ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 27: 11-25 – PARTE II

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Cristo no Tribunal de Pilatos

II – A afronta e a violência do povo, ao pressionar o governador para crucificar a Cristo. Os príncipes dos sacerdotes tinham uma grande influência sobre as pessoas; elas os chamavam de Rabi, Rabi, e faziam deles os seus ídolos, e todas as suas palavras se tornavam oráculos. Esses líderes religiosos usaram isso para incitá-las contra Jesus, e pelo poder da multidão conseguiram o que de outra maneira não alcançariam. Assim sendo, aqui estão dois exemplos das ofensas deles.

1. Sua preferência por Barrabás em detrimento dele, e a escolha de libertá-lo em vez de Jesus.

(1) Parece que se tornara um costume entre os governadores romanos, para homenagear os judeus, honrar a festa da páscoa com a libertação de um prisioneiro (v.15). Isso, eles pensavam, honrava a festa, e era conveniente para a comemoração da libertação deles. Mas essa era uma invenção deles próprios, e não uma instituição divina, embora alguns pensem que era antiga, e mantida pelos príncipes judeus antes de se tornarem uma província do império. Seja como for, era um mau costume, uma obstrução à justiça e um estímulo à iniquidade. Mas a páscoa do Evangelho é celebrada com a libertação de prisioneiros, por aquele que tem, na terra, o poder par a perdoar pecados.

(2) O prisioneiro colocado em disputa com o nosso Senhor Jesus foi Barrabás; ele é aqui chamado de prisioneiro notável (v. 16). Ê provável que ele tivesse alguma reputação e caráter por conta de seu nascimento e educação, ou que tivesse se notabilizado por algo excepcional em seus crimes; não se sabe ao certo se ele era tão famoso a ponto de atrair a preferência das pessoas e assim ser aquele por quem eles provavelmente intercederiam, ou se era tão notavelmente perverso a ponto de se tornar mais repulsivo para eles. Alguns creem nesta segunda opção, e por isso Pilatos o teria mencionado, assumindo como certo que eles teriam preferido a libertação de qualquer outro à dele. Traição, assassinato e roubo são três dos maiores crimes que são normalmente punidos pela espada da justiça; e Barrabás era culpado de todos os três (Lucas 23.19; João 18.40). Esse era um prisioneiro realmente notável, cujos crimes eram muito complexos.

(3) A proposta foi feita por Pilatos, o governador (v. 17): “Qual quereis que vos solte?” É provável que o juiz nomeasse os dois, um dos quais o povo deveria escolher. Pilatos lhes propôs a libertação de Jesus; ele estava convencido de sua inocência, e de que a acusação era maldosa; mesmo assim, não teve coragem para absolvê-lo, como deveria ter feito, usando a sua própria autoridade, mas o libertaria através da escolha das pessoas, e assim esperava satisfazer tanto a sua própria consciência como o povo. Considerando que não encontrou nenhuma culpa em Jesus, Pilatos não deveria permitir que o povo o julgasse, nem poderia colocar a sua vida em risco. Mas pequenos truques e artifícios como esse, na tentativa de acertar as coisas e ficar em paz com a consciência e com o mundo, também são práticas comuns por parte daqueles que visam agradar mais aos homens do que a Deus. “Que farei, então, de Jesus, chamado Cristo?”, disse Pilatos. Ele lembrou ao povo de que esse Jesus, cuja libertação ele propunha, era considerado por alguns dentre eles como sendo o Messias, e havia dado provas abundantes de que o era: “Não rejeitem alguém em relação a quem a sua nação tem manifestado tamanha esperança”.

Pilatos se esforçou para absolver Jesus porque sabia que os príncipes dos sacerdotes o haviam entregado por inveja (v. 18); que Jesus não tinha nenhuma culpa, mas a sua bondade os havia irritado. Por essa razão, ele esperava libertá-lo pela ação do povo, imaginando que optariam pela soltura dele. Quando Saul teve inveja de Davi, este era o predileto do povo; e qualquer um que ouvisse as aclamações com as quais Cristo fora saudado em Jerusalém poucos dias atrás, pensaria dessa forma, e que Pilatos poderia, seguramente, ter entregado esse caso à plebe. Isto seria ainda mais verdadeiro especial­ mente quando um patife tão notório quanto Barrabás fora colocado como seu rival em uma disputa pela preferência deles. Mas aconteceu o contrário.

(4) Enquanto Pilatos estava tratando do assunto desse modo, ele teve a sua relutância em condenar Jesus confirmada por uma mensagem enviada por sua esposa (v. 19), por medida de precaução: “Não entres na questão desse justo” (e também expressou a razão desta advertência), “por que em um sonho muito sofri por causa dele”. É provável que essa mensagem tenha sido entregue a Pilatos em público, e ouvida por todos aqueles que estavam presentes, pois tinha a intenção de ser um aviso não apenas para ele, mas para todos os acusadores do Senhor Jesus. Observe:

[1] A providência especial de Deus, ao conceder esse sonho à esposa de Pilatos. Não é provável que ela tenha ouvido anteriormente qualquer coisa a respeito de Cristo, pelo menos não até o momento de seu sonho, mas aquela importante mensagem veio diretamente de Deus: talvez ela fosse uma das mulheres honradas e de votas e tivesse algum senso de religiosidade; apesar de Deus se revelar em sonhos para alguns que não possuíam nenhuma comunhão com Ele, como ocorreu com Nabucodonosor. Ela sofreu muitas aflições nesse sonho. Não se sabe se ela sonhou com as crueldades que poderiam ser cometidas contra uma pessoa inocente, ou com os juízos que recairiam sobre aqueles que tivessem qualquer responsabilidade sobre a morte do Senhor, ou até mesmo com ambos. Parece que fora um sonho assustador, e os seus pensamentos a inquietavam, como em Daniel 2.1: 4.5. Observe que o Pai dos espíritos tem muitas maneiras de acionar o espírito dos homens, e pode selar a instrução deles em sonhos ou em visões de noite (Jó 33.15,16). Já para aqueles que têm a Palavra escrita, Deus fala mais comumente através da consciência, quando se está acordado, do que em sonhos, quando o sono profundo cai sobre os homens.

[2] A ternura e o cuidado da esposa de Pilatos, ao enviar essa advertência ao seu marido: “Não entres na questão desse justo”. Em primeiro lugar; esse era um respeitável testemunho para o nosso Senhor Jesus, atestando que Ele era um homem justo, mesmo quando era perseguido como o pior dos malfeitores. Quando os seus amigos estavam atemorizados para aparecer em sua defesa, Deus fez até mesmo que aqueles que eram estranhos e inimigos falassem a favor dele. Quando Pedro o negou, Judas o confessou; quando os príncipes dos sacerdotes o declararam culpado de morte, Pilatos declarou não ter achado nenhuma culpa nele; quando as mulheres que o amavam ficaram à distância, a esposa de Pilatos, que pouco sabia a respeito dele, demonstrou preocupação por Ele. Note que Deus não deixaria a si mesmo sem testemunhas da verdade e da retidão da sua causa, mesmo quando ela parece estar maliciosamente enfraquecida por seus inimigos, e até mesmo vergonhosamente abandonada, principalmente por seus amigos. Em segundo lugar, essa era uma justa advertência para Pilatos. “Não tenha nada a ver com essa questão que está sendo trazida contra Ele”. Note que Deus tem muitos meios de alertar os pecadores em suas perseguições pecaminosas, e é uma grande graça receber esses alertas da Providência, através de amigos fiéis e de nossas consciências; é também nosso grande dever escutá-los atentamente. Se prestarmos atenção, poderemos ouvir uma preciosa voz quando estivermos caindo em tentação: “Não, não faça isto! Esta é uma atitude abominável, que o Senhor odeia”. A esposa de Pilatos lhe enviou esse aviso por conta do amor que tinha por ele; ela não temeu uma repreensão dele por intrometer-se naquilo que não lhe dizia respeito; mas o deixaria decidir; ela apenas o alertaria. Observe que este é um exemplo do verdadeiro amor para com os nossos amigos e parentes: fazermos o possível para preservá-los do pecado; e quanto mais íntimos alguns forem de nós, maior afeição teremos por eles, e mais cuidadosos devemos ser para que não permitamos o pecado que se encontra ou que se apoia neles (Levíticos 19.17). A melhor amizade é aquela que visa o bem da alma. Não nos é dito como Pilatos lidou com isso, e alguns pensam que é provável que ele tenha reagido com algum tipo de zombaria; mas, pela conduta dele contra o Justo, parece que não o levou em conta. Desse modo, as advertências sinceras podem não ser levadas a sério quando são feitas como advertências contra o pecado, mas não serão tão facilmente negligenciadas quando forem consideradas como agravos do pecado.

(5) Os príncipes dos sacerdotes e os anciãos estavam ocupados durante todo esse tempo em influenciar o povo a favor de Barrabás (v. 20). Eles persuadiram a multidão tanto por si mesmos como através de seus emissários, a quem eles enviaram em grande número para se misturar entre o povo, para que eles pedissem Barrabás e destruíssem Jesus; eles insinuavam que esse Jesus era um impostor, associado a Satanás, um inimigo da sinagoga e do Templo; que, se Ele fosse deixado em paz, os romanos viriam e tomariam as suas casas e a sua nação; que Barrabás, muito embora fosse um homem mau, e que não despertava o mesmo interesse que Jesus, não podia causar tanto dano. Assim, eles manipularam a turba, que, de outro modo, era bem afeiçoada a Jesus, e, se não estivessem tanto sob o controle de seus sacerdotes, jamais teriam feito uma coisa tão absurda como preferir Barrabás a Jesus. Aqui:

[1] Podemos apenas olhar esses perversos sacerdotes com indignação; pela lei, em assuntos de controvérsia entre sangue e sangue, o povo devia ser orientado pelos sacerdotes, e agir segundo o que estes lhes instruíssem (Deuteronômio 17.8,9). Eles abusaram indignamente desse grande poder que foi colocado em suas mãos, e os líderes religiosos fizeram com que o povo errasse.

[2] Nós só podemos olhar com piedade para as pessoas enganadas. Eu tenho pena da multidão, ao vê-la precipitar-se violentamente em direção a tão grande iniquidade, ao vê-la dominada dessa forma pelos sacerdotes, caindo na vala com os seus líderes cegos.

(6) Sendo assim excessivamente dominada pelos sacerdotes, ela finalmente fez a sua escolha (v. 21). “Qual destes dois” (disse Pilatos) “quereis vós que eu solte?” Ele esperava ter alcançado o seu objetivo: ver Jesus libertado. Mas, para sua grande surpresa, eles disseram: “Barrabás”; como se os crimes daquele homem fossem menores, e, portanto, ele fosse o que menos merecesse morrer; ou como se os seus méritos fossem numerosos, e por isso ele merecesse mais viver. O clamor por Barrabás era tão generalizado que não havia nenhuma possibilidade de se exigir uma votação entre os candidatos. Ficai surpresos, ó céus, com isso, e tu, terra, ficai terrivelmente amedrontada! Será que alguma vez os homens que fingiram raciocinar, ou crer, já foram culpados de tão imensa loucura, de uma iniquidade tão horrível! Foi disso que Pedro os acusou tão diretamente (Atos 3.14): Pedistes que se vos desse um homem homicida. As multidões que escolhem o mundo, em vez de Deus, como seu governante e destino, também escolhem, desse modo, as suas próprias desilusões.

2. Sua pressão fervorosa para que Jesus fosse crucificado (vv. 22,23). Pilatos, estando surpreso pela escolha deles por Barrabás, tinha a esperança de que esta se devesse mais a um afeto por Barrabás do que por uma inimizade em relação a Jesus; e então ele lhes diz: “Que farei, então, de Jesus? Deverei libertá-lo igualmente, para a grande honra de sua festa, ou deixarão para mim essa decisão?” “Não”, todos disseram, “seja crucificado”. Esta era a morte que eles desejam que o Senhor tivesse, porque era vista como a mais vergonhosa e infame; e eles esperavam, através disso, fazer com que os seus seguidores se sentissem envergonhados de confessá-lo, bem como o seu relacionamento com Ele. Era um absurdo que eles determinassem ao juiz que sentença deveria proferir; mas a sua iniquidade e a sua ira fizeram com que se esquecessem de todas as regras da ordem e da decência, e transformassem a corte de justiça em uma assembleia barulhenta, turbulenta e sediciosa. Então, a verdade fora jogada na sarjeta, e a justiça não podia entrar em cena; onde se esperava por julgamento, via-se opressão, o pior tipo de opressão; por retidão, via-se um grito, o pior grito que jamais existiu: Crucifica-o, crucifica o Senhor da glória. Embora aqueles que assim gritavam, talvez, não fossem as mesmas pessoas que dias atrás gritavam “Hosana”, ainda assim veja que mudança se operou no pensamento das pessoas em um curto espaço de tempo: quando o Senhor Jesus entrou triunfante em Jerusalém, tão generalizadas eram as aclamações de louvor, que se poderia pensar que Ele não possuía inimigos; mas agora, quando Ele era conduzido em humilhação ao tribunal de Pilatos, os clamores de inimizade eram tão generalizados, que se poderia concluir que Ele não tinha amigos. Tais revoluções existem neste mundo mutável, através do qual o nosso caminho para o céu se estende como o do nosso Mestre, por honra e por desonra, por infâmia e por boa fama, sempre mudando (2 Coríntios 6.8); para que não possamos ser erguidos pela honra, como se, quando formos louvados e acariciados, tivéssemos ganho o nosso lugar entre as estrelas e devêssemos morrer nele; nem tampouco nos abater ou nos desencorajar pela desonra, como se andássemos no fundo do inferno, do qual não existe redenção. Então, quanto a essa exigência, também nos é dito:

(1) Como Pilatos se opôs a ela. Porque, que mal Jesus tinha feito? Esta é uma pergunta apropriada para se fazer antes de censurarmos alguém em um discurso público; e muito mais para um juiz perguntar antes de pronunciar uma sentença de morte. Note que é uma grande honra para o Senhor Jesus o fato de que, embora Ele se dispusesse a sofrer como um malfeitor, nem o seu juiz nem os seus acusadores pudessem provar que Ele tivesse feito qualquer mal. Tinha Ele feito qualquer mal contra Deus Pai? Não, Ele sempre fez aquilo que o agradava. Havia Ele feito qualquer mal contra o governo civil? Não, Ele deu a César o que era de César, e ensinou outros a fazerem o mesmo. Tinha Ele feito qualquer coisa nociva contra a paz pública? Não, Ele não contendeu nem clamou, e o seu reino não veio através de alguma desordem. Havia Ele feito qualquer mal a alguém em particular? A quem Ele enganou? Ele tomou o boi de alguém? Não, bem longe disso, Ele cuidou de fazer o bem. Isto reiterou a afirmação de sua imaculada inocência, indicando claramente que Ele morreu como a expiação pelos pecados dos outros. Pois, se não fosse por nossas transgressões, pelas quais Ele foi ferido dessa forma, por nossos pecados, pelos quais Ele foi entregue, e por ter decidido expiá-los voluntariamente, não vejo como esses extraordinários sofrimentos de uma pessoa que nunca pensou, disse, ou fez qualquer coisa errada, poderiam ser reconciliados com ajustiça e a equidade da Providência que governa o mundo, e que no mínimo permitiu que isso lhe acontecesse.

(2) Como eles insistiram nisso. Eles gritaram ainda mais: “Seja crucificado!” Eles não tentam mostrar qual­ quer mal que Ele tenha feito, mas, seja isto certo ou errado, Ele deve ser crucificado. Abandonando todas as pretensões de provar as suas pressuposições, eles decidem manter a conclusão, e a falta de evidências foi com­ pensada por um grande clamor; Pilatos, o juiz injusto, estava cansado dos insistentes pedidos por uma sentença injusta, como aquele juiz da parábola a quem se pedia que fizesse justiça (Lucas18.4,5). Aqui, o processo foi vencido puramente pela gritaria.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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