARM usar para conquistar o corpo ideal, qual a dosagem mais adequada e qual a duração do ciclo – no jargão do setor, o tempo de uso da droga. São todas questões para as quais a ciência ainda não tem resposta. Mas para as quais os internautas juram ter uma saída. “Meu cabelo começou a cair demais, toda vez que passava os dedos por ele”, disse um rapaz, antes de apontar a solução. “Acho que a questão era a dosagem. Diminuí.”

A empreitada do gaúcho Renan Duarte com os SARMs começou no final de janeiro deste ano. “Oi, galera do YouTube. Hoje, inicio meu ciclo”, anunciou num vídeo do dia 27 daquele mês – óculos escuros no rosto, franja jogada de lado. Seu “Projeto SARMs” durou 90 dias e 120 cápsulas de uma substância chamada S23. Os vídeos foram gravados no quarto, com a câmera parada e com Duarte devidamente descamisado. “Eu quis fazer os vídeos para auxiliar quem pretendia comprar. Para essas pessoas terem algo verdadeiro em que acreditar”, disse. Foram 11 vídeos, um por semana. O último guardava um desapontamento. “A promessa dos laboratórios era puro marketing”, contou Duarte. “O produto que usei não cumpriu nada do que prometeu.”

A procedência duvidosa dos SARMs representa um risco adicional. Como não há controle por qualquer agência governamental, é impossível garantir o conteúdo do frasco – e quais seus efeitos sobre o corpo. Um estudo publicado em novembro do ano passado, conduzido por uma equipe da Universidade Harvard, pôs à prova 44 produtos vendidos on-line como SARMs. A maioria falhou: somente 23 tinham, de fato, um SARM em sua composição. Outros 17 continham substâncias ilegais na mistura – incluindo aí um composto tóxico, cujo desenvolvimento foi abandonado pela indústria farmacêutica há mais de dez anos, por provocar câncer em animais. Os outros quatro não apresentavam qualquer ingrediente ativo – não eram melhores que farinha. “Estamos falando de remédios. É como se eu vendesse uma droga controlada, como o Diazepam, livremente pela internet e ninguém fizesse nada”, disse Hohl, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia. Enquanto isso, milhares se arriscam por um corpo trincado, ao alcance de alguns cliques. “Ainda não sabemos se essas substâncias são seguras”, disse James Dalton. “A verdade é que quem as usa se expõe a riscos muito grandes.”

GESTÃO E CARREIRA

AS OITO HORAS QUE FAZEM A DIFERENÇA

As 8 goras que fazem a diferença

O dia tem 24 horas para todas as pessoas. Não tem ninguém que tenha um minuto a mais. E essas 24 horas, teoricamente, estão divididas em três blocos de 8 horas. No primeiro bloco de oito horas, descansamos, dormimos. No segundo bloco, trabalhamos. E no terceiro bloco de oito horas? O que fazemos?

Aí está a chave do sucesso. É justamente o que fizermos dessas oito horas restantes que determinará o nosso sucesso ou fracasso. É nesse período que percorreremos o “quilômetro extra”. É nesse período que faremos a diferença.

Ser o melhor, o mais dedicado, o mais competente durante as oito horas de trabalho, não é mais do que nossa obrigação. Se não formos os melhores nas oito horas de trabalho, o fracasso é certo, as promoções não virão e poderá até vir o desemprego. A verdade é que para se obter sucesso total na vida e mesmo no trabalho, não basta ser excelente nas oito horas de trabalho.

O que fizermos das oito horas restantes do sono e do trabalho que fará a grande diferença. E, geralmente, utilizamos mal essas valiosas oito horas. Não planejamos o que fazer com elas. Simplesmente “as perdemos” – perdemos tempo – como se diz. E esse tempo jamais voltará. Um minuto mal gasto é um minuto que jamais será recuperado. Vencerá quem utilizar mais sabiamente essas oito horas restantes. Seja em atividades desportivas, de lazer ou utilizando-as para o aperfeiçoamento intelectual, fazendo cursos, participando de concertos, indo ao cinema, ao teatro, assistindo a programas educativos e culturais na televisão, essas oito horas devem ser motivo de análise e planejamento para todos nós. Elas farão a diferença, acredite!

É preciso que cada um de nós entenda, sem ilusão, que hoje, o mercado só terá lugar para os realmente competentes, diferenciados; somente para os melhores. E para que sejamos melhores é preciso que façamos mais do que simplesmente dormir bem oito horas e trabalhar bem oito horas por dia. É preciso que façamos a diferença exatamente utilizando melhor as terceiras oito horas além do sono e do trabalho.

E o que fazemos com as nossas 8 horas além do sono e do trabalho? No que estamos empregando esse valioso tempo? Estamos criando em nós a diferença necessária para vencermos neste mundo competitivo onde só os melhores sobreviverão com dignidade? Fazemos algum planejamento para a ocupação inteligente desse tempo livre não comprometido? Investimos nessas oito horas para o nosso desenvolvimento pessoal e profissional?

Pense nisso…

Luís Almeida Marins Filho.

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La otra luna de Picasso

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