PSICOLOGIA ANALÍTICA

CASAIS NO DIVÃ

Na clínica psicanalítica, separações são mais comuns e fáceis frente ao empenho em reconstruir um relacionamento. Atenção a sutis detalhes e possibilidades podem conferir qualidade às relações.

Casais no divã

É provável que os talentos cognitivos específicos de cada sexo tenham surgido por se revelar vantajosos no curso da evolução. Assim, a especialização, princípio básico do desenvolvimento biológico, fez com que homens e mulheres não compartilhassem os mesmos dons, mas desenvolvessem talentos igualmente valiosos. As mulheres são mais elegantes com as palavras e têm maior capacidade de empatia. Os homens, ao contrário, dão importância aos símbolos de status, preferem a cerveja à conversa, mas em compensação consultam com maior facilidade os guias de ruas. Muitos desses traços; considerados específicos, não expressam senão preconceitos. Outros, no entanto, fundamentam-se em sólidas bases cientificas.

É verdade que a família nuclear está sofrendo radicais transformações em relação ao número crescente de casamentos, seguidos de descasamentos e recasamentos, criando uma nova composição familiar em função dos filhos que cada novo cônjuge traz para o novo lar. Passa a existir uma mudança nos papéis conferidos aos cônjuges, de forma que os lugares ocupados se sobreponham ou até invertam, e tudo é encarado com muita naturalidade, acabando com o relacionamento.

Na sociedade moderna os problemas se agravam pelo conceito predominante sobre o casamento. Numa época na qual o divórcio era raro e, geralmente condenado pela sociedade, é provável que os casais tivessem mais indignação para resolver suas diferenças. Hoje, porém, ao contrário, a separação dos cônjuges é coisa comum e disseminou-se bastante a ideia de que o divórcio pode ser sempre utilizado como um meio de fuga, caso os conflitos conjugais se agravem demasiadamente. Deve­ se lembrar que o conflito conjugal é, quase sempre, um sintoma de algo mais profundo, tal como egoísmo, falta de amor, falta de perdão, ira, amargura, problemas de comunicação, ansiedade, abuso sexual, bebedice, sentimentos de inferioridade, entre outros.

Então, torna-se prático pensar em respostas fáceis diante do caos em que nos encontramos. Hoje, a posição de um relacionamento é tomada com uma irresponsabilidade sem limites, sendo mais fácil separar do que reconstruir, ou seja, é melhor cada um ir para o seu lado, dividindo os bens meio a meio. Ao mesmo tempo, em poucos dias, os indivíduos são capazes de estabelecer uma outra relação sem nenhum constrangimento.

 A DINÂMICA DA PSICANÁLISE

A Psicanálise é a filha da neurologia, a parte da medicina preocupada com os transtornos do funcionamento do cérebro humano, ciência que estuda tudo aquilo que escapa à consciência espontânea e refletida, os processos psíquicos que não podemos invocar voluntariamente, ou seja, faz parte do inconsciente, tudo o que quebra a continuidade lógica dos pensamentos cotidianos: lapsos, atos falhos; sonhos, esquecimentos.

Sigmund Freud também tinha uma família, e obviamente precisava relacionar-se. Por isso, sua base teve grande importância na revolução intelectual que ele iniciou, mudando a forma de entendermos as relações humanas. Em sua época, tais estudos e pesquisas foram considerados insanos, especialmente porque seu objeto de estudo era a sexualidade, que servia de fundamento para o surgimento das neuroses.

Para Freud, a vida sexual começa logo após o nascimento. Não está ligada aos genitais, mas à obtenção de prazer nas diferentes zonas do corpo. Uma criança que se alimenta estaria experimentando uma satisfação sexual na concepção freudiana. Se naquela época ele encontrou resistência, hoje, o sexo, a pornografia, o erotismo e as orgias estão inseridos no dia-a-dia, gerando uma visão prematura de algo que baqueia as bases de um relacionamento e da família.

A família sempre será a base da sociedade e principalmente de um relacionamento. Quem não tem uma família estruturada, provavelmente enfrentará dificuldades, já que o ser humano é impulsionado pelos sentimentos e não avalia os valores da lógica, da compreensão e da limitação do indivíduo que está em foco. Ao contrário, é atraído pelo sexo, pela boa qualidade de vida, por aquilo que pode conquistar ou receber neste “negócio” chamado relacionamento.

No atendimento a casais detecta-se grande dificuldade nas pessoas em conseguirem  interpretar  aquilo que o outro apresenta; percebo que não há um investimento real para sustentar tal relacionamento, não há pesquisa para saber se o caminho está certo ou não e, no entanto, o  dia-a-dia passa a ser um nutriente para que a relação seja reforçada em teorias superficiais, pautada mais em ter do que em ser.

Se neste momento puder lembrar de algo muito bom que lhe aconteceu, provavelmente não será no campo do ter e, sim, no do ser. Podemos lembrar coisas boas que o ter nos proporcionou como, por exemplo, uma bela casa? um bom carro, boas roupas e outros bens materiais, mas o que realmente irá nos emocionar serão as lembranças do nascimento do filho, do dia do casamento, da restauração de nossa saúde, uma surpresa no dia do aniversário e outras situações similares.

Sem perceber, atraímos para os relacionamentos atitudes que comprometem sua estrutura. Inconscientemente existe um forte motor gerador desta angústia social; isso porque existe uma crescente necessidade de “êxitismo”, ou seja, desde criança o sujeito está ”programado pela família e pela sociedade para ser bem-sucedido, e parte para uma interminável busca por êxitos, que o deixa em constante sobressalto de vir a cumprir estas expectativas que carrega nos ombros e na mente.

Nos últimos 30 ou 40 anos, sociólogos, pedagogos e psicólogos atribuíram a culpa à socialização, isto é, à influência dos modelos que a criança encontra em seu ambiente. Segundo opinião amplamente aceita, pais e adultos em geral inculcam nos pequenos estereótipos de conduta, e, com isso, “desde o princípio dirigem seu comportamento segundo os caminhos trilhados no passado. Assim, o dominante comportamento agressivo dos meninos seria simplesmente produto da educação – uma antecipação das futuras exigências da vida militar ou da sobrevivência no selvagem mundo dos negócios, onde são justamente os homens que dão o tom.

CONFLITO UNIVERSAL

Já a alguns anos, um grupo de pesquisadores entrevistou indivíduos que haviam procurado ajuda para algum tipo de problema. Cerca de 20% dos problemas estavam ligados às “dificuldades de ajuste pessoal”; 12% dos aconselhados “tinha problemas de relacionamento com os filhos, mas uma enorme faixa, cerca de 42%, afirmou que as dificuldades estavam centralizadas no casamento.

O conflito no lar é quase universal. Antes do casamento, as pessoas que se amam tendem a enfatizar suas semelhanças e negligenciar suas diferenças. Existe a crença de que. ‘o nosso amor será diferente”, mas as tensões crescem e aparecem quando duas pessoas, vindas de ambientes diversos e com personalidades diferentes, começam a viver juntas na mais íntima de todas as relações humanas. Os esforços mútuos para ajustar-se, disposição para transigir e a experiência de aprender como solucionar conflitos, tudo isso ajuda os casais a conviverem e moldarem um casamento cheio de amor e funcionando relativamente bem.

 DIFERENÇAS SEXUAIS

A sexualidade da mulher tende a relacionar-se com seu ciclo menstrual, enquanto a do homem é praticamente constante. O hormônio masculino, testosterona, é um dos principais fatores que estimulam o desejo sexual no homem, através da pornografia, nudez feminina, variedade sexual, roupas íntimas e disponibilidade da mulher. Já ela é mais estimulada por apelos não sexuais, como palavras românticas, compromisso, comunicação e intimidade. A mulher sente-se em grande parte atraída pela personalidade masculina, enquanto eles são mais estimulados pelo que veem. O homem também é menos discriminador em relação às pessoas por quem sente atração física.

Enquanto ele precisa de pouco ou nenhum preparo para o sexo, a mulher, no geral, necessita de horas de preparação emocional e mental. O tratamento rude, ou abusivo, pode facilmente anular seu desejo de intimidade sexual durante dias seguidos. Quando o marido esmaga as emoções da mulher, ela muitas vezes sente repulsa pelos avanços dele. Muitas afirmaram sentir-se como verdadeiras prostitutas quando forçadas a fazer amor enquanto ainda estão ressentidas com o parceiro. O homem talvez não tenha ideia desses sentimentos quando força a mulher a fazer sexo, e estas diferenças surgem no casamento gerando vários conflitos conjugais.

Desde o início, a mulher sabe desenvolver melhor uma relação cheia de amor. Devido a sua sensibilidade, tem mais consideração pelos sentimentos do marido e mais entusiasmo para criar um relacionamento significativo em vários níveis; isto é, ela sabe como construir algo mais do que uma maratona sexual; quer, ao mesmo tempo, ser amante, amiga, admiradora, dona de casa e companheira apreciada. O homem, por outro lado, não tem geralmente a intuição sobre como o relacionamento deveria ser. Ele não sabe como encorajar, amar e tratar a esposa de uma forma que satisfaça suas mais profundas necessidades. Sabendo que não possui uma compreensão dessas áreas vitais através da intuição, ele precisa se apoiar apenas nos conhecimentos e habilidades adquiridos antes do casamento.

COMPREENSÃO É ARTE

Acredito veementemente que, embora as pesquisas apontem para inúmeras diferenças entre homens e mulheres, é possível estabelecer uma linha de relacionamento que seja eficaz e ao mesmo tempo possa unir dois seres tão diferentes. É possível ter uma vida conjugal feliz tomando, em contrapartida, o respeito e a disposição de estar em constante processo de transformação não somente em nome do outro, mas para o próprio crescimento pessoal, porque a partir do momento que se consegue respeitar o outro, aumenta a capacidade de compreender, perceber, entender e ouvir. O que se observa hoje nos relacionamentos conjugais é o triste quadro de “eu não vou ceder”, e não se trata de ceder ou não, mas, sim, de compreender, pois esta é a arte de se viver um relacionamento saudável com qualquer ser humano. É um processo de reeducação do querer, pois ao continuar fazendo o que sempre foi feito, continua-se obtendo o que sempre se obteve.

É um mito, porém, pensar que um casal poderá superar seus conflitos sem nenhuma intervenção. E é trágico quando ambos negam sistematicamente qualquer tipo de ajuda. Você não pode mudar o que você não pode mudar, mas é possível mudar a sua percepção. A psicoterapia pode não só conduzir a uma mudança de conduta, mas também levar a uma nova fase de redescoberta do prazer de estar com o outro. É o teste quase que definitivo sobre a indecisão – ou certeza – dos sentimentos perante o parceiro, sejam positivos ou negativos. Apenas deve-se ter cuidado para que a psicoterapia não seja uma desculpa para o fim de um relacionamento. Se uma das partes não está disposta a carregar o ônus do outro, fica fácil colocar a culpa no terapeuta.

DA TEORIA À PRÁTICA

Paul Popenoe; fundador do Instituto Americano de Relações Familiares, em Los Angeles, dedicou seus anos mais produtivos à pesquisa das diferenças biológicas entre os sexos. Algumas de suas descobertas foram:

 – A mulher tem uma vitalidade constitucional maior, talvez devido à formação singular de seus cromossomos. A mulher, no geral, vive cerca de três a quatro anos mais que o homem nos Estados Unidos.

– O metabolismo feminino é normalmente mais baixo que o masculino.

– O homem e a mulher diferem na estatura do esqueleto. A mulher te, cabeça mais curta, rosto mais largo, queixo menos proeminente, pernas mais curtas e tronco mais comprido.

– A mulher tem funções singulares e importantes: menstruação, gravidez, lactação. Os hormônios femininos são de um tipo diferente, e mais numerosos que os do homem.

– A tireoide da mulher é maior e mais ativa. Ela cresce durante a gravidez e a menstruação; provoca o aparecimento de bócio com maior frequência, fornece resistência ao frio; está associada com o corpo de pele macia, quase sem pelos, e camada grossa de gordura subcutânea.

A FELICIDADE DO OUTRO

Como é possível fazer alguém feliz quando nós mesmos não sentimos felicidade? O inconsciente acaba exalando processos que não são reconhecidos e o processo psicanalítico está baseado nesta descoberta das suas leis e métodos, para ter acesso ao que chamamos de Id (impulsos). Mais cedo ou mais tarde descobre-se estar alimentando um sentimento mentiroso em prol de uma outra pessoa, porque não respeitou seus próprios limites – ou talvez nem os conhecesse – numa busca desesperada para encontrar afago, carinho e tudo aquilo que, de repente, o sujeito não encontra com os próprios pais.

COMUNICAÇÃO E AVANÇOS

Em qualquer relacionamento, comunicação defeituosa ocorre quando a mensagem enviada não é aquela recebida. As mensagens são enviadas verbal (por meio de palavras) e não verbalmente (com gestos, tom de voz, expressões faciais etc.). Quando a mensagem verbal e a não verbal se contradizem, surge uma “mensagem dupla” que provoca incerteza e a quebra da comunicação. Considere, por exemplo, a mulher que diz verbalmente: “não me que você viaje a negócios”, mas cujo tom resignado de voz e falta de entusiasmo deixam entrever o sentimento:” na verdade, não quero que você vá”. Inevitavelmente, nestes casos, faz-se necessária uma boa leitura de comportamento corporal, para melhorar a comunicação.

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ALEXANDER DE PAULA BARNABÉS – é psicanalista, teólogo e trainner em programação neurolinguística. E-mail.:dr.barnabes@hotmail.com

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OUTROS OLHARES

DEDINHO ENGATILHADO

Airsoft faz sucesso com as crianças. Psicólogos e promotores questionam a nova modalidade de tiro.

Dedinho engatilhado

Tiros ecoam pelos corredores de um shopping na Zona Norte do Rio de Janeiro. As pessoas, muitas com sacolas de compras, seguem seus caminhos como se não tivessem ouvido os disparos. O som vem de uma loja repleta de adesivos com imagens de personagens e cenas de videogames de guerra. Do lado de dentro, estandes de tiro ao alvo, com armas penduradas na parede, e um grupo de rapazes animados, na casa dos 20 anos, que dão instruções a crianças e adolescentes. Entre os frequentadores do estande, um menino coloca óculos de proteção e um fuzil nas mãos. Do lado de fora, o público que passa se divide entre aqueles que viram os olhos indignados com crianças empunhando armas e os que lançam olhares curiosos através do vidro grosso de proteção que separa o ambiente do espaço público. Passando pela porta, um menino puxa a camisa de seu responsável: “Pai, eu quero atirar!”. De nada adianta. O garoto perde a discussão e eles vão embora.

A aparência pode confundir, mas a ponta pintada de laranja fluorescente denuncia: as armas não são de fogo. Trata-se da airsoft, uma modalidade esportiva de tiro que usa equipamentos extremamente similares a pistolas de verdade, mas que disparam pequenas bolas de borracha por meio de pressão a gás e com potência reduzida. No Brasil, a prática se popularizou nos últimos quatro anos e chegou aos shopping centers. Hoje, há pelo menos cinco empresas de estandes de tiro com unidades espalhadas por shoppings de 20 estados. O público nesses locais é composto principalmente de casais e famílias.

O pequeno Enzo, de 7 anos, pede para jogar airsoft todas as semanas, contou seu pai, Anderson Bastos, de 37 anos. Aficionado por videogames e criado sob o exemplo de um irmão mais velho, que está no Exército, ele já pediu para ganhar sua própria arma de pressão. O pai vetou. “Falo para ele que o espaço de brincar é aqui. Se ele quiser ter uma arma quando for mais velho, isso vai ser uma escolha que vai fazer daqui a muitos anos, depois de estudar e amadurecer. Mas dessas de pressão a gente não vai comprar.” A sobrinha, Brenda, de 14 anos, acompanhou os dois pela primeira vez no passeio e contou que gostou mais de atirar ao vivo do que nos jogos virtuais: “No videogame, a gente tem de ajustar o visor e a mira a cada tiro, se posicionar. Aqui é mais prático, é só atirar”. Bastos se diverte com a pose do filho ao empunhar o fuzil de pressão a gás, fazendo cara de bravo. Ele não acha que a brincadeira seja violenta e lembra que jogos de guerra e tiros não são exclusividade desta década ou até deste século.

No estande que costumam frequentar, as armas disponíveis são de pressão baixa, e cada criança é obrigatoriamente acompanhada de um instrutor que segue um protocolo rígido de segurança. Os óculos de proteção devem ser usados o tempo inteiro; não se passa uma arma diretamente para outra pessoa, ela deve ser colocada sobre a bancada da cabine; em hipótese alguma a arma deve ser apontada em outra direção que não o alvo de papel. Todo o conjunto de regras, contou Bastos, montador de estruturas navais, garante segurança.

“Escolhemos não operar sob o formato de franquias nem usar armas de maior pressão por isso: para manter um padrão de qualidade e de segurança no atendimento”, afirmou Lucas Gibson, um dos sócios da Power Airsoft, empresa dona da loja onde Bastos e seu filho brincam juntos. “Não podemos correr o risco de acidentes. Por isso sempre usamos um vidro grosso de proteção que separa o estande das demais áreas. Não aceitamos espaços que ficam no meio de praças ou de áreas comuns.” A empresa tem quatro anos e opera com dois modelos de jogos: em estandes de tiro ao alvo, dentro dos shoppings, e em campos maiores e localizados geralmente do lado de fora, nos estacionamentos, onde grupos podem se enfrentar. Apesar de as armas serem de baixa pressão, nessa modalidade de combate é necessário que os participantes usem roupas especiais e máscaras de proteção.

Esse, no entanto, não é um padrão geral do mercado. A reportagem visitou redes que trabalham com franquias, espaços que não usam o vidro de proteção para separar estandes de tiro de corredores do shopping e lojas que usam armas de maior pressão, restritas para maiores de idade.

Afinal, o que são essas armas? Segundo o Estatuto do Desarmamento, são vedadas a fabricação, a venda, a comercialização e a importação de “brinquedos, réplicas e simulacros de armas de fogo”. A airsoft não se encaixa nessa classificação. Segundo portaria do Exército de 2010, simulacro ou réplica é um “objeto que visualmente pode ser confundido com uma arma de fogo, mas que não possui aptidão para a realização de tiro de qualquer natureza”. Essa mesma portaria classifica as armas de airsoft como armas de pressão. Ou seja, são consideradas armas de verdade, que apenas funcionam com outro tipo de dispositivo de disparo e que são usadas por esporte – ainda que algumas pessoas as usem como instrumento de defesa pessoal.

Há vários modelos. Algumas são mais fracas do que uma arma de chumbinho, outras têm mais potência. No Reino Unido, dependendo da potência, a arma de pressão pode ser considerada letal. No Canadá, as de alta pressão estão sujeitas ao mesmo controle e legislação das armas de fogo reais. E aquelas que passam dos limites nas semelhanças com uma pistola de fogo são proibidas. Esse “jogo dos sete erros” entre armas de pressão e armas de fogo é tão difícil que sites especializados em armamentos, brasileiros ou estrangeiros, costumam colocar as fotos dos dois equipamentos lado a lado com perguntas como “Você consegue ver a diferença?”. Entre as armas de pressão, as mais fortes são as conhecidas como GBB (Gás Blowback). Seu dispositivo de liberação de gás replica até mesmo a força de recuo que uma arma de fogo produz ao disparar. A potência do disparo é ajustada pela pressão do gás e pelo tamanho e peso do projétil disparado.

No Brasil, quem controla a fabricação e venda da airsoft é o Exército, que só permite como projéteis, pequenas bolas de borracha, que não podem ultrapassar 6 milímetros de diâmetro. Por e-mail, o Centro de Comunicação Social do Exército explicou que as empresas que se dedicam ao comércio das armas de pressão e à prática de esportes como airsoft e paintball necessitam possuir um Certificado de Registro. O Exército não tem, porém, a incumbência de controlar quem pratica airsoft nos estandes de tiro. Exige apenas que os compradores de armas de pressão tenham mais de 18 anos e que os atiradores esportivos que participam de competições oficiais com armas de pressão se registrem no próprio Exército. Ou seja, os estandes de tiro que usam as armas de maior pressão limitam seu uso para maiores de idade por uma decisão interna, já que elas são mais potentes e podem causar danos maiores.

A prática da airsoft também não é controlada pela Confederação Brasileira de Tiro Esportivo. Por e-mail, a entidade afirmou que a airsoft “é uma modalidade de tiro que não está englobada no escopo de disciplinas sob organização da confederação”. Disse ainda que “reconhece o crescimento do jogo de airsoft no Brasil e estimula a prática do tiro esportivo em todas as suas modalidades”.

Para o promotor Jorge Furquim, do Grupo de Atuação Especializada e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro, airsoft é praticada no país graças a um vácuo legislativo. “Não existe lei que impeça a criança de brincar com isso porque esse tipo de brinquedo nem deveria estar circulando no Brasil”, afirmou. Furquim se refere ao conflito entre o Estatuto do Desarmamento – que proíbe a produção e venda de simulacros de armas – e a portaria do Exército, que classifica como simulacro um objeto que visualmente pode ser confundido com uma arma de fogo, mas que não realiza tiro de qualquer natureza, o que deixa as armas de airsoft fora dessa classificação. Para o promotor, a portaria “distorce” a lei e não deveria caber ao Exército impor regras sobre esse tipo de armamento.

O procurador adjunto dos Direitos do Cidadão e integrante do Grupo de Trabalho sobre Direitos da Infância, Domingos da Silveira, cita uma ação civil pública que o Ministério Público Federal abriu contra o Exército por um evento chamado Cidade Verde Oliva, realizado em Curitiba. Nele, crianças podiam passear em blindados e praticar tiros com armas de airsoft. O MPF entrou com a ação alegando que a prática ia contra o Artigo 17 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que garante a “inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente”. O Tribunal Regional Federal e o Superior Tribunal de Justiça concordaram com o Ministério Público e o evento deixou de ser realizado. O procurador Silveira acredita que a lógica por trás dos estandes de airsoft é a mesma daquele evento. “A tese apresentada nesse caso cabe aos estandes de tiro, porque estão em jogo a proteção ao direito e o respeito à integridade psíquica das crianças. Uma criança manusear uma arma atenta contra sua integridade psíquica, é uma espécie de apologia à guerra”, afirmou.

Se as armas de airsoft não são simulacros, tampouco são brinquedos. Quem afirma isso é o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), Synésio Batista da Costa. “Há mais de 20 anos, teve um dia em que nós quebramos e destruímos todos os moldes e eliminamos qualquer brinquedo que pareça ou que possa parecer uma arma. Não queremos ser indutores de a criança gostar de arma ou não. Nossas pedagogas e psicólogas nos convenceram, e nós concordamos. Hoje, criança tem de ficar longe de arma.”

Mas, se são usadas em brincadeiras de crianças, como lidar? Especialistas ouvidos afirmam que, se por um lado colocar a criança em um ambiente onde a única forma de diversão envolve usar uma arma não é bom, também não é recomendável proibir completamente esse tipo de diversão. É o que explica Cristina Laclette Porto, pesquisadora e especialista em educação infantil do Centro Internacional de Estudos e Pesquisas Sobre a Criança da PUC- Rio. “Não querer que as crianças brinquem com isso é complicado, porque é a forma de elas elaborarem os temas que as cercam. Se você disser que não pode brincar com isso, não vai nem poder fazer uma mediação para entender o que as crianças estão fazendo durante essa brincadeira. E elas vão tentar falar disso entre si, sem nenhuma mediação de adulto. Ou seja, vão encontrar um jeito.”

É fundamental, acredita a pesquisadora, que os pais ajudem a criança a entender que existe um momento e um lugar para brincar. Ela defende que o fato de praticar airsoft não determina se a criança crescerá para se tornar um adulto violento: “Não é brincando de arma que a criança vai se tornar violenta. Muitas vezes é o contrário, porque ela vai exercitar isso simbolicamente e entender as limitações”.

A psicóloga Iolete Ribeiro, integrante do Conselho Federal de Psicologia, concorda que a prática de airsoft, por si só, não vai determinar que uma criança se torne um adulto mais ou menos violento, mas questiona qual mensagem é passada quando se apresenta esse tipo de esporte como “diversão”. “É uma situação que pega algo da vida real. A gente vive em um país muito violento, com índice de homicídios alarmante – e transformar esse tipo de situação em diversão é preocupante no sentido de que não podemos naturalizar o uso de armas como sendo algo do cotidiano, muito menos como algo divertido”, afirmou.

Quando seu filho mais velho, Murilo, de 14 anos, pediu que a família fosse toda junta para um estande de airsoft, a empresária Camila Rover, de 37 anos, achou por bem preparar seu filho mais novo, Bernardo, de 8 anos. O medo não era relativo ao jogo em si, mas, sim, à possibilidade de o menino esbarrar com uma arma de verdade na casa de algum amigo e achar que poderia brincar.

“Essa foi uma conversa que tive com meu filho mais velho antes mesmo de conhecer o airsoft e que tive com o Bernardo antes de irmos jogar. Deixei claro que aquilo era uma brincadeira restrita àquele lugar e que, se encontrasse fora dali qualquer arma que ele não soubesse distinguir se era de verdade ou de mentira, ele não deveria mexer. Sempre foi uma preocupação minha, porque eles brincam nas casas dos amiguinhos, e a gente não sabe se algum pai pode ter uma arma em casa.”

A fisioterapeuta carioca Cristiana Chavantes, de 38 anos, vê a airsoft como um esporte e pratica ao lado de seu filho, Gabriel, de 10 anos. Lembra que recebeu críticas da própria família quando começaram a jogar airsoft, mas que isso logo foi superado e que o próprio menino já explicou ao avô que tiro é um esporte olímpico. “Meu pai achava que ele era muito novo e que poderia se encaminhar para um caminho de violência. Mas mostrei a ele que meu filho não vê a arma como uma ferramenta de violência, mas, sim, como uma ferramenta de esporte, e que sempre a utiliza com algum responsável ao lado”, afirmou.

O presidente do Instituto Sou da Paz, Ivan Contente Marques, concorda que o problema não está na arma de pressão, e sim na forma como ela será usada, principalmente para resolução de problemas. Mas teme o crescimento de uma “cultura das armas”, em que a violência física ou o uso de armas sejam vistos como solução. Para Marques, o incentivo ao esporte de tiro prático e olímpico é algo inquestionavelmente válido, mas a prática desses esportes por uma criança deve acontecer em conjunto a uma série de medidas para garantir que ela não vincule a arma à violência.

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GESTÃO E CAREIRA

A PRESENÇA É TÃO VITAL QUANTO O CARISMA

Em vez de cativar os outros, primeiro convença a si mesmo.

A presença é tão vital quanto o carisma

Reza o senso comum que carisma é componente fundamental para um grande líder, aquele capaz de cativá-lo com um olhar confiante ou palavras ditas de maneira firme e autêntica.

Amy Cuddy, professora de psicologia em Harvard, porém, defende em seu novo livro a tese de que, além de carisma, um profissional bem-sucedido deve ter também “presença” (não por acaso, o livro se chama Presence), isto é, a capacidade de estar conectado com a equipe e demonstrar seu pleno potencial, seja numa palestra ou numa conversa com superiores ou subordinados. Segundo a autora, essa capacidade seria até mais fácil de desenvolver do que o carisma (traço mais inato da pessoa). Enquanto o carisma funciona como forma de se impor às pessoas com seu talento diferenciado, a presença objetivaria primordialmente estabelecer relacionamentos.

Amy resume a fórmula: trata-se menos de como as pessoas enxergam você e mais como você próprio se enxerga. Para obter essa “presença”, devemos adotar a postura corporal dos líderes, que nos torna mais confiantes (o que pode ser praticado reservadamente, por exemplo, antes de uma entrevista de emprego), e desenvolver a autoafirmação, escrevendo quais são nossos valores e por que são fundamentais para nós. Essas duas práticas, garante a autora, nos ajudam bastante em situações desafiadoras. Dessa forma, em vez de nos esforçarmos para convencer os outros (meta central do carisma), o truque é convencer a nós mesmos sobre nossos objetivos.

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 26: 6 – 13

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Cristo Ungido em Betânia

Nessa passagem da história, temos:

I – O gesto singular de gentileza de uma boa mulher ao ungir a cabeça de Jesus (vv. 6,7). Foi em Betânia, uma aldeia perto de Jerusalém, e na casa de Simão, o leproso. É provável que Simão tenha sido um dos que foram miraculosamente limpos de lepra pelo Senhor Jesus, e ele expressaria a sua gratidão a Cristo, hospedando-o. Jesus não desprezou a oportunidade de conversar com ele, entrar em sua casa, e cear com ele. Embora ele tenha sido limpo, ainda era chamado de Simão, o leproso. Aqueles que são culpados de pecados escandalosos, descobrirão que, embora o pecado seja perdoado, a reprovação se apegará a eles, e dificilmente será retirada. Acredita-se que a mulher que fez isso tenha sido Maria a irmã de Marta e Lázaro. Ela tinha um vaso de alabastro, com unguento de grande valor, o qual derramou sobre a cabeça de Cristo quando Ele se sentou para a refeição. Isso, entre nós, seria um tipo estranho de cumprimento. Mas foi então considerado o mais elevado ato de respeito; porque o odor era muito agradável, e o próprio unguento era muito refrescante para a cabeça. Davi teve a sua cabeça ungida (Salmos 23.5; Lucas 7.46). Então, isso pode ser visto:

1. Como um ato de fé em nosso Senhor Jesus, o Cristo, o Messias, o Ungido. Para mostrar que ela cria nele como o ungido de Deus, a quem Deus Pai havia estabelecido como Rei. Ela o ungiu, e fez dele o seu rei. Eles “constituirão sobre si uma única cabeça” (Oseias 1.11). Isto é “beijar o Filho”.

2. Como um ato de amor e respeito por Ele. Alguns pensam que foi ela que amou muito a princípio, e que lavou os pés de Cristo com suas lágrimas (Lucas 7.38,47); e que ela não havia deixado o seu primeiro amor, mas que estava então tão apegada às devoções de uma cristã adulta quanto estava nos dias de uma iniciante jovem. Note que onde há o verdadeiro amor a Jesus Cristo no coração, nada será considerado bom demais, nem bom o suficiente, para ser oferecido ao Senhor.

II – A ofensa que os discípulos viram nessa ação. Eles se indignaram (vv. 8,9), ficaram aborrecidos ao verem esse unguento gasto dessa maneira, o qual eles pensavam que poderia ter sido melhor empregado.

1. Veja como eles expressaram a sua indignação por isso. Eles disseram: “Por que este desperdício?” Isto indica:

(1)  Falta de carinho por essa boa mulher, ao interpretarem a sua grande bondade (supondo que fosse assim) como sendo um desperdício. A caridade nos ensina a colocarmos a melhor construção em todas as coisas que ela sustentará, especialmente nas palavras e ações daqueles que são “zelosos em fazer o bem”, embora possamos achá-los não tão completamente discretos quanto poderiam ser. É verdade, pode haver um exagero em se fazer o bem; mas nisso devemos aprender a ser cautelosos, para que não cheguemos aos extremos, sendo críticos dos outros; porque aquilo que podemos considerar como uma falta de prudência pode ser aceito por Deus como um exemplo de amor abundante. Não devemos dizer: Estes fazem demais pela religião, fazendo mais do que nós. Antes, devemos procurar fazer tanto quanto eles.

(2)  Falta de respeito pelo seu Mestre. O melhor que podemos entender disso é que eles sabiam que o seu Mestre estava perfeitamente indiferente a todos os prazeres dos sentidos. Aquele que tanto se afligiu pela “quebra de José”, não se importou de ser ungido com o “mais excelente óleo” (Amos 6.6). Portanto, eles pensavam que tais prazeres não surtiam qualquer efeito naquele que sentia tão pouco prazer neles. Mas, fazendo tal suposição, não lhes cabia chamar isso de desperdício, quando perceberam que o Senhor admitiu e aceitou a ação como um sinal de amor de uma pessoa amiga. Devemos prestar atenção para não considerarmos desperdício qualquer coisa que seja dada ao Senhor Jesus, seja pelos outros ou por nós mesmos. Não devemos considerar desperdício o tempo que é gasto no serviço a Cristo, ou o dinheiro gasto em qualquer obra de piedade; pois, embora esses recursos pareçam ser lançados sobre as águas, ou lançados sobre um rio, “depois de muitos dias, o acharás” (Eclesiastes 11.1).

2. Veja como eles justificaram a sua indignação pela ação, e por qual pretexto eles o fizeram: “Este unguento podia vender-se por grande preço e dar-se o dinheiro aos pobres”. Não é uma coisa nova que sentimentos ruins sejam ocultados sob uma capa enganadora; que as pessoas se esquecem de obras de piedade sob a aparência de obras de caridade.

III – A reprovação que Cristo aplicou aos seus discípulos por se indignarem contra essa boa mulher (vv. 10,11): “Por que afligis esta mulher?” É um grande mal as pessoas boas terem as suas boas obras censuradas e criticadas; e é algo que aborrece muito a Jesus Cristo. Ele aqui defendeu a mulher – bondosa, honesta, zelosa e de boas intenções – contra todos os seus discípulos, embora eles parecessem ter muita razão a favor de si mesmos; é assim que o Senhor vigorosamente advoga a causa dos pequeninos ofendidos (cap. 18.10).

Observe a sua razão: “sempre tendes convosco os pobres”. Considere:

1. Há algumas oportunidades de fazer e obter o bem de uma forma constante, e devemos estar sempre atentos a elas. As Bíblias, sempre temos conosco, os dias de adoração ao Senhor, sempre temos conosco, e também os pobres, sempre temos conosco. Note que aqueles que têm um coração inclinado a fazer o bem, nunca precisam reclamar da falta de oportunidades. Nunca deixará de haver pobres na terra de Israel (Deuteronômio 15.11). Não podemos deixar de enxergar, neste mundo, alguns que precisam da nossa assistência caridosa, que são objetos do cuidado de Deus, alguns membros pobres de Cristo. O bem que fazemos a esses é considerado, pelo Senhor, como se fosse feito a Ele mesmo.

2. Há outras oportunidades de fazer e obter o bem, mas que ocorrem raramente; elas são poucas e incertas, requerem um cuidado mais peculiar no seu progresso, e devem ter a preferência antes de outras: “‘A mim não me haveis de ter sempre’, portanto aproveitai a minha presença enquanto a tendes”. Note que:

(1) A presença física constante de Cristo não deveria ser esperada aqui neste mundo. Convinha que Ele partisse. A sua presença real na Ceia é um conceito crédulo e sem fundamento, e contradiz o que Ele disse aqui: ”A mim não me haveis de ter sempre”.

(2) Às vezes, as obras especiais de piedade e devoção devem tomar o lugar de obras de caridade comuns. Os pobres não devem roubar o lugar de Cristo; devemos fazer o bem a todos, mas especialmente aos irmãos na fé.

IV – A aprovação e o elogio ao ato de bondade dessa boa mulher. Quanto mais os seus servos e suas obras são criticados pelos homens, mais o Senhor manifesta a sua aceitação deles. Ele chama isto de “boa ação” (v. 10), e faz mais elogios a isso do que se poderia imaginar. De modo particular:

1. Que o significado da ação era místico (v. 12): “Fê-lo preparando-me para o meu sepultamento”.

(1) Alguns acham que ela teve essa intenção, e que a mulher entendeu melhor as frequentes predições de Cristo sobre a sua morte e sofrimentos do que os apóstolos; por essa razão, ela foi recompensada com a honra de ser a primeira testemunha da sua ressurreição.

(2) De qualquer modo, Cristo interpretou dessa maneira; e Ele está sempre disposto a fazer o melhor, a entender da melhor maneira as palavras e ações bem-intencionadas das pessoas. Isto foi equivalente ao embalsamamento de seu corpo. Porque não seria possível fazer isso depois da sua morte, devido à sua ressurreição; portanto, foi feito antes. Era adequado que isso fosse feito em algum momento, para mostrar que Ele ainda era o Messias, mesmo quando parecia ter sido vencido pela morte. Os discípulos acharam que o unguento que foi derramado sobre a sua cabeça foi desperdiçado. “Mas,” disse Ele “se uma quantidade dessas de unguento fosse derramada sobre um corpo morto, de acordo com o costume da sua terra, vocês não ficariam indignados, nem o considerariam um desperdício. Mas, na verdade, tudo se passa da seguinte forma: é como se o corpo que ela está ungindo estivesse morto, e a sua bondade é muito oportuna para esse propósito; portanto, em vez de considerarem a sua atitude um desperdício, ela é digna de elogios”.

2. Que a memória desse ato seria honrada (v. 13): “Será referido o que ela fez para memória sua”. Este ato de fé e amor foi tão extraordinário, que os pregadores do Cristo crucificado e os escritores inspirados da história de sua paixão não tiveram escolha senão observar essa passagem, proclamar o seu relato, e perpetuar a sua memória. E uma vez que este fato foi registrado, foi gravado como com uma pena de ferro e chumbo na rocha para sempre, e não poderá ser esquecido. Nenhuma de todas as trombetas da fama soa tão alto e por tanto tempo quanto o Evangelho eterno. Considere:

(1) A história da morte de Cristo, embora seja trágica, é o Evangelho, as Boas Novas, porque Ele morreu por nós.

(2) O Evangelho seria pregado “em todo o mundo”; não somente na Judéia, mas em todas as nações, para toda criatura. Que os discípulos observem isso, para seu encorajamento, para que o seu som chegue até às extremidades da terra.

(3) Embora o Evangelho expresse principalmente a honra de Cristo, a honra de seus santos e de seus servos não está totalmente esquecida. A memória dessa mulher deveria ser preservada, não através da dedicação de uma igreja a ela, ou da celebração de uma festa anual em sua honra, ou da preservação de um pedaço de seu vaso que­ brado como uma relíquia sagrada; mas mencionando-se a sua fé e piedade na pregação do Evangelho, para que isso servisse como exemplo aos outros (Hebreus 6.12). Assim, a honra é revertida ao próprio Cristo, que, tanto neste mundo como no próximo, será glorificado em seus santos, e admirado em todo aquele que crê.