OUTROS OLHARES

EDUCAÇÃO E SAÚDE MENTAL

A demasiada tolerância familiar na educação das crianças se faz sentir não apenas socialmente, mas de modo geral, na sua formação como pessoa.

Educação e saúde mental

“Melhor pecar pelo excesso do que pela falta (ditado popular).

As queixas dos adultos sobre comportamento infantil na escola e em casa não param de crescer. A precocidade das crianças em ultrapassar os limites comportamentais antes esperados na adolescência, assim como a evidente desorientação dos pais em encontrar respostas a essa e outras questões, vem criando uma geração em que as condutas infantis se transformaram em inúmeros casos e, devido ao excesso de tolerância familiar, em condutas socialmente inadequadas. Ao mesmo tempo, condutas patológicas e sérias muitas vezes se escondem e deixam de ser tratadas por profissionais, colocando vidas em perigo.

Falsas teorias de que as crianças não devem ser advertidas ou limitadas em seus comportamentos se misturam com o pressuposto ingênuo de que ser livre é ser feliz e se preparar para a autonomia futura é resultante do exercício contínuo de fazer tudo o que se deseja, desde o berço. E sem vivenciar consequências, sem respeitar os limites, conhecer os direitos alheios, as regras sociais, as normas da escola etc.

A tolerância familiar na educação influencia a maneira como a criança dirige desde cedo as suas obrigações e se prepara para assumir responsabilidades futuras. Interfere na sua qualidade de vida, e no quanto poderá ou não atingir suas potencialidades. Determina sua saúde física e mental e, resumidamente, seu bem-estar, sua tranquilidade, produtividade e felicidade.

A negligência do adulto ao observar o comportamento infantil inadequado pode até deixar passar prenúncios sérios de doença mental, que poderia ser tratada e evitada. Afinal, se nem tudo é patológico, nem tudo é também apenas evidência do temperamento forte, gênio difícil, extroversão, distratibilidade, “ele é igual ao avô” etc. Até porque esses pacientes podem ter sofrido muito em suas vidas com essas questões comportamentais.

Dou como exemplo três condutas que são verdadeiras “armadilhas” e fazem com que os pais percebam que há algo errado na condução dos filhos, mas não conseguem apontar e corrigir o erro de modo racional.

A primeira é a clássica, reclamação sobre a escola: “Não gosto de estudar, muitas pessoas vencem na vida sem diploma”. Isso gera nos pais a ideia de que estão sendo injustos e que suas expectativas estão absolutamente equivocadas no que diz respeito a educação formal do filho. As crianças utilizam esses dois pressupostos para nos fazer sentir que estamos e elas assim se livram de suas responsabilidades. Chegar na escola sem as tarefas, burlar notas, faltar em provas são consequências imediatas desse pensamento.

A segunda é a auto vitimização: crianças são doutoras nisso! Ao dizerem aos pais que, por exemplo, o professor não as valoriza, estão tirando de si a responsabilidade por aprenderem, fazerem suas obrigações, se empenharem para vencer dificuldades. Assim, “as lições são enormes”‘, “‘não sobra tempo para brincar ou para ajudar em casa” e a culpa, segundo a criançada, é do professor que sempre exige muito e valoriza pouco. QuaI o chefe que não será exigente com seu funcionário no futuro?

O terceiro exemplo é fácil de se encontrar em qualquer casa, à noite, ou no domingo, quando se deveriam ter as lições prontas e a mochila arrumada para o dia seguinte. “Você não gosta de mim, não me ajuda” em geral derruba qualquer pai ou mãe, que corre para praticamente fazer as lições, procurar os livros, arrumar a mala e assim evitar que o filho vá se deitar tarde…,mas essas coisas que ele deveria ter feito ao chegar da escola na sexta-feira! O pai se sente culpado e o filho aprende a lição da manipulação e do adiamento da responsabilidade.

Se isso parasse por aí, já seria muito grave em termos educacionais, mas sabe-se que as queixas mais numerosas em consultórios médicos, psiquiátricos infantis sobre saúde mental advêm de problemas relacionados à aprendizagem. Saúde mental é assunto tão sério quanto a saúde física da criança e do jovem e só se desenvolve com exemplo, responsabilidade, amorosidade e valores vivenciados em família.

A linha que separa o que se pode chamar em educação de normal e patológica é tênue, mas importante para a compreensão e conduta em vários momentos do desenvolvimento infantil. Assim, fazer uma grande birra aos 2 anos de idade é esperado, mas, aos 5, já aponta para outras questões.  Desobedecer a professora no maternal é diferente de sistematicamente desobedecer aos adultos aos 10 anos. Uma criança agitada ou extrovertida é diferente de outra com TODA/H, assim como alguém impaciente aos 4 anos deve chegar aos 12 sabendo aguardar a vez.

Observar os filhos e estar atento a suas pequenas artimanhas de pensamentos e comportamento – que podem levá-los a nos conduzir a erros e assim a deixar que eles também sofram no futuro – devem ser atitudes rotineiras.

Erros na educação são como os erros que cometemos ao fazer contas: só percebemos perto do final. E aí a solução pode se tornar muito mais complicada, difícil e os prejuízos incalculáveis.

 

MARIA IRENE MALUF – é especialista em Psicopedagogia, Educação Especial e Neuroaprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp (gestão 2005/2007. É autora de artigos em publicações nacionais e internacionais. Coordena curso de especialização em Neuroaprendizagem.

irenemaluf@uol.com.br

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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