PSICOLOGIA ANALÍTICA

CRIATIVIDADE E DESEQUILÍBRIO

Baseadas na história de grandes gênios da humanidade, pesquisas consideram inevitável a relação entre esses dois atributos. Corrente contrária recomenda cautela em generalizar a associação.

Criatividade e desequilíbrio

Não são poucos os exemplos nos quais a História conjugou loucura e criatividade extrema – Paul Gauguin, Léon Tolstoi, Serguei Rachmaninov, Vincent van Gogh, John Nash (este último retratado no filme Uma Mente Brilhante, do diretor Ron Howard). Ambos os atributos sempre pareceram compartilhar uma origem comum, sobretudo aos olhos leigos. Entretanto, do ponto de vista científico, essa associação permanece sem respostas. Pesquisas internacionais em certas disciplinas, como a Neurobiologia, tentam elucidar uma possível parceria entre problemas mentais e criação, apesar do ceticismo de muitos sobre essa relação. Alguns profissionais encaram e valorizam a arte muito mais no sentido terapêutico, à medida que, como instrumento de expressão, ela ajudaria a desvendar as aflições e os sofrimentos da mente.

Em estudo do departamento de psiquiatria e ciências comportamentais da universidade de Stanford, publicado em março de 2016 no Journal of Affictive Disorders, Cecylia Nowakowska e colegas procuraram as semelhanças e diferenças entre 49 pacientes com transtornos de humor bi­polar, 25 com unipolar, 42 pessoas saudáveis e 32 estudantes da universidade ligados a atividades artísticas – como pintura, fotografia, escultura e poesia – de maneira não profissional.

De acordo com o artigo, os grupos com transtorno de humor e dos artistas mostraram-se similares quanto ao temperamento, se comparados com os indivíduos saudáveis. Os pesquisadores chamam a atenção, ainda, para o fato de que especificamente os pacientes bipolares eram os mais parecidos com os estudantes envolvidos em alguma atividade artística no que diz respeito a estar aberto para novas experiências.

”A proeminente convergência entre esses dois grupos sugere que haja uma semelhança neurobiológica básica entre pessoas com transtorno de humor e indivíduos envolvidos em disciplinas criativas, coerente com a noção de que o temperamento contribui com a criatividade aumentada em indivíduos com transtorno bipolar”, afirmam os pesquisadores. Entretanto, eles destacam que utilizaram uma amostra com alta escolaridade, o que limitaria a generalização dos achados.

Mas o que é, afinal, o humor, para a Medicina e a Psicologia?

Existem várias definições, mas a que mais consideramos e utilizamos no nosso dia-a-dia é a de “veia cômica, graça e espírito”, como aponta o dicionário Aurélio. Mas parece que, cientificamente, a palavra assume uma conotação diferente. Rogério Aguiar, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Associação Brasileira de Psiquiatria, explica que o humor pode ser entendido como a “capacidade que a pessoa tem de variar o estado afetivo-emocional de acordo com os, estímulos que recebe”.

Ele esclarece que quando recebemos uma notícia ruim ou boa e, em resposta a ela, ficamos tristes ou alegres é sinal de que nosso humor está se manifestando, e de forma adequada. No entanto, nem sempre ele funciona de forma correta.

O humor, como qualquer reação do organismo humano, também é capaz de sucumbir ao adoecimento, os chamados transtornos de humor. Conhecido também como transtorno afetivo, tal quadro causa alterações comportamentais e configura uma patologia mental. Segundo Aguiar, o paciente com esta doença, embora conserve a capacidade de variar o humor, considerada sadia, apresenta determinados momentos em que o humor fica estático, ou seja, permanece em um único estado.

 BIPOLARIDADE E ESCRITORES

Na mesma linha da pesquisa de Stanford, em estudo publicado em agosto de 2014 na revista húngara Orvosi Hetilap, o pesquisador Janka Z. procurou elucidar a frequência de alterações psicopatológicas entre escritores e artistas e analisar a possível influência do transtorno bipolar sobre a criatividade artística com base nos resultados de pesquisas científicas já realizadas.

O autor da pesquisa cita como exemplo de artistas eminentes que provavelmente apresentavam sintomas maníaco-depressivos ou ciclo­ tímicos Emily Dickinson, Ernest Hemingway, Nikolai Gogol, Virgínia Woolf, Vincent van Gogh entre outros. Para além dos dados biográficos, o trabalho revisou também estudos baseados em exames psiquiátricos de escritores e artistas, a relação entre o estado mental dos indivíduos considerados gênios e o resultado de seus trabalhos, e os traços criativos e as habilidades do paciente psiquiátrico diagnosticado.

”Além da experiência prática e as impressões acumuladas ao Jongo do tempo desde a Antiguidade, as observações e os estudos científicos indicam que os sintomas psicopatológicos, especialmente aqueles pertencentes ao transtorno de humor bipolar, depressão maior e ciclotimia (desvio de humor, mas com limites dentro do normal) ocorrem mais frequentemente entre escritores, poetas, artistas visuais e compositores, comparado às taxas na população em geral”, afirma o pesquisador no texto. Na opinião do autor, pode-se concluir que os traços bipolares parecem contribuir para um maior sucesso no campo da arte.

 RELAÇÃO COM INTELIGÊNCIA?

Nancy Andreasen, em artigo publicado em 1987 na The American Journal of Psychiatry, já havia chamado a atenção para o fato de que escritores apresentam taxas substancialmente mais altas de doença mental, predominantemente desordens afetivas, com uma tendência ao tipo bipolar.

A pesquisadora da Universidade de Iowa (EUA) submeteu 30 escritores de prestígio em oficina da mesma universidade e um grupo de controle a uma série de testes, procurando comparar diferenças de comportamento existentes entre ambos. Andreasen analisou, ainda, parentes de primeiro grau dos participantes com o objetivo de verificar se existiam traços dos mesmos transtornos e criatividade nas famílias ligadas à amostra geneticamente mediada. A constatação foi positiva.

Entretanto, ao contrário da criatividade, parece que o transtorno de humor não tem nada a ver com inteligência, como constatou Andreasen em seu trabalho. No texto, ela chama a atenção para o fato de que “tanto escritores quanto o grupo controle (pessoas ‘comuns’) apresentavam QI mais elevado; os escritores foram mais notáveis apenas no sub teste de vocabulário WAIS’, confirmando as observações prévias de que inteligência e criatividade são habilidades mentais independentes”.

Criatividade e desequilíbrio5

TUDO EM FAMÍLIA

Além de diversas pesquisas sugerirem a relação entre criatividade e transtorno bipolar de humor, os mesmos apontam uma certa hereditariedade para ambos os tributos. Outro estudo realizado por pesquisadores do departamento de psiquiatria e ciências comportamentais da escola de Medicina da Universidade de Stanford (Califórnia, EUA) analisou 40 adultos com transtorno bipolar, 40 descendentes – sendo 20 com a doença e 20 com transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) – e compararam os resultados aos de 18 adultos saudáveis e seus respectivos filhos.

“Os resultados sugerem uma associação entre transtorno bipolar e criatividade – e contribuem para uma melhor compreensão dos possíveis mecanismos de transmissão de criatividade em famílias como susceptibilidade genética para a doença”, afirmam Diana Simeonova e equipe em artigo publicado no JournaL of Psychiatric Research, em novembro de 2015.

Apesar das limitações da pesquisa – como, por exemplo, número relativamente pequeno de participantes e análise de apenas um tipo de criatividade – apontadas no próprio texto, os aurores destacam que este foi o primeiro estudo a mostrar que crianças com o transtorno, ou alto risco de desenvolvê-lo, apresentam uma criatividade mais elevada do que as consideradas saudáveis.

Eles cogitam, entretanto, a possibilidade de que haja um componente ambiental subjacente responsável pela similaridade de ambos os grupos de crianças, bipolares e com TDAH, em termos de criatividade – hipótese que reforçaria uma suposta hereditariedade. “Como já estabelecido, a criatividade é um fenômeno heterogêneo complexo, relacionado a múltiplos fatores. Talvez aspectos genéticos, ambiente familiar e sintomas precoces do transtorno afetem a criatividade de uma maneira similar à que a doença é afetada por estressores fisiológicos e ambientais, resultando, deste modo, em uma criatividade aumentada, afirmam no texto.

Se por um lado o número de estudos sobre a possível associação entre distúrbios psiquiátricos e potencial criativo é crescente, por outro, poucos têm examinado a questão através de métodos empíricos. Nesse sentido, pesquisadores do departamento de Psicologia da Vanderbilt University (Tenesse, EUA) investigaram indivíduos portadores de esquizofrenia e com personalidade esquizoide, além de sujeitos saudáveis, com o objetivo de identificar possíveis relações entre tais grupos no que diz respeito ao processo de pensamento criativo.

Além de realizar inúmeros testes – como cálculo de QI, avaliação dos sintomas clínicos da esquizofrenia e grau de criatividade, por exemplo – o estudo registrou também a atividade pré-frontal de todos os 51 participantes (17 em cada grupo). Segundo artigo publicado em dezembro de 2015 na revista Schizophrenia Research, os autores concluíram que a personalidade esquizoide (um transtorno da personalidade em que a pessoa se afasta dos relacionamentos sociais, segundo o DSM-IV) é associada a uma elevada habilidade no que diz respeito a pensamentos divergentes (que chega a conclusões diversas e/ou contrárias sobre o mesmo assunto) e que tal característica estaria associada a uma atividade bilateral do córtex pré-frontal.

”Até onde sabemos, este é o primeiro estudo a comparar a neuroanatomia funcional do pensamento divergente em indivíduos com personalidade esquizoide, esquizofrenia (quadro de psicose com a duração de pelo menos seis meses, sendo um mês de sintomas ativos como delírios, alucinações, discurso desorganizado, comportamento desorganizado ou catatônico e sintomas negativos, de acordo com o DSM-IV) e sujeitos saudáveis”, afirmam Bradley Folley e Sohee Park, autores do artigo.

Eles destacam que a iniciativa foi um passo em direção ao desenvolvimento de ferramentas confiáveis para o escudo empírico da criatividade e da psicose. “Esta abordagem pode ajudar a diminuir a distância entre as evidências sem comprovação científica para a relação entre a criatividade e a psicose e seus mecanismos neurais subjacentes”, afirmam.

DEPRESSÃO, O BLOQUEIO

Na opinião de Rogério Aguiar, professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), algumas pessoas que apresentam transtornos de humor podem realmente ter seu processo criativo atrelado a esses comportamentos – mas tal associação deve ser vista com cautela. O médico afirma que a produtividade seria mais intensa nos casos de euforia por conta da energia e da sensação de entusiasmo que fazem a pessoa expressar seus sentimentos, inclusive os reprimidos. Já os quadros de depressão seriam marcados por bloqueios no processo criativo, uma vez, que o indivíduo se sentiria tão desmotivado que não tem vontade de criar.

O professor da UFRGS diz ser incompatível com a realidade a ideia de que a produção criativa seria uma espécie de vantagem possibilitada pelo transtorno. De acordo com ele, aqueles que sofrem de esquizofrenia e transtorno bipolar – cerca de 1% da população – costumam muito mais perder do que ganhar com seus problemas. “Se analisarmos estatisticamente, perceberemos que eles perdem tudo: geralmente não têm família e não têm capacidade de escrever uma carta, quanto mais de produzir uma obra. Ficamos citando Van Gogh e outros artistas, mas quantos esquizofrênicos ou portadores de transtorno de humor são gênios? Poucos, apenas um ou outro se destacam”. Aguiar chega a reconhecer a existência de iniciativas que tentaram verificar a ligação entre os transtornos de humor e a capacidade criativa, mas alega que até agora “não teria sido demonstrado nada nesse sentido que fosse cabal”.

Cássio Bottino, psiquiatra do Hospital das Clínicas da USP, também acredita que a depressão interfira negativamente sobre o potencial criativo do indivíduo, deixando sua capacidade de trabalho comprometida, chegando inclusive a inviabilizar a execução de algumas tarefas do dia a dia. Ele reconhece que alguns relatos da literatura médica chegam a mencionar que indivíduos criativos teriam apresentado sintomas de esquizofrenia ou de pelo menos algum surto psicótico) mas levanta a possibilidade de tais dados não terem passado de uma coincidência. “Não dá para saber como seriam suas criações se esses artistas não tivessem tais transtornos”, defende.

Mas, se por um lado, Cássio Bottino discorda da ideia de que esses quadros de mania poderiam desencadear uma produção mais criativa, por outro, ele encara o processo de criação como uma possível via de verbalização para os que sofrem destes transtornos. Nesse aspecto, ele destaca a utilização da arte como terapia, especialmente quando utilizada para auxiliar os que possuem “uma comunicação social pobre”. “Eles passam a utilizar esses outros canais e conseguem se comunicar bem. Ela propicia o extravasamento dessas ideias, que podem até ser passíveis de interpretação”, diz.

OUTRAS ORIGENS

Se os transtornos de humor não seriam um fator para determinar o quanto uma pessoa é criativa, o que poderia fazer esse papel? Na opinião da professora Eunice Maria de Alencar um dos aspectos seria a própria personalidade do indivíduo. Pessoas que demonstram ter iniciativa, persistência, autoconfiança e senso de humor tenderiam a ser mais criativas que as que não possuem este perfil.

Outros fatores, segundo a pesquisadora, seriam a “flexibilidade” e a “fluência de ideias”. No primeiro caso teríamos uma habilidade cognitiva que permite que alguém tenha facilidade em promover associações com elementos de diferentes campos de saberes, promovendo raciocínios refinados. Já o segundo partiria do pressuposto de que quanto maior for a quantidade de ideias, maior será a chance de alcançar respostas de qualidade, ou seja, originais e, portanto, criativas. “É importante não ficar muito crítico na hora de pensar e deixar que a avaliação de ideias só aconteça posteriormente para que o pensamento criativo não seja subordinado a uma série de mecanismos de censura”, pontua Eunice.

Existiriam, ainda, momentos de relativa queda de criatividade ao longo da vida. Uma dessas etapas ocorreria aos 11 anos de idade, momento em que o indivíduo sai de sua fase infantil – onde não costuma censurar suas ideias – para ingressar na fase adolescente, período em que se vê obrigado a perder parte de sua espontaneidade para conseguir aceitação dentro do grupo. “Alguns trabalhos apontam esses dados, mas não existem muitas pesquisas nessa área”, ressalta Eunice.

A psicóloga Maria Alice d’Ávila Becker, do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), também acredita que a id ade interfere de alguma forma no desenvolvimento da criatividade em um indivíduo. Segundo ela, as crianças, por outro lado, tenderiam a ser menos criativas que os adultos na hora de pensar em algo novo ou transformar o que já existe em outra coisa por não terem uma bagagem significativa de conhecimentos para tanto. “Elas utilizariam a criatividade para desempenhar atividades do dia a dia, mas teriam dificuldades nesse outro aspecto”, diz.

Os idosos, além de sofrerem prejuízos com doenças como o Alzheimer, ainda sofrem com o abandono e o ócio, reservando-se, na maioria dos casos, a atividades diárias banais – o que os levaria a expressar menos uma criatividade. Hoje, segundo Maria Virgínia Berger, ao contrário do passado – quando se encarava a criatividade como um dom inato – predomina uma perspectiva interacionalista, que considera a influência de fatores externos nessa capacidade de criação, ou seja, a relação entre o sujeito e o meio onde ele está inserido.

O QUE É CRIATIVIDADE?

NOVOS ARRANJOS COGNITIVOS

Para Maria Virgínia Bernardi Berger, doutora em Educação pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), pensar em criatividade seria meditar sobre a criação de novos arranjos cognitivos de interpretação de realidade. “A criatividade é uma transgressão na forma de olhar a realidade ou de agir. O pensamento criado não tem linearidade, é aberto a diferentes rotas, bifurcações, representa a ruptura com algo que já é conhecido. Caso contrário, não é criatividade, e sim a repetição de padrões”, afirma. No entanto, Berger reconhece que essa invenção não precisa ser feita em estruturas relativamente novas. A criatividade poderia simplesmente “rever ou reorganizar algo de forma diferente” – uma espécie de releitura que não se restringe ao campo das artes, mas envolve outras áreas como a própria ciência.

 FENÔMENO MULTIFACETADO

Já na opinião de Eunice Maria de Alencar, professora do Mestrado de Educação da Universidade Católica de Brasília, a dificuldade em definir o que é criatividade é intrínseca ao conceito, visto como “um fenômeno multifacetado que pode ser encarado de diferentes formas” e que pode abarcar, inclusive, soluções de problemas típicos de nosso dia a dia ou a criação de algo que seja útil.

CATARSE

Além de considerar os múltiplos significados do termo criatividade, outro passo importante na tarefa de entender esse fenômeno seria compreender as diferenças existentes entre processo e produto criativo. Enquanto este estaria ligado a um reconhecimento do indivíduo por parte de um grupo, aquele remeteria a uma dimensão subjetiva do indivíduo, que pode ou não resultar em um produto e que representaria uma via de diálogo entre este sujeito e a realidade em que ele está inserido. Neste caso, seria um canal através do qual ele exterioriza seus sentimentos em relação à vida e ao mundo. Justamente nesta espécie de catarse é que estaria um dos pontos mais discutidos: a influência dos transtornos de humor no processo criativo.

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TRANSTORNOS DE HUMOR

ALTERAÇÕES

Uma pessoa com transtorno de humor apresenta particularidades, como a estagnação do humor que, de acordo com Cássio Bottino, psiquiatra do Hospital das Clínicas de São Paulo, dura um tempo prolongado, no mínimo duas semanas. Outros fatores além da variação de humor também podem ser notados como “alteração da volição, caracterizada pela vontade basicamente de fazer algo ou não, ou alterações no prazer, alteração do pensamento, característica afetiva de culpa, ideia sobre a morte como no caso da mania, ou ideias eufóricas, alterações também envolvendo o ciclo sono-vigília, alterações do apetite e da libido, do desejo sexual”, afirma Bottino.

 POLARIDADE

De acordo com Jerson Laks, o transtorno de humor pode ser caracterizado de formas distintas, mas existem duas categorias que se destacam: o transtorno de humor bipolar e o transtorno de humor unipolar. Segundo o médico, enquanto o transtorno bipolar “é composto por episódios de depressão e mania ou crises de exaltação do humor; no transtorno unipolar o paciente só passa pela fase de depressão”.

Essas fases são bem caracterizadas. Os psiquiatras consideram de forma geral que durante os episódios de euforia o paciente apresenta aceleração do pensamento, ideias paranoides e ideias de grandeza, com o ego elevado fazendo muitas vezes uma ideia de si que não condiz com a realidade. Por outro lado, a fase de depressão é marcada por uma conduta oposta, o paciente apresenta curso do pensamento lento e ideias pessimistas. Rogério Aguiar, por sua vez, ressalta que durante estes episódios, o paciente fica “trancado” dentro de um estado de tristeza e, por exemplo, mesmo que ele receba notícias alegres, não ficará feliz.

ESQUIZOFRENIA

Existem diversas alterações psíquicas, mas algumas em especial apresentam características que esbarram nos sintomas que envolvem o transtorno esquizoafetivo, que apresenta características do transtorno de humor e da esquizofrenia. 

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ARTE COMO TERAPIA

Lula Wanderley é terapeuta do Espaço Aberto ao Tempo (EAT) do Instituto Municipal Nise da Silveira, no Rio de Janeiro, iniciativa que oferece oficinas artísticas a fim de que pessoas com transtorno psíquico consigam se organizar internamente através da expressão das emoções, e atesta, por experiência própria, que a criatividade pode ser uma ferramenta útil no tratamento de distúrbios psíquicos. Segundo ele, toda manifestação criativa – seja ela a dança, a música, a pintura ou qualquer outra – promove o exercício da liberdade, uma condição que seria imprescindível aos que tiveram algum tipo de sofrimento intenso na vida. “Qualquer sofrimento representa um corte na comunicação e faz com que as pessoas precisem criar novas linguagens, novos códigos, e a criatividade é um instrumento de trabalho importante nesse tipo de tratamento”, diz.

Para o psicólogo do EAT soa estranha a ideia de que a criatividade estaria ligada ao transtorno de humor; ela seria apenas “uma espécie de recurso da inteligência que não teria relação direta com o sofrimento humano”. Segundo ele, a dificuldade de se comunicar com o mundo pode levar um indivíduo a buscar na criação artística formas de lidar com seu sofrimento, contudo não seria o transtorno psicológico que o tornaria um artista melhor; tudo seria uma questão de talento. “A maneira forte como sinto o mundo pode me ajudar a cantar, mas não quer dizer que eu seja um bom cantor por causa disso. Um transtorno de humor é um sofrimento humano e um sofrimento não determina quem vai ser artista. Uma pessoa que não passa por isso pode ser bastante criativa”.

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Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.