ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 14: 22-33 – PARTE 2

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Jesus Caminha até os seus Discípulos sobre o Mar – Parte 2

V – Aqui está um relato do que aconteceu entre Cristo e os seus desesperados amigos, por ocasião da sua aproximação.

1.Entre Ele e todos os discípulos. Nós lemos:

(1) Como os seus medos foram despertados (v. 26): “Vendo-o caminhar sobre o mar assustaram-se, dizendo: É um fantasma”; é uma aparição, assim pode ser muito melhor descrito. Aparentemente, todos acreditavam na existência e na manifestação de espíritos, exceto os saduceus, contra cuja doutrina Cristo tinha advertido os seus discípulos; mas, sem dúvida, muitas supostas aparições foram simplesmente as criações do medo e da imaginação dos próprios homens. Estes discípulos disseram: “É o Senhor”; não pode ser outra coisa. Observe que:

[1] Até mesmo as aparições e aproximações de libertação podem ser, às vezes, ocasião de perturbação e perplexidade para o povo de Deus, que, às vezes, tem muito medo em situações em que menos se ferirá; ou melhor, quando é favorecido, como Maria (Lucas 1.29; Êxodo 3.6,7). O conforto do espírito de adoção é introduzido pelo temor do espírito de escravidão (Romanos 8.15).

 [2] A manifestação de um espírito, ou a imaginação disso, não pode deixar de ser assustadora e de nos instilar terror; por causa da distância em que estamos do mundo dos espíritos, da batalha justa dos bons espíritos, e da inimizade inveterada que os maus espíritos têm contra nós (veja Jó 4.14,15). Quanto mais conhecimento temos de Deus, o Pai dos espíritos, e mais cuidadosos somos em nos conservar no seu amor, mais capazes seremos de lidar com esses temores.

[3] Os medos desconcertantes e inquietantes das pessoas boas nascem dos seus enganos e conceitos errados a respeito de Cristo, da sua pessoa e da sua obra. Quanto mais clara e completamente conhecermos o seu nome, com mais segurança confiaremos nele (Salmos 9.10).

[4] Até mesmo uma pequena coisa nos assusta numa tempestade. Quando há batalhas do lado de fora, não é de admirar que haja temores do lado de dentro. Talvez os discípulos imaginassem que algum mau espírito tivesse despertado a tempestade. Observe que o maior perigo dos problemas externos nasce da oportunidade que eles dão ao surgimento de problemas internos.

(2) Como os seus medos foram acalmados (v. 27). Imediatamente Jesus os aliviou, mostrando-lhes o seu engano. Quando eles estavam lutando contra as ondas, o Senhor retardou o seu socorro durante algum tempo; mas Ele apressou o seu auxílio contra o seu medo, ainda mais perigoso; imediatamente Ele acalmou essa tempestade com as palavras: “Tende bom ânimo, sou eu; não temais”.

1.Ele corrigiu o engano deles, dando-se a conhecer, como José, aos seus irmãos: “Sou Eu”. Ele não disse o seu nome, como fez com Paulo: “Eu sou Jesus”, pois Paulo ainda não o conhecia; mas para estes discípulos era suficiente dizer: “Sou eu”; eles conheciam a sua voz, como suas ovelhas (João 10.4), como Maria Madalena (João 20.16). Eles não precisavam perguntar: “Quem és, Senhor?” ou: “És tu dos nossos ou dos nossos inimigos”? Eles podiam dizer, como a esposa: “Esta é a voz do meu amado” (Cantares 2.8; 5.2). Os verdadeiros fiéis a conhecem por um bom sinal. Era suficiente deixá-los tranquilos, fazê-los compreender quem eles viam. O conhecimento adequado abre a porta para o conforto verdadeiro, especialmente o conhecimento de Cristo.

1.Ele os incentivou contra os seus medos: “Sou Eu”, e, portanto, em primeiro lugar: “Tende bom ânimo”, fortalecei os vossos espíritos e tende coragem. Se os discípulos ele Cristo não tinham coragem em uma tempestade, era culpa deles mesmos, pois Ele lhes daria coragem. Em segundo lugar “Não temais”.

2.Não tenham medo de mim, agora que vocês sabem que sou Eu; certamente vocês não terão medo, pois vocês sabem que Eu não lhes desejo mal. Cristo não causará temor àqueles a quem Ele se manifesta; quando eles vierem a compreendê-lo corretamente, o temor se dissipará.

3.Não tenham medo da tempestade, dos ventos e das ondas, embora ruidosas e muito assustadoras; não tenham medo, enquanto Eu estou tão próximo a vocês. Eu sou aquele que se preocupa com vocês, e não vou ficar parado deixando vocês perecerem. Nada precisa ser um terror àqueles que têm Cristo perto de si, e sabem que Ele é deles; não, nem a própria morte.

4.Entre Cristo e Pedro (vv. 28-31), onde observe-se:

(1) A ousadia de Pedro, e a tolerância de Cristo para com ele.

[1] Foi muita ousadia Pedro se aventurar a ir até Cristo andando sobre as águas (v. 28): “Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas”. A coragem era a principal qualidade de Pedro; e foi o que o levou a se destacar dos demais discípulos ao expressar o seu amor a Cristo, embora os outros provavelmente amassem ao Senhor da mesma maneira.

Em primeiro lugar, é um exemplo do afeto de Pedro por Cristo o fato de ele desejar ir ao encontro do Mestre. Quando ele vê a Cristo, cuja presença, sem dúvida, havia desejado mais de uma vez durante a tempestade, ele fica impaciente para estar com Ele. Ele não diz: Manda-me andar por cima das águas, como desejando isto somente como um milagre; mas ele diz: “Manda-me ir ter contigo”, como se estivesse falando por amor a Cristo. Em outras palavras: Manda-me ir ter contigo, não importa como. O verdadeiro amor irá vencer o fogo e a água, se isto for necessário, para ir ter com Cristo. Cristo estava vindo até eles, para ajudá-los e salvá-los. “Senhor”, disse Pedro, “manda-me ir ter contigo”. Quando Cristo está vindo até nós em um caminho de misericórdia, devemos nos encontrar com Ele em um caminho de dever. E devemos estar dispostos e ser ousados para nos aventurarmos com Ele e por Ele. Aqueles que se beneficiam de Cristo como Salvador, devem, pela fé, ir até Ele. Cristo tinha estado, por algum tempo, ausente, e aqui se mostra por que Ele tinha se ausentado; foi para que os discípulos o quisessem ainda mais no seu retorno, para fazê-lo altamente oportuno e duplamente aceitável. Observe que quando, por pouco tempo, Cristo parece deixar o seu povo, os seus retornos são bem-vindos, e são aceitos com muita afeição; quando as almas graciosas, depois de longa procura, encontram, por fim, o seu Amado, elas o detêm e não se separam dele (Cantares 3.4).

Em segundo lugar, é um exemplo da prudência de Pedro, e da devida observância à vontade de Cristo, o fato de que ele não vai sem uma permissão. Nada de: “Se és tu, eu irei”; mas: “Se és tu, manda-me ir”. Os espíritos mais ousados devem esperar um chamado para as iniciativas arriscadas, e não devemos nos atirar a elas de modo precipitado e presunçoso. O nosso desejo de servir e os nossos sofrimentos são interpretados não como disposição, mas como teimosia, se não tivermos consideração pela vontade de Cristo e não estivermos de acordo com o seu chamado e a sua ordem. Não devemos esperar autorizações extraordinárias como esta que Pedro recebeu (a menos que nos sejam necessárias em alguma situação), mas devemos recorrer às regras gerais do mundo, em sua aplicação aos casos particulares, com a ajuda de sugestões da Providência. E proveitoso nos orientarmos pela sabedoria.

Em terceiro lugar, é um exemplo da fé e da determinação de Pedro o fato de que ele se aventurou sobre as águas quando Cristo ordenou. Deixar a segurança do barco, e atirar-se nos braços da morte, desprezar as ondas ameaçadoras que ele tinha temido até há pouco, tudo isto mostrava uma confiança muito forte no poder e na palavra de Cristo. Qual dificuldade ou perigo pode interceptar uma fé como esta, e um entusiasmo como este?

[2] Cristo foi muito gentil e condescendente, sentindo-se feliz por permitir isso a Pedro (v. 29). Ele poderia ter condenado a proposta como sendo tola e impensada; ou melhor, como orgulhosa e presunçosa. “Pedro pretenderá fazer o que o seu Mestre faz?” Mas Cristo sabia que isso se originava de um afeto sincero e entusiasmado por Ele, e graciosamente o aceitou. Cristo se agrada com as expressões de amor do seu povo, embora mescladas com muitas hesitações, e as aproveita ao máximo.

Em primeiro lugar, Ele ordena a Pedro: “Vem”. Quando os fariseus pediram um sinal, eles não somente tiveram o seu pedido negado, mas censurado, porque o faziam com o desejo de tentar a Cristo; quando Pedro pediu um sinal, ele o obteve, porque o fez com a determinação de confiar em Cristo; o Evangelho nos chama, em outras palavras: “Venham, venham até Cristo; arrisquem tudo na sua mão, e comprometam-se a dedicar a Ele as suas almas; arrisquem-se em um mar tempestuoso, um mundo tempestuoso, por Jesus Cristo”.

Em segundo lugar, Jesus confirmou a Pedro quando ele se dirigiu ao Senhor; Pedro andou sobre as águas. A comunhão dos verdadeiros crentes com Cristo é representada por serem vivificados com Cristo, ressuscitados com Ele, assentados com Ele (Efésios 2.5,6) e crucificados com Ele (Gálatas 2.20). Sabemos agora que isso está representado nessa história pelo seu caminhar com Ele sobre as águas. Por meio da força de Cristo, nós somos sustentados acima do mundo, somos capacitados para andar sobre ele, impedidos de afundar nele, de sermos oprimidos por ele, e obtemos a vitória sobre ele (1 João 5.4), pela fé na vitória de Cristo (João 16.33) e com Ele somos crucificados para o mundo (Gálatas 6.14). Veja o abençoado Paulo andando sobre as águas com Jesus, e ser mais que vencedor por meio dele, e caminhando sobre as ondas ameaçadoras, mas incapazes de separá-lo do amor de Cristo (Romanos 8.35). Assim o mar do mundo se torna como um mar de vidro, congelado para poder sustentar; e aqueles que obtêm a vitória, sobre o mar de vidro, o fazem cantando (Apocalipse 15.2,3).

Ele caminhou sobre as águas, não por diversão ou ostentação, mas para ir ter com Jesus; e nisso Ele foi maravilhosamente apoiado. Quando as nossas almas estão com dificuldades para seguir a Deus, é o momento em que a sua mão direita nos sustenta; esta era a experiência de Davi (SaImos 63.8). Existem promessas de apoio especial, e elas devem ser esperadas em meio aos nossos propósitos espirituais. Quando Deus leva Israel sobre asas de águias, o seu objetivo é levar o povo a si mesmo (Êxodo19.4). Jamais conseguiríamos ir até Jesus, a menos que fôssemos sustentados pelo seu poder; é no seu poder que nós o buscamos, que o procuramos, que prosseguimos firmemente rumo ao alvo, sendo guardados pelo poder de Deus; é nesse poder que devemos confiar, como Pedro, quando caminhou sobre as águas: e não há perigo de afundar enquanto por baixo de nós estiverem os braços eternos.

(2) Aqui vemos a covardia de Pedro, e Cristo repreendendo-o e socorrendo-o. Cristo mandou que ele viesse, não somente para que ele pudesse andar sobre as águas, e assim conhecer o poder de Cristo, mas também para que ele pudesse afundar; e dessa maneira conhecer a sua própria fraqueza; pois assim como Ele incentivava a sua fé, também verificava a sua confiança, e permitia que Pedro se envergonhasse dela. Observe, então:

[1] O grande medo que sentiu Pedro (v. 30): Ele “teve medo”. A fé mais forte e a maior coragem se mesclam com o medo. Aqueles que podem dizer: “Eu creio, Senhor”, devem dizer: “Senhor ajuda a minha incredulidade”. Nada, exceto o perfeito amor, irá expulsar o nosso medo. Homens bons frequentemente cometem alguns fracassos nas graças em que são mais eminentes, e naquelas que procuram exercitar; isto serve para mostrar que eles ainda não as alcançaram. Pedro estava muito decidido no início, mas depois a sua coragem lhe faltou. O prolongamento ele uma prova mostra a fraqueza ela fé.

Aqui há, em primeiro lugar, a causa desse medo; ele “sentiu o vento forte”. Enquanto Pedro conservou seus olhos fixos em Cristo, e na sua palavra e no seu poder, ele caminhou suficientemente bem sobre as águas; mas quando ele percebeu, além disso, o perigo em que se encontrava, e observou como a correnteza erguia as ondas, então ele sentiu medo. Olhar para as dificuldades com um olhar racional, e não para os preceitos e promessas com um olhar de fé, é a base de todos os nossos medos desenfreados, tanto nas questões públicas como nas pessoais. Abraão pode ser considerado forte na fé, porque ele não atentou para o seu próprio corpo (Romanos 4.19); ele não se preocupou com as improbabilidades desanimadoras sob a promessa, mas conservou o seu olhar no poder ele Deus. E assim, em esperança, creu contra a esperança (v. 18). Quando sentiu o vento forte, Pedro deveria ter se lembrado do que tinha visto (cap. 8.27) quando os ventos e o mar obedeceram a Cristo. E é por isso que nós continuamos a ter medo todos os dias, porque nos esquecemos do Senhor, nosso Mestre (Isaias 51.12,13).

Em segundo lugar, o resultado do seu medo: ele “começou a ir para o fundo”. Enquanto a fé o sustentou, ele permaneceu sobre as águas; mas quando a fé se abalou, ele começou a afundar. O nosso espírito naufraga por causa da fraqueza da nossa fé; nós somos sustentados (como somos salvos) “mediante a fé” (1 Pedro 1.5); e, portanto, quando as nossas almas estão desfalecidas e inquietas, o remédio soberano é confiar e esperar em Deus (SaImos 43.5). Ê provável que Pedro, tendo sido criado como pescador, soubesse nadar muito bem (João 21.7); e talvez ele confiasse parcialmente nisso quando se lançou ao mar; se ele não conseguisse andar, ele poderia nadar. Mas Cristo permitiu que ele começasse a ir para o fundo, para lhe mostrar que a sua segurança era “a sua destra e o seu braço santo”, e não qualquer talento que Pedro tivesse. A grande misericórdia de Cristo para com Pedro foi o motivo pelo qual – mesmo com a hesitação da fé – Ele não o deixou afundar imediatamente, para “descer às profundezas como pedra” (Êxodo 15.5), mas deu-lhe tempo para gritar: “Senhor, salva-me”. Esta é a preocupação de Cristo com os verdadeiros crentes; embora fracos, eles apenas começam a afundar! Um homem nunca afunda, nunca se destrói por completo, até que esteja no inferno. Pedro andou enquanto teve fé; para ele, assim como para outros, valeu a regra: “Seja-vos feito segundo a vossa fé “.

Em terceiro lugar, o remédio ao qual Pedro recorreu nessa aflição, o antigo, testado e aprovado remédio, foi a oração; ele clamou: “Senhor, salva-me”. Observe:

1.A forma da sua oração: ela é fervorosa e importuna; ele clamou. Quando a fé é fraca, a oração deve ser forte. O nosso Senhor Jesus nos ensinou a, no dia do nosso temor, oferecer grande clamor (Hebreus 5.7). A sensação de perigo nos fará clamar ou gritar, o sentimento de dever e confiança em Deus nos fará clamar por Ele.

2.O tema da sua oração foi pertinente e objetivo; ele clamou: “Senhor, salva-me”. Cristo é o grande Salvador, Ele veio para salvar; aqueles que desejam ser salvos, não somente devem vir até Ele, mas também devem clamar a Ele pela salvação. Mas geralmente nunca somos levados a isso até que nos encontremos afundando; o sentimento de necessidade nos levará ao Senhor Jesus.

[2] A grande graça de Cristo a Pedro em seu momento de medo. Embora houvesse em Pedro uma mescla de presunção e fé quando se arriscou, e de incredulidade e fé no seu fraquejar posterior, ainda assim Cristo não o abandonou; pois:

Em primeiro lugar, Ele o sal vou; Ele respondeu a ele “com a força salvadora da sua destra” (SaImos 20.6), pois imediatamente Ele estendeu a sua mão e o segurou. O momento de Cristo nos salvar é este, quando nós afundamos (SaImos 18.4-7): Ele salva da morte. A mão de Cristo ainda está estendida a todos os crentes, para impedir que eles afundem. Ele também resgatará das águas aqueles que Ele já resgatou como seus, e arrancou do fogo como tições. Embora Ele pareça ter retirado o seu apoio, Ele apenas parece ter feito isso, pois nunca hão de perecer, e ninguém os arrebatará das suas mãos (João 10.28). Nunca tema, Ele sustentará os seus. A libertação dos nossos próprios medos, que, não fosse por isso, nos esmagariam, se deve à ação do seu poder e graça (Salmos 34.4).

Em segundo lugar, Ele o repreendeu; pois tantos quantos Ele ama e salva, Ele repreende e censura: “Homem de pequena fé, por que duvidaste?” Considere:

1.A fé pode ser verdadeira, e ainda assim, fraca; no início, é como um grão de mostarda. Pedro tinha fé suficiente para ficar sobre as águas, mas, como não era suficiente para executar a tarefa até o fim, Cristo lhe diz que ele tinha pouca fé.

2.Todas as nossas dúvidas e os nossos temores se devem à fraqueza da nossa fé; por isso duvidamos, porque temos pouca fé. É atribuição da fé solucionar dúvidas, as dúvidas da razão, num dia tempestuoso, até mesmo para manter a cabeça acima d’água. Para podermos crer mais, nós devemos duvidar menos.

3.A fraqueza da nossa fé, e a predominância das nossas dúvidas, são muito desagradáveis ao nosso Senhor Jesus. Ê verdade, Ele não abandona os crentes fracos, mas é igualmente verdade que Ele não fica feliz com a fé fraca, não naqueles que estão mais próximos a Ele. “Por que duvidaste?” Que razão houve para isso? Os nossos temores e as nossas dúvidas devem desaparecer diante de uma investigação rigorosa sobre a sua causa; pois, considerando tudo, não existe uma boa razão pela qual os discípulos de Cristo devessem ter uma mente duvidosa, nem mesmo em um dia tempestuoso, porque Ele está pronto para lhes dar um “socorro bem presente”.

VI – O fim da tempestade (v. 32). Quando Cristo entrou no barco, eles estavam junto à margem. Cristo caminhou sobre as águas até chegar ao barco, e então subiu, quando poderia facilmente ter caminhado pela margem. Mas quando os meios comuns são possíveis, os milagres não são esperados. Embora Cristo não precise de instrumentos para realizar a sua obra, Ele fica satisfeito por usá-los. Quando Cristo entrou no barco, Pedro entrou com Ele. Os companheiros de Cristo na sua paciência serão os seus companheiros no seu reino (Apocalipse 1.9). Aqueles que andam com Ele, reinarão com Ele; aqueles que se expõem e que sofrem com Ele, triunfarão com Ele.

Quando eles entraram no barco, imediatamente a tempestade acalmou, pois ela tinha concluído o seu trabalho, o seu trabalho de teste. Aquele que “encerrou os ventos nos seus punhos”, e “amarrou as águas na sua roupa”, é o mesmo que subiu e desceu; e a sua palavra executa até ventos tempestuosos (Salmos 148.8). Quando Cristo vem a uma alma, Ele faz com que os ventos e as tempestades se acalmem ali, e ordena a paz. Receba a Cristo, e o ruído das ondas logo será sufocado. O caminho para a tranquilidade é saber que Ele é Deus, e que “o Senhor está no meio de nós”.

VII – A adoração que Cristo recebeu como consequência (v.33): “aproximaram-se os que estavam no barco e adoraram-no, dizendo: És verdadeiramente o Filho de Deus”. Eles aprenderam duas coisas com essa aflição e com esse livramento.

1.Isso foi uma confirmação da sua fé em Cristo, e os convenceu completamente de que a plenitude da divindade residia nele; pois ninguém, exceto o Criador do mundo, poderia multiplicar os pães; ninguém, exceto o seu Governador, poderia caminhar sobre as águas do mar; portanto, eles se renderam à evidência, e confessaram a sua fé: “És verdadeiramente o Filho de Deus”. Eles sabiam, antes disso, que Ele era o Filho de Deus, mas agora eles sabiam ainda mais. A fé, depois de um conflito com a descrença, algumas vezes passa a ser mais ativa e chega a maiores graus de força, se for exercida. Agora eles sabiam que isto é uma verdade. Observe que é bom conhecermos cada vez mais a certeza dessas coisas de que já fomos informados (Lucas 1.4). A fé cresce quando chega a uma certeza completa, quando ela vê claramente e diz: “Verdadeiramente”

2.Eles aproveitaram a oportunidade para dar a Jesus “a glória devida ao seu nome”. Eles não apenas possuíam aquela grande verdade, mas foram apropriadamente influenciados por ela; eles adoraram a Cristo. Quando Cristo manifesta a sua glória a nós, devemos glorificá-lo, direcionando a Ele a sua glória (SaImos 50.15). “Eu te livrarei, e tu me glorificarás”. A adoração de Cristo assim foi expressa: “Es verdadeiramente o Filho de Deus”. O objeto da nossa fé pode e deve ser feito o objeto do nosso louvor. A fé é o princípio adequa o da adoração, e a adoração é o produto genuíno da fé. E necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe; e aquele que crê em Deus, certamente o buscará (Hebreus 11.6).

 

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.