PSICOLOGIA ANALÍTICA

POR QUE CASAR?

O Casamento deve estar apoiado em diversos pilares essenciais para seu sucesso e que precisam estar equilibrados para que o casal funcione verdadeiramente como parceiros.

Por que Casar

Notei que todos, incluindo o professor, me olhavam com expressão de “não estou entendendo”, mas eu prossegui:

– É preciso perceber que, ao se casar no civil, assina-se um contrato repleto de regras, cláusulas que, se não forem cumpridas à risca, justificam um divórcio, processos e outras situações afins. Se o casal também se casa na igreja, assume então o elo espiritual segundo suas crenças. Ainda que não se submetam a nenhum contrato ou ritual, o simples fato de morarem juntos já implica divisão de espaço, gastos, lucros, ou seja, passam a investir para o bem-estar do casal. Como o “senhor” pode resumir tudo isso ao simples fato de “unir dois seres que se amam?”

A resposta do professor foi:

– Como sempre, a mocinha aqui está tentando tumultuar a aula, mas vamos continuar com nosso raciocínio inicial…

Porém, eu continuei:

– Eu quero completar meu raciocínio, professor. Acho que, para se casar, as pessoas deveriam cursar uma faculdade onde aprenderiam economia doméstica, primeiros socorros, culinária, conceitos básicos de Psicologia, entre outras matérias que são essenciais ao sucesso de um casamento. Dessa forma entrariam no relacionamento de forma consciente e não de forma alienada como a maioria entra e se descobre tarde demais que não sabia nada de convivência, educação de filhos e outros assuntos pertinentes à vida a dois.

  • Mas de onde você está tirando tudo isso, menina?
  • Ora, professor, da minha cabeça, é obvio!

Nessas alturas a classe explodiu em gargalhadas e, nesse clima, o professor expulsou-me da sala de aula, pois eu estava “tumultuando”. Eu saí, mas nunca deixei de pensar dessa forma, hoje, 40 anos após, ainda penso assim e estou relatando isso como uma introdução ao tema deste artigo.

Penso que o casamento é uma instituição que deve estar apoiada em, no mínimo, três pilares. O físico, o intelectual e o espiritual e, dentro desses pilares, englobam-se tantos outros como o profissional, o social, o financeiro e diversos pontos que precisam estar equilibrados para que o casal funcione verdadeiramente como parceiros e não como colegas de quarto ou apaixonados inconsequentes e outras formas que verificamos na atualidade.

Quanto aos pilares, entendamos a combinação do físico, do intelectual e do espiritual como base essencial, ou seja, é necessário que o casal tenha um nível intelectual parecido, um conceito espiritual que também se harmonize e, dessa forma, a atração física passa a ser um complemento, tornando a relação prazerosa como um todo. Se os dois trabalham na mesma área ou em áreas complementares, tem amigos e interesses em comum, então torna-se um casamento de almas, tudo se resolve com diálogo, nada abala a união que se solidifica cada vez mais.

Porém esse tipo de casamento é raro, o que acontece na maioria das vezes é uma grande atração física ou, em alguns casos, interesses financeiros. E só por isso já se busca a união, cada um entendendo ao seu modo a relação, só depois disso é que se pensa em outros detalhes essenciais ao casamento.

O físico acaba servindo como combustível, as brigas, discórdias, insatisfações se acumulam, as dívidas se juntam ao caos diário e só resta o sexo que, geralmente, é bom e justifica todo o resto que não vai bem entre o casal.

Em geral, decide-se pelo casamento depois de poucos meses de namoro. Não sabe mais nada de casamento, muitas vezes nem conhece o outro a fundo, há pessoas que sequer conhecem a si mesmas, como conhecerão as outras! E, ao unir-se apenas por amor, sem sequer pensar na responsabilidade de viver sob o mesmo teto, a tendência é o fracasso, daí vem a frustração, as acusações, as separações…

Há casais que, depois de um casamento sem planejamento, ao descobrirem que nada possuem em comum buscam nos filhos ou em animais de estimação ou em outros seres as motivações de um casamento mal resolvido ou que já terminou, mas não têm coragem para desfazer vínculos. Então a relação, que já não estava sendo pensada, nem planejada, acaba se arrastando, usando como desculpa a criação dos filhos ou dos animais de estimação ou a necessidade de cuidar de algum idoso que dependa do casal.

Há ainda os que se casam porque a mulher engravidou ou por vários outros motivos que impedem o casal de planejar…

Aliás, aí está um dos principais segredos para o sucesso não só do casamento, mas de tudo que precisa se solidificar: planejamento. É por intermédio do planejamento que se estipulam as regras, os objetivos, os meios, os resultados desejados em tudo que precisa se fortificar. E isso inclui o casamento, a quantidade de filhos, os bens que o casal já tem de forma individual e/ou quer adquirir em conjunto. Enfim, tudo isso deve ser planejado de forma racional, sempre com muito diálogo. Entendendo o amor como uma união de vários fatores e não apenas a paixão só pelo físico ou a união financeira como uma sociedade ou ainda a busca da solução para a solidão, como se viver sozinho fosse a pior situação possível.

Aliás, acho que vale um alerta: quem não consegue conviver bem consigo mesmo, e necessita desesperadamente de companhia, tem que perceber que algo vai muito mal e procurar ajuda terapêutica. Obviamente não é bom ficar o tempo todo sozinho, mas não conseguir ficar nenhum tempo consigo mesmo e viver em busca da “outra metade” também são problemáticos. Na verdade, os extremos são problemáticos, ou seja, ficar sempre sozinho ou nunca ficar sozinho. É preciso gostar de conviver consigo mesmo, amar a si mesmo para saber escolher e amar o seu par, e não apenas se agarrar a alguém como tábua de salvação. É preciso conviver bem na solidão para saber se doar em companhia de alguém.

Esse é um assunto complexo e bem abrangente que precisa ser bem pensado antes de qualquer decisão baseada apenas na emoção.

 

LOU DE OLIVIER – é multiterapeuta, psicopedagoga, psicoterapeuta, especialista em Medicina Comportamental, bacharel em Artes Cênicas e Artes Visuais. Detectora do distúrbio da dislexia adquirida/Acquired Dyslexia, precursora da Multiterapia, introdutora da Brinquedoteca aliada à aprendizagem no Brasil e Europa e criadora do método Terapia do Equilíbrio Total/Universal. http://loudeolivier.com

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.