ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 21: 1-11

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A Entrada de Cristo em Jerusalém

Todos os quatro evangelistas registram essa passagem da entrada triunfal de Cristo em Jerusalém, cinco dias antes da sua morte. A Páscoa ocorria no décimo quarto dia do mês, e esse era o décimo, o dia que a lei indicava, que deveria ser tomado o cordeiro pascoal (Êxodo 12.3) e consagrado para esse culto. Nesse dia, portanto, Cristo, o nosso Cordeiro, que seria sacrificado por nós, seria exibido publicamente. De modo que esse foi o prelúdio à sua Paixão. Ele havia se hospedado, por algum tempo, em Betânia, uma aldeia não muito distante de Jerusalém; ali, na ceia, na noite anterior, Maria tinha ungido os seus pés (João 12.3). Mas, como é usual com os embaixadores, Ele adiou a sua entrada pública até algum tempo depois da sua chegada. O nosso Senhor Jesus viajava muito, e o seu costume era viajar a pé da Galileia até Jerusalém, algumas dezenas de milhas, o que era, ao mesmo tempo, cansativo e humilhante; além de cansativas, as viagens se davam em meio a muita poeira. Ele passava por todos esses desconfortos quando andava “fazendo o bem”. Como é inconveniente que os cristãos se preocupem com a sua própria comodidade e bem-estar, quando o seu Mestre tinha tão pouco disso! Mas, pelo menos uma vez em sua vida, Ele cavalgou em triunfo; foi quando entrou em Jerusalém para sofrer e morrer, como se aquele fosse o prazer e a satisfação que Ele cortejava; e assim Ele começava a parecer grandioso.

Aqui, temos:

 I – A provisão que foi feita para essa solenidade; e ela foi muito pobre e simples, e de maneira a evidenciar que o seu reino não era deste mundo. Não houve arautos, nem soou nenhuma trombeta diante dele, nenhum carro de estado, nenhuma vestimenta de cerimônia; tais coisas não estariam de acordo com a sua situação atual de humilhação, mas seriam completamente superadas na sua segunda vinda, para a qual a sua aparência magnífica está reservada, quando a última trombeta soará, os anjos gloriosos serão seus arautos e servos, e as nuvens, os seus carros. Mas nessa aparição pública:

1.  A preparação foi repentina e improvisada. Para a sua glória no outro mundo, e a nossa com Ele, a preparação foi feita antes da fundação do mundo, pois essa era a glória à qual Ele estava ligado. Para a sua glória neste mundo, Ele estava morto, e, portanto, embora a tivesse em perspectiva, Ele não fez previsões relativas a ela, mas quanto ao que viria depois. Eles tinham vindo a Betfagé, que ficava na periferia de Jerusalém, e era considerada (dizem os doutores judeus), em todos os aspectos, como uma rua comprida e esparsa que ficava junto ao Monte das Oliveiras. Quando ali chegou, Ele enviou dois dos seus discípulos – alguns opinam que foram Pedro e João – para lhe conseguirem uma jumenta, pois Ele não tinha nenhum animal preparado para si.

2. Isso era muito simples. Ele mandou buscar somente uma jumenta e o seu jumentinho (v. 2). Os jumentos eram muito usados para as viagens naquela região; somente homens importantes possuíam cavalos, e eram usados para a guerra. Cristo poderia ter convocado um querubim para levá-lo (Salmos 18.10), mas, embora pelo “seu nome Jeová”, que diz que Ele é Deus, Ele cavalgue as nuvens, pelo seu nome Jesus, “Emanuel, Deus conosco”, nessa condição de humilhação, Ele cavalga uma jumenta. Alguns opinam que Ele fazia referência, aqui, ao costume em Israel, de que os juízes cavalgassem jumentas brancas (Juízes 5.10), e os seus filhos, jumentos (Juízes 12.14). E Cristo, dessa forma, entrou, não como um Conquistador, mas como o Juiz de Israel, que veio a este mundo para julgar.

3. O animal não era de Jesus, mas emprestado. Embora Ele não tivesse uma casa própria, poderia se pensar que Ele fosse como alguns viajantes que se hospedavam com os seus amigos; assim Ele poderia ter tido uma jumenta, para levá-lo de um lugar a outro; mas, por amor de nós, Ele “se fez pobre” (2 Coríntios 8.9). Diz-se normalmente que “os que vivem de coisas emprestadas, vivem na dor”; nesse aspecto, portanto, assim como em outras coisas, Cristo era um “homem de dores”, pois Ele não tinha nada dos bens deste mundo, exceto o que lhe era dado ou emprestado.

Os discípulos que foram enviados para tomar emprestada uma jumenta para Jesus foram instruídos a dizer: “O Senhor precisa deles”. Aqueles que estão em necessidade não devem se envergonhar da sua própria necessidade, nem dizer, como o mordomo injusto: “De mendigar tenho vergonha” (Lucas 16.3). Por outro lado, ninguém deve explorar a generosidade de seus amigos, indo implorar ou tomar emprestado se não tiver necessidade. No empréstimo dessa jumenta:

(1). Nós temos um exemplo do conhecimento de Cristo. Embora a situação fosse completamente casual, ainda assim Cristo podia dizer aos seus discípulos onde poderiam encontrar uma jumenta presa e um jumentinho com ela. A sua onisciência se estende até a menor das suas criaturas, jumentas e os seus jumentinhos, e o fato de estarem soltos ou presos. “Tem Deus cuidado dos bois?” (1 Coríntios 9.9). Sem dúvida, Ele cuida, e não pôde ver a jumenta de Balaão espancada. Ele conhece todas as criaturas, e elas servem aos seus propósitos.

(2). Nós temos um exemplo do seu poder sobre os espíritos dos homens. Os corações dos menores súditos, assim como os dos reis, estão na mão do Senhor. Cristo afirma o seu direito de usar a jumenta, pedindo aos discípulos que a tragam a Ele: toda a terra é do Senhor. Mas Ele prevê algum obstáculo que os discípulos poderão encontrar nesse serviço; eles não devem reivindicar os animais, mas à vista do proprietário; tampouco devem fazê-lo pela força e com armas, mas com o consentimento do proprietário, pois Ele se responsabiliza pelo que eles vão tomar emprestado: “Se alguém vos disser alguma coisa, direis que o Senhor precisa deles”. O Senhor Jesus Cristo nos ajudará em todas as coisas que Ele nos designar a fazer. Ele também nos equipa­ rá com as respostas às objeções a que poderemos estar repentinamente sujeitos, fazendo-nos prevalecer, como ocorreu, por exemplo, nesse episódio: “E logo os enviará”. Cristo, ao solicitar a jumenta para o seu ser­ viço, mostrou que Ele é o Senhor dos exércitos; e, para o influenciar o proprietário a lhe enviar o animal sem maiores garantias, mostrou que Ele é o “Deus dos espíritos de toda carne”, e que pode fazer com que os corações dos homens se curvem.

(3). Aqui temos um exemplo de justiça e honestidade. O Senhor Jesus não usou a jumenta sem o consentimento do dono, ainda que ela lhe fosse prestar um serviço tão pequeno, como cavalgar por uma rua ou duas. Segundo a interpretação de alguns, a sentença final nos dá uma regra de justiça: “Direis que o Senhor precisa deles; e logo os enviará” (isto é, o Senhor os enviará), “e cuidará para que eles sejam entregues em segurança ao proprietário, assim que acabar de usá-los”. Observe que aquilo que emprestamos, nós precisamos devolver no devido tempo, e em boas condições, pois “o ímpio toma emprestado e não paga”. Devemos tomar cuidado com as coisas emprestadas, para que elas não sejam danificadas. “Ai! Meu senhor! Porque era emprestado.”

 II – A predição que foi cumprida (vv. 4,5). O nosso Senhor Jesus, em tudo o que fez e sofreu, tinha em vista o cumprimento do que havia sido dito nas Escrituras: “Para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta”. Assim como os profetas esperavam ansiosamente por Ele (todos deram testemunho dele), também Ele os levava em consideração, para que todas as coisas que tinham sido escritas sobre o Messias pudessem se cumprir nele com exatidão. Isto se refere, particularmente, ao que foi escrito sobre Ele (Zacarias 9.9), onde se inicia uma grande pregação do reino do Messias: “Dizei à filha de Sião: Eis que o teu Rei aí te vem”. Tudo isso deveria se cumprir. Considere aqui:

1.  Como é predita a vinda de Cristo: “Dizei à filha de Sião” – a igreja, o monte santo-: “Eis que o teu Rei aí te vem”. Observe:

(1). Jesus Cristo é o Rei da igreja, um dos nossos irmãos, igual a nós, de acordo com a lei do reino (Deuteronômio 17.15). Ele é ungido Rei sobre a igreja (Salmos 2.6). Ele é aceito como Rei pela igreja; a filha de Sião jura lealdade a Ele (Oseias 1.11).

(2). Cristo, o Rei da sua igreja, veio à sua igreja, mesmo neste mundo inferior; Ele vem a vocês, para governá-los, para incluí-los, para reinar por vocês; Ele é a “cabeça da igreja”, constituído acima de todas as coisas. Ele viria de Sião (Romanos 11.26), para que a lei pudesse sair de Sião. Pois a igreja e os seus interesses estavam concentrados no Redentor.

(3). A igreja foi avisada de antemão sobre a vinda do seu rei: “Dizei à filha de Sião”. Observe que a vinda de Cristo seria esperada ansiosamente, e os seus súditos estariam cheios de expectativas sobre ela: “Dizei às filhas de Sião”, que elas podem sair e contemplar o rei Salomão (Cantares 3.11). As notícias da vinda de Cristo normalmente são introduzidas com um “Eis que”. Uma observação que implica tanto em atenção como em admiração: “Eis que o teu Rei aí te vem”; contemplem-no, e maravilhem-se com Ele, contemplem-no, e lhe deem as boas-vindas. Existe um progresso real verdadeiramente admirável. Pilatos, da mesma maneira como Caifás, disse o que não sabia, naquela incrível frase (João 19.14): “Eis aqui o vosso Rei”.

2. Como a sua vinda é descrita. Quando um rei vem, alguma coisa grande e magnífica é esperada, especial­ mente quando ele vem para tomar posse do seu reino. O Rei, o Senhor dos exércitos, tinha sido visto “sobre um alto e sublime trono” (Isaias 6.1); mas não há nada parecido com isso. aqui: “Eis que o teu Rei aí te vem, humilde e assentado sobre uma jumenta”. Quando se diz que Cristo deveria aparecer na sua glória, trata-se de sua humildade, e não de sua majestade.

(2). O seu temperamento é muito manso. Ele não vem com ira, para vingar-se, mas com misericórdia, para realizar a salvação. Ele vem humilde para sofrer as maiores injustiças e indignidades pela causa de Sião, humilde para ser tolerante com as tolices e a crueldade dos próprios filhos de Sião. É fácil ir até Ele e implorar algo a Ele. Ele é humilde não somente como um mestre, mas também como um governante; Ele governa pelo amor. O seu governo é humilde e gentil, e as suas leis não estão escritas com o sangue dos seus súditos, mas com o seu próprio sangue. O seu jugo é suave.

(2). Como prova disso, a sua aparência é muito humilde. Ele vem assentado sobre uma jumenta, como alguém que não visa o poder, mas que visa servir; alguém que não veio para as batalhas, mas para as cargas; lento nos movimentos, mas seguro, leal e fiel. A predição de tudo isso, havia tanto tempo, e o cuidado tomado para que tudo se cumprisse com exatidão sugerem que isso tem um significado peculiar: incentivar as pobres almas a procurarem a Cristo. O Rei de Sião vem montado, não em um cavalo arrogante, de quem aquele peticionário temeroso não ousa se aproximar, nem de um cavalo de corrida, que aquele peticionário de passos lentos não consegue acompanhar, mas sim em uma tranquila jumenta, para que os mais pobres dos seus súditos não percam a coragem de procurá-lo. Aqui faz-se menção à profecia de um jumentinho, um filhote de jumento; e por isso Cristo mandou pedir o jumentinho com a jumenta, para que as Escrituras se cumprissem.

 III – A procissão em si (que era resultante da preparação) era tanto destituída de pompa mundana quanto acompanhada por um poder espiritual.

Considere:

1.  A sua cavalgadura. Os discípulos fizeram “como Jesus lhes ordenara” (v. 6). Eles foram buscar a jumenta e o jumentinho, não duvidando de que os encontrariam, mas para encontrá-los, e para encontrar o proprietário disposto a emprestá-los. As ordens de Cristo não devem ser discutidas, mas obedecidas; e aqueles que as obedecem com sinceridade, não terão obstáculos em fazê-lo, nem se frustrarão. Eles “trouxeram a jumenta e o jumentinho”. A humildade e a insignificância dos animais que Cristo cavalgou foram sobrepujadas pela riqueza dos seus adornos; mas isso era, como todo o resto, o que havia à mão. Eles não tinham uma sela para a jumenta, mas os discípulos puseram algumas roupas sobre ela, e isso serviu, na falta de acomodações melhores. Nós não devemos ser agradáveis, ou curiosos, nem fingir quanto às aparências externas. Uma indiferença ou uma negligência sagrada nos é bastante conveniente nesses aspectos: isto evidenciará que o nosso coração não está preocupado com isso, e que nós aprendemos a regra do apóstolo (Romanos 12.16), de nos acomodarmos às coisas humildes. Qualquer colaboração, mesmo que pequena, serve aos viajantes; e existe uma certa beleza em algum grau de indiferença, uma nobre negligência. Ainda assim, os discípulos dotaram o Senhor do melhor de que dispunham, e não fizeram nenhuma objeção ao confisco das suas roupas, quando o Senhor precisou delas. Observe que não devemos julgar as nossas roupas como sendo valiosas demais para separar-nos delas, dedicando-as ao serviço de Cristo, para que sejam as roupas dos seus membros pobres, necessitados e aflitos. “Estava nu, e vestistes-me” (cap. 25.36). Cristo se despiu por nós.

2. A sua comitiva. Não havia nada que fosse suntuoso ou magnífico. O Rei de Sião viria a Sião, e a filha de Sião sabia disso havia muito tempo; ainda assim, Ele não foi recebido pelos nobres da região, nem pelos magistrados da cidade, com as suas formalidades, como seria de se esperar. Ele deveria ter recebido as chaves da cidade, e deveria ter sido conduzido, com todo o conforto possível, para o trono do julgamento, o trono da casa de Davi; mas não aconteceu nada disso. Ainda assim, Ele teve a sua comitiva, uma multidão verdadeiramente grande. Apenas as pessoas comuns, o povo (que alguns poderiam chamar de ralé, ou populacho), honrou a solenidade do triunfo de Cristo, e ninguém além deles. Mais tarde, os principais dos sacerdotes e os anciãos se uniram à multidão que o maltratou na cruz; mas nós não vemos nenhum deles acompanhando a multidão que o honrou. “Vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis” (1 Coríntios 1.26,28). Observe que Cristo é honrado mais pela multidão do que pela magnificência dos seus seguidores, pois Ele valoriza os homens pelas suas almas, não por seus cargos, nomes ou títulos honoríficos.

A respeito dessa grande multidão, nos é dito:

(1). O que ela fez. Segundo o máximo da sua capacidade, ela se esforçou para honrar a Cristo.

[1]. “Muitíssima gente estendia as suas vestes pelo caminho”, para que Ele pudesse passar sobre elas. Quando Jeu foi proclamado rei, os capitães puseram suas vestes sob os pés dele, como prova da sua submissão ao rei. Observe que aqueles que aceitam a Cristo como seu Rei, precisam colocar tudo o que têm sob os seus pés: as roupas, como prova tia sinceridade; pois quando Cristo vem, embora não quando qualquer outra pessoa venha, deve-se dizer à alma: Abaixe-se, para que Ele possa passar por cima de ti. Alguns interpretam que essas vestes tenham sido espalhadas, não no chão, mas sobre as cercas ou muros, para adornar as estradas; da mesma maneira como,

para embelezar uma cavalgada, as sacadas são adorna­ das com tapeçarias. Isso era apenas uma pequena cerimônia, mas Cristo aceitou a boa vontade do povo; e nós aprendemos, dessa maneira, a planejar como dar as boas-vindas a Cristo e à sua graça, a Cristo e ao seu Evangelho, em nossos corações e em nossas casas. Como podemos expressar o nosso apreço a Cristo? Que honra e que dignidade devem ser oferecidas a Ele?

[2]. “Outros cortavam ramos de árvores e os espalhavam pelo caminho”, como costumavam fazer na Festa dos Tabernáculos, como símbolo de liberdade, vitória e alegria; pois o mistério dessa festa é particularmente dito como pertencendo ao período do Evangelho (Zacarias 14.16).

(2). O que ela dizia: “Tanto as que iam adiante como as que o seguiam, clamavam, dizendo: Hosana ao Filho de Davi!” (v. 9). Quando carregavam ramos na Festa dos Tabernáculos, eles estavam acostumados a gritar Hosana, e, consequentemente, a chamar os seus ramos de seus hosanas. Hosana significa: “Salva, Senhor, nós te pedimos”, uma referência ao Salmo 118.25,26, onde o Messias é profetizado como Cabeça de esquina, embora os edificadores o rejeitassem; e todos os seus súditos leais entram triunfando com Ele, e acompanhando-o com desejos sinceros de prosperidade em todas as suas obras. Hosana ao Filho de Davi significa: “Nós fazemos isto em honra ao Filho de Davi”.

As hosanas com que Cristo foi saudado indicam duas coisas:

[1].  Que estão dando as boas-vindas ao seu reino. Hosana significa a mesma coisa que “Bendito o que vem em nome do Senhor!”. Tinha sido predito, a respeito do Filho de Davi, que “todas as nações lhe chamarão bem-aventurado” (Salmos 72.17). Esses começaram, e todos os verdadeiros crentes de todas as épocas concordam com isso e o chamam bem-aventurado; essa é a autêntica linguagem da fé. Observe, em primeiro lugar, que Jesus Cristo “vem em nome do Senhor”. Ele é santificado e enviado ao mundo como Mediador; “a este o Pai, Deus, o selou”. Em segundo lugar, a vinda de Cristo em nome do Senhor é merecedora de toda a aceitação. E nós todos devemos dizer: “Bendito o que vem”, para louvá-lo, e para termos prazer nele. Que a sua vinda em nome do Senhor seja mencionada com grande amor, para o nosso consolo, e com aclamação de alegria, para a sua glória. Nós podemos dizer: “Ele é bendito”, pois é nele que somos bem-aventurados. Podemos muito bem segui-lo com o melhor que tivermos, pois o Senhor virá ao nosso encontro com o melhor que Ele possui.

[2]. Que estão desejando o melhor para o seu reino. Isto estava sugerido nos brados de Hosana, que eram um fervoroso desejo de que Ele tivesse prosperidade e sucesso, e que o seu reino pudesse ser um reino vitorioso: “Que este reino receba prosperidade agora”. Se eles o entendiam como um reino temporal, e tinham os seus corações voltados para um reino temporal, estavam enganados; o tempo se encarregaria de corrigir esse erro. No entanto, a sua boa vontade foi aceita. Observe que é nosso dever desejar e orar fervorosamente pela prosperidade e pelo sucesso do reino de Cristo no mundo. Assim, “continuamente se fará por ele oração, e todos os dias o bendirão” (Salmos 72.15), para que toda a felicidade possa atender os seus interesses no mundo, e que, embora Ele possa estar montado em uma jumenta, ainda assim, na sua majestade, possa “cavalgar prosperamente pela causa da mansidão” (Salmos 45.4). Isto é o que queremos dizer quando oramos: “Venha o teu reino”. Eles acrescentaram: “Hosana nas alturas!” Que o mais elevado grau de prosperidade o acompanhe, que Ele tenha um nome acima de todos os outros, um trono acima de todos os tronos. Ou: Que o louvemos da melhor maneira, para que a sua igreja ascenda ao céu, às alturas mais elevadas, e dali traga paz e salvação (veja Salmos 20.6). “O Senhor salva o seu ungido; ele o ouvirá desde o seu santo céu”.

3. Aqui temos a recepção de Jesus em Jerusalém (v. 10): “Entrando ele em Jerusalém, toda a cidade se alvoroçou”. Todos tomaram conhecimento dele; alguns ficaram maravilhados pela novidade daquela situação, enquanto outros zombaram da sua humildade. Talvez alguns, que esperavam a “Consolação de Israel”, tenham se sentido motivados pela alegria; outros, da classe farisaica, motivados pela inveja e pela indignação. Assim, vários são os impulsos nas mentes dos homens, diante da chegada do Reino de Deus!

A respeito dessa comoção, sabemos:

(1). O que disseram os cidadãos: “Quem é este?”

[1]. Aparentemente, eles eram ignorantes a respeito de Cristo. Em bora Ele fosse a Glória do seu povo, Israel, ainda assim Israel não o conheceu. Embora Ele tivesse se distinguido pelos muitos milagres que realizou entre eles, ainda assim as filhas de Jerusalém não o diferenciam de outro amado (Cantares 5.9). O Santo, desconhecido na cidade santa! Em lugares onde a luz mais clara resplandece, e se faz a maior profissão de religião, pode haver mais ignorância do que nos locais que ainda não receberam o privilégio de ter a presença de Deus.

[2].  Mas eles queriam informações sobre Ele. Quem é este, que recebe esta aclamação, e vem chamando tanta atenção? “Quem é este Rei de glória”, cuja maior exigência é ser recebido em nossos corações? (Salmos 24.8; Isaias 63.1).

(2). Como as multidões responderam a essas perguntas: “Este é Jesus” (v. 11). As multidões estavam mais familiarizadas com Cristo do que as pessoas importantes. Vox Populi – A voz do povo, algumas vezes é Vox Dei- A voz de Deus. Na descrição que fazem dele:

[1]. Eles estavam certos em chamá-lo de “Profeta”, aquele “grande Profeta”. Até aqui, Ele era conhecido como um Profeta, ensinando e realizando milagres; agora eles o consideravam como Rei. O trabalho sacerdotal de Cristo foi, dentre os três, o último a ser descoberto.

[2].  Mas, ainda assim, eles se enganaram ao dizer que Ele era “de Nazaré”; e isto ajudou a confirmar alguns nos preconceitos que tinham contra Ele. Observe que alguns que estão dispostos a honrar a Cristo e a testificar a respeito dele, ainda assim trabalham tendo em si mesmos alguns erros a seu respeito, o que poderia ser corrigido se eles se esforçassem par a obter a informação certa.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.