O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

Igreja aprendendo a ser “Igreja”

O que a bíblia me ensinou

Quando nos referimos a igreja, estamos falando da “eklesia” como o corpo de Cristo cumprindo sua função no IDE…ou seja, o que somos dentro do corpo precisa refletir e influenciar os que estão fora dele!

A primeira missão dada a “Eklesia”, como “Chamados para fora” foi dada pessoalmente pelo Senhor Jesus quando da ressurreição em Mateus 28:19 constituindo a missão dos salvos que é:

1- Pregar as Boas Novas de Salvação e mostrar a necessidade que o pecador tem de se arrepender de seus maus caminhos e, principalmente, de ter um Salvador pessoal para redimir sua alma da morte eterna;

2 – O Ensino é a segunda missão dos salvos para que, ao tomar conhecimento da verdade, não enrede por falsos ensinamentos/falsas doutrinas.

3 – O Batismo nas águas só então se torna possível, haja visto, o mesmo só se consuma com o pleno conhecimento da importância deste no mundo físico (para os que se achegaram à Fé), e o Espiritual (para que suas batalhas sejam coroadas de vitória contra as tentações do inimigo).

Graça e Paz

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PSICOLOGIA ANALÍTICA

BASES BIOLÓGICAS DA AGRESSIVIDADE

No substrato dos comportamentos agressivos, há um complexo mecanismo molecular. Mas, seria correto considerar a violência uma doença passível de ser curada com medicamentos?

Bases biológicas da agressividade

Em Boston, há uma lanchonete onde, antes de comer é preciso brigar. Trata-se de uma caixa de plexiglás transparente dentro da qual duas drosófilas disputam um pratinho de levedo em meio a golpes de patas e investidas furiosas. Os encontros deste bizarro clube de lutas, administrado por Edward Kravitz, neurobiólogo da Faculdade de Medicina de Harvard, são meticulosamente registrados em vídeo. O objetivo é estudar as bases biológicas da agressividade, uma das pulsões mais antigas e comuns a todas as espécies, mas cujos mecanismos desencadeantes permanecem um enigma.

Os modelos animais ajudaram pesquisadores a compreender patologias como câncer e diabetes e são hoje indispensáveis no desenvolvimento de todos os tratamentos modernos. No entanto, só nos últimos anos adquiriram importância na pesquisa sobre o comportamento humano. Isso porque as novas tecnologias de análise molecular, trazendo à luz a complexa rede de circuitos bioquímicos por trás de cada pulsão, permitem identificar pontos comuns a várias espécies.

“À primeira vista, a drosófila é muito diferente do homem”, observa Kravitz, “mas é um ótimo ponto de partida para isolar as moléculas que suscitam comportamentos agressivos porque conhecemos todo o mapa do seu DNA e muitos dos seus genes encontram correspondência no genoma humano. Fáceis e econômicas de criar, essas moscas-das-índias têm também a vantagem de apresentar comportamentos diferentes conforme o sexo, tanto que machos e fêmeas combatem de maneiras distintas, com esquemas reconhecíveis com base nos movimentos de cada um.

Numa pesquisa publicada recentemente nos Procedings of the NationaI Academy of Sciences, Kravitz demonstrou que, modificando geneticamente os neurônios de um inseto macho, podiam ser atribuídas ao seu cérebro as características cerebrais de uma fêmea em idade adulta. Muitos dos comportamentos dessas moscas alteradas, desde os sexuais aos rituais de corte, mudavam para assemelhar-se àqueles femininos. Apesar disso, seu modo de combater permanecia o mesmo.

 RAÍZES ANTIGAS E COMUNS

“É a primeira prova experimental de que, modificando um gene, se influi também sobre um comportamento”, observa Bruce Baker, biólogo da Universidade Stanford. Com o colega Kravitz, Baker estuda o papel da galanina, um dos principais neurotransmissores envolvidos no estímulo de agressividade e galanteio. “Mas significa também que a agressividade é um traço extremamente conservado ao longo do processo evolutivo, e depende de mecanismos que se desenvolvem muito cedo, antes mesmo da determinação do sexo. Os comportamentos podem ser muito diferentes de uma espécie para outra, mas parece claro que as moléculas na base desses estímulos são as mesmas.”

Os pesquisadores empregam técnicas de engenharia genética para obter animais knock–0ut –  privados de um gene de que sequer estudara função -, ou knock-in, quando a sequência de DNA é aumentada. No entanto, o alvo verdadeiro não são simplesmente os genes. A bem da verdade, a ideia de que existam “genes da violência” hoje está descartada, e vem sendo dada mais atenção para um grupo de neurotransmissores que têm como característica comum a presença, no interior da própria estrutura molecular, do aminoácido triptoíano. A agressividade parece se originar por moléculas diversas, mas há muitas outras que contribuem na modulação da intensidade da resposta agressiva.

Klaus Miczek, da Universidade Tufts, e Craig C. Ferris, da Universidade de Massachusetts, concentraram a atenção em dois neurotransmissores: serotonina e vasopressina. Em muitas espécies, entre elas o homem, baixos níveis de serotonina correspondem a comportamentos agressivos. Os ratos, por exemplo, atacam muito mais facilmente outro animal depois de consumirem substâncias que influem nos receptores da serotonina, impedindo o cérebro de absorver essa molécula. Ao contrário, fármacos como a fenfluramina, que aumenta o nível de serotonina, ou estimulam os receptores cerebrais que ligam esse neurotransmissor, diminuem a frequência dos comportamentos agressivos nesses animais. Os mesmos princípios são conhecidos e usados em nível farmacológico no homem. A fluoxetina, naturalmente presente no cérebro e utilizada em forma sintética em alguns antidepressivos, impede que os neurônios se liberem da serotonina produzida.

Se saturar os receptores de serotonina reduz a agressividade, a vasopressina, ao contrário, a alimenta, agindo diretamente sobre o hipotálamo, região do cérebro onde têm origem muitos estímulos comportamentais. Na década de 90, estudos clínicos conduzidos por Emil F. Coccaro, da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, mostraram que também no homem uma escassa secreção de serotonina é acompanhada de comportamentos agressivos.

MOLÉCULAS DE POTENCIALIZAÇÃO

Os instintos agressivos seriam, portanto, simplesmente provocados pela carência de uma molécula? A química da violência parece bem mais complexa. A serotonina desempenha papel central no controle da agressividade em todos os neurotransmissores desempenha papel de controle em todos os mamíferos, e conhecemos pelo menos 14 receptores diferentes no cérebro humano”, observa Robert Sapolsky, da Universidade Stanford. Ao lado de Lysa Share, o neurobiólogo estuda a biologia da agressividade nos macacos. “Mas muitas outras moléculas potencializam o comportamento agressivo. Entre elas a dopamina – ligada ao prazer e à busca de novas sensações – a adrenalina e a noradrenalina, que aumentam o metabolismo e a força. Também a testosterona contribui, mas em medida muito menos importante que usualmente se pensa. Nas fêmeas, é muito importante a relação entre progesterona e estrogênio liberados no sangue.” Nos mamíferos de ambos os sexos, além disso, altos níveis de estrogênio podem alterar o equilíbrio do eixo do stress, constituído por hipófise, hipotálamo e glândulas suprarrenais responsáveis pela secreção de glicocorticoides, conhecidos como hormônios do stress.

Em 2004, os estudos conduzidos com gatos por Alan Siegel, neurologista da Universidade de Nova Jersey, demonstraram que também algumas moléculas do sistema imunológico, como as citocinas, são capazes de potencializar o comportamento agressivo, da mesma forma que outros neurotransmissores como o ácido gama aminobutírico (GABA) e diversos neuropeptídios. A serotonina permanece, de qualquer modo, o detonador principal de cada resposta agressiva, e por isso as pesquisas se concentram sobre ratos, que têm receptores cerebrais extremamente semelhantes aos humanos.

Hoje é também possível criar roedores geneticamente modificados que apresentam traços típicos de problemas psiquiátricos complexos como a depressão e a esquizofrenia, mas os resultados destas pesquisas devem ser interpretados com cuidado.” Desenvolver modelos animais para estudar os distúrbios humanos é um instrumento muito importante para compreender as bases dos distúrbios psiquiátricos, mas os resultados obtidos em fase de pesquisa pré-clínica devem ser interpretados com cautela, explica Alessandro Bartolomucci, do Instituto de Neurociências do Conselho Nacional de Pesquisa de Roma, que estuda a resposta ao stress nos ratos. De acordo com ele, o estudo dos neurotransmissores e dos genes implicados em tais distúrbios podem dar apenas indicações sobre os mecanismos biológicos de base na espécie estudada. Dada a semelhança de estruturas e funções existentes entre os vertebrados, é provável que tais mecanismos sejam altamente conservados também no homem, mas isso deve ser verificado experimentalmente. No que diz respeito aos raios transgênicos, por sua vez, modificar um ou mais genes produziria animais com características análogas às de um paciente psiquiátrico, mas quase nunca podemos reduzir uma síndrome complexa à disfunção de um só gene”.

DO ESTADO AO COMPORTAMENTO

A própria definição de agressividade ainda não foi estabelecida pela comunidade científica. Nos animais, a agressividade é tipicamente medida pela frequência dos ataques dirigidos a um intruso que ultrapasse os limites do seu território. Mas é uma medida indireta, porque a agressão é um comportamento, enquanto a agressividade é o estado motivacional, o conjunto das alterações neuroquímicas e fisiológicas que estão na base da agressão”, diz Bartolomucci.

O limite conceituai é evidente também no Manual diagnóstico e estatístico de transtornos (DSM-IV), que cita os comportamentos agressivos como sintoma de vários distúrbios psiquiátricos, mas não dá uma definição convincente da agressividade, como acontece para a depressão. O debate sobrea definição da agressividade é muito intenso, observa Bartolomucci. Está claro que estamos diante de um fenômeno complexo que pode ser desencadeado por razões diversas, que evoluiu como resposta a pressões seletivas muito diferentes, da defesa do território à sexualidade, mas é também modulado e atenuado por fatores sociais. Além disso, e felizmente, a agressividade pode ser inibida e não desembocar em comportamentos violentos.”

Nos países anglo-saxões, há uma grande atenção para o excesso de agressividade de crianças e adolescentes, muitas vezes descrito com a expressão inglesa bullying, que remete as atitudes agressivas a experiências sociais nos primeiros anos de vida do indivíduo. No entanto, estudos recentes indicam que também as relações sociais no interior de uma comunidade de idade adulta contam muito. As pesquisas de Sapolsky e Share com alguns grupos de macacos silvestres mostraram que depois da morte por doença dos machos dominantes e mais violentos, as fêmeas preferiam aqueles menos agressivos. Além disso. os pesquisadores constataram que, depois de dois anos da ausência dos mais agressivos, o grupo repudiava novos indivíduos muito violentos.

A PÍLULA DA MANSIDÂO

“A medida que se vão esclarecendo as bases biológicas da agressividade, aventa-se também a hipótese de tratar e controlar os comportamentos muito violentos com uma nova classe de fármacos, os serenics (agonistas do receptor de serotonina, por exemplo). Hoje, a atenção é dirigida aos inibidores seletivos de recaptação da serotonina, até agora utilizados como antidepressivos. O objetivo é modular a agressividade de maneira específica, sem induzir os pacientes a um estado de apatia. A fluoxetina já se demonstrou eficaz em alguns casos, assim como outras moléculas que agem sobre o receptor 1B da serotonina, mas ainda com muitos efeitos colaterais.

A possibilidade de expandir o emprego desses inibidores entrou, porém, em compasso de espera no fim do ano passado, quando a FDA, a agência americana de controle de alimentos e fármacos, verificou uma ligação entre o uso de fluoxetina e a frequência dos suicídios em adolescentes tratados por síndromes depressivas.

O freio principal aos investimentos de pesquisa farmacológica nesse campo deriva, porém, da impossibilidade de registrar novas moléculas para regular a agressividade. A FDA aprova, de fato, somente fármacos destinados à cura de patologias específicas e reconhecidas, mas, como já se disse, o DSM- IV não dá uma definição da agressividade como distúrbio patológico. O único estudo clínico específico iniciado por uma empresa farmacêutica é aquele sobre o uso da eltoprazina para controlar a agressividade de pacientes paranoicos e esquizofrênicos efetuado pela Solvay, que, porém, arquivou o projeto em 1994.

Se as empresas não investem, os pesquisadores parecem, porém, mais otimistas. Sapolsky recentemente propôs uma terapia gênica voltada para modificar a secreção de CRH, o hormônio que induz a hipófise a liberar o cortisol ou hormônio do stress e influencia consequentemente, o equilíbrio dos estrogênios. Segundo o pesquisador americano, seria tecnicamente possível inserir genes ativáveis por meio de fármacos em alguns neurônios, a fim de controlar a resposta ao stress e também a agressividade.

Seja qual for o caminho tomado pela pesquisa para novos tratamentos, os cientistas são os primeiros a lembrar que o controle farmacológico da agressividade é um terreno minado do ponto de vista ético. Quem sofre de agressividade patológica poderia beneficiar-se, mas o risco é que se crie uma zona cinzenta e se termine por encorajar o tratamento de um número sempre maior de pessoas cujo comportamento agressivo é determinado não por disfunções bioquímicas, mas por fatores sociais.

 O TEMPO DOS VALENTÔES

Entre as tantas formas de agressividade, uma em particular tomou conta das escolas: aquela que, na literatura internacional, ficou conhecida pelo termo inglês bullying. O pioneiro dos estudos sobre o bullying foi o psicólogo norueguês Dan Olweus, que, no início dos anos 70, na esteira de um grave incidente registrado pela crônica policial, começou a ocupar-se sistematicamente do fenômeno. A ele se deve a primeira definição: o aluno é objeto de ações de bullying, ou, de fato, é abusado ou vitimizado, quando é exposto, repetidamente, às ações ofensivas postas em prática por parte de um ou de mais colegas.

Na raiz dos comportamentos do “valentão” há quase sempre a vontade de intimidar e dominar, um abuso de poder que se manifesta com modalidades diversas. Aquela física, na qual se agride a vítima com socos e chutes, ou também se busca invalidar suas realizações pessoais. Aquela verbal, em que se ridiculariza, se insulta, se escarnece repetidamente. Enfim, há também uma modalidade indireta (registrada com mais frequência entre as meninas): o agressor difunde fofocas incômodas, pequenas calúnias, excluindo a vítima dos grupos de convivência social.

Os “valentões” que não modificam as suas modalidades de interação serão, quando adultos, pessoas com forte risco de comportamentos anti sociais, ou desviantes. As vítimas frequentemente perdem auto estima e se culpam, reações que comportam perda de concentração e rendimento escolar.  Em alguns casos, há somatização, com dores de cabeça, de estômago, ataques de ansiedade, pesadelos: todos distúrbios que podem ter consequências psicológicas também em idade adulta. Para subtrair-se aos comportamentos do “valentão”, ou dos “valentões”, as vítimas chegam a deixar a escola, a não sair mais de casa, e em casos extremos, ao suicídio.

Foi um caso de triplo suicídio que levou o governo norueguês a encarregar Olweus de estudar o fenômeno. Nos anos 80, a análise e as medidas para combater o bullying chegaram aos outros países escandinavos, e dali aos Estados Unidos, Canadá, Japão Holanda e Reino Unido.

O agressor ataca no trajeto entre casa e instalações escolares e nos banheiros de escolas, mas o lugar principal da agressão é dos mais insuspeitos: a sala de aula. Isto é, sob os olhos mais ou menos conscientes dos adultos.

OUTROS OLHARES

DIVERSIDADE FAMILIAR

As novas configurações da família moderna impõem inúmeras alterações comportamentais que transformam os perfis convencionais de pai e mãe.

Diversidade familiar2

Era uma vez a história da fundação de Roma. Os gêmeos Rómulo e Remo são cuidados (e amamentados) por uma loba. Essa é a história mítica de dois bebês que, criados por um outro animal mamífero não humano, sobrevivem, se tomam humanos, crescem e fundam Roma.

Por mais que se respeite as lobas, nos diz Donald Winnicott, pediatra e psicanalista, esse mito só não se sustenta… Um bebê não pode existir por si só, mas é parte essencial de uma relação humana (1988). Para se ter um bebê humano é necessário que um outro ser humano cuide dele, na melhor das possibilidades, exista uma mãe e ela seja um membro de uma família nuclear?

Para alguns estudiosos a família atual está mais sólida do que nunca. Com o nascimento do anonimato urbano e na ausência de qualquer comunidade profissional estável, a família se tornou hoje o único referencial e o único lugar onde ficar, repousar e ser compreendido. Para outros, muito pelo contrário, trata-se aí apenas de reações sintomáticas a uma crise profunda da família moderna: casais separados, famílias monoparentais ou recompostas, incompetência crescente dos pais na educação dos filhos, o declínio da imagem social do pai, o celibato prolongado das mulheres ou a postergação do nascimento dos filhos por motivo profissional etc. (Burd, 2015).

A família na atualidade se reinventou, como os cuidados ditos “maternos”, também se reinventaram. Só a mãe biológica pode maternar? Ou haveria outras pessoas que poderiam exercer essa função? Há possibilidades de terceirizar a maternagem?

“Essa é a nossa questão de hoje: Existe uma nova forma de maternagem e quem atualmente desempenha essa função?”

Vamos tentar responder essa pergunta porque hoje, (como na época de Rómulo e Remo, precisaremos de mais do que uma loba para isso. “Um bebê e alguém mais…”

Estamos no transcurso do século XXI e a função de maternar não se coloca especificamente na figura da mãe biológica, uma mulher que engravidou, gestou, deu à luz o seu bebê e cuidou dele. Através do panorama da evolução dos costumes e papéis sociais constata-se a caminhada das mulheres ao mercado de trabalho e dos homens aos cuidados com os filhos e a casa. As avós (e já vemos também as bisavós) estão ajudando a criar seus netos (e bisnetos). Outras vezes, a mulher posterga a maternidade para depois da universidade, da consolidação no trabalho, da sua independência financeira e, como o seu relógio biológico para engravidar vai se extinguindo, ela precisa recorrer à reprodução assistida. Por vezes não há o desejo de engravidar, a mulher (ou o casal) quer apenas adotar uma criança.

A colocação das crianças nas creches e escolinhas desde muito cedo e por períodos de tempo muito longos é uma alternativa aos pais que trabalham fora em regime de tempo integral. Outra possibilidade são as babás que cuidam das crianças. E essa terceirização do cuidado das crianças pode se estender ao celular, ao tablet, ao laptop, com filmes e jogos eletrônicos, da câmara de vídeo que monitoriza casa e a deixa à mostra em tempo e hora, sem falar da TV que foi e ainda é uma “babá eletrônica.

Estamos assistindo também à formação de novas configurações familiares. Casais homoafetivos, tanto masculinos quanto femininos, estão se formando e desejam ter filhos, biológicos ou adotados. Famílias separadas estão se recompondo com outros parceiros e os filhos de um se unem aos do outro e os filhos de ambos se reúnem numa mesma casa formando uma família recomposta e extensa.

UMA GRANDE CONTRIBUIÇÃO

Winnicott, pediatra e psicanalista, depositava grande confiança na capacidade natural das mães para a maternagem. Sua preocupação era de que esse talento inato não fosse prejudicado. As expressões de winnicottianas “mãe devotada comum “e “mãe suficientemente boa” criaram um ambiente aberto no qual a mãe passa a ter mais possibilidades de se sentir livre o suficiente para ser ela mesma. Ele dizia que passado o período da  “preocupação materno-primária”, no qual o bebê é o centro de tudo para ela, começa a existir um período de desilusão gradativa, necessária à construção do self interior do bebê e do mundo objetal à sua volta, e que a mãe, em contrapartida, tenha um espaço próprio para buscar outras satisfações e ineresses que não o bebê ou o ser exclusivamente mãe.

Isso quer dizer, em última análise, que a mãe não pode ser perfeita, pois corre o risco de não favorecer o desenvolvimento físico-psicológico do filho. A mãe (ou quem a substitua) não pode superproteger o bebê nem ser negligente. Isso também quer dizer que o “bebê cria a mãe”, ela começa a perceber que, apesar da importância da maternagem, o conhecimento das suas imperfeições é parte do processo do par cuidador e que isso constitui um momento mais liberador do que opressivo.

A mãe winnicottiana é empática, embora ainda preocupada consigo. Ela quer proporcionar cuidados, prazer e brincadeiras a seu filho, mas sabe que o mundo e a vida exigem limites, restrições, frustrações e desilusões graduais. A mãe dentro dessa ótica é uma pessoa comum que faz coisas comuns: segurá-lo (dar o holding), ter um bom manejo (o handling) que dê acalento ao filho, e ter a sensibilidade necessária para a “apresentação do objeto (o mundo) no momento ideal.

O bebê winnicottiano é a criança que descobre o mundo dessa forma e se torna a tempo preparada para receber bem as surpresas que o mundo oferece. Winnicott acreditava que, sendo uma mãe zelosa, ela pode evitar que o mundo (e ela própria) invada demais a criança antes que ela o descubra. Ele denomina a mãe e o bebe como o “par cuidador’; e os pais devem desempenhar um papel fundamental na proteção desse par contra as adversidades. O pai winnicottiano é necessário pelos seus próprios direitos e não como uma réplica da mãe. Winnicott sabia que “há certos pais que efetivamente seriam melhores mães que sua esposa” e que “homens maternais podem ser muito úteis. Quando não há o pai é preciso que alguém tome a si o papel protetor – que assuma a função paterna. O papel do pai é “abrir o mundo para a criança”, que o vê através de um novo par de olhos.

A família winnicottiana é o grupo que normalmente proporciona à criança segurança e força (um ambiente sustentador e um “grupo transicional”) que facilitam a individualização da criança, sua separação da família e adaptação à sociedade. O ambiente humano, para Winnicott, deve ser “suficientemente bom”, é adaptativo da forma correta, apropriado, de acordo com as necessidades do bebé. Winnicott diz em relação aos gêmeos Rómulo e Remo que alguém que era humano encontrou e cuidou dos bebês…

“A princípio éramos absolutamente dependentes, e por sorte fomos satisfeitos pela devoção comum (1988).

 CONSTELAÇÃO

Daniel Stern, outro psicanalista, fala da “constelação da maternidade” (1997), e enumera quatro temas que, na nossa cultura, surgem quando alguém que cuida de um bebe deve se perguntar:

Serei capaz de manter a vida e o crescimento do bebe? Serei capaz de me envolver emocionalmente com o bebê, de maneira pessoalmente autêntica, e será que esse envolvimento psíquico assegurará o desenvolvimento psíquico que se quer para o bebê? Saberei como criar e prover os sistemas de apoio necessários ao cumprimento dessas funções? Serei capaz de transformar a auto identidade para permitir e facilitar essas funções?

A constelação da maternidade não é universal e inata. Em outras épocas, histórias e culturas, esses temas não seriam tarefas da mãe, seriam diferentes ou quase inexistentes. Os homens poderiam elaborar uma nova constelação da maternidade quando as condições se mostrassem propicias. Além das influências hormonais, ou melhor, psicobiológicas, que preparam a mãe para cuidar de seu bebê, as condições socioculturais, também parecem dominantes em como e se essas vão agir.

Na nossa sociedade, nos diz Stern (1997), as condições culturais importantes na moldagem da forma final da constelação da maternidade conforme nós a conhecemos incluem os seguintes fatores:

“A sociedade atribui um grande valor aos bebês, à sua sobrevivência, bem-estar e desenvolvimento ótimo; supõe-se que o bebê seja desejado; a cultura atribui um grande valor ao papel maternal, e a mãe (ou quem a substitua) é, em parte, avaliada como pessoa por sua participação e sucesso no papel maternal; a responsabilidade básica pelos cuidados com o bebê é colocada na mãe {ainda o é hoje), mesmo que ela delegue grande parte das tarefas a outras pessoas; é esperando que a mãe ame o bebê; é esperado que o pai e outros proporcionem um contexto apoiador em que a mãe possa desempenhar seu papel maternal por um período inicial. Quanto aos pais, Stern distingue os “pais tradicionais” e os “novos pais”. Os primeiros não vivem muito a constelação da maternidade, podem até dar o apoio prático; os segundos podem participar de todas as tarefas de cuidados e do apoio prático. O “novo marido” é deixado com metade do trabalho e, se sentir gratificado no seu papel parental, deve apoiar a mãe.

Cada pessoa que cuida do bebe (mãe biológica ou quem o substitua) desenvolverá uma constelação de maternidade própria.

Daniel Stern (1997) se pergunta:

“E se o pai for o cuidador primário, será que ele também vai desenvolver uma constelação da maternidade? Afinal de contas, seu cuidador primário foi sua mãe (com toda a probabilidade), ou sua necessidade de se identificar com o pai vai alterar essa situação?”

 NOVAS CONFIGURAÇÕES

 

ADOÇÃO

Adotar significa acolher, por meios legais e de livre e espontânea vontade, uma criança, como se filho fosse essa criança, que estaria ora desamparada pelos pais legítimos, dando-lhe o direito que um filho natural teria. Quando alguém decide se tornar pai ou mãe, um desejo de adoção coloca­se em ato. Esse ato é uma declaração pública que diz sim à responsabilidade de ostentar um processo particular de filiação/adoção.

Na adoção, o cuidado necessário de uma criança pode ser exercido por qualquer indivíduo que supra essas necessidades, não sendo mais função exclusiva da mãe biológica. A maternagem, nesse caso, é entendida como uma vinculação de qualidade, de alguém que tenha a função do cuidar e de uma criança a ser acolhida. Tem base psicológica e é construída ao longo do tempo através das relações estabelecidas com os objetos escolhidos.

Paro que uma adoção seja bem-sucedida, o desejo de ser mãe ou pai deve estar presente, sendo essencial que haja capacidade de compreensão, disponibilidade e doação para com o outro.

 ADOÇÃO POR CASAIS HETEROSSEXUAIS

Para os pais adotantes, ter um filho por meios não naturais, ou seja, adotar, seria apenas um meio diferente, já que a ansiedade pela espera do filho, o sexo, saúde, preocupações com a educação, de comportamento, entre outros são os mesmos que se teria com um filho natural. Para Françoise Dolto (1998), a relação mãe-bebê vai além da herança genética e perpassa também pelo vinculo estabelecido entre eles, pois é na cultura e na linguagem que essa relação se estrutura. Laços consanguíneos não garantem o amor entre pais e filhos, pois este é construído e conquistado.

ADOÇÃO POR CASAIS HOMOAFETIVOS

Conforme a legislação, não há impedimento para que pessoa homossexual adote uma criança. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), no seu art. 42, menciona que a adoção pode ser realizada tanto por homem, quanto por mulher, de forma “conjunta ou não”, estando ausente a necessidade de enlace matrimonial.

A educação de crianças por pais homossexuais não é novidade, embora a estabilidade do relacionamento entre pessoas do mesmo sexo e o desejo de terem filhos ainda despertem a curiosidade de muitos. Pesquisas recentes revelam que aqueles que foram adotados e criados por pessoas homossexuais tiveram vida digna e feliz, da mesma forma que os filhos adotados por pessoas heterossexuais. Os interesses dos menores estarão mais bem protegidos se as famílias homoafetivas forem vistas sem preconceitos, sem temores e sem mitos.

As mães lésbicas são capazes de exercer perfeitamente o papel materno. Precisam se preocupar em cercar a criança de figuras masculinas adequadas para a identificação (irmãos, tios, avô). Estudos realizados demonstraram que crianças educadas por pais homossexuais desenvolvem identidade sexual apropriada e assumem atitudes heterossexuais, como aquelas criadas em lares de mães e pais heterossexuais.

 REPRODUÇÃO ASSISTIDA

 

POR CASAIS HETEROSSEXUAIS

Em 1984 foi anunciado o nascimento do primeiro bebê de proveta brasileiro, seis anos depois de ter nascido o primeiro bebê de proveta do mundo, na Inglaterra. As novas tecnologias de reprodução; no seu início, eram medicamente definidas como tratamentos da infertilidade e teriam sido desenvolvidas em função de uma demanda preexistente: o desejo de filhos, de continuidade pela reprodução, portanto uma demanda dirigida à “vida de fato, sem o desejo de filhos não há infertilidade.

POR CASAIS HOMOAFETIVOS

Cada vez mais, os casais homoafetivos tem procurado clínicas de reprodução assistida. As novas normas aprovadas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) devem beneficiar um número maior de mulheres e homens homossexuais que desejam ter filhos biológicos. A medida permite que a técnica seja desenvolvida, independentemente do estado civil ou orientação sexual ou seja, pessoas do mesmo sexo e / ou mulheres solteiras.

No caso de mulheres homossexuais não se pode utilizar o sêmen de um familiar (irmão) de uma das parceiras para fertilizar os óvulos da companheira dessa forma. O especialista esclarece que o doador não pode ser um irmão, familiar ou conhecido da paciente, pois os doadores não devem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa. Obrigatoriamente, é mantido o anonimato.

Nos casais de homens, o processo envolve mais pessoas, pois é necessário o óvulo de uma doadora desconhecida e depois uma mulher da família que possa gerar o bebê. Eles dependem dos óvulos de doadora desconhecida e da gestação do útero, que, ao contrário dos óvulos doados deve ser de parente próxima, irmã ou mãe (que nem sempre aceitam gerar um bebê). O procedimento só é permitido em uma mulher parente do casal homossexual – a chamada “barriga solidária”.

MUDANÇAS

Os homens (tanto heterossexuais como homossexuais) estão cada vez mais participantes dos primeiros contatos com o bebê, como coparticipantes das atividades antes consideradas apenas atributos femininos. Na medida em que esse processo se dá, podemos falar de pais “suficientemente bons”. Todas as estruturas familiares são capazes de promover o desenvolvimento positivo da criança, desde que o ambiente seja afetuoso, estimulante e livre de conflitos e estresse.

O bebê humano nasce dependente de cuidados de maternagem e esses cuidados devem ser compartilhados pelas pessoas que cuidam dele; a mãe que amamenta ao seio, os homens que trocam fraldas e preparam a alimentação do bebê etc. São funções de ordem prática que possuem uma série de diferentes atributos, de acordo com a fase de desenvolvimento da criança, e são exercidas por adultos tutelares (mãe e pai, biológico ou adotivo).

A dinâmica por meio da qual atualizam-se as funções materna e paterna se organiza a partir de um Inter jogo de fatores conscientes e inconscientes. Portanto, as funções materna e paterna vão além dos papéis de pai e mãe.

Desde os primórdios da vida percebemos que essas funções se constituem numa relação dual – os pais formam os filhos/os filhos os tornam pais. O fato de descobrir e ir aprendendo ao viver a experiência nos remete à noção de processo: tomar-se mãe e tornar-se pai.

Tradicionalmente a função materna é exercida principalmente pela mãe biológica, mas não necessariamente é da quem a exerce. Em alguns casos, outras pessoas assumem o exercício dessa função. Nas novas configurações familiares, ela é, em geral, compartilhada pelos membros próximos da família e, eventualmente, por profissionais e funcionários de instituições. Entretanto, ao executar tais tarefas, os homens ainda são comparados com a mãe e frases como “esses pais que são verdadeiras ‘mães’ são usuais para definir os novos interesses masculinos. Isso já está mudando.

É fundamental, no entanto, que exista uma pessoa que seja a principal cuidadora do bebê, que represente uma referência constante e seguro. Essa pessoa deve, além de ser responsável pelos cuidados básicos de saúde, higiene e alimentação do bebê, nele investir emocionalmente. Isso significa que deve haver vínculo afetivo entre essa pessoa e o bebê de que ela cuida.

Diz a lenda que Roma foi fundada no ano 753 a.C. por Rômulo e Remo, filhos gêmeos do deus Marte e da mortal Rea Sílvia. Ao nascer, os dois irmãos foram abandonados junto ao rio Tibre e salvos por uma loba, que os amamentou e protegeu.

Um pastor de ovelhas os recolheu e lhes deu os nomes Rômulo e Remo.

Ele foi esse alguém mais na vida dos gêmeos humanos.

E não foi uma mãe!

WINNICOTT

Donald Woods Winnicott desenvolveu sua Psicanálise com base nas relações familiares entre a criança e o ambiente. Todo ser humano, segundo o pediatra inglês, tem um potencial para a evolução. Contudo, para tornar esse potencial algo real, o ambiente se faz necessário. Inicialmente, esse ambiente é a mãe – ou alguém que exerça a função materna – apoiada especialmente pelo pai.

SER PAI E MÃE

Ser pai e ser mãe na ótica psicanalítica não implica apenas paternidade biológica, demanda também, sentimentos e atitudes de adoção que decorrem do desejo pelo filho. O exercício da função materna e o exercício da função paterna são considerados necessários para a estruturação e desenvolvimento do psiquismo da criança.

 Diversidade familiar3

MIRIAN BURD – é psicóloga com experiência em atendimento clínico e autora de diversos artigos científicos em revistas especializadas.

 

 

GESTÃO E CARREIRA

TRABALHAR SEM PERDER A QUALIDADE DE VIDA

Trabalhar sem perder a qualidade de vida

Ter equilíbrio entre a área pessoal e a profissional é algo fundamental, mas nem todos conseguem isso. Encontrar a harmonia entre essas duas esferas não é função exclusiva do empregado. As 150 Melhores Empresas para Trabalhar e as 35 Melhores Empresas para Começar a Carreira, listados nos guias publicados por VOCÊ S.A., sabem bem disso. Para que seus funcionários tenham satisfação tanto no emprego quanto fora dele, 61% das melhores evitam que as pessoas fiquem mais tempo no escritório do que o combinado, desligando sistemas de trabalho em horários predeterminados, por exemplo. Como resultado, 87% dos profissionais que atuam nessas companhias afirmam que a jornada deles permite conciliar a carreira com questões familiares.  Apesar de estar na vanguarda, as melhores ainda precisam desenvolver alguns pontos: apenas 8% delas oferecem licença – paternidade superior a dez dias e somente 17% têm instalações para cuidado dos filhos dos empregados.

Trabalhar sem perder a qualidade de vida.2

 

Trabalhar sem perder a qualidade de vida.3

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 28: 1-10

Alimento diário

A Ressurreição – Parte II

III – A mensagem que esse anjo entregou às mulheres (vv. 5-7).

1. Ele as encoraja contra os seus medos (v. 5). Aproximar-se de túmulos e sepulturas, especialmente em silêncio e solidão, tem algo de assombroso. Quanto mais para aquelas mulheres, que encontraram um anjo no sepulcro; mas logo ele as tranquiliza, dizendo: “Não tenhais medo”. Os guardas ficaram assombrados e como mortos, mas: “Não tenhais medo”. Deixe que os pecadores em Sião tenham medo, porque há razão para isso; mas: Não temas, Abraão, nem qualquer um da semente de Abraão. Por que deveriam as filhas de Sara, que fazem o bem, temer algum espanto? (1 Pedro 3.6). “Não tenhais medo. Não permitais que a notícia que eu tenho para vos dar seja uma surpresa para vós, porque vos foi dito anteriormente que o vosso Mestre ressuscitaria; não permitais que isso seja um terror para vós, porque a sua ressurreição será a vossa consolação; não temais, pois não vos farei qualquer dano, nem tenho más notícias para vós. ‘Não tenhais medo, pois eu sei que buscais a Jesus’. Eu sei que tendes simpatia pela causa. Eu não venho para vos assombrar, mas para vos encorajar.” Note que aqueles que buscam a Jesus não têm motivo para ficar com medo; porque, se eles o buscarem diligentemente, o acharão, e o acharão como o seu Redentor generoso. Todas as nossas indagações a respeito do Senhor Jesus, na fé, são observadas e registradas no céu. “Eu sei que buscais a Jesus”; e certamente receberão uma resposta, como essas receberam, com boas palavras, e palavras de conforto. “Buscais a Jesus, que foi crucificado”. Ele menciona o fato de Jesus ter sido crucificado, com a intenção de elogiar o amor que elas sentem por Ele. Em outras palavras: “Vós ainda o buscais, embora Ele tenha sido crucificado; mesmo assim, retendes a vossa bondade por Ele”. Observe que os verdadeiros crentes amam e buscam a Cristo, não só embora Ele tenha sido crucificado, mas pelo fato de ter sido crucificado.

2. Ele lhes assegura sobre a ressurreição de Cristo. E havia o suficiente nisso para acalmar os seus temores (v. 6). “Ele não está aqui, porque já ressuscitou”. Ouvir que Ele não estava ali não seria uma notícia bem-vinda para aquelas que o buscavam, se não tivesse sido acrescentada a frase: porque “já ressuscitou”. Note que é uma questão de conforto para aquelas que buscavam a Cristo, e não o encontravam onde esperavam, o fato de que Ele já tivesse ressuscitado; não o encontramos em um repouso, como poderíamos esperar, porém Ele já ressuscitou. Não devemos dar atenção àqueles que dizem: Cristo está aqui, ou: Ele está ali, porque Ele não está aqui ou ali; Ele já ressuscitou. Em todas as nossas indagações a respeito de Cristo, devemos nos lembrar de que Ele já ressuscitou; e devemos buscá-lo como aquele que ressuscitou.

(1)  Não com pensamentos totalmente carnais a respeito dele. Havia aqueles que conheciam a Cristo segundo a carne; mas, de agora em diante, não o conhecem mais assim (2 Coríntios 5.16). É verdade que Ele tinha um corpo completamente humano; mas agora o seu corpo é um corpo glorificado. Aqueles que fazem retratos e imagens de Cristo se esquecem de que Ele não está aqui, porque já ressuscitou; a nossa comunhão com Ele deve ser espiritual, pela fé em sua Palavra (Romanos 10.6-9).

(2) Devemos buscá-lo com grande reverência e humildade, e uma imensa consideração por sua glória, porque já ressuscitou. Deus o exaltou sobremaneira, e lhe deu um nome que está acima de todo nome, e, portanto, todo joelho e toda alma deve se dobrar diante dele.

(3) Devemos buscá-lo com o nosso pensamento nas coisas celestiais. Quando estivermos prontos para fazer deste mundo o nosso lar, e dizer: “Bom é estarmos aqui”, lembremo-nos de que o nosso Senhor Jesus não está aqui, porque já ressuscitou, e assim não deixemos que os nossos corações estejam aqui, mas deixemos que eles ressuscitem também, e busquemos as coisas que são do alto (Colossenses 3.1-3; Filipenses 3.20).

Duas coisas que o anjo menciona a essas mulheres, para a confirmação de sua fé, no tocante à ressurreição de Cristo.

[1] Sua palavra agora cumprida, da qual elas poderiam se lembrar: “Já ressuscitou, como tinha dito”. Isto ele afirma como o próprio objeto de fé: “Ele disse que iria ressuscitar, e vocês sabem que Ele é a própria Verdade; portanto, vocês tinham motivos para esperar que Ele ressuscitasse. E por que seriam relutantes em crer naquilo que Ele disse que ocorreria?” Nunca consideremos estranho aquilo de que a palavra de Cristo tem levantado as nossas expectativas, seja quanto aos sofrimentos do tempo presente, ou à glória que está para ser revelada. Se nos lembrarmos do que Cristo nos disse, não ficaremos surpresos com o que Ele faz conosco. Ao dizer: “Ele não está aqui, porque já ressuscitou”, esse anjo está indicando que não está anunciando um outro Evangelho diferente daquele que eles já haviam recebido, porque ele se refere à palavra de Cristo como sendo suficiente para confirmar: “já ressuscitou, como havia dito”.

[2] Seu túmulo agora vazio, para o qual elas poderiam olhar: “‘Vinde e vede o lugar onde o Senhor jazia’. Com­ pare o que ouviste com aquilo que estais vendo; juntando essas coisas, crereis. Vede que Ele não está aqui, e lembrando-se do que Ele disse, podeis ficar satisfeitas pelo fato de Ele já ter ressuscitado. Vinde e vede o lugar, e vereis que Ele não está ali, vereis que Ele não poderia ser roubado dali, e, portanto, deveis concluir que Ele já ressuscitou”. Note que pode ser útil para nos afetar, e pode ter uma boa influência sobre nós, vir e, com um olhar de fé, ver o lugar onde o Senhor jazia. Vejam ali as marcas do seu amor que Ele tem ali deixado ao rebaixar-se tanto por nós; vejam com que facilidade Ele fez essa cama, e com que alegria, por nós, deitou-se nela. Quando olhamos para dentro do túmulo onde sabemos que teremos de nos deitar, podemos remover o terror que sentimos olhando para dentro do túmulo onde o Senhor jazia; ou, como diz o texto Siríaco, o lugar onde o “nosso Senhor” jazia. Os anjos o têm como seu Senhor, assim como nós; porque toda a família, tanto no céu como na terra, recebe o nome dele.

3. Ele as orienta para que levem a notícia do que aconteceu aos seus discípulos (v. 7): “Ide, pois, imediatamente, e dizei aos seus discípulos”. É provável que elas desejassem ficar ali com a visão do sepulcro e conversar com os anjos. Era bom estar ali, mas elas tinham recebido uma outra incumbência; esse é um dia de boas notícias, e, embora elas tenham a posse principal do conforto, sendo as primeiras a desfrutar de notícias tão agradáveis, elas não devem ter o monopólio delas, não devem reter a paz deles, assim como aqueles leprosos (2 Reis 7.9). Elas devem ir contar aos discípulos. Observe que a utilidade pública que beneficia os outros deve ser preferida ao nosso próprio prazer e comunhão particular com Deus; porque é mais bem-aventurado aquele que dá, em comparação com aquele que recebe. Observe:

(1)  Os discípulos de Cristo devem receber primeiro a notícia. A ordem não é: Ide, dizei aos príncipes dos sacerdotes e aos fariseus, para que eles possam ficar perplexos; mas: Dizei aos seus discípulos, para que eles sejam confortados. Deus antecipa mais a alegria de seus amigos do que a vergonha de seus inimigos, embora esteja reservado para a vida eterna a plena realização de ambos. “Dizei aos seus discípulos”; pode ser que eles não acreditem em vosso relato, no entanto dizei-lhes:

[1] Para que eles possam se sentir encorajados sob as suas tristezas e dispersões presentes. Eles sofreram um período terrível, entre a dor e o medo. Que vivificante seria para eles, agora, ouvir que o seu Mestre ressuscitou!

[2] Para que eles mesmos pudessem dar prosseguimento às suas indagações. Esse alarme lhes foi enviado para despertá-los daquela estranha estupidez que os havia agarrado, e para aumentar as suas expectativas. Isso deveria fazer com que buscassem a Cristo, preparando-os para a ocasião em que o Senhor lhes apareceria. As indicações gerais nos levam a buscas mais intensas e profundas. Eles agora ouvirão a respeito dele, porém muito em breve o verão. Cristo se revela gradualmente.

(2)  As mulheres são enviadas para lhes anunciar, e assim foi feito; elas foram como apóstolos para os próprios apóstolos. Esta foi uma honra colocada sobre elas, e uma recompensa pela sua fidelidade constante e afetuosa ao Senhor Jesus, na cruz e no túmulo, e uma censura aos discípulos que o abandonaram. Mesmo assim, Deus ainda escolhe as coisas fracas do mundo para confundir as poderosas, e coloca o tesouro, não só em vasos de barro, mas aqui em vasos mais frágeis. Assim como a mulher, sendo enganada pelas sugestões de um anjo mal, caiu em transgressão (1 Timóteo 2.14), essas mulheres, sendo devidamente informadas pelas instruções de um anjo bom, foram as primeiras a crer na redenção da transgressão pela ressurreição de Cristo. Para que a reprovação por serem do sexo feminino pudesse ser afastada, colocando-as no mesmo nível dos homens, o que é o louvor perpétuo delas.

(3)  Elas receberam a ordem de cumprir essa missão imediatamente. Por que, que pressa havia? A notícia não se esfriaria, e seria bem recebida por eles a qualquer momento, não é? Sim, mas eles estavam agora tomados de pesar, e Cristo lhes mandaria apressadamente essa notícia vivificante; quando Daniel estava se humilhando diante de Deus por causa do pecado, o anjo Gabriel voou rapidamente com uma mensagem de conforto (Daniel 9.21). Devemos estar sempre prontos e dispostos:

[1] A obedecer às ordens de Deus (Salmos 119.60).

[2] A fazer o bem aos nossos irmãos, levando-lhes conforto, como aqueles que se compadecem de suas aflições. Não podemos dizer: “Vai e torna, e amanhã to darei”; mas devemos ajudar a quem pudermos agora, imediatamente.

(4)  Elas foram instruídas a informar aos discípulos de que deveriam encontrá-lo na Galileia. Houve outras aparições de Cristo a eles antes dessa ocasião na Galileia. Elas foram repentinas e de surpresa; mas o Senhor teria um encontro solene e público, e lhes avisou com antecedência. Então, a Galileia foi designada como o local desse encontro geral, a cerca de 130 ou 160 quilômetros de Jerusalém:

[1] Como um gesto de bondade para com os seus discípulos que permaneceram na Galileia, e não subiram (talvez por não poderem subir) até Jerusalém. Ele iria, portanto, para aquela terra, para manifestar-se aos seus amigos ali. “Eu conheço as tuas obras, e onde habitas”. Cristo sabe onde os seus discípulos habitam, e os visitará ali. Observe que a exaltação de Cristo não faz com que Ele se esqueça dos seus discípulos aparentemente mais insignificantes e mais pobres, mas Ele se manifestará com bondade até mesmo para aqueles que estão distantes da sepultura.

[2] Em consideração à fraqueza dos seus discípulos – que estavam agora em Jerusalém, que estavam no momento com medo dos judeus, e que não ousavam aparecer publicamente -, esse encontro foi transferido para a Galileia. Cristo conhece todos os nossos temores, e considera a nossa estrutura. Assim sendo, Ele marcou o seu encontro em um lugar onde haveria um risco muito menor de ocorrência de algum distúrbio.

Por fim, o anjo solenemente afirma, através da sua palavra, a verdade do que lhes havia relatado: “‘Eis que eu vo-lo tenho dito’, podeis estar certas disso, e depender disso. Eu vo-lo tenho dito, e não ousaria dizer uma mentira”. A palavra falada pelos anjos permaneceu firme (Hebreus 2.2). Deus havia estado habituado, anteriormente, a tornar o seu pensamento conhecido ao seu povo através da ministração de anjos, como na entrega da lei; mas, como Ele planejou nos tempos do Evangelho deixar de lado esse modo de comunicação (pois não foi aos anjos que Ele sujeitou o mundo por vir, nem os designou para serem os pregadores do Evangelho), esse anjo foi enviado agora para certificar os discípulos da ressurreição de Cristo, e assim deixar nas mãos deles o anúncio ao mundo (2 Coríntios 4.7). Ao dizer: “Eis que eu vo-lo tenho dito”, ele se exime da culpa da incredulidade delas, caso não recebessem esse relato, e lança toda a responsabilidade sobre elas: “Eu cumpri a minha missão, e de modo fiel entreguei a minha mensagem; agora vocês precisam olhar para ela e crer nela, assumindo a completa responsabilidade por suas decisões; quer vocês creiam, quer vocês se abstenham, eu lhes tenho dito”. Observe que os mensageiros de Deus que cumprem a sua responsabilidade fielmente podem ter o conforto que resulta dessa atitude, seja qual for o resultado (Atos 20.26,27).