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O PECADO DAS CURTIDAS

O escândalo envolvendo o uso de dados do Facebook mostra que perdemos o controle das informações publicadas no ambiente online. Aí surge um dilema: sair da rede, ou aceitar os riscos.

O pecado das curtidas

O polêmico uso de dados do Facebook para influenciar a campanha presidencial americana em 2016 ganhou dimensão global e escancarou a forma como os indivíduos perderam o controle sobre o que postam na internet. Cerca de 87milhões de usuários nos Estados Unidos tiveram suas informações vazadas pela empresa de análise de dados políticos Cambridge Analytica. Os dados foram inicialmente coletados por um aplicativo de testes de personalidade na rede social e, segundo investigações, comprados pela consultoria que trabalhou na campanha do candidato republicano Donald Trump. Em posse da informação, a Cambridge Analytica previu o comportamento eleitoral dos usuários e os bombardeou com propaganda a favor de Trump, que venceu. Há indícios que o mesmo método tenha sido aplicado para influenciar a votação do Brexit, no mesmo ano, quando os britânicos optaram que o Reino Unido deixasse a União Europeia.

O auê foi tamanho que, no mês passado, o fundador e CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, foi chamado a dar explicações no Congresso americano. Em depoimento de 5 horas, ele negou a comercialização de dados. O escândalo, no entanto, derrubou o valor de mercado do Facebook em quase 60 bilhões de dólares em menos de uma semana. E se engana quem pensa que o problema foi isolado.

O Brasil também coleciona uma série de casos recentes. Em abril, a operadora de telefonia celular Vivo foi acusada pelo Ministério Público de vender dados de 73 milhões de clientes. No mesmo mês, a Uber foi convocada pelo Ministério Público em Brasília para esclarecer a exposição de dados de 176.000 brasileiros, após a própria companhia revelar que informações de usuários e motoristas haviam sido roubadas. O mesmo ocorreu com a Netshoes, que perdeu dados de 2 milhões de clientes para cibercriminosos; e com a Porto Seguro, de onde os hackers levaram informações pessoais e bancárias dos segurados.

Para piorar, especialistas alertam para a tendência de abrirmos cada vez mais sobre nós sobretudo no varejo, que mapeia o comportamento do cliente que compra pela internet. O protótipo perfeito desse Big Brother é a Amazon Go, primeira loja física da Amazon, aberta em Seattle, nos Estados Unidos, em janeiro. Lá, não há atendentes e não são utilizados dinheiro ou cartão. O estabelecimento usa inteligência artificial e centenas de micro câmeras para rastrear os clientes e os itens escolhidos. Ao sair com os produtos, eles não passam pelo caixa, simplesmente recebem um recibo de compra (debitado no crédito) minutos depois. A experiência é incrível, mas o preço, alto: até os movimentos (e as emoções) dos clientes são filmados. Outro exemplo: o Google direciona a publicidade de lojas e marcas com base no que “escuta” de seus usuários (pelo microfone do celular).  De fato, perdemos o domínio de nossos dados.

Mas os usuários não parecem muito preocupados com isso. Um Estudo realizado pela empresa de segurança digital Kaspersky chamou a atenção para a falta de cuidado dos internautas. Segundo a pesquisa, apenas três em cada dez pessoas leem o contrato antes da instalação de um aplicativo. Como elas têm, em média, 66 aplicativos em seu aparelho Android – sendo que 95% deles começam a funcionar sem que o usuário os inicie e 83% têm acesso a dados confidenciais -, a exposição é enorme.

CÉREBRO EM METAMORFOSE

Mas por que somos negligentes com informações no ambiente digital? Para a professora Andrea Jota, do Laboratório de Estudos de Psicologia, Tecnologia, Informação e Comunicação da PUC de São Paulo, há duas razões. A primeira é a falta de informação. Como a indústria de tecnologia não costuma ser transparente sobre suas políticas de dados e serviços, uma parcela considerável desconhece os riscos. “E a única maneira de se proteger é lendo manuais e ajustando as configurações de privacidade”, diz a psicóloga. O problema é que, na ânsia de usar o serviço, quase ninguém lê as letras miúdas dos contratos. Em geral, clica-se no “Li e aceito” ou no “Permitir acesso a fotos, vídeos …” sem saber o que isto significa exatamente.

Um segundo motivo para o compartilhamento excessivo, segundo a psicóloga, é que o ser humano precisa alimentar sua persona social. No universo digital, isso significa exibir familiares, viagens e até mesmo as refeições. “A internet, e tudo relacionado a ela, se fundiu ao nosso cotidiano”, diz Andrea.

A neurocientista britânica Susan Greenfield, autora de livros corno Mind Change: How Digital Technologies Are Leaving Their Mark: on Our Brains (sem tradução no Brasil), vai além. “O ambiente digital está alterando nosso cérebro”, escreve ela no livro. Entre outras ideias, Susan afirma que as redes sociais e as novas tecnologias estão nos tornando menos empáticos e mais dependentes do “aqui e agora” e fragilizando nossa noção de quem somos. De acordo com ela, quando constroem sua identidade no ciberespaço, as pessoas não se preocupam com passado ou futuro. O que vale é tirar proveito do momento.

Mas a postura imediatista exige reflexão. Pense num site de busca de empregos. Ou no próprio Linkedin, rede social essencial para fazer networking no mundo do trabalho. Quanto mais informações o profissional passa, maior a chance de ser visto por um recrutador e conseguir uma boa vaga. Mas será seguro revelar tanto de si mesmo? E se uma informação aparentemente boba, que o indivíduo não dimensionou no momento da postagem, um dia vir à tona e prejudicá-lo?

Bem, aparentemente, isso faz parte do mundo moderno. E especialistas advertem que será preciso aprender a lidar – e a prever – os efeitos colaterais de seus rastros digitais.

Rodrigo Tafner, coordenador do curso de sistemas de informação da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), é taxativo: não existe privacidade no ambiente digital. A empresa coleta dados e, em troca, oferece contrapartidas (como a possibilidade de encontrar um bom emprego). Se você deseja sua intimidade preservada integralmente, precisa manter-se offline. “Para se proteger 100%, o indivíduo precisa deixar de usar celular e computador. Mas isso é andar para trás”, afirma o especialista.

Como diz o ditado, “quem não é visto, não é lembrado”, e excluir-se das redes é praticamente não existir na sociedade atual. Quem fizer isso terá de abrir mão de seus contatos no Facebook, das pesquisas no Google (e todas as suas ferramentas, como Gmail, Google Maps e Google Tradutor), nas mensagens instantâneas do WhatsApp, das fotos do Instagram, dos filmes da Netflix, das músicas no Spotify e das compras online. Isso sem falar do aplicativo de trajetos Wase, do Uber, das notícias em sites, das vagas de emprego. A lista é grande.

A solução ideal, recomendam os estudiosos do assunto, é buscar o caminho do meio, minimizando os riscos. Rodrigo lembra que aplicativos escutam o que estamos falando e são capazes de saber até se estamos fazendo exercícios ou deitados na cama com o abajur desligado. Quem aceita tamanha exposição deve ler com atenção o termo de uso antes de baixar qualquer plataforma. Apesar de chato, é essencial analisar o que dizem os contratos, saber quais ferramentas precisam ser desabilitadas e entender o que não devemos dividir com ninguém, nem lojas nem redes sociais.

Especialista em direito digital, o advogado Leandro Bissoli, sócio da Peck Advogados, afirma que a primeira medida antes de informar um dado é entrar na página de Política de Privacidade da organização e analisar o quão exposta essa informação ficará. “Muitas vezes, é como se colocássemos uma faixa sobre nós na rua”, afirma Leandro. Nesse tipo de relatório está descrito o que a plataforma coleta de dados, o que faz com eles e como os descarta. O documento, em geral, é longo e mal escrito, mas necessário.

Qualquer pessoa que tenha rede social pode ter recebido nos últimos tempos uma mensagem do administrador avisando sobre mudanças nas medidas de segurança, na tentativa de deixá-las mais fortes. De acordo com Leandro, isso acontece porque as mídias sociais foram impactadas por um novo conjunto de regras aprovado pela União Europeia para proteção de privacidade de dados, que entrou em vigor no dia 25 de maio.

A legislação, conhecida como Regulamentação Geral para Proteção de Dados (GDPR, na sigla em inglês), é considerada a maior reformulação online desde o surgimento da internet. Incluir, excluir e corrigir dados a qualquer momento passa a ser um direito do usuário e as companhias são obrigadas a fornecer ferramentas explícitas que garantam essa liberdade. Além disso, empresas que armazenam informações das pessoas terão de comprovar que têm sistemas adequados para garantir tudo guardado a sete chaves.

“No Brasil, não temos regulamentação específica para tratar dados pessoais, somos lanterninhas da América Latina”, afirma o especialista da Peck Advogados, citando que há dois projetos em andamento nesse sentido – um na Câmara e outro no Senado.

A boa notícia é que, finalmente, autoridades e estudiosos têm questionado a balança desigual dessa relação. Os usuários fornecem dados preciosos de graça, enquanto as gigantes de tecnologia se locupletam com uma valiosa base de dados. Cresce o movimento contrário, e empresas começam a mudar suas políticas. Poucos meses atrás, o Facebook anunciou a expansão de seu programa que promete recompensas a quem denunciar aplicativos que fazem uso indevido das informações dos usuários. O prêmio chega a 100.000 dólares. Resta saber se isso será suficiente para dar às pessoas um pouco mais de alento digital.

 

MELHOR PREVENIR DO QUE REMEDIAR

Confira dicas dos especialistas para se proteger:

BLINDE-SE DAS ARMADILHAS VIRTUAIS

Jamais acesse links estranhos que surgem na tela de aplicativos, são enviados por e-mail ou por redes sociais. Em geral, esses links chegam como se fossem instituições financeiras ou mensagem de um contato pessoal. Quando você o acessa, o vírus se instala no dispositivo e passa a roubar seus dados. Na dúvida, não clique.

 LIMPE OS COOKIES PERIODICAMENTE

Cookies nada mais são do que informações trocadas entre seu navegador e o servidor de páginas acessadas. Eles ficam registrados num arquivo de texto no computador, o que permite que o site reconheça o visitante e saiba suas preferências – com isso, vai construindo um perfil do usuário.

LEIA OS TERMOS DE SERVIÇO E PRIVACIDADE

Antes de clicar em “aceito os termos e condições”, leia as informações básicas. Quem pode ter acesso aos dados? Alguém ou a plataforma pode utilizar as informações de sua conta? O controle do que é postado é totalmente seu? Se não tiver as respostas para essas perguntas, melhor abrir mão do serviço.

 ATENÇÃO AOS APLICATIVOS

Cerca de 20% deles não são confiáveis. Quando baixar qualquer um deles, não saia dando permissão para que acessem fotos, vídeos e outros arquivos, principalmente se estiver no sistema Android, mais vulnerável do que o IOS. Se não estiver claro, clique em “não permitir”. Se o uso do app depender disso, leia os termos de privacidade, e informe-se se pode desabilitar o recurso.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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