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ALTERNATIVA NO PRATO

Restrições alimentares por vezes poucos comuns indicam que a escolha da dieta tem fortes componentes psicológicos e culturais.

Alternativa no prato

Como as pessoas escolhem seus alimentos? O filósofo grego Plutarco fez essa pergunta há mais de 2 mil anos. Como ele, Pitágoras considerava o consumo de carne pelos homens algo pouco natural. Esses e outros ilustres vegetarianos como Sócrates, Leonardo da Vinci, Leon Tolstói e Franz Kafka, foram notáveis exceções de seu tempo. Hoje, porém, a abundância e a variedade de alimentos disponíveis nas sociedades industrializadas contribuem para difundir hábitos a alimentares alternativos, alguns deles um pouco estranhos, como o crudivorismo ou a macrobiótica.

Nas antigas sociedades agrícolas, as opções alimentares eram escassas – comia-se o que havia disponível, basicamente cereais, legumes e verduras, sempre que possível enriquecidos com produtos como ovos e leite. Considerada iguaria preciosa, a carne era consumida apenas em ocasiões especiais. Povos que viviam em condições climáticas adversas à agricultura, porém, fizeram da proteína animal sua principal fonte de nutrientes. Os humanos comem carne há milênios, mas é verdade também que a maior parte das culturas viveu à base de cereais e legumes. “Durante séculos a carne foi um alimento reservado à elite, explica Carol J. Adams, que estuda o vegetarianismo e o movimento feminista – combinação aparentemente insólita, não fosse pelo fato de a luta pelos direitos das mulheres e dos animais ter caminhado lado a lado em diversos momentos.

Alguns psicólogos estão interessados em saber se a exclusão deste ou daquele alimento poderia desencadear transtornos alimentares. É curioso, entretanto, que boa parte da discussão sobre hábitos alimentares parta de estudiosas vegetarianas e feministas, como a própria Adams ou a psicóloga Melanie Joy, da Universidade de Massachusetts em Boston, que dedicou seu doutorado à psicologia do “carnivorismo”, isto é, do comportamento alimentar carnívoro. “Não podemos estudar um grupo minoritário sem conhecer a ideologia da maioria. Do mesmo modo, não é possível entender o pensamento feminista sem analisar a cultura patriarcal. Penso que hoje o vegetarianismo é tão difundido entre mulheres exatamente porque para elas é mais difícil aceitar a estrutura hierárquica do mundo, que coloca os seres humanos acima das outras espécies”.

A convivência entre vegetarianas e carnívoros nem sempre é tranquila. “A alimentação tem raízes psicológicas e emocionais muito profundas. Basta lembrar que ela é o primeiro elemento por meio do qual nos relacionamos com o mundo externo. É compreensível, portanto, que quem segue uma dieta alternativa seja percebido como diferente e suscite alguma desconfiança, explica a pesquisadora italiana Emanuela Barbero.

Nos últimos anos ela estuda questões éticas relacionadas à alimentação. Segundo a especialista, é como se fosse difícil reconhecer como pertencentes à nossa própria espécie quem não compartilha o mesmo tipo de alimento. Deve ser por isso que as dietas mais radicais ou extravagantes são mais facilmente seguidas por artistas famosos, ricos e influentes para contratar cozinheiros que se adaptem a suas restrições alimentares. Já as pessoas comuns precisam estar absolutamente convictas de sua escolha para não se incomodar com a permanente discriminação “Tanto os vegetarianos quanto os veganos são motivados por questões éticas relacionadas ao bem-estar animal. A opção vegana é considerada ainda mais radical e politicamente à esquerda. Assim, muitas pessoas, principalmente quando movidas por razões de saúde, preferem permanecer apenas vegetarianas, para não ser marginalizadas ainda mais, explica Joy.

Qual será o peso relativo das motivações éticas e das preocupações com a saúde na escolha da dieta? Segundo Emanuela Barbero, pelo menos na Itália quem diz adeus à carne geralmente o faz por compaixão pelos animais. Outros são adeptos de filosofias ou religiões orientais, como a ioga ou o budismo, que defendem a ausência de carne no prato não apenas por respeito aos seres vivos, mas porque isso significa evolução espiritual.

Há ainda aqueles mais preocupados com as consequências ambientais, com a disponibilidade de recursos ou com a fome no mundo. Nas variações mais radicais, porém, a escolha quase sempre está pautada pela convicção ética, como no caso dos frugívoros, que se preocupam com o sofrimento das plantas e se alimentam apenas de frutos (no sentido botânico do termo). “É muito bonito que um comportamento ético traga vantagens, tanto para a minha saúde, como para o ambiente em que vivo. Ser vegetariano é uma forma de não abusar demais do planeta nem de suas criaturas”. afirma a pesquisadora Carol Adams. O escritor polonês Isaac Bashevis Singer é mais irônico· “Não é com a minha saúde que me preocupo, mas com a das galinhas!”.

FUNDAMENTALISMO

Ao lado das questões éticas e ambientais, a preocupação com a própria saúde é também uma motivação importante para aqueles que optam por algum tipo de restrição alimentar. No caso do crudivorismo, por exemplo, os alimentos cozidos são abolidos, pois acredita-se que os nutrientes sejam decompostos pelo calor. Macrobióticos pregam alimentação exclusivamente à base de cereais integrais e legumes, quase sempre de forma intermitente.

Há quem suspeite que dietas extremas, que alguns acusam de fundamentalistas, sejam manifestação inicial de algum transtorno alimentar. Adams não concorda: “E quem garante que a dieta onívora não é extrema? Além disso, temos certeza de que somos realmente onívoros?”

Segundo Melanie Joy, quem come carne vez por outra se sente culpado por ter no prato algo que já esteve vivo. “Há um processo de dissociação que serve para evitar a conexão entre o alimento que se come e o animal do qual provém.” De fato, a crescente atenção aos direitos dos animais tem causado muitos constrangimentos. “Quando falo que sou vegetariana as pessoas se apressam em dizer que comem muito pouca carne, conta Joy “Pode ser por gentileza, mas creio que isso esteja relacionado ao desconforto sentido pelos que dizem amar os bichos e precisam, assim, justificar um comportamento que contrasta com as próprias convicções.”

Nasce aí uma série de sutis distinções entre pessoas e culturas. “Não quero comer ninguém que sonhe”, escreveu o psicanalista canadense Jeffrey Moussaieff Masson. Em alguns países, cavalos, coelhos ou cães não são considerados comestíveis. Em quase todos, a ideia de comer ratos, serpentes e macacos é repulsiva. De forma geral, muitas pessoas admitem que não comeriam carne se isso implicasse matar pessoalmente um animal, até mesmo os criadores evitam a personalização dos bichos destinados ao matadouro, que nunca recebem um nome.

A diferença entre vegetarianos e onívoros é que para os primeiros qualquer carne é repulsiva enquanto a maior parte dos onívoros sente aversão por carnes incomuns, pouco usadas como alimento. Não por acaso, é bem mais raro encontrar uma pessoa disposta a experimentar um animal que não conhece do que uma fruta ou vegetal exótico, explica Joy.

Os poucos estudos sobre comportamento alimentar que se aprofundaram nos problemas relacionados ao consumo de carne mostram, de maneira bem previsível, que quem se comporta de forma ambígua em relação à oportunidade de comer carne tende a consumi-la com menos frequência. Diversas pesquisas, entre elas uma realizada em 2004 na Universidade da Colúmbia Britânica, Canadá, verificou que vegetarianos são mais atentos ao equilíbrio nutricional da própria dieta do que a população em geral. No entanto, um estudo da Universidade de Adelaide, Austrália, revelou que considerar a carne um alimento saudável ou não tem a ver principalmente com convicções morais e com o interesse pelo ambiente, e que os onívoros avaliam de forma positiva o estilo de vida vegetariano, ao passo que a recíproca raramente é verdadeira.

 ORTOREXIA NERVOSA

Há casos, entretanto, em que a atenção excessiva na escolha dos alimentos se torna patológica. O distúrbio é chamado ortorexia nervosa e se caracteriza pela preocupação obsessiva com a dieta. Os ortoréxicos acreditam que apenas os alimentos naturais e a ausência de carnes ou enlatados fazem bem ao organismo.

Qualquer que seja a motivação (ética ou de saúde), a verdade é que uma dieta restritiva pode trazer à tona transtornos psíquicos latentes. “O risco está no comportamento obsessivo de quem procura a perfeição mediante o controle da própria alimentação, limitando-se a consumir alimentos que reconhece como perfeitos, por exemplo as frutas”, explica o mestre de ioga americano Tom Billings. Ele dedica uma seção de seu site (www.beyondveg.com) à divulgação dos distúrbios que podem acompanhar dietas extremas “O problema não está no tipo de dieta escolhida, mas no comportamento de quem a segue, na incapacidade de aceitar as próprias imperfeições: certamente não há nada de saudável em passar fome à procura de magreza ou de pureza inatingíveis.

Problemas semelhantes ocorreram no passado, principalmente com a dieta macrobiótica, que, segundo Barbero, hoje está perdendo terreno justamente porque é muito rígida e distante de nossa tradição alimentar. O movimento americano Calorie Restriction, inspirado nos estudos do geriatra Roy L. Walford, propõe a restrição calórica relativa (cerca de 1.700 calorias por dia) como forma de retardar o envelhecimento, mas recomenda adesão moderada e gradual ao novo regime alimentar. No site, os criadores do movimento fazem distinção entre dieta saudável e transtorno alimentar. Quem sofre de anorexia tem como objetivo o emagrecimento, jejua, segue rigidamente as regras que se impôs sem se conceder exceções, despreza o alimento sem se preocupar com seu valor nutritivo e procura esconder as próprias escolhas.

Mas quem reduz calorias para se sentir melhor não está particularmente interessado em emagrecer, aprecia o alimento e procura nutrir-se com produtos mais ricos em nutrientes, sem se angustiar com eventuais transgressões. E, principalmente, fica contente em dividir a própria escolha com outros” Vale lembrar, porém, que alguns estudos apontam para a relação entre restrição calórica e comportamentos obsessivos, que parecem se manifestar em pessoas com predisposição a eles.

Seja qual for a dieta e as motivações para praticá-la, é possível segui-la com equilíbrio e serenidade, ainda que eventuais infrações possam causar culpa em quem é movido por princípios éticos. É possível transgredir por razões sociais para não ofender alguém ou porque é difícil renunciar a alimentos que para nós têm vínculo afetivo forte, lembra Emanuela Barbero.

 DIETAS PARA TODOS OS GOSTOS E CRENÇAS

VEGETARIANA: exclui carne e peixe, mas não outros alimentos de origem animal, como leite e ovos.

VEGAN: evita todos os alimentos de origem animal (ovos, laticínios, mel). (Por respeito aos animais, tampouco vestem roupas feitas com lã e couro.)

FRUGÍVORA: apenas à base de frutos, no sentido botânico do termo, o que inclui legumes, sementes e azeitonas, por exemplo.

CRUDÍVORA: composta somente de alimentos crus ou aquecidos, jamais cozidos. Quase sempre seus seguidores são veganos também.

MACROBIÓTICA: alimentação rica em cereais e legumes cozidos, com poucas verduras e peixe; raramente inclui carne.

RESTRIÇÃO CALÓRICA: redução significativa das calorias ingeridas; optam por alimentos ricos em vitaminas e oligoelementos.

Alternativa no prato.2 

A NOVA REVOLUÇÃO DOS BICHOS: MAIS RAZÃO E MENOS PAIXÃO

Até poucos anos atrás, defender os direitos dos animais era uma atividade de grupos considerados radicais, em cujas manifestações a polícia nunca deixou de estar presente. Recentemente, porém, a causa vem ganhando o apoio de intelectuais, e os cartazes com frases de efeito estão sendo substituídos por uma argumentação menos apaixonada e bem mais elaborada. Cary Francione, professor de direito da Universidade de Rutgers, Estados Unidos, é um desses acadêmicos que defendem que o massacre dos animais é também um ato do ser humano contra si próprio. Segundo ele, enxergar nas outras espécies seres que sentem e sofrem é um enorme passo para nos livrarmos das brutalidades que cometemos contra nós mesmos. Sua palestra na Universidade de Valência, Espanha, em maio de 2006, repercutiu com força na Europa, a ponto de a Le Monde Diplomatique, a revista semanal do jornal francês Le Monde, ter elaborado o “Manifesto pela libertação dos animais, que pode ser lido gratuitamente e em português no site diplo.uol.com.br/2006-9, a1386.

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RESPEITANDO AS PREFERÊNCIAS ALIMENTARES

“Socorro! Meu filho não come mais carne!” é o título de um ensaio de Carol Adams que descreve as preocupações de quem precisa lidar com opções alimentares que não entende ou não adota –  como frequentemente acontece com os pais de jovens vegetarianos. Além do medo de possíveis carências nutricionais, há o temor de ver ameaçado o vínculo afetivo que o alimento carrega e que transmite muitas tradições familiares. “É comum haver tensão em certas famílias quando a opção vegetariana não é respeitada”, explica Luciana Baroni, médica e presidente da Sociedade Científica de Nutrição Vegetariana da Itália. “Muitos pais nos procuram para se informar, sobre a possibilidade de uma alimentação vegetariana equilibrada.”

As coisas podem ser mais difíceis quando o onívoro é o companheiro, geralmente o marido, já que as mulheres são maioria entre os vegetarianos. “É preciso ter coragem de expressar as próprias opiniões, de dizer que não se come mais carne nem se está disposto a cozinhá-la, mas que isso não tem nada a ver com o amor e a estima que temos pela pessoa que não compartilha nossa escolha”, sugere Adams. Alguns casais adotam estratégias diferentes, por exemplo: quem carne o faz apenas no restaurante. ” Mas quando a opção vegetariana depende motivações éticas, geralmente os comportamentos do casal tendem a convergir, e se isso não acontecer poderão surgir problemas”, explica Barbero.

De forma mais banal, mas também frequente, as relações entre quem come quem não come carne entram em crise em eventos sociais, em que a impossibilidade de cumprir o gesto fundamental de partilhar o alimento logo desencadeia intolerância de ambas as partes. “Convém servir pratos gostosos sem destacar que se trata de uma refeição vegetariana: é simplesmente boa comida, sugere. A presença de um vegetariano no jantar pode gerar dúvidas no anfitrião onívoro. Convém evitar que a conversa à mesa degenere em polêmica e acusações de que alguns comem cadáveres de animais ou aprofundar discursos sobre os horrores dos matadouros. Não é por acaso que os vegetarianos –  e, principalmente os veganos –  tendem a se associar em turmas de amigos e a casar-se entre si.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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