ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 4: 27-42 – PARTE III

Alimento diário

Cristo Junto à Fonte de Samaria

 

IV – O bom impacto que esta visita que Cristo fez aos samaritanos lhes causou, e o fruto que agora era colhido entre eles, vv. 39-42. Veja a impressão causada neles:

1. Pelo testemunho da mulher a respeito de Cristo. Embora fosse um testemunho individual, e proferido por alguém que tinha uma reputação ruim, e que se limitou a isto: “Ele me disse tudo quanto tenho feito”, mesmo assim, ele causou uma boa influência sobre muitos. Seria de se pensar que, ao Jesus contar à mulher sobre os pecados ocultos dela, os samaritanos ficariam temerosos de virem a Ele, com receio de que Ele lhes falasse sobre os pecados que tinham cometido. Mas eles preferiram se arriscar a isso do que a não conhecerem alguém que tinham motivos para pensar que era um profeta. E eles foram levados a duas coisas:

(1) A acreditar na palavra de Cristo (v. 39): “Muitos dos samaritanos daquela cidade creram nele, pela palavra da mulher”. Eles acreditaram tanto nele, que o tomaram por profeta, e desejavam conhecer o pensamento de Deus através dele. Isto é interpretado, de maneira favorável, como crer nele. E observe:

[1] Quem eram os que creram: “muitos dos samaritanos”, que não eram da casa de Israel. A fé deles era não apenas uma exacerbação da descrença dos judeus, de quem se esperava algo melhor, mas uma garantia da fé dos gentios, que receberiam com prazer aquilo que os judeus rejeitaram.

[2] O que os incentivou a crer: “pela palavra da mulher”. Veja aqui, em primeiro lugar, como Deus, às vezes, se compraz em utilizar instrumentos muito vulneráveis e improváveis para dar início e levar adiante uma boa obra. Uma pequena camareira encaminhou um grande príncipe a Eliseu, 2 Reis 5.2. Em segundo lugar, que questão importante uma pequena fagulha desperta. Nosso Salvador, ao instruir uma pobre mulher, difundiu esclarecimento para toda uma cidade. Que os ministros não sejam negligentes em sua pregação, ou desanimados nela, pelo fato de seus ouvintes serem poucos e pobres, pois, ao fazer o bem a eles, o bem pode ser transmitido a uma maior quantidade de pessoas, e àqueles que são mais importantes. Se eles ensinarem cada um ao seu próximo, e a cada um de seus irmãos, um grande número poderá aprender uns com os outros. Filipe pregou o Evangelho para um único aristocrata em sua carruagem na estrada, e ele não apenas o aceitou, como o levou para sua região e o propagou ali. Em terceiro lugar, veja como é bom falar de Cristo e das coisas de Deus a partir de nossa própria experiência. Esta mulher podia falar pouco a respeito de Cristo, mas o que ela dizia, dizia com sentimento: “Disse-me tudo quanto tenho feito”. Aqueles que podem dizer o que Deus tem feito por suas almas, são mais propensos a fazer o bem, Salmos 66.16.

(2) Eles foram levados a convidá-lo para ficar entre eles (v. 40): “Indo, pois, ter com ele os samaritanos, rogaram-lhe que ficasse com eles”. Baseados no relato da mulher, eles creram que Ele fosse um profeta, e foram ter com Ele. E, quando o viram, e a miséria de sua aparência e a manifesta pobreza de seu aspecto externo, não diminuíram sua apreciação por Ele e as expectativas relativas a Ele, mas ainda o respeitavam como profeta. Observe que há esperança para aqueles que superam os preconceitos vulgares que os homens têm contra o verdadeiro valor das pessoas que estão em uma condição social inferior. Benditos são aqueles que não se escandalizam em Cristo à primeira vista. Eles estavam tão distantes de se escandalizarem nele, que rogaram para que Ele permanecesse com eles:

[1] Para que pudessem testificar sobre o respeito que tinham por Ele, e tratá-lo com o respeito e a gentileza que lhe eram devidos, por causa da sua retidão de caráter. Os profetas e ministros de Deus são bem-vindos para todos aqueles que abraçam o Evangelho com sinceridade, como Lídia, Atos 16.15.

[2] Para que pudessem receber ensinamentos dele. Aqueles que são instruídos a respeito de Deus mostram-se verdadeiramente desejosos de aprender mais e de conhecer melhor a Cristo. Muitos se juntariam a alguém que lhes contasse seu futuro, mas esses se juntaram a alguém que lhes contaria seus erros, lhes falaria de seus pecados e obrigações. O historiador parece colocar ênfase sobre o fato de eles serem samaritanos, como em Lucas 10.33; 17.16. Os samaritanos não tinham a mesma fama dos judeus quanto à religião. Mesmo assim, os judeus que viram os milagres de Cristo o afastaram de si mesmos, enquanto os samaritanos, que não viram seus milagres, nem compartilharam seus favores, quiseram ficar na presença do Senhor. A prova do sucesso do Evangelho nem sempre está de acordo com as probabilidades, e aquilo que se vivencia nem sempre está de acordo com o que se espera. Os samaritanos eram ensinados pela tradição de sua região a serem precavidos ao conversarem com os judeus. Havia samaritanos que se recusavam a permitir que Cristo atravessasse sua cidade (Lucas 9.53), porém estes rogaram que Jesus permanecesse com eles. Observe que muito será acrescentado à exaltação de nosso amor por Cristo e pela sua Palavra, se ela vencer os preconceitos da cultura e da tradição, lançando uma forte luz sobre as reprovações dos homens. E agora nos é dito que Cristo concordou com o pedido que estes samaritanos lhe fizeram.

Em primeiro lugar, Ele permaneceu ali. Embora fosse uma cidade de samaritanos, e quase adjacente ao templo deles, ainda assim, quando foi convidado, Jesus ficou ali. Embora Ele estivesse em viagem, e tivesse que ir mais longe, quando teve a oportunidade de fazer o bem, Ele ficou ali. Não é o simples atraso que favorecerá nosso julgamento. Apesar disso, Ele ficou ali por apenas dois dias, pois Ele tinha outros lugares para visitar e outras obras a realizar, e dos poucos dias da permanência de nosso Salvador sobre a terra, aqueles dois dias era o que cabia àquela cidade.

Em segundo lugar, somos informados sobre a impressão que foi causada neles pelas próprias palavras de Cristo, e pela sua conversa pessoal com eles (vv. 41,42). O que Ele disse e fez ali, não é relatado, se Ele curou seus doentes ou não. Mas é sugerido, pelos efeitos, que Ele disse e fez aquilo que os convenceu de que Ele era o Cristo. E as obras de um ministro são melhor descritas pelos seus bons frutos. Ouvir a respeito de Jesus causou um bom impacto, mas agora seus olhos o viam, e o efeito foi:

1. Que o número deles cresceu (v. 41): “Muitos mais creram nele”. Muitos que não foram persuadidos a irem até Ele fora da cidade, foram mesmo assim levados, quando Ele se aproximou deles, a crer nele. Observe que é um consolo ver um grande número de crentes, e, às vezes, o zelo e presteza de alguns pode ser um meio de incitar muitos, e encorajá-los a uma santa emulação, Romanos 11.14.

2. Que a fé deles aumentou. Aqueles que haviam sido influenciados pelo relato da mulher, agora viam motivo para dizer: ”Já não é pelo que disseste que nós cremos”, v. 42. Há três coisas nas quais a fé deles cresceu:

(1) Em sua essência, ou naquilo em que eles realmente acreditavam. A partir do testemunho da mulher, eles creram que Ele era um profeta, ou algum extraordinário mensageiro do céu, mas agora que haviam conversado com Ele, eles acreditam que Ele é o Cristo, o Ungido, exatamente aquele que foi prometido aos patriarcas e por eles espera­ do, e que, sendo o Cristo, Ele é o Salvador do mundo, pois a obra para a qual Ele fora consagrado era a de salvar seu povo dos pecados que praticavam. Eles creram que Ele era o Salvador, não apenas dos judeus, mas do mundo, em que eles tinham a esperança de que os incluísse, embora fossem samaritanos, pois fora prometido que Ele seria a “salvação até à extremidade da terra”, Isaías 49.6.

(2) Na certeza. A fé deles agora cresceu até chegar a uma certeza absoluta: “Sabemos que este é verdadeiramente o Cristo”. Não um pretenso Cristo, mas o autêntico. Não um salvador típico, como muitos sob o Antigo Testamento, mas o verdadeiro. É por tamanha certeza das verdades divinas como esta que devemos nos esforçar. Não devemos pensar apenas: ”Achamos que é provável e desejamos crer que Jesus possa ser o Cristo”, mas: “Sabemos que este é verdadeiramente o Cristo”.

(3) Com base nisto, que era uma espécie de sensação e experiência espiritual: ”Agora não é pelo que disseste que nós cremos, porque nós mesmos o temos ouvido”. Antes eles haviam crido por causa da afirmação da mulher, e esta fora uma boa atitude, fora um bom passo, mas agora eles encontram um fundamento adicional e mais firme para sua fé: ”Agora nós cremos, porque nós mesmos o temos ouvido, e temos ouvido verdades tão esplêndidas e divinas, acompanhadas de tamanha autoridade e manifestação, que estamos completamente convencidos e seguros de que este é o Cristo”. Isto é semelhante ao que a rainha de Sabá disse de Salomão (1 Reis 10.6,7): “Eis que me não disseram metade”. Os samaritanos que acreditaram por causa da afirmação da mulher ganhavam agora uma luz maior, pois a qualquer que tiver será dado. Aquele que sobre o pouco é fiel, sobre muito será colocado. Neste caso, nós podemos ver como a fé vem através do ouvir.

[1] A fé nasce através da escuta dos relatos dos homens. Estes samaritanos, em consideração ao que fora dito pela mulher, creram a ponto de vir e ver, de chegar e experimentar: Dessa maneira, os ensinamentos de pais e pregadores, e o testemunho da igreja e dos nossos vizinhos experientes, recomendam a doutrina de Cristo ao nosso conhecimento, e nos inclinam a considerá-la como altamente verossímil. Porém:

[2] Nossa fé atinge seu pleno desenvolvimento, intensidade e maturidade ao ouvirmos o testemunho do próprio Cristo. E isso vai mais adiante, e recomenda sua doutrina à nossa aceitação, e nos compele a crer nela como indubitavelmente certa. Nós somos induzidos a examinar as Escrituras pela afirmação daqueles que nos disseram que nelas encontraram a vida eterna. Porém, quando nós mesmos também a encontramos nelas, experimentamos o poder da Palavra, que é esclarecedor, convincente, regenerador, santificador e consolador. E então cremos, já não pelas afirmações de outras pessoas, mas porque nós mesmos examinamos as Escrituras Sagradas, e assim nossa fé se sustenta não na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus, 1 Coríntios 2.5; 1 João 5.9,10.

Desta maneira, a semente do evangelho foi plantada em Samaria. Que efeito houve disto posteriormente, não se torna visível, mas encontramos que, quatro ou cinco anos depois, quando Filipe pregou o evangelho em Samaria, ele encontrou tantos vestígios abençoados desta boa obra agora realizada, que as “multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia”, Atos 8.5,6,8. Porém, como alguns foram flexíveis para o bem, assim foram outros para o mal, os quais Simão, o mago, encantou com suas magias mágicas, vv. 9,10.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.