PSICOLOGIA ANALÍTICA

A SÍNDROME DO IMPOSTOR

Muita gente acredita que não merece o sucesso, mesmo quando trabalhou duro para atingir seus objetivos e é reconhecida por suas realizações. Essas pessoas na maioria mulheres, sentem-se farsantes e convivem com o medo, constante de que o suposto engodo seja descoberto.

A síndrome do impostor

Não importa se receberam elogios, aprovações, promoções, se tiraram boas notas ou se seus projetos são valorizados. Pessoas afetadas por um fenômeno psicológico conhecido como “síndrome do impostor”, não acreditam que seu sucesso possa ser atribuído, à sua capacidade. Em alguns casos, estão convencidas de que a boa avaliação de seu desempenho deve-se apenas à habilidade de enganar os outros a respeito de si mesmas ou a seus relacionamentos. Em outros, convencem-se de que foram beneficiadas simplesmente por um feliz acaso. E inevitavelmente se comparam a outras pessoas e duvidam da própria capacidade. Curiosamente, essas ideias surgem com frequência em pessoas com um bom currículo e até com histórico de ótimo desempenho.

Trata-se, inicialmente, de tendência a não se considerar responsável por resultados positivos, atribuindo-os a circunstâncias externas. Pessoas com essa síndrome, porém, vão além: sentem-se realmente impostoras que obtiveram sucesso por meio de fraude e não o mereceram. E, por conta disso, vivem com o medo constante de que alguém descubra sua suposta fraude.

Nos últimos anos, alguns pesquisadores estudaram características psíquicas daqueles que costumam se torturar com esses pensamentos. O psicólogo Scott Ross, da Universidade DePauw, em Greencastle, estado americano de Indiana, concluiu em 2001 que as pessoas afetadas pelo sentimento de que são uma fraude apresentam de maneira geral, baixa autoestima, às vezes disfarçada por atitudes aparentemente arrogantes ou simpatia exagerada. Isso é associado à sensação frequente de medo sem causa especifica, segundo descobriram em 2006 as psicólogas Shamata Kumar e Carolyn Jagacinski, da Universidade Purdue, em West Lafayette, Indiana, ao realizar uma enquete com 130 estudantes.

Em alguns casos, o medo de ser descoberto pode estar associado a distúrbios psíquicos ou deficiências físicas. Em 2002, a psicóloga Naijean Bernard, da Universidade Southern Illinois em Carbondale, coordenou uma equipe que examinou quase 200 universitários por meio de questionários. Os pesquisadores descobriram uma associação entre os pensamentos associados à síndrome do impostor e tendências depressivas – uma constatação várias vezes confirmada nos anos posteriores.

DEMAIS OU DE MENOS

A expressão “fenômeno do impostor” foi usada pela primeira vez no fim dos anos 1970 pela psicóloga Pauline Clance, da Universidade do Estado da Geórgia, em Atlanta. Segundo ela, os pacientes que apresentam essa manifestação têm uma dolorosa consciência de suas fraquezas. Ao mesmo tempo, tendem a supervalorizar a capacidade e os pontos fortes dos outros – e sempre se consideram em desvantagem. Não é de admirar que essas pessoas tenham baixa autoestima.

Clance já supunha que, principalmente as mulheres, eram suscetíveis a esse tipo de funcionamento psíquico. Em u m estudo recente, realizado na Universidade de Heidelberg, Alemanha, Christine Roth examinou, junto comigo, a disseminação da síndrome do impostor entre estudantes de psicologia. Como se trata de um curso com vagas limitadas e bastante concorrido, a maioria dos estudantes havia sido muito bem-sucedida na escola – eles preenchem, portanto, uma importante condição para o fenômeno do impostor. E, de fato, a porcentagem de mulheres dentro do grupo que relatou ter esse tipo de pensamento, auto persecutório, era evidentemente mais alta do que entre os estudantes sem esse peso na consciência. Vários outros estudos apoiam essa constatação. A suposição leva a crer que o fenômeno contribui também para o fato de as mulheres ainda estarem raramente representadas em posições de ponta em sua vida profissional. Apesar de as meninas terem, em média, melhores notas escolares e completarem os estudos universitários com frequência bastante aproximada à de seus colegas do sexo masculino, aparentemente o sucesso parece imerecido para muitas delas. O tema, entretanto, ainda é controverso.

Mas como é possível, que pessoas que sempre conseguem ter bom desempenho, muitas vezes até acima da média, não acreditem em sua capacidade? Os sentimentos associados à síndrome do impostor são, provavelmente, tão perseverantes porque se estabilizam em um círculo vicioso psíquico. Para que a fraude não seja revelada, em uma situação que dependa do desempenho, como, por exemplo, uma prova, as pessoas adotam uma entre duas estratégias: overdoing” (fazer demais) ou “underdoing” (fazer de menos). No primeiro caso, se preparam de forma exageradamente longa e intensiva para uma situação em que seu desempenho será avaliado. Com isso, elevam a probabilidade de obterem um bom resultado. E, se isso ocorre – e geralmente ocorre – atribuem o sucesso não a sua capacidade, mas ao grande esforço. Ao mesmo tempo, têm consciência de que não poderão fazer sempre um esforço tão grande, o que reforça o medo de não conseguirem ter resultado semelhante no futuro.

No caso do underdoing, ocorre inicialmente o contrário: as pessoas se preparam pouco ou tarde demais para uma situação de avaliação e ocupam-se, em vez disso, de outras coisas. O psicólogo social Edward Jones (1927-1993) denominou esse comportamento de “self-handicapping”, referindo-se aqueles que colocam pedras no próprio caminho na medida em que pouco se esforçam ou rejeitam ajuda ofertada, protegendo-se, no caso de insucesso, de ter de atribuir o fracasso a si mesmos. E assim cultivam a crença de que teriam conseguido se realmente quisessem. Dessa forma, porém, sabotam o próprio desempenho.

Se, no entanto, a pessoa com a síndrome do impostor soluciona bem uma tarefa, apesar de ter criado obstáculos para si mesma, mesmo assim raramente atribui o sucesso a sua própria capacidade, mas à sorte. Por isso, os afetados que utilizam a estratégia do underdoing também são bastante inseguros quanto ao próprio futuro.

TEMPO E TRABALHO

Como é possível quebrar o ciclo do pensamento daqueles que sofrem da síndrome do impostor?  Clance, que estudou o fenômeno, acredita que um ponto de partida central seja aprender a atribuir o sucesso à própria capacidade quando isso é justo. Ainda que no início pareça estranho, trata-se de suportar o sucesso – e arcar com as responsabilidades que advêm dele. Por exemplo: se a pessoa recebe uma promoção no trabalho, terá de se haver com mais tarefas, cobranças e necessidade de tomada de decisões nem sempre confortáveis. Aceitar as próprias conquistas ajuda a lidar com eventuais frustrações, sem cultivar a ideia de que um fracasso colocará absolutamente tudo a perder. Trata-se, na verdade, de compreender que temos capacidades e podemos, sim, eventualmente, errar – sem que isso seja irreparável. Também vale a pena rever a explicação “eu só tive sucesso porque me esforcei muito” – comumente bastante aceita. É fundamental aprender a adequar quantidade de trabalho e investimento necessário em cada situação. Considerando o outro lado dessa moeda, muito cômodo explicar insucessos com causas que podem ser facilmente modificadas – como o pouco esforço ou a estratégia de estudos inadequada. O problema é que, agindo assim, a pessoa nunca saberá de fato o que pode obter.

Um caminho possível para reverter essa forma de lidar consigo mesmo e com os desafios é fortalecer a autoestima, o que ao mesmo tempo diminui o medo e a tendência à invalidação de si. Exercícios práticos para aprender a reconhecer – e valorizar – realizações pessoais, como fazer listas dos próprios pontos fortes e rever situações em que teve sucesso, destacando as qualidades que o favoreceram em cada ocasião, podem ser muito úteis. Mas o acompanhamento psicoterápico que contribua para a elaboração de conflitos antigos que alicerçam as crenças equivocadas sobre si mesmo é fundamental para rever posturas e formas prejudiciais de lidar consigo mesmo.

SORTE OU COMPETÊNCIA?

Afinal, quem ou o que é responsável tanto pelos acontecimentos bons quanto ruins em nossa vida?  Quando respondemos a essa questão, estamos fazendo uma “atribuição” –  conferimos uma causa aos fatos, estabelecendo relações de causa e efeito. Segundo o psicólogo Martin Seligman, da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, toda pessoa possui um estilo de atribuição com  o qual explica preferencialmente os eventos de sua vida, que inclui três dimensões: os motivos para um acontecimento podem estar dentro ou fora da própria pessoa (interno versus externo): podem ser duradouros ou passageiros (estável versus instável): e podem se aplicar a várias situações ou a apenas uma única (global versus especifico).

O estilo de atribuição já foi muitas vezes associado à saúde mental: pessoas psiquicamente saudáveis tendem a considerar eventos positivos de forma internalizada, estável e global (“Nem sempre acerto, mas sou inteligente.”). No caso de acontecimentos negativos relevam aspectos externos, de forma instável e especifica (“Desta vez eu dei azar, mas isso não vai necessariamente acontecer sempre.”). Pessoas depressivas frequentemente apresentam o padrão inverso: consideram­ se sempre responsáveis pelos fracassos e explicam as próprias realizações como sorte. De fato, não se trata de negar a realidade ou subestimar aspectos concretos ou subjetivos: realmente há fatores que escapam à compreensão racional e posturas psíquicas (ou mesmo dificuldades) que sabotam boas intenções. Mas analisar cada situação sem tentar encaixá-la em modelos prontos – sempre sorte ou sempre incompetência – nos torna menos onipotentes e mais tolerantes com nossos erros e acertos.

DE OLHO NA TRAPAÇA

Segundo a psicóloga Pauline Clance, da Universidade do Estado da Geórgia, em Atlanta, o sentimento subjetivo de ser um farsante, em geral, surge pela primeira vez no final do período escolar, no início dos estudos universitários ou, ainda, com mais frequência, no começo da vida profissional – um período em que mesmo pessoas acostumadas ao sucesso precisam lidar com exigências mais intensas. Muitas vezes, quem atravessou o período escolar sem grande esforço não aprendeu a se preparar adequadamente para situações que dependam de seu desempenho e a atribuir seu sucesso à própria capacidade. Alguns especialistas se perguntam, entretanto, se as pessoas com síndrome do impostor realmente fingem ser mais do que são –  o que, em parte, justificaria seu sentimento de estar enganando os outros. O psicólogo Joseph Ferrari, da Universidade DePaul, investigou essa questão e constatou que os impostores imaginários tendiam menos à trapaça do que as pessoas do grupo de controle que não se consideravam trapaceiras.

A síndrome do impostor.2

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OUTROS OLHARES

O AVESSO DA TATUAGEM

Descoberta de pesquisadores franceses abre caminho para a retirada de desenhos na pele sem deixar resíduos na forma de manchas e cicatrizes.

O avesso da tatuagem

Não é incomum que, depois do desejo de tatuar o corpo, brote a vontade de fazer o oposto, retirar a tatuagem – três em cada dez pessoas tatuadas decidem pela remoção. As sequelas da extração, contudo, podem ser feias. No lugar do desenho ficam manchas e cicatrizes. Os dermatologistas sempre buscaram uma saída que permitisse não estragar a pele após a eliminação da pintura. Recentemente, cientistas do Centro de Imunologia de Marseille-Luininy, na França, identificaram os mecanismos de absorção das tinturas – e a descoberta pode abrir uma avenida de oportunidades que permitiria a volta da tez a seu estado inicial.

Acreditava-se, até hoje, que os pigmentos dos desenhos apenas coloriam a derme onde ficam os fibroblastos, as células que sintetizam colágeno (composto que dá sustentação à pele), e lá permaneciam para sempre – e que somente sessões a laser seriam capazes de dar sumiço à tatuagem. A novidade: os pesquisadores observaram que as células de defesa do organismo, os macrófagos, identificam a tinta como uma ameaça ao corpo e a ingerem.

Mas os macrófagos não dão conta do recado – os grânulos de tinta são volumosos demais e parte do pigmento permanece retido. Com o tempo, essas células morrem, os pigmentos são liberados e aspirados por novos macrófagos. O ciclo, então, recomeça. “A descoberta quebrou um paradigma de décadas”, diz Jardis Volpe, dermatologista, de São Paulo. Na prática, portanto, é um atalho para a criação de tecnologias de remoção mais pontuais.

Submeter-se aos tratamentos atuais de remoção não significa apenas o ganho de marcas – custa caro. A extração com o laser de picossegundos, o que há de mais novo no mercado, exige ao menos quatro sessões a cada seis semanas, ao custo de no mínimo 1.000 reais cada uma. O valor pago para remover uma tatuagem do tamanho de uma moeda de 1 real pode ser 9 vezes maior do que o desembolsado na aplicação do desenho.

O passo dado pelos especialistas franceses precisa de tempo para ser adotado. Enquanto isso, trata-se de minimizar os danos. Uma solução é alterar o traço, em vez de extraí-lo. O clássico exemplo é o do ator Johnny Depp. Em homenagem à atriz e então noiva Winona Ryder, ele tatuou no braço “Winona Forever” (Winona para sempre). Depois de três anos, com o fim do relacionamento, Depp apagou apenas as duas últimas letras do nome da atriz, o que resultou na frase “Wino Forever” – bêbado para sempre.

O avesso da tatuagem.2

GESTÃO E CARREIRA

SIGA-ME, SOU ALTO E FORTÃO

Mera imagem de força física gera percepção de liderança.

Siga-me, sou alto e fortão

Embora figuras cultuadas como Bill Gates ou Tim Cook não se distingam exatamente por estudo da Universidade da Califórnia em Berkeley, publicado no Journal of Personality and Social Psychology, chegou à conclusão de que a força muscular frequentemente é vista como uma característica positiva suplementar de um líder. Experimentos com fotografias de indivíduos demonstraram que os participantes identificavam os mais fortes como mais “capazes” e poderosos do que os de aparência mais frágil. Mas essa percepção se aplicou somente aos homens avaliados, pois, no caso das mulheres, a aparência de força pouco afetava esse tipo de avaliação.

Em uma segunda fase do experimento, os autores, valendo-se de um Photoshop, colocaram as cabeças dos mais fracos (que haviam recebido menos votos) no corpo dos mais fortes e, previsivelmente, os fracos agora receberam mais indicações como líder do que antes. Um terceiro experimento, também usando Photoshop, colocou a mesma cabeça em corpos de alturas diferentes, e aqueles mais altos receberam mais votos de liderança, independentemente de seus rostos. Mas os mais fracos ou baixinhos não devem entrar em pânico: os autores ressalvam que isso não significa que sua ascensão profissional será barrada, pois a percepção de força não é um fator definidor, embora ajude. O que vai determinar esse papel é a capacidade de agir como líder, independente do seu muque.

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 27: 1-10

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O Arrependimento de Judas.

A Confissão de Judas. A Morte de Judas. O Descarte das Trinta Moeda s de Prata

Nós deixamos Cristo nas mãos dos príncipes dos sacerdote s e dos anciãos, condenado a morrer, mas eles só podiam mostrar seus dentes; cerca de dois anos antes desse fato, os romanos haviam tomado dos judeus o poder sobre a pena de morte; eles não podiam castigar um homem com a morte, e assim de manhã, bem cedo, outra reunião é realizada, para deliberar sobre o que deveria ser feito. E aqui nos é contado o que aconteceu naquela reunião matutina, depois de eles haverem consultado seus travesseiros durante duas ou três horas.

I – Cristo é entregue a Pilatos, para que ele possa executar a sentença que haviam imposto sobre Ele. A Judéia, tendo sido conquistada por Pompeu quase cem anos antes, era desde então tributária de Roma e havia recentemente se tornado parte da província da Síria e subordinada ao governo do seu presidente, sob cuja autoridade havia vários procuradores, que se dedicavam principalmente à coleta de impostos, mas, às vezes, como particularmente no caso de Pilatos, todo o poder do presidente lhes era delegado. Esta era uma clara evidência de que o cetro havia partido de Judá, e que, portanto, agora Siló deve vir, de acordo com a profecia de Jacó (Genesis 49.10). Pilatos é descrito pelos escritores romanos daquele tempo como um homem de temperamento severo e arrogante, teimoso, implacável, extremamente avarento e tirânico. Os judeus tinham grande aversão à sua pessoa, e estavam cansados do seu governo; mas ainda assim fizeram uso dele como o instrumento de sua maldade contra Cristo.

1. Eles manietaram Jesus. Ele foi amarrado quando foi preso pela primeira vez. Mas, ou eles tiraram as amarras quando Ele estava diante do conselho, ou, agora, as adicionaram às anteriores. Tendo-o considerado culpado, eles amarraram suas mãos às costas, como habitualmente o fazem com criminosos condenados. Ele já estava amarrado com os laços de amor pela humanidade, e de sua própria missão; doutra forma, Ele já teria rompido esses laços, como Sansão fez com os dele. Nós estávamos acorrentados com os laços da iniquidade, presos nas cordas dos nossos pecados (Provérbios 10.22); mas Deus havia colocado o jugo de nossas transgressões sobre o pescoço do Senhor Jesus (Isaias 50.14), para que nós pudéssemos ser libertados pelas suas amarras, assim como somos curados pelos seus açoites.

2. Eles o levaram numa espécie de triunfo, levaram-no como um cordeiro ao matadouro; assim Ele foi levado da prisão e do julgamento (Isaias 53.7,8). A casa de Caifás ficava a quase uma milha de onde residia Pilatos. Durante todo esse trajeto, eles o conduziram pelas ruas de Jerusalém, enquanto, pela manhã, começaram a ocupar-se em fazer dele um espetáculo para o mundo.

3. Eles o entregaram a Pôncio Pilatos; de acordo com o que Cristo havia dito muitas vezes, que Ele deveria ser entregue aos gentios. Tanto os judeus quanto os gentios eram odiosos perante o julgamento de Deus e unidos pelo pecado, mas Cristo deveria ser o Salvador dos judeus e dos gentios; por essa razão, Cristo foi levado a julgamento por ambos, e ambos tiveram parte em sua morte. Veja como aqueles líderes religiosos corruptos abusaram do magistrado civil, usando-o para executar as suas sentenças perversas e impor as injustiças que eles haviam determinado (Isaias 10.1). Assim têm sido os reis da terra torpemente enganados pelos poderes papais e condenados ao árduo trabalho de destruir com a espada da guerra, como também com a da justiça, aqueles a quem eles marcaram, de forma certa ou errada, como hereges, para grande prejuízo de seus próprios interesses.

II – O dinheiro que eles haviam dado a Judas por trair a Cristo é por ele devolvido, e Judas, em desespero, se enforca. Os príncipes dos sacerdotes e os anciãos valeram-se disso, ao levar Cristo a julgamento, que seu próprio discípulo o entregou a eles; mas agora, no meio do julgamento, esse trunfo lhes falta, e até mesmo este se torna uma testemunha da inocência de Cristo e um monumento da justiça de Deus; isso serviu:

1. Para a glória de Cristo em meio aos seus sofrimentos, um exemplo de sua vitória sobre Satanás, que havia se apossado de Judas.

2. De aviso para os seus acusadores, e para torná-los ainda mais imperdoáveis. Se os seus próprios corações não estivessem completamente voltados para fazer esse mal, o que Judas disse e fez – seria de se pensar – deveria ter suspendido a acusação.

(1)  Veja agora como Judas sentiu remorso: ele não agiu como Pedro, que se arrependeu, creu e foi perdoa­ do: não, ele sentiu remorso, desesperou-se e se perdeu. Agora observe neste ponto:

 [1] O que o levou a sentir remorso. Isto ocorreu quando ele percebeu que estava condenado. Judas provavelmente esperava que Cristo conseguisse escapar das mãos deles ou tivesse defendido a sua própria causa no tribunal deles, e tivesse sucesso. E então Cristo ficaria com a glória, os judeus, com a vergonha, e ele, com o dinheiro, e ninguém seria prejudicado. Ele não tinha motivo nenhum para esperar por isso, porque muitas vezes tinha ouvido o seu Mestre dizer que deveria ser crucificado; ainda assim é provável que ele, de fato, esperasse por isso, e quando os fatos não corresponderam à sua vã expectativa, ficou aterrorizado quando viu a forte corrente contra Cristo, e este se submetendo a ela. Note que aqueles que medem as ações pelas suas consequências, e não pela lei divina, descobrirão que estão errados em seus atos. O caminho do pecado é uma descida; e se não pudermos nos deter facilmente, menos ainda conseguiremos parar outros a quem induzimos a seguir um caminho pecaminoso. Pode-se dizer que Judas se arrependeu; quer dizer, ele estava cheio de tristeza, angústia e indignação contra si mesmo, ao refletir sobre o que tinha feito. Quando ele ficou tentado a trair o seu Mestre, as trinta moedas de prata pareciam bastante agradáveis e brilhantes, como o vinho, quando é vermelho e empresta a sua cor ao copo. Mas quando a transação foi feita, e o dinheiro, pago, a prata tornou-se entulho, ela mordia como uma serpente e picava como uma víbora. Agora a sua consciência transparecia em sua face: “O que eu fiz! Que tolo, que canalha sou eu, vender por tal ninharia o meu Mestre e todo o consolo e felicidade que tenho nele! Todas essas brutalidades e indignidades cometidas contra Ele são imputáveis a mim; é devido a mim que Ele está preso e condenado, que lhe cospem e esbofeteiam. Não pensei que as coisas chegariam a esse ponto quando fiz aquela maldita barganha; que tolo e ignorante fui eu, tal como um animal”. Agora ele amaldiçoou a bolsa que carregava, o dinheiro que cobiçou, os sacerdotes com quem negociou, e o dia em que nasceu. A lembrança da bondade de seu Mestre para com ele, a qual ele retribuiu de maneira tão desprezível, a profunda misericórdia que ele rejeitou, e as sinceras advertências que havia desprezado, reforçaram suas convicções, e as tornaram ainda mais pungentes. Então ele descobriu que as palavras de seu Mestre eram verdadeiras. Era melhor para aquele “homem que ele nunca tivesse nascido”. Note que o pecado logo mudará o seu sabor. Ainda que seja rolado para baixo da língua como um doce bocado, nas entranhas ele se transformará em “fel de áspides” (Jó 20.12-14), como no livro de João (Apocalipse 10.9).

[2] Quais eram os indicadores do seu arrependimento? Em primeiro lugar, ele fez a restituição; ele trouxe de volta aos príncipes dos sacerdotes as trinta moedas de prata quando eles estavam todos juntos, em público. Agora o dinheiro queimava em sua consciência e estava tão enojado dele quanto já estivera afeiçoado. Note que aquilo que é conseguido com iniquidade nunca fará bem àqueles que o obtém (Jeremias 13.10; Jó 20.15). Se ele tivesse se arrependido e tivesse devolvido o dinheiro antes de trair a Cristo, poderia tê-lo feito com tranquilidade, e o teria feito a tempo; mas agora era muito tarde, agora ele não pode fazer isso sem sentir horror, desejando dez mil vezes nunca ter se metido nisso. Veja Tiago 5.3. Ele o trouxe de volta. Aquilo que é injustamente obtido não deve ser conservado, porque é uma persistência no pecado através do qual foi conseguido. E manter esses recursos é uma atitude incoerente com o arrependimento. Ele levou o dinheiro para aqueles de quem o obtivera, para que soubessem que ele se arrependeu de sua negociação. Observe que, quanto àqueles que sentiram e viciaram outros em seus pecados, quando Deus lhes dá o arrependimento, devem fazer com que aqueles que foram seus cúmplices no pecado o saibam, para que isso possa ser um meio de levá-los ao arrependimento.

Em segundo lugar, ele fez uma confissão (v. 4): “Pequei, traindo sangue inocente”.

1. Para a glória de Cristo, ele declarou que o seu sangue era inocente. Se o Senhor fosse culpado de qualquer prática pecaminosa, Judas, como seu discípulo, certamente o saberia, e, como seu traidor, certamente o teria descoberto; mas ele, livremente e sem ser persuadido a isso, o declarou inocente, diante daqueles que o haviam considerado culpado.

2. Para sua própria vergonha, ele confessa que havia pecado ao trair o sangue do Senhor. Judas não coloca a culpa em ninguém mais. Ele não diz: “Você pecou ao me contratar para fazer isso”; mas assume a culpa por completo: “Eu pequei ao fazer isso”. Até agora, Judas caminhou em direção ao seu arrependimento, mas não para a salvação. Ele confessou, mas não a Deus. Judas não buscou ao Senhor, dizendo: “Pequei, ó Pai, contra o céu”. Ele confessou a traição de sangue inocente, mas não confessou aquele amor exagerado por dinheiro, que era a raiz de seu mal. Existem aqueles que traem a Cristo, e ainda tentam se justificar; e assim ficam abaixo de Judas.

(2) Veja aqui como os príncipes dos sacerdotes e os anciãos acolheram a confissão penitencial de Judas. Eles disseram: “Que nos importa? Isso é contigo”. Ele fez deles seus confessores, e essa foi a absolvição que lhe deram; agiram mais como sacerdotes do diabo do que como sacerdotes do Deus vivo.

[1] Veja aqui com que indiferença eles falaram sobre a traição a Cristo. Judas lhes havia dito que o sangue de Jesus era sangue inocente; e eles disseram: “Que nos importa?” Não significava nada para eles que tivessem fica­ do sedentos do sangue de Jesus, e contratado Judas para traí-lo, e agora o tivessem condenado a ser derramado in­ justamente? Isso não significava nada para eles? Isso não servia como freio para a violência de sua acusação, nem os alertava a tomar cuidado com o que estavam fazendo a esse homem justo? Assim fazem os tolos zombando do pecado, como se nenhum dano fosse causado, como se não houvesse nenhum risco ao se cometer as maiores iniquidades. Dessa forma, muitos dão pouco valor ao Cristo crucificado. O que lhes importa que Ele tenha passado por tais sofrimentos?

Veja aqui a maneira negligente como falaram do pecado de Judas; ele disse: “Pequei”, e eles disseram: “Que nos importa? O que nós temos a ver com o teu pecado, para que nos fales dele?” Note que é insensatez nossa pensarmos que os pecados dos outros nada significam para nós, especialmente aqueles pecados com os quais fomos de algum modo coniventes ou dos quais participamos. Nada significa para nós que Deus seja desonrado; almas, feridas; Satanás, satisfeito; e seus interesses, atendidos; e que nós tenhamos ajudado e sido cúmplices nisso? Se os anciãos de Jezreel, para agradar Jezabel, assassinam Nabote, isso não significa nada para Acabe? Sim, ele matou, pois ele tomou a herança (1 Reis 21.19). A culpa do pecado não é tão facilmente transferida como algumas pessoas pensam. Se havia culpa no caso, eles dizem a Judas, ele tem de cuidar disso, ele deve arcar com isso. Em primeiro lugar, porque ele o entregou a eles. Ele tinha realmente o maior pecado (João 19.11); mas isso não significava que eles não tivessem nenhum pecado. Esse é um exemplo comum da falsidade dos nossos corações: atenuar os nossos próprios pecados através do agravamento dos pecados dos outros. Mas o julgamento de Deus é realizado de acordo com a verdade, e não por comparação. Em segundo lugar, porque ele sabia e acreditava que Cristo era inocente. Se ele for inocente, isso é contigo, pois é mais do que nós sabemos; nós o julgamos culpado, portanto podemos processá-lo como tal. Práticas mal-intencionadas e iníquas são encorajadas por princípios maus, e particularmente por este: que o peca­ do só é pecado para aqueles que pensam que ele o é; que não há nenhum dano em perseguir um bom homem, se nós o considerarmos um homem mau; mas aqueles que pensam que podem zombar de Deus desse modo enganarão e destruirão a si mesmos.

[3] Veja com que indiferença eles falavam da condenação, terror e remorso que afligiam Judas. Eles estavam felizes em fazer uso dele no pecado, e estavam então muito afeiçoados a ele; ninguém foi mais bem-vindo para eles do que Judas, quando disse: “Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei?” Eles não disseram: Que nos importa? Mas agora que o pecado dele o tinha aterrorizado, eles o desprezavam, não tinham nada a lhe dizer, a não ser voltá-lo para seus próprios temores. Por que veio aborrecê-los com suas fantasias melancólicas? Eles tinham mais o que fazer do que prestar atenção nele. Mas porque estavam tão assustados? Em primeiro lugar, talvez eles temessem que as fagulhas da condenação dele, trazidas para bem perto deles, pudessem acender um fogo em suas próprias consciências, e talvez seus lamentos, ao serem ouvidos, alertassem para a sua própria condenação. Note que os pecadores obstinados insistem em levantar a sua guarda contra as condenações; e aqueles que são decididamente impenitentes, olham com desdém para os penitentes. Em segundo lugar, de qualquer forma, eles não estavam interessados em socorrer Judas; quando eles o trouxeram para a armadilha, eles não apenas o abandonaram, mas riram dele. Note que os pecadores condenados encontrarão em seus velhos companheiros de pecado consoladores deprimentes. É comum que aqueles que amam a traição odeiem o traidor.

(3) Aqui está o absoluto desespero ao qual Judas foi conduzido. Se os príncipes dos sacerdotes lhe tivessem prometido que suspenderiam a acusação, isso teria sido de algum conforto para ele; mas, vendo que isso não aconteceria, ele ficou desesperado (v. 5).

[1] Ele atirou as moedas de prata no Templo. Os príncipes dos sacerdotes não pegariam o dinheiro, temerosos de que com isso levassem toda a culpa, cujo fardo eles desejavam que Judas carregasse. Judas não ficaria com ele, pois o fardo era pesado demais para carregar. Então, ele atirou o dinheiro no Templo, pois, quer eles o pegassem ou não, aquilo cairia nas mãos dos príncipes dos sacerdotes. Veja que coisa terrível o dinheiro setor­ na quando a culpa do pecado está ligada a ele, ou quando se pensa que este é o caso.

[2) Ele saiu e se enforcou. Em primeiro lugar, retirou-se para algum lugar solitário, como o homem possuído que era impelido aos desertos pelo demônio (Lucas 8.29). Ai daquele que está em desespero, e que está só. Se Judas tivesse ido a Cristo, ou a algum de seus discípulos, talvez pudesse ter obtido alívio, por pior que fosse a situação; mas, não obtendo isso junto aos príncipes dos sacerdotes, ele se entregou ao desespero. E o mesmo demônio que, com a ajuda dos sacerdotes, o atraiu para o pecado, com a ajuda deles o conduziu ao desespero. Em segundo lugar, ele se tornou o seu próprio carrasco. Ele se enforcou; ele estava sufocado pela dor, de acordo com o Dr. Hammond. Mas o Dr. Whitby deixa claro que a nossa interpretação está correta. Judas teve a visão e o senso do pecado, mas nenhuma preocupação com a compaixão de Deus em Cristo, e assim ele se consumiu de desgosto em sua iniquidade. Seu pecado, podemos supor, não era de natureza imperdoável: havia, entre os que foram salvos, alguns que tinham sido traidores de Cristo e assassinos; mas ele concluiu, como Caim, que a sua iniquidade fora tão grande, que não podia ser perdoada, e preferiu submeter-se à falsa clemência do diabo do que submeter-se à verdadeira misericórdia de Deus. E alguns disseram que Judas pecou mais na falta de esperança na misericórdia de Deus do que em trair o sangue de seu Mestre. Então os terrores do Todo-poderoso começam a se posicionar contra ele. Agora, todas as maldições descritas no livro de Deus entraram como água em suas entranhas, e como azeite, em seus ossos, como foi profetizado com relação a ele (Salmos 109.18,19), e o levam a esse movimento desesperado. Para escapar de um inferno dentro de si, ele salta para aquele que estava diante dele, que nada mais era do que o aperfeiçoamento e a perpetuação desse horror e desespero. Ele se atira no fogo para evitar as chamas; mas quão infeliz é a situação em que um homem se lança no inferno em busca de alivio.

Então, nessa história:

1. Nós temos um exemplo do triste fim daqueles de quem Satanás se apossa, e particularmente daqueles que se entregam ao amor pelo dinheiro. Esta é a destruição na qual muitos são submersos por ele (1 Timóteo 6.9,10). Lembre-se do que aconteceu com os suínos e o traidor dos quais o diabo se apossou; e não dê lugar ao diabo.

2. Nós temos um exemplo da ira de Deus manifestada do céu contra a impiedade e a injustiça dos homens (Romanos 1.18). Assim como na história de Pedro contemplamos a bondade de Deus e os triunfos da graça de Cristo na conversão de alguns pecadores, também na história de Judas observamos a severidade de Deus e os triunfos do poder e da justiça de Cristo na confusão de outros pecadores. Quando Judas, em quem Satanás entrou, se enforcou, Cristo expôs publicamente os principados e as potestades sobre as quais Ele triunfou (Colossenses 2.15).

3. Nós temos um exemplo dos terríveis efeitos do desespero; ele, muitas vezes, termina em suicídio. A tristeza, mesmo aquela que vem através do pecado, se não estiver de acordo com Deus, opera a morte (2 Coríntios 7.10), o pior tipo de morte; pois, quem pode suportar um espírito ferido? Pensemos o pior que pudermos do pecado, mas não pensemos nele como algo imperdoável; percamos a esperança de ajuda em nós mesmos, mas não na ajuda de Deus. Aquele que pensa em aliviar a sua consciência através da destruição de sua vida, de fato, desafia o Deus Todo-poderoso a fazer o pior. E o suicídio, embora recomendado por alguns moralistas pagãos, é certamente um remédio pior do que a doença, por pior que a doença possa ser. Vamos nos guardar contra as causas e o início da melancolia, e orar: “Senhor, não nos deixe cair em tentação”.

(4)  O descarte do dinheiro que Judas trouxe de volta (vv. 6-10). Ele foi usado na compra de um campo, chamado de “campo do oleiro”. Talvez porque algum oleiro o tivesse possuído, ou ocupado, ou vivera próximo a ele, ou porque recipientes de oleiros quebrados eram lançados nele. E esse campo passaria a ser um cemitério para estrangeiros, isto é, prosélitos da religião judaica, que eram de outras nações, e que, tendo vindo a Jerusalém para orar a Deus, acabavam morrendo ali.

[1] Parece um exemplo de seu humanismo o fato de eles cuidarem de enterrar os estrangeiros; isso sugere que eles mesmos reconheciam (como Paulo diz, Atos 24.15) que há uma ressurreição de mortos, tanto de justos como de injustos. Por isso, nós cuidamos dos cadáveres, não apenas por terem sido a habitação de uma alma racional, mas porque deverão ser assim novamente. Mas:

[2] Não era exemplo da humildade deles enterrarem estrangeiros em um lugar separado, como se eles não fossem merecedores de serem colocados em seus cemitérios; os estrangeiros devem manter distância, vivos ou mortos, e esse princípio deve se estender à graça: “Retira-te, e não te chegues a mim, porque sou mais santo do que tu” (Isaias 65.5). Os filhos de Sete estavam mais afeiçoados a Abraão – embora ele fosse um estranho entre eles -, quando lhe ofereceram o mais seleto de seus sepulcros (Genesis 23.6). Mas os filhos do estrangeiro, que se juntaram ao Senhor, embora enterrados em separado, se levantarão, na ressurreição, com aqueles que estão mortos em Cristo.

A compra do campo do oleiro não aconteceu no dia em que Cristo morreu (eles estavam muito ocupados para se preocupar com qualquer outra coisa que não fosse capturá-lo), mas aconteceu não muito tempo depois; pois Pedro fala disso logo depois da ascensão de Cristo; todavia, ela está registrada aqui:

Em primeiro lugar, para mostrar a hipocrisia dos príncipes dos sacerdotes e dos anciãos. Eles estavam perseguindo, de forma maldosa, o bendito Senhor Jesus. E agora:

1. Eles hesitam em colocar no caixa, ou no cofre das ofertas do Templo, aquele dinheiro com o qual eles haviam contratado o traidor. Embora talvez o tivessem tirado do caixa fingindo que fosse para o bem público, e embora eles fossem grandes defensores do cofre das ofertas e trabalhassem para atrair toda a riqueza da nação para ele, ainda assim eles não iriam colocar nele aquele dinheiro que era o preço do sangue. Eles consideravam que a contratação de um traidor seria, de algum modo, como o aluguel de uma prostituta; e o preço de um malfeitor (como consideraram o Cristo de Deus) seria, de algum modo, equivalente ao preço de um cachorro, e nenhum desses seria trazido à casa do Senhor (Deuteronômio 23.18). Eles preservaram, dessa forma, a sua reputação com as pessoas, convencendo-as de sua grande reverência pelo Templo. Dessa forma, aqueles que eram capazes de engolir um camelo, coavam um mosquito.

2. Eles pensam em reparar o que tinham feito através desse ato público de bondade, ao providenciar um cemitério para estrangeiros, muito embora não às suas próprias custas. Assim, em tempos de ignorância, as pessoas eram levadas a acreditar que construir igrejas e fazer doações para mosteiros seria uma compensação aceitável pelas imoralidades.

Em segundo lugar, para indicar o favor ofereci do pelo sangue de Cristo aos estrangeiros e pecadores gentios. Através do preço de seu sangue, um lugar de descanso após a morte é providenciado para eles. É assim que muitos cios antigos se referem a essa passagem. A sepultura é o campo cio oleiro, onde os corpos são joga­ dos como restos ele vasos quebrados; mas Cristo, pelo seu sangue, comprou-o para aqueles que, ao se confessa­ rem estrangeiros na terra, buscam um lugar melhor. Ele alterou a posse daquele local (como faz um compra­ dor), de modo que agora a morte é nossa, a sepultura é nossa, uma cama para o nosso descanso. Os alemães, em sua língua, chamam os cemitérios ele Campos ele Deus; pois neles o Senhor Deus semeia o seu povo como um grão de trigo (João 12.24. Veja Oseias 2.23; Isaias 26.19).

Em terceiro lugar; para perpetuar a infâmia daqueles que compraram e venderam o sangue ele Cristo. Esse campo era comumente chamado de Acéldarna, o campo de sangue, não pelos príncipes dos sacerdotes, mas pelo povo que tomou conhecimento da confissão de Judas, de que ele havia traído o sangue inocente, embora os príncipes cios sacerdotes nada fizessem a respeito disso. Esses líderes religiosos esperavam enterrar nesse cemitério a lembrança de seu próprio crime. Eles fixaram esse nome sobre o campo como um memorial perpétuo. Note que a Providência Divina tem muitos meios de vincular a vergonha às práticas pecaminosas, até mesmo dos grandes homens, que, embora procurem encobrir a sua vergonha, são colocados sob uma reprovação perpétua.

Em quarto lugar, para que possamos ver como as Escrituras foram cumpridas (vv. 9,10). Então foi cumprida a Palavra que foi dita pelo profeta Jeremias. As palavras mencionadas são encontradas na profecia de Zacarias (Zacarias 11.12). Não vamos discutir a razão pela qual elas são aqui atribuídas a Jeremias; mas a credibilidade da doutrina de Cristo não depende disso, pois se mostra perfeitamente divina, embora possa parecer humana quanto aos detalhes da sua descrição. Na versão em siríaco, que é antiga, lê-se somente: “Foi dito pelo profeta”, sem citar ninguém, a partir do que alguns pensam que Jeremias foi acrescentado por algum escriba. Alguns entendem que, como os livros dos profetas estavam organizados em um único volume, que trazia primeiro a profecia de Jeremias, não seria incorreto, para um copista, citar qualquer passagem desse volume mencionando apenas o nome do primeiro livro, neste caso Jeremias. Os judeus costumavam dizer que o espírito de Jeremias estava sobre Zacarias, e assim eles eram como um único profeta. Alguns sugerem que isso foi dito por Jeremias, mas escrito por Zacarias; ou que Jeremias escreveu o nono, o décimo e o décimo primeiro capítulo de Zacarias. Nessas circunstâncias, essa passagem do profeta é uma descrição do grande desprezo por Deus existente entre os judeus, e do pouco com que eles lhe retribuíam as dádivas recebidas. Mas aqui aconteceu aquilo que lá era apenas expresso figurativamente. Os valores em dinheiro são as mesmas trinta moedas de prata; assim eles avaliaram o seu preço, por este preço eles o avaliaram; um preço considerável; e isso é o que foi depositado para o oleiro na casa do Senhor, o que foi aqui literalmente realizado. Observe que entenderíamos melhor os eventos ela Providência se estivéssemos mais familiarizados até mesmo com a linguagem e as expressões das Escrituras; pois elas também são, às vezes, escritas tão claramente sob as dispensações da Providência, que aquele que as cumpre as pode ler. O que Davi falou figurativamente (Salmos 42.7), Jonas realizou literalmente: “Todas as tuas ondas e as tuas vagas têm passado por cima ele mim” (Jonas 2.3).

A entrega do valor pelo qual Ele fora avaliado. Essa quantia não foi entregue a Ele, mas como um pagamento pelo campo do oleiro. Isto revela:

1. O elevado valor que deveria ser atribuído a Cristo. O preço foi pago, não por Ele. Não, mas foi dado por Ele e devolvido com desdém, como estando infinitamente abaixo de seu verdadeiro valor. O Salvador não pode ser avaliado de acordo com o ouro de Ofir; e esse presente indescritível (a salvação) também não pode ser comprado com dinheiro.

2. O baixo valor da avaliação que fizeram dele. Alguns elos filhos ele Israel estranhamente o depreciaram, quando seu preço alcançou o valor suficiente para comprar o campo do oleiro, um pedaço deplorável e desprezível de terra, que não valia nem a pena considerar. Acrescente-se à vergonha de ter sido comprado e vendido, o fato de o valor envolvido ter sido tão baixo. “Arroja isso ao oleiro”, assim está em Zacarias; aqui se trata ele um vendedor desprezível e insignificante, não do comerciante que negocia com coisas de valor. E observe que alguns elos filhos de Israel desse modo o depreciaram; eles, que eram o seu próprio povo, que deveriam saber fazer uma avaliação correta dele, aqueles a quem Ele fora enviado primeiro, de quem Ele era a glória a quem Ele tinha dado tanto valor e comprado por um preço tão alto. Ele pagou por eles um resgate equivalente ao resgate de muitos reis, e deu, por eles, os países mais ricos (por serem tão preciosos aos seus olhos, Isaias 43.3,4), a saber, o Egito, a Etiópia, e Sebá; mas eles, por sua vez, ofereceram por Ele o resgate ele um escravo (veja Êxodo 21.32), e o avaliaram apenas como o preço elo campo de um oleiro; assim foi aquele sangue pisoteado, aquele que comprou o Reino dos céus para nós. Mas tudo isso ocorreu conforme o Senhor designou; por­ tanto, a visão profética era o que caracterizava esse evento, e assim o próprio evento, bem como os outros exemplos dos sofrimentos de Cristo, ocorreram pelo conselho e pela presciência de Deus.

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The Sunshine Blogger Award

É com grande prazer que venho informar de mais uma indicação que recebi para mais um prêmio Sunshine Blogger Award. Fui indicado pelo amigo Adail Rodrigues do Blog ideias em Blog. Aproveito para agradecê-lo por dar-me a honra de sua indicação.

Sobre o ideias em Blog, eu os convido a visitar e conhecê-lo, pois se trata de um site maravilhoso e que traz uma riqueza de assuntos como Academia Musculação, Alimentos, Arquitetura, Arte, Cabelos, Carros, Comportamento, Decoração, Entretenimento, Esporte, Fotos e Imagens, História e Saudades, Ideias, Informação, Maquiagem, Medicina, Moda Feminina, Natureza, Política, Religião, Romance, Saúde e Tecnologia.

A premiação envolve uma demonstração de seu reconhecimento para com o trabalho de outros blogueiros assim como a promoção de interações com esses blogs. Cada envolvido precisa seguir quatro regras básicas:

  • Agradecer a quem te indicou;
  • Colocar as regras e incluir o logo do prêmio no post;
  • Responder 11 perguntas feitas pelo nomeador;
  • Nomear 11 blogs e fazer-lhes 11 perguntas.

Segue minhas respostas:

1- Qual foi a sua primeira opção de plataforma quando pensou em criar um blog? O que lhe chamou mais atenção?

R: Na verdade já havia criado um blog entre 2008 e 2009, quando estava fazendo faculdade, mas acredito que foi mais pela curiosidade e então, utilizei a plataforma Blogger…Só em 2017 veio a vontade de criar e comecei a xeretar alguns blogs para ter uma ideia de como seria… O que me chamou atenção foi o fato de que, diferente das redes sociais, as pessoas que o utilizam têm em comum o fato de escreverem sobre aquilo que mais gostam, sem a utilização do modismo das redes sociais.   

2- Você está satisfeito(a) com o WordPress? Por quê?

R: Sim, estou muito satisfeito e entendo que esta plataforma atende aos meus propósitos como blogueiro iniciante.

3- Por que quis criar um blog? Sempre teve essa vontade?

R: Como disse anteriormente, por não saber ainda como utilizar, o fiz por curiosidade, mas sempre achei a ideia interessante.

4- O que você mais gosta em seu blog?

R: Certamente, a reciprocidade dos blogueiros que me seguem, além da satisfação de postar aquilo que acho interessante e que, com certeza pode ser interessante para outros.

5- Consegue postar com frequência?

R: Até aqui tenho mantido essa frequência…Comecei com uma postagem diária e, com o tempo senti vontade de ampliar os assuntos e hoje, mantenho 4 postagens diárias, que espero poder manter por muito tempo.

6- Quais tipos de conteúdos gosta mais de abordar?

R: 1º, assuntos referentes à palavra de Deus pois vejo o blog como um canal de evangelização e compartilhamento de coisas espirituais;

2º, Liderança e Gestão, por entender que esses conteúdos devem ser partilhados fora das carteiras universitárias e escolas de negócios;

3º, Psicologia e Psicanálise, por entender que nem todos estudam e se formam nisto, mas que todos devem conhecer ao menos o básico deste assunto que mexe tanto com o nosso ser interior;

4º, Assuntos do cotidiano, onde utilizo o título “Outros Olhares”, como ideia principal provocar uma troca de ideias de assuntos com os quais convivemos no dia a dia, como filosofia, sociologia, educação, saúde e tecnologia etc.  mas que, quase nunca paramos para analisar e assim, buscar outra forma de avaliar o que acontece em nosso redor tendo um ponto de vista próprio.

7- Você interage muito com outros blogueiros?

R: Não tanto como deveria, posto que ainda estou começando e me sinto ainda um pouco perdido…certamente pretendo interagir mais no futuro.

8- O que acha bacana quando lê posts de outros blogs?

R: Bem, como novato, tive a oportunidade de começar a seguir blogueiros que falam de coisas que não escrevo sobre, mas que curto bastante…Então sempre que postam algo, procuro ler e apreciar porque quando o faço, me sinto mais próximo das pessoas, como um clube, um círculo de amigos.

9- Como é a elaboração de suas postagens? Segue algum tipo de “ritual”?

R: Bem, não sei se chega a ser um ritual, mas costumo analisar dentro de cada tema qual a postagem que, naquele dia específico tem a ver com o que o assunto fala comigo…daí é só imaginar que a postagem fará o mesmo com os meus seguidores.

10- Que tipo de música gosta de escutar? Indique uma para os seus amigos blogueiros.

R: Gosto de música Gospel…acho que quando ouço ou quando canto, me sinto em sintonia com Deus e isto acalma minha alma.

Uma das bandas que gosto muito de ouvir é Jesus Culture:

https://youtu.be/opkYsJE4vUk

11- Qual o seu gênero favorito de filme?

R: Gosto de suspense, principalmente àqueles que mexem com a nossa mente pois gosto muito de psicologia.

 

MINHAS INDICAÇÕES

Esta é a tarefa mais difícil, pois sempre corremos o risco de deixar alguns amigos de fora, já que o número de indicações é limitado. Como o amigo que me indicou, usarei como critério de escolha apenas blogs de língua portuguesa que mais curtem e comentam no meu blog.

 

KP Psico Consultoria Treinamentos Cursos Palestras Consultorias

Depressão com Poesia

lavouradasletras

Desconstruindo com Nati

Esteriltipo

Vidaintensavida

Língua Portuguesa Dinâmica

Psicologia Acessível

Diário de Bordo Da Shao

Memórias ao Vento

Vou aproveitar as perguntas do Adail Rodrigues para os meus escolhidos…