PSICOLOGIA ANALÍTICA

UMA VEZ CONFIÁVEL, SEMPRE CONFIÁVEL?

Estudo iniciado há mais de seis décadas procura mostrar que alguns aspectos do caráter podem mudar significativamente ao longo da vida, em especial após a adolescência; conclusões, porém ainda intrigam cientistas.

Uma vez confiável, sempre confiável

Muitas pesquisas sugerem que aspectos marcantes de personalidade permanecem estáveis mesmo depois de décadas. No entanto, um experimento de longa duração sugere que características relacionadas com a confiabilidade diferem de forma substancial entre adolescência e vida adulta. Os resultados suscitam novas questões e destacam os desafios inerentes à tentativa de acompanhar os traços que definem uma pessoa ao longo dos anos.

Em um estudo publicado na Psychology and Aging, pesquisadores do Reino Unido acessaram os registros de 635 indivíduos de 77 anos, da Escócia, que haviam participado de uma pesquisa quando tinham 14. Na época, seus professores haviam feito uma análise dos adolescentes em relação a seis características de personalidade associadas com a confiabilidade: autoconfiança. perseverança, estabilidade do humor, capacidade de cuidar de si mesmo e dos outros, originalidade e desejo de se destacar. Agora, depois de mais de 60 anos, 174 participantes do grupo original se auto avaliaram em relação aos mesmos seis traços, além de receber a opinião de um parente ou amigo próximo.

O psicólogo lan Deary, professor da Universidade de Edimburgo e autor principal do artigo, esperava – com base em descobertas anteriores –  que os níveis de confiabilidade permanecessem estáveis com o passar do tempo. De fato, ele e seus colegas não encontraram nenhuma relação entre as classificações no período de 63 anos estudado.

Apesar de Deary enfatizar que os resultados se aplicam apenas a esses seis traços – não à personalidade em geral-, um dos pontos fortes da pesquisa é que abrange um período longo. Mas, essa característica também é um desafio. A psicóloga social Nate Hudson, professora da Universidade Estadual de Michigan, que não estava envolvida na pesquisa, afirma que a conclusão de que personalidade é maleável pode ser enganosa, considerando o fato de haver diferentes pessoas avaliando os participantes idealmente, o mesmo individuo deveria classificar a personalidade de um voluntario em ambos os momentos.

Ouro problema é que, ao longo das décadas de estudos, muitos participantes desapareceram, morreram ou optaram por não participar de avaliações de acompanhamento. Deary e seus colegas tiveram acesso a apenas 174 dos voluntários originais, o que traz obstáculos para encontrar correlações sutis, mas reais em conjuntos de dados. Embora o trabalho traga avanços. ainda são necessárias mais pesquisas para obter uma imagem mais completa de como o jeito de ser evolui ao longo da vida.

Anúncios

OUTROS OLHARES

ELES NÃO SERVEM PARA NADA

Uma revisão de mais de cem artigos científicos mostra que os quatro suplementos vitamínicos mais consumidos não têm efeito protetor.

Eles não servem para nada

Um estudo que acaba de ser publicado no jornal do Colégio Americano de Cardiologia parece colocar um ponto final na discussão sobre a utilidade de recorrer aos suplementos vitamínicos em busca de mais proteção para o coração e o cérebro. Segundo o artigo, de modo geral eles não têm qualquer interferência sobre a saúde cardiovascular. Ou seja, nem ajudam nem atrapalham. As exceções ficam por conta dos complementos de ácido fólico, que apresentam pequeno benefício para o cérebro. Realizada pelos pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, a pesquisa também concluiu que suplementos de niacina (vitamina B3) e de antioxidantes na verdade estão associados ao aumento do risco de morte por doenças.

A análise da eficácia dos suplementos sempre foi pautada por conclusões discrepantes. Apesar dos desencontros de informações, o consumo desses recursos mantém-se alto. Nos EUA, por exemplo, mais de 50% dos adultos tomam algum tipo de suplemento. No Brasil a indústria de suplementos cresce 15 % ao ano desde 2010.

O trabalho apresentado propôs-se a analisar os resultados de 179 pesquisas realizadas entre 2012 e 2017. Os cientistas descobriram que os quatro suplementos mais consumidos (multivitamínicos, vitamina D, cálcio e vitamina C) não apresentaram evidências consistentes de benefícios na prevenção de infarto ou de AVC. “O único exemplo de eficácia foi o uso de ácido fólico”, afirmou o coordenador do trabalho, médico David Jenkins.

DEFICIÊNCIAS

O resultado corrobora as orientações da força tarefa de especialistas montada pelo governo americano para a área de nutrição e prevenção de saúde. O grupo afirmava que não há evidência nem dos benefícios nem dos prejuízos causados pelos suplementos.

A vitamina D, por exemplo, tornou-se popular, mas, surpreendentemente, não mostrou efeito contra doenças cardíacas ou para prolongar a vida, diz Jenkins.

No Brasil, o presidente da Associação Brasileira de Fabricantes de Suplemento Nutricionais, Sinésio da Costa, diz que os produtos beneficiam grupos específicos. “Eles devem continuar sendo resposta para pessoas com deficiências”, diz. Ele cita como exemplo os esportistas, cujas atividades requerem do organismo desempenho superior ao normal.

AS ÚLTIMAS EVlDÊNCIAS CIENTÍFlCAS MOSTRAM QUE

  • Multivitamínicos e suplementação de vitaminas D e C e de Cálcio não ajudam na prevenção contra infarto e acidente vascular cerebral(AVC)
  • Complementos de ácido fólico e de complexos de vitamina B têm algum benefício na prevenção de AVC.
  • Niacina e antioxidantes estão associados ao aumento de risco de morte por todas as doenças.

O QUE SE RECOMENDA

  • adotar dietas alimentares comprovadamente benéficas, pobre em gorduras trans. (presente em alimentos como biscoitos e sorvete), saturada (manteiga e carne gordurosa) e ricas no consumo de frutas, verduras e

 Eles não servem para nada.2

GESTÃO E CARREIRA

COMO DEFINIR MEU PROPÓSITO?

Em algum momento da vida nos encontramos em um ponto em que vivemos no automático, na rotina, presos a esquemas mentais e de comportamentos repetitivos, desejando sair deles.

Como definir meu propósito

Atualmente, é normal nos depararmos com pessoas que se sentem perdidas em um dia a dia incessante, prisioneira de hábitos mecânicos e inconscientes que afetam negativamenete a  saúde, a famíia e a realização. É como se elas viessem com o piloto automático acionado, andando pela  vida com o freio de mão puxado, sem energia, força e motivação. Automaticamente, os planos projetos são substituídos pela obrigaçõo, pelo fardo e tédio de cumprir as tarefas e, assim, o desânimo e a falta de entusiasmo acabam tomando conta.

Nesses momentos, como nâo perder os próprios objetivos de vista? Como não cair no vazio? E como não se perguntar “qual é o meu propósito de vida?” Aristóteles nos deixou uma grande dica em um dos seus pensamentos, que está diretamente relacionada a essa questão: “Onde meus talentos e paixões encontram as necessidades do mundo, lá está meu caminho, meu lugar”.

Todos nós, em diferentes momentos da vida, nos perguntamos qual é o real sentido dela.   Perguntas como “O que estou fazendo faz sentido para mim?” e “estou vivendo o meu propósito?”   são corriqueiras, principalmente quando nos deparamos com adversidades ou decepções na vida pessoal e profissional.

Para encontrar a resposta de “como definir o propósito de vida?”, é necessário esclarecer, em síntese, o que é um propósito. Ele é o significado, o sentido e a finalidade maior pelos quais fazemos e realizamos objetivos e metas. Trata-se da motivação que nos move diariamente e pela qual buscamos um objetivo e um resultado.

O propósito é o combustível das nossas ações. Descobrimos “quem é ele”, quando conseguimos responder as perguntas: “Por que estou fazendo isso?”, “Por que quero esse objetivo?”, “Por que estou disposto a dedicar tempo e esforço para atingir uma determinada meta?”

Se tivermos as respostas para essas dúvidas, certamente encontramos nosso propósito. Para entender melhor, vou dar um exemplo: Por que me dedico ao trabalho? Muitos podem ser as motivações para essa dedicação: para proporcionar conforto e segurança a minha família, para fazer a diferença na minha comunidade, para gerar prosperidade a todos os envolvidos ou simplesmente para ser feliz e realizado.

Sem um propósito claro, as pessoas até alcançam os seus objetivos, mas não se sentem felizes. Elas concluem uma meta e não ficam satisfeitas, cumprem seus planos, mas não entram em um estado de plenitude e realização. Para elas, falta o significado maior do seu agir e fazer.

O seu propósito não é e nunca será igual ao de outras pessoas. Ele é especialmente único. É essencial saber que, para atingi-lo, percorrerá por objetivos e metas, por isso faz-se necessário saber se os objetivos que você tem como prioridade servem realmente para você.

É comum que as pessoas escolham objetivos que não são para elas, que não fazem parte da sua vida, nem dos seus valores. Isso significa que é preciso avaliar o que é realmente válido para ter aquele entusiasmo real e verdadeiro que motiva a correr atrás do propósito.

Preste atenção também para saber se seus objetivos não beiram ao impossível pois boa parte do êxito é ser realista, o que evita um círculo vicioso de metas e fracassos, de esforços e decepções, de tentativas e desistências.  Para isso, estabeleça as metas que são etapas de curto prazo, que nos levam à realização dos objetivos e propósitos.

Lembrando que encontrar o próprio propósito não é uma cobrança, nem um motivo de comparação ou desvalorização. Cada um de nós tem um caminho pessoal, tem seu tempo, seus talentos e unicidade. Precisamos olhar para o nosso interior e perceber o que amamos fazer, quais os nossos valores e princípios e quais as nossas habilidades.

As vezes as pessoas param de buscar seu propósito ou de acreditar nele porque as pressões da vida desmotivam, cansam, frustram e elas voltam a viver na superficialidade.

Mantenha cada vez mais o alinhamento e a coerência entre seus propósitos, objetivos e metas, mantenha o foco, avalie os resultados no decorrer do caminho e se falhar em algum momento ou desmotivar por um instante, reajuste a rota com determinação e comprometimento.

Estudos da Neurociência comprovam que estar alinhado e comprometido com sua meta estimula a cognição, e algumas substâncias do cérebro também potencializam a sensação de prazer.

Além disso, a dra. Bárbara Fredrickson, referência em Psicologia Social e pesquisadora de estudos sobre as emoções positivas evidenciou que estas são o grande objetivo da evolução humana. As emoções positivas ampliam os recursos intelectuais, físicos e sociais das pessoas. Quando sentem, por exemplo, emoções de realização, satisfação e alegria de estarem cumprindo seu propósito na vida, elas se tornam mais tolerantes, criativas e abertas a novas ideias e experiências mais felizes.

EDUARDO SHINYASHIKI – é mestre em Neuropsicologia, liderança educadora e especialista em desenvolvimento das competências de liderança organizacional e pessoal. Com mais de 30 anos de experiência no Brasil e na Europa, é referência em ampliar o crescimento e a auto liderança das pessoas.

http://www.edushin.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 27: 26-32

20180104_191605

Cristo é açoitado e ridicularizado. Cristo é escarnecido pelos soldados

Nesses versículos, temos os preparativos para a crucificação de nosso Senhor Jesus Cristo. Aqui:

I – A sentença foi lavrada, e assinada a autorização para a sua execução; e isso imediatamente, naquela mesma hora.

1. Barrabás, aquele criminoso notório, foi libertado: se ele não tivesse sido colocado em disputa com Cristo pela preferência do povo, é provável que tivesse morrido por seus crimes; mas aquela situação forneceu os meios para a sua libertação; para indicar que Cristo foi condenado para este propósito, que pecadores, mesmo o maior dos pecadores, poderiam ser libertados. Cristo foi entregue para que pudéssemos ser libertados; a praxe da Providência Divina é que o resgate do justo é o ímpio, e o resgate do reto, o iníquo (Provérbios 21.18; 11.18). Neste exemplo sem paralelos da graça divina, o Justo é oferecido como o resgate pelos transgressores; o justo pelos injustos.

2. Jesus foi açoitado; essa era uma punição infame e cruel, especialmente da maneira como era infligida pelos romanos, que não estavam sob a moderação da lei dos judeus, que proibia açoitamentos acima de quarenta chibatadas. Essa punição era mais irracionalmente imposta a alguém que estivesse sentenciado a morrer: os açoites não eram uma introdução aos machados, mas seus substitutos. Desse modo, a Escritura foi cumprida: “Os lavradores araram sobre as minhas costas” (Salmos 129.3), “dei as costas aos que me ferem” (Isaias 50.6), e, “pelas suas pisaduras, fomos sarados” (Isaias 53.5). Ele foi castigado com açoites, para que nós não fôssemos castigados para sempre com escorpiões.

3. El e foi, então, entregue para ser crucificado; embora a sua severa punição tenha ocorrido em prol de nossa paz, nenhuma paz é feita, a não ser pelo sangue de sua cruz (Colossenses 1.20). Consequentemente, o açoite não é o bastante. Jesus Cristo deve ser crucificado, um tipo de morte praticado apenas entre os romanos. Esse tipo de execução parece ser o resultado da combinação entre inteligência e crueldade, ambas estendidas ao máximo, para causar a morte no grau mais alto, terrível e miserável. Uma cruz era colocada no solo, nela as mãos e os pés eram pregados, nesses pregos o peso do corpo era pendurado, até que morresse de dor. Essa é a morte a que Cristo fora condenado, e correspondia ao simbolismo da serpente de metal colocada sobre uma haste. Era uma morte sangrenta, uma morte dolorosa, vergonhosa, amaldiçoada; era uma morte tão deprimente que príncipes piedosos determinaram que aqueles que fossem condenados a ela pela lei, fossem estrangulados primeiro, e então pregados na cruz. Assim Júlio César fez a alguns piratas, Suetônio, livro 1. Constantino, o primeiro imperador cristão, através de um edital, aboliu a aplicação daquela pena entre os romanos, para que o símbolo da salvação não fosse um instrumento para a destruição da vítima.

II – O bárbaro tratamento que os soldados impuseram ao Senhor, enquanto a sua execução estava sendo preparada. Quando Ele foi condenado, deveriam ter lhe concedido algum tempo para que se preparasse para a morte. Havia uma lei criada pelo senado romano no tempo de Tibério, talvez por conta ele queixas contra isso e a possível precipitação, para que a execução de criminosos fosse adiada em pelo menos dez dias depois da sentença. Mas nenhum minuto foi concedido ao nosso Senhor Jesus, e Ele mal teve tempo para respirar. Não lhe foi permitido nenhum tempo para pensar; as coisas pioraram cada vez mais e a tempestade continuou sem interrupção.

Quando Ele foi entregue para ser crucificado, isso já seria o suficiente. Aqueles que matam o corpo geralmente se conformam porque não há nada mais que possam fazer. Mas os inimigos de Cristo fariam mais e, se fosse possível, juntariam mil mortes em uma. Embora Pilatos o declarasse inocente, mesmo assim os seus soldados e os seus guardas se concentraram em maltratá-lo, sendo mais influenciados pela fúria do povo contra Ele elo que pelo testemunho de seu governante em favor dele. A turba judaica contagiou as tropas romanas. Também é possível que talvez eles o tenham maltratado dessa forma nem tanto por rancor a Ele, mas como uma diversão. Eles entenderam que Ele aspirava uma coroa; ridicularizá-lo com isso proporcionava-lhes um pouco de divertimento e uma oportunidade para alegrarem uns aos outros. Note que é uma atitude de um espírito baixo, servil e sórdido tripudiar sobre aqueles que estão sofrendo, e fazer das desgraças de alguém uma questão de divertimento e folia.

Considere:

1. Onde isso aconteceu: “no pátio”. A casa do governador, que deveria ter sido um abrigo para aqueles que sofressem abusos e maus tratos, tornou-se o teatro dessa barbaridade. Eu gostaria de saber se o goverador, que estava tão desejoso de se isentar da responsabilidade pelo sangue desse Justo, sofreu pelo fato de tudo isto ter acontecido em sua casa. Talvez ele não tenha ordenado que isso fosse feito, mas foi conivente; e aqueles que têm autoridade serão responsáveis, não pela maldade que fazem ou ordenam, mas por aquela que não reprimem, quando o poder está em suas mãos. Chefes de famílias não devem tolerar que as suas casas sejam palcos ele maus tratos a ninguém, nem que os seus empregados se divirtam com os pecados, ou sofrimentos, ou com a religião dos outros.

2. Quem estava envolvido com isso. Eles reuniram todo o bando, os soldados que cuidariam da execução, todo o regimento (no mínimo quinhentos, porém alguns acreditam que mil e duzentos ou mil e trezentos) compartilharia da diversão. Se Cristo se tomou desse modo um espetáculo, que nenhum de seus seguidores ache estranho ser posto nessa condição (1 Coríntios 4.9; Hebreus 10.33).

3. Que outras perversidades em especial foram feitas contra o Senhor Jesus.

(1)  Eles o despiram (v. 28). A vergonha da nudez veio com o pecado (Genesis 3.7); e então Cristo, quando veio para responder pelo pecado, e o removeu, foi despido e submetido àquela vergonha, para que Ele pudesse preparar para nós vestes brancas para nos vestir (Apocalipse 3.18).

(2)  Eles o cobriram com um manto escarlate, alguma velha capa vermelha, como as que os soldados romanos usavam, em uma imitação das capas escarlates usadas pelos reis e imperadores. Esta era uma censura pelo fato de Ele ser chamado de Rei. Essa simulação de realeza foi colocada sobre o Senhor quando o seu semblante transmitia uma impressão de miséria e sofrimento; a intenção daqueles algozes era exibi-lo aos espectadores da forma mais ridícula possível. Ainda assim, havia algum mistério nisso. Ele era aquele que tinha as vestes tintas (Isaias 63.1,2), que lavou as suas vestimentas no vinho (Genesis 49.11); por isso, Ele estava coberto com um manto escarlate. Os nossos pecados eram vermelhos como o escarlate e o carmesim. O fato de Cristo ser coberto por um manto escarlate indicava que Ele estava carregando os nossos pecados, para sua vergonha, em seu próprio corpo sobre o madeiro; assim, podemos lavar as nossas vestes e torná-las brancas, no sangue do Cordeiro.

(3)  Eles teceram uma coroa de espinhos e colocaram-na na cabeça do Senhor (v. 29). Eles o fizeram para continuar a escarnecer dele como um rei. Mesmo que eles tivessem planejado fazer isso apenas como vitupério, poderiam ter tecido uma coroa de palha, ou junco; mas eles a planejaram para ser dolorosa para Ele, e para ser, literalmente, aquilo que as coroas são de forma figurada, revestidas com espinhos; aquele que inventou essa crueldade provavelmente se valorizava pela sutileza. Mas havia um mistério nisso:

[1] Os espinhos vieram com o pecado, e estes eram parte da maldição que era o produto do pecado (Genesis 3.18). Consequentemente, Cristo tornando-se maldição por nós, e morrendo para removê-la, sentiu a dor lancinante daqueles espinhos e, além disso, Ele os ata como uma coroa para si (Jó 31.36); porque os seus sofrimentos por nós eram a sua glória.

[2] Então, Ele corresponde ao simbolismo do carneiro de Abraão que estava preso entre os arbustos e foi oferecido no lugar de Isaque (Genesis 22.13).

[3] Os espinhos simbolizam as aflições (2 Crônicas 33.11). Cristo colocou as aflições em uma coroa. Ele modificou muito a propriedade delas para aqueles que são seus, dando-lhes um motivo para se gloriarem na tribulação, fazendo com que isso lhes sirva como uma medida de glória.

[4] Cristo foi coroado com espinhos para mostrar que o seu reino não é deste mundo, nem a glória dele, uma glória terrena. O seu Reino está presente aqui com amarras e aflições, enquanto a sua glória está para ser revelada.

[5] Era costume de algumas nações pagãs levar os seus sacrifícios para os altares coroados com grinaldas; esses espinhos eram as grinaldas com as quais esse grande sacrifício foi coroado.

[6] Certamente, esses espinhos fizeram com que saísse sangue de sua bendita cabeça, que gotejou por seu rosto como o óleo precioso (tipificando o sangue de Cristo, com o qual Ele consagrou a si mesmo) sobre a cabeça, que desceu sobre a barba, semelhante à barba de Arão (Salmos 133.2). Assim, quando Ele veio para desposar o seu amor, a sua pomba, a sua igreja imaculada, a sua cabeça estava cheia de orvalho, e os seus cabelos, das gotas da noite (Cantares 5.2).

(4)  Eles colocaram uma cana em sua mão direita. Esta se destinava a imitar um cetro, outro símbolo de realeza através do qual zombaram dele. Como se esse fosse um cetro suficientemente bom para um Rei como Ele, como se fosse uma cana agitada pelo vento (cap. 11.7). Eles queriam dizer que um cetro e um reino como esses eram ambos fracos e vacilantes, secos e sem valor; mas eles estavam completamente enganados, pois o trono dele é eterno e perpétuo, e o cetro do seu reino é um cetro de equidade (Salmos 45.6).

(5)  Eles se ajoelharam diante dele e o escarneceram, dizendo: “Salve, Rei dos Judeus!” Tendo agido como se Ele fosse um rei de mentira, eles fizeram gestos como quem o homenageia, zombando assim de suas pretensões à realeza, como os irmãos de José (Genesis 37.8). “Tu, pois, deveras reinarás sobre nós?” Mas, assim como eles foram, mais tarde, forçados a reverenciar José, confirmando os seus sonhos, estes se ajoelhavam com escárnio para com aquele que foi, logo depois disso, exaltado à mão direita de Deus, para que, diante da menção de seu precioso Nome, todo joelho se dobre, ou se submeta diante dele. É inadequado brincar com aquele que mais cedo ou mais tarde virá com toda a seriedade.

(6)  Eles cuspiram nele. Dessa maneira, Ele sofreu abusos no pátio do sumo sacerdote (cap. 26.67). A título de homenagem, os subalternos costumavam beijar o soberano, como símbolo de sua submissão; assim, Samuel beijou Saul, e nós somos convidados a beijar o Filho: mas eles, nessa homenagem irônica, em vez de beijá-lo, cospem em sua face; aquela face abençoada que brilha mais que o sol, e diante da qual os anjos cobrem as suas, foi assim profanada. Chega a ser estranho que os filhos dos homens cometessem um ato tão vil, e que o Filho de Deus sofresse tal humilhação.

(7)  Eles lhe tiraram a cana, e lhe golpearam com ela na cabeça. Aquilo que eles usaram como o falso símbolo de sua realeza, eles agora utilizam como o verdadeiro instrumento de sua crueldade e da dor que estavam infligindo ao Senhor: Eles o golpearam; é provável que o tenham golpeado sobre a coroa de espinhos, para que estes penetrassem em sua cabeça e o ferissem ainda mais profundamente, o que lhes divertiria ainda mais. Para esses iníquos, a dor do Senhor era o maior prazer. Assim, era Ele desprezado e rejeitado pelos homens; um homem de dores, familiarizado com o sofrimento. Ele passou por todo esse sofrimento e vergonha, para que pudesse comprar para nós a vida, a alegria e a glória eternas.

III – A condução dele ao local da execução. Depois de haverem escarnecido e abusado dele pelo tempo que quiseram, eles retiraram a sua capa, para indicar o seu despojamento de toda a autoridade real da qual o haviam investido ao colocá-la nele. Então vestiram-lhe as próprias vestes, porque estavam destinadas a serem compartilhadas pelos soldados que foram empregados na execução. Eles lhe tiraram a capa, mas não é feita nenhuma menção de que tenham tirado a coroa de espinhos, de que comumente se supõe (embora não haja nenhuma certeza disso) que Ele tenha sido crucificado com ela em sua cabeça; pois, assim como Ele é um Sacerdote em seu trono, Ele era um Rei em sua cruz. Cristo foi levado para ser crucificado com as suas próprias vestes, porque Ele mesmo deveria levar os nossos pecados em seu próprio corpo sobre o madeiro. E aqui:

1. Eles o levaram para ser crucificado. Ele foi levado como um cordeiro para a matança, como um sacrifício para o altar. Nós bem podemos imaginar como eles o apressaram, e o arrastaram com toda velocidade possível, para que nada os impedisse de satisfazer a sua ira cruel contra o seu precioso sangue. É provável que eles agora o oprimissem com zombarias e reprovações e o tratassem como o refugo de todas as coisas. Eles o levaram para fora da cidade; pois Cristo, para que pudesse santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta (Hebreus 13.12), como se Ele, que era a glória daqueles que esperavam pela redenção em Jerusalém, não fosse digno de viver entre eles. Ele próprio tinha isso em vista, quando, na parábola, fala de sua expulsão da vinha (cap. 21.39).

2. Eles obrigaram um homem cireneu, Simão, a levar a cruz do Senhor (v. 32). Parece que, a princípio, Ele mesmo carregou a cruz, como Isaque carregou a madeira para o sacrifício, que seria usada para consumi-lo na fogueira. E isso visava, como todos os demais flagelos, causar-lhe tanto dor quanto vergonha. Mas, depois de algum tempo, eles lhe tiraram a cruz, e alguns motivos para isso são os seguintes:

(1) Por compaixão por Ele, porque eles perceberam que ela lhe era uma carga muito pesada. Nós mal podemos imaginar que eles levassem isso em consideração; ainda assim, isso nos ensina que Deus leva em conta a resistência do seu povo, e não permitirá que eles sejam tentados acima do que podem suportar. Ele lhes dá algum tempo para respirar, mas eles devem esperar que a cruz retorne, e os intervalos apenas lhes dão um período para se prepararem para o próximo ataque.

(2) Talvez tenham agido assim porque Ele não poderia, com a cruz em suas costas, andar tão rápido quanto eles desejavam. Ou ainda:

(3) Talvez estivessem receosos diante da possibilidade de que Ele viesse a desfalecer devido ao peso de sua cruz e morrer; impedindo assim as outras maldades que eles pretendiam fazer contra Ele: portanto, mesmo as gentis compaixões dos perversos (que assim parecem ser) são realmente cruéis. Tirando dele a cruz, eles forçaram Simão cireneu a carregá-la, pressionando-o a ajudar através da autoridade do governador ou dos sacerdotes. Era um, vitupério, e ninguém faria isso se não fosse obrigado. Alguns pensam que esse Simão era um discípulo de Cristo, pelo menos um simpatizante dele, e que eles o sabiam e por esse motivo maldosamente o encarregaram de carregar a cruz. Note que todos aqueles que querem sei; comprovadamente, verdadeiros discípulos, devem seguir a Cristo, carregando a sua cruz (cap. 16.24), carregando o seu vitupério (Hebreus 13.13). Devemos compartilhar dos seus sofrimentos por nós, submetendo-nos pacientemente por amor a Ele a todos os sofrimentos para os quais formos chamados; pois só reinarão com Ele aqueles que sofrerem com Ele. Aqueles que beberem do seu cálice e forem batizados com o seu batismo, se sentarão com Ele em seu Reino.