PSICOLOGIA ANALÍTICA

PINTINHOS E HUMANOS PENSAM OS NÚMEROS DA MESMA FORMA

Assim como as crianças, filhotes de galinha parecem ter preferência inata por algarismos menores à esquerda e maiores à direita.

Pintinhos e humanos pensam os números da mesma forma

Pense em um número. Agora imagine um maior. Tente visualizar os dois na sua frente. Se você enxerga o menor do lado esquerdo, apenas confirma um dado encontrado frequentemente: tendemos a posicionar números no espaço da esquerda para a direita. Cada vez mais evidências, incluindo pesquisas com bebês lactentes pré-verbais, sugerem que nascemos com essa tendência que pode ser facilmente influenciada pela cultura e alterada. O curioso é que um estudo publicado há alguns meses pela Science, por uma equipe de pesquisadores da Universidade de Trento, na Itália, mostra que bebês de uma espécie completamente diferente também preferem colocar os algarismos maiores nessa ordem. Os cientistas treinaram pintinhos de três dias de vida para andar em torno de um painel em busca de alimento. Num primeiro momento, alguns filhotes aprenderam a encontrar comida atrás de uma divisão em que havia cinco pontos desenhados. Em seguida, os cientistas, coordenados pela psicóloga cognitiva Rosa Rugani, substituíram o painel por outros dois. Quando essas novas separações mostravam duas marcações cada uma, os bichos caminhavam inicialmente para a marca da esquerda em 70% das vezes. Quando os painéis exibiam oito, os pintinhos tendiam a escolher o número da direita, como se tivessem certa preferência pela disposição numérica. Os pesquisadores repetiram então o experimento com outros filhotes que foram treinados com divisões exibindo 20 pontos e testados com marcação de oito ou 32. Surpreendentemente, em ambos os ensaios, os animais viraram à esquerda para os números pequenos e à direita para os grandes. Os cientistas escolheram como menor o oito em um contexto e maior no outro para mostrar que o efeito depende de quantidades relativas, e não de qualquer preferência absoluta por algum número. Os resultados confirmam fortemente a ideia de que essa predisposição é inata. A pesquisa indica, porém, que essa preferência pode ser facilmente modificada pela experiência; por isso, é bem provável que substitui-la não represente muita dificuldade para cérebros jovens numa cultura que escreve nesse sentido. Falantes de árabe, por exemplo, mostram tendência espacial inversa. Outros povos que escrevem da direita para a esquerda e os dígitos na outra direção, como em hebraico, não mostram nenhuma predileção particular. Os autores do estudo sugerem que esses resultados estão relacionados com o fato de que cérebros não são simétricos. O hemisfério direito domina o processamento visuoespacial, levando a uma preferência para o lado esquerdo do espaço para comandar a atenção – o que talvez explique por que tendemos a pensar nos “primeiros” números nessa direção enquanto contamos. O esquema espacial pode surgir também de um mapa físico dos algarismos no cérebro, algo encontrado em humanos no córtex parietal posterior direito, mas ainda não observado em animais.

 Pintinhos e humanos pensam os números da mesma forma.2

GEOMETRIA E ATENÇÃO AOS SENTIMENTOS DOS OUTROS

A lista de habilidades cognitivas das galinhas continua crescendo com cada nova descoberta científica. O neurocientista Giorgio Vallortigara, da Universidade de Trento, na Itália, mostrou que pintos jovens têm a capacidade de distinguir números e utilizar noções de geometria. Quando apresentados a um triângulo, por exemplo, eles identificam qual deve ser a forma do desenho final com todas as suas partes. Outra pesquisa desenvolvida pela cientista Joanne Edgar, da Universidade de Bristol, na Inglaterra, revelou que, assim como os humanos, essas aves são capazes de sentir empatia. No experimento, galinhas mães observavam enquanto seus pintinhos recebiam um inofensivo sopro de ar que fazia esvoaçar sua plumagem macia. Os filhotes perceberam o sopro como ameaça e manifestaram sinais clássicos de estresse, como o aumento da frequência cardíaca e queda de temperatura. Curiosamente, suas mães ficaram perturbadas ao observar a reação dos pintinhos, emitiram mais cacarejos e apresentaram os mesmos sinais de estresse que os filhotes, embora elas mesmas não tivessem recebido o sopro de ar e os filhotes não estivessem em perigo evidente. Essas descobertas indicam que galinhas conseguem se colocar na posição de outros da sua espécie, uma capacidade previamente observada apenas em um pequeno número de animais, a maioria mamíferos e, claro, humanos.

OUTROS OLHARES

O ERRO DE LOUVAR O GORDO

A “gordofobia” é abjeta e execrável, mas o seu contrário, a “gordofilia”, ou glorificação da obesidade, é, além de obtuso, perigoso: desconsidera que a obesidade é uma doença.

O erro de louvar o gordo

Enquanto escrevia este texto, o Ministério da Saúde divulgou uma notícia boa: a prevalência da obesidade no Brasil parece ter se estabilizado de 2015 a 2017. Infelizmente, ela continua alta, mas talvez esse platô prenuncie o início de uma queda. O fato de eu achar essa notícia boa pode, no entanto, ser fonte de polêmica –  o que tem ressonância no tema deste artigo. Será que é “gordofobia” querer que a obesidade no país diminua? A gordofobia refere-se a um sentimento de raiva – ou asco ou desprezo – diante de uma pessoa unicamente pelo fato de ela ser obesa. É considerado obeso todo indivíduo com índice de massa corporal (IMC) igual ou acima de 30. Esse sentimento impede qualquer possibilidade de aproximação, contato e empatia entre observador e observado, preenchendo as lacunas referentes ao que a pessoa é (além de obesa) com ideias e certezas negativas preconcebidas, independentes da realidade, que passa a ser secundária.

A gordofobia é, portanto, parente do racismo e da homofobia, para citar só dois exemplos (e, aqui, um lembrete: a gordofobia não tem relação com transtornos fóbicos específicos). Existe há muito tempo (nem sempre com esse nome) e pode aparecer em todas as idades. Não só as pessoas obesas se sentem ofendidas e enojadas com a gordofobia. Ela é mesmo desprezível, agressiva, geradora de bullying e stress em todas as faixas etárias (e, às vezes, transtornos mentais e mesmo suicídios), além de inútil.

Esclareço o último ponto com um exercício de raciocínio, que não é uma sugestão de conduta: se a gordofobia fosse capaz de produzir mudanças saudáveis na vida de um indivíduo, haveria uma tênue linha de defesa a ela – desde que a pessoa obesa autorizasse atitudes gordofóbicas. Seria algo remotamente parecido com fazer uso de um tratamento médico agressivo que, apesar dos bons resultados, causa graves efeitos adversos. Bem, a gordofobia não tem essa utilidade. Nem desse ponto de vista imaginário e utilitário ela é defensável

Mas há outro neologismo perigoso em voga, a “gordofilia” –  em certo sentido, oposto à gordofobia (o sufixo “filia” exprime a noção de afeição, gosto ou preferência). Digo “perigoso” porque observo que ela vem ganhando contornos de defesa ideológica da manutenção da obesidade. Alguns grupos a equiparam com situações não patológicas como, por exemplo, a orientação sexual, etnia ou religião de um indivíduo. Não há dúvida de que a gordofobia causa sofrimento similar ao provocado por outras discriminações, mas isso não anula o fato de que a obesidade é uma doença.

A gordofobia é abjeta, deve ser repudiada e combatida. Mas achar alguém bacana só por ser obeso é tão obtuso quanto o oposto (avalio você principalmente pelo seu teor de gordura corporal: se ele for alto, você é legal; se for baixo, não. É o mesmo tipo de raciocínio da gordofobia, só que ao contrário.

Como disse, a gordofilia pode ser igualmente perigosa.

Repito: a obesidade é considerada doença. Sozinha, ela já se associa à morte precoce, à má qualidade de vida e a uma lista imensa de enfermidades físicas (além de vários transtornos mentais): diabetes, hipercolesterolemia, alguns cânceres, alterações cardiológicas (incluindo hipertensão e infartos), articulares, cerebrais (demência, AVCs) etc. Essas doenças não são consequência de estigma social: se a gordofobia acabasse hoje, elas continuariam lá. Mesmo assim, todos nós já ouvimos que uma pessoa obesa pode ser saudável. Isso é só meia verdade. Qual a chance de alguém ser assim? Estudos apontam estimativas variadas, de 2% a 40%, sendo esta a situação mais frequente em mulheres e em jovens.

Outra questão: esse estado costuma ser passageiro. Para a maioria dos obesos “saudáveis”, na saúde evanesce com o tempo. Com a maturidade, as doenças aqui relacionadas começam a aparecer. É mais ou menos como o uso de tabaco: seus efeitos pioram quanto maiores o tempo de exposição e a dose.

Existem algumas possíveis causas para o surgimento da gordofilia. Vou citar seis.

Confunde-se defender a obesidade com defender o obeso (como na gordofilia), assim como atacar a obesidade com atacar o obeso (como na gordofobia).

O padrão estético há muitas décadas é o da magreza. A maioria das pessoas acha bonito, desejável, saudável e sinal de sucesso ser magro. Isso pode oprimir quem não é.

Há uma sensação de que, por ser obeso, o indivíduo é condenado à pena de máxima exclusão por um júri kafkiano que permeia a sociedade. Essa sensação pode levar a outra: quando inserida num grupo gordofílico, a pessoa pode experimentar uma sensação muito prazerosa de pertencimento, ainda mais se se sentia excluída antes.

Alguns profissionais de saúde ainda culpam o obeso por fracassos terapêuticos (isso, felizmente, tem diminuído). Não vou me estender sobreo assunto, mas já faz tempo que se sabe que isso é uma bobagem.

Os tratamentos para a obesidade cientificamente comprovados têm resultados muito úteis para a saúde, mas modestos em termos de perda de peso (com exceção do cirúrgico, com resultados mais expressivos.) Por outro lado, há uma multifacetada oferta de tratamentos “milagrosos”, com roupagem cientifica ou não, ineficazes ou perigosos, que minam a seriedade com a qual o problema deve ser abordado.

A gordofobia provoca reações justificadamente acaloradas, e a gordofilia talvez seja uma delas. Mas, na área de saúde, reações acaloradas raramente geram condutas adequadas.

Veja, as pessoas têm liberdade de escolher o que farão com sua obesidade – e entre as alternativas disponíveis está até mesmo não tratar dela. O tratamento é apenas o meio para tentar atingir um objetivo desejado ou necessário. Faz quem precisa e quer. Não faz quem não quer (mesmo sendo uma decisão errada). Querer manter-se obeso é direito individual inalienável. Agora, impor isso como regra moral tácita ou explícita é um erro perigoso. A gordofilia pode tornar uma pessoa mais exposta a problemas que nenhum grupo gordofílico será capaz de solucionar. Repetindo: a obesidade é uma doença com vários níveis de gravidade. Ela causa outras doenças ou está associada a diversas delas. Piora tanto a qualidade quanto a expectativa de vida. E os tratamentos médicos não têm como objetivo principal adequar o paciente à norma estética.

Creio que a divulgação do conhecimento científico é um recurso mais efetivo contra a gordofobia do que posturas inflamadas. Ninguém deve tomar a decisão sobre tratar-se ou não com base na repugnante gordofobia nem estimulado pela gordofilia, às vezes bem-intencionada, mas ainda assim cúmplice da primeira. Em nenhuma situação elas serão boas conselheiras.

 

ADRIANO SEGAL – é diretor de psiquiatria e transtornos alimentares da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) e responsável pela área de psiquiatria do Centro de Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

GESTÃO E CARREIRA

SÍNDROME DE BOREOUT E A APATIA NO TRABALHO

A motivação do trabalhador é um tema de grande complexidade e a compreensão do seu funcionamento é um imenso desafio para empresas de pequeno a grande porte, assim como para suas lideranças.

Síndrome de boreout e a apatia no trabalho

O sentido que os trabalhadores atribuem aos seus trabalhos é amplamente estudado por diferentes disciplinas e múltiplas perspectivas teóricas. Através do trabalho, o ser humano transforma seu meio e é transformado, em função dos direitos, deveres, da importância que o trabalho tem para o indivíduo e os resultados valorizados por ele.

Dessa forma, podemos afirmar que, na atualidade, o trabalho não é somente uma forma de obter renda, mas uma atividade que proporciona desenvolvimento e realização pessoal. Através do trabalho, os indivíduos estabelecem e mantêm contatos pessoais, status social, vínculos afetivos, ocupação do tempo, propósito pessoal, dentre outros.

Quando tratamos de estudar a motivação do ser humano na esfera do trabalho podemos perceber o quanto as áreas de Administração de Empresas e de Psicologia podem, juntas, oferecer respostas às perguntas acerca do comportamento humano em um ambiente de trabalho, dos desafios enfrentados, da superação (ou não) das limitações existentes e da capacidade de resiliência.

A motivação do trabalhador é um assunto de extrema complexidade, e o entendimento do seu funcionamento, um grande desafio para empresas de pequeno a grande porte, bem como para suas lideranças. É possível motivar sua equipe? Motivação não é intrínseca? O que motiva o trabalhador? Como explorar positivamente esse recurso a fim de tornar os trabalhadores mais satisfeitos e, em consequência, mais produtivos? O senso comum nos orienta que chegar a esse resultado não depende obrigatoriamente de quem motiva e nem de quem é motivado, mas sim da associação de outros fatores.

Responder a essas perguntas no intuito de motivar equipes de trabalho passou a ser pauta de reuniões estratégicas quando se constatou que um funcionário motivado aumenta sua produtividade e gera mais ganhos à empresa. Em contrapartida, tornou-se uma preocupação quando gestores perceberam o tamanho do impacto negativo que alguém desmotivado no ambiente de trabalho pode gerar nos resultados, na sua equipe e em seus clientes.

Em 1975, Freudenberger descreve a síndrome de Burnout, na qual o esgotamento profissional, suas causas e efeitos do estresse laboral acarretam prejuízos financeiros, humanos e sociais, incapacitando trabalhadores. A síndrome acomete principalmente os que atuam em profissões caracterizadas pela intensa relação interpessoal, com alto nível de abnegação e entrega. Maslach e Jackson (1981) relacionaram algumas funções clássicas acometidas pela síndrome, como policiais militares, professores, médicos e enfermeiros. Mas não se restringe a estas.

Empresas e instituições têm lançado programas internos de saúde ocupacional na expectativa de mitigar o impacto negativo que a síndrome de Burnout causa na sua folha de pagamento, nos seus índices de absenteísmo, afastamentos, aposentadorias precoces, atestados, erros e processos trabalhistas. Sim, a saúde mental do trabalhador é um assunto que entrou na pauta dos gestores e não tem data prevista para sair.

Por outro lado, surge o Boreout, identificado por Rothlin e Werder, síndrome na qual funcionários frustrados não conseguem encontrar tarefas que gostem ou se sentem desenquadrados em suas empresas, subvalorizam aquilo que executam, muitas vezes por achar as suas atividades monótonas e pouco desafiadoras. São profissionais que atuam mal e vagarosamente, apresentando resultados de baixo desempenho, frequentemente usando seu tempo durante o expediente para assuntos pessoais (sempre de forma discreta para garantir seu status quo, temendo ser identificado e perder a estabilidade de seu emprego, embora deteste as tarefas a serem desempenhadas). Trabalhadores com Boreout, quando possível, se camuflam em reuniões intermináveis e em comissões que o mantêm longe de suas atividades originais, pois preferem atuar dentro das tarefas desenhadas sem metas e sem resultados claros ou mensuráveis.

Em uma visão otimista, podemos perceber que para o estresse ocupacional ou Burnout, empresas e lideranças têm mostrado alguma capacidade de organização de reação. No entanto, o mesmo não se aplica quando o assunto é o Boreout.

O aspecto possivelmente mais assustador para as atuais lideranças do mercado é que o modelo de liderança tradicional, calcado numa visão materialista das pessoas e das organizações e em modelos de gestão de comando e controle, já não atende mais às demandas dos seres humanos que atuam nas organizações.

COMPARAÇÃO

As empresas são comparadas aos seres humanos e o conceito de empresa orgânica ou viva, que aprende e reage aos impulsos do ambiente, acentua a rapidez das mudanças, o avanço da tecnologia e da ciência e a autoconsciência das pessoas aumenta. Os novos paradigmas da liderança consideram, além dos aspectos materiais, os aspectos psíquicos, sociais e espirituais. Sim, compreender os aspectos espirituais nas corporações também é assunto da gestão moderna.

Os valores morais e éticos, a capacidade de sentir empatia, o respeito e o acolhimento são atributos humanos e humanizadores das relações e compõem perfis de pessoas religiosas e não religiosas, na busca por uma sociedade equitativa.

Estabilizadas as necessidades básicas e vitais do ser humano (acesso a alimento, vestimenta, saúde, moradia e segurança), uma boa parte dos seres humanos concentra seus esforços na busca da satisfação das necessidades fundamentais relacionadas aos afetos e à autorrealização, que culminam na felicidade. Há um importante componente ético e cognitivo na felicidade, nossos valores e crenças fazem muita diferença na forma como percebemos e como atribuímos sentido a nossa existência – que pode ser extremamente gratificante mesmo em meio a adversidades.

“O colaborador com Boreout determina o tempo que o processo deve levar, conforme seu interesse e motivação em ‘ganhar’ tempos livres durante a sua jornada. Por não existir nenhuma forma de mensuração e haver autonomia na execução, o próprio colaborador comunica o tempo de entrega, seu rendimento e produtividade, que raramente é comparada a um padrão ou cuja eficiência seja discutida”.

Com o desenvolvimento da auto­ consciência e a felicidade como meta pessoal, precisamos ajustar – com certa agilidade – a forma como fazemos gestão das pessoas nas empresas. Mais que empregos, precisaremos – se quisermos reter talentos e desenvolver pessoas (e com e por isso reduzir custos, melhorar nossos serviços e produtos) – apoiá-las a encontrar sua felicidade, despertando sua motivação e seu propósito no trabalho.

Percebe-se claramente que ter um propósito (ou a ausência dele), a existência de um senso de contribuição, de um significado, do pertencimento que fundamenta aquilo que a pessoa faz (ou deveria fazer) cria engajamento ou, quando inexistem, um enorme aborrecimento profissional.

A CHAVE

Talvez esteja aí a chave da recuperação desse tipo de profissional acometido pelo Boreout e uma ferramenta para aumento de engajamento nas mãos da liderança: quando a organização e o indivíduo se alinham em suas identidades e valores, cria-se um propósito comum, que cria um nível superior de engajamento. Ou seja, criamos e aprendemos mais quando somos desafiados, nos sentimos motivados, confiantes e nos sentimos parte de uma comunidade de interesse.

O processo de aprendizagem e engajamento está intimamente ligado ao estado emocional do aprendiz. Quando temos pessoas em constante aprendizagem, temos empresas que aprendem.

Senge, sugere que a aprendizagem organizacional é um processo no qual os membros da empresa aprendem a identificar erros na medida em que vão ganhando novos conhecimentos e ainda afirma: “A vantagem competitiva de uma organização não está mais em quanto suas pessoas sabem, e sim na capacidade de quanto essas pessoas aprendem”.

Sem dúvida, trabalhos sem desafios, sem metas, sem um processo formal da liderança de dar e receber feedback para estruturar resultados e alinhar o desempenho sobre suas tarefas pode em algum momento parar de fazer sentido para o colaborador e aos poucos se tornar monótono, previsível e mecânico.

Segundo Zull, o cérebro humano evolui a partir da “jornada cérebro-mente” e não o contrário. O autor ainda classifica essa jornada em diversas etapas: explorar, agir, descobrir, emocionar, imitar, perceber, imaginar, comunicar, criar, planejar, gerenciar e transformar.

Guillazo, Redotar e Torras afirmam que os nossos pensamentos influenciam nossas emoções e as emoções movimentam nosso comportamento. Assim podemos começar a compreender o vazio existente para o colaborador acometido pelo Boreout: o cinismo existente por se manter aparentemente ocupado, sobrevivendo a mais um dia de trabalho, todos os dias. E obviamente entregando para a organização um potencial medíocre em termos de produtividade.

PREVENÇÃO

Líderes que conseguem eliminar da gestão a centralização do poder, o individualismo e o imediatismo podem atuar positivamente e preventivamente em relação a funcionários com Boreout.

A centralização do poder no líder se revela um fator desmotivador mesmo para os profissionais mais engajados, visto que trabalhar em um ambiente em que não se desenvolve a autonomia, não se assume responsabilidades e em consequência não existe reconhecimento pelas iniciativas empobrece os afetos e desqualifica a capacidade mental do trabalhador, contribuindo para os estados de desânimo do Boreaut.

A gestão individualista afeta o desempenho, pois isola o trabalhador e não promove o compartilhamento dos saberes e a troca de experiências. Em uma sociedade com uma oferta de informações acima da nossa capacidade individual de absorção, usar como ponto de referência somente o próprio conhecimento ou perspectiva de com­ preensão é um comportamento condenado ao insucesso.

E, por fim, o imediatismo que acomete muitos trabalhadores, quando se trata de suas carreiras, precisa ser identificado e tratado. A cada dia são mais comuns relatos de iniciantes que questionam quando serão promovidos – incluindo a cargos de liderança. Há uma cultura de ascensão profissional em um ritmo mais acelerado do que muitas empresas estão prontas a praticar e, se essas expectativas não forem devidamente alinhadas, as chances de desmotivação e queda do desempenho durante as fases iniciais da carreira são imensas.

Ouvimos muito que as novas gerações que entram no mercado de trabalho parecem pouco engajadas, imediatistas e desejam um rápido desenvolvimento. Caso contrário não têm a perseverança e maturidade necessárias para aguardar de forma espontânea as “coisas acontecerem”. Precisam estar constantemente movidas por desafios. Na realidade, os cérebros jovens de hoje têm a mesma estrutura funcional e a tal da jornada (cérebro-mente) dos cérebros jovens de ontem. A diferença é que experienciam diferentes estímulos e desafios (sociais e tecnológicos).

Criamos e aprendemos mais quando somos desafiados, nos sentimos motivados, confiantes e podemos questionar os “porquês” e não somente os “comos”. Para isso precisamos de líderes que consigam perceber a maturidade do liderado sobre seu desempenho como um dos pontos de atenção para a sua motivação na realização de uma determinada tarefa e para envolvê-lo na busca por seu desenvolvimento e crescimento.

As atividades podem ser realizadas e administradas de forma mais horizontal, mais flexível e moderna. Os trabalhadores podem questionar, opinar, contribuir e realizar – quando o gestor atua de forma consciente e intencional na promoção dessa cultura de engajamento.

 MATÉRIA- PRIMA

O ser humano é a principal matéria­ prima no mundo dos negócios e as peculiaridades de cada um nos aspectos do significado de seu trabalho podem trazer implicações em seu desempenho profissional e em seu relacionamento com os demais profissionais.

Esse é um desafio para nosso mundo do trabalho de hoje. Nesse ainda início de século XXI, cinco gerações diferentes podem coexistir em um mesmo ambiente de trabalho, contribuindo umas com as outras e todas em benefício da empresa.

Zull ainda nos chama a atenção que as gerações X (1961- 1980), os Milênios (Milleniuns), também conhecidos como a Geração Y (1981-1995), e a Geração Z (a partir de 1995) têm o mesmo cérebro, mas diferentes estímulos. Todos podem ficar aborrecidos ou engajados com as tarefas que resultam de sua atividade profissional. E todos, à sua maneira, podem estar aborrecidos em desempenhar o trabalho. Uma liderança atuante deve obrigatoriamente perceber essas mudanças no mundo do trabalho e atuar sobre elas – caso contrário, poderá ele ser o gerador das frustrações por exigir resultados sem perceber o entendimento daqueles que executam e o contexto existente na organização, que pode não ser visível sem um esforço da liderança nessa direção.

A questão é que um grupo de trabalho acessível pelo smartphone é muito mais estimulante e eficiente para gerar a comunicação entre turnos ou colegas de trabalho do que uma reunião a que as pessoas estão indo sem saber o propósito dela.

Uma plataforma que consiga apresentar meus resultados de forma corporativa aos meus contratantes pode ser mais estimulante do que prestar contas no modelo formal. As lideranças devem reagir proativamente e se apropriar de forma a conseguir avaliar produtividade de maneira que as pessoas estejam em um ambiente arrojado e “livres” para oferecer um desempenho superior. Ou seja, o repertório de um líder deve ter em sua composição atributos para oferecer estímulos diferentes, conforme a situação exigir, e ter em seu radar os sintomas do Boreout antes que ele já tenha dominado toda a equipe. Ou seja, criar um espaço para que cada um, dentro da crença sobre a sua própria capacidade em eleger e usar o melhor método para resolver uma tarefa, tenha condições de implementá-la. Claro que derivado de orçamentos, protocolos e processos preestabelecidos – mas seguramente existe uma margem enorme de criação e do uso do talento individual em qualquer tarefa, por mais operacional que seja a execução dessa atividade.

Ou seja, estamos falando tanto do CEO da organização como do auxiliar de higiene e, principalmente, dos executivos da média gerência.

CONTROLE

Segundo Malone, os adultos, em especial, precisam sentir que têm um certo grau de controle quanto ao seu aprendizado. Eles precisam perceber que o sucesso é resultado de seu esforço. Isso vale para a aprendizagem em sala de aula, já com métodos e técnicas consagrados, e precisa ser compreendido para que seja utilizado no mundo do trabalho. É parte da recuperação de colaboradores com Boreout, que atuam sem metas e que não têm a sensação de que sua tarefa afeta os resultados da organização.

Muitos pensadores e autores, ao longo desse e do último século, contribuíram e ofereceram melhor entendimento do ser humano, a ponto de elaborarem técnicas genéricas de como motivar o indivíduo na direção de metas e objetivos. Muitos autores nos mostraram que é impossível mutilar o ser humano e tentar excluir todos as outras dimensões (pessoais e familiares) para que no ambiente de trabalho a pessoa esteja “limpa” de qualquer interferência do meio externo, ainda que em pleno século XXI algum líder irá despejar por cima de seus colaboradores: “Deixe os seus problemas da porta da empresa para fora”. A motivação atinge todos os níveis de uma pessoa, desde seu comportamento em família, ou em sua profissão ou mesmo em seus momentos de lazer.

Muitas teorias que funcionaram e fundamentaram o aumento de produtividade no século XX tiveram que ser repensadas à medida que o mundo do trabalho evoluía e se moldava, recebendo estímulos de todas as outras perspectivas. Nossas lideranças nas empresas de hoje devem buscar novas respostas, compreendendo os desafios dos tempos atuais. Claro que não iremos descartar tudo que nos trouxe até aqui, algumas linhas de pensa­ mento sobreviverão a qualquer tempo e aos bombardeios tecnológicos dos nossos tempos. Existirão sempre novas formas de motivação e novas formas de aborrecimento.

 Síndrome de boreout e a apatia no trabalho.2 

DISTANCIAMENTO

O Boreout é resultado de um distanciamento do colaborador do trabalho, por não ver mais sentido naquela ocupação, ou, às vezes, pode acontecer por se sentir “superqualificado” para aquelas tarefas, ou por não se identificar com aquilo que a empresa desenvolve ou produz – em suas metas e visões corporativas. Pode também se sentir pouco valorizado pelo baixo salário que recebe, quando comparado com o potencial que imagina ter, se frustrando por ter que se submeter a atividades tão pouco desafiadoras.

Síndrome de boreout e a apatia no trabalho.3

SINTOMAS

A sensação do Burnout é de esgotamento físico e emocional. que se reflete em atitudes negativas. como agressividade, isolamento, irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória, ansiedade, depressão, pessimismo, baixa autoestima. Dor de cabeça, enxaqueca, cansaço, sudorese, palpitação, pressão alta, dores musculares, insônia, crises de asma, distúrbios gastrintestinais são manifestações físicas que podem estar associadas à síndrome.

 Síndrome de boreout e a apatia no trabalho.4 

PARCERIA EMPRESA-COLABORADOR

Missão, visão e valores devem ser incorporados na relação empresa- colaborador. As pessoas só se desenvolvem se a empresa também se desenvolver e vice-versa. Um dos passos iniciais no desenvolvimento da empresa é que a sua identidade esteja publicada e incorporada à cultura organizacional. Missão, visão e valores não são um conjunto de belas palavras emolduradas, adornando uma sala de reuniões ou o site da organização. Eles devem ser conceitos “vivos”, que permeiam as relações entre setores e pessoas, que norteiam estratégias e condutas e, portanto, podem criar vínculo de compatibilidade com seus empregados e propósitos.

  

MARCELO BOEGER – é administrador de empresas, mestre em Planejamento Ambiental pela Universidade Ibero americana e mestre em Gestão da Hospitalidade pela Universidade Anhembi Morumbi. Coordenador e professor do curso de especialização do Hospital Albert Einstein e professor convidado nos cursos de MBA em Gestão da Saúde e MBA em Infecção Hospitalar (Inesp). Autor de diversos livros na área de saúde. entre eles, coautor de Liderança em Cinco Atos.

RITA DE CÁSSIA CALEGARI – é psicóloga, especialista em Psicologia da Saúde (PUC-SP), mestre em Ciências pela Escola de Enfermagem da USP (SP) e coordenadora psicossocial corporativa dos Hospitais São Camilo de São Paulo.

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 5: 17-30 – PARTE II

Alimento diário

A Discussão de Cristo com os Judeus. Todo julgamento foi entregue a Cristo. O Privilégio Cristão

1. Naquilo que Ele comunicará. Ele lhe mostrará, isto é, o designará e orientará a fazer obras mais notáveis do que estas.

(1) Obras de maior poder do que a cura do homem incapaz, pois ele devia ressuscitar os mortos, e devia ressuscitar a si mesmo dos mortos. Através do poder natural, com o uso de recursos, uma doença pode ser curada a tempo, mas a natureza não podia jamais, pela utilização de qualquer meio, em qualquer tempo, ressuscitar os mortos.

(2) Obras de maior autoridade do que autorizar o homem a carregar sua cama no sábado. Eles consideravam isto um ousado atentado, mas o que era isto, comparado com a revogação de toda a lei cerimonial e instituição de novas leis que Ele traria em breve: “Para que vos maravilheis!” Neste momento, eles contemplavam as obras de Jesus com desprezo e indignação, porém em breve Ele faria coisas que eles contemplariam com admiração, Lucas 7.16. Muitos são levados a se maravilhar com as obras de Cristo, pelas quais a glória lhe pertence, que não são persuadidos a crer; o que lhes traria os benefícios delas.

2. Em particular. Ele demonstra sua igualdade com o Pai ao descrever algumas das obras que realiza e que são obras específicas de Deus. Esta lista é expandida, vv 21-30. Ele faz, e fará, aquilo que seja trabalho relativo ao soberano domínio e jurisdição de Deus – julgar e exercer o juízo, vv. 22-24,27. Estes dois temas estão entrelaçados, estando quase unidos, e o que é dito uma vez, é repetido e incutido. Coloque os dois juntos e eles demonstrarão que aquilo que Cristo disse, quando se igualou a Deus, o Pai, era absolutamente correto.

(1) Observe o que é dito aqui quanto ao poder do Mediador de ressuscitar os mortos e dar vida. Veja:

[1] Sua autoridade para fazê-lo (v. 21): ‘:Assim como o Pai ressuscita os mortos e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer”. Em primeiro lugar, é prerrogativa de Deus ressuscitar os mortos e dar a vida, e foi Ele o primeiro que soprou no homem o fôlego da vida, e assim o fez alma vivente. Veja Deuteronômio 32.30; 1 Samuel 2.6; Salmos 68.20; Romanos 4.17. Através dos profetas Elias e Eliseu, Deus ressuscitou mortos, e isso foi uma confirmação da missão deles. A ressurreição dos mortos nunca se encaixou no caminho habitual da natureza, nem jamais coube no pensamento daqueles que estudaram apenas a extensão do poder da natureza, dos quais um dos axiomas admitidos foi apontado abertamente contra ela: A existência, ao ser apagada, não pode ser reacendida. Por isso, a ressurreição era ridicularizada em Atenas como uma coisa absurda, Atos 17.32. Ela ocorre genuinamente por obra do poder divino e pelo conhecimento dele. O conhecimento da ressurreição ocorre, genuinamente, por meio de uma revelação divina. Os judeus, entretanto, reconheciam a ressurreição. Em segundo lugar, o Mediador é investido desta prerrogativa: Ele “vivifica aqueles que quer”, ressuscita a quem lhe agrada, e quando lhe agrada. Ele não vivifica as coisas por necessidade natural, como faz o sol, cujos raios de luz, como se sabe, fazem reviver. Não obstante, Ele age como um agente livre, tem a concessão de seu poder em sua própria mão, e não é jamais constrangido ou reprimido em sua utilização. Assim, como Ele tem o poder, da mesma forma tem a sabedoria e a soberania de Deus, tem “as chaves da morte e do inferno” (Apocalipse 1.18), não como um servo, para abrir e fechar como lhe é ordenado, pois Ele a tem como a chave de Davi, da qual ele é dono, Apocalipse 3.7. Um príncipe absoluto é descrito por meio da seguinte frase (Daniel 5.19): ”A quem queria matava e a quem queria dava a vida”. Isto é verdadeiro para Cristo, sem exagero.

[2] Sua capacidade de ressuscitar mortos. Ele tem poder para ressuscitar a quem quiser, assim como faz o Pai, pois Ele tem vida em si mesmo, assim como o Pai, v. 26. Em primeiro lugar, é certo que “o Pai tem a vida em si mesmo”. Ele não apenas é um Ser auto existente, que não descende ou depende de nenhum outro (Êxodo 3.14), mas também é o soberano doador da vida. Ele tem o controle da vida em si mesmo, e de todo o bem (pois, às vezes, isto é o que a vida significa). Tudo adveio dele, e é dependente dele. Ele é, para suas criaturas, a fonte da vida, e de todo o bem; criador de suas existências e bem-estar; o Deus vivo, e o Deus de tudo o que vive. Em segundo lugar é igualmente certo que Ele “deu… ao Filho ter a vida em si mesmo”. Assim como o Pai é o progenitor de toda a vida natural e de todo o bem, sendo o grande Criador, da mesma maneira, o Filho, como o Redentor, é o progenitor de toda a vida espiritual e de todo o bem. Ele é para a igreja, aquilo que o Pai é para o mundo. Veja 1 Coríntios 8.6; Colossenses 1.19. O reino da graça, e toda a vida nesse reino, estão tão inteira e absolutamente nas mãos do Redentor como o reino da providência está nas mãos do Criador. E como Deus, que dá vida a todas as coisas, é o dono de sua própria existência, da mesma forma Cristo, que dá a vida, ressuscitou a si mesmo para a vida através de seu próprio poder, cap. 10.18.

[3] Seu comportamento de acordo com essa autoridade e capacidade. Tendo a vida em si mesmo, e sendo autorizado a ressuscitar a quem quiser, em virtude disso há, de forma correspondente, duas ressurreições realizadas através de sua poderosa palavra, sobre as quais se comenta aqui:

Em primeiro lugar, uma ressurreição que, nas presentes condições, é (v. 29) uma ressurreição da morte do pecado para a vida da justiça, pelo poder da graça de Cristo. “Vem a hora, e agora é”. É uma ressurreição já iniciada, e que deve ser levada mais adiante, quando os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus. Esta ressurreição é claramente diferenciada daquela no versículo 28, que fala da ressurreição no fim dos tempos. Este versículo nada diz, ao contrário daquele, sobre os mortos quanto aos seus méritos, sobre todos eles, e seus destinos. Agora:

1. Alguns pensam que isto se cumpriu naqueles a quem Ele milagrosamente ressuscitou: a filha de Jairo, o filho da viúva e Lázaro, e é visível que a todos a quem Cristo ressuscitou, foi lhes dito no momento: “Menina … levanta-te”; “Jovem … Levanta-te”; “Lázaro, vem para fora”. Enquanto aqueles ressuscitados sob o Antigo Testamento foram ressuscitados, não através de uma palavra, mas por outros mecanismos, 1 Reis 17.21; 2 Reis 4.34; 13.21. Alguns entendem isso como relativo aos santos que ressuscitaram com Cristo, mas não lemos a respeito da voz do Filho de Deus chamando-os. Porém:

2. Eu prefiro entendê-lo como relativo ao poder da doutrina de Cristo, pela recuperação e ressurreição daqueles que estavam mortos em ofensas e pecados, Efésios 2.1. Estava chegando a hora quando almas mortas seriam vivificadas pela pregação do Evangelho e pelo espírito de vida de Deus que o acompanha. Talvez fosse assim naquele tempo, enquanto Cristo estava sobre a terra. Isto pode se referir especialmente ao chamado dos gentios, do qual se diz que é como a ressurreição dos mortos, e, pensam alguns, fora representado previamente pela visão de Ezequiel (Ezequiel 37.1), e profetizado: “Os teus mortos viverão”, Isaías 26.19. Mas isto deve ser aplicado a todo o maravilhoso sucesso do Evangelho entre os judeus e os gentios. Uma hora que agora é, e que ainda está chegando, até que todos os eleitos sejam efetivamente chamados. Note que:

(1) Os pecadores estão espiritualmente mortos, destituídos de vida, consciência, força e impulsos espirituais, mortos para Deus, infelizes, porém inconscientes de sua desgraça e incapazes de saírem por si mesmos desta condição.

(2) A conversão de uma alma a Deus é sua ressurreição da morte para a vida. Ela começa a viver quando começa a viver para Deus, a viver de acordo com Ele, e caminhar em direção a Ele.

(3) É pela voz do Filho de Deus que almas são ressuscitadas para a vida espiritual. Isto é realizado pelo seu poder, e esse poder é transmitido e comunicado por sua palavra: “Os mortos ouvirão”, serão compelidos a ouvir, a entender, aceitar e crer na voz do Filho de Deus, a ouvi-la como a voz dele. Depois o Espírito, através dela, dá a vida. Por outro lado, a letra mata.

(4) A voz de Cristo deve ser ouvida por nós, para que possamos viver por ela. Aqueles que ouvem e atentam para o que ouvem, viverão. “Ouvi, e a vossa alma viverá”, Isaías 55.3. Em segundo lugar, é uma ressurreição ainda por vir. Isto é dito nos versículos 28 e 29, e introduzido com as palavras: ‘”Não vos maravilheis disso’, do que eu disse sobre a primeira ressurreição, não o rejeitai como inacreditável e absurdo, pois no fim dos tempos, todos vereis uma prova mais concreta e maravilhosa do poder e autoridade do Filho do homem”. Assim como sua própria ressurreição estava reservada para ser a prova final e conclusiva de sua designação pessoal, a ressurreição de todos os homens está reservada para ser uma prova semelhante de sua designação, e será executada pelo seu Espírito. Neste momento, observe aqui:

A. Quando será essa ressurreição: “Vem a hora”. Ela é pré-determinada, este encontro marcado é bastante exato. O julgamento não está adiado para algum momento ainda não escolhido. Não, Ele marcou um dia. “Vem a hora”.

(a) Ainda não chegou, não é a hora de que se fala no versículo 25, que é chegada, e agora é. Erraram perigosamente aqueles que disseram que a ressurreição era já feita, 2 Timóteo 2.18. Mas:

(b) Com certeza virá, ela está avançando; está a cada dia mais próxima do que antes; está à porta. A que distância está, nós não sabemos, porém sabemos que ela está infalivelmente definida e inalteravelmente determinada.

B. Quem será ressuscitado: “Todos os que estão nos sepulcros”, todos os que morreram desde o início dos tempos, e todos os que morrerão até o fim dos tempos. Foi dito (Daniel 12.2): ” Muitos… ressuscitarão”. Cristo nos fala aqui que aqueles muitos serão todos. Todos terão que comparecer diante do Juiz, e por isso todos devem ser ressuscitados. Cada pessoa, e cada uma delas em seu todo. Cada alma retornará para seu corpo, e cada osso para sua estrutura. O túmulo é a prisão dos corpos mortos, onde eles estão detidos; sua fornalha, onde eles são consumidos (Jó 24.19). Mesmo assim, na esperança da ressurreição deles, podemos chamá-lo de suas camas, onde eles dormem para serem novamente despertados; seu cofre, onde eles estão guardados para que possam ser novamente utilizados. Mesmo aqueles que não são postos em túmulos ressuscitarão, mas, porque muitos são colocados em túmulos, Cristo utiliza essa expressão: “todos os que estão nos sepulcros”. Os judeus usavam a palavra sheol para túmulo, o que representa a condição dos mortos. Todos os que estão nessa condição ouvirão.

C. Como eles serão ressuscitados. Duas coisas nos são ditas aqui:

(a) A eficácia dessa ressurreição: eles “ouvirão” sua voz. Isto é, Ele fará com que eles a ouçam, assim como Lázaro ouviu aquela ordem: “Vem”. Um poder divino acompanhará esta ordem, para neles colocar vida e permitir que a obedeçam. Quando Cristo ressuscitou, nenhuma voz foi ouvida, nenhuma palavra, dita, pois Ele ressuscitou por seu próprio poder. Mas na ressurreição dos filhos dos homens, nós encontramos três vozes mencionadas, 1 Tessalonicenses 4.16. O Senhor descerá com um alarido, o alarido de um rei, com a voz do arcanjo. Ou o próprio Cristo, o príncipe dos anjos, ou o comandante-em-chefe, sob as ordens dele, acompanhado dos exércitos celestiais. E com a trombeta de Deus, a trombeta do soldado fazendo soar o alerta de guerra, e a trombeta do juiz proclamando as convocações para o tribunal.

(b) O efeito disso: eles sairão de seus túmulos, como prisioneiros saindo de suas prisões. Eles ressuscitarão do pó e o sacudirão de si. Veja Isaías 52.1,2,11. Mas isto não é tudo. Eles comparecerão diante do tribunal de Cristo, sairão como aqueles que serão julgados, comparecerão ao tribunal para receber publicamente sua sentença.

D. Para o que eles serão ressuscitados. Para uma condição de felicidade ou sofrimento, de acordo com a atitude que tomaram em relação ao Evangelho da graça de Deus. Eles irão para um estado de recompensa, conforme o que fizeram no estágio de provas.

(a) Aqueles que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida. Eles viverão novamente, para viver para sempre. Note que:

[a] Qualquer que seja o nome pelo qual os homens sejam chamados, ou qualquer que seja aquilo que professem, no grande dia somente serão galardoados aqueles que fizeram o bem, aquilo que agrada a Deus e que é proveitoso para os outros.

[b] A ressurreição do corpo será uma ressurreição para a vida para todos aqueles, e apenas aqueles, que foram sinceros e resolutos em fazer o bem. Eles não somente serão publicamente absolvidos, como um criminoso perdoado, como dizemos, que recebe sua vida de volta, mas eles serão admitidos na presença de Deus, e isto é vida, aliás, é melhor do que a vida. Eles serão cuidados com os consolos da perfeição. Viver é ser feliz, e eles serão elevados acima do medo da morte. Esta é, sem dúvida, a vida em que a morte será tragada para sempre.

(b) Aqueles que praticaram o mal ressuscitarão para a ressurreição da condenação. Eles viverão novamente, para serem condenados para sempre. Os fariseus pensavam que a ressurreição dizia respeito apenas aos justos. mas aqui Cristo retifica esse engano. Note que:

[a] Os que fazem o mal, apesar do que aleguem, serão tratados, no dia do julgamento, como homens maus.

[b] A ressurreição será, para os homens que fazem o mal, que não reverteram através do arrependimento o que fizeram de errado, a ressurreição da condenação. Eles sairão para serem publicamente declarados culpados de rebelião contra Deus, e publicamente sentenciados ao castigo eterno; para serem sentenciados a isso, e enviados imediatamente a isso sem descanso. Assim será a ressurreição.

(2) Observe o que é dito aqui com relação à autoridade do Mediador para exercer o juízo, vv. 22-24,27. Assim como Ele tem um poder glorioso, da mesma forma tem uma jurisdição autônoma. E quem está mais preparado para presidir as questões importantes da outra vida do que aquele que é o Pai e a fonte da vida? Aqui está:

[1] A comissão ou delegação de Cristo para o cargo de juiz, do qual se fala por duas vezes aqui (v. 22): “o Pai… deu ao Filho todo juízo”, e outra vez (v. 27): “deu-lhe o poder de exercer o juízo”.

Em primeiro lugar, o Pai a ninguém julga. Não que o Pai tenha renunciado à autoridade, mas Ele se apraz em reger através de Jesus Cristo, de modo que o homem não esteja sob o temor de tratar diretamente com Deus, mas tenha o consolo de ter acesso a Ele através de um Mediador. Tendo nos feito, o Senhor pode fazer o que quiser conosco, como o oleiro faz com o barro. Mesmo assim, ele não tira vantagem disso, mas nos atrai para si com os laços humanos. Ele não determina nossa condição perpétua pelo pacto da inocência, nem emprega a vantagem que tem contra nós pela violação desse pacto. O Mediador, tendo tomado para si a tarefa de realizar uma expiação vicária, a questão lhe é apresentada, e Deus está desejoso de assumir um novo pacto, não sob a lei do Criador, mas sob a graça do Redentor.

Em segundo lugar, Ele confiou todo o juízo ao Filho, e o estabeleceu como o Senhor de todos (Atos 10.36; Romanos 14.9), como José, no Egito, Gênesis 41.40. Isto fora profetizado, Salmos 72.1; Isaías 12.3,4; Jeremias 23.5; Miquéias 5.1-4; Salmos 67.4; 96.13; 98.9. Todo juízo é dado ao nosso Senhor Jesus, pois:

1. Ele está encarregado da administração do reino da providência, está sobre todas as coisas (Efésios 1.11), sobre todos os homens, 1 Coríntios 12.3. Todas as coisas subsistem por ele, Colossenses 1.17.

2. A Ele, é dado o poder para fazer leis de imediato para obrigar as consciências. “Eu vos digo”, esta é agora a forma como os estatutos do reino do céu funcionam. Seja ela promulgada pelo Senhor Jesus, e pela sua autoridade. Todas as leis agora em vigor têm, necessariamente, o toque do seu cetro.

3. Ele está autorizado a fixar e estabelecer os termos da nova aliança, e a redigir os artigos da paz entre Deus e o homem. É Deus em Cristo que reconcilia o mundo, e a Cristo Ele tem dado o poder para conceder a vida eterna. O livro da vida é o livro do Cordeiro. Pela sua decisão, devemos nos colocar de pé ou cair. 

4. Ele está comissionado para levar avante e concluir a guerra com os poderes das trevas, para expulsar e realizar o julgamento contra o príncipe deste mundo, cap. 12.31. Ele está comissionado não apenas para julgar, mas para pelejar, Apocalipse 19.11. Todos aqueles que lutam por Deus contra Satanás devem se alistar sob seu estandarte.

5. Ele está estabelecido como o único administrador do julgamento do grande dia. Os antigos geralmente interpretavam essas palavras como o ato de coroação de seu poder como juiz. O julgamento final e universal está reservado para o Filho do homem. O tribunal é seu, é o foro de Cristo. A comitiva é sua, de seus poderosos anjos. Ele julgará as causas e dará o veredicto, Atos 17.31.

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