GESTÃO E CARREIRA

PROVOQUE A REAÇÃO EM CADEIA

Às vezes, basta mudar um único hábito para fazer uma revolução na empresa.

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Grandes transformações exigem, sempre, profundas mudanças de hábitos. Mas não de quaisquer hábitos. É preciso talento para saber identificar com exatidão as práticas e os costumes que devem ser corrigidos – do contrário, as alterações podem ser apenas cosméticas, inócuas. Em outras palavras, é necessário detectar os chamados hábitos angulares, denominação dada a comportamentos que, uma vez alterados, provocam uma série de mudanças em cadeia.

O caso da Alcoa é um exemplo de como uma cultura organizacional pode ser completamente transformada por meio da mudança de um hábito angular. O exemplo é descrito no livro O Poder do Hábito. Considerada uma das três maiores produtoras de alumínio do mundo, a Alcoa vivia períodos turbulentos no final dos anos 80. Os dirigentes vinham cometendo uma série de tropeços estratégicos, que acabaram comprometendo os resultados e minando a paciência dos acionistas. Era preciso mudar processos e pessoas – algo que o board decidiu fazer em 1987, nomeando Paul O’Neill como presidente. Primeira medida do novo chefe: implementar um plano de segurança no trabalho para os funcionários. O’Neill acreditava que essa era a maneira de produzir uma reação em cadeia capaz de fortalecer a empresa. Ele estava certo. Um ano após a sua posse, a Alcoa teve uma alta recorde e, em 2000, quando o dirigente se aposentou, o valor de mercado já era cinco vezes maior do que o registrado na data de sua estreia. Quem poderia imaginar que investir em segurança do trabalho aumentaria o valor de uma empresa?

Ao assumir, O’Neill encontrou um clima de insatisfação e muita desconfiança do mercado a respeito de sua gestão – justamente em função do seu foco em reduzir a quantidade de acidentes de trabalho. Ninguém botava fé que isso pudesse reverter os resultados negativos da Alcoa. Depois que o plano de segurança foi implementado, o índice de acidentes de trabalho na Alcoa tornou-se 20 vezes menor do que a média americana. Para entender mais a fundo o motivo dos acidentes, O’Neill precisava saber em detalhes o que estava acontecendo de errado no processo de fabricação. Isso fez com que a companhia investisse mais em controle de qualidade e no treinamento dos funcionários. Um ganho duplo para a Alcoa, em segurança e em produtividade.

A determinação de O’Neill era de que qualquer acidente deveria ser relatado a ele em um prazo máximo de 24 horas. A notificação deveria ser acompanhada de um plano estratégico, para evitar que outro acidente acontecesse. Para isso, toda a cultura organizacional da empresa foi modificada: era preciso facilitar a comunicação entre funcionários de todos os escalões. Outra sacada: só seriam promovidas as pessoas que obedecessem ao programa de segurança da empresa, uma medida para aumentar o engajamento. Com melhor comunicação interna, mais participação coletiva, aprimoramento produtivo constante e treinamento frequente, O’Neill conseguiu, a um só tempo, tornar os processos mais precisos e seguros – gerando um impacto direto na qualidade. Mudar hábitos angulares faz toda a diferença. Basta detectá-los.

 

SAMY DANA – é economista, doutor em administração e Ph.D. em Negócios. Professor na Eaesp/FGV, autor de livros e consultor, é também comentarista dos programas Conta Corrente, da Globo News, e Hora 1, na Globo. É colunista da Rádio Globo e do G1.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.