O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

Igreja aprendendo a ser “Igreja”

O que a bíblia me ensinou

Uma outra demonstração de que a “Eklésia” cumpre o seu chamado está naquilo que nos é dado como missão, segundo o modelo ensinado por Jesus: Só seremos considerados “Igreja” quando cumprirmos nossa responsabilidade diante do próximo. Precisamos cumprir, como igreja, a função social para com a comunidade.
Os apóstolos compreenderam sua missão não somente quando andaram em meio aos pregando as boas novas, mas quando se preocuparam em repartir com os necessitados, assistiram as viúvas e os órfãos.
A preocupação em criar um corpo diaconal, descrita em atos 6, mostra quão importante era esse ministério que eles o faziam paralelo à pregação da palavra.
Precisamos hoje resgatar esses princípios e lembrarmos que a palavra de salvação, que é a expressão de nossa Fé, e nossas ações social e comunitária serão o elo definitivo para que possamos unir Fé e Obras.
Em Cristo,

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PSICOLOGIA ANALÍTICA

O NINHO CEREBRAL DOS DEMÔNIOS

No século XV, o Malleus maleficarum e manuais de exorcismo apontavam o ventrículo central como o local do cérebro onde se refugiavam os demônios.

O ninho cerebral dos demônios

O Malleus maleficarum ou “martelo das bruxas”, publicado dezenas de vezes desde 1484, além de justificar do ponto de vista teológico a caça às bruxas era um compêndio da doutrina tomista sobre os poderes dos demônios, notadamente o de dominar a mente das pessoas. É no Malleus, principalmente, que se baseia a teoria demonista da loucura, já que “além dos loucos naturais de que nos fala o evangelho”, existem as alienações causadas por um ou mais demônios.

Assim, alguns distúrbios das faculdades mentais podem resultar da obsessão diabólica, outros, muito mais graves, implicam a possessão. No primeiro caso, o demônio coage e perturba sua vítima como se a sitiasse, mas não a invade, não lhe corrompe a razão. (Mesmo hoje, um distúrbio obsessivo é visto como menos grave que a loucura, ou psicose; entra na categoria de neurose obsessiva compulsiva ou transtorno obsessivo compulsivo (TOC). Graves são, segundo o Malleus, os casos de possessão, nos quais o demônio usurpa o controle total das funções mentais.

É quase um dogma na doutrina exorcística o princípio de que o demônio está sempre onde ele age. Se um homem repentinamente perde o movimento de um braço, é nesse braço que está o demônio. E é ali que o exorcismo deve atuar. Nos distúrbios mentais, o demônio encontra-se em alguma parte do cérebro responsável pela faculdade perturbada, num caso de amnésia, por exemplo, ele se instala na facultas memorativa. Mas nos casos de loucura, ou delírio, quando várias faculdades são perturbadas simultaneamente, mantida a ortodoxia doutrinária o demônio deve estar aninhado em alguma área de comunicação entre as diversas faculdades.

Além do Malleus, diversos manuais exorcísticos apontam, com base no conhecimento anatômico da época, o locus preciso do cérebro em que se aninham os demônios para causar o delírio. É no ventrículo central.

Eis o que diz o ‘Malleus:”…os demônios hão de encontrar-se na fantasia e nas percepções internas… eles são capazes de causar impressões nas faculdades internas… transpondo as imagens retidas nas faculdades correspondentes a um ou mais sentidos, assim como transferem, da memória, situada na parte posterior da cabeça, a imagem… para o meio da cabeça, onde estão as células da faculdade imaginativa e, daí, enfim, para [a região onde está] o sentido da razão, que se situa na frente da cabeça. Causam, assim, uma tal alteração e confusão, que tais imagens são percebidas como se fossem reais, diante dos nossos olhos”(Malleus, II, c.9).

Assim, instalados no ventrículo central, os demônios bloqueiam as informações da realidade, provindas dos sentidos, e abastecem a imaginação e a razão com imagens de percepções anteriores e com lembranças de experiências passadas. É assim que se explicam os absurdos do pensamento delirante.

Três ideias do Malleus perdurarão, na teoria ulterior do delírio: a da perda de coordenação entre funções cerebrais, a de bloqueio da percepção da realidade e a de que os conteúdos do pensamento delirante são, basicamente, resíduos de experiências anteriores, retidos na memória.  

 

ISAIAS PESSOTTI – é escritor e ex-professor titular de psicologia da Faculdade de Medicina da USP, em Ribeirão Preto. É autor de Os Nomes da Loucura e O Século dos Manicômios.

OUTROS OLHARES

A VALORIZAÇÃO DA MATURIDADE

É importante educar crianças e jovens sobre as questões pertinentes ao valor e respeito que a terceira idade merece, fazendo com que tenham uma visão privilegiada sobre os idosos.

A valorização da maturidade

Envelhecer é um processo de enfrentamento de desafios. Algumas medidas que mexem com padrões das aposentadorias deram ainda mais instabilidade a esse quadro. Como lidar com essa fase da vida cheia de inseguranças relacionadas à saúde, às finanças, ao ninho vazio, às perdas, aos lutos etc.?

É inegável que envelhecer parece estar se tornando cada dia mais difícil. Além das dificuldades básicas inerentes a qualquer pessoa idosa, a situação atual do país, que mexe com os padrões da aposentadoria e com o direito à dignidade e sustento de muitos idosos, tem tornado essa fase da vida ainda mais sofrida para todos.

Pessoas honestas, que passaram a vida inteira trabalhando e honrando mensalmente suas despesas e impostos consideráveis, chegam à terceira idade sem o retorno adequado de todo o seu esforço.

Como fica a cabeça de um idoso assim? Como lidar com todas as angústias, inseguranças e a sensação de humilhação, abandono e descaso com que muitos deles convivem diariamente?

Após uma vida inteira ativa no sentido de trabalhar, sustentar suas famílias, criar seus filhos e por vezes a esposa, pais e/ ou sogros, provendo o sustento como uma base ou alicerce da família, eles mudam de posição e passam a depender de outras pessoas para realizar, em alguns casos, até tarefas muito simples.

Mostram-se inseguros e vacilantes diante da incapacidade de fazer as tarefas físicas ou mentais que até então realizavam. Muitas vezes, parte da incapacidade nem é real, trata-se apenas de uma crença limitante de que não conseguem mais fazer certas coisas e que acaba levando-os à limitação real por evitarem a dificuldade imaginada, em que sequer tentam realizar essas tarefas. E, assim, eles começam a se aniquilar e vão deixando pouco a pouco de interagir com o ambiente e as pessoas.

Dificuldades antes nunca imaginadas por eles passam a acompanhá-los em diversos setores de suas vidas. Na alimentação, por exemplo, já não conseguem mastigar alimentos duros ou morder uma maçã. Até a carne fica difícil de mastigar, dependendo do estado do idoso. As tarefas simples do dia a dia também ficam prejudicadas. Subir ou descer escadas, caminhar grandes distâncias, sentar ou levantar do chão ou assentos baixos já se tornam fonte de dor, constrangimento e dependência.

Para as mulheres, em geral, aceitar a ajuda de outros para a realização dessas pequenas tarefas não se torna um problema. Mas algumas mulheres, e grande parte dos homens, sentem-se constrangidas quando se percebem dependendo dos outros para tarefas rotineiras das quais sempre deram conta. Há quem se sinta um estorvo na vida de seus familiares e fique deprimido, desejando morrer e acabar logo com esse fardo.

A visão e a audição já não são mais as mesmas. O que os atrapalha tanto nos momentos de lazer (assistir tele­ visão, ler um livro, ouvir suas músicas favoritas ou fazer palavras cruzadas) quanto para a locomoção sem acompanhamento de alguém, pois correm o risco de serem atropelados, assaltados ou passarem por alguma situação delicada na rua.

O equilíbrio e o reflexo também já se encontram consideravelmente diminuídos e aliam-se muitas vezes a falhas cada vez mais constantes na memória. Senhas passam a ser esquecidas e tarefas como ida a um banco ou ao mercado podem se tornar fonte de frustração, ansiedade ou insegurança.

Com todas essas dificuldades, e tantas outras não citadas aqui, acaba-se notando um isolamento e introversão dos idosos. Há quem se mantenha mais calado e recolhido pela falta de interesse em estar num grupo e não conseguir acompanhar os assuntos e participar daquele momento devido à deficiência auditiva e visual. E quanto mais os idosos se recolhem e evitam utilizar seus canais sensoriais, mais parece que eles se atrofiam e encarceram ainda mais nossos idosos.

Imagine como deve ser sobreviver sem poder ouvir ou ver bem, sentir o gosto dos alimentos que ingere, os cheiros ruins que nos servem como alertas e os bons que nos motivam e agradam? Como deve ser difícil se sentir um estorvo, atrapalhando, na concepção do idoso, um passeio em família, em que todos se limitam a dar alguns passos lentos aguardando seu caminhar difícil e tendo que auxiliá-lo a sentar, levantar, comer etc. Mesmo em casos nos quais a família vive isso com zelo e gratidão, expressando seu prazer em cuidar e estar com seus idosos assim, precisamos aceitar que é triste e/ ou humilhante para muitos deles ter que se submeter aos cuidados constantes.

Essas limitações aliadas à diminuição dos reflexos, da memória, lentidão do raciocínio e aos inúmeros avanços tecnológicos fazem com que os idosos fiquem inseguros e passem a depender de ajuda para a tomada de decisões, resolução de alguns problemas, movimentação de suas contas bancárias, por exemplo, sob o risco de serem lesados ou prejudicados de alguma forma por algum estranho ou por algum equívoco que possam cometer.

Muitos idosos passam a evitar dirigir, sentem-se mais medrosos e cautelosos frente à violência e aos perigos que podem ocorrer nas ruas e começam a se enclausurar. Esse movimento pode estar associado, inclusive, à presença de distúrbios psicológicos, como os de ansiedade ou fobia social, por exemplo, desenvolvendo quadros sofridos e repetitivos de sofrimento diante de necessidades incontroláveis, tais como: trancar todas as portas da casa (inclusive as in­ ternas que ligam os cômodos), checar torneiras, fogão e geladeiras dia e noite, esconder objetos e valores pela casa e sofrer depois até que consiga encontrá-los novamente.

A convivência com cuidadores e ajudantes nas tarefas de casa muitas vezes se torna um grande   desafio para todos os envolvidos. Quando os idosos se comportam de forma agressiva e ranzinza, desconfiada, antipática ou arrogante, a família precisa lidar com a constante procura de novo funcionário. Esse jeito difícil de ser aliado a manias de perseguição, delírios e paranoias, por exemplo, faz com que esses idosos transformem a convivência em algo infernal e adoecedor. E quando eles mesmos não expulsam seus cuidadores, os cuidadores acabam largando o serviço.

 

O MOMENTO DO “NINHO VAZIO”

Considera-se que um dos primeiros grandes baques para um casal com filhos seja o momento no qual eles se emancipam e seguem a vida, deixando a casa vazia, silenciosa e, às vezes, triste.

Como lidar com essa situação na qual o casal fica sozinho novamente? Um momento em que o casal nem se lembra mais como se vive a dois. Momento que chega por vezes de repente, depois de os pais viverem por anos dedicando-se exclusivamente aos filhos.

Muitos casais, após receberem os filhos, perdem a configuração de casal. Os papéis de marido e mulher dão lugar aos papéis de pai e mãe daqueles filhos. Todo o seu tempo, os planos e esforços são direcionados para a satisfação e criação dos filhos. Seus interesses e preferências são comumente deixados de lado e substituídos pelos das crianças.

Há casais que deixam de cultivar sua relação amorosa, suas relações sociais e os momentos de lazer (individuais e do casal), abrindo mão de sua satisfação pessoal para conquistarem a satisfação de seus filhos. E passam tantos anos vivendo para os filhos que, quando estes vão embora, deixam o casal sentindo-se meio perdido. Não sabem mais o que fazer com suas vidas e o tempo livre que passam a ter. Quais são seus gostos? O que desejam fazer ou comer?

Conhecer-se novamente passa a ser um desafio grande para esse casal. Toda a sua rotina de vida, que se modificou para a chegada e criação dos filhos, muda bruscamente mais uma vez. Mais um momento de adaptação e aprendizado.

Muitos casais enfrentam dificuldades sérias para retomarem a vida de casal novamente e se mantêm tentando viver a vida dos filhos. Apegados a eles, cobram suas ligações, sua atenção e sua presença constante. Há casos em que esse apego é tão excessivo que, por mais que o filho ligue e apareça, nunca parece ser suficiente. Com isso, correm o risco de interferir negativamente na vida do novo casal, causando desgastes e embates.

São casais que desaprenderam a se olhar, se cuidar e a tentar satisfazer seus próprios desejos. Muitos nem sabem se ainda desejam algo. Sentem como se não desejassem mais nada, além da função de cuidar da alegria e satisfação de seus filhos.

Dessa forma, um momento que deveria ser de retomada da vida do casal e busca por uma vida a dois mais tranquila e prazerosa torna-se uma vida angustiante, mal aproveitada e sem sentido.

 

A HORA DE SE APOSENTAR

Outro momento crítico na vida de uma pessoa é quando chega a hora de ela se aposentar. Depois de uma vida inteira cumprindo aquele papel profissional, sendo reconhecida como tal, chega a hora de deixar aquilo para trás.

Muitos postergam a aposentadoria pela necessidade de complementar a renda mensal da família. E mesmo que o corpo e a mente já não aguentem mais trabalhar, eles precisam continuar no emprego, numa espécie de tortura diária que afeta seu bem-estar, bom humor e prazer de viver.

Outros a adiam pela dificuldade de abrir mão daquele hábito diário e do status que o trabalho lhe dá. Quem passa a ser reconhecido como dr./dra. Ou mesmo quem ganha a fama de “João do Pastel’ por exemplo, enfrenta grande dificuldade de abrir mão disso. Mesmo cansados e podendo ou precisando se aposentar, eles estendem o máximo que podem seu tempo de serviço.

E, ao consumarem a aposentadoria, muitos são os casos de pessoas que adoecem e perdem o sentido de suas vidas. Parece que essas pessoas não conseguem desapegar do papel que cumpriram por anos e simplesmente seguir, honrando e aceitando o encerramento desse ciclo.

Casos em que a pessoa se despersonaliza totalmente, passando a ser exclusivamente o profissional, total­ mente identificado com o papel profissional empenhado e desqualificando o seu papel pessoal e/ou social. E quando o doutor deixa de estar em cena, não resta mais nada.

Isso pode vir da incapacidade dessas pessoas se relacionarem. Depois de passarem uma vida inteira alimentando seu ego e investindo na área mais confortável, em que ela se sentia mais apta e segura, como deixar a vida profissional e retomar a vida pessoal, que nunca conseguiu ser nutrida e fortalecida?

 

Mais uma etapa difícil e desafiadora que chega, geralmente inaugurando a fase da terceira idade. Etapa esta que influencia a vida do idoso e de toda a família, que sofre as consequências de sua insatisfação ou inapetência.

 

VIVÊNCIA DE MUITOS LUTOS

Outro ponto difícil para os que chegam à terceira idade é a fase na qual os idosos se dão conta de que muitos de seus familiares e amigos já morreram. Deparar-se com a reta final da vida não parece ser uma coisa fácil. Para alguns, a proximidade de descendentes queridos ou amigos próximos alivia e distrai dessa fase. Para outros, a constatação de que todos ou quase todos os entes queridos que nasceram até sua época já se foram acelera ainda mais esse momento final.

É comum se deprimir e encerrar a sua vida antes mesmo que ela termine, numa postura de reclusão e entrega. Tudo parece perder o sentido e eles deixam de fazer coisas que antes lhes proporcionavam bem-estar e alegria, e vivem por viver, dia após dia. Como que se negando a viver o resto de vida que ainda têm.

É uma fase delicada e doída, que exige o desapego de muitas coisas. Casas, e pessoas que coisas construíram suas vidas se foram. E, mesmo assim, você se vê obrigado a seguir com poucas coisas significativas. Quase tudo do seu passado se desfez. E é realmente muito difícil seguir adiante assim.

A valorização da maturidade.3

SAÚDE NA TERCEIRA IDADE

Nessa fase da vida é inevitável que apareçam diversos problemas de saúde. Além das limitações físicas naturais da idade, a maioria dos idosos precisa conviver diariamente com dores em várias partes do corpo. Muitas patologias aparecem como reflexo, ou não, de seus hábitos alimentares ou posturais de uma vida inteira. Atividades ou funções que ele se impôs ou que exigiram dele por muitos anos e que agora apresentam resultados danosos e irreversíveis, mentalmente ou fisicamente falando. Problemas nas articulações, coluna, coração, mente acelerada, ansiedade, depressão, muitas consequências que a vida dura acaba trazendo para a terceira idade.

Alguns penam por falta de consciência da consequência dos danos que serão provocados no futuro e outros por falta de opção de outro tipo de atividade de sustento. Mas todos os idosos levarão minimamente as marcas do desgaste do corpo físico e da velhice que chega após uma vida inteira de esforço e dedicação.

E o que fazer quando se alia um custo de vida muito alto, com um plano de saúde que pratica valores absurdos, versus uma aposentadoria extremamente baixa?

Na época em que o sujeito mais precisa do plano de saúde, que muitos pagam uma vida inteira sem sequer terem tempo disponível para utilizar, vê-se obrigado a dispor de valores altíssimos para se manter associado. Se por algum motivo o idoso não possuía plano de saúde e tem necessidade de ingressar em algum, provavelmente terá seu pedido negado, já que as companhias de plano de saúde não aceitam novos associados com idade avançada e problemas de saúde preexistentes.

Parece engraçado, para não dizer triste ou vergonhoso, especular que as companhias que oferecem plano de saúde preferem pessoas com saúde, que não necessitam utilizar o serviço por eles oferecido. Em sendo assim, qual se­ ria a finalidade de um plano de saúde? Promover e prezar pela saúde dos asso­ ciados, que se associam pela necessidade de buscar ou manter uma boa saúde, ou somente aceitar clientes com boa saúde para evitar despesas excessivas com os serviços prestados por eles?

Os idosos que têm a “sorte” de poder dispor de um plano de saúde, na hora que precisam de atendimento, ou na hora da realização de algum exame ou tratamento, sofrem, inicialmente, com a enorme dificuldade para agendar um horário. E sofrem mais ainda depois, com a espera desumana e longa em antessalas cheias e desconfortáveis para a efetivação do mesmo.

Afirmo que são desumanas, pois é comum vermos idosos com dificuldade de deslocamento sendo jogados para lá e para cá na tentativa de realizar um exame importante ou aguardando sua vez que nunca chega, enquanto sofrem com a fome do jejum necessário para o exame ou com o constrangimento horrível de não conseguir segurar a urina após ter bebido vários copos de água e não ter sido prontamente atendido.

É muito duro ver nossos idosos passando por situações tão difíceis numa fase da vida na qual eles deveriam ter um refresco, um alento, um retorno de tudo que eles construíram e significaram em sua existência. E vemos que, in­ dependentemente do papel que tenham cumprido ou da classe social a que pertencem, seu final de vida tende a parecer injusto e difícil.

Entendo que a necessidade dos mais novos sobreviverem, e darem conta de tudo o que aquele idoso proporcionou a eles um dia, tira deles por vezes a capacidade de valorizar e aproveitar seus idosos por mais tempo. Muitas vezes, só quando os perdemos nos damos conta de que poderíamos ter aproveitado mais a presença deles. Nossas crianças poderiam ter tido mais tempo junto deles, para ouvir suas histórias e receber muito aprendizado. Nós os deixamos ir sem perguntar muitas coisas que podiam ter sido perguntadas. Mas nos envolvemos tanto com as responsabilidades e dificuldades da vida que tantas vezes mal podemos honrar nossos antepassados como mereciam ser honrados.

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O VALOR DA TERCEIRA IDADE

Um dos sinais que indicam que um país é desenvolvido é o nível de consciência e valorização que se tem acerca da importância da população de terceira idade. Após uma vida inteira servindo a sua família e, de alguma forma, a sua pátria, um idoso deveria ter o direito a uma velhice tranquila e digna, na qual ele pudesse ter acesso à saúde com respeito e dignidade e pudesse dispor de instituições dedicadas a ele no sentido de ter atividades e ocupações saudáveis. Ocupações as quais talvez nunca tenham tido t empo e oportunidade de realizar, pela vida corrida e produtiva que levaram. Mas agora, com a disponibilidade de tempo, eles podem experimentar e descobrir prazeres, habilidades e até se sentirem úteis na realização de trabalhos nos quais podem compartilhar sua experiência e sabedoria adquirida na escola da vida. É um desperdício deixarmos nossos idosos se calarem e se isolarem, levando informações preciosas sobre nossa história e nosso passado. Talvez se enxergássemos seu valor e os respeitássemos como parte fundamental de nossas vidas e nossa história os idosos pudessem envelhecer de forma mais digna. Que possamos repensar esse tema e educar nossas crianças e jovens sobre as questões pertinentes ao valor e respeito que a terceira idade merece.

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AS PERDAS

A perda do companheiro de vida é uma das situações mais dolorosas na vida dos idosos. Após compartilhar uma trajetória inteira com alguém. fica muito difícil seguir sem ele. Mesmo nos casos nos quais a convivência não era fácil ou casos nos quais um dos cônjuges estava adoecido, a perda não é sinônimo de alívio e sim de vazio e dor. Não é difícil ver o cônjuge que permaneceu vivo definhar até morrer.

A valorização da maturidade.5 

ESTATÍSTICAS

No Brasil, a chamada terceira idade cresceu aproximadamente 11 vezes nos últimos 60 anos. saltando de 17 milhão para 18.5 milhões de pessoas nessa faixa etária. Segundo projeções em 2025 serão 611 milhões e, em 2050, um em cada três brasileiros será idoso. Por todos esses fatores é fundamental que as próximas gerações entendam a importância de respeitar essa população

 

DANIELE VANZAN – é psicóloga e especialista em Psicologia Jurídica. Formou-se posteriormente em Terapia de Vida Passada (Terapia Regressiva) e Constelação Sistêmica. Atualmente, atende e ministra cursos para terapeutas interessados nessas áreas de atuação. Autora de dois livros infantis pela Editora Boa Nova: Não Consigo Desgrudar da Mamãe, que versa sobre a ansiedade de separação, e Eu Sou o Rei de Todo o Mundo, que aborda a problemática das crianças que têm dificuldade de aceitar limites. São livros destinados a crianças e adultos que necessitam de informações e orientações acerca desses temas.

GESTÃO E CARREIRA

O FOCO SUSTENTA A CARREIRA

O foco sustenta a carreira

Na hora de escolher um investimento em educação ou aceitar uma proposta de trabalho, com frequência discutimos se a melhor estratégia de carreira é ter um foco específico ou ser um generalista. Porém, quando observo o mercado, não tenho dúvida de que o profissional é favorecido quando tem um eixo funcional definido.

Uma pesquisa conduzida pelas universidades Colúmbia e Tulane revelou que mais de 400 alunos de MBAs que atuavam no setor financeiro, mas que haviam se graduado em áreas distintas, obtiveram um bônus 15% maior se comparado ao dos que tinham formação específica em finanças. Os generalistas eram os preferidos; os especialistas, os castigados. Entretanto, mesmo que a formação acadêmica seja um fator de diferenciação, nenhum deles precisou migrar para outro departamento.

Thomas Malone, professor no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, explica em seu livro O Futuro dos Empregos (Editora M. Books) a “hiperespecialização” das carreiras. Ele afirma que não só as organizações, mas também todas as atividades da sociedade moderna necessitam de pessoas altamente especializadas. Isso ocorre porque a alta complexidade dos negócios, a redução elas estruturas e a pressão por resultados exigem o foco e conhecimentos consolidados.

Precisamos compreender que área-foco significa um conjunto de atividades que compõe o eixo funcional de carreira. Por exemplo, para se especializar em RH é preciso ter experiência em recrutamento, seleção, remuneração e desenvolvimento. Navegar dentro de um setor é saudável e não significa perder a concentração.

Além de construir uma especialidade, é importante complementar a carreira com uma visão sistêmica, principalmente para posições de liderança. Focalizar um eixo funcional e compreende as áreas são os alicerces da trilha profissional.

Estamos diante da transformação dos modelos tradicionais de trabalho. Uma das iniciativas contemporâneas é a criação de hubs, ou grupos que contribuem com diversas atividades da organização, sem hierarquia e sem necessariamente as pessoas estarem em seu setor de origem. Esses modelos flexíveis serão necessários para oxigenar as carreiras e permitir movimentos não lineares.

Mas é importante não se iludir. Acompanhar as mudanças da área e se manter atualizado são antídotos contra o envelhecimento e darão sustentação no longo prazo, independentemente da forma como as organizações se ajeitem.

 

RAFAEL SOUTO – é fundador e CEO da Consultoria Produtive, de São Paulo. Atua com planejamento e gestão de carreira, programas de demissão responsável e de aposentadoria

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 28: 11–15

Alimento diário

A Ressurreição

Para mais provas da ressurreição de Jesus Cristo, temos aqui a confissão dos soldados que estavam de guarda; e há duas coisas que fortalecem esse testemunho – que eles foram testemunhas oculares, e eles mesmos viram a glória da ressurreição, algo que ninguém mais viu. Além disso, eles eram inimigos, colocados ali para se oporem e obstruírem a sua ressurreição. Agora observe aqui:

I – Como esse testemunho foi dado aos príncipes dos sacerdotes (v. 11): quando as mulheres estavam indo levar a notícia aos discípulos, que iria encher os seus corações de alegria, os soldados foram levar a mesma notícia aos príncipes dos sacerdotes, o que iria encher os seus rostos de vergonha. Alguns da guarda, provavelmente aqueles que estavam no comando, chegando à cidade, levaram para aqueles que os haviam empregado o relatório de seu desapontamento. Eles anunciaram aos príncipes dos sacerdotes todas as coisas que haviam acontecido; contaram-lhes sobre o terremoto, a decida do anjo, a remoção da pedra, e a saída do corpo de Jesus vivo de dentro do túmulo. Assim, o sinal do profeta Jonas foi levado para os príncipes dos sacerdotes com a mais clara e incontestável evidência que poderia existir; e assim os maior es meios de convicção lhes foram apresentados; nós bem podemos imaginar como essa notícia foi uma mortificação para eles, e que, como os inimigos dos judeus, eles se abateram muito em seus próprios olhos (Neemias 6.16). Poderia se esperar justamente que eles agora cressem em Cristo, e se arrependessem de tê-lo matado; mas eles eram obstinados em sua infidelidade, e permaneceram assim.

II – Como o fato foi encoberto e sufocado por eles. Eles convocaram uma reunião, e consideraram o que deveria ser feito. Da parte deles, estavam resolvidos a não crer que Jesus havia ressuscitado; mas a preocupação deles era impedir que outros cressem, e impedir que eles fossem envergonhados por causa de sua incredulidade. Eles o entregaram à morte, e não havia nenhum modo de justificar o que haviam feito; assim, nada mais lhes restava, a não ser confrontar as evidências de sua ressurreição. Desse modo, aqueles que se venderam para operar a maldade descobrem que um pecado atrai outro, e que eles mergulharam a si mesmos em uma vil necessidade de acrescentar iniquidade à iniquidade, algo que faz parte da maldição dos perseguidores de Cristo (Salmos 69.27).

O resultado da conversa deles foi que aqueles soldados deveriam ser subornados de qualquer maneira, para que não contassem a verdade.

1. Eles colocaram dinheiro nas mãos dos soldados. E qual é a maldade que os homens não farão por amor ao dinheiro? Eles deram aos soldados muito dinheiro, provavelmente uma quantia muito maior do que deram a Judas. Esses príncipes dos sacerdotes amavam o seu dinheiro, assim como a maioria das pessoas, e estavam relutantes a se indisporem dele; no entanto, para darem prosseguimento a seu plano malicioso contra o Evangelho de Cristo, eles foram bastante generosos. Eles provavelmente deram aos soldados o que eles pediram, e os soldados sabiam como tirar proveito de uma situação como essa. Os soldados receberam muito dinheiro para divulgar o que sabiam ser uma mentira, enquanto muitos relutam a dar pouco dinheiro para que seja divulgado o que sabem ser a verdade, mesmo tendo uma promessa de serem recompensados na ressurreição dos justos. Não sejamos avarentos em relação a uma boa causa, ao vermos uma causa má ser apoiada tão generosamente.

2. Eles colocaram uma mentira na boca dos soldados (v. 13). “Dizei: Vieram de noite os seus discípulos e, dormindo nós, o furtaram” ; uma manobra lamentável é melhor do que nenhuma, mas essa manobra foi realmente desprezível.

(1)  Essa história inventada era ridícula, trazendo consigo a sua própria contestação. Se eles dormiram, como poderiam saber alguma coisa do que aconteceu, ou dizer quem foi até o sepulcro? Se qualquer um deles estivesse acordado para observar o que aconteceu, sem dúvida alguma teria acordado todos os demais para impedir que os discípulos fizessem algo; pois essa era a única missão deles. Era totalmente improvável que um grupo de homens pobres, fracos, amedrontados e desanimados fosse se expor em uma atividade tão impensada quanto resgatar um corpo morto. Por que as casas onde eles moravam não foram cuidadosamente vasculhadas, e outros meios usados para descobrir o corpo morto? Mas essa era uma mentira tão fraca que qualquer pessoa a poderia desmascarar facilmente. Mas, se ela alguma vez tivesse sido plausível:

(2)  Foi uma atitude perversa desses sacerdotes e anciãos contratar os soldados para contar uma mentira deliberada (como se essa tivesse sido uma questão de tão pequena importância), contra as suas consciências. Aqueles que levam outros a cometer um pecado premeditado não sabem o que fazem; pois isso pode corromper a consciência, e ser uma porta de entrada para muitos outros pecados. Mas:

(3)  Considerando que essa atitude teve a intenção de destruir a grande doutrina da ressurreição de Cristo, esse foi um pecado contra o último remédio, e foi, com efeito, uma blasfêmia contra o Espírito Santo, pois imputaram à malícia dos discípulos aquilo que foi feito pelo poder do Espírito Santo.

Mas, para que os soldados não fossem objetos da penalidade que eles sofreriam pela lei romana por dormirem durante uma guarda, pena que era muito severa (Atos 12.19), os judeus prometeram interceder junto ao governador: “Nós o persuadiremos e vos poremos em segurança”. Nós usaremos os nossos próprios interesses, de forma que ele não perceba a gravidade do fato; e eles, de fato, descobriram como poderiam manipulá-lo facilmente. Se esses soldados realmente tivessem dormido, permitindo assim que os discípulos roubassem o corpo, como o mundo teria que acreditar, os sacerdotes e anciãos teriam sido os primeiros a solicitar junto ao governador que os soldados fossem punidos pela sua traição. Dessa forma, o cuidado deles pela segurança dos soldados mostra claramente que eles divulgaram uma mentira. Eles se comprometeram a protegê-los da espada da justiça de Pilatos, mas não poderiam protegê-los da espada da justiça de Deus, que paira sobre a cabeça daqueles que amam a mentira, e mentem. Eles prometem mais do que podem cumprir ao se comprometerem a salvar um homem de qualquer dano, depois de cometerem um pecado premeditado.

Pois bem, assim o complô foi executado. Mas, que sucesso isso teve?

[1] Aqueles que estavam dispostos a enganar, pegaram o dinheiro e fizeram como foram instruídos. Eles se importavam tão pouco com Cristo e sua religião quanto os príncipes dos sacerdotes e anciãos; e os homens que não têm nenhuma religião poderiam ficar bastante satisfeitos se vissem o cristianismo ser destruído, e até mesmo ajudariam a destruí-lo, se fosse necessário, para servir à ocasião. Eles pegaram o dinheiro. Era isso a única coisa que os interessava, e nada mais. Observe que o dinheiro é uma isca para a tentação mais maligna; as línguas mercenárias venderão a verdade por ele.

O grande argumento para provar que Cristo é o Filho de Deus é a sua ressurreição. E ninguém poderia ter provas mais convincentes disso do que esses soldados; eles viram o anjo descer do céu, viram a pedra ser removida, viram o corpo de Cristo sair do túmulo, a menos que a consternação que sentiram os tenha impedido. No entanto, eles estavam tão longe de serem convencidos por tudo isso que foram contratados para desacreditá-lo, e impedir que outros cressem nele. Note que sem a operação conjunta do Espírito Santo, nem mesmo as evidências mais sensatas convencerão os homens.

[2] Aqueles que estavam predispostos a ser enganados não só acreditaram, mas propagaram a história. E foi divulgado esse dito entre os judeus, até o dia de hoje. A história falsa foi bem aceita, e atendeu ao seu propósito. Os judeus, que persistiam em sua infidelidade, quando ouviram o argumento da ressurreição de Cristo, ainda tinham esta resposta pronta: “Os seus discípulos vieram, e o roubaram”. A narrativa solene teve esse propósito (como Justino Mártir menciona em seu diálogo com Trifo, o judeu): o grande sinédrio divulgou essa mentira a respeito desse assunto a todos os judeus da dispersão, estimulando-os a uma resistência vigorosa ao cristianismo – disseram que quando eles o haviam crucificado e sepultado, os discípulos vieram à noite, e o roubaram do sepulcro. Assim, planejavam não só derrubar a verdade da ressurreição de Cristo, mas tornar os discípulos odiados no mundo, como os maiores vilões da natureza. Quando uma mentira é levantada, ninguém sabe até onde ela será divulgada, nem por quanto tempo ela irá durar, nem que malefício ela irá provocar. Alguns dão um sentido diferente a essa passagem. “E foi divulgado esse dito”, isto é, “apesar do artifício dos príncipes dos sacerdotes, desse modo imposto sobre o povo, a trama que havia entre eles e os soldados, e o dinheiro que foi dado para apoiar a trapaça, foi divulgada e sussurrada entre os judeus”. Pois, de um modo ou de outro, a verdade sempre é revelada.