GESTÃO E CARREIRA

NA BOCA DO POVO

Identificar novas oportunidades, entender o comportamento de compra do consumidor e converter engajamento em vendas são missões necessárias para a sobrevivência e o sucesso de qualquer empresa – e é aqui que entra o marketing do futuro. Conheça as estratégias mais populares realizadas pela área para aumentar a rentabilidade de seu negócio.

Na boca do povo

Para que um negócio dê certo em meio a um cenário de tantas incertezas, ter uma boa ideia não é mais suficiente.

Inovar uma vez e nunca mais também não basta. A verdade é que toda empresa precisa sempre de alguém que assuma um dos papéis mais complexos da organização: o inquieto, o analítico, o observador. Esse é o papel do profissional de marketing em sua essência. Como um campo do conhecimento, o marketing aborda o estudo do público de interesse das empresas e orienta as decisões das organizações para trabalhar exatamente esse público. Mas, mais do que fazer uma coleta de dados ou criar um produto, essa área trabalha fundamentalmente com planejamento, pesquisa e, por que não dizer, até com psicologia. Essa é a parcela de uma empresa que questiona o tempo todo, que aponta erros e acertos identificados por clientes, que busca novas oportunidades de atuações para o negócio – em resumo, é impossível pensar em uma empresa hoje, seja de qual porte for, que não tenha alguém ou uma equipe dedicada a essa função.

Se há pouco mais de 20 anos o marketing tinha como foco principal o aumento das vendas, atualmente sua atuação também visa entender e satisfazer as necessidades do consumidor. Com isso, o marketing tem assumido a missão de promover, muitas vezes ao lado da comunicação, um verdadeiro mergulho dos clientes nas marcas. Com as ferramentas e estratégias disponíveis, em especial as que surgiram por meio da tecnologia, esses profissionais conseguem segmentar clientes, mercados e, de quebra, conquistar novos consumidores dia após dia. Enquanto no passado, em tempos difíceis, empresários iniciavam os cortes de custos nas áreas de Comunicação e Marketing, hoje essa história tem sido escrita de forma diferente.

Para comprovar a ascensão do marketing e de suas ferramentas para o sucesso e a sobrevivência das empresas, a Sales force, uma das líderes mundiais em plataformas de gerenciamento de relacionamento de clientes (CRM), divulgou no último mês de maio um estudo com mais de quatro mil profissionais da área, com o objetivo de entender como é possível conquistar a satisfação e o engajamento dos clientes na contemporaneidade. Segundo a pesquisa, 65% dos profissionais de alto desempenho da área adotaram algum tipo de estratégia de jornada do cliente, e 88% acreditam que esta é fundamental para o sucesso de sua estratégia geral de marketing. Em paralelo, 63% das equipes de marketing de alto desempenho estão implementando transformações digitais em suas organizações.

Dentre os resultados sobre o Brasil, a Sales force apontou que 87% dos entrevistados têm participado de iniciativas de melhoria da experiência do consumidor e 47% colocaram a satisfação dos clientes como principal mensuração do sucesso em marketing. Esses dados são apenas um pequeno exemplo de como as companhias entendem e veem o marketing como determinante para o caminho da lucratividade e, consequentemente, do reconhecimento de sua marca em um mercado tão globalizado. Para ajudar a tornar o marketing uma parte importante do funcionamento da sua empresa, veja a seguir como fazer um planejamento assertivo para seu negócio, conheça as mais populares estratégias existentes e saiba como implementá-las a partir de agora.

0S 4Ps

Estudar o consumidor e seu comportamento é essencial e determinante para que qualquer negócio tenha sucesso no mercado. É também uma das mais importantes etapas da estruturação de um plano de negócio. Compreender a forma com que o público toma suas decisões de compra faz toda a diferença para a atuação do empreendimento. Muitas vezes, para isso, o empresário precisa usar de sua sensibilidade e buscar uma visão quase isenta, de fora, que o permita olhar para a própria empresa como um cliente. Só assim ele poderá encarar com sinceridade qual é a percepção do consumidor sobre seu produto ou serviço e quais são as maneiras mais efetivas de atingi-lo e conquistá-lo.

Para ter uma visão mais objetiva das possibilidades de atuação da empresa, aumentar as vendas e conseguir construir uma marca de sucesso, é fundamental ter bastante claros os chamados 4 Ps do marketing, também conhecidos como marketing mix. Cada um dos ”Ps” citados corresponde a definições que ajudam no atingimento de um determinado público-alvo. Assim como na cozinha, onde esquecer um ingrediente pode acabar com a harmonia de um prato, no marketing também é preciso ter esses quatro itens definidos, isto é, Produto, Praça, Preço e Promoção.

Conforme explica o especialista em marketing digital e cofundador da agência digital de performance Pixel 4, Marcelo Montone, “Produto diz respeito ao que o empresário vende, quais são seus diferenciais e por que as pessoas comprariam seu produto ou serviço. Já Preço avalia se há competitividade, uma vez que o preço é um fator absolutamente determinante na escolha dos consumidores, especialmente em épocas de crise. Você estudou seus concorrentes, consegue ganhar deles no preço? Praça aborda onde ele quer distribuir seu produto, pois isso influencia na verba e nos resultados esperados. Por fim, em Promoção, o empresário define o que ele pode oferecer como benefício extra para quem os escolhe. Pode pensar em sampling, campanhas virais, promoções com prêmios sorteados pela Caixa, etc.”.

O estudo dos 4 Ps é o primeiro passo para a estruturação do Plano de Marketing de qualquer empresa. Dentre as variáveis que devem ser previstas nesse plano estão, por exemplo, o resultado esperado para que sejam estabelecidas as metas de vendas, a verba disponível para alavancar a marca sem prejudicar o balanço e o resultado positivo da empresa e o pipeline de lançamentos e ações da empresa.

Para o coordenador dos cursos de Administração e Relações Internacionais da ESPM Rio, Marcelo Guedes, o plano de marketing deve ser criado e acompanhado pelos gestores da empresa. ”Além       do conhecimento dos hábitos de uso e atitudes do consumidor, deve-se conhecer, em detalhes, o ambiente competitivo no qual o negócio está inserido, como concorrentes, substitutos e fornecedores. O conhecimento de tendências de mercado e casos de sucesso também é muito bem-vindo. Finalmente, não deve ser deixado de lado as tendências relacionadas com os ambientes econômico, sociocultural, político-legal, demográfico e natural”, esclarece Guedes.

Usualmente, vemos marcas de grande porte realizar estudos massivos e de maior complexidade a respeito do mercado onde a empresa está inserida ou sobre seus públicos de interesse. Já para os pequenos e médios empresários, de acordo com o professor de Planejamento de Comunicação, Marketing Estratégico e Comunicação Digital do Centro Universitário Senac, Enrico Rosa Trevisan, três questões básicas devem ser levadas em consideração: “uma avaliação sincera sobre os benefícios e características (positivas e negativas) de seu produto ou serviço, uma boa definição e compreensão do processo decisório de seu público-alvo e, por fim e não menos importante, uma análise de qual posição sua empresa ocupa no cenário competitivo. Olhar para a concorrência é tão importante quanto ser autocrítico”.

CENÁRIO EM EBULIÇÃO

Ainda que tenhamos como exemplo as ações realizadas por grandes empresas no marketing, o cenário tem se modificado nos últimos anos para as pequenas e médias empresas. A tecnologia possibilitou que um novo mundo fosse aberto, acessível a todos os tipos de negócios.

Para Enrico Trevisan, o ambiente digital favorece – e muito – para que as PMEs estabeleçam suas políticas de comunicação. “Isso porque ele apresenta algumas ferramentas de comunicação que, quando comparadas com formatos de anúncios no ambiente off-line, são consideravelmente mais baratas. O critério de eficiência/eficácia é sempre relativo. O planejamento de comunicação digital não é diferente das ferramentas tradicionais. Deve-se planejar com antecedência os critérios de sucesso e avaliação da campanha para que o empresário tenha consciência tanto das possibilidades quanto das limitações de ferramentas digitais”, afuma o professor do Senac-SP.

No ambiente on-line é possível investir baixo e colher bons resultados tanto a respeito do diagnóstico de novos mercados e públicos quanto sobre impacto de campanhas de comunicação. Para a especialista em Internet Marketing e autora do livro “Facebook Marketing – Tudo o que você precisa saber para gerar negócios na maior rede social do mundo”, Camila Porto, é altamente recomendado que as PMEs busquem e apostem em estratégias de marketing baratas, geralmente encontradas por meio da tecnologia.

As mídias sociais e as opções de publicidade on-line, como Adwords, permitem que empresas com qualquer verba de marketing possam utilizar seus recursos. “O importante é investir o que for possível, pois a cada dia o mercado está ficando mais competitivo e difícil de gerar resultados sem investir em publicidade. O grande diferencial de mídias como o Facebook, por exemplo, é poder oferecer uma audiência global, mas com opções de segmentar os anúncios apenas para quem realmente tenha interesse em determinado produto ou serviço. Dessa forma, hoje, independentemente da verba que um negócio tenha, a partir de dez reais por dia, ele consegue promover sua solução para qualquer tipo de público”, projeta Camila.

Embora as perspectivas sejam otimistas, tornar estratégias baratas em rentabilidade para o negócio pode parecer fácil, mas exige esforço e entendimento de matérias que talvez não sejam especialidade do empresário, conforme pondera o especialista em marketing digital, Marcelo Montone. Segundo ele, o primeiro passo é reunir conhecimentos em marketing e nas possibilidades de se promover por meio dele e da internet. Depois, as PMEs devem encontrar quais ações trarão mais sucesso ao seu negócio.

Mas como descobrir qual se encaixa melhor no perfil da empresa e na verba disponível? “O melhor caminho é sempre iniciar por onde se tem uma mensuração de resultados mais apurada com custos de execução e promoção mais baratos, e isso acontece na internet. Trabalhar um site que seja acessível tanto em desktops quanto em tablets e smartphones, gerenciar o relacionamento com seus clientes por meio de conteúdos relevantes nas redes sociais e promover seus produtos e serviços através de mídia de performance no Google e Facebook atingindo em cheio seu público-alvo, além de campanhas de e-mail marketing”, aconselha Montone.

O marketing digital tem despontado como o grande local para que as PMEs possam expandir seus negócios, uma vez que a internet no Brasil possui mais de 110 milhões de usuários. Além disso, o custo de execução e de implementação, como citado brevemente por Camila Porto, é bem menor do que no off-line. O ambiente on-line também possui três características importantes que o diferencia dos tradicionais meios de comunicação de massa: a possibilidade de segmentação, que permite uma atuação mais assertiva; a alta interação, inexistente no passado e que se tornou quase uma regra de vida ou morte para as marcas hoje, uma característica intrínseca da internet, e finalmente a mensuração, pois a internet possibilita a total mensuração dos esforços promocionais. Vários fatores podem comprovar a popularidade do marketing digital. O primeiro é audiência. A cada dia, mais e mais pessoas usam a internet o dia inteiro para tudo. Isso abre um canal importante, pois é preciso estar onde o cliente está e ele está na internet. O segundo são as possibilidades de comunicação com essas pessoas, seja via conteúdo, informações, seja com anúncios, hoje há formas de impactar esse público, envolvê-lo e fazer a venda, tudo on-line ou trazer as pessoas do on-line para negócios físicos. “Por fim, a possibilidade de mensuração de resultados e avaliação do desempenho de uma ação praticamente em tempo real são pontos importantes para as empresas, ainda mais em tempos de economia. Se algo não está funcionando, basta mudar o rumo, rever a estratégia ou simplesmente parar uma campanha”, explana Camila Porto.

AUXILIANDO PMEs

Na última década, uma série de empresas passaram a surgir com o objetivo de auxiliar os pequenos negócios nessa batalha digital diária. Fundada em 2012, a Agência Small é especializada em marketing para pequenas empresas, oferecendo criação e design, projetos web, mídias e redes sociais, estratégias de marketing e marketing de conteúdo. Com 70 clientes ativos, atende no Brasil, na Argentina e em Miami.

Segundo o CEO da empresa, Arthur Cezar Domingues, há planos para empresas micros, pequenas e médias. No caso das microempresas, em um primeiro momento, elas buscam estar na internet, investindo em trabalhos pontuais, como criação de identidade digital, websites e material e apoio a vendas. Entre as pequenas, a agência prepara um planejamento de marketing e mídia. Para as médias, há serviços mais avançados e consultores de marketing disponíveis.

O marketing é essencial para toda e qualquer empresa entender e continuar entendendo onde está inserida (o que faço, para quem faço, como faço, quando faço, quanto cobro e como eu mostro tudo isso). Sem isso, não há possibilidade alguma de um negócio se sustentar por muito tempo. ”No caso das redes sociais, por exemplo, temos muitas possibilidades de expor o negócio para seu público, utilizando estratégias sem custos, como fazer postagens de dicas, sugestões, ofertas, promoções, datas especiais, além de interagir, associar-se a aplicativos free, trocar mensagens, seguir para ser seguido, ou utilizando anúncios patrocinados para potencializar, principalmente no início”, afirma Domingues.

Outro exemplo de sucesso é a GGV Consultoria Empresarial, que promove soluções rentáveis de marketing para auxiliar empreendedores a potencializarem micros, pequenos e médios negócios. Os diferenciais da GGV estão na metodologia de trabalho, na qual são adotados como premissas para a prestação de qualquer serviço a realização de pesquisas de mercado e o foco em viabilizar os projetos com custo­ benefício para o cliente.

O cofundador e diretor executivo da GGV, Geraldo Hisao, explica que as pesquisas da empresa apontam que os empresários chegam à agência com três principais dificuldades, sendo elas o próprio gestor, pois não sabem cobrar resultados ou não trabalham com metas, a gestão financeira e a falta de informações do mercado para realizar uma gestão estratégica do negócio.

Essa combinação de fatores leva a investimentos sem objetividade e clareza, promovendo o insucesso desses empreendimentos. “Muitos gastam em publicidade e investem pouco em marketing, além de poucos empresários saberem a real diferença entre um e outro. Existem muitas ações de marketing baratas e que dão um resultado muito satisfatório, como fechar parceria com empresas na região para impulsionar as vendas em dias de pouco movimento; realizar uma pesquisa de satisfação para gerar relacionamento com o cliente e gerar indicadores; cadastro completo dos clientes para envio de SMS, e-mail marketing e até mesmo WhatsApp; investir em Facebook Ads, que tem um alcance muito bom com pouco investimento; criação de combos para facilitar a escolha do cliente e aumentar o ticket médio e promoções em dias de menor movimento estimulando vendas de produtos específicos”, exemplifica o diretor da GGV.

 MICROMARKETING

Essa expressão passou a ter destaque recentemente, mas trata de um tema bastante corriqueiro na área, a segmentação. Por meio do micromarketing, o profissional delimita seu foco de atenção ao criar um produto ou desenvolver uma campanha. Dessa maneira, ele consegue ser mais assertivo e encontrar até um diferencial competitivo para o que está oferecendo. “A ideia é que se coloque o consumidor sob o microscópio, ou seja, que se faça uma avaliação bem detalhada sobre um determinado público. A segmentação de marketing é uma faceta do estudo mercadológico que pressupõe a delimitação de um grupo de consumidores para serem atendidos pelas empresas e que serão alvo de seus esforços de comunicação, sendo ela digital ou off-line”, detalha Trevisan.

A segmentação para o marketing ocorre da mesma maneira que a segmentação, por exemplo, as revistas impressas, em que publicações são cada vez mais específicas e aprofundadas, de forma a buscar diferenciação do conteúdo vasto da internet. Aqui, uma campanha feita a partir de um público específico, com suas escolhas e gostos bem definidos, seus comportamentos analisados, o sucesso do produto será muito maior. “Pessoas que moram perto tendem a ter comportamentos parecidos, e é esse tipo de segmentação que as empresas fazem em ações específicas de geolocalização, por exemplo”, lembra Marcelo Montone.

INBOUND MARKETING

A mais popular das estratégias de marketing atuais, o inbound marketing pressupõe que a geração atual necessita de informações, de conteúdos relevantes, e não somente de argumentação de vendas. Em resumo, é o chamado marketing de conteúdo, aquele que atrai o cliente para a empresa sem vender produtos, agregando valor ao conhecimento. A tática vai ao encontro do uso das mídias sociais, em que conteúdos interessantes são compartilhados a todo o tempo. Para Arthur Domingues, ele ainda engatinha no Brasil, mas é uma evolução natural do marketing digital. “A prática traz técnicas que, se bem elaboradoras e aplicadas, podem fazer uma empresa aumentar suas conversões e vendas sem necessariamente aumentar o investimento. Uma dica interessante para as PMEs é investir em vídeos inbound marketing. Se uma imagem equivale a mil palavras, um minuto de vídeo equivale a 1,8 milhão de palavras”, aconselha.

O inbound só funciona, no entanto, se houver uma combinação inteligente entre SEO, conteúdo engajador e campanhas em mídias sociais. Como prova do sucesso da prática, Geraldo Hisao afirma: “o inbound é a forma de oferecer conteúdo para os clientes, capturando leads e nutrindo esses leads para o momento de compra. Até o Facebook mudou recentemente suas métricas para que os conteúdos da timeline fossem mais relevantes e agradáveis para os usuários. Isso volta a gerar conteúdos relevantes para os clientes na hora em que ele quer absorvê-los”.

Entretanto, o professor e coordena ­ dor da ESPM Rio e sócio-diretor da Branded, Vítor Lima, alerta para cuidados necessários com esse tipo de estratégia, principalmente da estruturação de processos, geração de conteúdo e trabalho comercial. “Trabalhar a geração e tratamento de leads, por exemplo, pode ser um problema caso toda a organização não esteja orientada para essa prática. Como dica, no caso de se optar pelo inbound, acho importante que sempre seja considerada uma boa segmentação e produção de conteúdo relevante, tendo uma atenção especial ao que se coloca na landing page e formulário de captura de dados”, pondera.

 E-MAIL MARKETING

Estratégia mais antiga, o e-mail marketing passou por muita rejeição no início dos anos 2000, quando eles se tornaram sinônimo de SPAM, mas voltou a ganhar força depois que as empresas souberam como usá-lo. Com uma campanha bem estruturada, texto bem feito e target segmentado, o e-mail marketing promove uma grande conversão. A diferença é que agora os empresários entendem que o e-mail marketing só funciona quando os clientes pedem para receber o conteúdo.

Enviar para quem não solicitou, então, seria um tiro no pé, como reforça a especialista em internet marketing, Camila Porto. “Se for uma lista em que as pessoas pediram para receber conteúdo, certamente, é uma boa estratégia porque elas querem receber essas informações. Se for uma lista comprada ou que o cliente não pediu autorização para mandar, é melhor parar para evitar ser chamado de chato”, alerta.

Hoje ela diz que as pessoas não querem mais simplesmente receber propaganda em suas caixas de e-mail, elas querem valor, informação, algo que agregue em seu dia. “Vejo cada vez mais a importância do e-mail, desde que seja feito com relacionamento, não uma propaganda em massa sem nenhum critério”, reitera.

Atualmente, o e-mail marketing se tornou muito forte entre os que trabalham com e-commerce. Segundo Enrico Trevisan, do Senac­ -SP, para usá-lo bem, deve-se valer do pressuposto que a base de clientes cadastrados está bem atualizada e composta de informações não só cadastrais, mas também com informações de comportamento de compras, como frequência de compras e valores.

REDES SOCIAIS

Acima de tudo, estar nas redes sociais reforça a máxima de que empresas não dialogam com empresas, pessoas dialogam com pessoas. As redes sociais, portanto, devem ser compreendidas como uma força de engajamento e de relacionamento de empresas com clientes que, consequentemente, podem dar resultados no aumento das vendas. Mas o primeiro de tudo e que é determinante é entender a vocação de cada rede social para que a empresa “seja social”.

O Facebook, por exemplo, une informação e relacionamento aprofundado, possibilitando conteúdos e anúncios. O Instagram, por sua vez, é utilizado para quem quer transmitir um “estilo de vida”. “O mais importante é gerar valor para as pessoas. Produzir conteúdo de qualidade é algo que vem sendo falado há pelo menos uns dez anos, mas muitas empresas ainda veem as mídias sociais como um grande panfleto para fazer propaganda. As pessoas entram nas mídias sociais para se relacionar com amigos, consumir informações, entretenimento, mas também compram”, afirma Camila Porto.

Porém, quanto mais as empresas se relacionarem com seus clientes, gerarem valor para eles compartilhando informação de qualidade, mais conseguirão “extrair” valor no momento da venda. Utilizar vídeos é fundamental hoje, pois é o formato de conteúdo que as pessoas mais consomem e que permite maior proximidade com o público.

O professor da ESPM Rio lembra que, antes de tudo, é preciso entender que esses canais são para trabalhar relacionamentos, e não vendas diretas. “Minha recomendação é sempre buscar capacitação e consultoria especializada. A construção de marca leva anos, e a desconstrução, segundos, pois basta uma publicação fora de contexto para que seja iniciada uma crise e, consequentemente, prejudicar a imagem da marca em questão. Tendo claro o objetivo definido, muitas são as possibilidades de projeto, como geração de conteúdo e anúncios no Facebook ou Instagram”, avalia Vítor Lima.

 LINKS PATROCINADOS +ADWORDS

O uso de links patrocinados já é uma prática comum na internet. Eles são os anúncios de texto promovidos pelo Google tanto dentro do site como em outros da rede de relacionamento da plataforma. “Os links patrocinados funcionam através de segmentações demográficas e atitudinais, oferecendo aos consumidores ofertas através da busca por palavras-chave, portanto, um bom planejamento de conteúdo e de palavras-chave é essencial para um bom resultado, além da otimização da verba constantemente”, explica Marcelo Montone.

Já o Adwords é a ferramenta de publicidade do Google que incorpora os links patrocinados, a rede de display e o remarketing. Para Vítor Lima, como o Google possui em sua base aproximadamente 95% de todos os sites brasileiros, investir nessa ferramenta pode apresentar bom resultado. “Dificilmente um consumidor não consulta os resultados da ferramenta durante um processo de compra, o que pode ser explorado de maneira extremamente estratégica. Se mapeada corretamente a jornada desse consumidor, é possível fazer um anúncio de Adwords específico para cada fase/ etapa do processo”, indica.

Como exemplo, o professor da ESPM Rio diz que uma empresa que vende shampoo pode ter um anúncio para pessoas que estejam na fase de avaliação de alternativas de produtos que possuem determinado componente e outro para quem ainda está buscando uma solução para queda, que não necessariamente seja um shampoo.

Camila Porto ressalta que a primeira dica em relação ao Adwords é trabalhar com palavras de cauda longa, ou seja, que têm volume de busca interessante em relação ao custo por clique. “Evitar entrar no mercado de palavras genéricas é uma das coisas mais inteligentes que uma pequena empresa pode fazer, pois pode ter um custo­ benefício melhor. Aproveitar também a rede de display é um caminho interessante, pois pode atingir públicos mais segmentados e qualificados pagando menos”, diz.

SEO

Sigla para Search Engine Optimization, a prática de SEO é extremamente importante para qualquer conteúdo na internet. O professor do Senac-SP, Enrico Trevisan, explica que ela permite que certos códigos presentes no site da empresa possam ajudar para que o conteúdo seja encontrado com mais facilidade pelos motores de busca, de forma orgânica. É um serviço que deve ser feito com o acompanhamento de um profissional da área por ser relativamente específico, mas tão importante quanto a política de Links Patrocinados, afinal estamos falando da possibilidade de a empresa ser encontrada pelo consumidor no ambiente digital.

Com o SEO, a indexação permite que o site da empresa apareça nas buscas mesmo quando o usuário não procure pelas principais palavras da marca, como nome da empresa, produto, etc. “Eu indico SEO para qualquer empresa que tenha um site, pois é muito mais barato que a estratégia de AdWords e o site consegue ter um posicionamento orgânico, onde a maioria das pessoas acabam clicando. Claro que é uma estratégia que demora alguns meses para começar a dar resultado”, indica Geraldo Hisao.

 ENVIOS DE SMS

O uso do SMS como ação de marketing é algo controverso nos tempos atuais, contrapõem os especialistas entrevistados. É unânime que o envio de SMS para clientes deve ser de forma extremamente inteligente, com foco na potencialização do consumo ou do engajamento desses clientes para com a marca. Nesse caso, a segmentação vale mais uma vez como regra maior – somente envie SMS para aqueles clientes que assim o desejaram e com mensagens objetivas.

Para Marcelo Montone, SMS deve ser enviado “somente para os clientes que realmente querem receber publicidade em forma de mensagem, mas particularmente acho muito invasivo e complicado para a marca trabalhar”. Enrico Trevisan, por sua vez, também reforça que esse tipo de comunicação pode ser considerado invasivo e cansativo pelos consumidores. “Porém, essas ‘falhas’ podem ser minimizadas com bases mais qualificadas de clientes e com mensagens mais coerentes com as necessidades do público”, reforça.

 MARKETING DE GUERRILHA

É importante ressaltar que nessa tática não há lugar para o convencional ou para o tradicionalismo. No marketing de guerrilha, o principal é pensar fora da caixa, de forma a causar grande impacto em seus consumidores, a partir de poucos recursos. Geralmente, essas ações velozes e criativas ajudam as marcas a alcançar altos ROIs (Retorno sobre o Investimento). Essa estratégia pode ser compreendida como um conjunto de técnicas inusitadas ou não convencionais que têm o objetivo de fazer uma marca menor ganhar notoriedade em um contexto desfavorável ou dominado por outra mais favorecida. “Resumindo, trata-se de uma ação de comunicação usando formas diferenciadas de tornar a estratégia inesquecível pelo público-alvo. Envelopamentos de ônibus e ações inusitadas em mobiliário urbano têm sido amplamente usadas no Brasil”, prevê o coordenador da ESPM Rio, Marcelo Guedes. Já Eurico Trevisan vê na prática uma forma de “pegar uma onda” de oportunidade deixada pela concorrência e, assim, ganhar espaço em um momento inesperado. “Podemos citar exemplos que ganharam certa notoriedade, como o Burger King ter convidado o McDonald’s para juntar esforços no Dia Mundial da Paz (2015) e criarem, em conjunto, o McWhopper. Esse investimento do Burger King foi claramente intencional para “jogar” com a opinião pública, fazendo com que o McDonald’s fosse visto como uma empresa não interessada em “promover a paz”, quando, na verdade, a divulgação da iniciativa do Burger King aconteceu em menos de 20 dias antes da data comemorativa, o que impossibilitaria a verdadeira junção das empresas nessa empreitada”, exemplifica o professor do Senac-SP.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.