PSICOLOGIA ANALÍTICA

METAS E OBJETIVOS

Ser capaz de estabelecer metas e objetivos é uma importante habilidade, capaz de promover nosso desenvolvimento. Contudo, às vezes, ela também pode nos destruir.

Metas e objetivos

É irresistível. Chega o início do ano e somos tentados a escrever sobre perspectivas, metas e projeções para o ano que nasce.

Somos uma sociedade de objetivos que propaga o estabelecimento de metas como a forma mais eficiente de desenvolvimento humano.  É claro que aqui poderíamos discutir o conceito de desenvolvimento humano, incluindo uma crítica bastante pertinente, relativa ao fato de que, de  maneira geral, sermos muito mais incentivados ao estabelecimento de objetivos relacionados ao  ter do que ao ser. Como se o desenvolvimento de uma pessoa se limitasse ao aprendizado e à conquista de habilidades passíveis de serem utilizadas no mundo do trabalho (e, é claro, reconhecidas por meio do dinheiro), tais como a habilidade de falar um segundo idioma ou de  resolver equações do segundo grau (ainda que nos meus mais de 40 anos de vida profissional jamais, nem mesmo uma única vez, tenha me deparado com uma demanda profissional que exigisse o sombrio conhecimento acerca das equações do segundo grau. Ainda julgamos o “crescimento” de uma pessoa muito mais a partir do status que ela conquistou na sociedade do que por meio de qualquer outro indicador. “Fulano cresceu muito. Veio de família pobre, mas hoje tem casa própria, carro importado e viaja pro exterior duas vezes por ano”!

Sem que possamos nos dar conta, somos talhados a uma espécie de compulsão ao acúmulo como indicador de sucesso, de validação do nosso eu perante uma sociedade que prioriza as conquistas materiais, muitas delas legitimadas por meio de um trabalho que, alardeado por “dignificar” o homem, por vezes o destrói, compelindo-o a exceder seus próprios limites e levando-o à mais completa exaustão. Diante desse cenário, seguimos estipulando metas. Como se a simples conquista das metas fosse a exata medida do nosso valor. É verdade que alguns indivíduos o fazem com maior frequência do que outros, contudo uma coisa é certa: os primeiros meses do ano possuem um apelo especial ao estabelecimento de metas e objetivos. E embora não haja nada de errado quanto a isso, é preciso que se diga que às vezes tão ou mais importante do que estabelecermos metas e objetivos para as nossas vidas é, simplesmente, NÃO estabelecermos metas e objetivos para as nossas vidas! Afinal, de que adianta começarmos o ano com 32 objetivos que, ao longo dos 365 dias que temos pela frente, representarão para nós uma verdadeira condenação e/ou a certeza do fracasso? Talvez seja mais sábio escolher um número menor de objetivos mais realistas e, portanto, capazes de nos manter motivados ao longo do ano, do que iniciarmos com uma sobrecarga desnecessária e, pior, com alto potencial de se transformar em frustração ao final.

Porém, mais importante do que tudo é a compreensão da maneira silenciosa e perversa por meio da qual os objetivos podem se transformar em condenação. Nem mesmo o já mencionado excesso de objetivos tem a capacidade de fazê-lo! Para compreender o potencial de condenação de uma meta ou objetivo, precisamos analisá-lo de perto. Explorar seu conteúdo, bem como (e principalmente) a natureza da pessoa a qual se refere. Dizendo de uma maneira mais fácil, a receita para o estabelecimento de metas e objetivos é simples: em primeiro lugar, devemos ser comedidos em relação ao número de objetivos que estabelecemos a fim de evitarmos frustrações e sobrecargas desnecessárias. Chegando então a esses poucos objetivos devemos, em seguida (seguindo a recomendação de Viktor Frankl), nos questionar se tais objetivos são dignos de nós mesmos. Estariam eles alinhados com o nosso propósito? Com aquilo que de melhor temos a oferecer ao mundo? Essa é a verdadeira “pergunta do milhão” a qual um indivíduo desconhecido de si mesmo jamais terá condições de responder.

Lilian Graziano é psicóloga e doutora em Psicologia pela USP, com curso de extensão em Virtudes e Forças Pessoais pelo VIA Institute on Character, EUA. É professora universitária e diretora do Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento. onde oferece atendimento clinico, consultoria empresarial e cursos na área – graziano@psicologiapositiva.com.br

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.