PSICOLOGIA ANALÍTICA

COMO ENFRENTAR A SÍNDROME DE BURNOUT?

Doença se caracteriza por um sofrimento que se origina no total esgotamento físico e psicológico. causado por vários fatores. Pode levar. como consequência, a um quadro depressivo ou a outro problema ainda mais grave.

Como enfrentar a síndrome de burnout

O nome dessa síndrome foi dado por um psicanalista naturalizado norte-americano chamado Herbert Freudenberger. Ele sentiu na pele um verdadeiro esgotamento profissional nos anos 1970. Deu o nome a esse esgotamento do trabalho de burnout. Pode-se traduzir livremente para o português como burn out = fogo que vai se apagando aos poucos. É possível definir, também, como o velho e simples esgotamento.

O sentimento e as sensações são de ter “queimado o pavio”. Mas isso não quer dizer que essa síndrome se caracterize, apenas, por se esgotar no trabalho, que é um aspecto muito comum em quem sofre de esgotamento por trabalhar horas a fio – essa não é a única causa. Existem outros vilões, como o desgaste frente à falta de dinheiro – muito comum em nossos dias de crise no Brasil. Bem como diante do fato de um parente estar muito doente ou desempregado. Qualquer sofrimento mental que nos acometa pode ser a causa, até mesmo o desgaste físico por falta de sono e cansaço acumulado. Daí o nome esgotamento.

O que vem acontecendo nos últimos anos com o tempo das pessoas? A maioria fica quase 24 horas “plugada” na internet, no WhatsApp etc. O ser humano não foi programado para ficar atento tanto tempo. Necessita de momentos de silêncio, de recuperação, sono e paz para corpo e mente. E o mundo está, definitivamente, na era do ligado em tudo! Acontece algo do outro lado do planeta e todos ficam sabendo imediatamente. Quem descansa? Nem as crianças “O ser humano precisa de tempo de recuperação e descanso, sim. E se não tiver o merecido de canso, à mente e ao corpo, o preço a pagar é muito caro.

Francis Bacon disse: ”A natureza foi feita para ser obedecida…”.

Se as pessoas apenas se limitarem a seguir a corrida dos ratos, ou seja, sair correndo atrás do dinheiro, do querer só bater metas, ganhar mais, ter aquela promoção, corre-se o risco de esquecer um valioso bem: a saúde. Em termos de moeda final, o prejuízo de adotar a corrida dos ratos é terrível. Além do mais, a vida é muito curta para que se corra tanto com o objetivo de alcançar o “tal cume” daquilo que se planejou –  e, com isso, nem se admira a jornada.

As pessoas precisam aprender que, se não seguirem a própria natureza, elas irão trazer o descanso à força em forma de dor de cabeça, doenças autoimunes, alergias etc. A natureza humana é que está no comando. E a pessoa cai de cama, fica sem vontade de nada e pode chegar a um quadro depressivo ou a uma doença mais grave também.

Admirar a jornada enquanto caminha é muito importante. Se se opta por subir uma montanha para chegar ao topo e ver lá de cima o pôr do sol, será que não é possível apreciar a subida? Parar vez ou outra, tomar um lanchinho, tirar umas fotos, fazer uma brincadeira, simplesmente recuperar o fôlego e respirar fundo são fundamentais.

Todos podem e devem apreciar a jornada. Aquela velha história que um dia se aprende um slogan comum – o no pain no gain, ou, em português, que “sem dor (trabalho), sem ganho” – é coisa do passado. É possível aprender a ganhar dinheiro e a ser mais feliz. Basta trabalhar com engajamento e prazer, basta ficar mais focado na jornada e em algo que dê mais prazer e com que se tenha mais habilidades para trabalhar.

É fundamental pensar nisso o mais rápido possível. Em uma vida com mais bem-estar. Trabalhar em alguma coisa que possa unir prazer à habilidade e que também possa trazer um significado para a vida. Isso, sim, proporciona bem­ estar, mesmo que o trabalho seja duro. Aqui, a melhor dica para não ser surpreendido pela síndrome de burnout: “O menos que faz mais”.

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VILÃO

O grande vilão dos últimos tempos tem sido algo que passa em branco para a maioria das pessoas e a que todos estão sujeitos: o não se desligar, ficar preso na internet, no WhatsApp e em outros devices que a mantêm “plugadas” além da conta. Isso mesmo: ficar tempo demais só mexendo com tecnologias, com a carinha na tela do computador ou no celular tem desgastado a mente humana. Um hábito cada vez mais comum em nossas rotinas.

Quantas horas as pessoas gastam por dia em frente ao computador vendo e-mails? E no celular lendo e mandando mensagens? Dá para contar? Ninguém sequer imagina, mas parece que é tempo suficiente para respirar fundo, dar uma volta, bater um papo com um amigo, almoçar fora…

Não é aconselhável adotar uma conduta na qual o mais importante é correr atrás de um monte de coisas boas. Quantidade afeta a qualidade. O que é necessário fazer, caso se queira ter uma vida mais feliz, é menos no lugar de mais. Isso parece mais fácil de falar do que de fazer. Mas é possível. Não se trata de levar essa situação aos extremos. Basta inserir as mudanças aos poucos. Pequenas mudanças podem afetar a vida como um todo.

É imprescindível lembrar que felicidade é contagiante e tem um efeito dominó. Então, por exemplo, voltando do trabalho, nada irá acontecer se a pessoa desligar seu celular por duas ou três horas, enquanto está passando um tempo com seu parceiro(a) e filhos. A menos que o profissional seja um motorista de ambulância ou esteja de plantão. Nesses casos é preciso ficar de sobreaviso. Todos devem experimentar desligar o telefone por duas horas ou mais, para se dedicar a interagir com pessoas queridas. A menos que seja uma emergência ou uma ligação que esteja esperando. Mas, via de regra, nada irá acontecer se o telefone for desligado por um tempo. Muito pelo contrário, a pessoa ficará muito mais feliz e essas horinhas poderão ser uma fonte de prazer, felicidade e uma forma de recuperação. Porque estar ao celular mandando mensagens e brincando com o filho ao mesmo tempo não é se recuperar. É, ao contrário disso, se estressar. Além disso, a pessoa deixará de curtir a jornada de estar com o filho, as funções do toque, do carinho e do aconchego – e elas são muito importantes para a alegria.

Em um estudo desenvolvido em Harvard por 75 anos, o dr. Robert Waldinger, um dos pesquisadores da universidade, acompanhou homens ao longo de suas vidas. O que ele constatou? Que o fator previsor de boa saúde e longevidade, que estava relacionado à felicidade, nada tinha a ver com sucesso ou ter muito dinheiro. Mas, sim, com manter bons relacionamentos. Os homens que tiveram bons relacionamentos, se casaram e puderam ter suas companheiras ao longo da vida, bem como amigos sinceros, foram os mais longevos. A pergunta que surge é a seguinte: Quando foi a última vez que você esteve realmente com as pessoas que você ama?

A terceira tarefa que é fundamental fazer é simplificar a vida. O mesmo acontece com o trabalho: é preciso simplificar. Reduzir as multitarefas. Quem nunca mandou e-mail enquanto fazia outro trabalho que requer concentração? A maioria das pessoas faz isso várias vezes e nem percebe.

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COMPROVAÇÃO

De acordo com a pesquisa The Impact of Distractions on IQ – O Impacto da Distração no QI -, feita, em Londres, por um grupo de psiquiatras coordenados por Glen Wilson (2005), pessoas que verificam seus e-mails enquanto fazem outros trabalhos, que requerem concentração, perdem o equivalente a 10 pontos no teste de QI. É muito! Só para ter uma noção do quanto é isso, digamos que a pessoa não tenha dormido a noite toda e que tenha ficado meio tonta, sem concentração – esse efeito é equivalente a menos 10 pontos no QI. Se a pessoa fumar maconha ou haxixe, perderá 4 pontos de QI. Todos pagam um preço muito alto por querer fazer mais em menos tempo no trabalho também.

Vemos que a pessoa que sofre um esgotamento, o burnout, tem uma dedicação exagerada ao trabalho ou atividade profissional que está exercendo. Pode ser estudar para um concurso, vestibular, trabalhar noite e dia sem parar e até mesmo cuidar de um parente enfermo. É um desgaste imenso. O desejo de ser o melhor e demonstrar sempre alto grau de desempenho também levam ao quadro de esgotamento.

Muita gente mede sua própria autoestima pelo tanto que produz. Muito natural. O que não é natural é dar a vida pelo trabalho – seja ajudando pessoas ou fazendo seu serviço profissional. A moeda final será sempre a mesma: desgaste pessoal, desânimo e, depois, depressão.

Assim, aquilo que em um primeiro momento parece maravilhoso e engana, como se fosse gerar prazer ao fim da jornada, pelo contrário, acaba trazendo desgaste emocional e físico – e tudo acaba pior no final. Muitos ficam com compulsão pelo trabalho ou por ajudar pessoas e se esquecem de que seu próprio cuidado é sua melhor poupança e benefício imediato. O importante é curtir a jornada. Não só trabalhar, mas ter descanso, tempo de recuperação, aproveitar enquanto se faz alguma coisa e, ainda, seguir seu propósito de vida.

Todos podem, sim, trabalhar muito. Mas é preciso realizar essas atividades durante o melhor tempo. Seguindo a regra 80/20 – Regra Pareto -, que ensina que se pode usar essa proporção para trabalhar as atividades principais nas melhores horas do dia, guardando tempo para brincar com as crianças, sair com seu amor, ir ao cinema, descansar e se divertir também. Assim, uma pessoa que trabalha muito pode fazer suas atividades principais em sua melhor hora do dia ou da noite (os da manhã, da tarde ou noite – conforme sua preferência). E ainda vai sobrar tempo para fazer muitas outras coisas.

Entretanto, infelizmente, observa-se que essa patologia tem atingido pessoas de várias áreas com mais facilidade, como as de saúde, segurança pública, os bancários, quem trabalha em educação, cartorários, profissionais de tecnologia da informação, administração, comunicação, direito e até mesmo as que exercem trabalhos voluntários.

Então, quem apresentar os seguintes sintomas deve ter cuidado: fortes dores de cabeça; tonturas e treinares; muita falta de ar; oscilações de humor; distúrbios do sono; dificuldade de concentração; problemas digestivos; desânimo. Quem apresentar todos os sintomas citados, e principalmente o último, que envolve a falta de vontade de se levantar, significa que chegou ao fundo do poço. É a hora de pedir ajuda.

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O QUE FAZER

O primeiro passo é procurar um médico porque, a essa altura, a pessoa, provavelmente, precisará de remédios que a ajudem a ter mais serotonina. Outra boa opção é buscar a yoga e a meditação. Essas são duas boas alternativas para iniciar a recuperação – e bem depressa – de um quadro de esgotamento.

Estudos norte-americanos desenvolvidos por muitas universidades e de pesquisadores renomados, como a dra. Barbara Fredrickson (especialmente os que ela divide em seu livro Amor 2.0), mostram que a meditação pode ajudar – e muito – o cérebro a produzir mais ocitocina e a ter mais racionalidade e paz. De acordo com a autora, quando se medita) respira-se fundo. Essa respiração profunda e mais prolonga da faz com que a pessoa abrace o próprio coração com os pulmões, em um ato de aconchego que faz o coração emitir uma mensagem (bem rápida, aliás), via nervo vago, para o cérebro, avisando que se está bem. Nesse momento, o cérebro produz a ocitocina, hormônio do amor, que reduz a noradrenalina e o cortisol e deixa a pessoa mais calma.

Quanto mais se exercita a meditação, de acordo com estudos de neuroimagem, mais o lobo pré-frontal esquerdo é ativado e mais a pessoa fica calma, focada e racional. Quando se está ansioso ou deprimido, o lado oposto do cérebro fica muito ativado, o lobo pré-frontal direito. Ou seja, quem quiser ficar bem melhor e rápido precisa começar a meditar. Ou fazer yoga, pois, por intermédio dessa técnica, sempre surge aquele momento das respirações e, no final, a hora da meditação. O melhor ainda é praticar os dois procedimentos. E, além disso, dar mais tempo para bons relacionamentos e descanso.

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NOVA VISÃO

Portanto, é perfeitamente possível se recuperar da síndrome de burnout com uma nova visão da própria pessoa. Dando mais tempo para a recuperação do estresse do dia a dia. E arranjando, também, tempo para a diversão. É importante ter em mente que a vida é muito curta para esperar pela aposentadoria. Ou para bater aquela meta, pagar aquele carrão, que sempre foi um sonho de consumo. Quanto mais cedo começar a mudar as escolhas, melhor para a saúde. Mas é preciso mudar de forma gradativa, em pequenos passos. Mesmo assim, é preciso que seja logo, agora.

Aprender como meditar ou ir a uma academia de yoga pode ser um bom começo. Importante, também, é planejar melhor o dia, deixando as tarefas difíceis para a melhor hora. É bom não esquecer, também, de encontrar com os amigos, frequentar o cinema, enfim, sair e se divertir. Não se deve esperar adoecer para dar mais valor à vida.

É aconselhável diminuir o mais rápido possível o ritmo das atividades profissionais e, acima de tudo, a pessoa deve procurar ao máximo trabalhar com o que gosta. Se não for viável, deve arrumar um hobby. Encontrar amigos ajuda muito a conseguir um tempo bom de recuperação. Do contrário, a vida vai mostrar logo que a pessoa não comanda sua própria natureza.

Todos podem ter mais qualidade de vida, trabalhar mais felizes, usufruir de tempo de diversão e de recuperação se, apenas, simplificarem a vida com o lema “menos faz mais”.

Como enfrentar a síndrome de burnout3 REGRA PARETO

A Regra Pareto, ou Regra 80/20, foi criada pelo economista italiano Vilfredo Pareto, em 1906. A teoria surgiu quando ele percebeu que 20% dos italianos detinham 80% das terras da nação. A conclusão socioeconômica revelou depois a mesma proporção da distribuição de riquezas em inúmeros países. Por isso, a relação passou a ser aplicada em outras áreas. Em resumo, a lei defende que 80% das consequências advêm de 20% das causas.

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DOENÇAS AUTOIMUNES

As DA, como são conhecidas as doenças autoimunes, são um grupo de mais de 100 patologias que se correlacionam e envolvem qualquer sistema do organismo. Podem ser doenças que alcançam simultaneamente ou sequencialmente órgãos, ou que atingem especificamente alguns desses sistemas. A consequência leva o sistema imunológico a se desorientar, atacando o próprio corpo e os órgãos que deveria justamente proteger.  Acometem três vezes mais mulheres do em que homens e, normalmente, são difíceis de serem diagnosticadas por apresentarem sintomas variados

 FREUDENBERGER, REFERÊNCIA E PIONEIRISMO EM BURNOUT

O psicólogo Herbert J. Freudenberger (1925-1999), embora tenha nascido na Alemanha, naturalizou- se norte-americano, se radicando em Nova York. Desenvolveu ampla atividade profissional na prática clínica e se destacou, também, como autor de publicações que contribuíram sobremaneira para o entendimento e para o tratamento do estresse, especialmente no que se refere a síndrome de burnout, e na abordagem terapêutica do abuso de substâncias. Freudenberger foi um dos pioneiros na função de descrever os sintomas do esgotamento profissional, o que caracterizou seus estudos por uma detalhada definição do burnout. Sua primeira publicação a respeito do assunto data de 1980, livro que se tornou uma referência especial para a pesquisa e compreensão desse fenômeno. Por seus importantes serviços prestados na área, foi reconhecido com o prêmio American Psychological Foundation Gold Meda/ Awar for Life Achievement, na prática da Psicologia, em 1999.

 

SOFIA BAUER – é psiquiatra, possui título de especialista em Psiquiatria pela ABP, especialização em Psicologia Positiva com Tal Ben-Shahar (NY).  Entre os livros lançados estão Manual de Hipnoterapia e Cartilha do Otimismo (Wak Editora).

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.