ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 6: 1-14

Alimento diário

Os Cinco mil são alimentados

Aqui temos uma narrativa da ocasião em que Cristo alimentou a cinco mil homens com cinco pães e dois peixes, milagre que é, neste respeito, extraordinário, e que é a única passagem das atividades da vida de Cristo que é registrada por todos os quatro evangelistas. João, que normalmente não relata aquilo que já tinha sido registrado por aqueles que tinham escrito antes dele, relata este episódio, por causa da referência com o sermão que o segue. Observe:

I – O lugar e a época em que este milagre se realizou, que são registrados para a maior evidência da veracidade da história. Não está escrito que ele foi realizado em uma ocasião indeterminada, ninguém sabe onde, mas as circunstâncias que podem ser indagadas a respeito do fato estão especificadas.

1. A região e hora em que Cristo estava (v. 1): Ele “partiu para o outro lado do mar da Galileia”, lugar chamado, em outras passagens, de “lago de Genesaré”, e aqui de mar “de Tiberíades”, por causa de uma cidade vizinha, que Herodes tinha ampliado e embelezado recentemente, e a tinha assim chamado em honra ao imperador Tibério, e provavelmente tinha feito aí sua metrópole. Cristo não cruzou diretamente este mar interior, mas fez uma viagem costeira a outro lugar, na mesma margem. Não é tentar a Deus, quando se decide ir pela água, quando existe a conveniência para se fazer isto, mesmo àqueles lugares aos quais poderíamos ir por terra, pois Cristo nunca tentou o Senhor, seu Deus, Mateus 4.7.

2. O grupo que o acompanhou: “Grande multidão o seguia, porque via os sinais que operava sobre os enfermos”, v. 2. Observe que:

(1) Nosso Senhor Jesus, enquanto viajava fazendo o bem, vivia continuamente em meio a uma multidão, o que lhe causava mais problemas do que honra. Os homens bons e úteis não devem reclamar de uma confusão no trabalho, quando estão servindo a Deus e à sua geração. Haverá tempo suficiente para nos deleitarmos quando formos para aquele mundo onde desfrutaremos de Deus.

(2) Os milagres de Cristo atraíam a muitos que não eram, na realidade, atraídos por Ele. Eles tinham sua curiosidade satisfeita pela estranheza dos milagres, não tendo suas consciências convencidas pelo poder deles.

3. Cristo colocou-se em uma posição vantajosa para acolhê-los (v. 3): “Jesus subiu ao monte e assentou-se ali com os seus discípulos”, para que Ele fosse visto e ouvido de maneira mais conveniente pela multidão que se aglomerava ao segui-lo. Este era um púlpito natural, e não, como o de Esdras, feito propositadamente. Cristo agora era levado a ser um pregador campal, mas sua palavra nunca foi menos importante, ou menos aceitável, por causa disto, àqueles que sabiam como valorizá-la, que ainda o seguiam, não somente quando Ele se dirigia a um lugar deserto, mas quando Ele subia um monte, embora a subida desanime. Ele se assentou ali, como os professores fazem in cathedra na cadeira da instrução. Ele não se assentou descansando, nem em pompa, mas assentou-se como alguém que tem autoridade, assentou-se pronto para receber os que se dirigissem a Ele. Qualquer pessoa que assim o desejasse poderia vir, e o encontraria ali. Ele assentou-se com seus discípulos. Ele condescendeu em levá-los para assentar-se com Ele, para dar-lhes uma reputação perante o povo, e dar-lhes um sinal da glória que, em breve, desfrutariam com Ele. Está escrito que nós nos assentamos com Ele, Efésios 2.6.

4. A época em que isto aconteceu. As primeiras palavras, “depois disso”, não significam que isto aconteceu imediatamente depois daquilo que foi relatado no capítulo anterior, pois aconteceu bastante tempo depois, e estas palavras não significam nada mais que o decorrer do tempo. Mas nós lemos (v. 4) que foi quando a Páscoa estava próxima, o que é aqui registrado:

(1) Porque, talvez, isto tivesse trazido todos os apóstolos das respectivas expedições às quais tinham sido enviados como pregadores itinerantes, para que pudessem acompanhar seu Mestre a Jerusalém, para observar a festa.

(2) Porque observar a aproximação da Páscoa, trinta dias antes, com algum tipo de solenidade, era um costume observado religiosamente entre os judeus, de modo que muito tempo antes que ela estivesse próxima, eles consertavam as estradas e pontes, se houvesse oportunidade, e discursavam a respeito da Páscoa e sua instituição.

(3) Porque, talvez, a aproximação da Páscoa, quando todos sabiam que Cristo iria subir a Jerusalém, e ficaria ausente por algum tempo, tenha levado a multidão a procurá-lo mais, e a acompanhá-lo mais diligentemente. Observe que a perspectiva de perder nossas oportunidades deve nos motivar a aproveitá-las com o dobro da diligência, e, quando as ordenanças solenes se aproximarem, é bom que nos preparemos para elas, conversando sobre a Palavra de Cristo.

II – O milagre propriamente dito. Observe aqui:

1. Como Cristo percebeu a multidão que o acompanhava (v. 5): Ele levantou os olhos e viu que uma grande multidão vinha ter com Ele, pessoas pobres, humildes, comuns, sem dúvida, pois delas são feitas as multidões, especialmente neste tipo de região remota do país. Ainda assim, Cristo mostrou-se satisfeito com sua presença, e preocupado com seu bem-estar, ensinando-nos a ser condescendentes com aqueles de posição inferior, e a não colocarmos com os cães do nosso rebanho aqueles a quem Deus colocou com os cordeiros do seu. Para Cristo, as almas dos pobres são tão preciosas quanto as dos ricos, e assim devem ser para nós.

2. A pergunta que Ele fez a respeito da maneira de prover por eles. Ele dirigiu-se a Filipe, que tinha sido seu discípulo desde o início, e tinha visto todos os seus milagres, e particularmente aquele da transformação da água em vinho, e, portanto, seria de esperar que ele tivesse dito: “Senhor, se tu quiseres, será fácil para ti alimentar a todos”. Àqueles que, como Israel, foram testemunhas das obras de Cristo, e compartilharam do benefício delas, é imperdoável dizer: Poderá, porventura, preparar-nos uma mesa no deserto? Filipe era de Betsaida, em cuja vizinhança Cristo estava agora, e, portanto, ele tinha mais probabilidade de ajudá-los com a provisão a um custo menor. E provavelmente grande parte do grupo era de conhecidos seus, e ele estaria preocupado com eles. Agora Cristo perguntava: “Onde compraremos pão, para estes comerem?”

(1) Jesus dá como certo o fato de que todos devem comer com Ele. Alguém poderia pensar que depois de tê-los ensinado e curado, Ele já teria feito sua parte, e agora eles deveriam estar planejando como alimentá-lo, e aos seus discípulos, pois algumas das pessoas provavelmente eram ricas, e temos certeza de que Cristo e seus discípulos eram pobres. Mas, ainda assim, Ele se preocupa em recebê-los bem. Aqueles que desejam aceitar os dons espirituais de Cristo, em vez de pagar por eles, serão pagos por aceitá-los. Tendo alimentado suas almas com o pão da vida, Cristo alimenta seus corpos, também, com alimento conveniente, para mostrar que é o Senhor do corpo, para nos incentivar a orar pelo nosso pão de cada dia, e para nos dar um exemplo de compaixão pelos pobres, Tiago 2.15,16.

(2) Sua pergunta é: “Onde compraremos pão?” Poderíamos pensar, considerando sua pobreza, que Ele deveria ter perguntado: Onde conseguiremos dinheiro para comprar pão para eles? Mas Ele prefere dar tudo o que tem a ver que lhes falta comida. Ele irá comprar para dai; e nós devemos trabalhar, para podermos dar, Efésios 4.28.

3. O objetivo desta pergunta era experimentar a fé de Filipe, “porque ele bem sabia o que havia de fazer”, v. 6. Observe que:

(1) Nosso Senhor Jesus nunca se confunde nos seus conselhos, mas, por mais difícil que seja o caso, Ele sabe o que deve fazer, e que curso irá tomar, Atos 15.18. Ele sabe os pensamentos que pensa do seu povo (Jeremias 29.11), e nunca tem incertezas. Quando nós não sabemos, Ele mesmo sabe o que irá fazer.

(2) Quando Cristo se contenta em confundir seu povo, é somente com o objetivo de testá-los. A pergunta confundiu a Filipe, mas ainda assim Cristo a fez, para ver se ele iria dizer: “Senhor, se exerce­ res teu poder por eles, não precisaremos comprar pão”.

4. A resposta de Filipe a esta pergunta de Jesus: ‘”Duzentos dinheiros de pão não lhes bastarão’, v. 7. Mestre, é inútil falar em comprar pão para eles, pois nem a região terá tanto pão, nem nós poderemos dispor de tanto dinheiro. Pergunte a Judas, que é quem está com a bolsa”. Duzentos dinheiros, na moeda deles, são aproximadamente seis libras do nosso, e, se eles dessem todo este dinheiro de uma vez, isto acabaria com seus fundos, e os levaria à falência, e então eles mesmos passariam fome. Grotius avalia que duzentos dinheiros de pão não seriam suficientes para duas mil pessoas, mas Filipe desejava fazer o máximo que pudesse, desejava que cada um pudesse receber um pouco, e a natureza, dizemos, se contenta com pouco. Veja a fraqueza da fé de Filipe, que, nesta situação difícil, como se o Mestre da família fosse uma pessoa comum, procurou por suprimentos somente da maneira normal. Cristo poderia agora ter-lhe dito, como fez posteriormente: “Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe?” Ou, como Deus disse a Moisés, em uma situação semelhante: “Ter-se-ia encurtado a mão do Senhor?” Nós somos capazes de perder a confiança no poder de Deus quando os meios normais e visíveis fracassam, isto é, só confiamos nele se pudermos vê-lo.

5. A informação que Cristo recebeu de outro dos seus discípulos a respeito da provisão que tinham. Foi ”André”, aqui descrito como sendo “irmão de Simão Pedro”. Embora ele fosse mais antigo que Pedro no discipulado, e tivesse sido útil para trazer Pedro a Cristo, ainda assim Pedro, posteriormente, o superou tanto, que ele agora é descrito pelo seu parentesco com Pedro. Ele deu a conhecer a Cristo o que tinham disponível, e nisto podemos ver:

(1) A força do seu amor por aqueles com os quais ela via seu Mestre preocupado, pois estavam dispostos a dar tudo o que tinham, embora soubessem que eles mesmos poderiam ter necessidades, e que alguém poderia ter dito: A caridade começa em casa. Ele não procurou esconder, com o pretexto de ser um melhor administra­ dor da sua provisão do que era seu Mestre, mas honestamente informa tudo o que tinham. Aqui está um rapaz, um rapazinho, provavelmente alguém que costumava acompanhar este grupo, como os colonos fazem no campo, com provisões para vender, e os discípulos tinham reservado o que ele tinha para si mesmos, e eram “cinco pães de cevada e dois peixinhos”. Aqui:

[1] A provisão era rústica e comum. Eram pães de cevada. Canaã era uma terra de trigo (Deuteronômio 8.8). Seus habitantes normalmente se sustentavam com o trigo mais fino (Salmos 81.16), a gordura da flor do trigo (Deuteronômio 32.14), mas Cristo e seus discípulos se satisfaziam com pão de cevada. A conclusão aqui não deve ser a de que nós devamos nos prender a uma refeição tão rústica, estabelecendo-a como um padrão religioso (quando Deus traz aquilo que é mais fino às nossas mãos, devemos receber e ser gratos), mas que não devemos cobiçar manjares gostosos (Provérbios 23.3), nem murmurar se nossa alimentação estiver reduzida a refeições comuns, porém devemos ficar satisfeitos e agradecidos, sentindo-nos em paz. Pão de cevada é o que Cristo tinha, e é mais do que merecemos. Não devemos desprezar a provisão humilde dos pobres, nem considera-la com desprezo, lembrando-nos da provisão que Cristo tinha.

[2] Era pequena e insuficiente. Havia apenas cinco pães, e eles eram tão pequenos, que um rapazinho os carregava. E sabemos (2 Reis 4.42,43) que vinte pães de cevada, com outra provisão para ajudar, não alimentaram cem homens, sem um milagre. Havia apenas dois peixes, e pequenos, tão pequenos, que um deles era somente um pedacinho. Eu imagino que os peixes estivessem prontos para consumo, pois eles não fizeram fogo para condimentá-lo. A provisão de pão era pequena, e a de peixe era ainda menor, de modo que alguns entendem que eles deviam comer muitos pedaços de pão seco antes de fazerem uma refeição com esta provisão. Mas, na realidade, o Senhor multiplicou os pães e os peixes e todos comeram o quanto quiseram. O pão é alimento para a saciar nossa fome, mas sobre aqueles que murmuravam por carne está escrito: Pediram carne para satisfazerem seu apetite, Salmos 78.18. Com acerto, André desejava que o povo comesse o suficiente. Observe que um medo desconfiado de que nos falte não deve impedir que sejamos caridosos para com os outros.

(2) Veja aqui a fraqueza da fé de André, nas seguintes palavras: “‘Mas que é isso para tantos?’ Oferecer isto a uma multidão como esta é somente zombar dela”. Filipe e André não tiveram aquela verdadeira consideração sobre o poder de Cristo (do qual já tinham tido uma experiência tão grande) que poderiam ter tido. Quem alimentou o povo de Israel no deserto? Aquele que podia fazer um só homem perseguir a mil, podia fazer um pão alimentar a mil.

6. As instruções que Cristo deu aos discípulos, para que os homens se assentassem (v. 10): “‘Mandai assentar os homens’, embora não tenhais nada para colocar diante deles, confiai em mim”. Isto era como enviar a providência ao mercado, e ir às compras sem dinheiro. Assim, Cristo desejava colocar à prova a obediência dos discípulos. Observe:

(1) A mobília da sala de refeições: “Havia muita relva naquele lugar”, embora fosse um deserto. Veja como a natureza é generosa, ela faz produzir erva sobre os montes, Salmos 147.8. Esta relva não tinha sido comida pelos animais do campo, e serviu para as pessoas se sentarem. Cristo não somente dá o suficiente, porém mais do que o suficiente. Havia abundância de relva onde Cristo estava pregando. O Evangelho traz outras bênçãos consigo: “Então, a terra dará o seu fruto”, Salmos 67.6. Esta abundância de relva tornou o lugar mais confortável para aqueles que deviam se sentar no chão, e lhes serviu de almofadas, ou leitos (como eles chamavam o lugar onde se assentavam para comer, Ester 1.6). E considerando o que Cristo diz sobre a erva no campo (Mateus 6.29,30), estes leitos eram superiores aos de Assuero. A pompa da natureza é a mais gloriosa.

(2) O número de convidados: quase cinco mil, uma grande recepção, representando a do Evangelho, que é uma festa para todas as nações (Isaias 25.6), uma festa para todos aqueles que se aproximam dele.

7. A distribuição da provisão, v. 11. Observe:

(1) Foi feita com um agradecimento: Ele deu graças. Observe:

[1] Nós devemos dar graças a Deus pelo nosso alimento, pois o fato de tê-lo é uma graça, e nós o temos pela mão de Deus, e devemos recebê-lo “com ações de graças”, 1 Timóteo 4.4,5. E esta é a doçura dos nossos consolos de criaturas, que eles nos fornecerão motivo, e nos darão oportunidade, para este excelente dever de dar graças.

[2] Embora nossa provisão seja simples e insuficiente, e não tenhamos manjares refinados, ainda assim devemos dar graças a Deus pelo que temos.

(2) Ela foi distribuída a partir da mão de Cristo, passando pelas mãos dos seus discípulos, v. 11. Observe que:

(1] Todos os nossos consolos nos vêm, originalmente, da mão de Cristo. A despeito de quem quer que os traga, é Ele quem os envia. Ele os distribui àqueles que os distribuem a nós.

[2] Ao distribuir o pão da vida àqueles que o seguem, Ele se alegra em fazer uso do ministério dos seus discípulos. Eles servem à mesa de Cristo, ou melhor, administram sua casa, para dar a cada um “o sustento a seu tempo”.

(3) Foi feita para satisfação de todos. Eles não comeram apenas um pouquinho cada um, mas todos comeram “quanto queriam”, não uma porção pequena, mas uma refeição completa. E considerando o tempo que tinham jejuado, e o apetite com que se assentaram, como deve ter sido agradável esta refeição milagrosa, mais do que aquela que ser ia proporcionada por um alimento comum. Não lhes foi servido pouco alimento, uma vez que comeram o quanto quiseram, e sem custos. Cristo não economiza com aqueles a quem alimenta com o pão da vida, Salmos 81.10. Havia apenas dois peixinhos, e ainda assim eles comeram tanto quanto quiseram. Ele não reservou os peixinhos para os melhores convidados, nem dispensou os pobres com pão seco, mas os tratou a todos da mesma maneira, pois todos eram igualmente bem-vindos. Aqueles que dizem que alimentar-se de peixe é o mesmo que jejuar, desaprovam a recepção que Cristo fez aqui. Mas este foi, de fato, um banquete completo.

8. O cuidado que se tomou com o alimento que sobrou.

(1) As ordens que Cristo deu a este respeito (v. 12): “Quando estavam saciados”, e cada homem tinha em si mesmo uma testemunha da verdade do milagre, Cristo “disse aos seus discípulos”, os servos que Ele tinha empregado: “Recolhei os pedaços que sobejaram”. Observe que nós devemos sempre tomar cuidado para não desperdiçar nenhuma das boas dádivas de Deus, pois a concessão que temos delas, embora grande e abundante, tem uma condição: jamais desperdiçar algo por negligência, ou de forma deliberada. É justo que Deus nos faça faltar aquilo que nós desperdiçamos. Os judeus eram muito cuidadosos para não perder nenhum pão, nem deixá-lo cair ao chão, para ser pisoteado. Aquele que despreza o pão, cai nas profundezas da pobreza, era um ditado dos judeus. Embora Cristo pudesse ordenar provisões quando desejasse, ainda assim desejou que os pedaços que sobraram fossem reunidos. Quando estamos satisfeitos, nós devemos nos lembrar de que outros têm necessidades, e nós mesmos poderemos tê-las. Aqueles que desejam ter com que ser caridosos, devem ser econômicos. Se este alimento tivesse sido deixado sobre a relva, os animais e as aves os teriam apanhado. Mas aquilo que é adequado para ser alimento dos homens, é desperdiçado e perdido, se for atirado às criaturas brutas. Cristo não ordenou que o alimento fosse recolhido antes que todos estivessem saciados. Não devemos começar a ajuntar e acumular até que todo o alimento devido tenha sido distribuído, pois isto é reter, mais do que satisfazer. O Sr. Baxter observa aqui: “Quanto menos devemos perder a Palavra de Deus, ou seu auxílio, ou nosso tempo, ou outras misericórdias tão grandes como estas!”

(2) A obediência a esta ordem (v. 13): “Recolheram-nos, pois, e encheram doze cestos de pedaços”, o que em uma evidência, não somente da verdade do milagre (de que eles estavam alimentados, não com alimento imaginário, mas com comida verdadeira), mas da grandeza do milagre. Eles não somente ficaram saciados, mas houve alimento para isto, e ainda mais. Veja como é grande a generosidade divina. Não somente enche o cálice, mas o faz transbordar. Há pão suficiente, e de sobra, na casa do nosso Pai. As sobras encheram doze cestos, um para cada discípulo. Assim, eles eram recompensados, com juros, pela sua disposição em compartilhar o que tinham para o bem público. Veja 2 Crônicas 31.10. Os judeus tinham como uma lei, entre si, quando tivessem feito uma refeição, certificar- se de deixar sobre a mesa um pedaço de pão, no qual permanecesse um a bênção posterior à refeição, pois uma das maldições que recaem sobre o homem ímpio (Jó 20.21) é que “nada lhe sobejará para comer”.

III – Aqui está a influência que este milagre teve sobre as pessoas que tiveram seu benefício (v. 14): “Diziam: Este é, verdadeiramente, o profeta”. Observe:

1. Até mesmo os judeus comuns, com grande segurança, esperavam que o Messias viesse ao mundo, e fosse um grande profeta. Eles falam aqui da sua vinda com grande segurança. Os fariseus os desprezavam como não sendo conhecedores da lei. Mas, aparentemente, eles conheciam mais sobre Ele, que é o fim da lei, do que os fariseus.

2. Os milagres que Cristo realizou claramente demonstravam que Ele era o Messias prometido, um Mestre vindo de Deus, o grande profeta, e não poderiam deixar de convencer os espectadores maravilhados de que este era aquele que devia vir. Havia muitos que, mesmo estando convencidos de que Ele era aquele profeta que devia vir ao mundo, não recebiam cordialmente sua doutrina, pois não permaneceram nela. Existem uma incoerência e inconsistência tão infelizes entre as faculdades da alma corrupta e insatisfeita, que é possível que os homens reconheçam que Cristo é aquele profeta, e ainda assim se façam de surdos a Ele.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

O NINHO VAZIO

A síndrome do ninho vazio costuma afetar os pais quando os filhos saem de casa, mas, de fato, ela começa bem antes disso.

O ninho vazio

Qualquer problema, quando ignorado, guarda em si o terrível potencial de provocar desastres no futuro. Acrescente-se a isso toda uma sabedoria popular que, neste caso, de sábia pouco possui, a aplaudir um comportamento pra lá de disfuncional e que, a despeito disso, é tido como referência. O resultado? Uma “doença” (curiosamente também criada pelo senso comum) chamada de síndrome do ninho vazio. Apesar de não estar incluída no Manual de Transtornos Mentais (DSM- 5), a síndrome do ninho vazio parece ser bastante real e se caracteriza por um sentimento de tristeza e desânimo intensos (que podem até mesmo evoluir para um quadro depressivo) que os pais sentem quando os filhos saem de casa e vão viver suas vidas. Geralmente a síndrome costuma ser acompanhada por outros sintomas tais como distúrbios do sono, raiva, distúrbios alimentares e perda de libido, e parece atingir mais as mulheres que os homens, o que de fato não chega a surpreender, dada a figura mítica que o papel de mãe representa em nossa sociedade e que acredito estar na raiz da etiologia dessa “doença”. Vivemos em uma época de distorções na qual superestimamos nosso poder de determinar o tipo de adultos que nossos filhos se tornarão. Trata-se de uma tendência a um ambientalismo exagerado que parece desconhecer as bases genéticas da personalidade e que já foi devidamente denunciada por pesquisadores renomados, tais como Steven Pinker; mas que, nem por isso, abandona o imaginário popular. Assim, seguimos acreditando que tudo o que temos a fazer é “apertar o botão certo” para que nossos filhos se tornem adultos maravilhosos. Uma tremenda responsabilidade que (ainda) costuma recair mais sobre os ombros femininos, afinal, como todos sabem, tudo é culpa da mãe! E se tudo é culpa da mãe, cabe a ela dedicar sua vida aos filhos, a fim de que eles cresçam felizes, dignos e bem­ -sucedidos, certo? Pois é aí que os problemas começam. Pressionadas pelo mito da maternidade, e embaladas pelo delírio de um ambientalismo exacerbado na determinação da personalidade de seus filhos, muitas mulheres acabam levando essa missão às raias da loucura. Falando de uma maneira mais simples, elas simplesmente abandonam o papel de mulher para se tornarem mães. E é exatamente nesse momento, de forma sorrateira, que as bases da síndrome do ninho vazio se instalam. Dia desses, em uma sessão de coaching, perguntei a uma cliente como ela avaliava o aspecto da diversão em sua vida. Espantada com a pergunta, ela me disse que há 10 anos havia deixado de pensar sobre isso, e que pensava apenas na diversão do filho. Como clínica, vejo isso como algo desastroso. Mas o mais perverso de tudo é ver a sociedade aplaudindo esse tipo de comportamento: a renúncia de uma boa mãe! Fazendo uma analogia com fatores de risco para a saúde física, vejo isso como um severo caso de hipertensão que, se não for devidamente tratado hoje, implicará em graves riscos futuros, dentre eles a síndrome do ninho vazio. Afinal, qual seria o prognóstico de uma mãe que, depois de passar 30 anos renunciando à diversão e, é claro, a si mesma, vê seu filho (traidor) sair de casa para viver sua própria vida? Podemos imaginar que essa mãe passará então a se divertir? Certamente não. Principalmente porque, após tamanho afastamento de suas próprias necessidades, essa mulher acabará como uma pobre desconhecida de si mesma. Alguém que nem mesmo ela própria saberia como agradar. Esse é o ninho que verdadeiramente está vazio: o seu próprio ninho que ela escolheu abandonar quando entendeu, erroneamente, que esta seria a melhor forma de se tornar uma boa mãe.

A Psicologia Positiva possui uma versão positiva para vários temas considerados disfuncionais ou degenerativos, tais como o crescimento pós­ traumático (em oposição ao estresse pós-traumático) ou o succesful aging (contrapartida do simples envelhecimento). Haveria uma versão positiva para a síndrome do ninho vazio? Falaremos sobre isso na próxima oportunidade. Até lá!

 

LILIAN GRAZIANO – é psicóloga e doutora em Psicologia pela USP, com curso de extensão em Virtudes e Forças Pessoais pelo VIA Institute on Character, EUA. É professora universitária e diretora do Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento, onde oferece atendimento clínico, consultoria empresarial e cursos na área – graziano@psicologiapositiva.com.br

 

OUTROS OLHARES

O TOTALITARISMO DA ERA DIGITAL

De quem são seus dados pessoais? A quem eles pertencem? A você, ao Estado ou a alguma empresa privada?

O totalitarismo da era digital

Essa é das questões mais controversas da ética digital. Podemos reformulá-la com mais precisão da seguinte maneira: serão seus dados algo inerentemente pessoal, um bem inalienável ou uma mercadoria que pode ser comercializada?

Essa polêmica ganhou impulso na mídia quando os dados de milhões de pessoas foram derramados na internet pela Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, órgão governamental cuja existência foi mantida em segredo por vários anos. Nunca saberíamos disso se Edward Snowden, um engenheiro de software da NSA, que sofre de síndrome de Asperger, não tivesse vazado esses dados para alertar o mundo e para se vingar de seus empregadores.

Penso que desenvolver algo parecido com uma ética dos dados pessoais não faz sentido, pois todos os nossos dados já foram devassados e hackeados. Não adianta fechar a porteira depois que o cavalo escapou. O que nos resta fazer é administrar o desastre, isto é, saber como poderemos sobreviver no totalitarismo digital. Temos de aprender a conviver com notícias falsas, feitas sob medida para nos persuadir a votar em um determinado candidato nas próximas eleições. Temos de resistir ao impulso de comprar alguns produtos escolhidos especialmente para cada um de nós. As pessoas gostam de fazer compras, pois pensam que estão tomando decisões, sem saber que, de fato, suas escolhas são induzidas subliminarmente, sobretudo quando alguém dispõe de seus dados pessoais e pode prever suas tendências de consumo.

Ainda não existe nenhuma legislação internacional para regular o acesso aos dados pessoais. Temos de conviver com esse vácuo jurídico e ético. Para os governos e para as grandes corporações digitais é conveniente manter a internet uma terra de ninguém. É nela que se cultivam as fake news e outra formas de manipular opinião pública, usando os dados pessoais de milhões de pessoas. A Rússia gasta 350 bilhões de dólares por ano para manter fabricantes de fake news e hackers, que criam, todos os anos, novos vírus que ameaçam a segurança de grandes empresas. Coincidentemente, a maior empresa de proteção contra vírus corporativos é russa.

Como seria possível inibir a pirataria de dados pessoais? Pouco adianta multar grandes corporações. Há dois anos, a Volkswagen nos Estados Unidos foi multada em 25 bilhões de dólares por falsificar, deliberadamente dados sobre a poluição causada por seus novos modelos de carro a diesel. A empresa pagou a multa e continuou operando.

Da mesma forma, pouco adiantaria multar uma grande corporação digital pelo vazamento de dados pessoais. O Facebook fez isso. Vazou os dados de 90 milhões de pessoas e interferiu nas eleições presidenciais americanas de 2016, que levaram Trump ao poder. O CEO do Facebook, o arquibilionário Mark Zuckerberg, foi intimado a depor no Congresso. Em sua conversa melosa, pediu desculpas aos usuários do Facebook e declarou que isso nunca mais acontecerá. Como o governo dos Estados Unidos poderia multar o Facebook se até a polícia americana utiliza as postagens para rastrear dados de pessoas que desejam obter visto de entrada no país? O Facebook se tornou tão poderoso que pode apedrejar político e destruir lideranças em poucas horas, expondo algum segredo íntimo das autoridades públicas em nome da transparência. Quem se atreveria a confrontar esse monstro?

O uso dos dados pessoais quase sempre sem conhecimento é antiético. No entanto, a maioria dos governos atuais acredita que o processamento desses dados usando técnicas de Big Data permitirá aperfeiçoar as políticas públicas, os programas sociais e fazer previsões econômicas mais seguras, que levarão à prosperidade. Países como Singapura já falam de Big Bang Data, o uso de dados pessoais para melhorar a economia, a democracia e a participação dos cidadãos no governo.

A Estônia, um país com aproximadamente 1,3 milhão de habitantes, está se tornando a primeira república digital do planeta e se proclamou a E-stonia. A inovação é o uso obrigatório de um cartão de identidade eletrônico por todos os cidadãos estonianos. Sem esse cartão não é possível sequer acessar a internet e se conectar às plataformas de serviços públicos on-line. Quando dados pessoais como prontuários médicos ou fichas criminais são alterados ou atualizados, o portador do cartão é automaticamente alertado. É uma técnica semelhante ao blockchain.

Na Estônia os dados pessoais não são públicos; só o Estado e o portador do cartão têm acesso a eles. O Estado estoniano se redefiniu, nos últimos anos, como um grande prestador de serviços, entre eles o de ser o guardião dos dados pessoais de seus cidadãos. O uso do cartão obrigatório     permite identificar os usuários estonianos das redes sociais, pois ele é um rastro digital indelével. Não há como introduzir avatar nas redes sociais, e alguém postar fake news ou discursos de ódio, rapidamente será rastreado. Será que esse Leviatã eletrônico será bem-sucedido? Ou apenas mais uma versão do totalitarismo digital?

A privacidade não é mais um direito, um privilégio. Mas, para aqueles que não puderem pagar por esse luxo pós-moderno, pense que seria razoável leiloar, na internet, seus dados pessoais. As grandes empresas teriam de fazer lances com base no nome da pessoa e, no máximo, sua localização. Os riscos seriam menos assimétricos e a ética do informe consentido seria respeitada.

O totalitarismo da era digital.2 

JOÃO DE FERNANDES TEIXEIRA – é paulistano, formado em filosofia na USP, viveu e estudou na França, na Inglaterra e nos Estados Unidos. Escreveu mais de uma dezena de livros sobre filosofia da mente e tecnologia. Lecionou na UNESP, na UFSCar e na PUC-SP.

GESTÃO E CARREIRA

AQUELES QUE A SUA EMPRESA REPRESENTA

Encontre espaço apoiando públicos específicos e carentes de representatividade.

Aqueles que a sua empresa representa

O Brasil é o país que mata LGBT+ – Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros – no mundo.  Segundo relatório do Grupo Gay da Bahia (GGBA) os assassinatos aumentaram em 30% entre 2016 e 2017. Aumentou também, entre 2012 e 2016, a população que se declara preta do país. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número subiu 14,9%. Mesmo assim, o Atlas da Violência 2018 mostrou que os assassinatos de negros cresceram 23% enquanto os de brancos caíram 6,8%. Os dados mostram algo importante nas entrelinhas: essas pessoas precisam de representatividade – desde a luta organizada por direitos até a inclusão de mercado.

É importante considerar ainda que, mesmo a população brasileira com ensino superior sendo formada majoritariamente por mulheres, elas ainda possuem menores salários em relação aos homens. Além disso, faltam serviços e produtos focados nelas que transcendam estereótipos. Por fim, uma pesquisa do IBGE divulgada este ano mostra que o número de idosos já ultrapassa 30 milhões. As pessoas acima dos 60 anos também têm mudado seu padrão de comportamento e, consequentemente, de consumo.

O Estudo Oldiversity 2018, da Croma Solutions, aponta que 47% dos entrevistados “não têm lembrança de fatos ou conteúdos relevantes capazes de conectar marcas a causas ou questões humanas”. E tem mais: o público LGBT+ mostra-se protagonista em suas causas, além de atuar de forma mais contundente em causas de raça, longevidade e PcDs (Pessoas com Deficiência). Apresenta ainda maior expressividade em todos os indicadores, apontando que sua fidelidade a marcas Oldiverstiy© (72%) é mais significativa que a média (43%) de toda a amostra afirmam, ter uma mudança de comportamento de compra e consumo. Pessoas com deficiência são o segundo público com maior expressividade, seguidos por negros e, por fim, héteros sem deficiência”, detalha o CEO do Cromo e responsável pelo estudo, Edmar Bulia.

ONDE ESTÃO AS OPORTUNIDADES?

Há empresas de previdência como a Ciclic, fundada no final de 2017, que encontra uma boa demanda dentro desse mercado – já estruturado e com definições claras de como atuar. Além disso, com o já projetado aumento do número de idosos e diminuição de nascidos, não falta público consumidor.  A empresa mostra que diferenciais como trazer um plano complementar para a realização de sonhos a curto prazo – viagens ou festas de casamento, por exemplo-, podem ajudar a se destacar no segmento.

Bulia ressalta que há demandas claras e com grande potencial, com oportunidades não apenas de novos canais nos quais essas populações possam se expressar, mas com produtos e serviços que permitam o diálogo e supram necessidades específicas, incluindo no plano de negócios uma estratégia de comunicação aderente à realidade. E para entender o que seu público precisa, nada melhor do que sentir o que ele sente. Nesse contexto, vale lembrar que os empreendimentos ainda são restritos quanto à contratação dos colaboradores, sem julgar gênero ou cor.

Uma pesquisa de 2016 do Instituto Ethos com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), mostrou que, entre as 500 maiores empresas do País, mulheres ocupavam somente 13,6% dos altos cargos, enquanto apenas 6,3% dos gerentes e 4,7% dos executivos eram negros. Quando o comportamento humano é tomado como protagonista de um negócio, todos os benefícios florescem.  A recomendação e a recompra talvez sejam os melhores indicadores de um novo negócio focado 100% em necessidades”, completa Edmar Bulla, destacando que 72% dos participantes de sua pesquisa não acreditam na autenticidade das marcas quando falam sobre o tema.

COMO EU ME PREPARO?

Em 2017, a campanha “Viajar Quebra Preconceitos”, de uma marca de carros, tentava romper com estereótipos, mas acabou reforçando preconceitos como “baianos são lentos. Outra ação, que utilizava o papel higiênico na cor preta enrolado ao corpo de uma atriz branca, usou a expressão “Black is Beautiful” – frase do movimento cultural afro-americano da década de 1960, o que fez parecer uma apropriação indevida. “Lugar de discurso é aquele em que você tem experiência, vivenciou contextualizações que fazem com que tenha propriedade no discurso. Sou psicólogo de pessoas em situação de rua. Não sou viciado em drogas, mas tenho contato aprofundado com as pessoas que vivem essa realidade, então sei quais são os efeitos e prejuízos. O maior desafio é se apropriar de um discurso que, além de não ser o seu, você não teve contato.  “Texto sem contexto, é pretexto”, explica o psicólogo e músico Lucas Adon.

Ele completa que uma marca precisa estar atenta ao tomar para si coisas destoantes do público a que ela atende ou à própria história da empresa, seja na hora de escolher uma causa para abraçar ou na maneira de comunicar o produto.

O Lady Driver é um exemplo de quem fez certo. O aplicativo que serve como um Uber apenas com motoristas e passageiras mulheres, completou um ano com 18 mil motoristas cadastradas e 210 mil downloads em São Paulo, Guarulhos e Rio de Janeiro. “Sofri assédio e foi muito mim. Então, iniciei o projeto em 2016. Fiquei quase um ano entre desenvolver o aplicativo e conseguir a legalização da empresa na prefeitura. Começamos com 1.800 motoristas. Hoje, o número de corridas aumentou, cerca de 100%, de um mês para o outro conta a empresária Gabryella Correa.

Sabendo ainda que as mulheres que dirigem Uber ganham 7% a menos que os homens, segundo pesquisa da Universidade de Stanford, ela faz questão de promover incentivos que paguem melhor a elas. “Não adianta as empresas passarem uma imagem (com discursos, propagandas) e serem totalmente diferentes na prática”, acrescenta.

Já o Afrobusiness, criado em 2015, é voltado à inserção da população preta no mercado de trabalho, especialmente no comércio eletrônico, logística, contabilidade, finanças, gestão do tempo e outros. Hoje, já são mais de mil pessoas capacitadas. “O mercado está propício para atender a demandas represadas. e o público negro tem muita. Se pensarmos que há dez anos não existia a variedade de produtos para cabelos afro e cacheados, já dá para ver o potencial deste mercado. Os empreendedores negros têm todos os desafios de quem empreende; mais os ocasionados pelo racismo. Existem pesquisas, por exemplo, que mostram que eles têm o crédito negado três vezes mais do que um empreendedor branco, destaca a cofundadora, Fernanda Leôncio.

Nesse cenário, a Feira Preta é case desde 2002.”Queria trabalhar com dois segmentos: atuar em todas as linguagens artísticas, produção, valorização e disseminação da cultura; e reunir empreendedores voltados para uma segmentação com uma estética negra, como roupas, acessórios, maquiagens, objetos de decoração, livros, peças de artes, conta a empreendedora social Adriana Barbosa.

O próximo passo foi mapear informações, coletar expositores, e colocar a mão na massa. Pouco tempo depois, já havia patrocínio da Unilever, Kaiser, Red Bull e da Prefeitura de São Paulo. “Ela é gerida pelo Instituto Feira Preta, uma plataforma que há 16 anos fortalece a cultura negra no Brasil. A feira Preta reuniu mais de 150 mil pessoas em 16 edições, promovendo a circulação de mais de R$4,5 milhões, destaca.

SIMPATIZAR X REPRESENTAR

O simpatizante apoia a causa. O representante está contextualizado no meio – seja por vivenciar, sentir ou por produzir sentido. Nesse contexto, a Absolut criou uma campanha focada no público LGBT+ incluindo, entre outras ações, um clipe com Lino da Quebrada e As Bahias e a Cozinha Mineira. “A ligação de Absolut com esse público não vem de hoje. Globalmente, apoiamos públicos minoritários para dar visibilidade a temáticas sociais. A partir disso, “criamos a Absolut Art Resistance”, apoiando artistas que usam a arte como uma ferramenta de resistência cultural para estimular o debate do tema na sociedade”, conta a Brand Manager Absolut & Absolut Elyx, Patrícia Graicar.

A profissional destaca que um dos desafios previstos eram os haters, que foram poucos. “Recebemos o apoio dos consumidores, que abraçaram a causa. A campanha nos trouxe uma combinação perfeita entre visão social e negócios”, completa Patrícia, reforçando a necessidade de consistência no discurso ao longo do tempo.

Laís Carneiro trabalha com audio­visual e aproveitou uma brecha para apoiar um discurso parecido. “O cantor João Bernardo me convidou para dirigir o clipe de “Hoje Só Volto Amanhã. É uma música de amor, e percebi que o eu lírico não tinha gênero. Resolvi sair do lugar-comum e trouxe duas atrizes trans que compõem respectivamente um casal heterossexual e um casal lésbico, junto a uma atriz e um ator cis. O mais interessante é que a música em si não traz um discurso, mas a gente trouxe por essa escolha, explica.

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