PSICOLOGIA ANALÍTICA

O QUE A VIDA ESPERA DE NÓS

A busca por sentido é uma necessidade fundamentalmente humana e pode estar relacionada a muitas aflições que hoje lemos como transtornos.

O que a vida espera de nós

Muitos gostam de frequentar academias e enxergam vantagens nas ergométricas e esteiras. Eu sempre vou preferir uma caminhada pelo bairro. Os benefícios físicos vêm de bónus, raramente são os principais motivadores. É um exercício, acima de tudo, de atenção ao mundo de fora; de admiração à vida que nos cerca e que as ocupações e preocupações não nos deixam perceber.

As caminhadas são recompensadas com cheiro das plantas e de gramados recém-cortados, frutas colhidas do pé, cantos de pássaros, cumprimentos de vizinhos – humanos e caninos – e, – algumas boas histórias. Sem falar nos registros, com a câmera do celular, de cores, cenas e fotogénicos gatos que nos espiam desconfiados, de alguns abrigos improváveis – como a branquinha aninhada em uma casinha de cachorro, no terreno de uma casa desocupada.

Quando me agachei para fazer a foto, fui surpreendida pela simpatia de um senhor que vinha trazer comida para ela. Foi então que descobri que se tratava de uma fêmea, particularmente arisca, que ele conseguiu conquistar depois de muito tempo de convivência. Revelou que a pequena morada de telhado azul, que havia comprado especialmente para a gatinha, pode ser puxada para perto da grade por um sistema de roldanas que inventou,

Mas a parte mais interessante da visita vem sempre depois de saciada a fome da amiguinha felina. É quando ele estende um pano branco no chão e se deita no meio da calçada para brincar e acariciar a Mimi. “Ela precisa disso”, explicou. Ela e os outros gatos que, mesmo vivendo na rua e dormindo em casinhas em terrenos desocupados, tiveram o privilégio de serem adotados por esse mecânico de coração grande, que divide a casa com 11 cachorros tirados da rua.

Os animais que estão sob sua responsabilidade lhe dão trabalho e lhe trazem preocupação: a principal delas, confessou, é que na sua falta, voltem a viver na rua, correndo o risco de serem maltratados ou de passarem fome. Mas eles não são os únicos a se beneficiar dessa relação: o homem precisa dos afagos da gatinha, assim como ela precisa dele. A retribuição oferecida pelos bichos pode parecer insignificante para muitos, mas para aquele senhor é o propósito de sair de casa em um dia chuvoso, de deitar­ se na calçada com a disposição de uma criança e de voltar com a sensação de missão cumprida. Não é movido por necessidade financeira, auto cobranças ou pressões externas, mas por uma busca por sentido. Algo que, para o psicanalista e filósofo alemão Erich Fromm, está no fundamento da condição humana, apesar de muitas vezes ser reprimido, ao custo do que podemos chamar de mente saudável. Uma das formas de reprimir essa tendência é seguir compulsivamente o que ele chama de “rotina de fuga”.

Décadas depois de escritas suas obras, o consumo e a produtividade continuam sendo algumas das principais rotas dessa fuga, facilitada recentemente pelo sedutor universo virtual que carregamos nos bolsos. Em Modern Mans Pathogy of Normaley (“A patologia da normalidade do homem moderno”) escreve: “Nós não conseguimos suportar viver apenas saciando a fome e a sede sem dar um sentido à existência. Temos que encontrar alguma resposta ao mistério da vida e essa resposta deve ser tanto teórica como prática. Refiro-me ao fato de precisarmos de uma estrutura    referencial que nos dê orientação, que de alguma forma torne significativo o processo da vida e nossa posição dentro dele”

Para Fromm, esse propósito não é necessariamente produto de um planejamento ou de justificativas intelectuais, mas consiste em um objeto de devoção – “algo para o qual dedicamos nossas energias, para além da finalidade de produzir ou de reproduzir”

Lançados em 1953, esses ensaios trazem uma reflexão incrivelmente atual sobre os parâmetros que utilizamos para definir os estados mentais –  critérios que estão cada vez mais estreitos, traçados por uma sociedade que parece estar perdendo as referências de normalidade; que em sua determinação de encontrar explicações simplificadas isola a biologia dos outros âmbitos que compõem o ser humano como o social e o espiritual. Aí se encontram a necessidade de vínculos e de servir a um propósito de fazer parte de algo maior que nós.

Fromm não foi o único a escrever sobre a busca pelo sentido e sua relação com a saúde mental. Para o psiquiatra austríaco Victor Frankl é isso que nos move – e não o prazer ou o poder, como se havia sugerido. Após um período em campos de concentração nazistas, concluiu que é possível encontrar propósito mesmo nos períodos mais difíceis, e que a falta desse motivador pode levar a excessos e compensações – hoje associados a diversos tipos de transtornos. Na obra Em Busca de Sentido (Editora Vozes), ele conta que durante a guerra tinha que ensinar àqueles sem esperança “que não importava o que eles esperavam da vida, mas sim o que a vida esperava deles”. A busca por sentido, portanto, só leva a algum lugar quando nos damos conta de que nós é que nós é que somos questionados pela vida e não o contrário.

Frankl cita Nietzsche ao lembrar que “aqueles que têm um porquê” podem suportar praticamente qualquer “como”. Esse porquê, sugere o psiquiatra, pode vir de diferentes fontes: flexibilidade diante de situações que não podemos mudar; auto expressão e criatividade; e amor, ao interagirmos de forma significativa com outros e com o ambiente. Essa foi a fonte de propósito do senhor que acolhe os animais e de todos os que se preocupam com a falta que, um dia, farão a alguém.

Em uma época em que um dos produtos mais lucrativos do merendo editorial é um grosso manual de diagnósticos psiquiátricos, reflexões que abordam as necessidades humanas de forma abrangente, e não as reduzem à biologia, fazem-se ainda mais urgentes. Conforme esses pensadores já haviam deixado claro mesmo antes da era das pílulas, 11e1n todas as respostas são encontradas em laboratórios e nem todas as soluções estão nas farmácias. A cultura na qual vivemos, nossas escolhas, as responsabilidades que abraçamos, a forma como compomos nossos dias e como interagimos são componentes básicos de quem somos e podem esconder a causa e a cura de muitas aflições.            

  

MICHELE MULLER – é jornalista pesquisadora especialista em Neurociências, Neuropsicologia Educacional e Ciências da Educação. Pesquisa e aplica estratégias para o desenvolvimento da linguagem. Seus projetos e textos estão reunidos no site – http://www.michelemuller.com.br

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OUTROS OLHARES

AS DUAS MATEMÁTICAS

Infelizmente, ensinamos a abstrata –  e não a aplicada.

As duas matemáticas

Seja no Pisa, seja nas provas tupiniquins de matemática, os resultados são igualmente lastimáveis. Os alunos dominam menos de 10% do esperado. Diante de tal situação, abundam diagnósticos. Com toda a modéstia, vai o meu.

Ao longo de muitos séculos, convivemos com duas matemáticas. Primeiro, nasceu a prática de contar e medir. Quantos cântaros de vinho? Quantas barricas de trigo? Cobraram-se impostos. Tudo muito concreto e visual.

Mas, no curso do seu desenvolvimento histórico, a matemática foi ganhando estrutura e notações próprias, e se tomando, ao mesmo tempo, mais abstrata. A invenção do zero constituiu-se em um grande salto da imaginação: um número para medir uma quantidade ausente. Aos poucos, a abstração matemática passou a ter vida própria. Somam-se 5 + 7, não importa se laranjas ou inimigos abatidos.

Mediu-se que o quadrado da hipotenusa é igual à soma do quadrado dos catetos. Mas o achado se metamorfoseia no Teorema de Pitágoras, expresso por símbolos e demonstrado formalmente. Cada vez mais, abstração e formalização correm em paralelo ao mundo real.

Desencarnada do concreto, a matemática ganha asas e voa pelos espaços do intelecto humano. Suas formulações são de uma beleza indescritível. Um teorema elegante é uma obra de arte, e a resolução de uma equação, um deleite. Mas atenção: abstrato não quer dizer inútil. A matemática é poderosa.

Os lindos roseirais matemáticos, contudo, têm espinhos pontiagudos. O fato de que a matemática pode prescindir do mundo real para desabrochar e crescer não significa que a maioria das pessoas consiga aprendê-la longe dele. Com efeito, pesquisas mostram que são poucos os que tiram proveito de uma matemática despida de suas aplicações práticas. Nos Estados Unidos, menos da metade dos alunos do ensino médio entende essa matemática elegantíssima e abstrata. Mas também se descobriu que o caminho para dominá-la começa com a velha matemática, lidando com coisas que se contam e medem. Encarnada no mundo real, os alunos a compreendem. É a chamada contextualização.

Infelizmente, ensinamos a matemática abstrata – e não a aplicada. Um levantamento do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) mostrou que nenhum livro de ensino médio brasileiro contextualizava a matemática. Em vez disso, eles expunham a versão abstrata – incompreensível para a maioria, que deixava de lidar com a matemática de resolver problemas quantitativos do mundo real, esta, sim, compreensível para quase todos. Ainda que o objetivo final deva ser a segunda matemática, o caminho passa pela primeira.

Ao contrário do que se faz nos países de primeira linha, nossos livros de matemática não a contextualizam, e ela se torna inexpugnável para a maior parte dos estudantes. Vai daí, eles decoram suas fórmulas sem entender como usá-las ou nem sequer saber para que servem.

A matemática nasceu no mundo real para resolver problemas concretos. E é somente assim que a maioria dos alunos consegue entendê-la. A versão dessa ciência abstrata não é inteligível para eles antes que aprendam a contextualizada. A tragédia mostrada nos testes, pelo menos em parte, deve-se a esse equívoco pedagógico.

GESTÃO E CARREIRA

O QUE FAZ UM CEO?

Ele tem um salário 270 vezes maior do que o de um trabalhador comum, passa até 15 horas no escritório e se submete à sabatina de investidores e jornalistas.

 

O que faz um CEO

Muita gente sonha em alcançar a presidência de uma empresa. Afinal, os CEOs recebem uma fortuna, decidem o futuro dos negócios e são admirados no mercado. Alguns ganham status de celebridade, viram influencers nas redes sociais e arrastam milhares de seguidores.

O salário dos executivos caiu nos últimos quatro anos, é verdade. Mas, de acordo com um relatório publicado pelo Instituto de Políticas Econômicas dos Estados Unidos, ainda permanece estratosfericamente superior aos ganhos dos seres humanos convencionais. Os presidentes das maiores empresas americanas contam com uma receita anual média 271 vezes maior do que a de um típico trabalhador.

Levando em conta a evolução desde 1978, a remuneração anual desse executivo apresentou um crescimento de até 937% (dependendo de como se contabilizam os ganhos com opções de ações). Lawrence Mishel e Jessica Schieder, autores da publicação, chamam a atenção para o fato de esse aumento ser 70% maior do que o do mercado de ações e “dolorosamente acima” dos 11% que um funcionário comum recebeu no mesmo período.

Eles valem mesmo o que ganham? O que, de fato, faz um CEO? Como é sua rotina? Que tipo de decisão ele toma? E, mais importante, quais as características de um bom Chief Executive Officer?

Perguntamos isso aos presidentes Juliana Azevedo, da fabricante de bens de consumo P&G; Theo van der Loo, da química Bayer; Denise Soares, do hospital de Beneficência Portuguesa; e José Magela Bernardes, da empresa de logística Prumo. “Os funcionários esperam que você os lidere em todas as situações: não somente no ambiente de negócios”, diz José, que já enfrentou desde greves de sindicatos até desastres naturais em regiões como México, Bolívia e África Ocidental.

Para tudo que acontece de certo ou de errado na companhia, é o presidente que se coloca na linha de frente, quem responde às críticas e se submete ao escrutínio dos grandes investidores e da imprensa. A cada três meses, em corporações listadas na bolsa, é ele ou ela quem geralmente enfrenta a sabatina dos analistas de grandes bancos sobre os resultados dos negócios.

Uma pesquisa com 1.000 executivos de seis países mostra que, em média, o CEO passa um quarto do dia sozinho, o que inclui ler e escrever e­ mails.  Mais da metade de seu tempo é gasto em reuniões, em geral planejadas com antecedência. As áreas com as quais interage, segundo o estudo, são produção (35%), marketing (22%) e finanças (17%). Fora da corporação, ele passa mais tempo com clientes (10%) do que com fornecedores (7%). Denise, da Beneficência Portuguesa, participa diariamente de quatro ou cinco reuniões internas, que duram cerca de 1 hora e meia cada uma. Theo, da Bayer, procura limitar os encontros a 40 minutos, no máximo, para ganhar eficiência.

José, da Prumo, mantém uma agenda rígida. Toda segunda-feira reúne ­ se com o comitê executivo durante 2 horas. Ao longo do resto da semana, encontra-se com stakeholders, administradores públicos, controladores e funcionários. Afinal, além de tratar de negócios com seus subordinados diretos, os líderes desprendem boa parte das horas gerenciando pessoas. Denise, de 49 anos, dedica cerca de um quinto do tempo para conversar com alguns dos 3.000 médicos e dos demais 7. 500 empregados que formam o quadro do hospital. ”Também destino um tempo para falar com as pessoas que não respondem diretamente para mim”, diz Juliana, da P&G. Esse costume serve para os presidentes “sentirem a temperatura” da empresa e trabalharem a comunicação e a retenção de profissionais.

Outra parte importante da jornada do CEO é gasta com viagens (8%). Juliana, por exemplo, passa 48 horas por mês em aviões. “Meu marido e meu filho de 8 anos ainda estão nos Estados Unidos”, afirma a executiva de 42 anos, que voltou para o Brasil há apenas três meses, depois de ter sido expatriada.

Somado a isso, o smartphone, aliado ao WhatsApp, faz do executivo quase um servidor de alto desempenho: disponível, 24/7 (24 horas por sete dias da semana). “Tento limitar meu tempo no escritório a 9 horas, mas, com tanta tecnologia, é difícil apontar exatamente quantas horas são trabalhadas”, afirma Juliana.

MEIO ESTRATÉGICO, MEIO OPERACIONAL

Sobra pouco tempo para o líder apreciar a vista da janela de seu escritório solitário. ”Nós tendemos a imaginar o CEO sentado em uma torre de marfim, deliberando o que a organização fará e, então, boom, ele toma uma decisão e a decisão acontece – e todos ficam felizes”, afirmou a economista e professora na Escola de Negócios Harvard Raffaella Sadun, ao podcast Freakonomics. Mas, segundo ela, as companhias ainda falham em aplicar conceitos básicos de administração, o que faz com que dificilmente as coisas funcionem de maneira tão simples.

Quem aspira virar presidente imagina a estratégia como algo primordial na agenda executiva. Afinal, é a estratégia que estabelece como uma empresa responde à concorrência, ou à mudança de preferência do consumidor, ou à transformação digital. Na prática, esse líder mantém um olho na estratégia e outro nos “processos operacionais que definem como os produtos ou serviços são feitos ou entregues, como a qualidade é controlada e como o desempenho dos funcionários é medido”, afirma Raffaella. Depois de analisar os dados de 12.000 companhias, a pesquisadora concluiu que a estratégia até contribui com uma fração significativa para o sucesso de um negócio, mas o maior desafio de um CEO é alcançar a excelência operacional.

A pressão por eficiência e resultados se soma à agenda política dos executivos – que têm de lidar com cinco a seis “partidos”. Existem os acionistas (os reais donos do negócio), os bancos e os detentores de títulos de dívida. Como empregador, há a preocupação de que a empresa seja atraente para os melhores talentos e que os empregados recebam treinamentos adequados. E, como detentor da reputação corporativa, é do presidente o papel de assegurar que a organização mantenha bons indicadores de sustentabilidade e seja bem vista na sociedade.

José Bernardes, ao assumir o comando da Prumo em 2015, recebeu a missão de redesenhar a estratégia de modo a transformar o Porto do Açu e os demais ativos controlados pela companhia em operações rentáveis – a despeito do cenário de crise que assombrava os negócios e o país. (A Prumo é um dos antigos negócios do empresário Eike Batista, preso no ano passado por corrupção e lavagem de dinheiro, e que foi comprada pelo grupo americano EIG em 2013) “A vantagem é que, com a economia desaquecida, encontramos muita gente talentosa disponível no mercado”, diz o executivo de 57 anos. Entre os principais desafios embutidos no desenvolvimento do complexo portuário, localizado no norte do estado do Rio de Janeiro, a 330 quilômetros da capital, está a responsabilidade social e ambiental, o que torna obrigatória a ida de José ao local pelo menos uma vez por mês para conversar com a população e entender suas necessidades.

MODO DE SOBREVIVÊNCIA

Ser um chief execlltive officer é mais complexo hoje do que no passado. O revés econômico de 2015, do qual o Brasil ainda tenta se reerguer, impôs grandes desafios a esses profissionais. Eles foram obrigados a enxugar estruturas, demitir em massa, renegociar dívidas e lidar com novos sócios em fusões e aquisições. Com a reestruturação, tiveram de colocar a mão na massa e liderar pelo exemplo – já que precisam cobrar resultados rápidos, sem poder pagar bônus nem aumentar salários. E, claro, devem manter as pessoas motivadas e altamente produtivas, e ainda lidar com funcionários de diferentes gerações, dos 20 aos 60 anos de idade.

“O CEO entrou em modo de sobrevivência, com prioridades de curto prazo e uma agenda mais intensa em número de horas”, diz Fernando Andraus, diretor executivo para a América Latina da Page Executive, especializada no recrutamento de executivos de alto escalão. O grau de complexidade das decisões, ante à agilidade da transformação digital, também se aprofundou.

Denise Soares chegou a trabalhar 15 horas por dia enquanto repensava a imagem da Beneficência Portuguesa. Foi uma resolução difícil: o projeto, iniciado em 2014, previa a troca da tradicional cruz de malta – o emblema da organização durante seus 158 anos de história – por um design mais moderno: desenhado com as iniciais “BP”. A transformação, concluída em 2016, acompanhou ainda um reposicionamento do modelo de atendimento do hospital, mirando a segmentação dos serviços médicos oferecidos, o resgate da reputação como hospital de alta complexidade e o crescimento. Nas mãos de Denise o BP viu a receita sair do vermelho e chegar a 1,5 bilhão de reais em 2018.  “Meu principal desafio é construir um legado que dure mais 158 anos.” Foi a primeira vez que Denise se envolveu em uma mudança de marcas e, para solucionar as tantas questões envolvidas ela recorreu a amigos. ”Eu precisei conversar com milhares de profissionais em vários setores para decidir como conduzir o projeto.”

Mesmo com a correria do dia a dia. Theo arruma tempo para o networking. “A boa relação com colegas dentro da empresa é importante. Fora dela, é mais ainda”, diz. “Numa crise, você poderá contar como apoio dessas pessoas, tanto no engajamento para cumprir metas quanto no aconselhamento estratégico”. Theo é o primeiro brasileiro a ocupar o cargo de CEO da Bayer Brasil:  antes dele, só estrangeiros sentavam na principal cadeira. Essa troca de experiências tem servido de referência para o executivo de 63 anos buscar conhecimentos que permitam adequar-se às mudanças no mercado. “Quando me formei, em 1979, ninguém falava sobre responsabilidade social, mas, hoje, a geração dos millennials cobra esses valores”, afirma Theo, que tem se empenhado em melhorar a diversidade na corporação, levantando uma bandeira a favor da inclusão racial. “Cada vez mais, o presidente precisa assumir múltiplos papéis”, diz Marilda Peres, professora de liderança na escola de negócios Insper, em São Paulo.

O BOM CEO

Por mais de uma década, um grupo de 14 pesquisadores das universidades de Chicago e Copenhague estudaram o desempenho de 17.000 executivos do chamado C level, incluindo 2.000 líderes – dos mais variados setores e tamanhos de empresas. Batizado de Genoma CEO, o projeto revelou algumas curiosidades. Por exemplo, todos os presidentes já haviam cometido, no passado, erros com implicações materiais; e 45% deles tiveram pelo menos uma explosão que custou sua carreira ou foi prejudicial para o negócio.

A descoberta mais importante talvez seja a que indica que o executivo de sucesso tem em seu DNA quatro comportamentos específicos. Eles decidem com rapidez e convicção, engajam pelo impacto, adaptam-se proativamente e entregam de forma confiável. Diferentemente do que se imagina, esses super-heróis não se destacam por tomar grandes decisões o tempo todo, “eles se distinguem por serem mais decisivos”.

De acordo com os pesquisadores, a liderança não requer “traços inalteráveis” nem “pedigree inatingível”. Ao contrário, não há nada de exótico nas características de um bom CEO: capacidade de decisão, habilidade de envolver os interessados, adaptabilidade e confiabilidade. O caminho está aberto para os próximos candidatos.

O que faz um CEO.2

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 28: 1-10 – PARTE I

Alimento diário

A Ressurreição

Para a prova da ressurreição de Jesus, temos aqui o testemunho do anjo, e do próprio Mestre, no que diz respeito à ressurreição. Agora podemos pensar que teria sido melhor se o fato tivesse sido organizado assim, que um número competente de testemunhas tivesse estado presente, e tivesse visto a pedra sendo tirada pelo anjo, e o corpo morto revivendo, como as pessoas viram Lázaro sair do túmulo, e então o assunto não seria objeto de disputa. Mas não estabeleçamos algo para a Infinita Sabedoria, que ordenou que as testemunhas de sua ressurreição devessem vê-lo ressuscitado, mas não vê-lo ressuscitar. A sua encarnação foi um mistério; como também foi essa ressurreição, esta nova formação do corpo de Cristo, para o seu estado exaltado. Ele foi, portanto, formado em segredo. “Bem-aventurados aqueles que não viram, e creram”. Cristo deu provas de sua ressurreição que foram comprovadas pelas Escrituras, e pela palavra que Ele havia falado (Lucas 24.6,7-44; Marcos 16.7); porque aqui devemos “andar por fé, e não por vista”. Aqui temos:

I – A ida das mulheres bondosas ao sepulcro. Observe:

1. Quando elas foram: no fim do sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana (v. 1). Isto fixa o dia da ressurreição de Cristo.

(1) Ele ressuscitou ao terceiro dia após a sua morte. Esse foi o dia em que Ele frequentemente havia pré-estabelecido, e manteve a sua palavra. Ele foi sepultado na noite do sexto dia da semana, e ressuscitou na manhã do primeiro dia da semana seguinte, de forma que permaneceu no túmulo por cerca de trinta e seis ou trinta e oito horas. Ele ficou ali portanto tempo, para mostrar que estava real e verdadeiramente morto; e não mais tempo que isso, para que não visse a corrupção. Ele ressuscitou ao terceiro dia, como resposta à tipificação do profeta Jonas (cap. 12.40), e para cumprir aquela profecia (Oseias 6.2): “Ao terceiro dia, nos ressuscitará, e viveremos diante dele”.

(2)  Ele ressuscitou depois do sábado judaico, e aquele era o sábado de Páscoa. Ele permaneceu no túmulo durante todo aquele dia, o que significava a abolição das festas judaicas e as outras partes da lei cerimonial, e que o seu povo deveria eliminar essas observâncias, e não dar atenção a elas, assim como Ele fez quando jazia na sepultura. Cristo, no sexto dia, terminou a sua obra. Ele disse: “Está consumado”. No sétimo dia, Ele descansou, e então no primeiro dia da semana seguinte, agiu como se estivesse começando um mundo novo, e entrando em uma nova obra. Não permitamos, portanto, que homem algum nos julgue agora com respeito a luas novas, ou sábados judaicos, que eram, na verdade, uma sombra das coisas boas que estavam por vir; pois a essência delas era Cristo. Podemos, além disso, observar que o tempo que os santos ficam no túmulo é, para eles, o equivalente a um sábado (assim como era o sábado judaico, que consistia principalmente de descanso físico), porque ali eles repousavam de suas obras (Jó 3.17); e isso se deve a Cristo.

(3)  Ele ressuscitou no primeiro dia da semana. No primeiro dia da primeira semana, Deus ordenou que a luz brilhasse na escuridão; nesse dia, portanto, aquele que viria a ser a Luz do mundo brilhou nas trevas da sepultura; e o sábado do sétimo dia, sendo sepultado com Cristo, ressurgiu no sábado do primeiro dia, que é chamado de Dia do Senhor (Apocalipse 1.10). A partir daí, nenhum outro dia é mencionado em todo o Novo Testamento com o mesmo sentido deste. Este dia é frequentemente mencionado como o dia que os cristãos observavam religiosamente nas assembleias solenes, para a honra de Cristo (João 20.19,26; Atos 20.7; 1 Coríntios 16.2). Se a libertação de Israel da terra do Norte ultrapassou a lembrança da saída do Egito (Jeremias 23.7,8), muito mais a nossa redenção por Cristo eclipsa a glória das primeiras obras de Deus. O sábado foi instituído como lembrança do aperfeiçoamento da obra da criação (Genesis 2.1). O homem, através dessa revolta, causou uma ruptura naquela obra perfeita, que nunca foi perfeitamente reparada até que Cristo ressuscitasse dos mortos, e os céus e a terra fossem outra vez terminados, e as suas hostes desordenadas, realinhadas, e que o dia no qual isso foi feito fosse corretamente abençoado e santificado, e a partir daí seria o sétimo dia. Aquele que nesse dia ressuscitou dos mortos é o mesmo por quem, e para quem, todas as coisas foram no princípio criadas, e agora são criadas outra vez.

(4)  Ele ressuscitou quando começou o amanhecer daquele dia. Tão logo se poderia dizer que o terceiro dia havia chegado, o dia pré-determinado para a sua ressurreição, Ele ressuscitou. Depois de sua retirada do meio do povo, Ele retorna com toda a velocidade conveniente, e interrompe a obra, em justiça, tão bruscamente quanto pode. Ele havia dito aos seus discípulos que, embora por pouco tempo não o veriam, eles o tornariam a ver em breve, e Jesus abreviou esse intervalo tanto quanto possível (Isaias 54.7,8). Cristo ressuscitou quando já despontava o dia, porque então o oriente do alto outra vez nos visitou (Lucas 1.78). A sua paixão começou à noite. Quando Ele foi pendurado na cruz, o sol se escureceu. Ele foi colocado no túmulo no cair da noite. Mas o Senhor ressuscitou quando o sol estava quase nascendo, porque Ele é a resplandecente Estrela da manhã (Apocalipse 22.16), a verdadeira Luz. Aqueles que cedo, pela manhã, se dedicam aos serviços religiosos do sábado cristão, para que possam aproveitar o dia que está à sua frente, seguem assim o exemplo de Cristo, e o exemplo ele Davi: “Cedo te buscarei”.

2. Quem eram aquelas que foram ao sepulcro: Maria Madalena e a outra Maria, as mesmas que compareceram ao funeral, e se sentaram à entrada do sepulcro, como antes haviam se sentado ao pé da cruz. Ainda assim, elas procuraram expressar o amor que sentiam por Cristo. Ainda assim, estavam procurando saber mais a respeito dele. Nós o conheceremos cada vez mais, desde que perseveremos em conhecê-lo. Nenhuma citação é feita sobre a possibilidade de a Virgem Maria estar com elas; é provável que o discípulo amado, que a havia levado para a sua própria casa, tenha impedido que ela fosse para o sepulcro para chorar ali. O fato de elas terem ido não só até o sepulcro buscar a Cristo, mas terem entrado no sepulcro, representa o cuidado que o Senhor tem por aqueles que são seus quando esses passam a ter as suas camas nas trevas. Assim como Cristo, no túmulo, foi amado pelos santos, os santos, no túmulo, são amados por Cristo; porque a morte e a sepultura não podem afrouxar o laço de amor que existe entre eles.

3. O que elas foram fazer. Os outros evangelistas dizem que elas foram ungir o corpo. Mateus diz que elas foram ver o sepulcro, ver se estava como elas o haviam deixado. Ouvindo, talvez, mas não tendo certeza, que os príncipes dos sacerdotes haviam colocado guarda no sepulcro. Elas foram para mostrar a sua boa vontade em uma outra visita aos caros restos mortais de seu amado Mestre, e talvez não sem alguns pensamentos sobre a sua ressurreição, porque elas poderiam não ter esquecido de tudo o que Ele tinha dito sobre isso. Visitas ao túmulo são de grande utilidade para alguns cristãos, e ajudam a torná-lo familiar a eles, e remover o terror dele, especialmente visitas à sepultura do nosso Senhor Jesus, onde podemos ver o pecado enterrado fora da vista, o padrão da nossa santificação, e a grande prova do amor redentor brilhando intensamente mesmo nesta terra de trevas.

 

II – O aparecimento de um anjo do Senhor para elas (vv. 2-4). Temos aqui um relato do modo da ressurreição de Cristo, pelo menos quanto ao que nos era conveniente saber.

1. Houve um grande terremoto. Quando Jesus morreu, a terra que o recebeu agitou-se em temor. Agora que Ele ressuscitou, a terra que o resignou saltou de alegria em sua exaltação. Esse terremoto foi como se as amarras da morte fossem soltas, os grilhões do túmulo se abrissem, e o “Desejado de todas as nações” fosse introduzido (Ageu 2.6,7). Esse foi o sinal da vitória de Cristo; por meio dele, foi anunciado que, quando os céus se regozijassem, a terra também poderia se alegrar. Era um modelo do terremoto que se dará na terra por ocasião da ressurreição geral, quando montanhas e ilhas serão removidas, de forma que a terra não possa mais ocultar os seus mortos. Houve um ruído e um rebuliço no vale, quando os ossos se juntaram, cada osso ao seu osso (Ezequiel 37.7). O reino de Cristo, que agora se estabeleceria, fez a terra tremer; e a abalou terrivelmente. Aqueles que são santificados, e desse modo elevados a uma vida espiritual privilegiada, encontram, enquanto isso acontece, um terremoto em seu próprio seio, como Paulo, que tremeu e ficou espantado.

2. O anjo do Senhor desceu do céu. Os anjos frequentemente serviram ao nosso Senhor Jesus, em seu nascimento, em sua tentação, em sua agonia; mas na cruz não encontramos nenhum anjo servindo-o. Quando o seu Pai o desamparou, os anjos se afastaram dele; mas agora que Ele está retomando a sua glória que tinha antes da fundação do mundo, então, os anjos do céu o adoram.

3. Ele veio, e removeu a pedra da entrada, e sentou-se sobre ela. O nosso Senhor Jesus poderia, Ele mesmo, remover a pedra por seu próprio poder, mas preferiu que isso fosse feito pelo anjo. Isto significa que, tendo se assegurado de ter feito o pagamento pelos nossos pecados, que foram imputados a Ele, e tendo estado sob prisão em conformidade com essa imputação, Ele não fugiu da prisão, mas teve uma libertação legal e justa, obtida do céu. Ele não fugiu da prisão, mas um oficial foi enviado com o propósito de remover a pedra, e assim abrir a porta da prisão, o que nunca teria sido feito, se Jesus não tivesse feito um pagamento total. Mas, sendo liberto das nossas ofensas, para completar a libertação, Ele foi ressuscitado para a nossa justificação. Ele morreu para pagar a nossa dívida, e ressuscitou para obter a nossa quitação. A pedra dos nossos pecados foi rolada para a entrada do túmulo do nosso Senhor Jesus (revolver uma grande pedra significava assumir uma culpa, 1 Samuel 14.33). Mas para demonstrar que ajustiça divina foi satisfeita, um anjo foi comissionado para remover a pedra; não que o anjo o tenha ressuscitado dos mortos, da mesma forma que aqueles que retiraram a pedra do túmulo de Lázaro não o ressuscitaram, mas assim ficou patente o consentimento do Céu para a sua libertação, e a alegria do céu na Pessoa de Jesus Cristo. Os inimigos de Cristo haviam selado a pedra, resolvendo, como a Babilônia, não abrir a casa dos seus prisioneiros. “Tirar-se-ia a presa ao valente?” Porque essa era a hora deles; mas todos os poderes da morte e das trevas estão sob o controle do Deus da luz e da vida. Um anjo do céu tem poder para quebrar o selo, embora fosse o grande selo de Israel, e é capaz de remover a pedra, embora seja muito grande. Assim, os cativos dos poderosos são libertados. O fato de o anjo se assentar sobre a pedra, quando ele a havia removido, é notável, e revela um triunfo seguro sobre todos os obstáculos à ressurreição de Cristo. Ali ele se sentou, desafiando todos os poderes do inferno para rolar a pedra para o túmulo outra vez. Cristo eleva o seu lugar de repouso e o seu trono de juízo acima da oposição dos seus inimigos; o Senhor se assenta sobre as águas. O anjo se sentou como um guarda do túmulo, tendo afugentado para longe os guardas ímpios dos inimigos; ele se sentou, esperando as mulheres, e pronto para lhes dar a notícia da ressurreição do Senhor.

4. Que o seu aspecto era como um relâmpago, e as suas vestes, brancas como a neve (v.3). Essa foi uma representação visível – que classificamos como esplêndida e célebre – das glórias do mundo invisível, que não conhece diferença de cores. A aparência do anjo sobre os guardas era como relâmpagos; o Senhor vibra os seus raios, e dissipa-os (Salmos 144.6). A brancura de suas vestes era um emblema não só de pureza, mas de alegria e triunfo. Quando Cristo morreu, a corte do céu se entristeceu, e esse fato foi representado pelo escurecimento do sol; mas quando ele ressuscitou, eles colocaram novamente as vestes de louvor: A glória desse anjo representou a glória de Cristo, para a qual Ele então havia ressuscitado, porque essa é a mesma descrição dele, que foi dada em sua transfiguração (cap. 17.2). Mas quando Ele conversou com os seus discípulos após a sua ressurreição, Ele ocultou isso, e anunciou a glória dos santos na ressurreição deles, quando serão como os anjos de Deus no céu.

5. Que os guardas, com medo dele, ficaram muito assombrados e como mortos (v. 4). Eles eram soldados que se consideravam insensíveis em relação ao medo. No entanto, a própria visão de um anjo os encheu de temor. Portanto, quando o Filho de Deus se levantou para julgar, os ousados de coração foram despojados (Salmos 76.5,9). Note que, assim como a ressurreição de Cristo é a alegria dos seus amigos, ela também é o terror e a confusão dos seus inimigos. Eles ficaram muito assombrados. Quando a terra tremeu, esses filhos da terra, que tinham a sua porção nela, tremeram também; porém, aqueles que têm a sua felicidade nas coisas do alto não sentem qualquer temor mesmo que a terra seja removida. Os guardas ficaram como mortos, quando aquele a quem eles guardavam tornou-se vivo, e aqueles contra quem eles montavam guarda reviveram com ele. Eles foram tomados de terror ao verem a si mesmos frustrados no tocante à sua missão ali. Eles foram colocados ali para manter um homem morto em seu túmulo – certamente, o serviço mais fácil que lhes poderia ter sido atribuído; e, mesmo assim, isso se mostrou difícil demais para eles. Eles foram informados de que deveriam esperar ser atacados por um grupo de discípulos fracos e desanimados, que, por medo deles, logo ficariam muito assombrados e como mortos, mas se sentiram surpreendidos quando se acharam atacados por um anjo poderoso, cujo rosto não ousaram olhar. Assim Deus frustra os seus inimigos, assombrando-os (Salmos 9.20).