PSICOLOGIA ANALÍTICA

O QUE OS PSICOPATAS DESEJAM?

O enfoque tradicional na pesquisa em neurociência da psicopatia é o foco em falta de sensibilidade à punição ou na ausência do medo, variáveis que estão associadas ao comportamento antissocial.

O que os psicopatas desejam

Tradicionalmente, a pesquisa em Neurociências enfoca a psicopatia como estando fundamentada em uma deficiência em certos circuitos cerebrais ligados ao controle dos impulsos, ou o aprendizado de consequências negativas. A falta de sensibilidade à punição tem sido apontada como uma das hipóteses de um substrato neural da psicopatia. Outras investigações apontam que não só a falta de medo, mas, consequentemente, as dificuldades de aprendizado com as experiências de medo são traços que estão por trás da psicopatia.

No entanto, até o momento, esses traços não se mostraram particularmente úteis para prever violência ou comportamento criminal. Uma nova linha de investigação sugere que pode ocorrer no cérebro de psicopatas uma forte tendência para a recompensa, e que isso tem sido negligenciado pela pesquisa convencional nessa área. Os indivíduos com traços de psicopatia têm de fato um forte impulso pela busca de recompensa, e esse impulso talvez supere o senso de risco ou a preocupação com as consequências negativas de determinado comportamento.

Para testar essa hipótese, foi realizado um experimento no qual indivíduos com psicopatia e pessoas sem essa característica recebiam uma droga e tinham seus cérebros submetidos a escaneamento para obtenção de imagens do funcionamento neural. O objetivo foi verificar como o cérebro das pessoas reagem a estimulantes, no caso um tipo de anfetamina chamado em língua inglesa speed, conhecido por suas propriedades de liberação de dopamina.

A dopamina é a moeda da recompensa no cérebro. Quando as moléculas desse neurotransmissor, provenientes da área tegmentar ventral atingem receptores na região do núcleo accumbens, o organismo sente prazer e desejo de repetir a experiência que levou ao estímulo dopaminérgico. Esse é o chamado sistema de recompensa do cérebro.

No experimento realizado, o que chamou atenção dos pesquisadores foi que pessoas com altos níveis de traços de psicopatia têm quatro vezes mais dopamina liberada em resposta à anfetamina do que as pessoas normais. Em uma segunda parte do estudo, os sujeitos tinham os cérebros escaneados enquanto ganhavam uma recompensa financeira por fazer uma tarefa em laboratório. Como no primeiro estudo, os psicopatas mostraram uma liberação muito maior de dopamina e níveis mais altos de atividades em antecipação ao ganho da recompensa.

Talvez pelo fato de ter uma resposta exagerada da dopamina, quando um psicopata foca na possibilidade de ganhar uma recompensa torna-se incapaz de alterar sua atenção até que consiga obter a gratificação. Esse escudo sugere que o cérebro do psicopata tem a circuitaria organizada para buscar fortemente recompensas, embora sem pesar o custo dessa procura.

Se o cérebro dos psicopatas libera quatro vezes mais dopamina em resposta a recompensas do que o de pessoas normais, podemos imaginar quanto prazer esses indivíduos podem ter ao atingir seus objetivos. Normalmente pensamos que psicopatas são pessoas de sangue frio, e que querem tomar o que desejam sem pensar nas consequências. Esse estudo mostra que um sistema de recompensa dopaminérgica hiperativo pode ser fundamento de alguns dos mais problemáticos comportamentos associados com psicopatia, como crimes violentos, reincidências e uso de drogas e álcool. Pensando na realidade brasileira. Podemos também imaginar o quanto a antevisão de prazer pode ser extraída a partir da simulação mental do recebimento de propinas e dinheiro de corrupção na mente de psicopatas, o que, infelizmente, torna mais tentadores os comportamentos que levam a essas recompensas.

 

MARCO CALLEGARO – é psicólogo, mestre em Neurociências e Comportamento, diretor do Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (ICTC) e do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Autor do livro premiado O Novo Inconsciente Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências Revolucionaram o Modelo do Processamento Mental.

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OUTROS OLHARES

O PECADO DAS CURTIDAS

O escândalo envolvendo o uso de dados do Facebook mostra que perdemos o controle das informações publicadas no ambiente online. Aí surge um dilema: sair da rede, ou aceitar os riscos.

O pecado das curtidas

O polêmico uso de dados do Facebook para influenciar a campanha presidencial americana em 2016 ganhou dimensão global e escancarou a forma como os indivíduos perderam o controle sobre o que postam na internet. Cerca de 87milhões de usuários nos Estados Unidos tiveram suas informações vazadas pela empresa de análise de dados políticos Cambridge Analytica. Os dados foram inicialmente coletados por um aplicativo de testes de personalidade na rede social e, segundo investigações, comprados pela consultoria que trabalhou na campanha do candidato republicano Donald Trump. Em posse da informação, a Cambridge Analytica previu o comportamento eleitoral dos usuários e os bombardeou com propaganda a favor de Trump, que venceu. Há indícios que o mesmo método tenha sido aplicado para influenciar a votação do Brexit, no mesmo ano, quando os britânicos optaram que o Reino Unido deixasse a União Europeia.

O auê foi tamanho que, no mês passado, o fundador e CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, foi chamado a dar explicações no Congresso americano. Em depoimento de 5 horas, ele negou a comercialização de dados. O escândalo, no entanto, derrubou o valor de mercado do Facebook em quase 60 bilhões de dólares em menos de uma semana. E se engana quem pensa que o problema foi isolado.

O Brasil também coleciona uma série de casos recentes. Em abril, a operadora de telefonia celular Vivo foi acusada pelo Ministério Público de vender dados de 73 milhões de clientes. No mesmo mês, a Uber foi convocada pelo Ministério Público em Brasília para esclarecer a exposição de dados de 176.000 brasileiros, após a própria companhia revelar que informações de usuários e motoristas haviam sido roubadas. O mesmo ocorreu com a Netshoes, que perdeu dados de 2 milhões de clientes para cibercriminosos; e com a Porto Seguro, de onde os hackers levaram informações pessoais e bancárias dos segurados.

Para piorar, especialistas alertam para a tendência de abrirmos cada vez mais sobre nós sobretudo no varejo, que mapeia o comportamento do cliente que compra pela internet. O protótipo perfeito desse Big Brother é a Amazon Go, primeira loja física da Amazon, aberta em Seattle, nos Estados Unidos, em janeiro. Lá, não há atendentes e não são utilizados dinheiro ou cartão. O estabelecimento usa inteligência artificial e centenas de micro câmeras para rastrear os clientes e os itens escolhidos. Ao sair com os produtos, eles não passam pelo caixa, simplesmente recebem um recibo de compra (debitado no crédito) minutos depois. A experiência é incrível, mas o preço, alto: até os movimentos (e as emoções) dos clientes são filmados. Outro exemplo: o Google direciona a publicidade de lojas e marcas com base no que “escuta” de seus usuários (pelo microfone do celular).  De fato, perdemos o domínio de nossos dados.

Mas os usuários não parecem muito preocupados com isso. Um Estudo realizado pela empresa de segurança digital Kaspersky chamou a atenção para a falta de cuidado dos internautas. Segundo a pesquisa, apenas três em cada dez pessoas leem o contrato antes da instalação de um aplicativo. Como elas têm, em média, 66 aplicativos em seu aparelho Android – sendo que 95% deles começam a funcionar sem que o usuário os inicie e 83% têm acesso a dados confidenciais -, a exposição é enorme.

CÉREBRO EM METAMORFOSE

Mas por que somos negligentes com informações no ambiente digital? Para a professora Andrea Jota, do Laboratório de Estudos de Psicologia, Tecnologia, Informação e Comunicação da PUC de São Paulo, há duas razões. A primeira é a falta de informação. Como a indústria de tecnologia não costuma ser transparente sobre suas políticas de dados e serviços, uma parcela considerável desconhece os riscos. “E a única maneira de se proteger é lendo manuais e ajustando as configurações de privacidade”, diz a psicóloga. O problema é que, na ânsia de usar o serviço, quase ninguém lê as letras miúdas dos contratos. Em geral, clica-se no “Li e aceito” ou no “Permitir acesso a fotos, vídeos …” sem saber o que isto significa exatamente.

Um segundo motivo para o compartilhamento excessivo, segundo a psicóloga, é que o ser humano precisa alimentar sua persona social. No universo digital, isso significa exibir familiares, viagens e até mesmo as refeições. “A internet, e tudo relacionado a ela, se fundiu ao nosso cotidiano”, diz Andrea.

A neurocientista britânica Susan Greenfield, autora de livros corno Mind Change: How Digital Technologies Are Leaving Their Mark: on Our Brains (sem tradução no Brasil), vai além. “O ambiente digital está alterando nosso cérebro”, escreve ela no livro. Entre outras ideias, Susan afirma que as redes sociais e as novas tecnologias estão nos tornando menos empáticos e mais dependentes do “aqui e agora” e fragilizando nossa noção de quem somos. De acordo com ela, quando constroem sua identidade no ciberespaço, as pessoas não se preocupam com passado ou futuro. O que vale é tirar proveito do momento.

Mas a postura imediatista exige reflexão. Pense num site de busca de empregos. Ou no próprio Linkedin, rede social essencial para fazer networking no mundo do trabalho. Quanto mais informações o profissional passa, maior a chance de ser visto por um recrutador e conseguir uma boa vaga. Mas será seguro revelar tanto de si mesmo? E se uma informação aparentemente boba, que o indivíduo não dimensionou no momento da postagem, um dia vir à tona e prejudicá-lo?

Bem, aparentemente, isso faz parte do mundo moderno. E especialistas advertem que será preciso aprender a lidar – e a prever – os efeitos colaterais de seus rastros digitais.

Rodrigo Tafner, coordenador do curso de sistemas de informação da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), é taxativo: não existe privacidade no ambiente digital. A empresa coleta dados e, em troca, oferece contrapartidas (como a possibilidade de encontrar um bom emprego). Se você deseja sua intimidade preservada integralmente, precisa manter-se offline. “Para se proteger 100%, o indivíduo precisa deixar de usar celular e computador. Mas isso é andar para trás”, afirma o especialista.

Como diz o ditado, “quem não é visto, não é lembrado”, e excluir-se das redes é praticamente não existir na sociedade atual. Quem fizer isso terá de abrir mão de seus contatos no Facebook, das pesquisas no Google (e todas as suas ferramentas, como Gmail, Google Maps e Google Tradutor), nas mensagens instantâneas do WhatsApp, das fotos do Instagram, dos filmes da Netflix, das músicas no Spotify e das compras online. Isso sem falar do aplicativo de trajetos Wase, do Uber, das notícias em sites, das vagas de emprego. A lista é grande.

A solução ideal, recomendam os estudiosos do assunto, é buscar o caminho do meio, minimizando os riscos. Rodrigo lembra que aplicativos escutam o que estamos falando e são capazes de saber até se estamos fazendo exercícios ou deitados na cama com o abajur desligado. Quem aceita tamanha exposição deve ler com atenção o termo de uso antes de baixar qualquer plataforma. Apesar de chato, é essencial analisar o que dizem os contratos, saber quais ferramentas precisam ser desabilitadas e entender o que não devemos dividir com ninguém, nem lojas nem redes sociais.

Especialista em direito digital, o advogado Leandro Bissoli, sócio da Peck Advogados, afirma que a primeira medida antes de informar um dado é entrar na página de Política de Privacidade da organização e analisar o quão exposta essa informação ficará. “Muitas vezes, é como se colocássemos uma faixa sobre nós na rua”, afirma Leandro. Nesse tipo de relatório está descrito o que a plataforma coleta de dados, o que faz com eles e como os descarta. O documento, em geral, é longo e mal escrito, mas necessário.

Qualquer pessoa que tenha rede social pode ter recebido nos últimos tempos uma mensagem do administrador avisando sobre mudanças nas medidas de segurança, na tentativa de deixá-las mais fortes. De acordo com Leandro, isso acontece porque as mídias sociais foram impactadas por um novo conjunto de regras aprovado pela União Europeia para proteção de privacidade de dados, que entrou em vigor no dia 25 de maio.

A legislação, conhecida como Regulamentação Geral para Proteção de Dados (GDPR, na sigla em inglês), é considerada a maior reformulação online desde o surgimento da internet. Incluir, excluir e corrigir dados a qualquer momento passa a ser um direito do usuário e as companhias são obrigadas a fornecer ferramentas explícitas que garantam essa liberdade. Além disso, empresas que armazenam informações das pessoas terão de comprovar que têm sistemas adequados para garantir tudo guardado a sete chaves.

“No Brasil, não temos regulamentação específica para tratar dados pessoais, somos lanterninhas da América Latina”, afirma o especialista da Peck Advogados, citando que há dois projetos em andamento nesse sentido – um na Câmara e outro no Senado.

A boa notícia é que, finalmente, autoridades e estudiosos têm questionado a balança desigual dessa relação. Os usuários fornecem dados preciosos de graça, enquanto as gigantes de tecnologia se locupletam com uma valiosa base de dados. Cresce o movimento contrário, e empresas começam a mudar suas políticas. Poucos meses atrás, o Facebook anunciou a expansão de seu programa que promete recompensas a quem denunciar aplicativos que fazem uso indevido das informações dos usuários. O prêmio chega a 100.000 dólares. Resta saber se isso será suficiente para dar às pessoas um pouco mais de alento digital.

 

MELHOR PREVENIR DO QUE REMEDIAR

Confira dicas dos especialistas para se proteger:

BLINDE-SE DAS ARMADILHAS VIRTUAIS

Jamais acesse links estranhos que surgem na tela de aplicativos, são enviados por e-mail ou por redes sociais. Em geral, esses links chegam como se fossem instituições financeiras ou mensagem de um contato pessoal. Quando você o acessa, o vírus se instala no dispositivo e passa a roubar seus dados. Na dúvida, não clique.

 LIMPE OS COOKIES PERIODICAMENTE

Cookies nada mais são do que informações trocadas entre seu navegador e o servidor de páginas acessadas. Eles ficam registrados num arquivo de texto no computador, o que permite que o site reconheça o visitante e saiba suas preferências – com isso, vai construindo um perfil do usuário.

LEIA OS TERMOS DE SERVIÇO E PRIVACIDADE

Antes de clicar em “aceito os termos e condições”, leia as informações básicas. Quem pode ter acesso aos dados? Alguém ou a plataforma pode utilizar as informações de sua conta? O controle do que é postado é totalmente seu? Se não tiver as respostas para essas perguntas, melhor abrir mão do serviço.

 ATENÇÃO AOS APLICATIVOS

Cerca de 20% deles não são confiáveis. Quando baixar qualquer um deles, não saia dando permissão para que acessem fotos, vídeos e outros arquivos, principalmente se estiver no sistema Android, mais vulnerável do que o IOS. Se não estiver claro, clique em “não permitir”. Se o uso do app depender disso, leia os termos de privacidade, e informe-se se pode desabilitar o recurso.

GESTÃO E CARREIRA

O RH E OS CONSELHOS

O RH e os conselhos

Ao mesmo tempo que ouvimos o discurso do RH estratégico e das evoluções que ocorreram nos últimos anos, vejo pouco avanço com relação a uma série de frentes. Uma delas é a relação dos RHs com os conselhos de administração. Pelo que observo, os profissionais de recursos humanos têm uma contribuição limitada nesse fórum de governança, mesmo quando falamos dos comitês de gestão de pessoas, ainda restritos a discussões ligadas à remuneração.  Apesar do discurso das organizações de que são voltadas para os indivíduos, os executivos responsáveis pelas políticas de gestão dos talentos, na maior parte das vezes, têm pouca influência se comparados aos de finanças, vendas ou operações.

São raros os comitês de RH liderando discussões estratégicas, entre elas a sucessão diante desse mundo de mudanças exponenciais; o desenvolvimento da alta liderança para gerir num cenário de revolução tecnológica e suas consequências para as pessoas; ou a composição de times necessária para enfrentar as novas eras. Ao mesmo tempo, vejo poucos executivos de RH preparados para inserir conhecimento dentro de uma discussão de negócios e estratégia.

O que os RHs podem fazer para mudar esse cenário? Uma das medidas fundamentais é sair do estigma de gente “de humanas” e mostrar que RHs também conseguem entender de estratégia, de negócios e de governança corporativa, elevando seu papel a outro patamar e se colocando como um dos protagonistas dentro do grupo de decisão da companhia.

Devemos enxergar nesse cenário uma grande oportunidade. Afinal, sabemos que temas ligados a pessoas são cada vez mais discutidos dentro de conselhos de administração. E, nesse sentido, ter um profissional com esse olhar apurado participando das discussões é fundamental.

Uma forma de os RHs melhorarem sua relação com o conselho de administração e assumirem esse protagonismo – até mesmo pensando em ocupar um papel de conselheiro –   é mergulhar no entendimento sobre o negócio atual, sobre a transformação das empresas e também sobre o que é governança, tendo clareza sobre as responsabilidades de um conselho.

É cada vez mais crucial que nos conselhos haja um olhar sobre as mudanças na sociedade e suas consequências para os negócios. Portanto, estudar questões emocionais nas crises, transformações sociais, novas formas de comunicação, governança do futuro e organizações exponenciais é fundamental para os líderes da área de RH.

O RH e os conselhos 2VICKY BLOCH – é psicóloga, sócia da Vicky Bloch Associados e professora nos cursos de especialização em RH da FGV-SP e da FIA.

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 27: 50-56 – PARTE II

Alimento diário

A morte de Cristo

III – O convencimento de seus inimigos que foram utilizados na execução (v. 54), o que alguns consideram mais um milagre, quando todas as coisas são analisadas em conjunto. Observe:

1. As pessoas persuadidas; o centurião e aqueles que estavam com ele, vigiando Jesus; um capitão e sua companhia, que estavam de guarda naquela ocasião.

(1)  Eles eram soldados, uma profissão que comumente endurece as pessoas, e cujos sentimentos não são comumente tão susceptíveis, como outros, às sensações de medo ou piedade. Mas não há espírito tão grande, tão seguro de si, que o poder de Cristo não consiga quebrantar e humilhar.

(2)  Eles eram romanos, gentios que não conheciam as Escrituras que eram agora cumpridas; ainda assim, parece que só eles ficaram convencidos. Um triste presságio da cegueira que acometeria Israel, quando o Evangelho fosse enviado aos gentios para abrir os seus olhos. Aqui estavam os gentios comovidos, e os judeus, insensíveis.

(3)  Eles eram os perseguidores de Cristo e aqueles que tinham acabado de insultá-lo, como entendemos a partir de Lucas 23.36. Quando conseguirá Deus, pelo poder que tem sobre as consciências dos homens, modificar o linguajar deles e obter o reconhecimento das suas verdades, para a sua própria glória, da boca daqueles que sussurraram nada além de ameaças, humilhações e blasfêmias!

2. Os meios de seu convencimento; eles perceberam o terremoto, que os assustou, e viram as outras coisas que aconteceram. Estas eram destinadas a reafirmar a glória de Cristo em seus sofrimentos, e tinham como alvo esses soldados, independentemente do impacto que fosse gerado nos outros. Observe que as terríveis manifestações de Deus em sua providência, às vezes, funcionam de forma estranha na persuasão e no despertamento dos pecadores.

3. A expressão desse convencimento em dois aspectos.

(1)  O terror que caiu sobre eles; eles temeram grandemente; temeram que talvez fossem enterrados na escuridão ou engolidos no terremoto. Note que Deus pode facilmente afugentar os seus adversários mais ousados, e fazê-los saber que não passam de homens. A culpa coloca medo nos homens. Há aquele que, quando a iniquidade está presente em abundância em sua vida, nunca tem medo; mas, quando os julgamentos ocorrem em profusão, ele te me, não com cautela, mas apenas com enorme espanto; enquanto há aqueles que não temerão, ainda que a terra se mude (Salmos 46.1,2).

(2)  O testemunho que foi arrancado deles. Eles disseram: “Verdadeiramente, este era o Filho de Deus”; uma nobre confissão. Pedro foi abençoado por isso (cap. 16.16,17). Aquela era a questão em discussão, o ponto sobre o qual o Senhor e os seus inimigos haviam entrado em disputa (cap. 26.63,64). Os seus discípulos acreditavam nisso, mas, nesse momento, não se atreviam a admiti-lo; nosso Salvador foi tentado a questioná-lo, quando disse: “Por que me desamparaste?” Os judeus, agora que Ele estava morrendo sobre a cruz, consideravam que estava claramente demonstrado que Ele não era o Filho de Deus, porque não desceu da cruz. Mesmo assim, nesse momento, aquele centurião e os soldados fazem essa confissão de fé cristã: “Verdadeiramente, este era o Filho de Deus”. O melhor de seus discípulos não poderia ter dito algo melhor em qualquer tempo; e, naquela hora, eles não tinham fé nem coragem suficiente s para dizer tudo isso. Note que Deus pode preservar e reafirmar a glória de uma verdade quando ela parecer estar aniquilada e em uma situação precária; pois a verdade é magnífica, e prevalecerá.

IV – A presença de seus amigos, que foram testemunhas de sua morte (vv. 55,56). Observe:

1. Quem eles eram; muitas dessas pessoas eram mulheres que o seguiram desde a Galileia. Não eram os seus apóstolos (somente em outra passagem encontramos João junto à cruz, João 19.26), seus corações os desapontaram, e eles não ousaram aparecer; por medo de sofrerem a mesma condenação. Mas aqui havia um grupo de mulheres. Alguns as chamaram de mulheres tolas, pois, com ousadia, apoiaram a Cristo, quando os seus discípulos o haviam abandonado de maneira vil. Note que os membros do sexo mais frágil são, muitas vezes, pela graça de Deus, fortes na fé, para que o poder de Cristo possa se aperfeiçoar na fraqueza. Existiram mulheres mártires que se tornaram famosas por sua coragem e resolução na causa de Cristo. Nessa circunstância, foi dito sobre essas mulheres:

(1)  Que elas haviam seguido a Jesus desde a Galileia, por causa do grande amor que tinham por Ele, e do desejo de ouvi-lo pregar; normalmente, só os homens eram obrigados a comparecer na festa para adorar a Deus. Nesse momento, tendo o seguido por uma jornada tão longa, desde a Galileia até Jerusalém, o que significava cerca de 130 a 150 quilômetros, elas decidiram não abandoná-lo agora. Note que os nossos trabalhos e sofrimentos anteriores por Cristo devem ser um argumento a nosso favo1; desde que seja fielmente mantido até o fim em nosso serviço a Ele. Será que o seguimos até tão longe, e por tanto tempo – deixamos tantas coisas, temos feito muito e gastado muitos recursos por amor a Ele-, e o abandonaremos agora? (Gálatas 3.3,4).

(2)  Que elas o serviram oferecendo recursos de sua própria subsistência, para que o Senhor tivesse o sustento necessário. Quão alegremente elas o serviriam agora, se lhes fosse permitido! Mas, sendo isso proibido, elas decidiram segui-lo. Note que, quando somos impedidos de fazer o que gostaríamos, devemos fazer o que pudermos, a serviço de Cristo. Agora, Jesus está no céu; e embora esteja longe do alcance de nossa ministração, Ele não está fora do alcance das nossas concepções e práticas de fé.

(3)  Algumas delas são particularmente citadas; pois Deus honrará aqueles que honrarem a Cristo. Elas se comportaram dessa mesma maneira quando as encontramos, muitas vezes, anteriormente, e foram dignas de elogios por terem se comportado dessa forma até o fim.

2. O que elas fizeram; elas ficaram observando de longe.

(1)  Elas ficaram de longe. Não sabemos se o seu próprio medo ou a fúria de seus inimigos as mantinham distantes; de qualquer forma, os sofrimentos de Cristo eram agravados pelo fato de seus amigos e parentes se afastarem de sua chaga (Salmos 38.11; Jó 19.13). Talvez elas pudessem chegar mais perto, se quisessem; mas as pessoas boas, quando estão sofrendo, não devem achar estranho se alguns de seus melhores amigos se afastarem delas. Quando Paulo correu um risco iminente, nenhum homem ficou junto a ele (2 Timóteo 4.16). Se formos olhados de forma estranha, lembremo-nos: o nosso Mestre passou por isso antes de nós.

(2)  Elas estavam ali observando, demonstrando assim preocupação e carinho para com Cristo. E, quando foram impedidas de realizar qualquer outro ato de amor a Ele, olharam-no com amor.

[1] Era um olhar de tristeza; elas olharam para Ele, agora traspassado, e se condoeram; e, sem dúvida, estavam amarguradas por causa dele. Podemos muito bem imaginar como cortava seus corações vê-lo nesse tormento; e que rios de lágrimas tudo isso arrancou dos olhos delas. Contemplemos com um olhar de fé a Cristo, e a Cristo crucificado, e nos comovamos por aquele grande amor com que Ele nos amou. Mas:

[2] esse não era mais do que um olhar; elas o contemplaram, mas não podiam ajudá-lo. Note que, quando Cristo estava sofrendo, os seus melhores amigos nada mais foram do que espectadores e observadores. Na opinião do Sr. Norris, até mesmo os anjos ficaram tremendo ao seu lado. Pois o Senhor Jesus, sozinho, pisou o lagar, e ninguém dentre os povos estava com Ele; assim o seu próprio braço trouxe a salvação.

O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

OS DONS PARA EDIFICAÇÃO DA IGREJA

Dons

I Coríntios 12:1 – 31 “A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes…
Como “Igreja” do Senhor, entendemos que somos Instrumentos e trabalhadores qualificados para a edificação do corpo de Cristo. Todavia o Senhor não usará os que já se acham qualificados, Ele qualificará e despertará os que já estão fazendo parte dessa obra, dando ferramentas e dons do Espírito para essa edificação.
Em uma construção natural, de prédios e casas por exemplo, são procurados profissionais qualificados, responsáveis e que desempenhem bem sua profissão, afim de que a construção fique sem falhas de maneira que não venha a sofrer danos futuros.
A igreja do Senhor só é possível de ser edificada quando existem homens e mulheres que fluem nos dons que o Espírito libera para sua igreja para aqueles que querem ser colunas na edificação dessa obra.
Nesses textos podemos perceber que a igreja do Senhor só pode ser edificada quando existem membros que fluem nos dons do Espírito, pois cada um desses dons, sendo usados de maneira sábia e organizada, cooperam para o crescimento e avanço da igreja.
Esses dons são liberados pelo próprio Senhor, para aqueles que desejam ser um edificador da igreja, afim de que ela se torne forte e prevalecente, todavia o grande problema que vemos hoje é que muitos irmãos desconhecem esses dons e até mesmo nem sabem quais possuem. O apóstolo Paulo diz claramente que não devemos ser ignorantes com relação aos dons do Espírito, ou seja, ele queria que a igreja do Senhor não fosse faltosa de conhecimento, seu desejo e encargo era para que todos conhecessem e tivessem prática nesses dons. Em nosso meio existem 3 classes de pessoas que são faltosas de conhecimento, com relação aos dons do Espírito:
1 – Aqueles que não tem nenhum conhecimento acerca dos dons, não sabem que existem; (geralmente esses são os novos convertidos) 2 – Aqueles que sabem que existe o dom, todavia não sabem qual possui; 3 – Aqueles que sabem que possui o dom, sabem qual é esse dom, porém não sabe como usar;
Uma igreja de vencedores só pode ser edificada quando seus membros sabem qual é o seu dom e sabem como e quando usá-los. Se todos os membros soubessem quais são os seus dons e fluíssem nesses dons, os nossos cultos certamente seriam totalmente diferentes, pois teríamos o Espírito Santo agindo com total liberdade na igreja.
Muitas pessoas não buscam esses dons pois acham que isso é exclusividade do pastor da igreja, todavia o próprio Senhor quebra esse paradigma quando o apóstolo Paulo diz que o Senhor é quem libera os dons para quem lhe apraz, ou seja, para quem Ele quer, e a quem deseja receber, porém, para receber esses dons devemos gastar tempo para buscá-los pois Deus diz que, quem procura acha.

Estamos acostumados em fazer jejuns, campanhas de oração e vigílias para tantas coisas, e isso é correto, mas devemos tomar o hábito de gastar esse mesmo tempo, com intensidade, em buscar cada um desses dons. A igreja do Senhor precisa que seus membros busquem com zelo os melhores dons para a edificação da sua obra.
Nós limitamos o liberar desses dons pois já temos um pré-conceito acerca de como Deus irá trabalhar e agir, com isso impedimos as diversas formas que Deus tem para manifestar e operar seus sinais e milagres.
Até hoje quanto tempo você já gastou para receber algum dom do Espírito? Você já se dedicou com zelo em busca de ferramentas para a edificação da igreja?
Para buscar esses dons precisamos saber para que serve cada um:

• Palavra de Sabedoria: Uma palavra que traz uma solução sobrenatural sobre os problemas naturais, uma resolução que ninguém jamais pensaria;

• Palavra de Conhecimento: É quando Deus revela algo oculto para um fim proveitoso, esse dom te capacita a ter conhecimento daquilo que está em oculto;

• Dom da Fé: Deus te capacita para crer no extraordinário, é ter a fé acima da sua própria fé;

• Dom de Cura: É a capacidade de orar pelos enfermos e eles serem curados, mas a cura acontecerá para a edificação da igreja.

• Dom de Operar Milagres: Você tem a capacidade de conduzir os milagres do Senhor, Ele te dá o poder de controlar a manifestação desses milagres;

• Dom de Profecia: Deus te capacita para antecipar aquilo que ainda não aconteceu, você anuncia o que ainda vai acontecer e chama a existência o que ainda não existe.

• Dom de Discernimento de Espíritos: Deus mostra para você qual é o espírito que está operando naquele lugar, afim de que você ore de maneira específica quebrando aquela manifestação;

• Dom de Orar em Línguas: Esse dom é para a edificação pessoal, é uma arma poderosa na disciplina da mente, só ocorre a edificação da igreja quando ele é acompanhado pelo dom de interpretar línguas;

• Dom de Interpretação de Línguas: Deus capacita você para interpretar a oração que está sendo feita em línguas, não é traduzir e sim interpretar fluindo debaixo do mesmo espírito.
Então, que nesses dias nós possamos buscar com zelo cada um desses dons, afim de que a igreja do Senhor venha ser edificada e totalmente transformada pela Sua Glória! Deseje, anseie por uma Igreja Prevalecente. Você faz parte desta edificação.

Pensemos nisto, busquemos isso…