ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 3: 22-36 – PARTE II

Alimento diário

O Testemunho de João a respeito de Cristo

V -Aqui está a resposta de João às queixas que seus discípulos fizeram, v. 27ss. Seus discípulos esperavam que ele se ofendesse com esse fato, como eles, mas a manifestação de Cristo para Israel não era surpresa para João, porém o que ele procurava; não era uma perturbação para ele, mas era o que ele desejava. Por isso, reprovou a queixa, como Moisés: “Tens tu ciúmes por mim?” E aproveitou a ocasião para confirmar os testemunhos que tinha dado anteriormente de Cristo como superior a ele, alegremente entregando e confiando a Ele todos os interesses que tinha em Israel. Neste discurso, o primeiro ministro do evangelho (porque João o era) é um excelente exemplo para todos os ministros, para que se humilhem e exaltem ao Senhor Jesus.

1. João aqui se humilha em comparação a Cristo, vv. 27-30. Quanto mais os outros nos exaltarem, mais deveremos nos humilhar e nos fortalecer contra as tentações de lisonja e aplauso, e a inveja dos nossos amigos pela nossa honra, ao nos lembrarmos de nosso lugar e do que somos, 1 Coríntios 3.5.

(1) João concorda com a disposição divina e se satisfaz com ela (v. 27): “O homem não pode receber coisa alguma, se lhe não for dada do céu”, de onde “toda boa dádiva vem” (Tiago 1.17), uma verdade comum muito aplicável a este caso. Diferentes aplicações estão de acordo com as orientações da Providência divina, diferentes dons são distribuídos de acordo com a graça divina. “Ninguém toma para si essa honra”, Hebreus 5.4. Nós temos uma dependência tão necessária e constante da graça de Deus em todos os movimentos e ações da vida espiritual como temos da providência de Deus em todos os movimentos e ações da vida natural. Isto é apresentado aqui como uma razão:

[1] Por que não devemos invejar aqueles que possuem muito mais dons do que nós, ou se movimentam em uma esfera de utilidade mais ampla. João relembra seus discípulos de que Jesus não o teria superado dessa maneira, a menos que tivesse recebido do céu, porque, como homem e Mediador, Ele recebeu dons. E se Deus lhe deu o Espírito sem medida (v. 34), eles deveriam reclamar por isto? A mesma razão vale para com os outros. Se Deus quer dar aos outros mais habilidade e sucesso do que a nós, será que devemos ficar descontentes com isso, e criticá-lo como sendo injusto, imprudente e parcial? Veja Mateus 20.15.

[2] Por que não devemos estar descontentes, mesmo que sejamos inferiores aos outros em dons e utilidade, e sejamos ofuscados por seus méritos. João estava pronto para reconhecer que era um dom, um dom espontâneo do céu, que o fez um pregador, um profeta, um batista. Foi Deus que lhe deu o interesse que despertou no amor e estima das pessoas. E se agora o interesse diminuiu, seja feita a vontade de Deus! Aquele que dá, pode tomar. Aquilo que recebemos do céu, devemos receber como nos foi dado. João nunca tinha recebido uma comissão para realizar um trabalho eterno, mas somente uma incumbência temporária, que logo terminaria, e, portanto, quando ele tivesse terminado seu ministério, poderia alegremente vê-lo ultrapassado. Alguns dão um sentido bem diferente a estas palavras: João tinha se esforçado perante seus discípulos, para ensiná-los a importância que seu batismo tinha para Cristo, que viria após ele, e que tinha a preeminência sobre dele. O Senhor Jesus Cristo faria por eles o que João não poderia fazer, e ainda assim, afinal, eles idolatraram João e relutaram em reconhecer a preeminência de Cristo sobre ele. Bem disse João, “o homem não pode receber”, isto é, compreender, “coisa alguma, se lhe não for dada do céu”. A tarefa dos ministros será totalmente perdida, a menos que a graça de Deus a torne efetiva. Os homens não entendem o que é mais explicado, nem acreditam no que é mais evidente, a menos que lhes seja concedido do céu que entendam e acreditem nisto.

(2) João recorre ao testemunho que tinha dado anteriormente a respeito de Cristo (v. 28): “Vós mesmos me sois testemunhas de que disse, repetidas vezes: Eu não sou o Cristo, mas sou enviado adiante dele”. Veja como João era firme e constante no seu testemunho a respeito de Cristo. João não era como uma cana agitada pelo vento. Nem as censuras dos principais dos sacerdotes, nem as adulações dos seus próprios discípulos poderiam fazê-lo modificar suas palavras. Isto serve:

[1] Como uma condenação dos seus discípulos, pela irracionalidade da sua queixa. Eles tinham falado do testemunho que seu mestre tinha dado a respeito de Jesus (v. 26): “Agora”, João disse, “vocês não lembram qual foi o testemunho que eu dei? Lembrem-se, e verão sua própria crítica respondida. Eu não tinha dito: Eu não sou o Cristo? Por que, então, vocês me colocam como um rival daquele que realmente o é? Eu não tinha dito: Eu sou enviado adiante dele? Por que, então, parece estranho a vocês que eu me afaste e dê passagem a Ele?”

[2] Como um consolo para si mesmo, pelo fato de nunca ter dado aos seus discípulos nenhuma oportunidade de colocá-lo em competição com Cristo, mas, ao contrário, ele os tinha particularmente advertido contra este engano, embora ele pudesse ter obtido benefícios para si. E uma satisfação para os ministros fiéis quando fazem tudo o que poderiam para evitar quaisquer extravagâncias com que seu povo possa se deparar. João não somente não os tinha incentivado a esperar que ele fosse o Messias, mas lhes tinha dito claramente o contrário, o que agora representava uma satisfação para ele. E uma desculpa comum daqueles que recebem honras indevidas: Se o povo quer ser enganado, que seja. Mas esta é uma máxima ruim para aqueles cujo trabalho é mostrar o erro do povo. “O lábio de verdade ficará para sempre”.

(3) João professa a grande satisfação que teve com a manifestação de Cristo e o interesse que Ele desperta. João estava tão longe de lamentar isto, como faziam seus discípulos, que se alegrava com isto. Ele expressa isso (v. 29) com uma comparação elegante.

[1) Ele compara nosso Salvador ao esposo: “Aquele que tem a esposa é o esposo”. Todos os homens vão a Ele? Está certo, para onde iriam eles? Ele alcançou o trono das afeições dos homens? Quem mais o teria? E seu direito. A quem deve ser trazida a esposa, senão ao esposo? Cristo tinha sido profetizado no Antigo Testamento como um esposo, Salmos 45. O Verbo se fez carne, para que a disparidade da natureza não fosse um obstáculo ao enlace. Existe uma provisão para a purificação da igreja, para que a depravação do pecado não seja um obstáculo. Cristo se casa com sua igreja. Ele tem a esposa, pois Ele tem seu amor, Ele tem o compromisso dela. A igreja está sujeita a Cristo. Enquanto as almas individual­ mente são devotadas a Ele em fé e amor, também o es­ poso tem a esposa.

[2] Ele se compara ao amigo do esposo, que o assiste, que o honra e serve, que o ajuda a proceder o casamento, fala bem dele, usa seus recursos para seu benefício, alegra-se quando o casamento acontece, e, acima de tudo, quando se chega ao ponto desejado, quando o amigo recebe a esposa. Tudo o que João tinha feito pregando e batizando era para apresentá-lo, e agora que Ele chegou, João tem aquilo que desejava: “O amigo do esposo está ali (ver são NTLH), e o ouve. Está ali esperando-o. Alegra-se com a voz do esposo, porque Ele veio às bodas depois de ter sido esperado por muito tempo”. Observe que, em primeiro lugar, os ministros fiéis são amigos do esposo, para recomendá-lo aos interesses e escolhas dos filhos dos homens; para trazer mensagens dele, pois Ele corteja por procuração, e nisto devem ser fiéis a Ele. Em segundo lugar, os amigos do esposo devem estar ali, e ouvir sua voz; devem receber dele suas instruções e cumprir suas ordens; devem desejar ter provas de que Cristo fala neles, e com eles (2 Coríntios 13.3). Esta é a voz do esposo. Em terceiro lugar, o casamento das almas com Jesus Cristo, em fé e amor, é o cumprimento da alegria de todo bom ministro. Se o dia das bodas de Cristo for o dia do júbilo do seu coração (Cantares 3.11), este não pode deixar de ser também o dia do júbilo daqueles que o amam e que têm bons desejos em relação à sua honra e ao seu reino. Eles certamente não terão uma alegria maior.

(4) João reconhece que é altamente adequado e necessário que a reputação e o interesse que Cristo desperta progridam, com a diminuição da sua reputação e do interesse que ele desperta (v. 30): “É necessário que ele cresça e que eu diminua”. Se eles se lamentam com a grandeza crescente do Senhor Jesus, eles terão ainda mais oportunidades para lamentar, como têm aqueles que se permitem invejar e imitar. João fala do crescimento de Cristo e da sua própria diminuição, não somente como necessários e inevitáveis, o que não pode ser impedido, e, portanto, deve ser suportado, mas como altamente justo e agradável, e que lhe proporciona completa satisfação.

[1) Ele estava muito satisfeito por ver o reino de Cristo avançando: “Ele deve crescer. Vocês pensam que Ele conseguiu muita coisa, mas isto não é nada em comparação com o que Ele irá conseguir”. Observe que o reino de Cristo é, e será, um reino crescente, como a luz da aurora, como o grão de mostarda.

[2) Ele não estava nem um pouco descontente com o fato de que o efeito disto seja a diminuição do interesse que ele desperta: “Eu devo diminuir”. As excelências criadas estão sujeitas a esta lei, elas devem diminuir. “A toda perfeição vi limite”. Observe que, em primeiro lugar, o brilho da glória de Cristo eclipsa o brilho de qualquer outra glória. A glória que compete com a de Cristo, a glória do mundo e da carne, decresce e perde terreno na alma à medida que o conhecimento e o amor de Cristo crescem e ganham terreno. Mas aqui se fala daquilo que é subserviente a Ele. À medida que a luz da manhã aumenta, a da estrela da manhã diminui. Em segundo lugar, se nossa diminuição ou humilhação podem, pelo menos, contribuir para a promoção do nome de Cristo, nós devemos nos submeter a elas com alegria, e estar satisfeitos por sermos alguma coisa, ou até mesmo por não sermos nada, para que Cristo possa ser tudo.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.