ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 28: 1-10 – PARTE I

Alimento diário

A Ressurreição

Para a prova da ressurreição de Jesus, temos aqui o testemunho do anjo, e do próprio Mestre, no que diz respeito à ressurreição. Agora podemos pensar que teria sido melhor se o fato tivesse sido organizado assim, que um número competente de testemunhas tivesse estado presente, e tivesse visto a pedra sendo tirada pelo anjo, e o corpo morto revivendo, como as pessoas viram Lázaro sair do túmulo, e então o assunto não seria objeto de disputa. Mas não estabeleçamos algo para a Infinita Sabedoria, que ordenou que as testemunhas de sua ressurreição devessem vê-lo ressuscitado, mas não vê-lo ressuscitar. A sua encarnação foi um mistério; como também foi essa ressurreição, esta nova formação do corpo de Cristo, para o seu estado exaltado. Ele foi, portanto, formado em segredo. “Bem-aventurados aqueles que não viram, e creram”. Cristo deu provas de sua ressurreição que foram comprovadas pelas Escrituras, e pela palavra que Ele havia falado (Lucas 24.6,7-44; Marcos 16.7); porque aqui devemos “andar por fé, e não por vista”. Aqui temos:

I – A ida das mulheres bondosas ao sepulcro. Observe:

1. Quando elas foram: no fim do sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana (v. 1). Isto fixa o dia da ressurreição de Cristo.

(1) Ele ressuscitou ao terceiro dia após a sua morte. Esse foi o dia em que Ele frequentemente havia pré-estabelecido, e manteve a sua palavra. Ele foi sepultado na noite do sexto dia da semana, e ressuscitou na manhã do primeiro dia da semana seguinte, de forma que permaneceu no túmulo por cerca de trinta e seis ou trinta e oito horas. Ele ficou ali portanto tempo, para mostrar que estava real e verdadeiramente morto; e não mais tempo que isso, para que não visse a corrupção. Ele ressuscitou ao terceiro dia, como resposta à tipificação do profeta Jonas (cap. 12.40), e para cumprir aquela profecia (Oseias 6.2): “Ao terceiro dia, nos ressuscitará, e viveremos diante dele”.

(2)  Ele ressuscitou depois do sábado judaico, e aquele era o sábado de Páscoa. Ele permaneceu no túmulo durante todo aquele dia, o que significava a abolição das festas judaicas e as outras partes da lei cerimonial, e que o seu povo deveria eliminar essas observâncias, e não dar atenção a elas, assim como Ele fez quando jazia na sepultura. Cristo, no sexto dia, terminou a sua obra. Ele disse: “Está consumado”. No sétimo dia, Ele descansou, e então no primeiro dia da semana seguinte, agiu como se estivesse começando um mundo novo, e entrando em uma nova obra. Não permitamos, portanto, que homem algum nos julgue agora com respeito a luas novas, ou sábados judaicos, que eram, na verdade, uma sombra das coisas boas que estavam por vir; pois a essência delas era Cristo. Podemos, além disso, observar que o tempo que os santos ficam no túmulo é, para eles, o equivalente a um sábado (assim como era o sábado judaico, que consistia principalmente de descanso físico), porque ali eles repousavam de suas obras (Jó 3.17); e isso se deve a Cristo.

(3)  Ele ressuscitou no primeiro dia da semana. No primeiro dia da primeira semana, Deus ordenou que a luz brilhasse na escuridão; nesse dia, portanto, aquele que viria a ser a Luz do mundo brilhou nas trevas da sepultura; e o sábado do sétimo dia, sendo sepultado com Cristo, ressurgiu no sábado do primeiro dia, que é chamado de Dia do Senhor (Apocalipse 1.10). A partir daí, nenhum outro dia é mencionado em todo o Novo Testamento com o mesmo sentido deste. Este dia é frequentemente mencionado como o dia que os cristãos observavam religiosamente nas assembleias solenes, para a honra de Cristo (João 20.19,26; Atos 20.7; 1 Coríntios 16.2). Se a libertação de Israel da terra do Norte ultrapassou a lembrança da saída do Egito (Jeremias 23.7,8), muito mais a nossa redenção por Cristo eclipsa a glória das primeiras obras de Deus. O sábado foi instituído como lembrança do aperfeiçoamento da obra da criação (Genesis 2.1). O homem, através dessa revolta, causou uma ruptura naquela obra perfeita, que nunca foi perfeitamente reparada até que Cristo ressuscitasse dos mortos, e os céus e a terra fossem outra vez terminados, e as suas hostes desordenadas, realinhadas, e que o dia no qual isso foi feito fosse corretamente abençoado e santificado, e a partir daí seria o sétimo dia. Aquele que nesse dia ressuscitou dos mortos é o mesmo por quem, e para quem, todas as coisas foram no princípio criadas, e agora são criadas outra vez.

(4)  Ele ressuscitou quando começou o amanhecer daquele dia. Tão logo se poderia dizer que o terceiro dia havia chegado, o dia pré-determinado para a sua ressurreição, Ele ressuscitou. Depois de sua retirada do meio do povo, Ele retorna com toda a velocidade conveniente, e interrompe a obra, em justiça, tão bruscamente quanto pode. Ele havia dito aos seus discípulos que, embora por pouco tempo não o veriam, eles o tornariam a ver em breve, e Jesus abreviou esse intervalo tanto quanto possível (Isaias 54.7,8). Cristo ressuscitou quando já despontava o dia, porque então o oriente do alto outra vez nos visitou (Lucas 1.78). A sua paixão começou à noite. Quando Ele foi pendurado na cruz, o sol se escureceu. Ele foi colocado no túmulo no cair da noite. Mas o Senhor ressuscitou quando o sol estava quase nascendo, porque Ele é a resplandecente Estrela da manhã (Apocalipse 22.16), a verdadeira Luz. Aqueles que cedo, pela manhã, se dedicam aos serviços religiosos do sábado cristão, para que possam aproveitar o dia que está à sua frente, seguem assim o exemplo de Cristo, e o exemplo ele Davi: “Cedo te buscarei”.

2. Quem eram aquelas que foram ao sepulcro: Maria Madalena e a outra Maria, as mesmas que compareceram ao funeral, e se sentaram à entrada do sepulcro, como antes haviam se sentado ao pé da cruz. Ainda assim, elas procuraram expressar o amor que sentiam por Cristo. Ainda assim, estavam procurando saber mais a respeito dele. Nós o conheceremos cada vez mais, desde que perseveremos em conhecê-lo. Nenhuma citação é feita sobre a possibilidade de a Virgem Maria estar com elas; é provável que o discípulo amado, que a havia levado para a sua própria casa, tenha impedido que ela fosse para o sepulcro para chorar ali. O fato de elas terem ido não só até o sepulcro buscar a Cristo, mas terem entrado no sepulcro, representa o cuidado que o Senhor tem por aqueles que são seus quando esses passam a ter as suas camas nas trevas. Assim como Cristo, no túmulo, foi amado pelos santos, os santos, no túmulo, são amados por Cristo; porque a morte e a sepultura não podem afrouxar o laço de amor que existe entre eles.

3. O que elas foram fazer. Os outros evangelistas dizem que elas foram ungir o corpo. Mateus diz que elas foram ver o sepulcro, ver se estava como elas o haviam deixado. Ouvindo, talvez, mas não tendo certeza, que os príncipes dos sacerdotes haviam colocado guarda no sepulcro. Elas foram para mostrar a sua boa vontade em uma outra visita aos caros restos mortais de seu amado Mestre, e talvez não sem alguns pensamentos sobre a sua ressurreição, porque elas poderiam não ter esquecido de tudo o que Ele tinha dito sobre isso. Visitas ao túmulo são de grande utilidade para alguns cristãos, e ajudam a torná-lo familiar a eles, e remover o terror dele, especialmente visitas à sepultura do nosso Senhor Jesus, onde podemos ver o pecado enterrado fora da vista, o padrão da nossa santificação, e a grande prova do amor redentor brilhando intensamente mesmo nesta terra de trevas.

 

II – O aparecimento de um anjo do Senhor para elas (vv. 2-4). Temos aqui um relato do modo da ressurreição de Cristo, pelo menos quanto ao que nos era conveniente saber.

1. Houve um grande terremoto. Quando Jesus morreu, a terra que o recebeu agitou-se em temor. Agora que Ele ressuscitou, a terra que o resignou saltou de alegria em sua exaltação. Esse terremoto foi como se as amarras da morte fossem soltas, os grilhões do túmulo se abrissem, e o “Desejado de todas as nações” fosse introduzido (Ageu 2.6,7). Esse foi o sinal da vitória de Cristo; por meio dele, foi anunciado que, quando os céus se regozijassem, a terra também poderia se alegrar. Era um modelo do terremoto que se dará na terra por ocasião da ressurreição geral, quando montanhas e ilhas serão removidas, de forma que a terra não possa mais ocultar os seus mortos. Houve um ruído e um rebuliço no vale, quando os ossos se juntaram, cada osso ao seu osso (Ezequiel 37.7). O reino de Cristo, que agora se estabeleceria, fez a terra tremer; e a abalou terrivelmente. Aqueles que são santificados, e desse modo elevados a uma vida espiritual privilegiada, encontram, enquanto isso acontece, um terremoto em seu próprio seio, como Paulo, que tremeu e ficou espantado.

2. O anjo do Senhor desceu do céu. Os anjos frequentemente serviram ao nosso Senhor Jesus, em seu nascimento, em sua tentação, em sua agonia; mas na cruz não encontramos nenhum anjo servindo-o. Quando o seu Pai o desamparou, os anjos se afastaram dele; mas agora que Ele está retomando a sua glória que tinha antes da fundação do mundo, então, os anjos do céu o adoram.

3. Ele veio, e removeu a pedra da entrada, e sentou-se sobre ela. O nosso Senhor Jesus poderia, Ele mesmo, remover a pedra por seu próprio poder, mas preferiu que isso fosse feito pelo anjo. Isto significa que, tendo se assegurado de ter feito o pagamento pelos nossos pecados, que foram imputados a Ele, e tendo estado sob prisão em conformidade com essa imputação, Ele não fugiu da prisão, mas teve uma libertação legal e justa, obtida do céu. Ele não fugiu da prisão, mas um oficial foi enviado com o propósito de remover a pedra, e assim abrir a porta da prisão, o que nunca teria sido feito, se Jesus não tivesse feito um pagamento total. Mas, sendo liberto das nossas ofensas, para completar a libertação, Ele foi ressuscitado para a nossa justificação. Ele morreu para pagar a nossa dívida, e ressuscitou para obter a nossa quitação. A pedra dos nossos pecados foi rolada para a entrada do túmulo do nosso Senhor Jesus (revolver uma grande pedra significava assumir uma culpa, 1 Samuel 14.33). Mas para demonstrar que ajustiça divina foi satisfeita, um anjo foi comissionado para remover a pedra; não que o anjo o tenha ressuscitado dos mortos, da mesma forma que aqueles que retiraram a pedra do túmulo de Lázaro não o ressuscitaram, mas assim ficou patente o consentimento do Céu para a sua libertação, e a alegria do céu na Pessoa de Jesus Cristo. Os inimigos de Cristo haviam selado a pedra, resolvendo, como a Babilônia, não abrir a casa dos seus prisioneiros. “Tirar-se-ia a presa ao valente?” Porque essa era a hora deles; mas todos os poderes da morte e das trevas estão sob o controle do Deus da luz e da vida. Um anjo do céu tem poder para quebrar o selo, embora fosse o grande selo de Israel, e é capaz de remover a pedra, embora seja muito grande. Assim, os cativos dos poderosos são libertados. O fato de o anjo se assentar sobre a pedra, quando ele a havia removido, é notável, e revela um triunfo seguro sobre todos os obstáculos à ressurreição de Cristo. Ali ele se sentou, desafiando todos os poderes do inferno para rolar a pedra para o túmulo outra vez. Cristo eleva o seu lugar de repouso e o seu trono de juízo acima da oposição dos seus inimigos; o Senhor se assenta sobre as águas. O anjo se sentou como um guarda do túmulo, tendo afugentado para longe os guardas ímpios dos inimigos; ele se sentou, esperando as mulheres, e pronto para lhes dar a notícia da ressurreição do Senhor.

4. Que o seu aspecto era como um relâmpago, e as suas vestes, brancas como a neve (v.3). Essa foi uma representação visível – que classificamos como esplêndida e célebre – das glórias do mundo invisível, que não conhece diferença de cores. A aparência do anjo sobre os guardas era como relâmpagos; o Senhor vibra os seus raios, e dissipa-os (Salmos 144.6). A brancura de suas vestes era um emblema não só de pureza, mas de alegria e triunfo. Quando Cristo morreu, a corte do céu se entristeceu, e esse fato foi representado pelo escurecimento do sol; mas quando ele ressuscitou, eles colocaram novamente as vestes de louvor: A glória desse anjo representou a glória de Cristo, para a qual Ele então havia ressuscitado, porque essa é a mesma descrição dele, que foi dada em sua transfiguração (cap. 17.2). Mas quando Ele conversou com os seus discípulos após a sua ressurreição, Ele ocultou isso, e anunciou a glória dos santos na ressurreição deles, quando serão como os anjos de Deus no céu.

5. Que os guardas, com medo dele, ficaram muito assombrados e como mortos (v. 4). Eles eram soldados que se consideravam insensíveis em relação ao medo. No entanto, a própria visão de um anjo os encheu de temor. Portanto, quando o Filho de Deus se levantou para julgar, os ousados de coração foram despojados (Salmos 76.5,9). Note que, assim como a ressurreição de Cristo é a alegria dos seus amigos, ela também é o terror e a confusão dos seus inimigos. Eles ficaram muito assombrados. Quando a terra tremeu, esses filhos da terra, que tinham a sua porção nela, tremeram também; porém, aqueles que têm a sua felicidade nas coisas do alto não sentem qualquer temor mesmo que a terra seja removida. Os guardas ficaram como mortos, quando aquele a quem eles guardavam tornou-se vivo, e aqueles contra quem eles montavam guarda reviveram com ele. Eles foram tomados de terror ao verem a si mesmos frustrados no tocante à sua missão ali. Eles foram colocados ali para manter um homem morto em seu túmulo – certamente, o serviço mais fácil que lhes poderia ter sido atribuído; e, mesmo assim, isso se mostrou difícil demais para eles. Eles foram informados de que deveriam esperar ser atacados por um grupo de discípulos fracos e desanimados, que, por medo deles, logo ficariam muito assombrados e como mortos, mas se sentiram surpreendidos quando se acharam atacados por um anjo poderoso, cujo rosto não ousaram olhar. Assim Deus frustra os seus inimigos, assombrando-os (Salmos 9.20).

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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