GESTÃO E CARREIRA

VOCÊ TEM MEDO DO SUCESSO?

Sete em cada dez profissionais pensam que não merecem o destaque que alcançaram. Veja como lidar com a “Síndrome do Impostor”.

Você tem medo do sucesso

Se você já se sentiu menos competente do que realmente é em algum momento da carreira, bem-vindo ao clube nada seleto dos potenciais portadores da síndrome do Impostor, problema que atinge 70% das pessoas bem-sucedidas, de acordo com uma pesquisa desenvolvida pela psicóloga Gail Matthews, da Universidade Dominicana da Califórnia, nos Estados Unidos. Não há porque se preocupar, pois não se trata de uma doença. Síndrome do Impostor é um nome popular que caracteriza o sentimento de fraude no trabalho, ou seja, o ato de questionar os méritos pessoais e buscar as justificativas para o sucesso em fatores externos como sorte, ajuda ou indicações. Esse comportamento é típico dos grandes realizadores. Consta que o gênio renascentista Leonardo Da Vinci, por exemplo, sofria desse mal. “Eu tenho ofendido a Deus e à humanidade, porque meu trabalho não alcançou a qualidade que deveria”, teria dito Leonardo Da Vinci no fim de sua brilhante e produtiva vida.

A primeira pesquisa sobre o tema foi publicada em 1978 pela psicóloga americana Pauline Rose Chance, responsável por cunhar o termo “síndrome do impostor” e uma das maiores especialistas na área até hoje. Segundo a pesquisadora, a sensação de ser uma fraude no trabalho atualmente é ainda mais presente na sociedade por dois fatores. Primeiro, as pessoas ficaram mais exigentes consigo mesmas na busca do sucesso. Segundo, o meio digital intensificou o hábito de se comparar aos outros, o que reforçou a presença da síndrome na vida das pessoas. “Existe muita competição, os profissionais querem ser os melhores em seu emprego e não se contentam mais em ser apenas bons o suficiente”, afirma Pauline. “A síndrome do impostor faz parte da essência do ser humano. Todos podem ter essa experiência em alguma fase da vida.”

O problema é ainda mais sério em profissionais que têm entre 20 e 40 anos e ocupam na maioria dos postos de trabalho do mercado hoje. São pessoas que tiveram a carreira acelerada para ocupar os muitos cargos que se abriram no período de relativa expansão da economia brasileira nos últimos dez anos. Muita gente, ao chegar precocemente determinada posição, sem ter passado pelas necessárias experiências de sucesso e de fracasso, desenvolveu algum grau de síndrome do Impostor. O perfil que mais exemplifica isso é o trainee (ou ex-trainee), profissional que é preparado em laboratório para ocupar muito cedo cargos de liderança chefiando até mesmo colegas mais experientes.

A sensação de fraude nasce de um desequilíbrio entre responsabilidade e autoridade, de acordo com Osvino Souza, professor de comportamento e desenvolvimento organizacionais na Fundação Dom Cabral, de Minas Gerais. Quando falta experiência para assumir responsabilidades de alto nível, o indivíduo pode ter medo de não dar conta do trabalho. Já profissionais competentes, mas desprovidos da autoridade necessária para solucionar as tarefas, desenvolvem um desagradável sentimento de baixa autoestima, que dificulta o crescimento na carreira. “Parte da culpa pelo desenvolvimento da síndrome em Jovens profissionais da pressão das empresas pela entrega de resultados quase inalcançáveis, o que provoca uma sensação de estar sempre em dívida”, afirma Osvino “Em outros casos, a pressão é imposta pelo indivíduo que, por buscar um elevado status social, nunca está satisfeito com o que consegue produzir·

 COMO A SÍNDROME DO IMPOSTOR SURGE

A síndrome tem fundo psicológico. O problema se desenvolve em pessoas que alcançaram algum tipo de realização – promoções no escritório, boas notas, livros publicados, prêmios, pesquisas desenvolvidas. Caso contrário, não haveria motivos para se sentir um embuste. De acordo com Luci Balthazar, especialista em psicologia do trabalho da ProMover, no Rio de Janeiro, pessoas de qualquer idade podem sofrer com o problema, independentemente do nível de carreira em que se encontram. “Muita gente inicia esse sentimento na infância, quando recebe comentários negativos sobre si mesma”, diz Luci. O profissional cria uma imagem negativa que o faz pensar que não pertence ao lugar de destaque que conquistou.

Líderes e executivos de alto nível que estabelecem relações tensas com seus subordinados frequentemente escondem um sentimento de impostor. Os chefes tentam blindar a insegurança com atitudes arrogantes e autoritárias, que intoxicam o ambiente e prejudicam a segurança de toda a equipe fenômeno definido como “toxicidade nas relações do trabalho” pelo antropólogo canadense Peter Frost, no livro Emoções Tóxicas do Trabalho (Editora Futura, 2003). É mais fácil identificar o sentimento de trapaça quando o portador exerce grande poder de influência dentro da organização. A situação fica óbvia quando os liderados perdem a confiança e não conseguem se inspirar no líder ou quando o próprio líder começa a perder o prazer de trabalhar. Muitos deles se tornam workaholics e atribuem seu sucesso ao fato de que trabalham mais do que os colegas. Por medo que os outros descubram sua suposta fraude, o gestor centraliza o poder e impede que outros se mostrem mais fortes do que ele”, afirma RaphaeI Falcão, diretor da Hays, empresa global de recrutamento do Rio de Janeiro.

Para quem está nos estágios iniciais de carreira, a síndrome aparece de forma mais sutil. Pequenas atitudes, como negar um elogio, manter distância dos colegas ou ser generoso demais, indicam possíveis sintomas. Quando o indivíduo escolhe seguir uma profissão, espera-se que ele trace o caminho que pretende seguir para chegar àquilo que considera o topo – o que, na maioria das vezes, é uma missão quase impossível. Frustrado por se sentir incapaz de tomar-se a figura que sempre sonhou, o profissional deixa de celebrar os obstáculos que, por mérito, foi capaz de superar. É comum pensar que nada do que fez foi realmente especial. “As pessoas querem ser líderes como Mandela ou Gandhi, mas não percebem são líderes todos os dias”, afirma Eva Hirsch Pontes, coach do Rio de Janeiro, Alguns portadores da síndrome optam por minar as próprias metas. Assim, conseguem comprovar a tese inventada por eles mesmos de que não seriam capazes de ir até o fim. “A pessoa tem capacidade, mas desencadeiam uma série de obstáculos que dificultam a conclusão da tarefa”, afirma Luci.

Porque, se der tudo certo, ela vai :ganhar uma projeção por algo que considera não merecer e não ser capaz de sustentar.” Procrastinar e deixar a execução da tarefa para última hora é a característica mais comum da auto sabotagem, Casos agudos de síndrome do impostor também aparecem em profissionais que batalharam muito ao longo da vida. Quando chegam ao topo e não enxergam mais possibilidades de crescimento, frustram-se pela falta de novos desafios diários.  “Os falsos impostores sempre esperam que algo pior aconteça e, quando as coisas fluem naturalmente, pensam que fizeram alguma coisa de errado ou que não chegaram aonde gostariam… diz Rogério Boeira, fundador da empresa de treinamentos Cultman Management & Education, do Rio de Janeiro.

 PRINCIPAIS VÍTIMAS

Quando os psicólogos começaram a pesquisar a síndrome do impostor, na década de 70, acreditava-se que o problema era majoritariamente feminino, por todas as dificuldades que as mulheres enfrentam para entrar no mercado de trabalho. Com o tempo, constatou-se que o sentimento atingia tanto homens quanto mulheres, porém os homens sempre foram mais encorajados a fingir ter confiança para alcançar o sucesso. Por isso as mulheres costumavam apontar casos mais agudos da síndrome. “Qualquer pessoa que tenha sofrido preconceito por gênero, cor ou cultura está mais propicia a se sentir uma fraude”, afirma Valerie Young, psicóloga americana especialista em síndrome do impostor. Em geral, as pessoas que se dizem impostoras tendem a atingir resultados maiores do que aquelas que são muito seguras em relação a si mesmas, porque se esforçam mais para que os outros não descubram sua suposta incompetência. “Pessoas ignorantes em relação a um tema acham que sabem mais do que os bem preparados, porque não entendem a responsabilidade que seria necessária para falar sobre o assunto”, diz Rogério, da Cultman. “A ignorância gera mais confiança do que o conhecimento em si”

O LADO POSITIVO

Em doses moderadas, a síndrome do impostor não é algo ruim. De certa forma, ela serve como impulso para que as pessoas busquem melhorar e atingir novos desafios. É altamente positivo querer sempre ser o melhor naquilo que faz. Mas quando o profissional acredita que engana os outros que o admiram, por achar que não é competente para ocupar sua posição, o estímulo se transforma em angústia permanente. Para superar esse fardo, é preciso aprender a anular o sentimento de impostor e entender que, embora a sorte possa até trazer situações favoráveis no crescimento, só consegue se manter bem-sucedido quem faz por merecer. Se a lição de casa está feita, pare de relembrar as falhas e aprenda a celebrar cada etapa de seu triunfo. Afinal, uma conquista grande sem celebração não vale nada.

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Fonte: Revista Você SA – Edição 189

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 15: 21-28

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A Cura da Filha da Mulher Cananéia

Aqui temos aquele famoso relato da ocasião em que Cristo expulsou o demônio da filha da mulher cananeia; ele tem algo singular e muito surpreendente, e que olha favoravelmente aos pobres gentios, e é uma antecipação da misericórdia que Cristo tem guardada para eles. Vemos aqui um lampejo daquela luz que devia iluminar os gentios (Lucas 2.32). Cristo veio para os seus, e os seus não o receberam, e muitos discutiram com Ele, e se ofenderam com Ele – observe o que acontece a seguir (v. 21).

I – Jesus partiu dali. Note que com justa razão a luz é removida daqueles que brincam com ela, ou se rebelam contra ela. Quando Cristo não pôde ficar com tranquilidade naquele lugar, Ele, juntamente com seus discípulos, o deixou, e assim deu um exemplo da sua própria regra (cap.10.14): “Sacudi o pó dos vossos pés”. Embora Cristo suporte muito, Ele não suportará para sempre as “contradições dos pecadores contra si mesmo”. Ele tinha dito (v.14): “Deixai-os”; e Ele fez isso. Os preconceitos deliberados contra o Evangelho, e as críticas a ele, frequentemente fazem com que Cristo se retire, e remova a luz do lugar (Atos 13.46,51).

II –  Quando partiu dali, Ele “foi para as partes de Tiro e de Sidom”; não àquelas cidades (elas foram excluídas de qualquer participação nos milagres de Cristo, cap.11.21,22), mas para aquela parte da nação de Israel que fica naquela direção. Para lá Ele foi, como Elias foi a Sarepta, uma cidade de Sidom (Lucas 4.26); para lá Ele foi, para cuidar dessa pobre mulher, a quem Ele tinha reservado a sua misericórdia. Embora continuasse fazendo o bem, Ele nunca abandonou o seu caminho. Os confins escuros da nação, que estão mais distantes, terão uma cota das suas influências benéficas. E assim como ocorreu com os confins da nação, no futuro a extremidade da terra verá a sua salvação (Isaias 49.6). Nesse lugar se operou esse milagre, na história em que podemos observar alguns detalhes:

1.Como a mulher cananeia se dirigiu a Cristo (v. 22). Ela era gentia, uma estrangeira à nação de Israel, provavelmente alguém descendente daquelas nações amaldiçoadas às quais foi dito: “Maldito seja Canaã”. A destruição de organismos políticos nem sempre alcança cada indivíduo que seja seu membro. Deus sempre terá remanescentes em todas as nações, vasos eleitos em todas as partes, até mesmo nas mais improváveis: ela veio dessa mesma região. Se Cristo não tivesse feito uma visita a essa região, embora por misericórdia fosse merecedora dessa viagem, é provável que ela nunca tivesse buscado a sua preciosa presença. Observe que é sempre um estímulo para uma fé e um zelo adormecidos, ter as oportunidades de contato com Cristo trazidas até à nossa porta, para podermos ter conosco a Palavra.

A maneira como ela se dirigiu a Cristo foi muito inoportuna, pois ela “clamou” a Cristo, como alguém fervoroso; clamou, por estar a alguma distância dele, não ousando aproximar-se muito, por ser cananeia, para não ofender a ninguém. Nas suas palavras:

(1).  Ela relata a sua infelicidade: “Minha filha está miseravelmente endemoninhada”, – ela está enfeitiçada pelo mal, ou possessa. Existiam graus desse tipo de desgraça, e este era o pior nível. Era um caso comum naquela época, e muito desastroso. Os tormentos dos filhos são problemas dos pais, e ninguém deveria estar mais atormentado do que os que estão sob o poder de Satanás. Pais amorosos sentem profundamente os tormentos daqueles que são partes de si mesmos. Em outras palavras: “Embora esteja endemoninhada, ela ainda é minha filha”. Os maiores sofrimentos das pessoas com quem nos relacionamos não eliminam as nossas obrigações para com elas, e, portanto, não devem separar delas o nosso afeto. O motivo que trazia essa mulher a Cristo foi o sofrimento de um membro da sua família. Ela não veio a Ele procurando algum ensino, mas uma cura; ainda assim, como ela veio com fé, Ele não a rejeitou. Mesmo que a necessidade nos leve a Cristo, nós não seremos afastados dele por essa razão. Foi o sofrimento da filha dessa mulher que lhe deu a oportunidade de procurar a Cristo. É bom tornarmos nossos os sofrimentos dos outros, em nossos sentimentos e em nossa solidariedade. Podermos sentir esses sofrimentos como se fossem nossos; essa atitude nos trará aperfeiçoamento e benefícios.

(2). Ela pediu misericórdia: “Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim”; ela admitiu que Ele era o Messias: este é o grande ponto em que a fé deveria se concentrar, e onde deveria encontrar consolo. Do Senhor, nós podemos esperar atos de poder. Ele pode ordenar libertação. Do Filho de Davi, nós podemos esperar toda a misericórdia e a graça que foram preditas a seu respeito. Embora fosse gentia, ela aceitou “a promessa feita aos pais” dos judeus, e a honra da casa de Davi. Os gentios devem receber o cristianismo, não apenas como um aperfeiçoamento da religião natural, mas como a perfeição da religião judaica, com a visão do Antigo Testamento.

O pedido dela foi: “Tem misericórdia de mim”. Ela não limita Cristo a esta ou aquela situação de misericórdia em particular, mas misericórdia é o que ela implora. Ela não alega ter mérito, mas confia na misericórdia: “Tem misericórdia de mim”. A misericórdia para os filhos é misericórdia para os pais; os favores para os nossos são favores para nós, e assim devem ser considerados. É um dever dos pais orar pelos seus filhos, e estar em fervorosa oração por eles, especialmente pelas suas almas, dizendo, por exemplo: “Eu tenho um filho (ou uma filha) miseravelmente atormentado por uma vontade arrogante, por um espírito imundo, pelo diabo, que cativa a sua vontade; Senhor, ajude o meu filho (ou filha)”. Este é um caso mais deplorável do que o da possessão física. Traga-os a Cristo pela fé e pela oração, pois só Ele pode curá-los e libertá-los. Os pais devem considerar esta disponibilidade de cura e libertação como uma grande misericórdia para consigo mesmos, pelo fato de o poder de Satanás poder ser eliminado das almas de seus filhos.

2.O desencorajamento que ela encontrou nas palavras de Jesus. Em toda a história do ministério de Cristo, não vemos nada parecido com isso. Ele estava acostumado a incentivar e a estimular todos os que vinham a Ele, e atender antes que lhe pedissem algo, ou a ouvir e curar enquanto ainda estavam falando, mas esta mulher foi tratada de outra maneira – e qual poderia ser a razão disso?

(1). Alguns pensam que Cristo mostrou-se hesitante em ajudar a essa pobre mulher, porque Ele não queria ofender os judeus, sendo tão livre e disposto na sua ajuda aos gentios como era com eles. Ele tinha dito aos seus discípulos que não passassem pelos caminhos dos gentios (cap.10.5), e por isso Ele mesmo não poderia parecer tão favorável a eles quanto aos outros, mas deveria parecer mais tímido. Ou:

(2). Cristo a tratou assim para colocá-la à prova. Ele sabia o que ela tinha no coração, conhecia a força da sua fé, e o quanto ela era capaz, pela sua graça, de superar tal falta de incentivo; por isso Ele a confrontou dessa maneira, para que a prova da sua fé pudesse ser achada em louvor, e honra, e glória (1 Pedro 1.6,7). Isso foi como a prova de Deus a Abraão (Genesis 22.1), como a luta dos anjos contra Jacó, somente para fazê-lo lutar (Genesis 32.24). Muitos dos métodos da providência de Cristo – e em especial da sua graça ao lidar com essas pessoas – que podem parecer obscuros e desconcertantes, podem ser explicados através da essência dessa história, que para esse fim foi registrada. Ela nos ensina que haverá sempre amor em sua face, e nos incentiva; portanto, ainda que Ele nos mate, nele confiaremos.

Observe os motivos desencorajadores que Jesus lhe apresentou:

[l]. Quando ela clamou atrás dele, “Ele não lhe respondeu palavra” (v. 23). O seu ouvido estava acostumado a estar sempre aberto e atento aos pedidos dos pobres suplicantes, e os seus lábios, dos quais manam favos de mel, sempre prontos para dar uma resposta de paz; mas a essa pobre mulher, Ele se fez de surdo, e ela não conseguiu nem uma esmola, nem uma resposta. É de admirar que ela não tivesse ido embora irritada, dizendo: “Este é aquele que é tão famoso pela clemência e pelo carinho? Tantos foram ouvidos e atendidos por Ele, e eu preciso ser a primeira pleiteante rejeitada? Por que Ele se mostra tão distante de mim, se é verdade que Ele se curvou para atender a tantos?” Mas Cristo sabia o que estava fazendo, e por isso não respondeu, para que ela fosse mais perseverante e fervorosa em sua oração. Ele a ouviu, e se agradou dela, e a fortaleceu com coragem no seu coração par a continuar com o seu pedido (Salmos 138.3; Jó 23.6), embora não lhe desse imediatamente a resposta que ela esperava. Ao parecer afastar dela a desejada misericórdia, Ele a levou a ser ainda mais inoportuna. Observe que toda oração aceita não é uma oração imediatamente atendida. Às vezes, Deus parece não considerar as orações do seu povo, como se estivesse adormecido ou cansado (Salmos 44.23; Jeremias 14.9; Salmos 22.1,2); ou ainda, como se estivesse “indignado contra a oração do seu povo” (Salmos 80.4; Lamentações 3.8,44). Mas é assim que o Senhor coloca à prova e aperfeiçoa a fé dos seus servos. Esse também é o modo como o Senhor faz com que as suas manifestações subsequentes sejam mais gloriosas para si, e mais bem recebidas por eles; pois “a visão… até ao fim falará, e não mentirá” (Habacuque 2.3. Veja Jó 35.14).

[2). Quando os discípulos intercederam pela mulher, Jesus deu a razão pela qual a tinha rejeitado, o que foi ainda mais desencorajador.

Em primeiro lugar, houve um certo alívio, porque os discípulos intercederam por ela. Eles disseram: “Despede-a, que vem gritando atrás de nós”. É desejável demonstrarmos interesse pelas orações das pessoas boas, e desejarmos que elas orem. Mas os discípulos, embora desejando que ela conseguisse o que tinha vindo pedir, levaram mais em conta a sua própria comodidade do que a satisfação da pobre mulher. Em outras palavras: “Mande-a embora com a cura, pois ela está gritando, e com muita ansiedade; ela está gritando atrás de nós, e isto é enervante e vergonhoso”. A impertinência contínua pode ser embaraçosa para os homens, até mesmo para os bons homens; mas Cristo gosta que as pessoas clamem a Ele.

Em segundo lugar, a resposta de Cristo aos discípulos praticamente acabou com as expectativas da mulher: “Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel”. Em outras palavras: “Vocês sabem que Eu vim para os judeus, ela não é um deles, e vocês querem que eu vá além da minha comissão?” A impertinência raramente vence a razão estabelecida de um homem sábio e prudente; e aquelas recusas eram ainda mais silenciadoras, pois tinham esse respaldo. Ele não somente não a atendeu, mas argumentou contra ela, e fechou a sua boca com uma explicação. É verdade, ela é uma “ovelha perdida”, e tem muita necessidade da sua atenção, como qualquer outra pessoa, mas ela não pertence à “casa de Israel”, a quem Ele foi enviado primeiro (Atos 3.26), e, portanto, não é de interesse imediato da sua atenção, nem merecedora dela. Cristo era “ministro da circuncisão” (Romanos 15.8); e embora devesse ser a “luz dos gentios”, a plenitude dos tempos ainda não era chegada, o véu ainda não tinha sido rasgado nem a “parede de separação” tinha sido derrubada. O ministério pessoal de Cristo estava destinado a ser a glória do seu povo, Israel. Em outras palavras: “Se eu sou enviado a eles, o que eu tenho a ver com essas pessoas que não pertencem a eles?” Observe que é uma grande prova quando temos a oportunidade de questionar se pertencemos àqueles a quem Cristo foi enviado. Mas, bendito seja Deus, já não há lugar para esta dúvida; a distinção entre judeus e gentios já não existe, nós estamos certos de que Ele deu “a sua vida em resgate de muitos”, e se foi para muitos, por que não para mim?

Em terceiro lugar, à medida que ela continuou a importunar, o Senhor insistiu na inadequação da situação, e não apenas a rejeitou, como aparentemente também a repreendeu (v. 26): “Não é bom pegar o pão dos filhos e dei­tá-lo aos cachorrinhos”. Isto deveria ter destruído toda a esperança da mulher, e poderia tê-la levado ao desespero, se ela não tivesse, realmente, uma fé muito forte. A graça do Evangelho e as curas milagrosas (o direito a tudo isso) eram o pão dos filhos; essas coisas pertenciam àqueles relacionados com a adoção (Romanos 9.4), e não estão no mesmo nível que a chuva que cai do céu, e os tempos frutíferos, que Deus deu às nações a quem Ele permitiu que andas­ sem em seus próprios caminhos (Atos 14.16,17). Não. Estes eram favores peculiares, apropriados ao povo peculiar, o jardim fechado. Cristo pregou aos samaritanos (João 4.41), mas nós não lemos sobre nenhuma cura que Ele tenha operado entre eles; esta salvação era dos judeus; portanto, ela não tinha o objetivo de afastá-los. Os gentios eram considerados, pelos judeus, com grande desprezo, eram chamados de cães, e assim considerados; e, em comparação com a casa de Israel, que era tão dignificada e privilegiada, Cristo aqui parece permitir isso, e, portanto, parece não julgar que os gentios devessem compartilhar dos favores concedidos aos judeus. Mas veja como as posições se inverteram – depois de trazer os gentios à igreja, os judeus zelosos pela lei são chamados de cães (Filipenses 3.2).

E Cristo insiste, a este respeito, com essa mulher cananeia: “Como ela pode esperar comer o pão dos filhos, se ela não é da família?” Considere que:

1.Aqueles a quem Cristo pretende honrar de maneira mais notável, Ele primeiro humilha e rebaixa, para que possam perceber a própria insignificância e indignidade pessoal. Nós devemos, primeiro, nos considerar como cães, menores do que a menor de todas as misericórdias de Deus, antes de estarmos aptos para ser dignificados e privilegiados com elas.

2.Cristo gosta de exercitar a grande fé através de grandes provas, e algumas vezes Ele deixa a prova mais difícil para o final, para que, ao sermos provados, possamos emergir como o ouro. Esta regra geral se aplica a outros casos para orientação, embora aqui seja usada somente como prova. As regulamentações especiais e os privilégios da igreja são o pão dos filhos, e não devem ser prostituídos devido aos ignorantes e profanos. A caridade comum deve ser estendida a todos, mas as dignidades espirituais são apropriadas à família da fé. Portanto, a admissão promíscua a elas, sem distinção, desperdiça o pão dos filhos, e é como “dar aos cães as coisas santas” (cap. 7.6).

3.Aqui está a força da fé e determinação da mulher, ao vencer todos esses desencorajamentos. Muitos, assim postos à prova, teriam afundado em silêncio, ou explodido com fervor: ”Aqui há pouco consolo”, ela poderia ter dito, “para uma pobre criatura desesperada; seria melhor ter ficado em casa, em vez de vir até aqui para ser ridicularizada e maltratada dessa maneira; não apenas ver desprezado um caso digno de misericórdia, mas ser chamada de cão!” Um coração orgulhoso e altivo não teria suportado isso. A reputação da casa de Israel não era tão grande no mundo, mas esse desprezo direcionado aos gentios era possível de ser vingado, se a pobre mulher tivesse se importado. Se ela tivesse levado isso em consideração, poderia ter suscitado uma reflexão a respeito de Cristo, e poderia ter sido uma mancha na sua reputação, além de um choque para a opinião pública; pois nós somos capazes de julgar as pessoas como as vemos e pensar que elas são aquilo que vemos nelas. “É este o ‘Filho de Davi?” (ela poderia ter dito): “É Ele que tem tanta reputação de bondade, ternura e compaixão? Eu tenho certeza de que não tenho motivos para atribuir a Ele tais características, pois nunca fui tratada tão asperamente em toda a minha vida. Ele poderia ter feito por mim tanto quanto fez pelos outros; ou, se não, Ele não precisava ter me colocado junto com os cães do seu rebanho. Eu não sou um cão, eu sou uma mulher, e uma mulher honesta, uma mulher que sofre. E eu tenho certeza de que não é apropriado chamar-me de cão”. Não, não houve nenhuma palavra assim. Uma alma crente e humilde que verdadeiramente ama a Cristo, recebe bem tudo o que Ele diz e faz, e se edifica a partir disso.

A mulher cananeia venceu todos estes desencorajamentos:

(1). Com uma santa sinceridade e o desejo de insistir na sua súplica. Isso já apareceu depois da primeira negativa (v. 25): “Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me”.

[1]. Ela continuava a orar. O que Cristo disse havia silenciado os discípulos; não se ouve mais nada que eles tenham dito; mas a mulher não se calou. Quanto mais sensível nos for o peso do problema, mais decididamente devemos orar pela sua remoção. E é a vontade de Deus que continuemos em oração, que sempre oremos e não desistamos.

[2].  Ela se aperfeiçoou em oração. Em vez de culpar a Cristo, ou acusá-lo de falta de bondade, ela parece suspeitar de si mesma e colocar a culpa em si mesma. Ela temeu que, na primeira vez em que se dirigiu a Cristo, não tivesse sido humilde e reverente o suficiente, e por isso agora ela chegou, e o adorou, e lhe dedicou mais respeito do que tinha feito antes; ou ela temeu não ter sido suficientemente fervorosa, e por isso agora tenha implorado: “Senhor, socorre-me”. Quando as respostas à oração são demoradas, Deus está, dessa maneira, ensinando-os a orar mais e a orar melhor. Então é o momento de investigar de que maneira as nossas orações anteriores foram insuficientes, para que aquilo que esteve incorreto possa ser corrigido no futuro. Os desapontamentos quanto ao êxito da oração devem ser estímulos para o dever da oração. Cristo, na sua agonia, orou “mais intensam ente”.

[3].  Ela desiste de perguntar se estava incluída entre aqueles a quem Cristo tinha sido enviado, ou não; ela não irá discutir isso com Ele, embora talvez pudesse ter reivindicado algum parentesco com a casa de Israel; mas: “Seja eu uma israelita ou não, eu venho ao Filho de Davi pedindo misericórdia, e não vou deixar que Ele se vá, enquanto não me abençoar”. Muitos cristãos fracos ficam perplexos com questões e dúvidas sobre a sua escolha, se pertencem ou não à casa de Israel; eles fariam melhor em se preocupar com a sua missão para com Deus, e continuar perseverando em oração pela misericórdia e pela graça; atirar-se com fé aos pés de Cristo e dizer: “Se eu morrer, vou morrer aqui”. Então este assunto irá, gradativamente, se esclarecer. Se não podemos vencer a nossa descrença pela razão, devemos vencê-la pela oração. Um fervoroso e apaixonado “Senhor, socorre-me”, irá nos ajudar a vencer muitos dos desencorajamentos que algumas vezes estão prontos a nos derrotar e subjugar.

[4].  A sua oração é muito curta, mas abrangente e fervorosa: “Senhor, socorre-me”. Entenda isso, em primeiro lugar, como um lamento sobre a sua situação: “Se o Messias é enviado somente à casa de Israel, que o Senhor me socorra, o que será de mim e dos meus”. Note que não é inútil aos corações que estejam enfrentando o sofrimento se lamentarem; Deus os leva em consideração (Jeremias 31.18). Ou, em segundo lugar, como implorando que a graça persista nela nesta hora de provação. Ela estava achando difícil conservar a sua fé quando era desdenhada dessa maneira, e por isso, ora: “Senhor, socorre-me”, ou em outras palavras: “Senhor, fortaleça a minha fé agora; Senhor, deixe que a tua destra me sustente, enquanto a minha alma te segue de perto” (Salmos 63.8). Ou, em terceiro lugar, como reforçando a sua súplica original: “Senhor, socorre-me”, ou: “Senhor, conceda-me o que eu vim pedir”. Ela creu que Cristo podia e iria ajudá-la, embora ela não pertencesse à casa de Israel; do contrário, ela teria deixado de suplicar. Mas ela ainda preserva bons pensamentos sobre Cristo e não abandonará o seu intento. “Senhor, socorre-me” – é uma boa oração, se for adequadamente oferecida. E é uma pena que ela possa se transformar em uma frase comum, e que nela nós possamos estar tomando o nome de Deus em vão.

(2). Com uma habilidade santa relacionada à fé, o que sugere um apelo muito surpreendente. Cristo tinha colocado os judeus com os filhos, como oliveiras ao redor da mesa de Deus, e tinha colocado os gentios com os cães, debaixo da mesa; e a mulher não nega a adequação dessa comparação. Não se consegue nada ao contradizer alguma palavra de Cristo, embora ela possa nos parecer muito dura. Mas essa pobre mulher, como não pode objetar contra isso, resolve fazer o melhor possível em relação à situação (v. 27): “Sim, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas”. Aqui:

[1]. Ela concordou muito humildemente: “Sim, Senhor”. Não se pode falar de maneira tão vil e desprezível de um humilde crente, mas essa mulher está disposta a falar de maneira vil e desprezível de si mesma. Algumas pessoas que parecem censurar e depreciar a si mesmas, tomarão como uma afronta se outras pessoas também o fizerem; mas aquele que é humilde, corretamente irá concordar com os desafios mais humilhantes, e não os achará abusivos. “É verdade, Senhor; eu não posso negar; eu sou um cão, e não tenho direito ao pão dos filhos”. Davi, você “procedeu loucamente”, muito tolamente. “Sim, Senhor”. Asafe, você se embruteceu e agiu como um animal diante de Deus; “Sim, Senhor”. Agur; você é mais bruto do que ninguém. “Sim, Senhor”. Paulo, você foi o maior dos pecadores, o menor de todos os santos, não merece ser chamado apóstolo. “Sim, Senhor”.

[2]. Ela aproveita e, de maneira muito habilidosa, transforma isso em uma súplica: “Também os cachorrinhos comem das migalhas”. Foi por uma perspicácia singular, além de agilidade e sagacidade espirituais, que ela encontrou campo para argumentar em meio àquilo que parecia desprezo. Uma fé viva e ativa irá fazer com que aquilo que parecia estar contra nós esteja a nosso favor; irá extrair alimento “do comedor”, e doçura “do forte”. A incredulidade pode confundir novos colegas com inimigos, e levar a terríveis conclusões, mesmo a partir de boas premissas (Juízes 13.22,23). Mas a fé consegue encontrar incentivo até mesmo naquilo que é desencorajador, e aproximar-se de Deus agarrando-se àquela mão que tencionava empurrá-la e afastá-la. É bom termos um entendimento rápido no temor elo Senhor (Isaias 11.3).

A súplica que ela faz é: “Também os cachorrinhos comem das migalhas”. É verdade, o alimento completo e regular é destinado somente aos filhos, mas as migalhas pequenas, ocasionais e negligenciadas, são permitidas aos cães, e eles não são repreendidos por isso; elas são para os cães que estão debaixo da mesa, que estão ali esperando-as. Os pobres gentios não podiam esperar os ministérios e os milagres do Filho de Davi, que pertencem aos judeus, mas agora eles começam a ficar cansados do seu ali­ mento, e começam a brincar com ele, encontram defeitos nele e o atiram para longe. Certamente, então, um pouco desse alimento irá cair para um pobre gentio: “Eu suplico uma cura que é apenas uma migalha do mesmo pão precioso, mas um pedaço insignificantemente pequeno, comparado com os pães que eles têm”. Quando estamos dispostos a nos saciar com o pão que Deus dá aos seus filhos, devemos nos lembrar de que existem muitos que ficariam felizes por ter apenas as migalhas. As nossas migalhas de privilégios espirituais seriam um banquete para muitas almas (Atos 13.42). Considere aqui:

Em primeiro lugar, que a humildade e a necessidade dela a faziam feliz em ter as migalhas. Aqueles que estão conscientes de que não merecem nada, serão gratos por qualquer coisa – estaremos preparados para a maior das misericórdias de Deus, quando nos considerarmos não merecedores da menor delas. A menor porção de Cristo é preciosa para um crente, e são as verdadeiras migalhas do pão da vida.

Em segundo lugar, a fé dessa mulher cananeia a incentivou a esperar essas migalhas. Por que não haveria migalhas da mesa de Cristo, como ocorre na mesa de um homem importante, onde os cães são alimentados com tanta certeza como os filhos? Ela se refere à mesa do seu senhor; se ela fosse um cão, ela seria o cão dele, e que privilégio é ter um relacionamento com Cristo, ainda que seja o menor relacionamento possível. “Embora in­ digna de ser chamada de filha, considere-me como um dos seus trabalhadores contratados: é melhor estar com os cães do que ser expulsa da casa; pois na casa do meu Pai há não somente pão suficiente, mas excedente” (Lucas 15.17-19). Ê bom estarmos na casa de Deus, ainda que estejamos na porta.

4.O feliz resultado e o êxito de tudo isso. Ela saiu dessa luta com crédito e consolo. E, embora fosse uma cananeia, foi confirmada como uma verdadeira filha de Israel, por aquele que, como um príncipe, tinha poder juntamente com Deus Pai, e prevaleceu. Até aqui, Cristo tinha escondido o seu rosto dela, mas agora se une a ela com bondade infinita (v. 28): “Então, respondeu Jesus e disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé”. Isto foi como José dando-se a conhecer aos seus irmãos: “Eu sou José”. Da mesma forma, aqui, o Senhor estava dizendo: “Eu sou Jesus”. Agora Ele começa a falar da maneira usual, e a mostrar a sua própria fisionomia. Ele não contenderá para sempre.

(1). Ele elogiou a fé da mulher. “Ó mulher, grande é a tua fé”. Considere:

[1]. É a fé dela que Ele elogia. Havia muitas outras graças que brilhavam no comportamento dela: sabedoria, humildade, mansidão, paciência e perseverança na oração; mas todas estas eram resultados da sua fé, e por isto Cristo enfatiza a fé como sendo a mais elogiável. Porque, entre todas as graças, a fé é a que mais honra a Cristo; por isso, entre todas as graças, Cristo honra mais a fé.

[2]. A grandeza de sua fé. Observe, em primeiro lugar, que, embora a fé de todos os santos seja igualmente preciosa, ela não é igualmente forte em todos; os crentes não têm todos a mesma estatura e o mesmo tamanho. Em segundo lugar, a grandeza da fé consiste numa aceitação determinada de Jesus Cristo como um Salvador plenamente suficiente, até mesmo diante dos desencorajamentos; significa amá-lo e confiar nele, como um amigo, mesmo quando Ele parece estar contra nós, como um inimigo. Esta é uma grande fé! Em terceiro lugar, embora a fé fraca não seja rejeitada, desde que seja verdadeira, uma grande fé será elogiada, e será muito agradável a Cristo. Pois é naqueles que assim creem que Ele é mais admirado. Assim, Cristo elogiou a fé do centurião, que também era gentio; ele tinha uma forte fé no poder de Cristo, e essa mulher tinha o mesmo tipo de fé na boa vontade de Cristo; ambas foram aceitas.

(2). Ele curou a filha da mulher: “Seja isso feito para contigo, como tu desejas”. Em outras palavras: “E u não posso lhe negar nada, apanhe aquilo que você veio buscar”. Os grandes crentes podem ter o que desejarem, pedindo. Quando a nossa vontade está em conformidade com a vontade expressa através dos preceitos de Cristo, a sua vontade e aquilo que desejamos estão de acordo. Aqueles que não negam nada a Cristo, irão descobrir que, afinal, Ele não lhes nega nada, mesmo que durante algum tempo Ele pareça ocultar o seu rosto deles. “Tiveste os teus pecados perdoados, a tua corrupção dominada, a tua natureza santificada, que seja ‘feito para contigo, como tu desejas”‘. E o que mais você pode desejar? Quando nós, como essa pobre mulher, oramos contra Satanás e o seu reino, nós concordamos com a intercessão de Cristo, e tudo será feito de acordo com essa disposição. Embora Satanás possa colocar Pedro à prova, e “esbofetear” Paulo, ainda assim, por meio da oração de Cristo e da suficiência da sua graça, nós seremos “mais do que vencedores” (Lucas 22.31,32; 2 Coríntios 12.7-9; Romanos 16.20).

O que aconteceu foi devido à palavra de Cristo: “Desde aquela hora, a sua filha ficou sã”; pois a partir de então, ela nunca mais foi atormentada pelo demônio – a fé da mãe foi essencial para a cura da filha. Embora a paciente estivesse distante, isso não foi obstáculo para a eficiência da palavra de Cristo. Ele “falou e tudo se fez”.

VOCACIONADOS

UMA OPRESSÃO MAIOR QUE A VIDA

Casos de suicídios em escolas de São Paulo disparam um alerta na sociedade quanto à opressão em que vivem os adolescentes hoje, mostram a vulnerabilidade em relação ao sofrimento psicológico e impulsionam ações de conscientização para a prevenção desse mal que aflige o mundo todo.

Uma opressão maior que a vida

A infelicidade extrema, a falta de esperança e a frustração com as vicissitudes inerentes à vida têm produzido um quadro alarmante na última década no Brasil: em média, 11 mil pessoas se matam por ano, um a cada 48 minutos, 30 por dia. Jovens com imensurável potencial para se destacar em inúmeras atividades estão decidindo pôr fim à própria vida bruscamente por não saber lidar com as opressões do mundo atual. Em vez de acalentar projetos, muitos interrompem seus sonhos com frequência inaceitável. Na semana passada, o tema ganhou visibilidade novamente no tradicional Colégio Bandeirantes, na zona Sul de São Paulo. A escola, cuja qualidade do ensino a coloca entre as mais conceituadas da Capital, comunicou a ocorrência de dois suicídios entre seus alunos, um de 16 e outro de 17 anos, em um intervalo de dez dias. No mesmo período houve um terceiro caso no Colégio Agostiniano São José, na zona Leste da cidade. A notícia causou comoção nas redes sociais e, ao mesmo tempo, abriu um debate franco – e oportuno – sobre o assunto.

De forma quase silenciosa, o suicídio é, hoje, a quarta maior causa de mortes entre pessoas de 15 a 29 anos no País. É a terceira entre homens. Embora com uma ligeira queda em 2016, as ocorrências vêm apresentando uma incómoda tendência de alta nesta década. Mundialmente, o suicídio é a segunda maior causa de morte na mesma faixa etária. Uma das principais causas dessa onda nefasta é a epidemia de depressão e de outras doenças psiquiátricas que assola a sociedade e afeta uma grande população jovem. Os que se matam sofrem, em geral, com alguma dessas doenças e enfrentam grande solidão e tristeza. “É bastante difícil para todos nós lidar com essa situação. É como um tsunami”, afirma a coordenadora do Bandeirantes, Estela Zanini. “Essas duas tragédias afetaram muito a escola, geraram grande ansiedade entre professores, pais e alunos e nos levaram a intensificar várias ações preventivas e de apoio”.

 SENTIMENTOS OCULTOS

Nenhum dos dois estudantes era alvo de bullying, um dos fatores que costumam desencadear processos suicidas. Os dois tinham amigos, seus pais eram presentes e ambos tiravam notas altas, acima da média. Não foram influenciados por jogos ou séries de TV ou um pelo outro, segundo a escola. Os dois não se conheciam. Eram de turmas diferentes: um do segundo ano do ensino médio e outro do terceiro. O colégio tem 2.750 alunos. De acordo com Estela, os dois conseguiam enfrentar o altíssimo nível de exigência e de competitividade do Bandeirantes com relativa facilidade. Estavam, porém, enfrentando dificuldades pessoais e pressões sociais que mesmo as pessoas mais próximas desconheciam. O primeiro, S.C.R. que cometeu um ato mais planejado. sofria com sintomas de uma depressão e recebia acompanhamento médico. Suicidou-se um dia antes da semana de provas. Não deixou nenhum bilhete nem qualquer pista sobreo que foi o estopim da decisão de se matar. Desolado, seu pai o descreveu com ternura no Facebook: “Amado, doce, sensível inteligente, aplicado, exigente, articulado, carinhoso, protetor, amigo, fiel, engajado, questionador e com um olhar para as questões do nosso mundo que não tenho palavras para explicar.” O segundo, que tinha um irmão gêmeo. foi mais impulsivo e não dava sinais preocupantes de que poderia se matar. Tudo aconteceu de repente, depois de uma festa, na madrugada de sábado para domingo, 22. O deflagrador do suicídio foi uma desilusão amorosa, depois de ter visto a namorada com outro garoto. Ele chegou em casa e, sem dar nenhuma pista do que faria a seguir, saltou do oitavo andar. Diferentemente do primeiro caso, os pais não se manifestaram publicamente.

A direção da escola tomou a decisão sensata de abordar o assunto de forma direta e está acolhendo seus alunos mais vulneráveis psicologicamente, além de ter planejado diversas ações preventivas depois que os casos aconteceram. Professores e funcionários receberam treinamento e foram estabelecidos espaços de diálogo para todas as turmas. Para as classes de terceiro ano do ensino médio, as aulas foram suspensas no dia 23 e no dia 24 foram organizados encontros para conversa e reflexão, além de ações de acolhimento. A escola diz que está preparada para ajudar os alunos no enfrentamento do luto. Com 74 anos de existência, o Bandeirantes tinha registrado, até então, dois casos de suicídio, um há 15 anos e outro há 30 anos.

“A gente está recolhendo os escombros, a escola está realmente afetada e nosso trabalho de acolhimento agora é como um atendimento de emergência”, explica a psicóloga Karina Okajima Fukumitsu, responsável pelo programa de prevenção pós-suicídio no Bandeirantes. A escola tinha chamado Karina para lidar com o luto do primeiro aluno, morto no dia 10 de abril, e quando ia implantar seu programa aconteceu o segundo caso. Houve um grande número de pais pedindo mais informações. “O suicídio é um ato de comunicação. O mais importante é não negar o fato, a negação do sofrimento é a causa maior de perturbação”, diz Karina. “O que provoca mais problemas são as elucubrações e as coisas que são faladas.

A dura realidade é que as pessoas ficam sem chão. Como a escola vai lidar com a ausência desses alunos que de uma hora para outra se tomaram muito presentes? Toda a escola, a direção, os professores, os alunos têm tentado digerir o que é muito indigesto.” Segundo ela, muitas escolas enfrentam o problema com seus alunos, mas evitam qualquer divulgação. Desde que começou a trabalhar com o Bandeirantes, ela já foi procurada por oito escolas interessadas em seus serviços – em palestras de esclarecimento para pais e em treinamento de grupos de apoio. Uma das recomendações da OMS é não divulgar detalhes sobre os métodos de realização do suicídio para não influenciar pessoas mais vulneráveis.

Quem teve a dolorosa experiência de perder uma filha dessa forma foi a dona de casa Terezinha Máximo, de 45 anos. Sua caçula Marina se suicidou em março do ano passado, aos 19 anos. A jovem, que estudava filosofia na Universidade Federal do ABC, estava em tratamento contra depressão, mas mesmo com esse apoio psicológico e com a ajuda da família e dos amigos sucumbiu ao sofrimento. “A gente fica com uma série de perguntas, uma série de porquês e fica pensando no que pode ter feito de errado”, afirma Terezinha. Marina era uma menina alegre que passou por uma intensa mudança de humor a partir dos 17 anos. “No começo achávamos que fosse TPM, problemas de adolescente que ficariam para trás, mas a situação se agravou”, lembra Terezinha. Agarota passou a fazer tratamento psiquiátrico e a tomar medicação, mas isso não impediu que ela passasse a se automutilar, um sinal de alerta em muitos processos suicidas. Em certo momento, começou a dizer que não queria continuar daquela forma. “A pior parte de tudo isso é reaprender a viver sem a pessoa”, afirma Terezinha. Ela e o marido Joseval, que têm outro filho de 27 anos, montaram um blog e coordenam hoje um grupo de apoio para ajudar pessoas a se recuperar do luto do suicídio. “Se eu tivesse a chance de voltar no tempo para valorizar mais os sinais que ela estava dando –  não era só o problema da idade, mas um sofrimento real, eu voltaria”.

Sensação parecida é a do oficial de Justiça aposentado Ivo Oliveira Faria, de 59 anos. Sua filha Ariele, de 18 anos, se suicidou em março de 2014.

“Naquele dia, a gente almoçou normalmente num restaurante e a única coisa que ela fez de diferente foi pedir um suco de manga em vez de laranja”, lembra. “Ela não dava nenhum sinal de que pretendia tirar a própria vida, estava normal, tinha terminado o ensino médio e estava prestando vestibular para Direito”. Ariele era uma menina calada, mas muito afetuosa e maternal. Demonstrava grande voracidade de leitura e na escola tinha desempenho mediano.

Três meses antes de se suicidar ela comunicou o pai de que pararia de frequentar a Igreja Gnóstica Cristã. o que fazia desde a infância com a família. “Disse para ela que não haveria problema, que eu lhe daria todo o apoio”, afirma Faria. Antes do último ato, Ariele deixou um bilhete em que dizia que não aguentava mais, que sua decisão não tinha culpas e que gente morta não decepciona ninguém. “Entrei em parafuso depois da sua morte. Me falaram de um grupo de apoio aos sobreviventes do suicídio, o Vita Alere, e fui numa primeira reunião ainda em 2014”, diz. “Frequento o grupo desde então para lidar com meu luto.” Criar um grupo para lidar com o luto foi o que fez o geógrafo cearense Tadeu Dote Sá, que perdeu a filha Bia, de 13 anos, em 2008. Tadeu criou o Instituto Bia Dote de Amor e Paz, onde são promovidas reuniões, palestras, rodas de conversas e muitas outras ações que ajudam na prevenção do suicídio. “Investimos no instituto como se fosse urna faculdade ou um carro que a gente daria para a Bia”, diz Tadeu.

A decisão de se matar sofre influências biológicas, psicológicas, sociais e culturais. A adolescência é um período de especial vulnerabilidade porque envolve mudanças hormonais, definições de personalidade, cobranças de desempenho, obrigando meninos e meninas a enfrentar um mundo em transformação. “O jovem está mais doente psiquicamente de um modo geral”, diz a psicóloga Karin Scavacini, que está à frente do Instituto Vita Alere de prevenção e reação pós­ suicídio. “Há uma dificuldade de aceitar a experiência da solidão e do sofrimento, baixa tolerância à frustração e uma obrigação de parecer de bem com a vida.” A ansiedade em relação ao desenvolvimento escolar e profissional tem afetado mais as novas gerações, sobretudo a partir do ensino médio e durante a universidade. No ano passado, houve pelo menos seis tentativas de suicídio entre alunos do quarto ano da Faculdade de Medicina da USP. “Em 90% dos casos de suicídio, a pessoa tinha uma doença psiquiátrica que pode ou não ter sido diagnosticada antes da morte”, afirma o psiquiatra Celso Lopes de Souza. “A coisa é mais complexa do que achar culpados únicos, causas únicas.” Para o psiquiatra. na maioria dos casos, a pessoa que se mata não quer morrer. Ela apenas quer renascer de uma situação difícil que está vivendo e que acha que nunca vai acabar. O psicólogo americano Edwin Shneidman, considerado o pai da suicidologia moderna, diz que o suicídio é um ato definitivo para um problema que tende a ser temporário.

De acordo com a psicanalista Débora Damasceno, diretora da Escola de Psicanálise de São Paulo, os suicidas têm algo em comum: falta de perspectiva para o futuro. “O que os adultos precisam fazer é responsabilizar o jovem pela própria saúde mental. Isso acaba com a pressão de que ele não pode falar. Mas o adulto tem que estar disposto a ouvir”, afirma. Segundo ela, os adultos têm uma conduta protecionista com os jovens, o que faz com que a autonomia deles seja tirada. “A pergunta que o jovem tem que fazer é: ‘Eu estou conseguindo lidar com os meus sentimentos’? O impulso do suicídio não é do nada, é algo que vem acontecendo gradativamente”, explica. Débora também afirma que quando o adolescente não quer falar sobre suas questões é preciso observar sinais. “Se eles são comportados demais, não têm um comportamento de questionar a própria realidade e não pensam no futuro, essa não é uma conduta comum de um adolescente”, diz.

Uma das consequências mais dramáticas dos suicídios é o desconsolo e a desolação daqueles que ficam, principalmente os mais próximos. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que um suicídio afeta diretamente entre seis e dez pessoas. Algumas são contagiadas a ponto de também cometerem um ato final. Os sentimentos de quem conviveu intimamente com o suicida envolve culpa (“eu poderia ter feito alguma coisa”), vergonha (a ideia de que suicídio é um fracasso, uma covardia, e não se deve falar do assunto), impotência (por não ter conseguido fazer nada para evitá-lo) e falta de conhecimento (as profundas razões que levam alguém a se matar são um mistério). Acima de tudo. há uma grande dificuldade de respeitar o sentido da vida do outro e aceitar sua decisão.

 A IMPORTÂNCIA DE FALAR

Um dos trabalhos mais consistentes de prevenção ao suicídio no Brasil é realizado pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), fundado em 1962, que, nos últimos anos, tem aberto novos canais gratuitos de comunicação e ampliado sua capacidade de atendimento para todas as classes sociais, o que tem causado um grande aumento da demanda por seus serviços. Em 2017, o número de chamadas para o CVV duplicou, saltando de um milhão, em 2016, para dois milhões.

Dois eventos no ano passado – a série do Netflix “13 Reasons Why” e o jogo Baleia Azul -, justificam parte desse aumento, diz o porta-voz do CVV, Carlos Correia. Durante a exibição da série, as escolas entraram em pânico e se falou muito em bullying e suicídio. ” Mais adolescentes e jovens entraram em contato. “Os relatos que recebemos demonstram uma solidão muito grande e muita dificuldade de a pessoa compartilhar o que está sentindo”, afirma Correia. “Além de não julgarmos as pessoas pelo sofrimento, damos a oportunidade para ela fazer uma reflexão sobre a própria vida em um ambiente receptivo e amistoso”. Citando projeções da OMS, Correia diz que 90% dos casos de suicídio poderiam ser evitados com um esforço de prevenção adequado. A meta do Ministério da Saúde é diminuir em 10% os casos de suicídio no Brasil até 2020 – objetivo alinhado com o da Organização Mundial de Saúde. Ainda que a redução seja alcançada, o número permanecerá alto. Mudar esse quadro definitivamente depende de uma atenção maior às situações que fragilizam os jovens e tomam o sentimento de opressão maior que a vontade de viver.

 Uma opressão maior que a vida.2

A PREVENCÃO AO SUICÍDIO

AÇÕES COLETIVAS:

  • Tratamento de transtornos psiquiátricos, redução do acesso aos métodos suicidas, adequado manejo da informação sobre o tema nos órgãos de difusão de massa. (Organização Mundial da Saúde – OMS, 2014)
  • Oferecer psicoeducação sobre o fenômeno do suicídio e desenvolver um trabalho de prevenção.
  • Habilitar profissionais da saúde para lidar com o comportamento suicida
  • Incentivar programas de prevenção ao suicídio, dependência química e de álcool
  • Divulgar os sinais de alerta e fatores de risco.
  • Proporcionar reflexões sobre os mitos e pensamentos prejudiciais que ressaltam o estigma.

 Uma opressão maior que a vida.3

Fonte: Revista Isto é – Edição 2523

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 15: 10-20

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O Que Contamina o Homem

Tendo provado que os discípulos, ao comer sem lavar as mãos, não deviam ser considerados culpados de transgredir as tradições e imposições dos anciãos, Cristo passa a mostrar que eles não deveriam ser considerados culpados de ter feito nada que fosse, por si só, mau. Na primeira parte do seu sermão, Ele limitou a autoridade da lei, e assim mostrou a razão para o procedimento adotado. Considere:

I – A solene introdução a este sermão (v. 10): “Chamando a si a multidão”. A multidão tinha se afastado enquanto Cristo estava discursando para os escribas e fariseus. Provavelmente estes homens orgulhosos tinham ordenado que as pessoas se afastassem, não desejando falar com Cristo diante da multidão. Cristo devia satisfazê-los com uma conversa em particular. Mas Cristo tinha uma preocupação com a multidão. Ele logo dispensou os escribas e os fariseus, desviou-se deles e convidou a multidão para que fossem seus ouvintes: assim são evangelizados os pobres; e Cristo escolheu as coisas loucas e desprezíveis deste mundo. O humilde Jesus aceitou aquelas pessoas que os orgulhosos fariseus olhavam com desdém, e agiu dessa maneira para a humilhação dos fariseus. Ele se afasta deles por serem teimosos e impossíveis de serem ensinados, e se volta para as pessoas que, embora fracas, eram humildes e desejavam ser ensinadas. A elas, Ele disse: “Ouvi e entendei”. Nós devemos nos empenhar ao máximo para compreender aquilo que ouvimos da boca de Cristo. Não somente os intelectuais, mas também a multidão, as pessoas comuns, devem se esforçar em suas mentes para compreender as palavras de Cristo. Portanto, Ele as convoca para que entendam, porque o ensino que Ele iria apresentar agora era contrário às noções que tinham absorvido, como leite, dos seus mestres, e invalidava muitos dos costumes e usos ao quais eles se dedicavam, e enfatizavam. Observe que é necessária uma grande concentração da mente e uma clareza de entendimento para libertar os homens daqueles princípios e procedimentos corruptos nos quais eles foram criados, e aos quais foram acostumados durante muito tempo; pois neste caso, o entendimento normalmente é influenciado e corrompido pelo preconceito.

II – A verdade é apresentada (v. 11) em duas proposições, que eram opostas aos erros vulgares daquela época, e que, por isso, eram surpreendentes.

1.”O que contamina o homem não é o que entra na boca”. Não é o tipo nem a qualidade do nosso alimento, nem a condição das nossas mãos, que afetam a alma com alguma contaminação ou profanação moral. “O reino de Deus não é comida nem bebida” (Romanos 14.17), algo que contamina o homem, que por esta culpa se encolhe diante de Deus, que resulta em algo ofensivo a Ele, e que desse modo é inadequado para a comunhão com Ele. Aquilo que comemos de maneira irracional e sem moderação traz um resultado negativo, pois “todas as coisas são puras para os puros” (Tito 1.15). Os fariseus consideravam que a contaminação cerimonial era agravada pelo fato de alguém comer isto ou aquilo, e iam muito além do que a lei pretendia. Eles a sobrecarregavam com acréscimos de sua autoria, contra os quais o nosso Salvador dá testemunho. Ele pretendia, com isso, preparar o caminho para uma anulação da lei cerimonial a este respeito. Ele estava começando a ensinar os seus seguidores a não chamar nada de comum ou impuro; e se Pedro, quando recebeu a ordem de matar e comer, tivesse se lembrado dessas palavras, não teria dito: “De modo nenhum, Senhor” (Atos 10.13-15,28).

1.”Mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem”. Nós somos contaminados, não pelo alimento que comemos sem lavar as mãos, mas pelas palavras que proferimos com um coração não santificado; é assim que a boca faz pecar a carne (Eclesiastes 5.6). Cristo, em um sermão anterior, colocou grande ênfase sobre as nossas palavras (cap. 12.36,37), e ali Ele tinha a intenção de reprovar e advertir aqueles que o criticavam; aqui, a intenção é reprovar e advertir aqueles que criticam os discípulos, e os censuram. Não são os discípulos que se contaminam com o que comem, mas os fariseus que se contaminam com o que falam deles, com desprezo e críticas. Aqueles que acusam os outros de transgredir os mandamentos dos homens, muitas vezes atraem uma culpa maior sobre si mesmos, por transgredirem a lei de Deus que trata dos julgamentos precipitados. Os que mais se contaminam são aqueles que se apressam a censurar a contaminação dos outros.

III – A ofensa que esta verdade gerou, e o relato que foi trazido a Cristo (v. 12). Os seus discípulos disseram-lhe: “Sabes que os fariseus, ouvindo essas palavras, se escandalizaram?” Em outras palavras: “O Senhor não previu que isto aconteceria com ‘essas palavras’, e não pensou que o fato de eles se enfurecerem mais ainda seria algo pior para o Senhor e para a sua doutrina?”

1.Não era estranho que os fariseus se ofendessem com esta verdade clara, pois eles eram homens repletos de erros e inimizades, enganos e maldades. Os olhos irritados não suportam a luz forte, e nada provoca mais os dominadores orgulhosos do que terem os seus erros a­ pontados por aqueles que a princípio tinham os olhos vendados, e que foram escravizados. Aparentemente os fariseus, que observavam as tradições com rigidez, estavam mais ofendidos que os escribas, que eram os seus professores; e talvez estivessem tão irritados com a última parte da doutrina de Cristo, que ensinava uma rigidez no controle da nossa língua, quanto com a primeira, que ensinava a indiferença a respeito da limpeza das mãos; os grandes defensores elas formalidades da religião normal­ mente desprezam imensamente a sua essência.

2.Os discípulos julgaram estranho que o seu Mestre dissesse algo que Ele sabia que iria ofender tanto aos fariseus. Ele não costumava fazer isso. Certamente, pensaram eles, se Ele tivesse imaginado o quanto isso seria provocador, Ele não teria dito isso. Mas Ele sabia o que estava dizendo, e a quem o dizia, e qual seria o resultado; e nos ensinou que, ainda que elevamos ser cuidadosos para não ofender aquele que é indiferente, não devemos, por medo de ofender, fugir de qualquer verdade ou dever: A verdade deve ser admitida, e o dever deve ser cumprido; e se alguém se ofender será por sua própria culpa. Este será um escândalo que não teremos gerado, mas apenas testemunhado.

Talvez os próprios discípulos hesitassem com as palavras que Cristo proferiu, as quais consideraram ousadas, e dificilmente reconciliáveis com a diferença que a lei de Deus colocava entre os alimentos puros e impuros; e, portanto, objetaram dessa maneira a Cristo, para que eles mesmos pudessem ter mais informações. Da mesma maneira, eles pareciam preocupados com os fariseus, embora estes tivessem discutido com eles; o que nos ensina a perdoar e a procurar o bem, especialmente o bem espiritual, dos nossos inimigos, perseguidores e caluniadores. Eles não queriam que os fariseus fossem embora descontentes com alguma coisa que Cristo tivesse dito, e, portanto, embora não desejassem que Ele se retratasse, esperavam que Ele explicasse, corrigisse e modificasse o que tinha dito. Os ouvintes fracos muitas vezes se mostram bastante solícitos a ouvir a mensagem de Deus. Já os ouvidos iníquos se ofendem com muita facilidade. Mas se nós agradarmos aos homens, ocultando a verdade e tolerando os seus erros e a sua corrupção, não seremos servos ele Cristo.

IV – A condenação sobre os fariseus e as suas tradições corruptas. Esta se mostra como a razão pela qual Cristo não se preocupou em ofendê-los; por­ tanto, os discípulos também não deveriam se preocupar porque eles eram uma geração de homens que detestavam ser modificados, e estavam destinados à destruição. A respeito deles, Cristo prevê duas coisas:

1.Que eles e suas tradições seriam desarraigados (v. 13): “Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada”. Não somente as opiniões corruptas e as práticas supersticiosas dos fariseus, mas também a sua seita, os seus métodos, e a sua constituição, eram plantas que não tinham sido plantadas por Deus (as regras que professavam não eram instituições dadas por Deus, mas deviam a sua origem ao orgulho e à formalidade). Os judeus tinham sido plantados como uma “vide excelente”, mas agora que tinham se tornado a “planta degenerada” de uma “vide estranha”, Deus os renegou como não sendo ele sua plantação. Considere que:

(1) Na igreja visível, não é estranho encontrar plantas que o nosso Pai celestial não plantou. Está implícito que tudo o que é bom na igreja é plantação ele Deus (Isaias 41.19). Mas mesmo que o lavrador seja muito cuidadoso, o seu terreno irá produzir ervas daninhas, em maior ou menor quantidade, e há um inimigo que está ocupado semeando outras. O que é corrupto, embora sua existência seja permitida por Deus, não é de sua plantação. Ele só planta “boa semente no seu campo”. Portanto, não sejamos enganados, como se tudo o que encontramos na igreja devesse ser bom, e como se todas as pessoas e coisas, plantas que nós encontramos no jardim elo nosso Pai, fossem plantas dele. “Não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus” (veja Jeremias 19.5; 23.31,32).

(2) Aqueles que têm o espírito dos fariseus, que são orgulhosos, formais e dominadores, sejam quantos forem, e ela seita que forem, Deus não os reconhecerá como sendo da sua plantação. “Por seus frutos os conhecereis”.

(3) Estas plantas que não são ela plantação ele Deus, não estarão sob a sua proteção, mas deverão, sem dúvida, ser arrancadas. O que não é obra de Deus, se desfará (Atos 5.38). As coisas que não fazem parte das Escrituras murcharão e morrerão por si mesmas, ou serão devidamente destruídas pelas igrejas. De qualquer maneira, no Grande Dia, estas ervas daninhas que irritam e ofendem serão reunidas para o fogo. O que aconteceu com o farisaísmo e as suas tradições? Há muito tempo foram abandonados; mas o Evangelho ela verdade é grandioso e permanecerá. Ele não pode ser arrancado.

2.A ruína dos fariseus e dos seus seguidores – que admiravam os seus princípios (v.14).

(1)  Cristo diz aos seus discípulos que não se preocupem com os fariseus: “Deixai-os”. Em outras palavras: “Não conversem com eles, não se preocupem com eles; não cortejem seus favores, nem temam o seu descontentamento. Não se preocupem”. Embora eles estejam ofendidos, seguirão o seu caminho, e terão que sofrer as consequências ele suas decisões. Eles estão presos às suas próprias fantasias, e farão tudo à sua própria maneira, deixemo-los. Não procure agradar a uma geração de homens que não agradam a Deus (1 Tessalonicenses 2.15), pois eles não se contentarão com nada que não seja o domínio absoluto sobre as suas consciências. Eles estão “entregues aos ídolos”, como Efraim (Oseias 4.17), os ídolos inventados por eles; deixem que fiquem sozinhos, “quem está sujo suje-se ainda” (Apocalipse 22.11). A situação destes pecadores, que Cristo ordena que sejam deixados sozinhos, é verdadeiramente triste.

(2)  Jesus dá aos discípulos duas razões para isso. “Deixem-nos”, pois:

[1] Eles são orgulhosos e ignorantes; duas más qualidades que frequentemente se encontram, e que produzem um homem incurável na sua tolice (Provérbio 26.12). “São condutores cegos” que conduzem cegos. São profundamente ignorantes das coisas de Deus, e estranhos à natureza espiritual da lei divina; e além disso, são tão orgulhosos, que pensam ver melhor e mais longe do que qualquer outra pessoa, por isso assumem a responsabilidade de serem líderes dos outros, para mostrar aos outros o caminho para o céu, quando eles mesmos não conhecem nenhum passo do caminho; e, por conseguinte, aconselham a todos, e condenam aqueles que não os seguem. Embora sejam cegos, se tivessem admitido isso e tivessem vindo a Cristo para receber a cura para os seus olhos, poderiam ter visto; mas desdenharam a insinuação de alguma situação como esta (João 9.40): “Também nós somos cegos?” Eles tinham convicção de que eram guias dos cegos (Romanos 2.19,20), que eram vocacionados para isso e preparados para isso; que tudo o que diziam era um oráculo e urna lei. “Por isso, deixe-os em paz, a situação deles é desesperadora; não se intrometam com eles; vocês poderão provocá-los, mas nunca convencê-los”. Como era triste a situação da religião judaica, agora que os seus líderes estavam cegos, mostrando-se arrogantes e tolos, a ponto de serem obstinados e categóricos no seu comportamento, ao passo que as pessoas estavam tão entorpecidas a ponto de segui-los com uma fé e obediência cegas, e voluntariamente andarem” após a vaidade” (Oseias 5.11). Agora se cumpria a profecia (Isaias 29.10,14). E é fácil imaginar o que ocorre no fim de tudo isso, quando “os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam pelas mãos deles”, e o povo ama tal situação (Jeremias 5.31).

[2] Eles estão destinados à destruição, e em breve mergulharão nela: ”Ambos cairão na cova”. Este deve ser o fim, se ambos estão tão cegos – e ainda assim, ambos são tão ousados, aventurando-se adiante e sem perceber o perigo. Ambos serão envolvidos na desolação geral que se aproxima, e que atingirá os judeus, e ambos afundarão na destruição e na perdição eternas. Os condutores cegos e os seguidores cegos perecerão juntos. Nós sabemos que o inferno é o destino de quem ama e comete a mentira (Apocalipse 22.15). “O que erra e o que faz errar” serão submetidos ao julgamento de Deus (Jó 12.16). Observe, em primeiro lugar, que aqueles que, pela sua astúcia ardilosa, levam outros ao pecado e ao erro, não escaparão da destruição, nem mesmo com toda a sua astúcia e habilidade. Se ambos caem na cova, os condutores cegos cairão mais fundo e sofrerão o pior (veja Jeremias 14.15,16). Os profetas serão consumidos primeiro, e então as pessoas a quem profetizavam (Jeremias 20.6; 27.15,16). Em segundo lugar, o pecado e a ruína dos enganadores não irão representar nenhuma proteção àqueles que foram enganados por eles. Embora os guias desse povo o tenham feito errar, ainda assim “os que por eles são guiados são devorados” (Isaias 9.16), porque fecharam os olhos para a luz que deveria ter corrigido o seu erro. A queda dos dois juntos agravará a queda dos dois; pois aqueles que dessa forma aumentaram os pecados um do outro, aumentarão a ruína um do outro – este é um processo mútuo.

V – A orientação dada aos discípulos a respeito da verdade que Cristo tinha estabelecido (v. 10). Embora Cristo rejeite o ignorante decidido, que não se importa com a instrução, Ele pode se compadecer do ignorante que está desejoso de aprender (Hebreus 5.2). Se os fariseus, que anularam a lei, estavam ofendidos, que continuem ofendidos; mas “muita paz tem os que amam a lei de Deus”, pois nada os ofenderá; de uma maneira ou de outra, a ofensa será removida (Salmos 119.165).

Aqui temos:

1.O desejo dos discípulos ele receber mais orientação sobre esse assunto (v. 15). Nesse pedido, assim como em muitos outros, Pedro foi o orador; os outros discípulos, provavelmente, o incentivavam a falar, ou deixavam claro que estavam de acordo: “Explica-nos essa parábola”. O que Cristo tinha dito estava claro; mas, como não estava de acordo com as noções das quais eles tinham sido impregnados, embora não o contradissessem, ainda assim classificavam esse importante ensino como uma parábola, e não conseguiam compreender. Considere:

(1) A compreensão fraca pode transformar verdades claras em parábolas, e procurar complicar o que é simples. Os discípulos frequentemente faziam isso, como em João 16.17. Até mesmo um gafanhoto é um peso para um estômago delicado; e os bebês, em termos de entendimento, não conseguem tolerar e digerir um alimento sólido.

(2) Quando uma mente frágil tem dúvidas a respeito ele alguma palavra de Cristo, um coração justo e uma mente disposta irão procurar orientação. Os fariseus estavam ofendidos, mas não o tornaram público. Detestando ser transformados, eles detestavam ser instruídos; mas os discípulos, embora ofendidos, procuraram a satisfação, atribuindo a ofensa não à doutrina transmitida, mas à superficialidade da sua própria capa cidade.

2.A repreensão que Cristo lhes fez pela sua fraqueza e ignorância (v. 16): “Até vós mesmos estais ainda sem entender?” Não importa a quantos Cristo ensine e ame; Ele repreende a todos, sempre visando o bem de cada um. Observe que são realmente muito ignorantes aqueles que não compreendem que a contaminação moral é muito pior e mais perigosa do que a cerimonial. Duas coisas agravam a sua ignorância:

(1).  O fato de que eram os discípulos de Cristo: ”Até vós mesmos estais ainda sem entender?” Em outras palavras: ”Até vocês, que eu admiti em um círculo de tanta intimidade comigo, são tão pouco experientes na palavra da justiça?” Note que a ignorância e os enganos daqueles que professam a religião, e desfrutam os privilégios de serem membros de uma igreja, representam, com justa razão, uma tristeza para o Senhor Jesus. “Não é de admirar que os fariseus, que não sabem nada sobre o reino do Messias, não entendam esta doutrina. Mas vocês, que ouviram falar dela, e a aceitaram, e a pregaram aos outros, não podem ser estranhos ao espírito e ao gênio dela”.

(2).  O fato de que eles tinham sido, já por algum tempo, alunos de Cristo. “Vocês ainda não entendem, mesmo depois de estarem tanto tempo recebendo os meus ensinamentos?” Se eles tivessem começado a estudar na escola de Cristo na véspera, a situação seria outra, mas o fato de terem sido, por tantos meses, os ouvintes constantes de Cristo, e ainda não conseguirem entender, era uma grande reprovação para eles. Cristo espera de nós alguma proporção de conhecimento, graça, e sabedoria, conforme o tempo e os meios de que dispomos. Veja João 14.9; Hebreus 5.12; 2 Timóteo 3.7,8.

3.A explicação que Cristo lhes deu sobre essa doutrina da contaminação. Embora Ele reprove a ignorância dos discípulos, Ele não os abandona, mas se compadece deles, e os ensina, como em Lucas 24.25-27. Aqui, Ele nos mostra:

(1). Que nós corremos pouco risco de contaminação por aquilo “que entra pela boca” (v. 17). Um apetite desordenado, a falta de moderação e os excessos na alimentação nascem do coração e contaminam, mas o alimento, em si, não contamina, como supunham os fariseus. Daquilo que existe de sujeira e contaminação no nosso alimento, a natureza (ou melhor, o Deus da natureza) providenciou uma maneira de nos limpar; o alimento “desce para o ventre e é lançado fora”, e não sobra nada em nós, exceto a nutrição pura. Nós somos feitos e conservados de uma forma milagrosa e aterrorizante; e assim as nossas almas são mantidas vivas. A capacidade de expelir é uma necessidade do corpo, como qualquer outra, para a expulsão daquilo que é supérfluo ou nocivo; assim, alegremente a natureza se transforma, para o seu próprio bem; pela alimentação, nada contamina. Se comermos sem lavar as mãos, ou se algo impuro se misturar com o nosso alimento, a natureza o irá separar e expelir, e isso não representará para nós contaminação. Lavar-se antes de comer pode ser uma questão de asseio, mas não de consciência; e cometeremos um grave erro se confundirmos higiene com prática religiosa. O que Cristo condena não é o procedimento em si, mas a opinião que se constrói sobre ele, como se o alimento nos tornasse agradáveis a Deus (1 Coríntios 8.8); o cristianismo não se apoia em práticas desse tipo.

(2). Que nós corremos grande risco de contaminação por aquilo que “sai da boca” (v. 18), e que procede da abundância do coração. Compare esse texto com Mateus 12.34. Não existe contaminação naquilo que recebemos pela generosidade de Deus; a contaminação surge nas consequências da nossa corrupção. Aqui, temos:

[1]. A origem corrupta daquilo que sai da boca: “Procede do coração”. Aí está a origem e a fonte de todo pecado (Jeremias 8.7). Ê o coração que é tão desesperadamente perverso (Jeremias 17.9); pois não existe um pecado em uma palavra ou obra que não estivesse primeiro no coração. Ali está a raiz da amargura, que traz tristeza e infelicidade. O íntimo de um pecador são verdadeiras maldades (Salmos 5.9). Toda a maldade dita nasce do coração, e contamina; do coração corrompido vem a comunicação corrompida.

[2]. Algumas das tendências corrompidas que jorram dessa fonte são especificadas. Embora nem todas saiam da boca, todas saem do homem e são os frutos daquela maldade que está no coração, e ali são forjadas (Salmos 58.2).

Em primeiro lugar, “os maus pensamentos” – pecados contra todos os mandamentos. Por isso Davi coloca os pensamentos vãos em oposição à lei (Salmos 119.113).

Estes são os primogênitos da natureza corrupta, o início da sua força e aqueles que mais se assemelham a ela. Estes, como filhos e herdeiros, permanecem na casa e se alojam em nós. Existe uma grande quantidade de pecados que começam e terminam no coração, e não vão além dele. As fantasias e imaginações carnais são maus pensamentos, maldade na concepção, planos e objetivos maldosos, e maquinações que visam o mal dos outros (Miquéias 2.1).

Em segundo lugar, as “mortes” – pecados contra o sexto mandamento. Estes vêm de uma maldade no coração contra a vida do nosso irmão, ou um desprezo por ela. Por isso, daquele que odeia o seu irmão, diz-se que é homicida (1 João 3.15); ele também está sujeito ao tribunal de Deus. A guerra está no coração (Salmos 55.21; Tiago 4.1).

Em terceiro lugar, “os adultérios e a prostituição” – pecados contra o sétimo mandamento. Estes vêm do coração devasso, impuro e carnal; e a luxúria que ali reina, ali é concebida, e dá à luz estes pecados (Tiago 1.15). O adultério existe primeiro no coração, e depois no ato (cap. 5.28).

Em quarto lugar, “os furtos” – pecados contra o oitavo mandamento: trapaças, injustiças, roubos e todos os contratos ofensivos; a origem de tudo isso está naquele coração que é “exercitado na avareza” (2 Pedro 2.14), e está nas riquezas (Salmos 62.10). Acã cobiçou, e então tomou (Josué 7.20,21).

Em quinto lugar, “os falsos testemunhos” – pecados contra o nono mandamento. Este pecado nasce de uma combinação entre a falsidade e a cobiça, ou falsidade e maldade, no coração. Se a verdade, a santidade e o amor, que Deus exige no íntimo, reinassem como deveriam, não haveria falsos testemunhos (SIalmos54.6; Jeremias 9.8).

Em sexto lugar, “as blasfêmias”, ou seja, falar mal a respeito de Deus, que é o pecado contra o terceiro mandamento; falar mal do nosso próximo, algo que é contra o nono mandamento. Isto nasce de um desprezo e desdém tanto em relação a Deus como aos nossos irmãos no nosso coração. E dali que procede a blasfêmia contra o Espírito Santo (cap. 12.31,32); este é o transbordamento da amargura interior

“São essas coisas que contaminam o homem” (v. 20). Observe que o pecado contamina a alma, deixando-a feia e abominável diante dos olhos de um Deus puro e santo; inadequada para a comunhão com Ele, e para desfrutar a presença dele na nova Jerusalém, onde não entrará coisa alguma que contamine e cometa abominação e mentira. A mente e a consciência são contaminadas pelo pecado, o que torna todo o resto igualmente contaminado (Tito 1.15). Esta contaminação pelo pecado era sugerida pela contaminação cerimonial que os mestres judeus acrescentaram, mas não compreenderam. Veja Hebreus 9.13,14; 1 João 1.7.

Estas, portanto, são as coisas que devemos evitar cuidadosamente, assim como qualquer aproximação delas, em vez de enfatizar a limpeza das mãos. Cristo ainda não havia rejeitado a lei da distinção dos alimentos (o que não foi feito até Atos 10), mas a tradição dos anciãos, que tinha sido adicionada à lei; e, dessa maneira, Ele conclui: “Comer sem lavar as mãos” (que era o problema em questão), “isso não contamina o homem”. Se o homem lavar as mãos, isto não o faz melhor diante de Deus; se não lavar, isto não o faz pior.

GESTÃO E CARREIRA

RECRUTE COM Q. I.

Avaliar a capacidade cognitiva de candidatos ajuda a selecionar melhor.

Recrute com Q.I.

 Obcecado por autopromoção e auto louvação, Donald Trump tuitou, em outubro passado, ter quociente de inteligência (Q.I.) mais alto que seu secretário de Estado, Rex Tillerson. Trump já havia lembrado dessa gasta medição em 2013, quando também se gabou de ter Q.I. maior que os dos ex-presidentes Barack Obama e George W. Bush. O Q.I. já passou por todas as interpretações erradas possíveis – muitos rejeitam completamente esse tipo de medição –, e Trump exagera sua importância. Há muito tempo Q.I. não é a principal definição de inteligência. Mas eis que um estudo publicado na revista científica Industrial and Organizational Psychology constata que recrutadores de empresas deveriam incluir essa medição em seu trabalho. Segundo o artigo, o habitual hoje é que o Q.I. seja completamente ignorado, em favor de traços de personalidade e conhecimento técnico. Para os autores, isso impede a devida mensuração de uma característica básica para um bom desempenho profissional – a capacidade cognitiva, de apreensão e reconhecimento de padrões, mudanças e informações. Essa capacidade, fundamental para assimilar conhecimento, é parcialmente medida pelo Q.I.

Isso não significa que o Q.I. deva direcionar o recrutamento – apenas que precisa ser considerado. Estudo publicado pela americana Harvard Business School destaca os três traços conjuntos que devem nortear a escolha de um candidato: habilidade cognitiva (outra denominação para Q.I.), habilidades sociais e energia para agir.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL

Matéria cinzenta é maior entre os que são fisicamente mais ativos.

Envelhecimento saudável (2)

Atividades cotidianas, como faxina, levar os cães para um passeio e cuidar do jardim, além da prática de atividades físicas, estão associadas a uma maior quantidade de matéria cinzenta no cérebro de idosos, de acordo com um estudo publicado recentemente no Journal of Gerontology: Psychological Sciences.

Mais matéria cinzenta no cérebro pode ser algo estratégico tanto para tarefas cognitivas quanto na motricidade, passando pela linguagem acurada, o aguçamento dos sentidos e o processamento saudável das emoções. Medida de saúde, ela começa a diminuir na vida adulta e tal diminuição é associada a disfunções cognitivas, demência e doença de Alzheimer.

Na pesquisa em questão, os cientistas usaram acelerômetro para medir a atividade de 262 adultos mais velhos, que ficaram com o aparelho de 7 a 10 dias seguidos. Ressonância magnética funcional também foi outro recurso utilizado pelos pesquisadores junto aos voluntários do estudo.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

DOMÍNIO DAS EMOÇÕES COM DISCIPLINA

A Rotina está relacionada ao comportamento porque se impõe e se torna inquestionável. Quando a criamos e seguimos, paramos de consultar à vontade e partimos para a ação.

Domínio das emoções com disciplina

 Costumamos associar rotina a algo chato e sem graça pelo simples fato de que é sempre bom sair dela. Para as crianças, que adoram novidades, fazer uma coisa diferente pode ser muito empolgante. Mas para que possamos curtir esses momentos é preciso haver uma rotina a ser quebrada. Sem ela, os d ias passam a ser caóticos, a alimentação e o sono são prejudicados, a criança não desenvolve a persistência e não exercita o controle da atenção.

A relação com a atenção pode não ser óbvia, mas é direta: toda a atividade que requer concentração exige esforço, traz um desconforto que nos leva a adiar a tarefa até o último momento. Se já temos um tempo determinado para atividades nas quais precisamos nos concentrar, não damos chance à procrastinação.

Entre crianças, a rotina é uma forma de tirar seu poder de decisão; de não deixar espaço para que decidam quando farão a tarefa, por exemplo. Isso as poupa de uma ansiedade desnecessária, acionada pela projeção do momento desconfortável de estudo. Um horário muito flexível e variável para as obrigações também dá margem para que elas lutem contra esse momento não apenas com procrastinação ou distrações, mas com birras e desobediência.

Disciplina é colocar a ação acima da vontade e dos sentimentos. Não se trata de obediência e sim de assumir um compromisso – geralmente consigo mesmo – e cumpri-lo, independentemente das condições emocionais. Ela nos ensina a termos mais controle sobre as próprias emoções e a focarmos na produtividade, no processo. Ao direcionarmos a atenção àquilo que nos comprometemos a fazer, somos transformados pela ação e deixamos de ser dominados pelos desejos.

Estabelecer horários para as atividades das quais costumamos fugir, por exigirem esforço cognitivo ou físico, nos permite maior produtividade e ganho de destreza em qualquer domínio – pois o desenvolvimento de habilidades necessariamente passa pela repetição, persistência e disciplina, atributos que recusam-se a se submeter à disposição. Se esperamos que uma criança desenvolva sozinha e naturalmente habilidades de seu interesse, acabamos privando-a da satisfação de se descobrir capaz de fazer algo com maestria e de perceber que o exercício programado transforma o esforço inicial em uma ação automática, realizada de forma ágil e com prazer.

Ao experimentar os ganhos relacionados à ação sem procrastinação, as crianças aprendem a se autodisciplinar – uma capacidade que está mais relacionada ao bom desempenho acadêmico que a resultados em testes de QI. Foi o que descobriram pesquisadores da Universidade da Pensilvânia em um estudo longitudinal com adolescentes, a partir de uma série de questionários relacionados aos hábitos. A conclusão foi de que autodisciplina é um preditor preciso de notas e frequência, com impacto maior que testes de inteligência.

A disciplina é uma virtude muito presente nos ensinamentos do pensamento oriental. É um dos fundamentos da terapia japonesa Morita, voltada para a transformação por meio da ação. Em Constructive Living, um de seus livros sobre essa visão oriental, o filósofo David Reynolds destaca: “Escrevo mais sobre rotinas que sobre variedade (embora ambas sejam importantes) porque a maioria das pessoas que encontro são naturalmente atraídas pela variedade, por mudanças, pela dispersão. Elas necessitam da estabilidade da rotina para superar a tendência de serem controladas por seus sentimentos”.

Apesar de parecer uma afirmação contraditória em uma primeira leitura, a rotina nos gratifica com mais espaço para a criatividade. Isso porque ao cumprirmos uma agenda livramos nossa mente das pequenas decisões e, portanto, da atenção que novas situações ou ambientes requerem. Por tornarem-se automáticas, as tarefas realizadas sistematicamente exigem um esforço mental menor e permitem que os recursos cognitivos sejam empregados em momentos mais criativos e produtivos.

Isso quer dizer que, como define Reynolds, variedade – ou seja, novidades – também é importante no nosso processo de criação e produção. Somos naturalmente tão ávidos por novidades, que são elas – e não a rotina e a repetição – que ativam o sistema de recompensa do cérebro, nos fazendo querer mais. No entanto, uma vida produtiva e criativa depende do equilíbrio entre o inesperado e o costumeiro, de um direcionamento inteligente de energia.

As obras inovadoras e os trabalhos mais admiráveis não surgem do caos nem aparecem por acaso para alguns raros sortudos que foram escolhidos pela inspiração. Pelo contrário: eles podem aparecer quando menos esperamos, mas só escolhem aqueles que enfrentaram os longos, lentos e pouco românticos períodos de dedicação e disciplina.

 

Michele Müller é jornalista, pesquisadora, especialista em Neurociências, Neuropsicologia Educacional e Ciências da Educação. Pesquisa e aplica estratégias para o desenvolvimento da linguagem. Seus projetos e textos estão reunidos no site www.michelemuller.com.br

GESTÃO E CARREIRA

VENDA RÁPIDA, FÁCIL E SUSTENTÁVEL

Especialistas explicam os motivos pelos quais sites que permitem a venda de itens usados estão ganhando tanto espaço no mercado eletrônico. Além de movimentarem a economia, eles dão sobre vida a itens que poderiam ser descartados ainda com condições de uso. O meio ambiente agradece!

Venda rapida, facil e sustentável

A forma como consumimos produtos e serviços tem mudado, e muito. Foi-se o tempo em que um produto que deixava de ser usado por alguém ficava esquecido em algum canto da casa. Eles têm ganhado sobrevida e valem dinheiro: para quem vende é sinônimo de faturamento, para quem compra é sinônimo de economia.

É tanta gente interessada em produtos usados que o número de empresas que trabalham com esse tipo de item cresceu 210% no Brasil em cinco anos, segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Quando falamos nesse tipo de comércio no ambiente virtual, acredite, o setor cresceu cerca de 38% em 2016. Dados da Associação Brasileira de Comércio mostram que as lojas virtuais que trabalham com itens de segunda mão faturaram R$2,5 bilhões no País.

Para o especialista em marketing digital e sócio fundador da startup Elefante Verde, Fábio Duran, vários fatores resultaram no crescimento do mercado. A crise econômica é um dos motivos, afinal., comprar produtos com etiqueta está mais caro e não tem sobrado dinheiro para tantos supérfluos. Além disso, Duran atribui o bom momento do setor aos avanços da experiência de compra pela internet. ‘”Está cada vez mais fácil comprar produtos pela internet. As transações estão mais seguras e as empresas estão preocupadas em tomar a experiência de compras mais transparentes para o consumidor”, comenta o especialista.

 CLASSIFICADOS

Para dar mais corpo a esse mercado em expansão, os classificados on-line estão com a corda toda. É o caso da OLX. Brasil. O site, que permite que pessoa anunciem produtos de maneira rápida e gratuita viu a quantidade de transações aumentar. No comparativo entre os de primeiros meses de 2015 com o mesmo período de 2016, o crescimento foi de 74,8%. O número de itens vendidos no período também disparou: foi 105,9 maior em 2016.

A marca, fundada na Argentina em 2006, hoje está presente em mais de 50 idiomas e em 60 países do mundo. Para Fábio Duran, os sites de classificados, como a OLX, têm fisgado um público que quer vender poucas ou apenas uma unidade de um produto. “Apesar da transação não ser feita diretamente na plataforma, os classificados têm investido pesado para tomar a ferramenta cada vez mais segura. É interessante para os sites que o consumidor consiga fazer a negociação da maneira mais tranquila possível para que ele volte a usar a ferramenta”, comenta Duran.

O especialista em marketing digital destaca ainda que esse tipo de site é reflexo de uma mudança de entendimento por parte do consumidor quanto à relação que se tem com um item. Antigamente, as pessoas focavam na propriedade de produtos, hoje estão mais interessadas em sua posse’, pontua. Outro ponto que faz dos classificados on-line verdadeiros sucessos estão a quantidade de produtos ofertados. O mix é extremamente variado e os preços podem ser negociados diretamente com quem está vendendo.

 MARKETPLACE

Nos marketplaces a realidade é tão promissora quanto à dos classificados. Em 2014 as lojas virtuais que atuam nesse formato faturaram R$9 bilhões. Um ano depois, chegaram a R$41,3 bilhões, segundo dados da E-bit. No meio dos produtos comercializados na plataforma estão… Imagine quem? Os produtos usados.

Apesar do crescimento, ainda há muito que expandir. A Associação Brasileira de Startups revela que, atualmente, apenas 8% das empresas estão no formato de marketplace. Mas você deve estar se perguntado, afinal, do que se trata o tal do marketplace?  De maneira bem simplista é a ferramenta que aproxima quem procura por um produto de quem fornece esse produto.

O especialista em marketplace e CEO da Ecommet, Frederico Flores, diz que o segmento atrai cada vez mais consumidores por conta da praticidade que se tem ao pesquisar por um item. Por outro lado, para quem está vendendo também é uma baita vantagem.  A pessoa que opta por vender em uma loja virtual própria tem gastos com a manutenção do site, com ações de marketing e com sistemas antifraude”, exemplifica Flores.

Já quem prefere vender por meio de um site de marketplace vai enfrentar transações mais baratas e com menos dor de cabeça. O vendedor pode anunciar o produto sem custo. Ele só terá que pagar a comissão para o site quando o item for vendido”, explica Flores. Dessa forma, é possível, inclusive, vender por preços mais baixos do que em outros meios.

Flores é enfático ao dizer que “o marketplace é um caminho sem volta”. Ele tem razão. Em 2016 o segmento cresceu cerca de 18%, segundo a ABCOmm. “Entre os fatores desse boom está o fato de o consumidor poder comparar preços e comprar com segurança na plataforma. O marketplace ainda se responsabiliza pela venda, independentemente de quem seja o ‘real vendedor”, comenta.

Nessa modalidade, o marketplace faz a venda, mas o estoque não pertence a ele. Para ter uma ideia, é como se você comprasse uma geladeira de uma empresa do Rio Grande do Sul e um micro-ondas de uma loja que fica no Maranhão. O consumidor não sabe, necessariamente, de onde vem o produto, mas sabe que comprou por meio daquele marketplace em questão.

Fábio Duran, da Elefante Verde, explica que ao comprar um produto, seja ele qual for; em um marketplace, o consumidor está protegido do ponto de vista jurídico. “O que vale para o consumidor é o que ele está vendo no momento da compra. Mesmo que o estoque não seja do marketplace, ele é tão responsável quanto o responsável pelo estoque, justifica.

COMPARATIVO

No comparativo entre o classificado e o marketplace, Duran diz que o primeiro é mais assertivo para quem vai vender produtos unitários, enquanto o outro ê uma alternativa para quem quer fugir de uma loja virtual tradicional. “Mas isso não quer dizer que a empresa não possa estar presente nos dois modelos de negócio. Eles podem se completar”, opina o especialista.

FUTURO

Pensando no futuro próximo, Frederico Flores acredita que a rota a ser seguida pelos marketplaces será a desburocratização para o consumidor. “Hoje, quando compramos produtos de estoques diferentes, pagamos por fretes distintos, mas chegaremos a um momento em que o marketplace vai se encarregar de receber um único frete do consumidor e fazer o pagamento interno para os demais envolvidos na transação, explica Flores.

O especialista também é otimista com o setor quando compara o desempenho dos marketplaces em outros países: “No Brasil, apenas 20% das compras são feitas em marketplaces. Nos EUA, esse número atinge os 45%, já na China a marca é de 85%’.

BOM PARA O MEIO AMBIENTE

Independentemente da plataforma – se um classificado ou um marketplace – existe um grande ganhador nesse hábito de consumo: o meio ambiente. Com tantas possibilidades de passar adiante os produtos, eles estão indo para o lixo muito mais tarde. E isso é bom demais. Para ter uma ideia, uma jaqueta de couro demoraria mais de quatro décadas para se decompor na natureza.

Mas o forte de vendas na internet são os eletrônicos. Ainda bem. Sabe quanto tempo um celular demoraria para se decompor em um aterro sanitário (isso sem falar da contaminação do solo, que é muito mais grave)? Mais de 450 anos. Os componentes de metal e plástico são tão nocivos para a natureza que o melhor a ser feito é permitir que o produto possa ser útil para outra pessoa.

TEMPO DE DECOMPOSIÇÃO NA NATUREZA

Tempo médio pode variar dependendo do solo e condições de descarte do material

  • Loucas – indeterminado
  • Computadores smartphones e materiais eletroeletrônicos (componentes de metal e plástico) – cerca de 450 anos
  • Jaqueta de Couro – cerca de 4S anos
  • Roupas de tecido sintético – cerca de 30 anos Móveis de madeira pintados – cerca de 13 anos
  • Móveis de madeira pintados – cerca de 13 anos

 

Fonte: Revista Gestão & Negócios – Edição 97

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 15: 1-9

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Jesus Repreende os Escribas e os Fariseus

Costuma-se dizer que os maus modos produzem boas leis. O calor exacerbado dos mestres judeus no apoio à sua hierarquia ocasionou muitos sermões excelentes do nosso Salvador para o estabelecimento da verdade, como vemos aqui.

I – Na crítica dos escribas e fariseus aos discípulos de Cristo, por comerem sem lavar as mãos. Os escribas e fariseus eram os homens mais importantes da religião judaica, homens que se beneficiavam da santidade alheia, grandes inimigos do Evangelho de Cristo, mas que disfarçavam a sua oposição simulando zelo pela lei de Moisés, quando, na verdade, não queriam outra coisa além do apoio à sua própria tirania sobre as consciências dos homens. Eles eram homens de instrução, e homens de negócios. Esses escribas e fariseus aqui apresentados eram de Jerusalém, a cidade santa, “para onde as tribos subiam”, e onde estavam “os tronos do juízo”; portanto, eles deveriam ter sido melhores do que os outros, e no entanto, eram piores. Os privilégios externos, se não aproveitados ele maneira adequada, normalmente fazem os homens in­ char de orgulho e maldade. Jerusalém, que deveria ter sido uma fonte pura, agora tinha se tornado uma fossa envenenada. “Como se fez prostituta a cidade fiel!”

Se estes grandes homens eram os acusadores, qual é a acusação? Que artigos eles apresentam contra os discípulos de Cristo? Ora, na verdade, a acusação é a não conformidade aos cânones da sua religião (v. 2): “Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos?” Esta acusação se cumpre com um exemplo particular: Eles “não lavam as mãos quando comem pão”. Um delito muito grave! Este era um sinal de que os discípulos de Cristo se comportavam de maneira inofensiva; pois esta era a pior “transgressão” de que podiam ser acusados pelos escribas e fariseus.

Considere:

1.Qual era a tradição dos anciãos. As pessoas deveriam lavar as mãos muitas vezes, sempre antes das refeições; era uma lavagem cerimonial. Nisto eles colocavam uma grande dose de religião, supondo que o alimento que tocassem com mãos impuras os contaminaria. Os próprios fariseus praticavam isso, e com grande rigidez o impunham aos outros, não sob penas civis, mas como uma questão de consciência, fazendo disso um pecado contra Deus, se não fosse observado. O rabino Joses determinou: “Comer sem lavar as mãos é um pecado tão grave quanto o adultério”. E o rabino Akiba, mantido prisioneiro, tendo recebido água tanto para lavar as mãos como para beber com a sua refeição, e tendo a maior parte sido derramada acidentalmente, lavou as mãos com o que sobrou, embora não lhe sobrasse nada para beber, dizendo que preferiria morrer a transgredir a tradição dos anciãos. Não, eles não comeriam com alguém que não se lavou antes da refeição. Este forte fanatismo em uma questão tão pequena poderia parecer muito estranho, se nós não o víssemos ainda hoje nos opressores da igreja, que não somente gostam de colocar em prática as suas próprias invenções, mas também forçam, furiosamente, a obediência às suas imposições.

2.Qual foi a transgressão a essa tradição, ou imposição, que os discípulos tinham cometido. Aparentemente, eles não lavaram as mãos quando comeram pão, o que era muito ofensivo para os fariseus, porque os discípulos, em outras coisas, eram rígidos e conscienciosos. O costume era suficientemente inocente, e tinha uma decência no seu uso civil. Nós lemos sobre a água para purificação nas bodas, onde Cristo estava presente (João 2.6), embora Cristo a tenha transformado em vinho, e dessa maneira aquela utilidade chegou ao fim. Mas quando isso veio a ser praticado e imposto como um rito e uma cerimônia religiosa, e com tal importância, os discípulos, embora fracos em conhecimento, ainda assim estavam bem ensinados, para não acatar esse costume, ou observá-lo; nem quando os escribas e fariseus os vigiavam. Eles já tinham aprendido o ensino de Paulo: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma” (1 Coríntios 6.12), especialmente em se tratando daqueles que procuravam dizer às suas almas: “Abaixa-te, para que passemos sobre ti”.

3.Qual era a queixados escribas e fariseus contra os discípulos. Eles discutem esse assunto com Cristo, supondo que Ele permitia que eles agissem assim, sem dúvida como resultado de seu próprio exemplo. Em outras palavras: “Por que os seus discípulos transgridem os cânones da religião? E por que você tolera que eles façam isso?” Era adequado que a queixa fosse feita a Cristo, pois os próprios discípulos, embora conhecessem o comportamento que deveriam ter; e que tiveram nesse caso, talvez não fossem tão capazes de explicar porque agiam daquela forma, como seria desejável.

II – Aqui está a resposta de Cristo a essa crítica, e a sua justificação dos discípulos quanto àquilo de que foram acusados de transgressão. Note que enquanto permanecermos “firmes na liberdade com que Deus nos libertou”, Ele certamente nos sustentará nela.

Cristo responde aos escribas e fariseus de duas maneiras:

1.Como uma recriminação (vv. 3-6). Eles eram argueiros espiões nos olhos dos seus discípulos, mas Cristo lhes mostra uma trave nos seus próprios olhos. Mas aquilo de que Ele os acusa não é meramente uma recriminação (pois a condenação de quem nos reprova não representa uma vingança), mas é uma recriminação à sua tradição (em cuja autoridade eles fundamentavam a sua acusação), que não somente torna a desobediência lícita, mas também a oposição um dever. Jamais devemos nos submeter a uma autoridade humana que se estabeleça em competição com a autoridade divina.

(1) A acusação geral é: “Transgredis vós também o mandamento de Deus pela vossa tradição”. Eles a chamavam de “tradição dos anciãos”, enfatizando como o costume era antigo, e o fato de que era a autoridade dos anciãos que o impunha, assim como a igreja de Roma faz com os padres e concílios; mas Cristo a chama de “vossa tradição”. As imposições ilícitas serão responsabilidade daqueles que as apoiam e mantêm, e as observam, assim como daqueles que as inventaram e impuseram (Miquéias 4.16). “Transgredis vós…o mandamento de Deus”. Aqueles que são os mais zelosos das suas próprias imposições, normalmente são os mais descuidados dos mandamentos de Deus, o que é uma boa razão por que os discípulos de Cristo devem conservar-se vigilantes contra tais imposições, para que, embora, a princípio, elas somente pareçam infringir a liberdade dos cristãos, elas não acabem, finalmente, confrontando a autoridade de Cristo. Embora os fariseus, nessa regra de lavar-se antes de comer, não desafiem nenhum mandamento de Deus, ainda assim, como acontecia em outras situações, Cristo justifica a desobediência dos discípulos à regra.

(2) A prova dessa acusação é um exemplo particular da transgressão deles ao quinto mandamento.

[1] Vejamos qual é o mandamento de Deus (v. 4), qual é o preceito e qual é o incentivo da lei.

O preceito é: “Honra a teu pai e a tua mãe”; isto é imposto pelo Pai de toda a humanidade, e ao prestar respeito àqueles a quem a Providência fez instrumentos da nossa criação, nós honramos a Ele, que é o Autor de tudo e que com isto colocou um pouco da sua imagem neles. Todos os deveres dos filhos para com seus pais estão incluídos nessa honra a eles, que é a fonte e o fundamento de tudo mais. “Se eu sou Pai, onde está a minha honra?” Aqui o nosso Salvador supõe que isso significa o dever dos filhos de sustentar os seus pais e de atender as suas necessidades, se houver oportunidade, e serem prestativos, de todas as maneiras, para o conforto deles. “Honra as viúvas”, isto é, sustenta-as (1 Timóteo 5.3).

O incentivo da lei no quinto mandamento é uma promessa: “par a que se prolonguem os teus dias”. Mas o nosso Salvador deixa isso de lado, para que ninguém conclua que este mandamento seja apenas alguma coisa elogiável e vantajosa, e insiste no castigo anexo à infração deste mandamento em outra passagem das Escrituras, que indica o dever como sendo alta e indispensavelmente necessário: “Quem maldisser ao pai ou à mãe, que morra de morte”. Esta lei nós lemos em Êxodo 21.17. O pecado de amaldiçoar os pais aqui é oposto ao dever de honrá-los. Aqueles que falam mal de seus pais, ou que lhes desejam mal, que zombam deles ou se dirigem a eles com linguagem vergonhosa e indecente, infringem esta lei. Se chamar um irmão de raca era tão grave, o que será chamar a um pai por este nome? Pelo exemplo dessa lei do nosso Salvador, aparentemente negar os cuidados ou atenção aos pais se inclui no termo “maldisser”. Embora a linguagem possa ser suficientemente respeitosa, e em nada violenta, ainda assim de que isto ser virá, se as obras não forem correspondentes? Não será diferente daquele que disse: “Eu vou, senhor; e não foi” (cap. 21.30).

[2] Vejamos qual foi a contradição que a tradição dos anciãos trouxe a esse mandamento. Ela não foi direta e evidente, mas implícita. Os casuístas tinham formulado essas regras que lhes proporcionavam uma fuga fácil da obrigação desse mandamento (vv. 5, 6). Vocês ouvem o que Deus diz, mas vocês dizem isso e aquilo. Aquilo que os homens dizem, até mesmo grandes homens, e homens instruídos, e homens poderosos, deve ser examinado junto àquilo que Deus diz; e se for julgado contrário ou incoerente, pode e deve ser rejeitado (Atos 4.19). Considere:

Em primeiro lugar, qual era a tradição deles? Era a de que um homem não poderia, em nenhuma hipótese, empregar ou doar as suas propriedades deste mundo de melhor maneira do que dando-as aos sacerdotes, e dedicando-as ao ser viço do templo – e quando alguma coisa estivesse dedicada dessa maneira, não era apenas ilícito aliená-la, mas todas as outras obrigações, embora justas e sagradas, eram substituídas e invalidadas, e, portanto, a pessoa era liberada delas. E isto, em parte, se originava no seu cerimonial e na consideração supersticiosa que eles tinham com o templo, e em parte, na sua cobiça e no seu amor pelo dinheiro, pois com o que era dado ao templo, eles lucravam. A primeira explicação, em pretexto, e a última, em realidade, estavam no fundo dessa tradição.

Em segundo lugar, como eles permitiam a aplicação desse princípio ao caso dos filhos? Quando as necessidades dos seus pais exigiam a sua ajuda, eles diziam que tudo o que sobrava dos gastos com eles mesmos e seus filhos, eles tinham dedicado ao tesouro do templo: “É oferta ao Senhor o que poderias aproveitar de mim”; e por isso os pais não deveriam esperar nada deles; o que sugere, além disso, que o benefício espiritual daquilo que era dedicado refluiria aos pais, que deveriam viver disso. Eles diziam que esta era uma alegação válida; e muitos filhos, pouco sinceros e que não estavam dispostos a cumprir o seu dever, faziam uso dela e eram justificados. Assim, entendemos que os fariseus diziam que eles deveriam ser liberados de suas verdadeiras obrigações. Alguns iam mais longe, e acrescentavam: “Ele fez bem, seus dias serão prolongados na terra, e ele será considerado como tendo observado adequadamente o quinto mandamento”. A desculpa da religião tornava a recusa em sustentar os pais não somente aceitável como também plausível. Mas o absurdo e a impiedade dessa tradição eram muito evidentes; pois a religião revelada pretendia melhorar, e não destruir, a religião natural, da qual uma das leis fundamentais é esta de honrar pais e se eles soubessem o que significa: “Misericórdia quero [e justiça], e não sacrifício”, eles não teriam criado os rituais mais arbitrários e destruidores da moral mais necessária. Isto deixava sem efeito o mandamento de Deus. Qualquer coisa que leve à desobediência, ou que a estimule, na verdade torna nulo o mandamento; e aqueles que assumem a responsabilidade de dispensar as pessoas do cumprimento à lei de Deus, na avaliação de Cristo o repelem e anulam. Infringir a lei é ruim, mas ensinar os homens a fazê-lo, como faziam os escribas e fariseus, é muito pior (cap. 5.19). Com que objetivo é dado o mandamento, senão como o de ser obedecido? Quanto a nós, a regra não terá nenhum efeito se não formos regidos por ela. “Já é tempo de operares, ó Senhor”; é o momento para o grande Reformista, o grande Refinador, aparecer; “pois eles têm quebrantado a tua lei” (Salmos 119.126); não somente pecaram contra o mandamento, mas, pela sua tradição, invalidaram o mandamento. Porém, demos graças a Deus, apesar deles e de todas as suas tradições, pois o mandamento continua em pleno vigor, com força e valor.

2.A outra parte da resposta de Cristo é uma repreensão; e aquilo de que Ele os acusa é de hipocrisia: “Hipócritas” (v. 7). Observe que é prerrogativa daquele que investiga o coração e conhece o que há no homem, dizer quem é hipócrita. Os olhos dos homens conseguem perceber a profanação declarada, mas somente os olhos de Cristo conseguem discernir a hipocrisia (Lucas 16.15). E assim como este é um pecado que os seus olhos descobrem, também é um pecado que, mais que os outros, a sua alma odeia.

Cristo então fundamenta a sua reprovação em Isaías 29.13: “Bem profetizou Isaías a vosso respeito”. Isaías falou dos homens daquela geração aos quais ele profetizava, mas Cristo aplica as palavras dele a esses escribas e fariseus. A reprovação de pecados e pecadores, que encontramos nas Escrituras, objetivavam a alcançar as pessoas e práticas semelhantes, até os confins do mundo; pois elas não são “de particular interpretação” (2 Pedro 1.20). Os pecadores dos últimos tempos foram profetizados (1 Timóteo 4.1; 2 Timóteo 3.1; 2 Pedro 3.3). As ameaças dirigidas aos outros pertencem a nós, se formos culpados dos mesmos pecados. Isaías não profetizou somente sobre eles, mas sobre todos os outros hipócritas, contra quem a sua palavra ainda aponta, e permanece em vigor. As profecias das Escrituras se cumprem todos os dias.

Essa profecia decifra exatamente uma nação hipócrita (Isaias 9.17; 10.6). Aqui estão:

(1) A descrição dos hipócritas, em dois aspectos:

[1] No seu próprio desempenho de adoração religiosa (v. 8). “Este povo honra-me com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim”. Considere:

Em primeiro lugar, até onde podem chegar os hipócritas; eles se aproximam de Deus, e o honram. Eles professam ser adoradores de Deus. O fariseu sobe ao templo para orar; ele não fica àquela distância em que estão aqueles que vivem no mundo sem Deus, mas o seu nome está entre aqueles que estão próximos a Ele. Eles o honram, isto é, eles têm a responsabilidade de honrar a Deus, eles se unem aos que fazem isso. Alguma honra a Deus provém do serviço dos hipócritas, quando estes ajudam a manter a forma e a aparência da religiosidade no mundo. Deus é, de algum modo, honrado, embora eles não pretendam honrá-lo. Quando os inimigos de Deus se submetem, mas de maneira falsa, quando eles mentem a Ele, a palavra que proferem também é um engano (Salmos 66.3). Porém, de certo modo, até mesmo esse tipo de louvor resultará em honra ao Senhor, e ao seu nome.

Em segundo lugar, a posição que os hipócritas assumem; a adoração é vazia, eles adoram apenas com suas bocas e seus lábios. E uma religiosidade somente da boca para fora, eles mostram muito zelo, e isso é tudo, mas no seu coração não existe um amor verdadeiro; eles fazem ouvir a sua voz (Isaias 58.4), e mencionam o nome do Senhor (Isaias 48.1). Os hipócritas são aqueles para quem a religião e a adoração religiosa são um mero culto de lábios. Com palavras e língua, os piores hipócritas podem ser tão bem-sucedidos quanto os melhores santos, e falar tão justamente quanto a voz de Jacó.

Em terceiro lugar, o que falta ao hipócrita; é o principal: “Seu coração está longe de mim”, normalmente alienado e separado (Efésios 4.18), na verdade vagando e insistindo em outras coisas; não há nenhum pensamento sério a respeito de Deus, não há nenhuma afeição piedosa com relação a Ele, nenhuma preocupação com a alma e a eternidade, nenhum pensamento agradável com relação a fazer a obra de Deus. Deus está perto de sua boca, mas longe do seu coração (Jeremias 12.2; Ezequiel 33.31). O coração, juntamente com os olhos dos tolos, está “nas extremidades da terra”. É como “urna pomba enganada, sem entendimento”, e por isso é um dever tolo (Oseias 7.11). Um hipócrita diz urna coisa, mas pensa outra. A grande coisa que Deus procura e exige é o coração (Provérbio 23.26); se este estiver longe dele, não será um serviço razoável, e, portanto, não será aceitável; é o “sacrifício dos tolos” (Eclesiastes 5.1).

[2] Nas suas prescrições aos outros. Um exemplo da sua hipocrisia é o fato de ensinarem “doutrinas que são preceitos dos homens”. Os judeus, então, como os papistas, tinham o mesmo respeito à tradição oral que tinham à palavra de Deus, recebendo-a. Quando as invenções dos homens são adicionadas às instituições de Deus, e impostas da mesma maneira, estamos diante de urna hipocrisia, uma mera religião humana. Os preceitos dos homens tratam adequadamente das coisas dos homens, mas Deus terá a sua própria obra realizada segundo as suas próprias regras, e o Senhor não aceita aquilo que não foi designado por Ele mesmo. Somente aquilo que vem dele é que pode nos conduzir até Ele.

(2) A ruína dos hipócritas; é investir com pouco alcance: “Em vão me adoram”. A adoração dos hipócritas não alcança o objetivo ao qual se destina; nem agrada a Deus, nem é benéfica para eles mesmos. Se a adoração não for oferecida em espírito, não estará na verdade, e, portanto, não será nada. O homem que somente parece ser religioso, e não o é, a sua religião é vã (Tiago 1.26); e se a nossa religião for uma vã oblação, uma religião vã, quão grande é a vaidade! Como é triste viver em uma época de orações, sermões, sábados, e sacramentos que são observados em vão, como quem golpeia o ar. E assim será se o coração não estiver com Deus em tudo isso; o louvor de lábios é inútil (Isaias 1.11). Os hipócritas semeiam o vento e colhem a tempestade; eles confiam na vaidade, e a vaidade será a sua recompensa.

Assim, Cristo justificou os seus discípulos na questão da desobediência às tradições dos anciãos; e foi isto o que os escribas e fariseus conseguiram pela reprovação deles. Não sabemos de nenhuma resposta que possam ter dado; mesmo que não tenham ficado satisfeitos, ainda assim foram silenciados e não puderam resistir ao poder com que Cristo lhes falou.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

AUTO LIDERANÇA

Esse é o primeiro passo de um líder eficaz que precisa colocar em prática as avaliações sobre os aspectos humanos, psicológicos, cognitivos, emocionais e espirituais da liderança.

Auto liderança

É cada vez mais comum nos depararmos com estudos que abordam a importância da liderança, fato que comprova o quanto esse tema é fundamental para todas as organizações que reúnem pessoas com distintas características e personalidades. Nas muitas definições do assunto que encontramos na literatura, geralmente, são analisados os aspectos mais visíveis e tangíveis de um gestor. Ou seja, abordam os pontos técnicos relacionados à capacidade de guiar os colaboradores em direção aos objetivos, ter uma visão mais clara das metas, saber delegar e tomar decisões.

Outras obras até focam nos processos de como se tornar um líder, como desenvolver determinadas habilidades e como exercitar a liderança. Todos esses itens são muito importantes para um chefe, porém não são os únicos. Cada vez mais é fundamental abordar o tema sobre o “estado interior ideal do líder”, que é como a liderança eficaz se origina, com foco não só na atuação, mas também na compreensão do espaço interior, da maneira como as suas ações ganham força e energia.

Assim, podemos observar que é uma necessidade no contexto atual estudar e colocar em prática as avalições sobre os aspectos humanos, psicológicos, cognitivos, emocionais e espirituais da liderança. É preciso ir além: aprofundar a capacidade do líder de se conhecer, de ter consciência sobre os próprios comportamentos, de estar atento aos seus relacionamentos, de ter competência para lidar com as suas emoções, de fortalecer a auto liderança.

Dessa forma, entendemos que o componente emocional se torna protagonista no processo de liderança. Conseguir entender o fluir da vida emocional, própria e dos outros, é uma premissa indispensável para criar uma liderança eficaz.

Se no passado os aspectos emocionais eram considerados um empecilho na cultura organizacional, hoje já são vistos como algo fundamental para uma gestão eficiente de pessoas, na qual o racional-cognitivo e o emocional precisam, cada vez, caminhar juntos. Podemos então fazer uma reflexão, partindo de considerações muito interessantes do professor e economista americano Otto Shanner, sobre três instrumentos interiores que o líder deve desenvolver para conseguir uma gestão eficaz: uma “mente aberta”, um “coração aberto” e uma “vontade aberta”. Pode-se falar de “mente aberta” quando o líder é capaz de ver a realidade com novos olhos, com a curiosidade de quem está sempre aprendendo. Ela corresponde à habilidade de suspender os julgamentos preestabelecidos e de observar a realidade de outra maneira. Assim, é possível viver de forma mais plena. Do ponto de vista da neurociência, isso significa ser capaz de transformar os paradigmas e modelos automáticos, que nos levam a trilhar caminhos conhecidos em vez de nos impulsionar para uma nova interpretação da realidade e a colocar em discussão a zona de conforto.

Ter o “coração aberto”, por sua vez, significa desenvolver uma inteligência emocional e social que permita compreender o mundo e as pessoas de forma mais ampla. É ter a capacidade de se colocar no lugar do outro, de ver e sentir o mundo do ponto de vista de outra pessoa, de ter em pauta. Para criar as habilidades sociais, são necessários: ter uma boa inteligência emocional, ser forte internamente para interagir de maneira positiva, conhecer e lidar com as próprias emoções de forma equilibrada.

Já a “vontade aberta” se refere a trabalhar, a flexibilizar a rigidez na identidade, a ter desenvoltura mais intuitiva, a ampliar a percepção e ao “sentir” – tudo isso em busca de se conseguir uma compreensão mais elevada das situações e, assim, ser impulsionado a agir, alcançar propósitos, objetivos e resultados de excelência.

A revalorização dos fatores emocionais na liderança nasce como exigência de um mercado em rápida transformação, que pede uma visão aberta e uma orientação mirada ao desenvolvimento da criatividade e da inovação. E essas, obviamente, são características e habilidades cada vez mais desejadas e exigidas aos gestores.

Seguindo essas reflexões, podemos compreender que a base para a conquista da maestria na liderança se resume ao entendimento de si mesmo, por meio do profundo conhecimento da natureza interior que permite superar a inércia, desmontar a mentalidade e os hábitos obsoletos, liderar seus projetos e criar percursos e caminhos de transformações, realizações e resultados. Isto é, gerar as condições necessárias para criar cenários de prosperidade e abundância para todos.

 

Eduardo Shinyashiki é mestre em Neuropsicologia, liderança educadora e especialista em desenvolvimento das competências de liderança organizacional e pessoal. Com mais de 30 anos de experiência no Brasil e na Europa, é referência em ampliar o crescimento e a auto liderança das pessoas. www.edushin.com.br

GESTÃO E CARREIRA

MANUAL DO BOM PERSUASOR

Veja sete estratégias que ajudam a melhorar seu poder de persuasão. Técnicas reforçam a ideia de pessoa bem-sucedida e auxiliam a atingir bons resultados em negociações.

Manual do persuasor

 

O ambiente corporativo é cercado por momentos em que as pessoas são estimuladas a influenciar alguém ou um grupo. Os líderes precisam conquistar os membros da equipe. Os vendedores conseguem melhores resultados sempre que são assertivos com os clientes. As dificuldades em conseguir fazer com que pessoas tomem decisões que estão alinhadas às suas vontades ou metas desestimulam quem tem tudo para ser um influenciador. E você, sabe persuadir as pessoas que o rodeiam? Listamos sete maneiras de como lapidar o seu poder de persuasão.

1 – CUIDE DA APRESENTAÇÂO PESSOAL

Você é o seu melhor cartão de visitas, tenha certeza disso. Dificilmente uma pessoa que se comporta de forma inadequada conseguirá persuadir alguém a alguma coisa. A apresentação pessoal passa pela higiene pessoal, cabelo, unhas limpas, dentes e bocas limpas, uma roupa adequada e, acima de tudo, um comportamento coerente.

O coach executivo e diretor de projetos da Apoema Inteligência em Pessoas, Marcos Tonin diz que a apresentação pessoa bem como seu comportamento, é responsável por 80% da comunicação. “O que as pessoas falam representa apenas 20%, enquanto o restante é comportamental”, complementa Tonin.

O especialista afirma que a dificuldade de muitas pessoas em persuadir nem sempre é uma questão verbal, mas um conjunto de fatores que impacta negativamente na apresentação do indivíduo. “Já vi executiva tentando se vender em uma entrevista de emprego como sendo uma pessoa atenta aos detalhes, porém com o esmalte descascado em várias unhas”, exemplifica.

 2 – TENHA UMA COMUNICAÇÃO EFICIENTE

A forma como o indivíduo se expressa também pode ser persuasiva ou não. Temos exemplos clássicos de pessoas que não se expressam corretamente e, mesmo estando cobertas de razão ou recheadas de informações, não conseguem atingir o objetivo de persuadir alguém.

É preciso pensar em estratégias para dar o máximo de informação, de forma clara. assertiva e levar determinados públicos a chegarem à conclusão ou criarem a convicção de que aquilo que você está comunicando é correto. “Saber como colocar cada tipo de situação e fazer com que o discurso fique alinhado com a realidade a ser criada ou demonstrada é uma grande arte”, opina Tonin.

Alguns recursos podem ser aliados de quem precisa lapidar o poder de persuasão. Um deles é a neurolinguística, que apresenta ferramentas auxiliadoras na forma como se expressar nos mais diversos canais de comunicação: visual, auditivo ou cenestésico.

 3 – CONHEÇA SUA AUTOCONFIANÇA

A atenção aos detalhes, o preparo e o estudo são muito necessários para auxiliar no processo de

autoconfiança, que é um fator fundamental para uma persuasão bem-feita. Há pessoas que, por não saberem identificar o recurso interno necessário para gerar confiança, apostam na arrogância ou na agressividade como aliada na hora de se comunicar. O resultado é contrário ao esperado.

É preciso entender o que gera a autoconfiança em si mesmo. Podem ser várias coisas: para uns, a sensação de poder, a oportunidade de estar com pessoas; para outros, estar munido de informações ou ter todo o controle da situação e dos fatos.

Tonin diz ainda que as pessoas que possuem uma autoconfiança muito elevada se tornam grandes improvisadores de situações por terem a crença de que sempre dão “conta do recado”. Muitas vezes vemos pessoas autoconfiantes, porém vazias de informações, desperdiçando muita energia para ter pouco resultado”, analisa o coach executivo.

 4 -ESTIMULE A SENSAÇÃO DE URGÊNCIA

Sabe aquela ideia de que “tudo é para ontem”? Se, por um lado, pode parecer uma pressão descomedida, por outro, estimula a atitude do seu interlocutor. Tenha em mente que, ao criar a sensação de urgência, a outra pessoa perceberá que a decisão não pode ser adiada “A mensagem indireta que isso passa é de que a proposta tem prazo para terminar. Se você está vendendo um produto, por exemplo, quer dizer que a oferta vai acabar rapidamente”, pontua a especialista em estratégia de vendas, Leila Achiles.

Para que essa técnica seja assertiva, ê preciso mostrar por quais motivos a decisão precisa ser tomada de maneira imediata. “Se o interlocutor perceber que se trata de um ‘falso prazo’, você terá o resultado contrário ao que desejava. Perda de tempo e de credibilidade”, comenta Leila.

5 – DESTAQUE PONTOS POSITIVOS

Um bom persuasor é aquele que consegue elencar as qualidades de um produto ou serviço da maneira mais natural possível. Ao mostrar para o interlocutor que os pontos positivos realmente se sobressaem aos negativos, meio caminho foi andado. ”O resultado só é positivo quando existe naturalidade na ‘defesa de causa’ feita pelo persuasor. Quando algo soa falso ou forçado, a técnica vai por água abaixo”, diz Leila Achiles.

Tenha em mente que tudo tem prós e contras, por isso, pontue também pontos negativos. Ao ser transparente, a mensagem passada ganha mais peso diante do seu interlocutor. A dica é ter jogo de cintura: “Saiba dosar bem os dois lados da moeda”, afirma a especialista em estratégia de vendas.

Outro ponto que merece atenção é o “juízo de valor” embutido na sua análise. O que é bom para você talvez não seja para o seu interlocutor. Por isso, tente “pescar” a opinião da pessoa que é o seu alvo antes de você começar a fazer sua defesa.

 6 –  SAIBA ELOGIAR

Quem é que não gosta de ser elogiado? Massageia o ego, melhora a autoestima e dá mais vontade de continuar seguindo. Diante de uma negociação, usar o elogio no momento certo pode ser um tiro certeiro. Seja verdadeiro, sempre. De nada adianta forçar uma situação que não é verdadeira. “Só diga que admira o trabalho de alguém se realmente admirar. Só fale que confia em uma marca se realmente confiar”, comenta Leila Achiles.

A especialista diz que o maior erro cometido por quem tenta persuadir outra pessoa é “forçar a barra”. Saiba que o elogio sincero rompe barreiras e aproxima as pessoas. “Quem tem a humildade de reconhecer um ponto positivo de alguém passa uma mensagem de confiança ao interlocutor’ garante. Não poupe elogios, nem os jogue ao vento desnecessariamente. Use de maneira consciente.

 7 – TENHA O DOM DE SE CALAR

É um erro achar que um bom comunicador é aquele que fala muito. Na verdade, um bom comunicador é aquele que escuta mais do que fala e consegue conduzir uma conversa, uma venda ou negociação com foco na assertividade de suas considerações.

Muitos perdem a chance de ficar calados e dão a certeza para outros que são incompetentes. “Um exemplo clássico é de um vendedor que, mesmo observando a insatisfação do cliente com um produto ou serviço, tenta convencer o cliente de que ele está errado, ao invés de escutar todas as objeções e trabalhar este assunto”, conclui Marcos Tonin, da Apoema.

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Fonte: Revista Gestão & Negócios – Edição 97

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 14: 34-36

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O Povo de Genesaré Aflui a Cristo

Aqui temos um relato de milagres, em grande escala, que Cristo realizou no outro lado do mar, na terra de Genesaré. Aonde quer que Cristo fosse, Ele fazia o bem. Genesaré era uma extensão de terra que ficava entre Betsaida e Cafarnaum, e dava o nome a este mar, ou talvez derivasse o seu nome do lago (Lucas 5.1), que é chamado de lago de Genesaré; esta palavra significa “o vale de ramos”. Considere:

I – A presteza e a fé dos homens daquela região. Estes eram mais nobres que os gadarenos, seus vizinhos do mesmo lago. Os gadarenos imploraram que Cristo fosse embora dali, pois eles não tinham utilidade para Ele; estes imploraram que Ele os ajudasse, pois eles tinham necessidade dele. Cristo reconhece que a maior honra que podemos lhe dar é precisar dele. Aqui lemos:

1.Como os homens daquela terra foram trazidos a Cristo; eles “o conheceram”. É provável que a sua passagem milagrosa sobre o mar, cujo relato teria sido laboriosamente espalhado por aqueles que estavam no barco, tenha ajudado a abrir caminho para que Ele fosse recebido nessa região; e talvez isso fosse algo que Cristo pretendia conseguir com o milagre, pois aquilo que Ele faz tem grande alcance. Eles sabiam desse e de outros milagres que Cristo tinha realizado, e por isso afluíram ao seu encontro. Aqueles que conhecem o nome de Cristo o seguirão; se Cristo fosse mais conhecido, Ele não seria tão negligenciado; as pessoas confiam nele à medida que o conhecem.

Eles “o conheceram”, isto é, sabiam que Ele estava entre eles, e que ficaria ali com eles durante algum tempo. O discernimento do dia da nossa oportunidade é um excelente passo para aproveitá-la. Esta foi a condenação do mundo, o fato de que Cristo estava no mundo e o mundo não o conheceu (João 1.10). Jerusalém não o conheceu (Lucas 19.42), mas havia alguns que, quando Ele estava entre eles, o conheciam. É melhor saber que há um profeta entre nós do que saber que houve (Ezequiel 2.5).

2.Como eles traziam outros a Cristo, dizendo aos seus vizinhos que Ele estava na sua região – mandaram avisar a toda a circunvizinhança (versão RA). Aqueles que conhecem a Cristo devem fazer tudo o que puderem para que outros o conheçam também. Nós não devemos comer esses manjares espirituais sozinhos; em Cristo há o suficiente para todos nós. Por essa razão, não se consegue nada com a monopolização. Quando temos oportunidades de conseguir o bem para as nossas almas, devemos trazer tantas pessoas quanto pudermos para compartilhar desse bem conosco. Mais pessoas do que imaginamos concordariam com essas oportunidades, se pelo menos fossem chamadas e convidadas a elas. Eles mandaram chamar as pessoas “daquela terra”, da sua própria terra, porque era a terra deles, e eles desejavam o melhor para ela. Não podemos dar melhor testemunho do nosso amor ao nosso país do que promovendo e propagando o conhecimento de Cristo nele. A proximidade é uma vantagem para fazer o bem, e ela deve ser aproveitada. Nós devemos planejar fazer algo por aqueles que estão próximos, pelo menos através do nosso exemplo, para trazê-los para perto de Cristo.

3.O que eles queriam com Cristo: não somente, ou talvez não principalmente, ser ensinados, mas ter os seus enfermos curados. “E trouxeram-lhe todos os que estavam enfermos”. Se o amor a Cristo e à sua doutrina não os trouxesse até Ele, o amor-próprio o faria. Se procurássemos corretamente os nossos próprios interesses, aquilo que contribuísse para a nossa própria paz e o nosso bem-estar, nós estaríamos procurando as coisas de Cristo. Nós devemos honrá-lo, e agradá-lo, obtendo graça e justiça dele. Cristo é a Pessoa adequada a quem devemos levar os enfermos; para onde eles deveriam ir, senão ao Médico por Excelência, ao Sol da Justiça, que tem a cura sob as suas asas?

4.Como eles se aproximavam dele: “E rogavam-lhe que, ao menos, eles pudessem tocar a orla da sua veste (v. 36). Eles se aproximavam dele:

(1) Com grande impertinência; “rogavam-lhe”. Nós podemos pedir para ser curados quando Deus, por seus ministros, nos incentiva a ter o desejo de ser curados. Observe que as maiores graças e bênçãos devem ser obtidas de Cristo por meio de súplicas: “Pedi, e dar-se-vos-á”.

(2) Com grande humildade. Eles vinham até Ele como pessoas que viam com sensatez a sua distância, humildemente rogando-lhe que os ajudasse; e o seu desejo de tocar a orla da sua veste sugere que eles se julgavam indignos de que Ele lhes prestasse alguma atenção particular; que Ele fizesse algo como falar sobre o seu caso, muito menos tocá-los para que fossem curados. Mas se Ele lhes desse permissão para tocar a orla da sua veste, eles considerariam que receberam uma grande graça. Os povos 0rientais demonstravam respeito pelos seus príncipes beijando as mangas ou a orla de suas vestes.

(3) Com grande certeza da autossuficiência do seu poder, sem duvidar de que seriam curados até mesmo por tocarem a orla de suas vestes. Eles criam que teriam uma profunda comunhão com Ele através do menor sinal ou símbolo de seu relacionamento com o Senhor: Eles não esperavam a formalidade de que Ele passasse a sua mão sobre o lugar enfermo, ou sobre as pessoas enfermas, como fez Naamã (2 Reis 5.11), mas tinham a certeza de que havia nele tal plenitude de poder de cura, que não poderiam deixar de ser curados os que tivessem permissão de se aproximar dele. Foi nessa região que a mulher com o problema de fluxo de sangue foi curada ao tocar a orla da sua veste, e foi elogiada pela sua fé (cap. 9.20-22). Consequentemente, é provável que tenham aproveitado a oportunidade para pedir isso. As experiências dos outros, ao seguirem a Cristo, podem ser úteis tanto para nos orientar como para nos encorajar à medida que o seguimos. É bom usarmos esses meios e métodos de que outros, antes ele nós, fizeram bom uso.

II – O resultado e o sucesso dessa sua aproximação a Cristo. Não foi em vão que estas sementes de Jacó o procuraram, pois “todos os que a tocavam ficavam sãos”. Considere:

1.As curas realizadas por Cristo são curas perfeitas. Aqueles que Ele cura, Ele cura perfeitamente. Ele não faz o seu trabalho pela metade. Embora a cura espiritual não pareça perfeita no início, ainda assim, sem dúvida, “aquele que começou a boa obra a aperfeiçoará” (Filipenses 1.6).

2.Existe urna abundância de poder de cura em Cristo para todos os que se aproximam dele, ainda que sejam muitos. Aquele óleo precioso que foi derramado sobre a sua cabeça, desce à orla das suas vestes (Salmos 133.2). A menor das instituições de Cristo, como a orla da sua veste, é reabastecida com a abundante plenitude da sua graça, e pode trazer a salvação e grandes benefícios.

3.O poder de cura que há em Cristo é disponibilizado para o bem daqueles que o tocam com uma fé viva e verdadeira. Cristo está no céu, mas a sua Palavra está conosco, e Ele mesmo está presente neste mundo. Quando mesclamos a fé com a Palavra, e a aplicamos a nós mesmos, confiamos nela e nos sujeitamos às suas influências e mandamentos, então nós tocamos a orla da veste de Cristo. Isto nada mais é que tocar o Senhor e ser curado. É nesses termos fáceis que ocorrem as curas espirituais e físicas que são oferecidas por Ele, de modo que se pode dizer verdadeiramente que Ele cura sem restrições. Desse modo, se a vida de alguém perecer devido aos seus ferimentos, não será devido ao nosso Médico, nem será por qualquer falta de talento ou habilidade dele, mas um fato que se deverá unicamente à própria pessoa. O Senhor poderia ter curado, e Ele teria curado; mas a própria pessoa não o buscou e agiu como se não quisesse ser curada. Assim, o sangue dessa pessoa estará sobre a sua própria cabeça.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

NEUROCIÊNCIA AFETIVA

Processamento das emoções básicas praticamente não varia entre a população, diz novo estudo.

Neurociência afetiva

As diferenças individuais seriam maiores nas emoções sociais, enquanto raiva, medo, tristeza e alegria atuam sob mecanismos cerebrais semelhantes na maioria das pessoas, segundo pesquisa conduzida na Universidade de Aalto (Finlândia). Estudando o processamento emocional no cérebro, verificando as estruturas e os padrões de comportamento envolvidos, por meio de computação, o levantamento mostrou que as emoções básicas parecem ser determinadas biologicamente, ao menos de forma parcial. Já emoções como gratidão, desprezo, orgulho e vergonha baseiam-se em maior medida na experiência e no aprendizado, o que explicaria a maior variação individual.

Na condução da pesquisa, explicam seus responsáveis, diferentes estados emocionais dos participantes foram evocados com filmes, imagens mentais ou imagens guiadas baseadas em narrativas. Depois disso, um algoritmo classificador foi treinado para conectar as emoções específicas e os dados cerebrais relacionados a elas. O método para medir a atividade do cérebro nesse processo foi baseado no nível de oxigênio no sangue, fornecendo informações sobre a ativação cerebral com precisão milimétrica.

GESTÃO E CARREIRA

FEZ TODA A DIFERENÇA

Franqueada de rede virtual de vendas de sapatos femininos cria um showroom dos produtos e aumenta suas vendas em 70%.

Fex toda a diferença

Inusitado ver pelas ruas da cidade de Barreiras, interior da Bahia, um carro personalizado que carrega um mostruário completo de calcados femininos visitando casas de clientes, além de realizar grandes eventos regionais.

Os calçados são da rede de franquias Miarte – que vende calçados femininos pela internet -, mas a ideia de negócio neste formato foi da empreendedora e franqueada da marca Leonídia Ayres.

Segundo ela, tudo começou há um ano. Ela já realizava de maneira tímida as vendas a pronta-entrega dos produtos para suas amigas e familiares, mas sentiu necessidade de ampliar de alguma maneira as vendas que até então só aconteciam pela internet “Com isso, surgiu a ideia da loja móvel, que eu e meu marido havíamos pensado como algo inovador, que otimizasse custos, como espaço físico, aluguel e outros encargos. Logo, resolvemos colocar em prática a ideia da loja móvel. Dessa forma, percebi um retomo maior com relação às vendas, pois boa parte das minhas clientes ainda tem certa resistência de comprar pelo site”, revela Leonídia.

A ideia trata-se de um “showroom ambulante”, ou seja, um carro vitrine dos calçados da marca. inspirado nos food trucks. “O diferencial é levar ao cliente o produto conforme seu perfil e necessidade. Aqui no interior o pessoal ainda não tem o hábito de fechar a compra on-line, gosta de ver e calçar antes de levar. A loja móvel supriu essa demanda e ainda chama a atenção por onde passa, até porque, quando experimentam o sapato, a venda é quase certa, pela qualidade, conforto e preço dos calçados da Miarte”, afirma.

A franqueadora não só permitiu essa inovação por parte da franqueada como acompanha toda essa trajetória de sucesso. “No momento que você se torna franqueada e assume as responsabilidades das suas vendas, seja on-line, seja a pronta-entrega, é necessário apresentar algo inovador no modelo de negócio que havia idealizado, enquanto um desafio pessoal”, inspira.

Os investimentos necessários para o lançamento da Loja Móvel de sapatos foi R$46,1mil, valor que inclui o carro que Lêonídia já tinha e que sofreu alterações de envelopamento personalizado; confecção das prateleiras/mostruário acoplados ao carro; aquisição de demais objetos, como pufe, espelho, sacolas, folder, carpete, cartão de visita, banners. máquina de cartão e também estoque de sapatos.

De acordo com a empresária, o intuito da loja móvel é estar em pontos estratégicos nas cidades que visitam, como também participar de eventos que reúnam muitas mulheres em um só espaço, o que facilita a venda e ainda leva conforto e praticidade no momento da compra. ”Trabalhamos com agendamento prévio e elaboramos um cronograma com os principais eventos da região, pois inovar, renovar e recriar são a chave do negócio. O que confirma isso são as inúmeras iniciativas empreendedoras existentes no País que trazem ideias incríveis buscando oferecer ao cliente o que se tem de melhor”, conclui.

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 14: 22-33 – PARTE 2

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Jesus Caminha até os seus Discípulos sobre o Mar – Parte 2

V – Aqui está um relato do que aconteceu entre Cristo e os seus desesperados amigos, por ocasião da sua aproximação.

1.Entre Ele e todos os discípulos. Nós lemos:

(1) Como os seus medos foram despertados (v. 26): “Vendo-o caminhar sobre o mar assustaram-se, dizendo: É um fantasma”; é uma aparição, assim pode ser muito melhor descrito. Aparentemente, todos acreditavam na existência e na manifestação de espíritos, exceto os saduceus, contra cuja doutrina Cristo tinha advertido os seus discípulos; mas, sem dúvida, muitas supostas aparições foram simplesmente as criações do medo e da imaginação dos próprios homens. Estes discípulos disseram: “É o Senhor”; não pode ser outra coisa. Observe que:

[1] Até mesmo as aparições e aproximações de libertação podem ser, às vezes, ocasião de perturbação e perplexidade para o povo de Deus, que, às vezes, tem muito medo em situações em que menos se ferirá; ou melhor, quando é favorecido, como Maria (Lucas 1.29; Êxodo 3.6,7). O conforto do espírito de adoção é introduzido pelo temor do espírito de escravidão (Romanos 8.15).

 [2] A manifestação de um espírito, ou a imaginação disso, não pode deixar de ser assustadora e de nos instilar terror; por causa da distância em que estamos do mundo dos espíritos, da batalha justa dos bons espíritos, e da inimizade inveterada que os maus espíritos têm contra nós (veja Jó 4.14,15). Quanto mais conhecimento temos de Deus, o Pai dos espíritos, e mais cuidadosos somos em nos conservar no seu amor, mais capazes seremos de lidar com esses temores.

[3] Os medos desconcertantes e inquietantes das pessoas boas nascem dos seus enganos e conceitos errados a respeito de Cristo, da sua pessoa e da sua obra. Quanto mais clara e completamente conhecermos o seu nome, com mais segurança confiaremos nele (Salmos 9.10).

[4] Até mesmo uma pequena coisa nos assusta numa tempestade. Quando há batalhas do lado de fora, não é de admirar que haja temores do lado de dentro. Talvez os discípulos imaginassem que algum mau espírito tivesse despertado a tempestade. Observe que o maior perigo dos problemas externos nasce da oportunidade que eles dão ao surgimento de problemas internos.

(2) Como os seus medos foram acalmados (v. 27). Imediatamente Jesus os aliviou, mostrando-lhes o seu engano. Quando eles estavam lutando contra as ondas, o Senhor retardou o seu socorro durante algum tempo; mas Ele apressou o seu auxílio contra o seu medo, ainda mais perigoso; imediatamente Ele acalmou essa tempestade com as palavras: “Tende bom ânimo, sou eu; não temais”.

1.Ele corrigiu o engano deles, dando-se a conhecer, como José, aos seus irmãos: “Sou Eu”. Ele não disse o seu nome, como fez com Paulo: “Eu sou Jesus”, pois Paulo ainda não o conhecia; mas para estes discípulos era suficiente dizer: “Sou eu”; eles conheciam a sua voz, como suas ovelhas (João 10.4), como Maria Madalena (João 20.16). Eles não precisavam perguntar: “Quem és, Senhor?” ou: “És tu dos nossos ou dos nossos inimigos”? Eles podiam dizer, como a esposa: “Esta é a voz do meu amado” (Cantares 2.8; 5.2). Os verdadeiros fiéis a conhecem por um bom sinal. Era suficiente deixá-los tranquilos, fazê-los compreender quem eles viam. O conhecimento adequado abre a porta para o conforto verdadeiro, especialmente o conhecimento de Cristo.

1.Ele os incentivou contra os seus medos: “Sou Eu”, e, portanto, em primeiro lugar: “Tende bom ânimo”, fortalecei os vossos espíritos e tende coragem. Se os discípulos ele Cristo não tinham coragem em uma tempestade, era culpa deles mesmos, pois Ele lhes daria coragem. Em segundo lugar “Não temais”.

2.Não tenham medo de mim, agora que vocês sabem que sou Eu; certamente vocês não terão medo, pois vocês sabem que Eu não lhes desejo mal. Cristo não causará temor àqueles a quem Ele se manifesta; quando eles vierem a compreendê-lo corretamente, o temor se dissipará.

3.Não tenham medo da tempestade, dos ventos e das ondas, embora ruidosas e muito assustadoras; não tenham medo, enquanto Eu estou tão próximo a vocês. Eu sou aquele que se preocupa com vocês, e não vou ficar parado deixando vocês perecerem. Nada precisa ser um terror àqueles que têm Cristo perto de si, e sabem que Ele é deles; não, nem a própria morte.

4.Entre Cristo e Pedro (vv. 28-31), onde observe-se:

(1) A ousadia de Pedro, e a tolerância de Cristo para com ele.

[1] Foi muita ousadia Pedro se aventurar a ir até Cristo andando sobre as águas (v. 28): “Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas”. A coragem era a principal qualidade de Pedro; e foi o que o levou a se destacar dos demais discípulos ao expressar o seu amor a Cristo, embora os outros provavelmente amassem ao Senhor da mesma maneira.

Em primeiro lugar, é um exemplo do afeto de Pedro por Cristo o fato de ele desejar ir ao encontro do Mestre. Quando ele vê a Cristo, cuja presença, sem dúvida, havia desejado mais de uma vez durante a tempestade, ele fica impaciente para estar com Ele. Ele não diz: Manda-me andar por cima das águas, como desejando isto somente como um milagre; mas ele diz: “Manda-me ir ter contigo”, como se estivesse falando por amor a Cristo. Em outras palavras: Manda-me ir ter contigo, não importa como. O verdadeiro amor irá vencer o fogo e a água, se isto for necessário, para ir ter com Cristo. Cristo estava vindo até eles, para ajudá-los e salvá-los. “Senhor”, disse Pedro, “manda-me ir ter contigo”. Quando Cristo está vindo até nós em um caminho de misericórdia, devemos nos encontrar com Ele em um caminho de dever. E devemos estar dispostos e ser ousados para nos aventurarmos com Ele e por Ele. Aqueles que se beneficiam de Cristo como Salvador, devem, pela fé, ir até Ele. Cristo tinha estado, por algum tempo, ausente, e aqui se mostra por que Ele tinha se ausentado; foi para que os discípulos o quisessem ainda mais no seu retorno, para fazê-lo altamente oportuno e duplamente aceitável. Observe que quando, por pouco tempo, Cristo parece deixar o seu povo, os seus retornos são bem-vindos, e são aceitos com muita afeição; quando as almas graciosas, depois de longa procura, encontram, por fim, o seu Amado, elas o detêm e não se separam dele (Cantares 3.4).

Em segundo lugar, é um exemplo da prudência de Pedro, e da devida observância à vontade de Cristo, o fato de que ele não vai sem uma permissão. Nada de: “Se és tu, eu irei”; mas: “Se és tu, manda-me ir”. Os espíritos mais ousados devem esperar um chamado para as iniciativas arriscadas, e não devemos nos atirar a elas de modo precipitado e presunçoso. O nosso desejo de servir e os nossos sofrimentos são interpretados não como disposição, mas como teimosia, se não tivermos consideração pela vontade de Cristo e não estivermos de acordo com o seu chamado e a sua ordem. Não devemos esperar autorizações extraordinárias como esta que Pedro recebeu (a menos que nos sejam necessárias em alguma situação), mas devemos recorrer às regras gerais do mundo, em sua aplicação aos casos particulares, com a ajuda de sugestões da Providência. E proveitoso nos orientarmos pela sabedoria.

Em terceiro lugar, é um exemplo da fé e da determinação de Pedro o fato de que ele se aventurou sobre as águas quando Cristo ordenou. Deixar a segurança do barco, e atirar-se nos braços da morte, desprezar as ondas ameaçadoras que ele tinha temido até há pouco, tudo isto mostrava uma confiança muito forte no poder e na palavra de Cristo. Qual dificuldade ou perigo pode interceptar uma fé como esta, e um entusiasmo como este?

[2] Cristo foi muito gentil e condescendente, sentindo-se feliz por permitir isso a Pedro (v. 29). Ele poderia ter condenado a proposta como sendo tola e impensada; ou melhor, como orgulhosa e presunçosa. “Pedro pretenderá fazer o que o seu Mestre faz?” Mas Cristo sabia que isso se originava de um afeto sincero e entusiasmado por Ele, e graciosamente o aceitou. Cristo se agrada com as expressões de amor do seu povo, embora mescladas com muitas hesitações, e as aproveita ao máximo.

Em primeiro lugar, Ele ordena a Pedro: “Vem”. Quando os fariseus pediram um sinal, eles não somente tiveram o seu pedido negado, mas censurado, porque o faziam com o desejo de tentar a Cristo; quando Pedro pediu um sinal, ele o obteve, porque o fez com a determinação de confiar em Cristo; o Evangelho nos chama, em outras palavras: “Venham, venham até Cristo; arrisquem tudo na sua mão, e comprometam-se a dedicar a Ele as suas almas; arrisquem-se em um mar tempestuoso, um mundo tempestuoso, por Jesus Cristo”.

Em segundo lugar, Jesus confirmou a Pedro quando ele se dirigiu ao Senhor; Pedro andou sobre as águas. A comunhão dos verdadeiros crentes com Cristo é representada por serem vivificados com Cristo, ressuscitados com Ele, assentados com Ele (Efésios 2.5,6) e crucificados com Ele (Gálatas 2.20). Sabemos agora que isso está representado nessa história pelo seu caminhar com Ele sobre as águas. Por meio da força de Cristo, nós somos sustentados acima do mundo, somos capacitados para andar sobre ele, impedidos de afundar nele, de sermos oprimidos por ele, e obtemos a vitória sobre ele (1 João 5.4), pela fé na vitória de Cristo (João 16.33) e com Ele somos crucificados para o mundo (Gálatas 6.14). Veja o abençoado Paulo andando sobre as águas com Jesus, e ser mais que vencedor por meio dele, e caminhando sobre as ondas ameaçadoras, mas incapazes de separá-lo do amor de Cristo (Romanos 8.35). Assim o mar do mundo se torna como um mar de vidro, congelado para poder sustentar; e aqueles que obtêm a vitória, sobre o mar de vidro, o fazem cantando (Apocalipse 15.2,3).

Ele caminhou sobre as águas, não por diversão ou ostentação, mas para ir ter com Jesus; e nisso Ele foi maravilhosamente apoiado. Quando as nossas almas estão com dificuldades para seguir a Deus, é o momento em que a sua mão direita nos sustenta; esta era a experiência de Davi (SaImos 63.8). Existem promessas de apoio especial, e elas devem ser esperadas em meio aos nossos propósitos espirituais. Quando Deus leva Israel sobre asas de águias, o seu objetivo é levar o povo a si mesmo (Êxodo19.4). Jamais conseguiríamos ir até Jesus, a menos que fôssemos sustentados pelo seu poder; é no seu poder que nós o buscamos, que o procuramos, que prosseguimos firmemente rumo ao alvo, sendo guardados pelo poder de Deus; é nesse poder que devemos confiar, como Pedro, quando caminhou sobre as águas: e não há perigo de afundar enquanto por baixo de nós estiverem os braços eternos.

(2) Aqui vemos a covardia de Pedro, e Cristo repreendendo-o e socorrendo-o. Cristo mandou que ele viesse, não somente para que ele pudesse andar sobre as águas, e assim conhecer o poder de Cristo, mas também para que ele pudesse afundar; e dessa maneira conhecer a sua própria fraqueza; pois assim como Ele incentivava a sua fé, também verificava a sua confiança, e permitia que Pedro se envergonhasse dela. Observe, então:

[1] O grande medo que sentiu Pedro (v. 30): Ele “teve medo”. A fé mais forte e a maior coragem se mesclam com o medo. Aqueles que podem dizer: “Eu creio, Senhor”, devem dizer: “Senhor ajuda a minha incredulidade”. Nada, exceto o perfeito amor, irá expulsar o nosso medo. Homens bons frequentemente cometem alguns fracassos nas graças em que são mais eminentes, e naquelas que procuram exercitar; isto serve para mostrar que eles ainda não as alcançaram. Pedro estava muito decidido no início, mas depois a sua coragem lhe faltou. O prolongamento ele uma prova mostra a fraqueza ela fé.

Aqui há, em primeiro lugar, a causa desse medo; ele “sentiu o vento forte”. Enquanto Pedro conservou seus olhos fixos em Cristo, e na sua palavra e no seu poder, ele caminhou suficientemente bem sobre as águas; mas quando ele percebeu, além disso, o perigo em que se encontrava, e observou como a correnteza erguia as ondas, então ele sentiu medo. Olhar para as dificuldades com um olhar racional, e não para os preceitos e promessas com um olhar de fé, é a base de todos os nossos medos desenfreados, tanto nas questões públicas como nas pessoais. Abraão pode ser considerado forte na fé, porque ele não atentou para o seu próprio corpo (Romanos 4.19); ele não se preocupou com as improbabilidades desanimadoras sob a promessa, mas conservou o seu olhar no poder ele Deus. E assim, em esperança, creu contra a esperança (v. 18). Quando sentiu o vento forte, Pedro deveria ter se lembrado do que tinha visto (cap. 8.27) quando os ventos e o mar obedeceram a Cristo. E é por isso que nós continuamos a ter medo todos os dias, porque nos esquecemos do Senhor, nosso Mestre (Isaias 51.12,13).

Em segundo lugar, o resultado do seu medo: ele “começou a ir para o fundo”. Enquanto a fé o sustentou, ele permaneceu sobre as águas; mas quando a fé se abalou, ele começou a afundar. O nosso espírito naufraga por causa da fraqueza da nossa fé; nós somos sustentados (como somos salvos) “mediante a fé” (1 Pedro 1.5); e, portanto, quando as nossas almas estão desfalecidas e inquietas, o remédio soberano é confiar e esperar em Deus (SaImos 43.5). Ê provável que Pedro, tendo sido criado como pescador, soubesse nadar muito bem (João 21.7); e talvez ele confiasse parcialmente nisso quando se lançou ao mar; se ele não conseguisse andar, ele poderia nadar. Mas Cristo permitiu que ele começasse a ir para o fundo, para lhe mostrar que a sua segurança era “a sua destra e o seu braço santo”, e não qualquer talento que Pedro tivesse. A grande misericórdia de Cristo para com Pedro foi o motivo pelo qual – mesmo com a hesitação da fé – Ele não o deixou afundar imediatamente, para “descer às profundezas como pedra” (Êxodo 15.5), mas deu-lhe tempo para gritar: “Senhor, salva-me”. Esta é a preocupação de Cristo com os verdadeiros crentes; embora fracos, eles apenas começam a afundar! Um homem nunca afunda, nunca se destrói por completo, até que esteja no inferno. Pedro andou enquanto teve fé; para ele, assim como para outros, valeu a regra: “Seja-vos feito segundo a vossa fé “.

Em terceiro lugar, o remédio ao qual Pedro recorreu nessa aflição, o antigo, testado e aprovado remédio, foi a oração; ele clamou: “Senhor, salva-me”. Observe:

1.A forma da sua oração: ela é fervorosa e importuna; ele clamou. Quando a fé é fraca, a oração deve ser forte. O nosso Senhor Jesus nos ensinou a, no dia do nosso temor, oferecer grande clamor (Hebreus 5.7). A sensação de perigo nos fará clamar ou gritar, o sentimento de dever e confiança em Deus nos fará clamar por Ele.

2.O tema da sua oração foi pertinente e objetivo; ele clamou: “Senhor, salva-me”. Cristo é o grande Salvador, Ele veio para salvar; aqueles que desejam ser salvos, não somente devem vir até Ele, mas também devem clamar a Ele pela salvação. Mas geralmente nunca somos levados a isso até que nos encontremos afundando; o sentimento de necessidade nos levará ao Senhor Jesus.

[2] A grande graça de Cristo a Pedro em seu momento de medo. Embora houvesse em Pedro uma mescla de presunção e fé quando se arriscou, e de incredulidade e fé no seu fraquejar posterior, ainda assim Cristo não o abandonou; pois:

Em primeiro lugar, Ele o sal vou; Ele respondeu a ele “com a força salvadora da sua destra” (SaImos 20.6), pois imediatamente Ele estendeu a sua mão e o segurou. O momento de Cristo nos salvar é este, quando nós afundamos (SaImos 18.4-7): Ele salva da morte. A mão de Cristo ainda está estendida a todos os crentes, para impedir que eles afundem. Ele também resgatará das águas aqueles que Ele já resgatou como seus, e arrancou do fogo como tições. Embora Ele pareça ter retirado o seu apoio, Ele apenas parece ter feito isso, pois nunca hão de perecer, e ninguém os arrebatará das suas mãos (João 10.28). Nunca tema, Ele sustentará os seus. A libertação dos nossos próprios medos, que, não fosse por isso, nos esmagariam, se deve à ação do seu poder e graça (Salmos 34.4).

Em segundo lugar, Ele o repreendeu; pois tantos quantos Ele ama e salva, Ele repreende e censura: “Homem de pequena fé, por que duvidaste?” Considere:

1.A fé pode ser verdadeira, e ainda assim, fraca; no início, é como um grão de mostarda. Pedro tinha fé suficiente para ficar sobre as águas, mas, como não era suficiente para executar a tarefa até o fim, Cristo lhe diz que ele tinha pouca fé.

2.Todas as nossas dúvidas e os nossos temores se devem à fraqueza da nossa fé; por isso duvidamos, porque temos pouca fé. É atribuição da fé solucionar dúvidas, as dúvidas da razão, num dia tempestuoso, até mesmo para manter a cabeça acima d’água. Para podermos crer mais, nós devemos duvidar menos.

3.A fraqueza da nossa fé, e a predominância das nossas dúvidas, são muito desagradáveis ao nosso Senhor Jesus. Ê verdade, Ele não abandona os crentes fracos, mas é igualmente verdade que Ele não fica feliz com a fé fraca, não naqueles que estão mais próximos a Ele. “Por que duvidaste?” Que razão houve para isso? Os nossos temores e as nossas dúvidas devem desaparecer diante de uma investigação rigorosa sobre a sua causa; pois, considerando tudo, não existe uma boa razão pela qual os discípulos de Cristo devessem ter uma mente duvidosa, nem mesmo em um dia tempestuoso, porque Ele está pronto para lhes dar um “socorro bem presente”.

VI – O fim da tempestade (v. 32). Quando Cristo entrou no barco, eles estavam junto à margem. Cristo caminhou sobre as águas até chegar ao barco, e então subiu, quando poderia facilmente ter caminhado pela margem. Mas quando os meios comuns são possíveis, os milagres não são esperados. Embora Cristo não precise de instrumentos para realizar a sua obra, Ele fica satisfeito por usá-los. Quando Cristo entrou no barco, Pedro entrou com Ele. Os companheiros de Cristo na sua paciência serão os seus companheiros no seu reino (Apocalipse 1.9). Aqueles que andam com Ele, reinarão com Ele; aqueles que se expõem e que sofrem com Ele, triunfarão com Ele.

Quando eles entraram no barco, imediatamente a tempestade acalmou, pois ela tinha concluído o seu trabalho, o seu trabalho de teste. Aquele que “encerrou os ventos nos seus punhos”, e “amarrou as águas na sua roupa”, é o mesmo que subiu e desceu; e a sua palavra executa até ventos tempestuosos (Salmos 148.8). Quando Cristo vem a uma alma, Ele faz com que os ventos e as tempestades se acalmem ali, e ordena a paz. Receba a Cristo, e o ruído das ondas logo será sufocado. O caminho para a tranquilidade é saber que Ele é Deus, e que “o Senhor está no meio de nós”.

VII – A adoração que Cristo recebeu como consequência (v.33): “aproximaram-se os que estavam no barco e adoraram-no, dizendo: És verdadeiramente o Filho de Deus”. Eles aprenderam duas coisas com essa aflição e com esse livramento.

1.Isso foi uma confirmação da sua fé em Cristo, e os convenceu completamente de que a plenitude da divindade residia nele; pois ninguém, exceto o Criador do mundo, poderia multiplicar os pães; ninguém, exceto o seu Governador, poderia caminhar sobre as águas do mar; portanto, eles se renderam à evidência, e confessaram a sua fé: “És verdadeiramente o Filho de Deus”. Eles sabiam, antes disso, que Ele era o Filho de Deus, mas agora eles sabiam ainda mais. A fé, depois de um conflito com a descrença, algumas vezes passa a ser mais ativa e chega a maiores graus de força, se for exercida. Agora eles sabiam que isto é uma verdade. Observe que é bom conhecermos cada vez mais a certeza dessas coisas de que já fomos informados (Lucas 1.4). A fé cresce quando chega a uma certeza completa, quando ela vê claramente e diz: “Verdadeiramente”

2.Eles aproveitaram a oportunidade para dar a Jesus “a glória devida ao seu nome”. Eles não apenas possuíam aquela grande verdade, mas foram apropriadamente influenciados por ela; eles adoraram a Cristo. Quando Cristo manifesta a sua glória a nós, devemos glorificá-lo, direcionando a Ele a sua glória (SaImos 50.15). “Eu te livrarei, e tu me glorificarás”. A adoração de Cristo assim foi expressa: “Es verdadeiramente o Filho de Deus”. O objeto da nossa fé pode e deve ser feito o objeto do nosso louvor. A fé é o princípio adequa o da adoração, e a adoração é o produto genuíno da fé. E necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe; e aquele que crê em Deus, certamente o buscará (Hebreus 11.6).

 

PSICOLOGIA ANALÍTICA

A NOVA ONDA DO MERCADO

O Neuromarketing estuda as reações humanas mais sutis, os diferentes estados mentais e emocionais, e se vale disso para aprimorar as técnicas de relacionamento.

A nova onda do mercado

As relações humanas estão ganhando novos perfis a cada dia. Se por um lado ocorre o afastamento do contato presencial graças às redes sociais e mecanismos midiáticos de interação, por outro, novos estudos reforçam a necessidade de se conhecer ainda mais profundamente o cérebro humano para o aproveitamento máximo quando duas ou mais pessoas se encontram no mundo real.

Já temos algumas áreas de atuação bem delineadas no neuromarketing:

MARCA: a estruturação do branding pessoal ou de um produto/ serviço pode ganhar um novo brilho no se u processo de criação para se ter uma marca que fique na mente das pessoas. Desde a associação de cores com o perfil do produto/serviço até mesmo as roupas que são mais adequadas para cada situação no universo corporativo.

AFERIÇÃO DE RESULTADOS: através de biofeedbacks, aparelhos que medem respostas involuntárias, como resistência galvânica por exemplo, é possível “ver” as alterações automáticas, emocionais e inconscientemente feitas pelas pessoas. Isso ajuda muito no direcionamento de ações.

CAMPANHAS ESTRUTURADAS: profissionais estão se especializando em analisar cada detalhe de uma peça publicitária e como ela pode atingir o público-alvo de forma a obter melhores resultados. Instigando o surgimento de necessidades e desejos na raiz filogenética do ser humano.

UNIVERSO DA INTERNET E DAS REDES SOCIAIS: o comportamento das pessoas on-line é alvo de estudos complexos e cheios de algoritmos que deixariam até mesmo Albert Einstein totalmente perdido. Nesse universo é possível prever como uma faixa pode se comportar diante de determinadas notícias e como isso pode ser revertido em finalização de vendas.

O neuromarketing pode encontrar resistências principalmente porque age de forma subliminar e dá a impressão de que existe uma trapaça no ar. Algo que não é totalmente ético. Mas isso não corresponde à realidade.

Um exemplo interessante é de um experimento feito em lojas, onde as quinas das mesas, mostruários e vitrines foram cobertos com uma espuma arredondada. Nas lojas em que isso foi feito houve um aumento de permanência dos clientes e também um significativo aumento de 17% nas vendas. Amígdala cerebral, onde o instinto de sobrevivência está a todo vapor, reconhece que pontas afiadas podem ser um risco à vida e as pessoas as tentam evitar o máximo possível, mesmo que a consciência nunca venha a perceber isso.

Saber o canal sensorial preferencial de uma pessoa é só o começo. Ter uma linguagem sistêmica para uma comunicação plena já é o esperado. Agora, o foco se volta para quais neurotransmissores devem estar sendo produzidos nos momentos certos das colocações sobre os produtos/serviços.

O cérebro é recortado em três partes e suas funções podem dar pistas de como influenciar o outro no processo da negociação:

1- Cérebro reptiliano: controla a base da vida desde a cadência respira tória até os batimentos cardíacos. Responde a emoções básicas como medo e raiva.

2- Cérebro límbico: nessa área os sentidos já trazem informações que podem ser analisadas e tudo pode ser arquivado para comparações futuras.

3- Neocórtex: o que pensa que toma as decisões de forma analítica sem influência das outras duas poderosas partes do cérebro.

Alguns estímulos mais básicos podem trazer alterações em nossa estrutura emocional.

ESTÍMULOS OLFATIVOS: algumas lojas estão até vendendo o próprio cheiro. Psicólogos especializados em psicometria sabem como colocar o cheiro certo para induzir fome, sede, calma e tantas outras nuances da psique humana. É o mundo das emoções e sensações, onde lembranças ancoradas na infância, por exemplo, podem fazer um adulto abrir a carteira sem pensar duas vezes.

ESTÍMULOS SONOROS: a música certa pode fazer uma pessoa sorrir ou chorar. Supermercados possuem uma tática invencível, pelo menos os que conhecem neuromarketing. Quando o salão está vazio a música deve ser lenta para que as pessoas se movimentem mais devagar, e quando a loja está cheia, a música deve ser mais acelerada para que as pessoas comprem mais rapidamente e desocupem o espaço para novos clientes.

ESTÍMULOS GUSTATIVOS: nada é igual à comida de sua mãe. Essa é a maior dificuldade das indústrias alimentícias, que tentam colocar sabor para pessoas que, apressadamente, nem ao menos sabem o que estão comendo. Fazer a diferença nessa área, para ser lembrado pelo cérebro réptil, é o desafio deste século para macarrões instantâneos.

ESTÍMULO TÁTIL: os terminais nervosos das pontas dos dedos são extremamente refinados, capazes de identificar estruturas milimétricas. Mas o corpo todo se recorda de abrações fortes, de colchões macios e do calor infernal do nosso verão tropical. Levar alguém a experimentar sensações que elencam memórias positivas pode trazer bons resultados em uma negociação.

Sim, já estamos todos afetados pela ação do neuromarketing e isso independe completamente de conhecermos seus princípios. Trata-se, apenas, de um estudo de como utilizar esses recursos da melhor forma possível em nosso ambiente laboral.

No fundo, trata-se apenas de melhorar a comunicação com outro. Recursos extras sempre são bem-vindos, principalmente quando se tem um idioma tão complexo como o nosso, em que as metáforas e declarações assertivas se completam o tempo todo.

 

João Oliveira – é doutor em Saúde Pública, psicólogo e diretor de Cursos do Instituto de Psicologia Ser e Crescer (www.isecpsc.br).Entre seus livros estão: Relacionamento em Crise: Perceba Quando os Problemas Começam. Tenha as Soluções: Jogos para Gestão de Pessoas. Maratona para o Desenvolvimento 0rganizacional da Mente Humana: Entenda Melhor a Psicologia da Vida e Saiba Quem Está à sua Frente – Análise Comportamental pelas Expressões Faciais e Corporais (Wak Editora).

GESTÃO E CARREIRA

MARKETING H2H – O QUE É E COMO USAR

Marketing H2H - o que é e como usa-lo

Negócios são feitos entre pessoas. Essa é a verdade do mundo empresarial. Mesmo que essas pessoas representem instituições de todos os tamanhos, ou caracterizem seus negócios dentro do escopo de mercado B2B, e não do B2C, elas ainda são indivíduos e, portanto, respondem a estímulos individuais. É justamente por isso que uma estratégia de marketing não deve ser pensada na conversa com uma instituição e sim com um ser humano. Ela precisa falar para aquele que vai decidir e se relacionar com ele como pessoa.

Essa é a proposta do marketing Human to Human (H2H). As campanhas, do marketing ao pós-venda, devem conversar com valores pessoais, objetivos e desejos do cliente potencial, tratando-o como algo além de um número ou resultado quantitativo. Grande parte desse olhar se deve a um reflexo de como nossa sociedade se porta hoje em dia A conexão constante via redes sociais e internet criou uma ilusão de que se participa o tempo todo da vida do cliente. As propagandas aparecem na timeline particular do consumidor. Elas o atingem em seu momento de interação social e pessoal. Sendo assim, as marcas devem participar da vida dele. Como seria diferente?

A partir desse cenário de relacionamento e comportamento nasceu uma repaginação de conceito, o H2H, que se baseia na ideia de que o relacionamento profissional se assemelha, e muitas vezes se mistura, ao relacionamento pessoal. Isso traz uma necessidade de simplificar processos, focar no bom atendimento e colocar o ser humano no centro do negócio. O marketing H2H vem transformar a estratégia para atender a essa expectativa do consumidor, seja ele final, seja um representante empresarial.

A pergunta primordial agora é: como fazer? Na verdade, há uma série de mudanças de paradigma que podem ser implementadas em processos e ferramentas já existentes. A maior demanda é a da estratégia envolvida. Claro que, se uma empresa ainda não usa algumas das ferramentas que irei citar, é interessante considerá-las como novas e poderosas aliadas.

CRM – valorizar o cliente é conhecer sua história. O CRM possibilita justamente ter arquivada toda a história do relacionamento do cliente com a empresa. Como a ideia é que esse contato seja algo de longo prazo, guardar tudo na memória é impossível O CRM ajuda a ter uma visão pessoal de pontos estratégicos do relacionamento, agindo onde se é mais necessário e potencialmente mais produtivo. Muito importante é que o CRM deve ser visto como uma ferramenta também de marketing, e não apenas um controle de vendas.

MÍDIAS SOCIAIS – todas as empresas precisam ter mídias sociais hoje em dia. Não são todas as mídias, é claro, não há razão para algumas empresas terem determinados tipos de redes, mas ao menos as principais são extremamente necessárias. Elas são ótimas ferramentas para intensificar o relacionamento pessoal com o cliente, além da possibilidade de conhecer tendências comportamentais do cliente que lhe darão dicas de onde e o que ofertar a ele de forma assertiva, garantindo vendas.

COMUNIQUE-SE DE FORMA SIMPLES E PERSONALIZADA – não adianta encher o cliente com conteúdo genérico ou com linguagem rebuscada demais. É preciso saber com quem se fala, falar a língua do cliente, construindo proximidade, simplicidade e respeito pelo que a pessoa entende ou deixa de entender como boa comunicação. Não adianta usar palavras difíceis e bonitas, mas não ser entendido. Outro ponto-chave é fazer isso de forma pessoal, baseada no comportamento do cliente e de todo seu histórico com ele. As pessoas querem ser tratadas como exclusivas, e é possível fazer isso, pois há acesso a informações pessoais conseguidas no relacionamento através de CRM, mídias sociais e diversas outras fontes de conexão com o cliente.

O bom atendimento é o relacionamento. Construí-lo e mantê-lo é a chave para o marketing no mundo da conexão.

 

Felipe Vanni – é publicitário com ênfase em marketing. MBA pela FGV e proprietário da Hugny.

 

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 14: 22-33

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Jesus Caminha até os seus Discípulos sobre o Mar – Parte 1

Aqui temos a história de outro milagre que Cristo realizou para ajudar os seus amigos e seguidores: sua caminhada sobre as águas até os seus discípulos. No milagre anterior, Ele tinha agido como o Senhor da natureza, usando os seus poderes para alimentar aqueles que estavam em necessidade; neste, Ele agiu como o Senhor da natureza, corrigindo e controlando os seus poderes para o auxílio daqueles que estavam em perigo e sofrimento. Observe:

I – Cristo despedindo os seus discípulos e a multidão, depois que os havia alimentado milagrosamente. Ele ordenou “que os seus discípulos entrassem no barco e fossem adiante, para a outra banda”, antes dele (v. 22). O apóstolo João dá uma razão especial para a dispersão apressada dessa reunião: porque as pessoas estavam tão afetadas pelo milagre dos pães que estavam prestes a arrebatá-lo para fazê-lo rei (João 6.15); para evitar isso, Ele imediatamente dispersou as pessoas, mandou embora os discípulos, para que a multidão não os acompanhasse, e Ele mesmo retirou-se (João 6.15).

Depois que haviam se sentado para comer e beber, eles não se levantaram para jogar, mas cada um foi cuidar de seus assuntos.

1.Cristo mandou as pessoas embora. Isto dá alguma ideia da solenidade da despedida; Ele as despediu com uma bênção, algumas palavras finais de precaução, conselho e consolo que pudessem permanecer com elas.

2.Jesus ordenou que os discípulos fossem antes dele em um barco, pois até que eles tivessem partido, a multidão não se moveria. Os discípulos estavam relutantes em ir, e não teriam ido, se Ele não tivesse ordenado que o fizessem. Eles hesitavam em ir para o mar sem Ele. “Se a tua presença não for conosco, não nos faças subir daqui” (Êxodo 33.15). Eles não queriam deixá-lo sozinho, sem nenhuma ajuda, ou nenhum barco à sua espera; mas o fizeram por pura obediência.

II – A subsequente retirada de Cristo (v. 23): Ele “subiu ao monte para orar à parte”. Observe:

1.Que Ele estava sozinho. Ele foi sozinho para um lugar solitário, e ali ficou completamente sozinho. Em­ bora Jesus tivesse tanto trabalho para realizar com os outros, ainda assim, às vezes, Ele decidia ficar sozinho, para nos dar um exemplo. Não são seguidores de Cristo aqueles que não se interessam em ficar sozinhos; que não apreciam a solidão, quando não têm ninguém mais com quem conversar, ninguém mais com quem estar, exceto Deus e os seus próprios corações.

2.Que Ele estava sozinho para orar. Esta era a sua atividade na solidão: orar. Embora Cristo, sendo Deus, fosse Senhor de tudo e de todos, e a Ele as pessoas orassem, Cristo, na forma de homem, tinha assumido a forma de um servo, e orava. Aqui Cristo nos dá um exemplo de uma oração particular, de um momento particular entre Ele e o Pai, de acordo com a regra que Ele tinha ensinado (cap. 6.6). Talvez nesse monte houvesse algum oratório ou alguma instalação reservada, disponível para uma ocasião como essa; era comum que os judeus tivessem alguma coisa desse tipo. Observe que quando os discípulos foram para o mar, o seu Mestre foi orar; quando Pedro estava prestes a ser cirandado como trigo, Cristo orou por ele.

1.Que Ele ficou sozinho muito tempo. Ali Ele estava quando a noite chegou, e, pelo que parece, ali Ele ficou até a manhã, a “quarta, vigília da noite”. A noite veio, e foi uma noite chuvosa, tempestuosa, e ainda assim Ele continuou em oração. Observe que é bom, pelo menos às vezes, em ocasiões especiais e quando sentirmos nossos corações dilatados, continuar por muito tempo em uma oração particular; e nos dedicarmos integralmente a derramar os nossos corações diante do Senhor. Não devemos diminuir as nossas petições diante de Deus (Jó 15.4).

III – A condição em que os pobres discípulos estavam nessa ocasião: “o barco estava já no meio do mar, açoitado pelas ondas” (v. 24). Aqui podemos observar:

2.Que eles estavam no meio do mar quando veio a tempestade. Nós podemos ter tempo bom no início da nossa viagem, e ainda assim encontrar tempestades antes de chegar ao porto ao qual nos destinamos. Portanto, que aquele que solta as amarras não se vanglorie quando o faz, mas depois de uma longa calmaria espere alguma tempestade.

3.Os discípulos estavam agora no lugar para onde Cristo os tinha enviado, e ainda assim encontraram essa tempestade. Se eles estivessem fugindo do seu Mestre, e do seu dever, como Jonas estava, quando se viu preso na tempestade, isto teria sido realmente terrível; mas eles tiveram uma ordem especial do seu Mestre, de ir para o mar nessa ocasião, e estavam realizando o seu dever. Observe que não é novidade que os discípulos de Cristo encontrem tempestades no curso do seu dever; e que sejam enviados para o mar quando o seu Mestre prevê uma tempestade; mas eles não devem interpretar isso como crueldade; o que Ele faz, eles não sabem agora, mas saberão depois – que Deus deseja, com isso, manifestar-se com a graça mais maravilhosa para eles, e por eles.

1.Foi motivo de grande abatimento para eles o fato de não terem a Jesus junto deles, como tinham tido antes, ao se encontrarem em meio a uma tempestade; embora naquela ocasião Ele realmente estivesse profundamente adormecido, logo Ele despertou (cap. 8.24). Mas agora Ele não estava com eles. Assim Cristo acostumou os seus discípulos, primeiro, às pequenas dificuldades, e depois às maiores, e assim Ele os ensina, gradativamente, a viver pela fé, e não pela razão humana.

2.Embora o vento fosse contrário, e eles estives­ sem açoitados pelas ondas, tendo recebido a ordem do seu Mestre de ir para a outra banda, eles não mudaram de curso e retornaram, mas fizeram o melhor que podiam para prosseguir. Embora os problemas e as dificuldades possam nos perturbar no nosso dever, eles não devem nos afastar dele; mesmo em meio a eles, nós devemos perseverar.

IV – Cristo aproximando-se deles, nessa situação (v.25); e com isso nós temos um exemplo:

1.Da sua bondade, pois Ele foi até eles como alguém que toma conhecimento da sua situação e que tem uma preocupação por eles, como um pai pelos seus filhos. Uma situação extrema para a igreja e para o povo de Deus é uma oportunidade para que Cristo os visite e se manifeste a eles. Mas Ele não veio antes da quarta vigília, aproximadamente às três horas da manhã, que é quando começa a quarta vigília. Foi na vigília da manhã que o Senhor se manifestou a Israel no Mar Vermelho (Êxodo 14.24), e assim foi também nessa ocasião. “Eis que não tosquenejará nem dormirá o guarda de Israel”, mas, quando há oportunidade, caminha na escuridão em seu auxílio; Ele nos ajuda, e bem cedo.

2.Do seu poder, pois Ele foi até eles “caminhando por cima do mar”. Este é um grande exemplo do domínio soberano de Cristo sobre todas as criaturas; elas estão todas sob os seus pés, e sob o seu comando; elas esquecem da sua natureza e modificam as qualidades que nós chamamos de essenciais. Nós não precisamos perguntar como isso foi feito, se foi pela condensação da superfície da água (quando Deus deseja, os abismos são congelados no coração do mar, Êxodo 15.8 [versão inglesa KJV], ou pela suspensão da gravidade do seu corpo, que se transfigurava como Ele quisesse; é suficiente que isso prove o seu divino poder, pois é prerrogativa de Deus andar sobre os altos do mar (Jó 9.8), assim como cavalgar “sobre as asas do vento”. Aquele que fez das águas do mar uma muralha para os remidos do Senhor (Isaias 51.10), aqui faz delas um caminho para o próprio Redentor, que, como o Senhor de tudo, aparece com um pé sobre o mar e o outro sobre a terra (Apocalipse 10.2). O mesmo poder que fez flutuar o ferro (2 Reis 6.6), fez isso. “Que tiveste, ó mar?” (Salmos 114.5). Foi o poder da presença do Senhor: “Pelo mar foi teu caminho” (Salmos 77.5). Observe que Cristo pode utilizar qualquer método que desejar para salvar o seu povo.