PSICOLOGIA ANALÍTICA

HORA DA CHANTAGEM

Hora da chantagem

A alimentação ocupa lugar central na relação entre pais e filhos – do recém-nascido ao adolescente. Além de ser um modo de se manter vivo e aplacar a fome, comer é um meio de ter comunicação e, às vezes, motivo de oposição e de chantagem. É em torno do ato da nutrição que se forma a primeira relação

O recém-nascido depende totalmente da pessoa que o alimenta, com quem estabelece uma ligação íntima, intensa e significativa. Desde as primeiras mamadas, a alimentação se dá em um contexto social rico de sensações no qual estão envolvidos não apenas gosto e olfato, mas também o tato, acolhido nos braços da mãe, o bebê toca os lábios no mamilo. Esse contato cria uma atmosfera afetiva em que a sucção, a deglutição, a digestão e, mais tarde, a mastigação assumem significados psicológicos que vão além do ato do alimentar. O leite se funde ao corpo da mãe. Não é bom apenas para sugar, mas para imaginar. Seu per fume e sabor associam-se a sensações de bem-estar, serenidade e afeto. Não têm a mesma sorte os frangos de granja ou os macacos de Harry Harlow, que recebem alimento em abundância, mas são privados de todos os aspectos que formam a experiência da refeição calorosa e agradável

Obviamente, as mães também se deixam envolver. Para elas, alimentar a própria cria é um modo de continuar a dar-lhe vida. É por isso que se sentem mal quando os pequenos recusam o peito, a mamadeira ou a papinha. Quando a mãe diz ao pediatra “doutor, o meu filho não come, revela nessa angústia algo que vai além da preocupação com a falta de apetite – indica quão importante considera a relação que nasce e se desenvolve em torno da experiência alimentar.

O aleitamento é um período especial, pois nele são engendradas as bases do sentimento de segurança interior sobre o qual, posteriormente, constrói-se a personalidade. Nessa fase, a criança depende da pessoa que a alimenta, que por sua vez precisa se sentir apoiada pelo próprio ambiente estável do ponto de vista psicológico para desempenhar bem seu papel. Do contrário, a relação pode ser perturbada, e as consequências serão sentidas nos anos seguintes.

Os bebês absorvem por meio do corpo as tensões e as dificuldades das suas figuras de ligação afetiva e as memorizam em nível automático. A mãe constantemente agitada ou angustiada transmite uma sensação de alarme: o recém-nascido percebe sua inquietude por sinais que ela expressa pela tensão muscular, pelo tom da voz, no modo como o segura e o carrega. A mulher infeliz ou deprimida não consegue transmitir serenidade, amamenta de modo mecânico, sem envolvimento. Assim como a indiferença, a pressão é um sinal que incide sobre a relação. Não é apenas a mamada, mas o que vem depois, quando está satisfeito, o lactente abandona-se nos braços da mãe, que deveria permanecer um pouco mais com ele.

A linguagem dos bebês é necessariamente uma linguagem do corpo, intimamente relacionada às experiências que vivem; cabe aos adultos compreender o significado disso com base no contexto. Se o único tipo de relação com a mãe é a que passa pelo alimento, a criança de 7 meses pode vomitar logo depois de comer, na tentativa de prolongar a relação. Se isso não for entendido como um pedido de atenção por parte da criança, um círculo vicioso poderá ter início – a mãe se angustia pensando que o bebê está doente e ele, por sua vez, continua a vomitar em busca de atenção e em resposta à agitação dela. Com o crescimento as estratégias mudam. Para ser o centro das atenções, a criança de 2 ou 3 anos, em vez de vomitar como fazia até os 7 meses, passa a recusar alguns alimentos consumidos habitualmente pelo resto da família, transformando-se em um problema para os pais.

RECUSA DRÁSTICA

O consumo de alguns alimentos e a recusa drástica de outros são uma estratégia mais ou menos inconsciente de afirmação do eu, ou de se reconhecer em determinado grupo, como no seguinte depoimento: “Cresci numa família que não gostava de fígado. Por isso, esse prato nunca entrou em nossa mesa, todos tinham aversão a ele. Um dia, aos 6 anos, fui almoçar na casa de uma tia e, sem saber, comi fígado. O novo sabor me agradou. Só depois fiquei sabendo o que era. Naquele momento senti náuseas por ter comido aquilo que minha família sempre rejeitou. Depois disso nunca mais comi.

Graças a essa mistura complexa e precoce de prazer, sentimentos, relação e identidade, o comportamento alimentar é um campo privilegiado de expressão da boa relação consigo mesmo, com o próprio corpo e com os outros – ou, ao contrário, de hábitos errados, insatisfação e carências. Os episódios de anorexia infantil, por exemplo, descartadas as causas orgânicas, podem ter origem numa reação de oposição aos pais. A criança sabe que o alimento é um ponto delicado, sabe do valor que o pai e a mãe dão às refeições. Assim, recusá-las é um modo de exercitar a chantagem afetiva. As técnicas usadas pelas crianças são conhecidas: há quem não toque na comida, quem a segure na boca por muito tempo, cuspindo- a depois; quem só coma fora das refeições. No entanto, nem sempre a iniciativa parte delas. Às vezes os pais insistem para que as crianças comam alimentos de que não gostam, não levando em consideração que os gostos na infância são diferentes do que se estabelecem mais tarde. Ou então as estimulam a comer mais que o necessário, criando problemas de várias naturezas

AUTO-REGULAÇÃO

A equação alimento igual a afeto está tão consolidada que, quando os filhos não comem muito, certos pais sentem-se culpados por achar que não estão cumprindo seu papel.  Preocupam-se quando percebem que a criança come menos, sem considerar que o processo de desenvolvimento não mantém sempre o mesmo ritmo: há momentos de crescimento intenso – como os dois primeiros anos de vida ou o início da adolescência – e há também fases mais atenuadas, em que a necessidade de alimento é menor.  Se a criança ou o adolescente são saudáveis deveriam ser capazes de auto regular-se com base nos sinais de fome e saciedade que vêm do organismo. Se forem muito est1mulados, poderão enjoar da comida, tornar-se resistentes aos sinais do estômago ou comer mais que o necessário e entrar na espiral da polifagia ou da bulimia. Nesse caso, o risco consiste em associar as sensações de estômago e intestino estufados à condição psicológica de saciedade e bem-estar. Sob o estímulo de um reflexo condicionado, comer em excesso pode se transformar em uma maneira rápida, imatura e inconsciente de buscar consolo, de enfrentar frustrações e decepções de combater o tédio ou de preencher um vazio afetivo, com todas as consequências que isso acarreta para o próprio desenvolvimento físico e psicológico.

 MOTIVAÇÃO, CALOR E SEGURANÇA

Numa experiência clássica da psicologia, o pesquisador americano Harry Harlow mostrou que os macacos criados por um boneco “frio”, capaz de alimentá-los conseguiram sobreviver, mas ficavam encolhidos pelos cantos, sem motivação para explorar o ambiente ou enfrentar os semelhantes. Os indivíduos que, ao contrário, foram criados por um boneco “quente” respondiam às solicitações, exploravam o ambiente e não demonstravam medo. Aqueles que foram criados por uma macaca de verdade (que além de amamentar fornecia contato físico, movia e interagia) eram, obviamente, os mais serenos, curiosos e seguros.

 RITUAIS À MESA

As experiências da infância deixam marcas, tanto que a maior parte das pessoas fica ligada a sabores e alimentos aos quais foram habituadas. Diferenças culturais são evidentes e significativas.

É difícil encontrar um italiano que queira comer pastíccio de rim, algo que os ingleses adoram. Os chineses são loucos por pés de frango, parte menos valorizadas pelos brasileiros. Para os americanos, os mexilhões são moluscos repugnantes. Essas e outras preferências são resultado de aprendizagens precoces baseadas na imitação. A primeira fonte de informação é a família, mas assim que vão para a escola as crianças começam a aprender também com os colegas. Fazer como os outros, comer e beber como eles significa integrar-se ao grupo, não ser excluído. O alimento e seus ritos favorecem a coesão social.

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ANNA OLIVERIO FERRARIS – é Professora de psicologia da Universidade La Sapienza, em Roma

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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