PSICOLOGIA ANALÍTICA

UMA VEZ CONFIÁVEL, SEMPRE CONFIÁVEL?

Estudo iniciado há mais de seis décadas procura mostrar que alguns aspectos do caráter podem mudar significativamente ao longo da vida, em especial após a adolescência; conclusões, porém ainda intrigam cientistas.

Uma vez confiável, sempre confiável

Muitas pesquisas sugerem que aspectos marcantes de personalidade permanecem estáveis mesmo depois de décadas. No entanto, um experimento de longa duração sugere que características relacionadas com a confiabilidade diferem de forma substancial entre adolescência e vida adulta. Os resultados suscitam novas questões e destacam os desafios inerentes à tentativa de acompanhar os traços que definem uma pessoa ao longo dos anos.

Em um estudo publicado na Psychology and Aging, pesquisadores do Reino Unido acessaram os registros de 635 indivíduos de 77 anos, da Escócia, que haviam participado de uma pesquisa quando tinham 14. Na época, seus professores haviam feito uma análise dos adolescentes em relação a seis características de personalidade associadas com a confiabilidade: autoconfiança. perseverança, estabilidade do humor, capacidade de cuidar de si mesmo e dos outros, originalidade e desejo de se destacar. Agora, depois de mais de 60 anos, 174 participantes do grupo original se auto avaliaram em relação aos mesmos seis traços, além de receber a opinião de um parente ou amigo próximo.

O psicólogo lan Deary, professor da Universidade de Edimburgo e autor principal do artigo, esperava – com base em descobertas anteriores –  que os níveis de confiabilidade permanecessem estáveis com o passar do tempo. De fato, ele e seus colegas não encontraram nenhuma relação entre as classificações no período de 63 anos estudado.

Apesar de Deary enfatizar que os resultados se aplicam apenas a esses seis traços – não à personalidade em geral-, um dos pontos fortes da pesquisa é que abrange um período longo. Mas, essa característica também é um desafio. A psicóloga social Nate Hudson, professora da Universidade Estadual de Michigan, que não estava envolvida na pesquisa, afirma que a conclusão de que personalidade é maleável pode ser enganosa, considerando o fato de haver diferentes pessoas avaliando os participantes idealmente, o mesmo individuo deveria classificar a personalidade de um voluntario em ambos os momentos.

Ouro problema é que, ao longo das décadas de estudos, muitos participantes desapareceram, morreram ou optaram por não participar de avaliações de acompanhamento. Deary e seus colegas tiveram acesso a apenas 174 dos voluntários originais, o que traz obstáculos para encontrar correlações sutis, mas reais em conjuntos de dados. Embora o trabalho traga avanços. ainda são necessárias mais pesquisas para obter uma imagem mais completa de como o jeito de ser evolui ao longo da vida.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.