ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 28: 1-10

Alimento diário

A Ressurreição – Parte II

III – A mensagem que esse anjo entregou às mulheres (vv. 5-7).

1. Ele as encoraja contra os seus medos (v. 5). Aproximar-se de túmulos e sepulturas, especialmente em silêncio e solidão, tem algo de assombroso. Quanto mais para aquelas mulheres, que encontraram um anjo no sepulcro; mas logo ele as tranquiliza, dizendo: “Não tenhais medo”. Os guardas ficaram assombrados e como mortos, mas: “Não tenhais medo”. Deixe que os pecadores em Sião tenham medo, porque há razão para isso; mas: Não temas, Abraão, nem qualquer um da semente de Abraão. Por que deveriam as filhas de Sara, que fazem o bem, temer algum espanto? (1 Pedro 3.6). “Não tenhais medo. Não permitais que a notícia que eu tenho para vos dar seja uma surpresa para vós, porque vos foi dito anteriormente que o vosso Mestre ressuscitaria; não permitais que isso seja um terror para vós, porque a sua ressurreição será a vossa consolação; não temais, pois não vos farei qualquer dano, nem tenho más notícias para vós. ‘Não tenhais medo, pois eu sei que buscais a Jesus’. Eu sei que tendes simpatia pela causa. Eu não venho para vos assombrar, mas para vos encorajar.” Note que aqueles que buscam a Jesus não têm motivo para ficar com medo; porque, se eles o buscarem diligentemente, o acharão, e o acharão como o seu Redentor generoso. Todas as nossas indagações a respeito do Senhor Jesus, na fé, são observadas e registradas no céu. “Eu sei que buscais a Jesus”; e certamente receberão uma resposta, como essas receberam, com boas palavras, e palavras de conforto. “Buscais a Jesus, que foi crucificado”. Ele menciona o fato de Jesus ter sido crucificado, com a intenção de elogiar o amor que elas sentem por Ele. Em outras palavras: “Vós ainda o buscais, embora Ele tenha sido crucificado; mesmo assim, retendes a vossa bondade por Ele”. Observe que os verdadeiros crentes amam e buscam a Cristo, não só embora Ele tenha sido crucificado, mas pelo fato de ter sido crucificado.

2. Ele lhes assegura sobre a ressurreição de Cristo. E havia o suficiente nisso para acalmar os seus temores (v. 6). “Ele não está aqui, porque já ressuscitou”. Ouvir que Ele não estava ali não seria uma notícia bem-vinda para aquelas que o buscavam, se não tivesse sido acrescentada a frase: porque “já ressuscitou”. Note que é uma questão de conforto para aquelas que buscavam a Cristo, e não o encontravam onde esperavam, o fato de que Ele já tivesse ressuscitado; não o encontramos em um repouso, como poderíamos esperar, porém Ele já ressuscitou. Não devemos dar atenção àqueles que dizem: Cristo está aqui, ou: Ele está ali, porque Ele não está aqui ou ali; Ele já ressuscitou. Em todas as nossas indagações a respeito de Cristo, devemos nos lembrar de que Ele já ressuscitou; e devemos buscá-lo como aquele que ressuscitou.

(1)  Não com pensamentos totalmente carnais a respeito dele. Havia aqueles que conheciam a Cristo segundo a carne; mas, de agora em diante, não o conhecem mais assim (2 Coríntios 5.16). É verdade que Ele tinha um corpo completamente humano; mas agora o seu corpo é um corpo glorificado. Aqueles que fazem retratos e imagens de Cristo se esquecem de que Ele não está aqui, porque já ressuscitou; a nossa comunhão com Ele deve ser espiritual, pela fé em sua Palavra (Romanos 10.6-9).

(2) Devemos buscá-lo com grande reverência e humildade, e uma imensa consideração por sua glória, porque já ressuscitou. Deus o exaltou sobremaneira, e lhe deu um nome que está acima de todo nome, e, portanto, todo joelho e toda alma deve se dobrar diante dele.

(3) Devemos buscá-lo com o nosso pensamento nas coisas celestiais. Quando estivermos prontos para fazer deste mundo o nosso lar, e dizer: “Bom é estarmos aqui”, lembremo-nos de que o nosso Senhor Jesus não está aqui, porque já ressuscitou, e assim não deixemos que os nossos corações estejam aqui, mas deixemos que eles ressuscitem também, e busquemos as coisas que são do alto (Colossenses 3.1-3; Filipenses 3.20).

Duas coisas que o anjo menciona a essas mulheres, para a confirmação de sua fé, no tocante à ressurreição de Cristo.

[1] Sua palavra agora cumprida, da qual elas poderiam se lembrar: “Já ressuscitou, como tinha dito”. Isto ele afirma como o próprio objeto de fé: “Ele disse que iria ressuscitar, e vocês sabem que Ele é a própria Verdade; portanto, vocês tinham motivos para esperar que Ele ressuscitasse. E por que seriam relutantes em crer naquilo que Ele disse que ocorreria?” Nunca consideremos estranho aquilo de que a palavra de Cristo tem levantado as nossas expectativas, seja quanto aos sofrimentos do tempo presente, ou à glória que está para ser revelada. Se nos lembrarmos do que Cristo nos disse, não ficaremos surpresos com o que Ele faz conosco. Ao dizer: “Ele não está aqui, porque já ressuscitou”, esse anjo está indicando que não está anunciando um outro Evangelho diferente daquele que eles já haviam recebido, porque ele se refere à palavra de Cristo como sendo suficiente para confirmar: “já ressuscitou, como havia dito”.

[2] Seu túmulo agora vazio, para o qual elas poderiam olhar: “‘Vinde e vede o lugar onde o Senhor jazia’. Com­ pare o que ouviste com aquilo que estais vendo; juntando essas coisas, crereis. Vede que Ele não está aqui, e lembrando-se do que Ele disse, podeis ficar satisfeitas pelo fato de Ele já ter ressuscitado. Vinde e vede o lugar, e vereis que Ele não está ali, vereis que Ele não poderia ser roubado dali, e, portanto, deveis concluir que Ele já ressuscitou”. Note que pode ser útil para nos afetar, e pode ter uma boa influência sobre nós, vir e, com um olhar de fé, ver o lugar onde o Senhor jazia. Vejam ali as marcas do seu amor que Ele tem ali deixado ao rebaixar-se tanto por nós; vejam com que facilidade Ele fez essa cama, e com que alegria, por nós, deitou-se nela. Quando olhamos para dentro do túmulo onde sabemos que teremos de nos deitar, podemos remover o terror que sentimos olhando para dentro do túmulo onde o Senhor jazia; ou, como diz o texto Siríaco, o lugar onde o “nosso Senhor” jazia. Os anjos o têm como seu Senhor, assim como nós; porque toda a família, tanto no céu como na terra, recebe o nome dele.

3. Ele as orienta para que levem a notícia do que aconteceu aos seus discípulos (v. 7): “Ide, pois, imediatamente, e dizei aos seus discípulos”. É provável que elas desejassem ficar ali com a visão do sepulcro e conversar com os anjos. Era bom estar ali, mas elas tinham recebido uma outra incumbência; esse é um dia de boas notícias, e, embora elas tenham a posse principal do conforto, sendo as primeiras a desfrutar de notícias tão agradáveis, elas não devem ter o monopólio delas, não devem reter a paz deles, assim como aqueles leprosos (2 Reis 7.9). Elas devem ir contar aos discípulos. Observe que a utilidade pública que beneficia os outros deve ser preferida ao nosso próprio prazer e comunhão particular com Deus; porque é mais bem-aventurado aquele que dá, em comparação com aquele que recebe. Observe:

(1)  Os discípulos de Cristo devem receber primeiro a notícia. A ordem não é: Ide, dizei aos príncipes dos sacerdotes e aos fariseus, para que eles possam ficar perplexos; mas: Dizei aos seus discípulos, para que eles sejam confortados. Deus antecipa mais a alegria de seus amigos do que a vergonha de seus inimigos, embora esteja reservado para a vida eterna a plena realização de ambos. “Dizei aos seus discípulos”; pode ser que eles não acreditem em vosso relato, no entanto dizei-lhes:

[1] Para que eles possam se sentir encorajados sob as suas tristezas e dispersões presentes. Eles sofreram um período terrível, entre a dor e o medo. Que vivificante seria para eles, agora, ouvir que o seu Mestre ressuscitou!

[2] Para que eles mesmos pudessem dar prosseguimento às suas indagações. Esse alarme lhes foi enviado para despertá-los daquela estranha estupidez que os havia agarrado, e para aumentar as suas expectativas. Isso deveria fazer com que buscassem a Cristo, preparando-os para a ocasião em que o Senhor lhes apareceria. As indicações gerais nos levam a buscas mais intensas e profundas. Eles agora ouvirão a respeito dele, porém muito em breve o verão. Cristo se revela gradualmente.

(2)  As mulheres são enviadas para lhes anunciar, e assim foi feito; elas foram como apóstolos para os próprios apóstolos. Esta foi uma honra colocada sobre elas, e uma recompensa pela sua fidelidade constante e afetuosa ao Senhor Jesus, na cruz e no túmulo, e uma censura aos discípulos que o abandonaram. Mesmo assim, Deus ainda escolhe as coisas fracas do mundo para confundir as poderosas, e coloca o tesouro, não só em vasos de barro, mas aqui em vasos mais frágeis. Assim como a mulher, sendo enganada pelas sugestões de um anjo mal, caiu em transgressão (1 Timóteo 2.14), essas mulheres, sendo devidamente informadas pelas instruções de um anjo bom, foram as primeiras a crer na redenção da transgressão pela ressurreição de Cristo. Para que a reprovação por serem do sexo feminino pudesse ser afastada, colocando-as no mesmo nível dos homens, o que é o louvor perpétuo delas.

(3)  Elas receberam a ordem de cumprir essa missão imediatamente. Por que, que pressa havia? A notícia não se esfriaria, e seria bem recebida por eles a qualquer momento, não é? Sim, mas eles estavam agora tomados de pesar, e Cristo lhes mandaria apressadamente essa notícia vivificante; quando Daniel estava se humilhando diante de Deus por causa do pecado, o anjo Gabriel voou rapidamente com uma mensagem de conforto (Daniel 9.21). Devemos estar sempre prontos e dispostos:

[1] A obedecer às ordens de Deus (Salmos 119.60).

[2] A fazer o bem aos nossos irmãos, levando-lhes conforto, como aqueles que se compadecem de suas aflições. Não podemos dizer: “Vai e torna, e amanhã to darei”; mas devemos ajudar a quem pudermos agora, imediatamente.

(4)  Elas foram instruídas a informar aos discípulos de que deveriam encontrá-lo na Galileia. Houve outras aparições de Cristo a eles antes dessa ocasião na Galileia. Elas foram repentinas e de surpresa; mas o Senhor teria um encontro solene e público, e lhes avisou com antecedência. Então, a Galileia foi designada como o local desse encontro geral, a cerca de 130 ou 160 quilômetros de Jerusalém:

[1] Como um gesto de bondade para com os seus discípulos que permaneceram na Galileia, e não subiram (talvez por não poderem subir) até Jerusalém. Ele iria, portanto, para aquela terra, para manifestar-se aos seus amigos ali. “Eu conheço as tuas obras, e onde habitas”. Cristo sabe onde os seus discípulos habitam, e os visitará ali. Observe que a exaltação de Cristo não faz com que Ele se esqueça dos seus discípulos aparentemente mais insignificantes e mais pobres, mas Ele se manifestará com bondade até mesmo para aqueles que estão distantes da sepultura.

[2] Em consideração à fraqueza dos seus discípulos – que estavam agora em Jerusalém, que estavam no momento com medo dos judeus, e que não ousavam aparecer publicamente -, esse encontro foi transferido para a Galileia. Cristo conhece todos os nossos temores, e considera a nossa estrutura. Assim sendo, Ele marcou o seu encontro em um lugar onde haveria um risco muito menor de ocorrência de algum distúrbio.

Por fim, o anjo solenemente afirma, através da sua palavra, a verdade do que lhes havia relatado: “‘Eis que eu vo-lo tenho dito’, podeis estar certas disso, e depender disso. Eu vo-lo tenho dito, e não ousaria dizer uma mentira”. A palavra falada pelos anjos permaneceu firme (Hebreus 2.2). Deus havia estado habituado, anteriormente, a tornar o seu pensamento conhecido ao seu povo através da ministração de anjos, como na entrega da lei; mas, como Ele planejou nos tempos do Evangelho deixar de lado esse modo de comunicação (pois não foi aos anjos que Ele sujeitou o mundo por vir, nem os designou para serem os pregadores do Evangelho), esse anjo foi enviado agora para certificar os discípulos da ressurreição de Cristo, e assim deixar nas mãos deles o anúncio ao mundo (2 Coríntios 4.7). Ao dizer: “Eis que eu vo-lo tenho dito”, ele se exime da culpa da incredulidade delas, caso não recebessem esse relato, e lança toda a responsabilidade sobre elas: “Eu cumpri a minha missão, e de modo fiel entreguei a minha mensagem; agora vocês precisam olhar para ela e crer nela, assumindo a completa responsabilidade por suas decisões; quer vocês creiam, quer vocês se abstenham, eu lhes tenho dito”. Observe que os mensageiros de Deus que cumprem a sua responsabilidade fielmente podem ter o conforto que resulta dessa atitude, seja qual for o resultado (Atos 20.26,27).

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.