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VITÓRIAS CONTRA O CÂNCER DE MAMA

A medicina conhece a primeira mulher que usou suas células de defesa para evitar a progressão da doença e aplaude duas importantes pesquisas mostrando que boa parte das pacientes necessita de menos remédio. O caminho é a terapia personalizada.

Vitórias contra o câncer de mama

 

A maior parte dos avanços históricos contra o câncer é anunciada na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, Asco, o mais importante encontro da especialidade do mundo. Na edição deste ano, realizada em Chicago, os destaques foram os avanços no tratamento do câncer de mama, o mais comum entre as mulheres na maioria dos países – no Brasil, perde apenas para o tumor de pele não-melanoma. Na raiz dos dois principais trabalhos apresentados sobre o tema está a boa notícia de que muitas das pacientes necessitarão de menos remédio do que o recomendado até agora. Isso significa menor exposição a efeitos colaterais como fadiga e diarreia constante e também economia nos gastos com o tratamento, questão vital para que o custeio das terapias seja viável.

A primeira boa novidade atinge cerca de 70% das mulheres com a doença. Elas apresentam o chamado subtipo luminal de tumor, caracterizado pela presença, nas células tumorais, de receptores hormonais femininos (estrógeno e progesterona). Hoje há alguns testes que avaliam as marcas genéticas da doença, informações atualmente determinantes para saber a chance de o tumor se disseminar e que resposta terá aos remédios. Na pesquisa anunciada na semana passada, 10,2 mil pacientes foram submetidas ao exame Oncotype CX, que analisa 21 genes associados ao tumor e indica o grau de risco em notas que vão de zero a 100. No estudo, considerou-se baixo risco até dez, intermediário de 10 a 25 e, acima disso, alto. “Para a maioria das 6,7 mil pacientes que compunham o risco intermediário ficou evidente que a quimioterapia é desnecessária após a cirurgia para retirada do tumor”, explica o médico Mário Alberto da Costa, da Oncoclínica Centro de Tratamento Oncológico, no Rio de Janeiro. O tratamento à base de hormônios é suficiente.

Antes, sabia-se que a quimioterapia não precisava ser usada apenas para pacientes com escore abaixo de dez. “A nova informação refina mais o tratamento pós-operatório”, afirma o oncologista Fernando Maluf, diretor médico associado do Centro Oncológico da BP – Beneficência Portuguesa de São Paulo. Para as pacientes, prescindir da quimioterapia significa não sofrer os efeitos adversos comuns aos remédios, que incluem náuseas, cansaço e perda de cabelo. Entre as mulheres que apresentaram risco entre 21 e 25 e que se encontravam na pré-menopausa, no entanto, a combinação entre a quimio e a terapia hormonal apresentou pequeno benefício.

AVALIAÇÃO GENÉTICA

O achado só foi possível graças ao salto no conhecimento sobre a genética do tumor e sua importância no combate à enfermidade observado na última década. Isso mudou tudo no tratamento do câncer. As informações genéticas extraídas de cada tumor mostraram que não basta apenas avaliar a localização do câncer e o estado clínico do paciente. É preciso considerar as características genéticas expressadas pelas células tumorais e também do paciente como um todo para que o tratamento seja mais eficaz (sabe-se, por exemplo, que uma mesma medicação pode funcionar para um doente e não para outro). É a união das informações que permite atualmente o desenho de terapias especificas. Não é por outra razão que a medicina viu disparar nos últimos anos o lançamento de drogas que atuam sobre subtipos muito próprios revelados por meio dos estudos genéticos.

 EXPERIMENTO PIONEIRO

O segundo experimento festejado na reunião deste ano também se deve a isso. Ele teve como alvo mulheres portadoras do subtipo HER-2 positivo, caracterizado pela presença de uma alteração genética do tumor que estimula as células doentes a produzir em excesso a proteína HER-2. Essa mutação toma a doença mais agressiva. O recomendado até hoje era que, para evitar a volta do tumor depois da cirurgia, as pacientes recebessem quimioterapia e uma das medicações que bloqueiam especificamente a atuação da proteína. No caso da pesquisa, o remédio usado foi o transtuzumabe. Os cientistas avaliaram a reação ao uso do medicamento durante seis e doze meses. A resposta demonstrou que a evolução e sobrevida entre os dois grupos é praticamente a mesma. “Além de poupar a mulher de efeitos colaterais causados pelo remédio, a informação resultará em uma economia enorme no tratamento”, diz o oncologista Sergio Simon, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica. Um dos riscos mais preocupantes decorrentes da utilização da droga é o dano cardíaco que pode provocar.

Outro experimento inovador também mexeu com a comunidade médica na mesma semana do encontro da Sociedade Americana de Oncologia e trouxe ainda mais esperança de novos recursos contra a doença. Em um artigo publicado na revista científica Nature Medicine – uma das mais res­ peitadas do mundo – pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos descreveram de que maneira conseguiram deixar livre do câncer de mama, pela primeira vez, uma paciente submetida a uma estratégia que usa as próprias células de defesa do doente como arma.

O caminho já foi usado, também com sucesso. para bloquear tumor de pele e de pulmão. A paciente é a engenheira americana Judy Perkins, 49 anos, moradora da Flórida. Seu prognóstico era de três meses de vida depois que o tumor originado em sua mama direita se espalhou para outras partes do corpo (metástase) e não respondia aos tratamentos. Os médicos a selecionaram para o estudo e, após dois anos, constataram que a doença havia sido contida.

Primeiro, os pesquisadores extraíram de seu organismo células do sistema de defesa capazes de localizar e matar o tumor. Depois, as multiplicaram em laboratório. Em seguida, o conteúdo foi injetado em Judy. Todas as lesões metastáticas desapareceram. “Foi uma resposta notável”, declarou o coordenador do trabalho, o médico americano Steven Rosenberg. Há um longo caminho antes de o recurso tomar-se disponível. Depois de terem a boa notícia com Judy, os médicos precisam, antes de tudo, saber se ela será replicada em mais pacientes. Eles estão confiantes que sim.

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OPÇÃO PARA MELANOMA

Novidades importantes foram apresentadas também contra o melanoma, o tipo mais agressivo de tumor de pele. Entre elas estão os resultados animadores do uso combinado de duas medicações (encorafenibe e binimetinibe) em casos nos quais o tumor se espalhou ou apresenta mutação no gene BRAF, algo que corresponde à metade dos casos, e não pode ser completamente retirado por cirurgia. A estratégia dobrou o tempo de sobrevida em comparação à utilização de apenas um dos remédios indicado para a doença (vemurafenibe). Além disso, houve melhora na qualidade de vida. “O tratamento é bem tolerado. Não observamos febre ou fotossensibilidade, por exemplo”, disse Reinhard Dummer, da Universidade de Zurique, principal autor do estudo que forneceu a conclusão.

 

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.