GESTÃO E CARREIRA

REDESENHE SUA CARREIRA

Como usar a metodologia do design thinking para realizar mudanças em sua vida profissional e ser mais feliz no trabalho.

Redesenhe sua carreira

O que é uma vida bem projetada? Segundo Bill Burnett e Dave Evans, professores de design na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e autores do livro o Design da Sua Vida (Rocco, 49,50 reais), isso acontece quando há alinhamento entre quem você é, aquilo em que acredita e o que pratica.

A definição pode até parecer simples. Mas o fato é que, para alcançar essa simplicidade, é preciso esforço. Os acadêmicos americanos perceberam isso ao notar que seus estudantes saiam da universidade com a vida desorganizada e cheios de dúvidas quanto ao futuro profissional. Para ajudá-los nessa jornada, eles criaram, em 2.006, o curso Design de Vida, que une as ferramentas visuais do design ao planejamento dos próximos passos na carreira e que já atraiu cerca de 3000 alunos de todo o mundo e tem lista de espera.

No Brasil, essa sensação de inquietude em relação à trajetória profissional também acontece. De acordo com uma pesquisa de 2.015 da Isma­Brasil (International Stress Management Association), 72 % da população está insatisfeita com o trabalho. As explicações podem passar por problemas coma chefia ou pelo excesso de atividades, mas o fato é que, para Bill, a maioria se sente assim porque se deixou levar pelo acaso sem refletir, com calma, sobre o que realmente gostaria de fazer. “Há muitas vozes que ficam martelando na cabeça. Pode ser a dos pais, dos amigos ou até de desconhecidos. A única que importa é a sua própria voz. Mas nem todos a escutam e, depois, se sentem decepcionados com a carreira”, diz o professor de Stanford.

No fundo, a infelicidade ocorre porque existe a sensação de desalinhamento entre o que sequer e o que se “pode viver”. Mas essa discrepância muitas vezes resulta de crenças equivocadas que fazem com que as pessoas pensem, por exemplo, que só se é feliz ganhando muito dinheiro ou que o diploma determina, necessariamente, as escolhas profissionais – uma percepção que já caiu por terra nos Estados Unidos, onde cerca de três quartos dos profissionais têm uma carreira diferente de sua área de formação, de acordo com uma análise do Federal Bank Reserve de Nova York, de 2013, com base em dados do Censo americano. “A crença disfuncional é um mito que impede muita gente de projetar e viabilizar a vida que quer para si”, dizem os autores num trecho do livro.

A questão é que essas percepções mentais – desenvolvidas durante nosso crescimento e que atuam de forma inconsciente – podem embaçar nossa visão de futuro e até, em casos mais graves, nos deixar paralisados para tentar algo novo. “Ficamos pensando que não há o que fazer, pois “é assim que o mundo funciona”, diz David Sender, psiquiatra, do Rio de Janeiro. “Permitir que essas crenças se renovem é difícil e exige dedicação.” E é que entra o design thinking.

 EXPERIMENTAÇÃO

Ao contrário do que diz o senso comum, que crê que a principal habilidade dos designers é fazer coisas bonitas, para Tim Brown, presidente da Ideo, um dos maiores escritórios de design do mundo, o que diferencia esses profissionais é sua capacidade de buscar soluções criativas e funcionais com a formulação de perguntas e a experimentação. Foi esse raciocínio que o levou a difundir o termo design thinking pelo Vale do Silício, com o lançamento do livro Design Thinking -Uma Metodologia Poderosa para Decretar o Fim de Velhas Ideias. O objetivo é fazer com que as pessoas tenham o olhar de “solucionadoras de problemas” do cotidiano. “A metodologia incentiva a explorar alternativas”, disse Tim numa palestra do TED.

Basicamente, o design thinking se apoia em três grandes pilares: empatia (resolver um problema com base em uma necessidade humana); colaboração (que pode ser entre pequenos ou grandes grupos); e experimentação (os testes são essenciais para a metodologia). “A beleza do design é transformar dados em informação visual relevante, e o protótipo permite errar e aprender rapidamente”, afirma Hilton Menezes, sócio- fundador da consultoria de inovação Kyvo, de São Paulo.

Construir para pensar. Esse conceito tem obtido tanto sucesso por fazer uma inversão de lógica: em vez de “pensar para construir”, como faz a indústria, aqui é preciso construir para pensar”. “Dominar esse pensamento aumenta a sensação de controle, pois ajuda a identificar o problema e oferecer soluções adaptáveis a eventuais mudanças ao longo do caminho”, diz Bill, da Diversidade de Stanford.

No Brasil, no entanto, o mundo dos negócios ainda está apegado ao tradicional “pensar para construir”. “Vemos as pessoas replicando padrões e resultados de coisas que deram certo no passado para tentar dar o próximo passo”, diz Juliana Proserpio, fundadora da Echos, laboratório de inovação que usa a técnica do design thinking, de São Paulo. Mas é preciso fazer algo novo se quisermos resultados diferentes – e, para isso, deve-se ter uma visão menos cartesiana dos processos. “Somos os designers de nossa vida. Nós nos esquecemos de que nós mesmos podemos construir um caminho mais desejável”, afirma Juliana.

Adotar esse raciocínio é importante, também, para pensar sobre o futuro e estar preparado para as transformações internas e externas. “Em tempos de mudanças, como a flexibilização do trabalho, precisamos revisar nossas escolhas, porque as soluções existentes são ultrapassadas”, diz Anderson Sant’Anna, professor na Fundação Dom Cabral, em Nova Lima (MG). Ou seja, com as ferramentas certas, é possível criar uma nova vida ou fazer pequenos ajustes de rota. Não é preciso esperar o alinhamento dos astros para que sua vida entre nos eixos. Você mesmo pode redesenhá-la – a qualquer hora e em qualquer lugar.

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Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.