GESTÃO E CARREIRA

SOLTE SUAS FERAS

Novos estudos mostram que não é a felicidade que garante a saúde e o bem-estar, e sim a capacidade de lidar bem com todos os sentimentos que existem, inclusive a raiva.

Solte suas feras

Sabe aquela história de que pessoas felizes vivem mais e melhor? Esqueça. Uma recente pesquisa publicada pela Associação Americana de Psicologia e pelo jornal Emotion mostra que a felicidade não é a responsável por evitar mal-estar e doenças inflamatórias no corpo – e, sim, a habilidade de lidar com as diversas emoções existentes.

A pluralidade de sentimentos, a que os cientistas chamam de “emodiversidade”, baseia-se em paralelos com as ciências naturais. Um ambiente na natureza é saudável quando várias espécies cumprem seus papeis. “É a mesma coisa com as emoções, já que cada uma delas ajuda a regular o comportamento para adaptar-se a determinada situação”, escreveu Jordi Quoidbach e seus colegas autores do estudo, representantes de universidades como Yale, Harvard e Cambridge. Em síntese: o mais importante para a saúde não é a felicidade, mas a variedade e a frequência de emoções que sentimos.

Isso não é carta branca para fazer como o paranaense José Buffo há 14 anos, quando chefiava a agencia de publicidade Heads, da qual era sócio. Ele admite que naquele tempo era irritante, neurótico, centralizador e mal-educado. “Eu era tudo o que um líder não pode ser, afirma José. Certo dia, frustrado com a quantidade de vezes que a impressora apresentava defeito, ele pegou o equipamento, levou até o jardim da casa onde ficava a sede da empresa (na cidade de Curitiba) e ateou fogo.

Embora tenha extravasado a raiva, isso não fez bem nem a ele nem à equipe – sem falar no prejuízo com a perda da máquina. Naquele ano, José decidiu tirar um período sabático. Em 2004, foi a centros de meditação na Índia em busca de autoconhecimento e adotou uma dieta macrobiótica. “Antigamente, depois que passava o nervosismo, eu pedia desculpas, só que o estrago já estava feito”, diz. ”Agora consigo cobrar, que é importante para o gestor, e sei que isso pode ser feito com respeito e carinho.” Talvez ainda mais importante: ele vendeu sua parte na agência, abriu negócio de apoio a novos empreendedores e passou a decidir em quais projetos se envolver. Hoje, José pode até trabalhar mais, mas tem menos estresse, o que lhe permite controlar melhoras emoções.

 

O ALFAIATE E O ALFINETE

O reconhecido psicólogo Steven Hayes, à frente do departamento de análise do comportamento na Universidade de Nevada, nos Estados Unidos, reforça que expressar os sentimentos é bom, embora isso precise ser feito de forma apropriada e na hora adequada. Ele é irredutível, porém, quanto à importância de dar vazão a todas as emoções. Para Hayes, ao evitar certas reações no trabalho, agimos corno um alfaiate que entorpece os dedos para evitar urna alfinetada dolorosa. Isso pode driblar a dor no curto prazo, mas, com o tempo, os danos causados pelas picadas serão ainda mais prováveis e ele não produzirá uma boa peça. O risco aumenta e a probabilidade de eficácia diminui. “Tudo para evitar sentimentos difíceis”, diz Hayes.

A fuga pode resultar até mesmo em problemas de saúde. Diante de um chefe fechado, avesso a novas ideias e com medo de alguém da equipe o substituir, o administrador Luís Guilherme de Oliveira, hoje com 28 anos, começou a se sentir infeliz sob a influência de tanta negatividade. Como era jovem e estava no começo da careira, demorou para reagir à emoção e sua imunidade acabou baixando. Portador de toxoplasmose desde o nascimento, ele notou o protozoário incubado e inativo aproveitar-se da oportunidade e entrar em ação pela primeira vez, fazendo com que perdesse mais de 30% de sua visão.

Para a psicóloga Beatriz Brandão é saudável pôr para fora todos os sentimentos, sobretudo os ruins. “Senão o corpo direciona as emoções para outras áreas e a pessoa desenvolve transtornos, dores de estômago e ansiedade”, afirma.

Apesar de agir com educação ser algo bem-visto em nossa sociedade, extravasar é bom e há países incentivando esse comportamento. O inglês Luke Treglown, um dos autores do estudo “O lado obscuro da resiliência e da moderação”, publicado na revista Harvard Business Review, indica que algumas empresas no Reino Unido encorajam deixar que as emoções venham à tona. “Em ambientes de alta pressão e ritmo acelerado, os funcionários que são assertivos, diretos ou contundentes geralmente são vistos como os melhores naquilo que fazem”, diz Treglown.

Sair do controle pode ter um resultado positivo. Quando atuava em uma empresa que presta serviços de controle e monitoramento de bagagens para a Virgin Atlantics Always, a paranaense Gabriela Gaertner protagonizou um “barraco”. Vendo a gerente da companhia contratante maltratar sistematicamente um colega, mesmo quando ele não havia feito nada de errado, ela explodiu e, na frente de seu chefe, levantou o dedo para a mulher e disse – sem palavrões – que aquilo que ela fazia era errado. “Tive certeza de que seria demitida quando me chamaram logo depois para a sala da direção”, lembra. No entanto, para sua surpresa, o superior perguntou se ela gostaria de ser promovida a coordenadora da equipe em que trabalhava.

“As emoções negativas têm de existir para nos mostrar que é preciso fazer alguma coisa diante de determinadas situações”, afirma Flora Victoria, presidente da Sociedade Brasileira de Coaching. Segundo ela, explodir é melhor do que ficar remoendo, mas o ideal é ter estratégias para compensar os sentimentos ruins e voltar a se sentir bem – inclusive para, no auge do problema, não estourar de forma a perder a razão. Entre as táticas mais conhecidas está praticar a respiração diafragmática e a meditação. Mas atitudes simples, como levantar e ir ao banheiro ou tomar água, também auxiliam no momento da explosão. Sereno, o profissional consegue acessar o racional por meio de emoções positivas. “Gosto da analogia de mudar de marcha, que aqui significa mudar o estado emocional de forma cada vez mais rápida”, diz Flora.

O administrador catarinense Cleomar Piola, por exemplo, chegou a quebrar telefones durante suas necessidades de extravasar no trabalho. Com o tempo, adotou uma daquelas bolinhas usadas por quem tem tendinite nas mãos. “Eu fechava a porta da minha sala e jogava a bola com força na parede, porque sabia como era importante colocar certas emoções para fora”, lembra. Agora, gerente corporativo da rede de supemercados Caitá, com experiência, acompanhamento terapêutico e maternidade, ele levanta, caminha por uma das lojas da rede ou dirige até outra unidade, sem que ninguém note seu estado.

 Solte suas feras.3

DE VOLTA AO CONTROLE

Estudos mostram que tudo bem sentir várias emoções, o importante é retomar a calma o mais rápido possível. Veja algumas dicas para isso:

 RESPIRAÇÃO DIAFRAGMÁTICA

O QUE É: Respirar usando o músculo que fica entre o pulmão e a barriga

O QUE FAZ: Ajuda a restaurar a sensação de relaxamento.

CAMINHADA

O QUE É: Mudar de cenário, ir ao banheiro ou tomar água.

O QUE FAZ: Direciona a energia do momento para outros lugares e outras pessoas, arejando o cérebro

MEDITAÇÃO

O QUE É: Exercício mental de concentração num objeto, numa atividade ou num pensamento.

O QUE FAZ: Oxigena a mente para que a pessoa se concentre mais no presente e não altere demais suas emoções.

 Solte suas feras.2

 

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

Uma consideração sobre “GESTÃO E CARREIRA”

Os comentários estão encerrados.