PSICOLOGIA ANALÍTICA

DEPRESSÃO INFANTIL

O fato de as crianças não possuírem competência emocional para nomear o que sentem de forma clara, faz com que a expressão de suas verdadeiras emoções se torne mais confusa.

Depressão infantil

A depressão infantil é cada vez mais uma realidade. Trata-se de um adoecimento carregado de enorme prejuízo para o desenvolvimento emocional das crianças e adolescentes. Observa­ se que os sinais da depressão infantil se apresentam de formas variáveis sendo, portanto, de difícil diagnóstico. A problemática da sintomatologia da depressão na criança se difere da depressão no adulto, embora se esteja falando, nas duas situações, de sofrimento emocional, de algo que estreita o campo vivencial do indivíduo, causando uma obstrução na continuidade de ser.

As crianças, por serem providas de um aparelho psíquico em desenvolvimento, não possuem competência emocional para nomear, de forma clara, o que sentem tornando-se mais confusa a expressão de suas verdadeiras emoções. Na depressão infantil, os sintomas podem ser notados através da observação de comportamentos, tais como, por exemplo, uma criança muito quieta, o que pode ser reconhecido pelos pais como bom comportamento; ou irritabilidade excessiva; choros frequentes; medo; distúrbios do sono; baixa autoestima; enurese; baixo rendimento escolar, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade; isolamento social; e o sinal de alerta pode se ampliar se quaisquer desses sintomas levarem à apatia e à perda do interesse pelo brincar. É no brincar que a criança entra em contato com seus sentimentos e pode ressignificar suas vivências.

Embora Freud não tenha nos deixado sistematicamente um estudo sobre a depressão e não tendo elaborado um estudo metapsicológico sobre o tema, verifica-se que ao longo de sua obra se encontram elementos-chave indispensáveis a respeito dos fenômenos depressivos. Freud, em seu artigo intitulado Luto e Melancolia (1917), faz uma distinção do que seria o luto, um estado normal diante de perdas significativas, nesse caso reais ou simbólicas, e a melancolia, considerada por possuir disposição patológica.

“Além disso, as causas excitantes devidas às influências ambientais são, na medida em que podemos discerni­las, as mesmas para ambas as condições. O luto, de um modo geral, é a reação à perda de um ente querido, à perda de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade ou o ideal de alguém, e assim por diante. Em algumas pessoas as mesmas influências produzem melancolia em vez de luto; por conseguinte, suspeitamos de que essas pessoas possuem uma disposição patológica. Também vale a pena notar que, embora o luto envolva graves afastamentos daquilo que constitui a atitude normal para com a vida, jamais nos ocorre considerá-lo como sendo um a condição patológica e submetê-lo a tratamento médico. Confiamos em que seja superado após certo lapso de tempo, e julgamos inútil ou mesmo prejudicial qualquer interferência em relação a ele” (Freud, S. Luto e Melancolia, p. 249).

APROFUNDAMENTO

Freud não analisou crianças, mas toda sua conceituação permite observar a distinção entre a infância e o infantil, pontuada em toda sua obra. Se a infância se refere ao um dado tempo da realidade histórica, o infantil é atemporal e está remetido a conceitos da Psicanálise como pulsão, recalque e inconsciente.

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OUTROS OLHARES

PAGAMENTO SEM CONTATO

Um mercado em transformação para gerar mais conveniência e segurança.

Pagamento sem contato

O mercado de meios de: pagamento está aquecido e promete uma série de transformações nos próximos anos, impulsionado pelos dispositivos conectados que devem chegar, segundo o Gartner, a 20 bilhões até 2020. Neste cenário de oportunidades as tecnologias sem contato (contactless) devem crescer para oferecer mais conveniência, segurança e agilidade nas transações.

Atualmente, encontramos cartões com NFC (Near Field Communication), tecnologia que permite a troca de informações entre dispositivos sem a necessidade de cabos ou fios, apenas com a aproximação física, o que torna a compra muito mais rápida, além de acabar com as filas nos pontos de venda.

A gigante Apple lançou essa semana no Brasil seu serviço de pagamento, o Apple Pay. 0 País é o primeiro na América Latina e o 21° no mundo a receber a funcionalidade lançada há três anos nos Estados Unidos. Com o Apple Pay, o consumidor pode realizar pagamentos no varejo físico usando o celular ou o Apple Watch no lugar do cartão. Pode-se também, pagar compras em lojas e aplicativos, nos moldes de carteiras virtuais como PayPal e PagSeguro.

SOLUÇÕES

Com o aumento dos terminais sem contato, dispositivos móveis e roupas inteligentes poderão ser utilizados cada vez mais, como meios de pagamento, o que certamente provocará uma revolução no vareio, que precisa se adaptar a essa nova forma de se relacionar com o cliente final.

Hoje, algumas redes que trabalham com o modelo de venda direta já realizam parcerias com as empresas de pagamento. Para os lojistas de pequeno e médio porte, as fintechs estão fornecendo soluções independentes e mais econômicas para simplificar e integrar processos de ponta a ponta.  Nos Estados Unidos, a expectativa de algumas consultorias é de que mais da metade das empresas aceitarão meios de pagamento sem contato até o final deste ano.

Outro setor que tende a se beneficiar com as soluções contactless é o transporte público. A Visa, por exemplo, pretende lançar no Brasil, ainda este ano, o sistema que permite pagar as passagens com cartão de crédito, débito e até com celular. Conhecida como Mass Transport Transaction (MTT), a tecnologia consiste em colocar chips nos leitores de bilhetes de ônibus, metrôs e trens para que os cartões Visa também sejam aceitos. A leitura dos dados é realizada simplesmente com a aproximação. Em operação no metrô de Londres desde 2014, o pagamento sem contato já superou a utilização do cartão de transporte local, segundo a empresa.

TECNOLOGIA

A Mastercard também oferece este tipo de tecnologia implementada, no final do ano passado, em frotas inteiras de Jundiai (SP), considerada a primeira cidade a oferecer esse meio de pagamento em todos os ônibus da cidade. A parceria permite que os usuários dos transportes públicos utilizem os cartões Mastercard sem contato e carteiras digitais de celulares para pagarem suas passagens diariamente nas catracas.

A transformação digital tão presente nesta área de meios de pagamentos coloca o setor num momento privilegiado, em que soluções contactless tendem a ocupar um espaço de destaque, além de incentivar o surgimento de novas tecnologias para complementar este ecossistema dinâmico de inovação. As transações digitais vieram para ficar e impulsionar as relações de compra e venda de uma forma mais amigável e transparente.

GESTÃO E CARREIRA

POSTURA DE VENCEDOR

No universo corporativo o medo pode significar a diferença entre alcançar o sucesso ou se perder na multidão de colaboradores. Comportamento que se alia à auto cobrança e baixa autoestima.

Postura de vencedor

Uma das fobias sociais mais conhecidas é o medo de falar em público. Ocorre que quem evita falar para grupos (grandes ou pequenos) de pessoas perde oportunidades de crescimento na instituição por não colocar suas ideias e projetos para a apreciação de seus pares ou gestores.

A pessoa introvertida, que prefere se afastar do convívio social e das relações com grupos, geralmente possui uma auto cobrança exagerada aliada à baixa autoestima. Como isso funciona: o indivíduo deseja acertar, mas teme a frustração por não se julgar competente o bastante.

O resultado disso, de forma geral, é a possibilidade de essa pessoa apresentar uma voz que transmite insegurança. No entanto, o que a maioria das pessoas não sabe é que alguns ajustes posturais, por exemplo, podem ajudar bastante na aquisição de uma autoconfiança e, como consequência, melhor desenvoltura não somente na voz, mas, além disso, em toda configuração da linguagem não verbal.

Pesquisa feita por psicólogos comportamentalistas alemães sobre o perfil da marcha (modo de andar) de pessoas com tendência à depressão revelou um aspecto curioso relativo à postura ao se locomover. Da mesma forma que a psicóloga de Harvard Amy Cuddy provou, em 2011, que a alteração da linguagem corporal modifica a produção hormonal. E o mais recente estudo diz que a maneira como se anda (consciente ou não) interfere diretamente na formação do humor e estado de ânimo da pessoa.

Esse estudo relevante aponta que o estado de humor afeta o modo de andar de uma pessoa e o contrário, como já foi provado, também é verdade. Michalak J., no artigo “Embodiment of sadness and depression: gait patterns associated with dysphoric mood”, apresenta a diferença no modo de andar de pessoas depressivas em comparação aos que não apresentam tal estado de humor: movimento dos braços, oscilação do corpo, movimentos verticais, postura e velocidade.

A fórmula mais simples é fazer, conforme a pesquisa de Amy Cuddy, as posturas de poder por apenas dois minutos sempre que se estiver diante de um possível desafio, como falar em público. Basta se colocar nas seguintes posturas por dois minutos: a pose do Super-Homem ou Mulher- Maravilha com as mãos na cintura; postura do general com as mãos atrás do corpo; e as mãos no alto, entrelaçadas, se encontrando atrás da cabeça. Da mesma forma que a alteração da marcha, essas posturas irão influenciar diretamente em uma rápida mudança no perfil de produção hormonal, gerando mais autoconfiança.

A diferença é percebível, pois os depressivos apresentam menor movimento na oscilação dos braços, maior amplitude na oscilação do corpo, menor amplitude nos movimentos verticais, postura mais inclinada e menor velocidade ao andar. Em um segundo estudo, ainda dentro desse artigo, os pesquisadores induziram estados de tristeza e felicidade e não encontraram alterações significativas na marcha dos voluntários. A alteração do humor foi induzida por meio da audição de peças de músicas tristes e alegres; de­ pois, ao sujeito foi solicitado que caminhasse por um tapete vermelho para a análise da marcha.

Esse estudo revela que pode ser possível, com uma técnica mais apurada, um diagnóstico do estado emocional ou sintomático de uma pessoa na observação do seu modo de caminhar, já que tristeza (estado de humor) e depressão (doença) apresentaram no estudo perfis diferentes na análise dos elementos que compõem a marcha do andar.

Sabemos que uma pessoa que não consegue se expressar de forma eloquente pode ser tímida, e isso é percebido na maneira como se desloca caminhando. Caso ela mude, consciente e forçosamente, sua maneira de caminhar poderá influenciar na alteração da produção endócrina e, com isso, alterar seu estado de humor e ânimo. O resultado disso é uma melhora na desenvoltura social graças a uma alteração da disposição interna.

Bastam apenas dois minutos de preparação com as posturas e um pouco de atenção na forma de caminhar. O resultado pode ser notado imediatamente, e com certeza as interações sociais irão se tornar mais agradáveis no dia a dia. Atualmente, técnicas como essas são utilizadas por atores, políticos, advogados e até mesmo executivos de grandes empresas. Psicólogos estão começando a se especializar em uma nova tendência que surge derivada da análise comportamental em conjunto com a auto hipnose.

A visualização criativa, por exemplo, prática de imaginar uma tarefa futura como realizada com êxito, já era usada na antiga União Soviética pelos atletas de elite, e a própria Nádia Comaneci, ginasta romena das barras assimétricas, responsável pela implantação de mais um dígito no placar de notas (antes dela a maior nota alcançada era 9), jamais escondeu a utilização dessa técnica durante os treinos que antecederam as provas olímpicas de que participou.

Assim, investir um tempo do seu dia em práticas posturais pode ajudar bastante no desenvolvimento pessoal e profissional, da mesma forma que manter um pensamento voltado para a prospecção de eventos futuros realizados com sucesso: se imaginar sendo bem-sucedido nas tarefas cotidianas e em seus planos.

 

JOÃO OLIVEIRA – é doutor em Saúde Pública, psicólogo e diretor de Cursos do Instituto de Psicologia Ser e Crescer (www.isec.pscbr). Entre seus livros estão: Relacionamento em Crise; Perceba Quando os Problemas Começam, Tenha as Soluções; Jogos para Gestão de Pessoas; Maratona para o Desenvolvimento Organizacional; Mente Humana; Entenda Melhor a Psicologia da Vida; e Saiba Quem Está à sua Frente Análise Comportamental pelas Expressões Faciais e Corporais.

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 25: 14-30 – PARTE I

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A Parábola dos Talentos

Nesse trecho, temos a parábola dos “talentos” que foram entregues a três servos. Isto sugere que nós estamos em uma situação de trabalho e negócios, assim como a parábola anterior sugere que nós estamos em uma situação de expectativa. Aquela mostrou a necessidade de uma preparação constante, esta mostra a necessidade de verdadeira diligência no nosso trabalho e serviço atuais. Naquela, nós somos incentivados a proceder bem para as nossas próprias almas; nesta, a nos dedicarmos para a glória de Deus e o bem dos outros.

Nesta parábola:

1. O Mestre é Cristo, que é o Dono e Proprietário absoluto de todas as pessoas e coisas, e de uma maneira especial, da sua igreja; nas suas mãos, Ele tem todas as coisas.

2. Os “servos” são os cristãos, os seus próprios ser vos; assim eles são chamados; nascidos na sua casa, comprados com o seu dinheiro, dedicados ao seu louvor, e empregados em seu trabalho. É provável que isto se destine especialmente aos ministros, que são os que o auxiliam mais de perto, e são enviados por Ele. O apóstolo Paulo frequentemente dizia ser um servo de Jesus Cristo. Veja 2 Timóteo 2.24.

De maneira geral, há três pontos importantes nesta parábola:

I – O que foi confiado a esses servos. O homem “entregou-lhes os seus bens”. Tendo lhes indicado o que deviam fazer (pois Cristo não quer que os servos estejam ociosos), ele lhes deixou algo para fazer. Observe que:

1. Os servos de Cristo têm e recebem tudo dele; pois eles mesmos não têm nenhum valor, nem têm nada que possam chamar de seu, exceto o pecado.

2. O que nós recebemos de Cristo é para que trabalhemos para Ele. Os nossos privilégios têm a intenção de nos dar trabalho. A “manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil”.

3. Seja o que for que nós recebemos para usar para Cristo, ainda assim a propriedade é dele; nós somos apenas inquilinos na sua terra, “despenseiros da multiforme graça de Deus” (1 Pedro 4.10). Considere aqui:

(1)  Em que oportunidade os talentos foram confiados a estes servos. O seu mestre estava “partindo para fora da terra”, para um lugar distante. Isto está explicado em Efésios 4.8: “Subindo ao alto… deu dons aos homens”. Observe que:

[1] Quando Cristo subiu ao céu, Ele era como um homem partindo para um lugar distante; isto é, Ele partiu, com o propósito de estar ausente por muito tempo.

[2] Quando partiu, Ele se preocupou em dotar a sua igreja com todas as coisas necessárias para ela durante a sua ausência pessoal. Considerando a sua partida, Ele confiou à sua igreja verdades, leis, promessas e poder; isto era o parakatatheke – o grande depósito (como é chamado, 1 Timóteo 6.20; 2 Timóteo 1.14), “o bom depósito” que nos foi confiado; e Ele enviou o seu Espírito para capacitar os seus servos a ensinar e professar essas verdades, a colocar em vigor e observar essas leis, a aprimorar e aplicar essas promessas e a exercer e empregar esse poder, ordinária ou extraordinariamente. Assim Cristo, na sua ascensão, entregou os seus bens à sua igreja.

(2)  Em que proporção os bens foram confiados.

[1] Ele entregou “talentos”. Um talento de prata, em nossa moeda, é estimado como sendo 353 libras, onze xelins e dez centavos e meio. Observe que os dons de Cristo são ricos e valiosos. A compra que Ele fez, com o seu próprio sangue, tem um valor elevado demais; este valor é inestimável.

[2] Ele deu mais a alguns, a outros, menos. ”A um deu cinco talentos, e a outro, dois, e a outro, um, a cada um segundo a sua capacidade”. Quando a Divina Providência faz uma diferença nas habilidades dos homens, quanto à mente, corpo, situação, relações e interesses, a graça divina reparte os dons espirituais de maneira correspondente, mas ainda assim a habilidade, em si mesma, vem de Cristo. Observe, em primeiro lugar, que todos receberam pelo menos um talento, e isto não é uma quantia inicial desprezível para um pobre servo. A nossa alma é o único talento que cada um de nós recebe, e é a favor dela que devemos trabalhar.

Em segundo lugar, nem todos receberam a mesma coisa, pois não tinham as mesmas habilidades e oportunidades. Deus age livre­ mente, conforme a sua própria vontade, e reparte “particularmente a cada um como quer”; alguns são mais talhados para trabalhos de determinado tipo, outros, de outro tipo, como membros do corpo natural. Quando o dono da casa terminou de resolver essas questões, “ausentou-se logo para longe”. O nosso Senhor Jesus, quando terminou de entregar as suas instruções aos seus apóstolos, como alguém que tem pressa de partir, foi para o céu.

II – Temos aqui um relato da maneira diferente de administrar e aprimorar o que foi confiado (vv. 16-18).

1. Dois dos servos trabalharam bem.

(1)  Eles foram diligentes e leais; eles saíram “imediatamente a negociar com eles” (v. 16, versão RA. Eles utilizaram o dinheiro que lhes tinha sido confiado da maneira devida, aplicando- o em bens, e obtendo o retorno; tão logo o seu mestre tinha partido, imediatamente se aplicaram aos seus negócios. Aqueles que têm muito trabalho a fazer, como todo cristão tem, precisam iniciá-lo rapidamente, e não perder tempo. Eles saíram e negociaram. Observe que um cristão verdadeiro é um negociante espiritual. Estes negócios são chamados de mistérios, “e, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade”; é como um comércio de manufaturas; existe algo a ser feito nos nossos corações, para o bem de outros. É um comércio, uma atividade mercantil; nós abrimos mão das coisas de menor valor para nós em troca de coisas de maior valor; é um comércio de sabedoria (Provérbios 3.15; cap. 13.45). Um negociante é aquele que, tendo se decidido por este ofício, e se esforçado para aprendê-lo, se dedica ao seu negócio, direciona tudo o que tem para o sucesso do seu empreendimento, deixa todos os demais assuntos dependentes dele, e vive com o que ganha com o seu ofício. É assim que um verdadeiro cristão age no trabalho da religião; nós não temos um estoque nosso, com que negociar, mas negociamos como intermediários, com o estoque do nosso Mestre. Os dons da mente – o raciocínio, a inteligência, o estudo – devem ser usados em subserviência à religião; as alegrias terrenas – as propriedades, a credibilidade, os interesses, o poder, as preferências – devem ser aprimorados para a honra de Cristo. As ordenanças do Evangelho e as nossas oportunidades de observá-las – a Bíblia, os ministérios, os sacra­ mentos devem ser aprimoradas para a finalidade para a qual foram instituídas. A nossa comunhão com Deus deve ser mantida por meio delas, e os dons e as graças do Espírito devem ser exercidos; e isto significa negociar com os nossos talentos.

(2) Eles foram bem-sucedidos. Eles dobraram o que tinham, e em pouco tempo lucraram cem por cento. “O que recebera cinco talentos negociou com eles e granjeou outros cinco talentos”. Nem sempre somos bem-sucedidos quando negociamos os nossos talentos com os outros; no entanto, a atitude de negociar será positiva para nós mesmos (Isaias 49.4). Observe que “a mão dos diligentes enriquece” em graças, consolos, e tesouros de boas o­ bras. Existe um grande trabalho a ser feito na religião, e a este devemos dedicar muito empenho.

Observe que o lucro foi proporcional ao que os ser­ vos tinham recebido.

[1] Daqueles a quem Deus entregou cinco talentos, Ele espera o lucro de cinco, e uma colheita abundante onde Ele semeou com abundância. Quanto mais dons uma pessoa tiver, mais deverá se es­ forçar para multiplicá-los. Aqueles que têm um grande estoque para administrar precisam fazer o mesmo.

[2] Daqueles a quem Ele deu apenas dois talentos, Ele espera somente o lucro de dois, o que pode incentivar aqueles que estão situados em uma esfera de utilidade inferior e mais estreita; se eles se dispuserem a trabalhar bem, de acordo com o melhor da sua capacidade e oportunidade, eles serão aceitos, ainda que não trabalhem tão bem quanto os outros.

2. O terceiro agiu mal (v. 18): “O que recebera um foi, e cavou na terra, e escondeu o dinheiro do seu senhor”. Embora a parábola represente que apenas um, em três, não foi leal, ainda assim, em uma história que responde a esta parábola, encontramos a desproporção de maneira totalmente oposta, quando dez leprosos foram limpos, nove deles esconderam o talento, e somente um voltou para dar glória (Lucas 17.17,18). O servo infiel foi aquele que recebeu apenas um talento. Sem dúvida, há muitos que recebem cinco talentos, e enterram todos eles; são aqueles que possuem grandes capacidades, grandes pontos positivos, porém não os utilizam na obra de Deus. Mas Cristo nos indica:

(1) Que se aquele que tinha somente um talento teve de prestar contas por tê-lo enterrado, muito mais serão considerados ofensores aqueles que têm mais, que têm muitos, e os enterram. Se aquele que tinha pouca capacidade foi lançado nas trevas porque não aprimorou o que tinha, “de quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar” as suas maiores vantagens?

(2) Aqueles que têm menos a fazer para Deus, frequentemente fazem menos do que devem fazer. Alguns fazem do fato de que não têm as mesmas oportunidades de servir a Deus que outros têm uma desculpa para a sua negligência; e porque não têm os recursos para fazer o que dizem que farão, eles não fazem o que sabemos que poderiam fazer, e assim se sentam, e não fazem nada. Realmente agrava a sua negligência o fato de que quando têm apenas um talento para administrar, eles o negligenciam.

Ele “cavou na terra, e escondeu o dinheiro do seu senhor”, temendo que fosse roubado. Ele não o gastou mal, nem o empregou mal, não o usurpou, nem o dissipou, mas o escondeu. O dinheiro é como o esterco (assim costumava dizer Lord Bacon); não serve para nada quando está amontoado, mas deve ser espalhado. Há um mal que nós temos visto frequentemente sob o sol: um tesouro acumulado (Tiago 5.3; Eclesiastes 6.1,2), que não traz o bem a ninguém. E a mesma coisa acontece com os dons espirituais; muitos os têm, e não os utilizam para a finalidade para qual eles lhes foram concedidos. Aqueles que têm propriedades, e não dispõem delas nas obras de piedade e caridade; que têm poder e vantagens, e não fazem nada com eles para promover o Evangelho nos lugares onde vivem; os ministros que têm capacidade e oportunidades de trabalhar bem, mas não despertam o dom que há neles, são aqueles servos negligentes que procuram as suas próprias coisas, em lugar das de Cristo.

Ele escondeu o dinheiro do seu senhor. O dinheiro tinha sido seu, ele poderia ter feito com ele o que desejasse. Contudo, sejam quais forem as capacidades e vantagens que tenhamos, elas não são nossas, nós apenas as administramos, e devemos prestar contas ao nosso Senhor, pois este s dons são dele. Piorava a sua negligência o fato de os seus companheiros se ocupa­ rem do seu negócio e serem bem-sucedidos, e o zelo deles devia ter estimulado o dele. Os outros são ativos, e nós seremos ociosos?