PSICOLOGIA ANALÍTICA

A VANTAGEM DO OLHO NO OLHO

Está comprovado: falar pessoalmente com interlocutor dá mais resultado.

A vantagem do olho no olho

Olhos nos olhos/ Quero ver o que você diz”, cantava Chico Buarque nos anos 70 sobre a mulher abandonada pelo parceiro. Décadas depois, quem diria, a ciência revela que esse ato ultrapassa o mero “discutir a relação”: estudo conjunto das universidades de Waterloo, no Canadá, e Cornell, em Nova York, publicado no Journal of Experimental Social Psychology, recomenda o método do “olho no olho” para solicitar algo ou convencer uma pessoa, mesmo que desconhecida. Falar pessoalmente é 34 vezes mais eficiente do que enviar um e-mail com o mesmo pedido ou argumento, garantem os autores. Em um experimento, os participantes deveriam solicitar algo a dez pessoas que não conheciam, metade pessoalmente e metade por e-mail. Inicialmente, os participantes supunham que conversas pessoais não teriam grande força e superestimavam a capacidade persuasiva de e-mails. Como resultado, ocorreu o oposto: solicitar seis pessoas diretamente obteve a mesma taxa de sucesso do que enviar e-mails a 200 desconhecidos.

Além de normalmente termos certa desconfiança de mensagens escritas por desconhecidos (é um trote, uma armadilha?), este fenômeno também se explica pelo fato de que atitudes não verbais numa interação pessoal também podem ajudar na credibilidade do pedido. A postura corporal positiva ou expressão de sinceridade, por exemplo, influenciam o interlocutor. Numa época de predominância de e-mails e comunicação remota, os resultados deste estudo aconselham que as pessoas valorizem mais os contatos pessoais se desejarem obter respostas mais satisfatórias.

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OUTROS OLHARES

PRECONCEITO: A BANALIZAÇÃO DE NÓS MESMOS

Preconceito - a banalização de nós mesmos

Quando pensamos em preconceito devemos subdividi-lo, porque pensar nele é admitir que existem muitos preconceitos. Pensar nestas divisões é admitir a ideia de pré-conceito, ou seja, uma formulação antecipada, julgadora e precipitada sobre uma ideia e concepção (do latim conseptus, que se refere à construção ideal do ser ou de objetos).

Ao antecipar-se ao real, sem se aprofundar e conhecer as questões envolvidas, o preconceituoso constrói-se a partir de seu individualismo narcísico, uma solidão embrutecida, e que não busca compreender. Distorce aquilo que não reconhece como pertencente a ele, na prepotência de quem acha que possui o poder e o saber necessário para a existência.

O preconceito torna-se verbo na ação de ignorar as diferenças, de não aceitar o outro e, portanto, incapaz de olhar-se no espelho.

Ao contrário, o incompleto lhe é o bastante. O empobrecimento do preconceituoso cria raízes na mentira, na raiva e no ódio.

 SATISFAÇÃO

O preconceito não busca aprofundamentos e se satisfaz através de equívocos. Reproduz violência e cria seguidores. Exemplos desta lógica são visíveis em passagens históricas, desde a formação da família, que insiste em manter-se tradicional, nuclear. Infelizmente, identificamos outras manifestações preconceituosas e sustentadas por uma cultura do ódio: violências raciais, injustiças e ressentimentos sociais, a opressão contra a mulher, divisões políticas e classistas, censura de identidades, assassinatos ‘da’ e ‘na’ diversidade.

Permanecer preconceituoso num universo de informações, de possibilidades de estudar o assunto, romper com estruturas atravancadas de um passado que deveria ensinar e não continuar perpetuando-se naquilo que Hannah Arendt (filósofa alemã – 1906 – 1975) denominou como “banalidade do mal”. O mal e a violência são naturalizados e passam a ser comuns.

Para entendermos melhor esta diferença entre natural e comum, basta confrontar o próprio preconceito, que nos fornece uma dialética. Uma relação homoafetiva é natural, mas não é comum, dado que, a violência projetada nos gays chega ao absurdo em alguns países: de ser considerado crime, passível de condenação à morte.

DIREITOS

Uma mulher ter os mesmos direitos de um homem, desfrutar da liberdade de opiniões, escolhas, respeito à sua dignidade, ao seu desejo e ao próprio corpo, é natural, mas não é comum. Neste caso, além de não ser natural, nem um pouco comum, tanto que a violência que elas sofrem acontece pelo fato de serem mulheres. Vejamos os altos índices de feminicídio.

Banalizamos nosso desprezo ao outro através dos discursos, e geralmente, o preconceito para ter voz precisa se agrupar, encontrar outros que compartilham de seu ódio para, assim, silenciar aqueles que não seguem as normas. As mesmas normas que escravizam os mesmos preconceituosos e produzem repetições. O preconceito de ontem não é muito diferente do de hoje. O que existe atualmente são mais questionamentos, confrontações, debates e movimentos dispostos a encorajar as pessoas a sair do ostracismo. Hoje desnuda-se o que até então era arbitrário e impositivo.

Por isso que a educação se torna uma ameaça. Porque reve1a a verdadeira face da ignorância. A educação é democrática e se posiciona politicamente. Já o preconceito, se alimenta do medo e da insegurança. Por isso, não devolva violência ao agressor. Use o que talvez exista de mais acolhedor, o diálogo.

GESTÃO E CARREIRA

RELAÇÕES POSITIVAS

 Momentos podem gerar diferenças entre valores, crenças, interesses e objetivos e tornam-se conflitos quando cada indivíduo envolvido tenta impor o seu ponto de vista, sem respeitar a outra parte.

Relações positivas

Entrar em uma discussão com atitudes mentais como “eu ganho, você perde”, “eu tenho razão, você está errado” e “eu falo, você fica calado” claramente não ajuda a desenvolver relações positivas. Ao contrário, impacta na ampliação dos problemas. Quando não sabemos como enfrentar os conflitos, porque essas competências para geri-los não são ensinadas, corremos o risco de iniciar uma batalha para impor a nossa própria imagem e a ideia defendida. Isso desrespeita o interlocutor e torna a interação autoritária e destrutiva, sem que se chegue satisfatoriamente ao resultado desejado.

Para entender melhor o que o conflito representa, vamos analisar a origem da palavra: no latim, confligere é composto por “com” e “fligere”, que significa “combater, estar em desavença, golpear, atacar” – ou seja, evoca um conceito negativo de guerra, luta, disputa e agressividade. Porém, o termo também possui outro significado, bem mais positivo, de “fazer encontrar”.

Ao avaliar esse último ponto de vista, podemos considerar que é, sim, possível se aproximar positivamente de um conflito, respeitar as diferenças, as diversidades e transformar o momento em um recurso, em vez de num confronto. Assim, é possível criar uma evolução, uma mudança, a criatividade e a abertura ao novo…tudo depende das estratégias utilizadas para resolver os problemas.

Mas será que essas estratégias são construtivas e de cooperação para, assim, se chegar a uma solução compartilhada e de compromisso mútuo? Ou nos envolvemos pela raiva, pelo julgamento, egoísmo e individualismo? Como solucionar os conflitos? O primeiro passo é entender que o seu ponto de vista é diferente do outro. Cada ser humano interpreta a realidade conforme suas crenças, experiências, educação e convicção. Então, lembre-se: antes de querer ser compreendido, compreenda o outro.

A próxima etapa é avaliar os três pontos de vista: a primeira posição é referente à própria realidade, aos próprios sentimentos, valores, às crenças e como enxergar o mundo. É “como eu lido com o conflito”; a segunda posição refere-se à perspectiva da outra pessoa, a “como o outro percebe essa situ ação”; por fim, a terceira posição é a do observador, é o olhar objetivo da interação entre a primeira e a segunda posições. Nessa fase, é preciso esquecer por um momento o que você quer e olhar para a situação de forma mais distanciada, sem julgamentos, da maneira mais neutra e emotiva possível.

Após entender as três ações mencionadas acima, é necessário compreender as posturas corporais do outro. Como ele se comunica? Identificar a forma de comunicação permite uma ampla e correta avaliação da situação, para reorganizar ou corrigir os comportamentos, redirecionar ações, solucionar conflitos e chegar a um resultado desejado. Treine a forma de olhar a vida e as situações de pontos de vista diferentes, para desenvolver uma visão mais aberta e observar os problemas de perspectivas e ângulos diversos.

Quando olhamos o mundo com novos olhos, mudamos velhos julgamentos, enriquecemos o nosso cérebro com novas informações e experiências, a mente se abre e, assim, os comportamentos automáticos e repetitivos se transformam.

Na resolução de conflitos, também é fundamental desenvolver a capacidade de lidar com as emoções, tanto as próprias quanto as dos outros, de maneira apropriada, sem se deixar dominar por elas, mantendo o autocontrole e o equilíbrio. A competência emocional, a maturidade, o conhecimento das próprias emoções, a capacidade da gestão das emoções, a percepção de como e quando elas acontecem em nossa vida impactam na autoconfiança, na autoestima e na autoconsciência.

Algumas questões ajudam a fazer a autoanálise: “quando eu enfrento um conflito, o que é importante para mim?”; “quais são as minhas intenções?”; “eu ataco a outra pessoa, a sua identidade ou o problema?”; “me sinto ameaçado na minha identidade?”; “qual é a minha responsabilidade no conflito?”; “como eu me sinto, o que eu penso, o que eu falo e quais são minhas atitudes?”.

Para controlar as próprias emoções, um recurso simples e eficaz é a respiração. Na sua rotina, faça 20 respirações conectadas – ou seja, ao terminar a inspiração, expire, sem intervalos ou cortes. Respire pelo nariz, de forma mais lenta e profunda que o normal, com expansão torácica e abdominal. Fazer esse exercício de respiração uma ou duas vezes ao dia ajuda a desenvolver uma maior consciência corporal.

Para estar preparado a lidar com os conflitos, permita utilizar e colocar em prática essas atitudes, pois qualquer habilidade precisa ser treinada e repetida para se tornar natural. Tanto no trabalho como na vida, as relações interpessoais pedem, cada vez mais, a capacidade de saber compreender o que é diferente de nós: pessoas, culturas, valores, opiniões, objetivos e as visões do mundo. Nessa perspectiva, a diferença de opiniões é saudável, a diversidade e o confronto de ideias tornam-se um fator motivacional da atividade criadora, um elemento de evolução, de crescimento, em que diferentes visões de contexto e pontos de vista são valorizados, permitindo uma ampla gama de ideias e soluções.

O ponto não é evitar o conflito, fechar os olhos para a realidade, mas saber como geri-lo de forma eficaz e produtiva.

 

EDUARDO SHINYASHIKI – é mestre em Neuropsicologia, liderança educadora e especialista em desenvolvimento das competências de liderança organizacional e pessoal. Com mais de 30 anos de experiência no Brasil e na Europa, é referência em ampliar o crescimento e a auto liderança das pessoas.

http://www.edushin.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 25: 1 – 13

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A Parábola das Dez Virgens

Nesta passagem:

I – Aquilo que deve ser ilustrado é “o Reino dos céus”, o estado de coisas sob o Evangelho, o reino externo de Cristo, sua administração e o seu sucesso. Algumas das parábolas de Cristo nos mostraram como são as coisas agora, na recepção do Evangelho (cap. 13). Esta nos diz como será quando o mistério de Deus for concluído, e o reino for entregue ao Pai. A administração do governo de Cristo, com relação aos preparados e aos despreparados no grande Dia, pode ser ilustrada por essa comparação; ou ainda que o reino será estabelecido para os seus próprios súditos. Os que professam o cristianismo serão, então, semelhantes a essas dez virgens, e assim serão distinguidos.

II – Ele é ilustrado por uma solenidade de casamento. Era um costume, às vezes usado entre os judeus daquela época, que o esposo viesse, com os seus amigos, tarde da noite, à casa da esposa, onde ela o esperava, com as suas damas de honra; que, ao receber o aviso da chegada do esposo, deviam sair com lâmpadas nas mãos, para iluminar o caminho dele até a casa, com cerimônia e formalidade, para a celebração das núpcias com grande júbilo. E alguns pensam que nessas ocasiões normalmente havia “dez virgens”; pois os judeus nunca fundavam uma sinagoga, realizavam circuncisão, celebravam a páscoa ou contraíam matrimônio, a menos que houvesse dez pessoas presentes. Boaz, quando se casou com Rute, teve dez testemunhas (Rute 4.2). Nessa parábola:

1. O esposo é o nosso Senhor Jesus Cr isto; assim Ele é representado no Salmo 45, e frequentemente no Novo Testamento. Isto evidencia o seu amor singular e superlativo à sua esposa, a igreja, e o seu concerto, fiel e inviolável, com ela. Agora os crentes são casados com Cristo (Oseias 2.19), mas a solenidade das bodas é reservada para o grande Dia, quando a noiva, a esposa do Cordeiro, já estiver pronta (Apocalipse 19.7,9).

2. As virgens são aqueles que professam a religião, são os membros da igreja; mas aqui são representadas como as suas damas de companhia (Salmos 45.14), em outra passagem, como seus filhos (Isaias 54.1), como seus ornamentos (Isaias 49.18). Elas devem ser apresentadas como virgens puras a Cristo (2 Coríntios 11.2). O esposo é um rei; assim sendo, essas virgens são damas de honra, virgens sem número (Cantares 6.8), embora aqui esteja dito que são dez.

3. A função dessas virgens é ir encontrar o esposo, o que será tanto sua alegria quanto seu dever. Elas devem servir o esposo quando Ele chegar, e neste ínterim, esperar por Ele. Veja aqui a natureza do cristianismo. Como cristãos, nós professamos que:

(1)  Somos servos de Cristo, para honrá-lo, como o Esposo glorioso, para sermos para Ele um nome e um louvor, especialmente quando Ele vier para ser glorificado nos seus santos. Nós devemos segui-lo como os servos honrados fazem com seus mestres (João 12.26). Sustentar a nossa adesão ao Nome, e oferecer louvor ao Jesus exaltado; esta é a nossa função.

(2) Esperamos a Cristo, e esperamos pela sua segunda vinda. Como cristãos, nós professamos não apenas crer e buscar, mas também amar e desejar, a volta de Cristo, e agir levando-a em consideração. A segunda vinda de Cristo é o centro onde se encontram todas as linhas da nossa fé. Em direção a ela, a totalidade da vida divina tem uma referência e uma tendência constantes.

4. A principal preocupação das virgens é levar as lâmpadas nas mãos quando se unirem ao esposo, desta maneira honrando-o e servindo-o. Observe que os cristãos são filhos da luz. O Evangelho é luz, e aqueles que o recebem devem não apenas ser iluminados por ele, mas devem resplandecer como luzes, e oferecer esta luz (Filipenses 2.15,16). Isto deve ocorrer de maneira geral.

A respeito dessas dez virgens, podemos observar:

(1) As suas personalidades diferentes, bem como a prova e a evidência deste fato.

[1] “Cinco delas eram prudentes, e cinco, loucas” (v. 2). E “a sabedoria é mais excelente do que a estultícia, quanto a luz é mais excelente do que as trevas”, assim disse Salomão, um juiz competente (Eclesiastes 2.13). Observe que aqueles que têm a mesma profissão de fé e denominação entre os homens, podem, apesar disto, ter personalidades muito diferentes aos olhos de Deus. Os cristãos sinceros são as virgens prudentes, e os hipócritas são as virgens loucas, da mesma maneira como, em outra parábola, eles são representados por edificadores prudentes e loucos. Note que são verdadeiramente prudentes ou loucos os que o são nas questões das suas almas. A religião verdadeira é a sabedoria verdadeira; o pecado é loucura, mas especialmente o pecado da hipocrisia, pois os maiores loucos são os que se julgam sábios e os piores pecadores são os que fingem ser justos. Alguns observam, com base no igual número de virgens prudentes e loucas, o decoro generoso que Cristo observa, como se Ele esperasse que o número de crentes verdadeiros fosse aproximadamente igual ao dos hipócritas, ou, pelo menos, nos ensinasse a esperar o melhor, com relação aos que professam a religião, e a pensar neles com uma inclinação generosa. Porém, ao julgarmos a nós mesmos, devemos nos lembrar de que a porta é estreita, e poucos a encontram; ao julgar os outros, devemos nos lembrar de que o Capitão da nossa salvação traz muitos filhos à glória.

[2] A evidência do caráter estava naquilo a que elas deveriam prestar atenção; e é com base nisto que elas são julgadas.

Em primeiro lugar, estavam as loucas, que “tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo” (v. 3). Elas tinham apenas azeite suficiente para que as suas lâmpadas ardessem no presente, para as aparências, como se ti­ vessem a intenção de encontrar o esposo; mas não tinham consigo nenhuma vasilha ou garrafa de azeite para utilizar, caso o esposo demorasse. Essas hipócritas:

1. Não têm princípios. Elas têm uma lâmpada de profissão de fé nas mãos, mas não têm, nos seus corações, aquele estoque de conhecimento sólido, disposições enraizadas e resoluções firmes, que são necessárias para conduzi-las em meio aos serviços e às provações da condição atual. Elas agem sob a influência de estímulos externos, mas não têm vida espiritual; como um comerciante que se estabelece sem um estoque, ou como a semente no solo rochoso, à qual falta a raiz.

1. Elas não têm a perspectiva do que há de vir, nem fazem provisões para isso. Elas traziam as lâmpadas para uma exibição no presente, mas não tinham azeite para uso futuro. Esta negligência é a ruína de muitos que professam a fé; eles só se preocupam em se mostrar elogiosos àqueles que estão à sua volta, com quem conversam hoje, e não em se tornar aprovados por Cristo, diante de quem deverão comparecer; como se algumas de suas atitudes fossem suficientes, desde que se mostrassem suficientes para o tempo presente. Diga-lhes das coisas que ainda não são vistas, e você será como Ló aos seus genros, considerado um zombador: Elas não fazem provisão para o futuro, como faz a formiga, nem lançam um “fundamento para o futuro” (1 Timóteo 6.19).

Em segundo lugar, estavam as prudentes, que “levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas” (v. 4). Elas tinham um bom princípio, que conservaria a sua profissão de fé.

2. O coração é a vasilha, com que devemos alimentar a nossa sabedoria; pois, de um bom tesouro, boas coisas devem ser tiradas; mas se a raiz estiver podre, a flor será pó.

3. A graça é o azeite que nós devemos ter nessa vasilha. No Tabernáculo, havia uma constante provisão do azeite para a luminária (Êxodo 35.14). A nossa luz deve brilhar diante dos homens em forma de boas obras, mas isto não pode acontecer, nem irá durar, a me­ nos que exista um princípio ativo fixo no coração, de fé em Cristo, e de amor a Deus e aos nossos irmãos. E com base neste princípio, nós devemos agir em tudo o que fazemos na religião, visando o que está à nossa frente. Aquelas que levavam azeite em suas vasilhas, o fizeram supondo que talvez o esposo pudesse se atrasar. Observe que ao esperar por alguma coisa, é bom preparar-se para o pior, armazenar para um longo cerco. Mas lembre-se de que este azeite que mantém as lâmpadas ardendo é obtido do castiçal de Jesus Cristo, a grande e boa Oliveira, através dos “canudos de ouro” dos rituais, como foi representado naquela visão (Zacarias 4.2,3,12), que está explicada em João 1.16: “Todos nós recebemos também da sua plenitude, com graça sobre graça”.

(2) A falha de todas, durante o atraso do esposo: “Tosquenejaram todas e adormeceram” (v. 5). Aqui, observe:

[1] O esposo se atrasou, isto é, ele não veio tão cedo como elas esperavam. Aquilo que nós esperamos como algo certo, nos inclinamos a pensar que será muito próximo; muitos, na época dos apóstolos, imaginaram que era chegado o Dia do Senhor, mas não foi assim. Quanto a nós, Cristo parece se atrasar, mas na verdade Ele “não tardará” (Habacuque 2.3). Existe uma boa razão para o atraso do Esposo; há muitas deliberações e propostas intermediárias a serem cumpridas, todos os eleitos devem ser convocados, a paciência de Deus deve se manifestar, e a paciência dos santos deve ser posta à prova, a colheita da terra deve ser feita, e também deve ser feita a colheita do céu. Mas ainda que Cristo se atrase em relação à nossa forma de considerar o tempo, Ele não se atrasará de fato, e virá no devido tempo.

[2] Enquanto ele demorava, aquelas que esperavam por ele se descuidaram, e se esqueceram do que estavam esperando. Todas elas cochilaram e dormiram, como se tivessem desistido de esperar por ele. “Quando, porém, vier o Filho do Homem, porventura, achará fé na terra?” (Lucas 18.8). Houve alguns que deduziram que se tratava de uma vinda súbita, por ser um fato que ocorreria com toda certeza. Assim, quando as suas expectativas não se concretizaram, passaram a questionar a veracidade da promessa de sua vinda. As virgens prudentes cochilaram, e as loucas adormeceram; assim alguns as distinguem; no entanto, todas elas falharam. As virgens prudentes deixaram as suas lâmpadas ardendo, mas não ficaram acordadas. Observe que muitos bons cristãos, quando já têm muito tempo de fé, tornam-se negligentes quanto aos seus preparativos para a segunda vinda de Cristo. Eles interrompem as suas preocupações, diminuem o seu zelo, as suas graças não são mais tão vivas, nem as suas obras são perfeitas aos olhos de Deus. E embora não percam todo o amor que sentem pelo Senhor, perdem o primeiro amor. Se foi difícil para os discípulos vigiar com Cristo durante uma hora, seria muito mais difícil vigiar com Ele durante a vida toda. “Eu dormia,”, diz a esposa, “mas o meu coração velava”. Observe que, em primeiro lugar, elas cochilaram, e depois adormeceram. Note que um passo descuidado e negligente abre caminho para outro. Aqueles que se permitem cochilar, dificilmente conseguirão deixar de adormecer; por isso, é necessário temer o início da decadência espiritual. Prestem atenção aos primeiros sintomas da doença.

Os antigos, em geral, interpretavam o cochilar e o adormecer das virgens como a sua morte; todas morreram, as prudentes e as loucas (Salmos 49.10), antes do Dia do Juízo.

(3)  A convocação surpreendente que elas ouvem, para se unirem ao esposo (v. 6): “À meia-noite, ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo!” Observe:

[1] Ainda que Cristo demore muito tempo, Ele virá, por fim; ainda que Ele pareça lento, a sua vinda é garantida. Na sua primeira vinda, Ele foi esperado por muito tempo, por aqueles que esperavam a consolação de Israel; mas Ele veio na “plenitude dos tempos”. Também a sua segunda vinda, ainda que pareça demorar muito tempo, não está esquecida; os inimigos de Cristo irão descobrir, para sua desvantagem, que a abstenção não significa desobrigação; e os seus amigos irão descobrir, para o seu conforto, que “a visão é ainda para o tempo determinado, e até ao fim falará, e não mentirá… porque certamente virá, não tardará” (Habacuque 2.3). O ano dos redimidos está fixado, e virá.

[2] A vinda de Cristo se dará na nossa “meia-noite”, ou seja, quando menos estivermos esperando por Ele, e estivermos mais dispostos a fazer o nosso repouso. A sua vinda para o alívio e consolo do seu povo certamente ocorrerá quando o bem pretendido parecer estar mais longe; e a sua vinda para acertar as contas com os seus inimigos ocorrerá quando eles pensarem que o dia do mal está mais distante de si mesmos. Foi à meia-noite que os primogênitos do Egito foram destruídos, e o povo de Israel, libertado (Êxodo 12.29). A morte sempre vem quando é menos esperada. A alma é solicitada “esta noite” (Lucas 12.20). Cristo virá quando Ele quiser, para mostrar a sua soberania; e não nos dará a conhecer quando isso acontecerá, para nos ensinar qual é o nosso dever.

[3] Quando Cristo vier, nós deveremos nos apresentar para encontrá-lo. Como cristãos, nós devemos estar atentos a todos os movimentos do Senhor Jesus, e estar sempre em sua presença. Quando Ele vier até nós por ocasião da nossa morte, nós devemos deixar o corpo, deixar o mundo, para encontrá-lo com afetos e obras da alma apropriadas às revelações que então esperaremos que Ele faça sobre si mesmo. “Saí-lhe ao encontro” é uma convocação para aqueles que estão sempre preparados, para que estejam verdadeiramente prontos.

[4] A primeira notícia da chegada de Cristo, e a convocação para ir encontrá-lo, será um despertamento: “Ouviu-se um clamor”. A sua primeira vinda não foi observada, nem disseram: “Eis aqui o Cristo, ou: Ei-lo ali”; Ele “estava no mundo… e o mundo não o conheceu”; mas a sua segunda vinda terá toda a observação de todo o mundo: “Todo olho o verá”. Haverá um clamor do céu, pois Cristo descerá com um brado: Ressuscitem, vocês, mortos, e venham para o juízo; e também haverá um brado da terra, um brado “aos montes e aos rochedos” (Apocalipse 6.16).

(4) A reação de todas as virgens em resposta a esta convocação (v. 7): “Todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas”, cortaram a parte queimada dos pavios, e as encheram de azeite, e foram, com toda a prontidão, se colocar na posição adequada para esperar o esposo. Observe que:

[1] Isto, no caso das virgens prudentes, evidencia uma verdadeira preparação para a vinda do Esposo. Até mesmo os que estão mais preparados para a morte, têm, com os seus sinais imediatos, algum trabalho a fazer, para verdadeiramente se prepararem, para que possam ser achados em paz (2 Pedro 3.14), trabalhando, (cap. 24.46) e não serem achados nus (2 Coríntios 5.3). Será um dia de investigação e de indagações, e nos compete pensarem como seremos encontrados. Quando virmos a aproximação do dia, deveremos nos dedicar à questão da morte com toda a seriedade, renovando o nosso arrependimento pelo pecado, a nossa adesão ao concerto, o nosso adeus ao mundo; e as nossas almas serão levadas em direção a Deus, da forma mais adequada.

[2] No caso das virgens loucas, isto evidencia uma confiança vã, e uma presunção da benevolência da sua condição, e do seu preparo para o mundo por vir. Observe que até mesmo as graças falsas servirão para que um homem faça uma exibição quando vier a morrer, assim como terá feito durante toda a sua vida; as esperanças do hipócrita brilham quando ele está expirando, como um relâmpago antes da morte.

(5) A aflição em que estavam as virgens loucas, por precisarem de azeite (vv. 8,9). Isso evidencia:

[1] A apreensão que alguns hipócritas têm pela sua infeliz condição, até mesmo deste lado da morte, quando Deus abre os seus olhos para verem a loucura dos seus atos, e que eles mesmos estão morrendo com uma mentira na sua mão direita. Ou, por outro lado:

[2] a verdadeira infelicidade da sua condição do outro lado da morte, e no juízo; quão distante a sua profissão de fé – bonita, mas falsa – estará de lhes ajudar em qualquer coisa no grande dia; veja o que resulta disso.

Em primeiro lugar; as suas lâmpadas se apagaram. As lâmpadas dos hipócritas sempre se apagam nesta vida; quando aqueles que começaram no espírito, terminam na carne, e a hipocrisia irrompe em uma apostasia aberta e clara (2 Pedro 2.20). A profissão murcha, e a sua credibilidade é perdida; as esperanças enfraquecem, e todo o seu consolo se perde. “Quantas vezes sucede que se apaga a candeia dos ímpios?” (Jó 21.17). Muitos hipócritas conservam a sua credibilidade, e o consolo da sua profissão de fé, desta maneira, e até o final. Mas o que acontecerá “quando Deus lhe arrancar a sua alma?” (Jó 27.8). Se a sua candeia não se apagar diante dele, ela se apagará sobre ele (Jó 18.5,6). Ele jazerá em tormentos (Isaias 50.11). Os ganhos de uma profissão hipócrita de fé não acompanharão um homem ao julgamento (cap. 7.22,23). As lâmpadas se apagam, quando a esperança do hipócrita prova ser como a teia de aranha (Jó 8. 11ss.), e como o expirar da alma (Jó 11.20), como o mulo de Absalão, que o deixou pendurado no carvalho (2 Samuel 18.9).

Em segundo lugar, elas precisavam de azeite para as lâmpadas quando saíssem. Note que aqueles que absorvem pouca graça verdadeira, certamente precisarão de mais, em alguma ocasião. Uma profissão exterior de fé que seja bem aceita pode levar longe um homem, mas não o fará ir até o final; pode iluminá-lo neste mundo, mas a umidade do vale da sombra da morte apagará esta fraca luz.

Em terceiro lugar, elas ficariam alegremente agradecidas às virgens prudentes se estas lhes dessem um pouco do conteúdo das suas vasilhas: “Dai-nos do vosso azeite”. Note que está chegando o dia em que os hipócritas carnais gostariam de ser encontrados na condição de verdadeiros cristãos. Aqueles que agora detestam a rigidez da religião, irão, diante da morte e do juízo, desejar os seus sólidos consolos. Existem aqueles que não se preocupam em viver a vida dos justos, mas que querem morrer como morrem os justos. Está chegando o dia em que aqueles que agora olham com desprezo os santos humildes e contritos, irão se interessar alegremente por eles, e valorizarão como seus melhores amigos e benfeitores aqueles que eles agora colocam com os cães do seu rebanho. “Dai-nos do vosso azeite”. “Falem bem de nós”, dizem alguns; mas não haverá lugar para fiadores no grande dia, pois o Juiz conhece qual é o verdadeiro caráter de cada homem. Mas não é bom que eles sejam leva­ das a dizer: Dai-nos do vosso azeite? Sim; porém:

1. Este pedido é motivado por uma necessidade concreta. Observe que aqueles que não veem a sua necessidade de graça no presente, quando ela iria santificá-los e governá-los, verão a sua necessidade de graça no futuro, quando ela iria salvá-los.

2. Ele vem tarde demais. Deus lhes teria dado o azeite, se eles tivessem pedido a tempo; mas não há compra quando o mercado está fechado, não há oferta quando as luzes se apagam.

Em quarto lugar, as companheiras lhes negaram uma parte do seu azeite. Ê um triste presságio de rejeição, por parte de Deus, quando são assim rejeitados pelos bons homens. As prudentes responderam: “Não”. Esta negação categórica não está no original consulta­ do, mas foi acrescentada pelos tradutores; estas virgens prudentes preferem dar um motivo, sem uma recusa positiva (como fazem muitos), a dar uma recusa positiva, sem um motivo. Elas estavam inclinadas a ajudar as suas companheiras em aflição, mas: “Nós não devemos, não podemos, não ousamos, fazer isso”, “não seja caso que nos falte a nós e a vós”; a caridade começa em casa; mas “ide, antes, aos que o vendem e comprai-o para vós”. Observe:

1. Para ser salvo, é preciso ter a graça. Embora nós nos beneficiemos da comunhão dos santos, e a fé e as orações dos outros possam cont1ibuir para o nosso benefício, ainda assim a nossa própria santificação é indispensavelmente necessária para a nossa salvação. Os justos viverão pela sua fé. Todo homem prestará contas de si mesmo, e, por isso, que cada homem prove a sua própria obra; pois ele não poderá conseguir outro para se apresentar por ele, nesse dia.

2. Aqueles que têm mais graça não têm graça de sobra; tudo o que nós temos mal é suficiente para nós mesmos, para que nos apresentemos diante de Deus. Os melhores precisam tomar emprestado de Cristo, mas não têm nada para emprestar a nenhum dos seus companheiros. A igreja de Roma, que sonha com obras realizadas além da obrigação, e a imputação da justiça dos santos, se esquece de que foi prudente que as virgens prudentes compreendessem que elas tinham somente azeite suficiente para si mesmas, e nada para as demais. Mas observe que essas virgens prudentes não censuram as loucas pela sua negligência, nem se vangloriam da sua própria previsão, tampouco as atormentam com sugestões que as levariam ao desespero, mas lhes dão o melhor conselho para a situação: “Ide, antes, aos que o vendem”. Note que aqueles que lidam de modo tolo com as questões das suas almas merecem piedade, e não insultos. Pois quem fez com que você se diferenciasse? Os ministros cuidam daqueles que não se importaram com Deus ou com a própria alma durante todos os seus dias, mas estão no leito de morte, e como nunca é tarde para o verdadeiro arrependimento, lhes recomendam que se arrependam, e que se voltem para Deus, e se aproximem de Cristo. Porém, como o arrependimento tardio raramente é verdadeiro, existem aqueles que apenas agem como essas virgens prudentes agiram com as loucas, procurando fazer o melhor possível em meio a uma situação tão ruim. Os ministros só podem lhes dizer o que deve ser feito, se não for tarde demais, mas a possibilidade de a porta se fechar antes que isto seja feito é um risco indescritível. Este é um bom conselho, que será extremamente proveitoso se for aceito a tempo: “Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o para vós”. Note que aqueles que desejam a graça, devem recorrer aos meios da graça, atentando para eles. Veja Isaias 55.1.

(6) A chegada do esposo, e o resultado do caráter diferente das virgens prudentes e das loucas. Veja o resultado disso:

[1] “Tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo”. Observe que quanto àqueles que postergam a sua grande obra, deixando-a para o final, há uma probabilidade de mil para um de que eles não terão tempo de fazê-la. A obtenção da graça é uma obra que leva tempo, e não pode ser realizada com pressa. Ainda que a pobre alma desperta se dedique, sobre o leito de morte, ao arrependimento e à oração, em terrível confusão, ela dificilmente saberá por onde começar, ou o que fazer primeiro, e nessa hora vem a morte, vem o juízo e a obra está inacabada, e o pobre pecador está arruinado para sempre. Este é o resultado de ter que ir comprar azeite, quando a pessoa precisaria usá-lo, e de ter que tentar obter a graça, quando precisaria usá-la.

“Chegou o esposo”. Note que o nosso Senhor Jesus virá ao seu povo, no grande Dia, como um esposo. Ele virá vestido com pompa e riqueza, para reunir-se com os seus amigos. Agora que o Esposo nos foi tirado, nós jeju­ amos (cap. 9.15), mas então haverá um banquete eterno. Então o Esposo levará a sua esposa para estar onde Ele estiver (João 17.24), e se alegrará com a sua noiva (Isaias 62.5).

[2] ”As que estavam preparadas entraram com ele para as bodas”. Observe, em primeiro lugar, que ser glorificado eternamente é entrar com Cristo para as bodas, é estar na sua presença, e na mais íntima comunhão com Ele, em uma condição eterna de repouso, alegria e abundância. Em segundo lugar, que irão para o céu no futuro aqueles que se prepararem aqui para o céu, que forem preparados para isso mesmo, e somente estes estarão ali (2 Coríntios 5.5). Em terceiro lugar, que a característica repentina da morte e da vinda de Cristo até nós, nesta ocasião, não será obstáculos para a nossa felicidade, se tivermos nos preparado bem.

[3] “Fechou-se a porta”, como é normal quando todos os que podem entrar já chegaram. Fechou-se a porta, em primeiro lugar, para assegurar aqueles que estão do lado de dentro; para que, tendo sido feitos colunas no templo de Deus, dele nunca mais saiam, Apocalipse 3.12. Adão foi colocado no paraíso, mas a porta ficou aberta, e ele voltou a sair; mas quando os santos glorificados são colocados no paraíso celestial, a porta se fecha para que não saiam. Em segundo lugar, para excluir os que estão do lado de fora. A condição dos santos e dos pecadores, então, será fixada de maneira inalterável, e aqueles que estiverem do lado de fora, nesta ocasião, ficarão do lado de fora para sempre. A porta é estreita, mas está aberta; mas então ela será fechada e trancada, e se abrirá um grande abismo. Isto é semelhante ao caso da porta da arca, que foi fechada depois que Noé entrou. Noé e aqueles que estavam dentro da arca foram, desta maneira, preservados; porém todos os demais foram, finalmente, abandonados.

[4] As virgens loucas chegaram quando era tarde demais (v. 11): “Depois, chegaram também as outras virgens”. Observe, em primeiro lugar, que existem muitos que tentarão entrar no céu quando for tarde demais; como o profano Esaú queria “ainda depois herdar a bênção”. Deus e a fé que Ele mesmo propôs serão glorificados por essas solicitações tardias, embora os pecadores não sejam salvos por elas. É para a honra do Senhor que, com fervorosa e importuna oração, aqueles que agora a desprezam, em breve correrão para ela, e então não a chamarão de lamuriosa e enganosa. Em segundo lugar, a vã confiança dos hipócritas os levará muito longe nas suas expectativas de felicidade. Eles irão até a porta do céu, e pedirão para entrar, porém isto não lhes será permitido; serão levados até a porta do céu por um conceito irreal que lhes diz que a sua condição é uma boa condição, mas, na realidade, serão lançados no inferno.

[5] Elas foram rejeitadas, como foi Esaú (v. 12): “Digo que vos não conheço”. Observe que todos nós devemos nos preocupar em “buscar ao Senhor enquanto se pode achar”, pois virá um tempo em que Ele não será encontrado. Houve um tempo em que o pedido: “Senhor, Senhor, abra-nos a porta”, teria tido bons resultados, em virtude daquela promessa: “Batei, e abrir-se-vos-á”; mas agora é tarde demais. A sentença está solenemente com­ prometida com as palavras: “Em verdade, vos digo”, o que significa nada menos do que o Senhor jurar, na sua ira, que eles nunca entrarão no seu repouso. Isto evidencia que Ele decidiu, e que eles foram silenciados diante desta decisão.

Por fim, aqui está uma conclusão prática, que se extrai dessa primeira parábola (v. 13): “Vigiai, pois”. Nós já lemos esta palavra antes (cap. 24.42), e aqui ela se repete como a advertência mais necessária. Considere que:

1. A nossa maior obrigação é vigiar e cuidar dos assuntos relativos à nossa alma com a máxima diligência e circunspeção. Estejam despertos, e estejam vigilantes.

2. Uma boa razão para que estejamos vigilantes é o fato de que a ocasião da vinda do nosso Senhor é muito incerta; nós não sabemos nem o dia, nem a hora. Por isso, de­ vemos estar preparados todos os dias, e todas as horas, e não deixar a nossa vigília em nenhum dia do ano, e em nenhuma hora do dia. Temamos ao Senhor todos os dias, e o dia inteiro.