ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 28: 1-10 – PARTE III

Alimento diário

A Ressurreição

IV – A saída das mulheres do sepulcro, para anunciar aos discípulos (v. 8). E observe:

1. Em que estrutura e estado de espírito elas estavam. Elas saíram “com temor e grande alegria”. Uma mistura estranha, temor e alegria ao mesmo tempo, na mesma alma. Ouvir que Cristo havia ressuscitado foi um motivo de alegria; mas ser levada para dentro do seu túmulo, e ver um anjo, e falar com ele sobre isso, só poderia causar temor. Era uma boa notícia, mas elas estavam com medo de que fosse bom demais para ser verdade. Mas observe que isto foi dito da alegria delas, que era uma grande alegria; não é dito isso quanto ao seu temor.

Considere:

(1)  O temor santo vem acompanhado de alegria. Aqueles que servem ao Senhor com reverência, servem-no com alegria. (

2)  A alegria espiritual é misturada com tremor (Salmos 2.11). É somente o amor e a alegria perfeitos que afastam todo temor.

2. Com que pressa elas agiram. Elas correram. O temor e a alegria agilizaram o ritmo delas, e acrescentaram asas ao seu movimento. O anjo ordenou que fossem imediatamente, e elas correram. Aqueles que são enviados em uma missão de Deus não devem demorar, ou perder tempo; onde o coração está dilatado com as notícias alegres do Evangelho, os pés correrão o caminho dos mandamentos de Deus.

3. Que missão elas receberam. Elas correram a anunciá-lo aos seus discípulos. Não duvidando que essas notícias seriam alegres para eles, as mulheres correram, para consolá-los com os mesmos confortos com que elas mesmas foram consoladas por Deus. Os discípulos de Cristo devem estar dispostos a transmitir uns aos outros as suas experiências de doce comunhão com o céu; devem dizer aos outros o que Deus tem feito por suas almas, e lhes falado. A alegria em Cr isto Jesus, como o unguento na mão direita, irá se revelar, e encher com os seus odores todos os lugares dentro das linhas de sua comunicação. Quando Sansão achou mel, ele o levou para os seus pais.

 

V –  O aparecimento de Cristo às mulheres, para confirmar o testemunho do anjo (vv. 9,10). Essas mulheres boas e zelosas não só ouviram a boa notícia a respeito dele, mas foram as primeiras a vê-lo depois da sua ressurreição. O anjo instruiu aqueles que o veriam a ir para a Galileia. Mas, antes que esse dia chegasse, mesmo aqui, eles buscavam aquele que vive e os vê. Jesus Cristo é frequentemente melhor do que a sua Palavra, mas nunca pior. Ele frequentemente se antecipa, mas nunca frustra as expectativas confiantes do seu povo.

Aqui está:

1. O aparecimento de surpresa de Cristo para as mulheres. “E, indo elas, eis que Jesus lhes sai ao encontro”. As visitas bondosas de Cristo geralmente nos encontram no caminho do dever, e aqueles que usam o que possuem para o benefício dos outros, receberão ainda mais. Essa entrevista com Cristo foi completamente inesperada (Cantares 6.12). Cristo está mais perto de seu povo do que eles imaginam. Elas não precisaram descer às profundezas para buscar a Cristo, como se Ele estivesse ali. Ele não estava ali, já havia ressuscitado. Também não precisariam subir aos céus, porque Ele ainda não havia subido; mas Cristo, mesmo estando tão elevado, está bem perto de cada um de nós.

2. A saudação com a qual Ele se dirige a elas: “Eu vos saúdo”. Essa era uma antiga saudação, desejando toda a saúde para aqueles que encontramos; esse é o significado de “Eu vos saúdo”, e é uma expressão grega de saudação, que corresponde à expressão hebraica “Paz seja convosco”. Ela indica:

(1)  A boa vontade de Cristo em relação a nós e à nossa felicidade, mesmo depois que Ele entrou em seu estado de exaltação. Embora Ele esteja à frente, sempre nos deseja o melhor; e se preocupa muito com o nosso conforto.

(2)  A liberdade e a familiaridade santa que o Senhor Jesus usou em seu relacionamento com os seus discípulos; porque Ele lhes chama de amigos. Mas a palavra grega significa “Regozijai-vos”. Elas foram tomadas de temor e alegria; o que Ele lhes disse estimulou a alegria delas (v. 9). Elas poderiam se regozijar, e silenciar o seu temor (v. 10): “Não temais”. Note que a vontade de Cristo é que o seu povo seja um povo alegre, e a sua ressurreição lhes proporcione uma alegria abundante.

3. O respeito afetuoso que elas lhe prestaram: “E elas, chegando, abraçaram os seus pés e o adoraram”.

Desse modo, elas expressaram:

(1)  A reverência e a honra que elas tinham por Ele; elas se lançaram aos seus pés, colocaram-se em uma posição de adoração, e o adoraram com humildade e temor piedoso, como o Filho de Deus agora exaltado.

(2)  O amor e a afeição que elas tinham por Ele; elas o detiveram (Cantares 3.4). Quão suaves eram os pés do Senhor Jesus para elas! (Isaias 52.7).

(3)  A situação de alegria em que elas estavam, agora que tinham mais essa confirmação de sua ressurreição; elas abraçaram essas notícias. Assim, devemos abraçar a Jesus Cristo, que nos é oferecido através do Evangelho. Com reverência devemos nos lançar aos seus pés, pela fé devemos nos agarrar a Ele, e com amor e alegria devemos colocá-lo em nossos corações.

4. As palavras encorajadoras que Cristo lhes disse (v. 10). Não encontramos que elas tenham dito qualquer coisa a Ele; seus abraços afetuosos, bem como a sua terna adoração, falaram de um modo suficientemente claro; e o que Ele lhes disse não foi mais do que o anjo já havia dito (vv. 5,7); porque Ele confirmará a palavra dos seus mensageiros (Isaias 44.26). E o seu modo de confortar o seu povo é falar pelo seu Espírito várias vezes aos seus corações a mesma mensagem que eles ouviram anteriormente através dos seus anjos, os seus mensageiros. Agora observe aqui:

(1)  Como o Senhor censura o temor delas: “Não temais”. Elas não devem temer esses avisos repetidos de sua ressurreição, nem temer qualquer dano a partir do ressurgimento de alguém dentre os mortos; porque a notícia, embora estranha, era tanto verdadeira como boa. Note que Cristo ressuscitou dos mortos para silenciar os temores do seu povo, e a notícia da sua ressurreição traz o suficiente para silenciá-los.

(2)  Como o Senhor repete a mensagem: “Ide dizer a meus irmãos” que eles devem se preparar para uma viagem à Galileia, e “lá me verão”. Se houver qualquer comunhão entre as nossas almas e Cristo, é Ele quem marca o encontro, e Ele observará o compromisso. Jerusalém havia perdido a honra da presença de Cristo, e era uma cidade tumultuada; portanto, o Senhor transferiu o encontro para a Galileia. “Vem, ó meu amado, saiamos ao campo” (Cantares 7.11). Mas o que é especialmente observável aqui é que Jesus chama os seus discípulos de seus irmãos. “Ide dizer a meus irmãos”; não só àqueles que eram seus consanguíneos, mas a todos os demais, pois todos eles são seus irmãos (cap. 12.50). Mas Ele nunca os chamou assim antes, fazendo-o apenas depois da sua ressurreição, tanto nessa passagem como em João 20.17. Tendo Ele mesmo, por sua ressurreição, declarado ser o Filho de Deus com poder, todos os filhos de Deus foram assim declarados como sendo seus irmãos. Sendo o Primogênito dos mortos, Jesus se tornou o primogênito entre muitos irmãos, de todos aqueles que são reunidos na semelhança da sua ressurreição. Cristo agora não conversava tão constante e familiarmente com os seus discípulos, como havia feito antes de sua morte; mas, para que não pensassem que Ele havia se tornado um estranho para eles, Ele lhes dá esse título carinhoso: “Ide a meus irmãos”. E assim se cumprem as Escrituras que, falando de sua entrada em seu estado exaltado, dizem: ”Anunciarei o teu nome aos meus irmãos”. Eles o haviam desertado vergonhosamente no momento de seus sofrimentos; mas, para mostrar que Ele poderia perdoar e esquecer, e para nos ensinar a fazer o mesmo, o Senhor não só dá continuidade ao seu propósito de se encontrar com eles, mas os chama de irmãos. Sendo todos seus irmãos, eles eram irmãos uns dos outros, e deveriam se amar como irmãos. O fato de o Senhor os considerar como seus irmãos coloca uma grande honra sobre eles, mas também há um grande exemplo de humildade em meio a essa honra.

 

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.