ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 13: 44-52

20180104_191613

Várias Parábolas

Temos quatro breves parábolas nesses versículos.

 I – A do “tesouro escondido num campo”. Até aqui, temos comparado o Reino dos céus com coisas pequenas, porque o seu início foi pequeno; mas, para evitar que por isso se pense nele corno algo pequeno ou desprezível, nessa parábola e na próxima, o Senhor o representa como tendo grande valor por si próprio, e como sendo de grande vantagem para aqueles que o abraçam, e que estão dispostos a aceitar os seus termos. O Reino de Deus é aqui comparado com um tesouro escondido no campo, que pode ser nosso, se o quisermos.

1.Jesus Cristo é o verdadeiro tesouro; nele há urna abundância de tudo que é rico e útil, e haverá urna parte para nós: toda a plenitude (Colossenses 1.19; João 1.16). Estes são tesouros de sabedoria, conhecimento (Colossenses 2.3), justiça, graça e paz; tudo isto está reservado para nós em Cristo; e, se nos interessarmos pelo Senhor, todas estas bênçãos serão nossas.

2.O Evangelho é o campo no qual o tesouro está escondido: está escondido na Palavra do Evangelho, tanto no Antigo Testamento corno no Evangelho que está expresso no Novo Testamento. Nas ordenanças do Evangelho, esse tesouro está escondido como o leite no peito, como a medula nos ossos, como o maná no orvalho, como a água no poço (Isaias 12.3), e como o mel no favo. Ele está escondido, não em um jardim cercado, nem em uma fonte que foi fechada, mas em um campo, em um campo aberto; quem quiser pode vir e buscá-lo nas Escrituras. Todos podem cavar nesse campo (Provérbio 2.4); e quaisquer minas valiosas que achemos serão nossas, desde que tornemos o caminho certo.

3.É algo valioso descobrir o tesouro escondido nesse campo, e o valor indescritível que ele possui. A razão de tantos darem pouca importância ao Evangelho, e não desejarem se dedicar a ele, não se sujeitarem a correr riscos por ele, é por que só estão olhando para a superfície do campo, e o julgam superficialmente. E assim não estão enxergando a excelência que está contida nas instituições cristãs, que são muito superiores às dos filósofos; e mais que isso, as mais ricas minas estão frequentemente nos solos que parecem ser os mais estéreis. Assim, eles se recusam a fazer qualquer oferta pelo campo, e muito menos se dispõem a pagar o preço que devem pagar para tê-lo. Por que é o teu amado mais que o amado de outrem? Por que a Bíblia Sagrada é superior a outros bons livros? Por que o Evangelho de Cristo é superior à filosofia de Platão, ou às sentenças morais de Confúcio? Mas aqueles que têm pesquisado as Escrituras com a finalidade de encontrar nelas Cristo e a vida eterna (João 5.39), descobriram um tesouro nesse campo que o torna infinitamente mais valioso do que qualquer outro.

4.Aquele que discerne esse tesouro no campo, e o avalia corretamente, não sossegará até que o faça seu em quaisquer termos. Aquele que encontrou o seu tesouro, o esconde. Isto denota um ciúme sagrado, que tem a finalidade de evitar que fiquemos para trás (Hebreus 4.1), tomando o cuidado necessário (Hebreus 7.15) para evitar que Satanás se coloque entre nós e o nosso tesouro. Então aquele que encontra este tesouro se delicia, como se a barganha ainda não tivesse sido feita; ele está contente por haver uma barganha como esta a ser feita. Ele está ficando interessado por Cristo. Os termos dessa negociação estão sendo negociados: alegre-se o coração daqueles que buscam ao Senhor (Salmos 105.3). Então aquele que encontrou o tesouro no campo decide comprá-lo: aqueles que abraçam as ofertas do Evangelho, nos termos do Evangelho, compram esse campo, fazem-no seu, devido ao valor do tesouro que está escondido nele. É em Cristo – que está no Evangelho que devemos manter os nossos olhos bem fixos; nós não precisamos subir ao céu, pois o Senhor Jesus Cristo está bem perto de nós, em sua Palavra. Então aquele que encontrou o tesouro no campo está tão interessado nele, que vende tudo o que tem para comprar esse campo. Aqueles que desejam o benefício da salvação em Cristo devem estar dispostos a se separar de tudo, para assegurarem este precioso tesouro para si. Eles devem considerar todas as coisas como perda, para que possam ganhar a Cristo, e ser achados nele.

 

II – A da” pérola de grande valor” (vv.45,46), que tem o mesmo significado da anterior, falando de um tesouro. O sonho é assim dobrado, pois a coisa é certa.

Considere que:

1.Todos os filhos dos homens estão ocupados, buscando boas pérolas: um quer ser rico, outro quer ter honras, outro quer ser sábio; mas a maioria sofre imposições, e se afeiçoa a pérolas falsificadas.

2.Jesus Cristo é a pérola de grande valor, a joia de valor inestimável, que fará os que a possuem ricos, verdadeiramente ricos, ricos em relação a Deus; se o tivermos, teremos o suficiente para sermos felizes aqui e na eternidade, para sempre.

3.Um cristão verdade iro é um mercador espiritual, no bom sentido do termo, pois procura e encontra essa pérola valiosa. Ele não se afeiçoa a nada que não leve a um interesse em Cristo, e, como alguém que está deter­ minado a ser espiritualmente rico, negocia alto: ele foi e comprou aquela pérola. Não só ofertou um lance por ela, mas a adquiriu. De que irá nos ajudar conhecer a Cristo, se nós não o conhecermos como nosso, “feito para nós sabedoria” (1 Coríntios 1.30).

4.Aqueles que têm interesse na salvação através de Jesus Cristo, devem estar desejosos de se separar de tudo por amor a Ele, de deixar tudo por Ele. Devemos deixar, com alegria – mesmo que se trate de algo que seja muito estimado por nós -, qualquer coisa que se opuser a Cristo, ou que vier a entrar em competição com Ele pelo nosso amor e serviço. Um homem pode comprar ouro por um alto preço, mas não essa pérola de grande valor.

 

III – A da “rede lançada ao mar” (vv. 47-49).

1.Eis aqui a parábola. Observe nela que:

(1) O mundo é um mar vasto, e os filhos dos homens são seres inumeráveis, animais pequenos e grandes, nesse oceano (Salmos 104.25). Os homens, em seu estado natural, são como os peixes dos mares que não têm um soberano sobre si (Habacuque 1.14).

(2) A pregação do Evangelho consiste em se lançar uma rede para dentro desse mar, mas para pegar algo dele, para a glória daquele que tem a soberania sobre esse mar. Os ministros são pescadores de homens, empregados para lançar e recolher essa rede; e então eles prosperam quando, pela Palavra de Deus, lançam a rede. De outro modo, eles trabalhariam e não pegariam nada.

(3) Essa rede junta peixes de todos os tipos, assim como fazem as grandes redes de arrasto. Na igreja visível, há uma determinada quantidade de lixo e detritos, sujeira, vermes e ervas daninhas, e também peixes.

(4) Aproxima-se o tempo em que esta rede estará cheia, e será levada à praia; um tempo determinado quando o Evangelho terá cumprido o objetivo pelo qual foi enviado; e temos a certeza de que ele não retornará vazio (Isaias 55.10,11). A rede está se enchendo agora; às vezes, ela enche mais rápido do que em outros momentos, mas ainda está enchendo, e quando estiver cheia, será levada à praia, tempo em que o mistério de Deus concluíra sua obra.

(5) Quando a rede estiver cheia e for levada à praia, haverá uma separação entre o bom e o ruim que estão recolhidos nela. Os hipócritas e os cristãos verdadeiros serão então separados; os bons serão juntados em cestos, como valiosos, e por isso serão cuidadosamente guardados. Porém os maus serão lançados para fora, como vis e inúteis. A condição daqueles que serão lançados fora naquele dia será miserável. Enquanto a rede estiver no mar, não se saberá o que está dentro dela, nem mesmo os próprios pescadores poderão distinguir. Mas então eles a recolhem cuidadosamente, levando tudo o que está nela para a praia, por amor e consideração aos bons que estão nela. Tal é o cuidado de Deus para com a igreja visível, e tal deve ser a preocupação dos ministros por aqueles que estão sob a sua responsabilidade, apesar de todos estarem misturados.

2.Aqui está a explicação da última parte da parábola. A primeira é óbvia e clara o suficiente; nós vemos juntos, na igreja visível, pessoas de todos os tipos. Mas a última parte se refere àquilo que ainda está por vir, e por isso é mais detalhadamente explicada (vv. 49,50). Assim será no fim do mundo; então, e não antes disso, será o dia da divisão e da descoberta. Não devemos procurar pela rede cheia apenas de todos os tipos de peixes bons; os cestos serão assim; mas na rede eles estão misturados. Veja aqui:

(1) A distinção entre os justos e os ímpios. Os anjos do céu virão para fazer aquilo que os anjos das igrejas nunca puderam fazer; eles separarão os justos e os ímpios. E não precisamos perguntar como é que eles farão esta distinção quando estiverem cumprindo as instruções daquele que conhece todos os homens, que conhece particularmente aqueles que são seus, e aqueles que não o são. Devemos ter a certeza de que não haverá engano ou confusão, de forma alguma.

(2) A ruína dos ímpios, quando forem assim separados. Eles serão lançados para dentro da fornalha. Note que um sofrimento eterno e tristezas eternas certamente serão a parte que caberá aos ímpios que vivem entre os santificados. Esta é a mesma situação que vimos anteriormente (v. 42). O próprio Cristo pregava frequentemente a respeito dos tormentos do inferno, como a punição eterna dos hipócritas; desse modo, é bom sermos frequentemente relembrados dessa verdade que nos revigora e desperta.

 

IV – Aqui está a parábola do bom “pai de família”, que tem a finalidade de fazer com que gravemos todas as demais.

1.A sua ocasião era a boa proficiência que os discípulos haviam atingido em aprender, e o ganho deles com esse sermão em particular.

(1) O Senhor lhes perguntou: “Entendestes todas estas coisas?”, sugerindo que estava pronto para explicar aquilo que eles não tivessem entendido. A vontade de Cristo é que todos aqueles que leem e ouvem a Palavra a entendam. Pois, de outro modo, como poderiam ser beneficiados por ela? Portanto, será bom se ao lermos ou ouvirmos a Palavra, nos examinarmos, para verificar se a entendemos ou não. Ser discipulados não foi nenhum demérito para os apóstolos de Cristo. O Senhor Jesus Cristo nos convida a buscar nele a instrução de que necessitamos, e os ministros devem estar sempre dispostos a ajudar aqueles que tenham qualquer boa indagação, oferecendo-se para explicar os seus ensinos detalhadamente.

(2) Eles responderam: “Sim, Senhor”, e nós temos motivos para crer que eles falaram a verdade, porque, quando não haviam compreendido, pediram uma explicação (v. 36). E a explicação dessa parábola foi a chave para as demais. A compreensão correta de um bom sermão será uma importante ajuda para que possamos compreender outro; pois as boas verdades se explicam mutuamente, e ilustram umas às outras. E o conhecimento é fácil para aquele que tem entendimento.

2.O próprio objetivo da parábola foi dar a sua aprovação e elogiar a proficiência deles. Cristo está pronto para encorajar aqueles que tiverem o desejo de aprender em sua escola, mesmo que sejam fracos. O Senhor tem sempre uma palavra de elogio e estímulo aos seus seguidores: “Bem está, servo bom e fiel”.

(1). O Senhor os elogia como escribas instruídos sobre o Reino dos céus. Eles estavam agora aprendendo o que poderiam ensinar; e os professores, entre os judeus, eram os escribas. Esdras, que preparou o seu coração para ensinar em Israel, é considerado um escriba muito hábil (Esdras 7.6,10). Agora, um habilidoso e fiel ministro do Evangelho também é um escriba. Mas, por distinção, ele é chamado de escriba instruído sobre o Reino dos céus, bem versado nas coisas do Evangelho, e bem capacitado para ensinar essas coisas. Perceba que:

[1]. Aqueles que vão instruir outros precisam ser bem instruídos. Se os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, é necessário que ele tenha, primeiramente, o conhecimento.

[2]. O ministro do Evangelho deve ser instruído a respeito do Reino dos céus, pois este é um pré-requisito para que ele seja bem-sucedido em sua tarefa, que consiste em contribuir para o crescimento desse reino. Um homem pode ser um grande filósofo e orador; porém, se não for instruído a respeito do Reino dos céus, ele não será mais do que um mau ministro.

(2). Ele os compara com um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas; os frutos da estação passada e os frutos da colheita desse ano – abundância e variedade, para o enriquecimento de seus amigos (Cantares 7.13). Observe aqui:

[1]. Quais são os recursos que um ministro deve ter: um tesouro de coisas novas e velhas. Aqueles que têm tantas e tão variadas ocasiões, têm a necessidade de armazenar, bastante em seus dias de colheita, guardando verdades antigas e novas, extraídas tanto do Antigo como do Novo Testamento. É necessário ter em mente as melhorias modernas e antigas, para que o homem de Deus esteja amplamente capacitado (2 Timóteo 3.16-17). Tanto as experiências antigas como as observações novas têm o seu uso. E não devemos nos contentar com velhas descobertas, mas devemos estar adicionando novas. Viver e aprender.

[2]. Que uso ele deve fazer de suas posses. O obreiro deve saber administrar; é necessário armazenar para que se possa gastar em benefício de outros. – Vocês devem armazenar, mas não para si próprios. Muitos estão cheios de recursos, mas eles não têm um “respiradouro” (Jó 32.19); têm um talento, mas o enterram. Assim se comportam os servos inúteis. Mas veja a diferença: o próprio Senhor Jesus Cristo recebeu para que pudesse dar; assim devemos agir, e teremos cada vez mais para compartilhar. Quando o objetivo é produzir, as coisas antigas e novas devem estar juntas, pois trarão um ótimo resultado; verdades antigas, mas métodos e expressões novas, especialmente afeições novas.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.