VOCACIONADOS

PSICOPEDAGOGIA SEM BULA

Educar filhos é um desafio. Não há manuais que ensinem essa tarefa de forma eficaz, mas com observação atenta e planejamento é possível prevenir muitos problemas.

Psicopedagogia sem bula

“É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade” – Kant

Em uma atualidade cheia de referências, manuais, aplicativos, sites de busca e orientação, a pessoa mais importante de nossas vidas – nosso filho(a) – continua a chegar sem sequer um rascunho de mapa, de bula, de guia… e isso vale para a criança também! Afinal, conhecer os pais, aprender a conviver com eles também não são tarefas fáceis, ainda mais se pensarmos na diferença, fragilidade e imaturidade física e mental entre crianças e adultos.

A competência para a maternidade ou paternidade não se resume na capa ­ cidade infinita de doação, abnegação, amor, intuição. É preciso também a aptidão para a reflexão, planejamento de estratégias, para fazer escolhas rápidas e assertivas, em um mundo sempre em vertiginosa mudança e referenciais múltiplos.

Educar sempre foi considerado uma tarefa difícil, mesmo no passado, época em que mudanças ocorriam em etapas mais ou menos previsíveis. Mas a atualidade exige que a família esteja constantemente atenta e previamente preparada para as ações educativas que se fizerem prementes. Novas atuações, novas posturas, maior complexidade!

Hoje, é preciso saber ser modelo, um líder, um herói para os filhos, sem perder a humanidade, a intimidade e sem esquecer nossa maior missão: educá-los para o mundo e, portanto, não para nós!

Pais nos remetem também a heróis, pois inspiram, protegem e ainda aludem aos grandes líderes, uma vez que cuidam, dão modelos de conduta e, estando próximos, oferecem desafios valiosos para estimular o crescimento.

Orientar, supervisionar, sem ser intrusivo, dando espaço ao erro e ao acerto, acolher e ensinar a pensar, a ser autônomo, não são objetivos fáceis de atingir no dia a dia. Educar exige, além do mais, que os próprios pais se preocupem em desenvolver seu autoconhecimento, procurando crescimento pessoal, equilíbrio emocional, saúde física e mental.

Educar não é tarefa para qualquer um: é uma decisão pessoal que requer grande empenho. Afinal, o desafio começa antes do nascimento do bebê e se desenrola até que o filho de fato adquira sua independência, seja financeira, seja profissional ou social.

E se acrescente, não se trata de ação solitária, de decisão unilateral: a criança nasce em uma família, portanto há o pai, a mãe, os avós, os tios etc. Todos exercem seus papéis e influências na sua educação, com maior ou menor intensidade, tornando mais complexas as medidas educativas.

Cada época corresponde a um estilo parental. Na atualidade, o mais usual é o estilo democrático, no qual, ao contrário do autoritário, em que o controle sobre a criança é excessivo, e do permissivo, em que a ausência de limites é marcante, manifesta-se firmeza com dignidade e respeito, regras de acordo com a fase de desenvolvimento infantil, escolhas permitidas sob limites, os pais encorajam e, portanto, aceitam os erros infantis como momentos que os ajudam a crescer.

Talvez o aspecto mais importante do estilo democrático de educação seja o perfil da criança que ele geralmente desenvolve: pessoal e socialmente responsável, resiliente, com boa autoestima, menos impulsiva e que, mais satisfeita consigo mesma, busca o sucesso em vários aspectos da sua vida.

Assim também a educação democrática é essencialmente preventiva, trabalha a capacidade de suportar frustrações desde a infância, promovendo situações em que se desenvolvem muitas possibilidades para a criança suportar experiências de várias ordens.

Fica claro, hoje, que a melhor forma de educar é a prevenção. Aliás, em todas as áreas de nossa vida, “prevenir é melhor que remediar”; principalmente quando há sentimentos envolvidos, a prevenção mantém a família unida, a autoestima de todos elevada, a atividade em seu melhor ritmo, a afetividade gerando boas ações.

Prevenir sempre é um exercício de lógica, que tem dois aspectos importantes: primeiro, quando se identifica um problema existente, procuram-se causas prováveis, determinam-se estratégias que diminuam o problema ou o extingam.

O segundo aspecto é a prevenção do comportamento que não se deseja, pela antecipação. Parece impossível, mas não é, pois, o ser humano tem um desenvolvimento neurológico e psicológico linear e coerente, marcado por etapas similares em quase todas as crianças e jovens, embora as vivências e a genética determinem as individualidades. Assim, há períodos críticos de desenvolvimento cerebral, comum a todas as crianças: todas andam, falam em idades similares, por exemplo.

Conhecendo nossos filhos, suas características pessoais e as de sua faixa etária, podemos planejar antecipadamente recursos para administrar seus comportamentos antes que ocorram. É o caso de prever acessos de birras em supermercados e shoppings e gerenciar antecipadamente recursos para administrar a situação.

Para isso é preciso levantar as necessidades de uma determinada situação, levando em conta os atributos da criança e sua tolerância a frustrações, de uma forma lógica, tendo por base sua fase de desenvolvimento.

Assim, sem bula, mas com uma educação democrática e disciplina preventiva, é possível educar na atualidade para o sucesso e com menos ansiedade e frustrações.

 

Maira Irene Maluf é especialista em Psicopedagogia, Educação Especial e Neuroaprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp (gestão 2005/07.) É autora de artigos em publicações nacionais e internacionais. Coordena curso de especialização em Neuroaprendizagemirenemaluf@uol.com.br

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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