GESTÃO E CARREIRA

UM DUELO PESSOAL

O medo está presente na vida de todos porque faz parte da essência humana. E com os líderes e gestores não é diferente, no entanto, até que ponto isso pode atrapalhar os negócios e transformá-los em chefes ruins?

Um duelo pessoal

Quem nunca ouviu um colaborador reclamar de um chefe que dá bronca ou que exige demais, aquele ainda que não assume quando erra e desconta nos outros seus fracassos e imperfeições? Você já parou para pensar que isso pode ser reflexo do medo que esse líder enfrenta?

Mas líderes não sentem medo! Um total engano. Todos sentimos medo da rejeição, da perda medo do fracasso. E esse medo pode atrapalhar, muito, se for um sentimento dominante. Pode até virar fobia. E o maior problema ainda não é o sentimento em si mas o que fazemos com ele quando sentimos. Tem gente que fica paralisado ou que age impulsivamente de forma defensiva e se fecha. Há também aqueles que até agridem como forma de enfrentar o medo, como é o caso de alguns líderes e gestores. Mas a pergunta é: dessa forma que você quer liderar a sua empresa e a sua equipe?

Na opinião do consultor, palestrante e autor de best-sellers, César Souza o medo pode atrapalhar bastante a carreira de um líder ou gestor. “Existem três sentimentos que são terríveis: o medo, a raiva e a culpa. Se não conseguimos processar esses sentimentos e agirmos inconscientemente ou impulsivamente quando os sentimos, temos alta possibilidade de desastre na nossa auto liderança, que é a competência mais importante de um líder“, explica.

O estudioso do comportamento humano, coach de alta performance e especialista em transformação pessoal, Diógenes Gomes, esclarece ainda que o medo é a emoção que surge quando a pessoa acredita que não tem condições necessárias para realizar determinada tarefa ou que condições externas irão impedi-lo de cumpri-la. As emoções de medo incluem tudo, dos níveis mais baixos de preocupação e apreensão à preocupação intensa. ansiedade, pavor e até mesmo terror. “Acontece com todas as pessoas, e nos líderes essa emoção pode ser potencializada pelo fato de que o medo do líder pode ‘contaminar’ os liderados, gerando uma espécie de reação em cadeia”.

EU MEREÇO SER UM LÍDER!

O medo pode ter várias origens. Sentimento de ser incapaz para o cargo. Despreparo (a pessoa se sente despreparada). O medo de não corresponder e decepcionar quem o colocou no cargo e até mesmo decepcionar a família. “Existe sim a crença de que o líder deve ser corajoso. Deve realmente ser corajoso, porém alto lá! Coragem não é a ausência do medo. Coragem é saber enfrentar o medo e dominá-lo na hora crítica”, mostra Souza.

Obviamente que existem pessoas com mais facilidade para superar o medo do que outras. Mas a sócia-fundadora da Dromos Consult, Claudia Lemoine, diz que reconhecer e saber superar seus medos são as características fundamentais à liderança.

Logo, o primeiro sentimento que um líder precisa eliminar é este: De que por sentir medo ele não seja capaz de estar nessa posição. “O medo é uma emoção natural e surge em qualquer pessoa. A ideia não é eliminá-lo, e sim transformá-lo em algo positivo que possa impulsionar o líder a seguir em frente”, completa Gomes.

O estudioso do comportamento humano ressalta que alguns medos são comuns a todos os líderes, como medo do fracasso, da rejeição, de não ser bom o suficiente, ou não estar à altura para as tarefas. Esses são os medos mais frequentes, mas geralmente os líderes podem chamá-los por outro nome: Estresse, que é o medo somatizado. “Quando o medo domina as ações e começa a afetar o líder e seus liderados, é aconselhável buscar ajuda profissional. Um coach que tenha um conhecimento sobre intervenções estratégicas é alguém a quem se pode recorrer”, aconselha. Para César Souza, os líderes hoje querem controlar tanto esses medos e acabam não admitindo que ele exista, o que os leva a delegarem pouco. Por isso ele reforça a opinião de Gomes de que é bom buscar ajuda quando a pessoa se torna refém dos medos, fica paranoica, exagera ou quando também perde a noção do perigo e fica arrogante, autoritária e se julga imune ou ambiciosa de alguma forma. “‘Neste momento no Brasil presenciamos líderes que estão pagando alto preço e destruíram suas carreiras e suas empresas por se julgarem imunes e acima do perigo. Sim, procurar ajuda: terapeuta. conselheiro, amigo, parente. Uma sugestão que eu sempre dou é buscar um amigo e compartilhar receios. Ouvir outros e medir melhor a dimensão da situação versus o sentimento”, de monstra.

 

EU, EU MESMO E MINHA EQUIPE

“O melhor a se fazer é aprender a dançar com o medo”, pois ou se aprende a dominá-lo ou ele nos domina. A rejeição provavelmente seja o maior deles, especialmente quando vem da equipe. E é impossível evitar, afinal quem consegue agradar a gregos e troianos? Mas, caso aconteça, é o momento de analisar que estratégia de comunicação com os liderados você está adotando e, talvez mudá-la. “Se tentar impor, pode aumentar a rejeição da sua equipe. Lembre-se de que só se pode influenciar alguém quando se aprende o que já os influencia”, considera o coach Diógenes Gomes.

Claudia Lemoine dá a dica de que o autoconhecimento é a premissa para um bom exercício de liderar pessoas, olhar para si mesmo, rever sua história e seu passado, como foi o aprendizado e exemplos práticos de liderança aos quais foi submetido, possíveis rejeições, crenças limitantes, etc. “Essa autoanálise pode responder a muitas posturas e comportamentos do líder”, indica.

Mas, segundo o consultor César Souza, só a possibilidade de rejeição da equipe já atormenta muitos líderes. Por isso ele vai mais a fundo e ensina o quefazer:

a) defina em conjunto com a equipe a causa, o significado do negócio e o propósito comum da equipe; b) estabeleçam em conjunto metas claras e explícitas; c) reconheça sempre quando alguém acerta e conquiste as pessoas através do reconhecimento e premiação; d) ouça, ouça e ouça; e) tenha coragem para decidir e velocidade para agir quando as circunstâncias assim exigirem, não procrastine. Fundamental: transparência total com sua equipe. Afinal, ninguém perdoa quando o líder falta com a transparência e a sinceridade.

O palestrante alerta que, se existir um medo infundado, a equipe pode perder a confiança na capacidade de análise e julgamento do líder. Por isso ele repete: defina uma causa, metas claras, ouça muito, compartilhe sempre com outros suas percepções e aja rápido se o fato for real. “O que passa segurança é a tranquilidade mesmo em momento de crises adversas. Não entrar em pânico nem se deixar abater por rumores ou fatos. Se a situação for realmente grave, um acidente, um falecimento, uma decisão muito errada, o importante é tentar encontrar soluções em vez de buscar culpados ou ficar paralisado. Hora do caos sempre é um momento que pode revelar líderes capazes de enfrentar dificuldades e superá-las”, avalia.

SOB PRESSÃO

Liderar sob pressão, críticas, ou seja, em um ambiente onde tem que se comprovar constantemente aos superiores o seu valor, toma a vida de um líder muito mais difícil, e isso também pode fazer o medo aumentar. Por isso, Souza reforça quanto é importante negociar sempre um “Contrato de Expectativas” com metas claras e atitudes desejadas bem explicitadas. O líder deve ter isso com seus liderados, assim como com seu próprio líder. Mas não nos iludamos: nos próximos cinco anos a pressão não será menor que nos últimos cinco anos. A pressão tende a aumentar. As cobranças também”, avisa.

Mas cabe a cada um se capacitar. No entanto, se houver bullying ou se um superior estiver assediando de forma tóxica um líder ou liderado, o melhor na opinião do consultor, é mudar de área, de cargo ou de empresa. “Às vezes é mais importante a pessoa demitir o seu chefe. Ou seja, nem sempre vale a pena passar a vida se provando a quem não merece. Quando não há empatia e a pessoa fica refém dos humores de um chefe aterrorizante e passa a ter seu sentimento de medo contaminado de forma injusta, melhor mudar de ares”, recomenda Souza.

Por isso que na visão da sócia-fundadora da Dromos Consult, o verdadeiro líder entende e aceita opiniões adversas, mas não se abstém em debater novos e mostrar novos caminhos. Deve ser resiliente, ter a capacidade de se adaptar ou até mesmo evoluir após momentos de adversidade, transformando experiências negativas em aprendizado, mantendo equilíbrio para enfrentar situações e cenários, como, por exemplo, críticas e pressão no ambiente de trabalho. “Ele não se prende a situações que possam limitá­lo e/ou limitar sua equipe. Ele deve valorizar o que cada membro de sua equipe tem de melhor, corrigir com sabedoria e reconhecer com generosidade”, pontua Claudia.

MULHER X LIDERANÇA

As mulheres conquistaram um espaço no mercado e hoje já ocupam cargos de lideranças em várias empresas. No entanto, até mais que os homens, elas ainda carregam algum medo em relação a essa posição.

Segundo a especialista em equidade feminina e CEO da CKZ Diversidade, Cristina Kerr, infelizmente ainda existe a síndrome da impostora que algumas mulheres carregam, que é “eu sou uma fraude, não sou competente”. “A mulher é supercompetente, ela chegou lá, já tem cargo de liderança, mas ela não se acha competente para superar esse medo”. acredita.

Ela afirma que a mulher é capaz e está preparada, mas ainda é muito rígida com si mesma, se cobra perfeição em todos os aspectos na vida e para se candidatar a um cargo de liderança, por exemplo, se não preencher 100% dos quesitos, ela vai ficar insegura.

O maior medo de uma mulher na liderança, segundo Cristina Kerr, é de serem ouvidas. “É muito difícil para a mulher se posicionar em uma sala com vários homens. o que é muito comum nas diretorias e conselhos porque os homens as interrompem e elas não têm voz. O ideal é que haja três mulheres, pelo menos, para que elas consigam se posicionar”, aposta.

Na opinião ainda da especialista, as mulheres precisam provar mais que os homens que são competentes. “O homem está sempre preparado, sempre pronto para assumir posições de liderança, e a mulher não, é sempre uma chance que nos é dada para mostrar que damos conta e que somos capazes, apesar de sermos tão (ou até mais, dependendo do caso) competentes quanto os homens, lamenta.

Para vencer isso, Cristina diz que é necessário que as mulheres que já estão em cargos de média e alta liderança, deem a chance para outras mulheres, puxem-nas para cargos mais altos. “Ao invés de ser mentora, as mulheres devem ser patrocinadoras de outras mulheres, ou seja, abrir caminho efetivamente para elas a fim de ajudar essas que estão vindo, para que possam chegar mais rapidamente à liderança”, afirma

Além disso, é muito importante também mostrar para os homens o quanto ter mulheres em cargos de alta liderança traz resultado, performance financeira, para que eles também sejam agentes de transformação nessa causa e ajudem essas mulheres a irem para cargos de liderança. “Porque não é mais apenas uma questão de responsabilidade social, é uma questão de ganhos financeiros”, opina.

CONSIDERAÇÕES

Por aspectos culturais e organizacionais em transição, entrada de novas gerações no mercado de trabalho, estruturas organizacionais mais enxutas, competitividade acirrada e até mesmo o cenário macroeconômico, Claudia Lemoine acredita que a tendência é a de exigir líderes mais bem preparados para lidar com todos os tipos de cenários e, assim, estes devem responder com mais maturidade emocional.

Por fim, Diógenes Gomes diz que até por conta disso é importante entender também que o líder é alguém que serve a um bem maior do que os seus próprios interesses. “liderar pessoas não é um privilégio, é uma missão. A principal função de um líder é maximizar recursos e promover mais do que mudança, é progresso: é a capacidade de fazer as coisas acontecerem, maximizar os recursos e inspirar. É a capacidade de criar um ambiente em que as pessoas prosperem’ pontua.

MUDANDO A REALIDADE

Você sabia que o problema de termos lideres despreparados nas empresas vem da falta de incentivo que poderia começar na infância? Mas essa é uma realidade que já está mudando. Algumas escolas já possuem projetos voltados ao incentivo para aflorar nas crianças o líder que existe dentro delas. O Colégio Renovação – instituição de ensino de Educação Infantil ao Ensino Médio com unidades localizadas na capital paulista e na cidade de Indaiatuba, interior de São Paulo -, por exemplo, pensando na formação integral dos alunos, promove o projeto “O líder em Mim”. Trata-se de um programa com conteúdo, metodologia, material didático e treinamento para o aprendizado de liderança, valores e competências fundamentais para o sucesso na escola e na vida. “O liderem Mim” é fundamentado em teorias do desenvolvimento humano e que provoca processo de mudança comportamental para alunos e educadores. O projeto é voltado para alunos do lº ao 9º ano e envolve toda a escola. O programa foi desenvolvido pela Franklin Covey Co., nos EUA, baseado no livro “Os 7 hábitos de pessoas altamente eficazes” e adaptado à realidade brasileira.

5 PERGUNTAS CONSTANTES PARA EVITAR O MEDO

  • Do que realmente eu tenho medo?
  • Esse medo vem de mim ou foi algo que eu aprendi com alguém?
  • Quais benefícios esse medo me trouxe até hoje?
  • Que benefícios terei se ficar livre dele agora? Por que ê importante ficar livre desse medo agora?

 

10 PERGUNTAS CONSTANTES PARA EVITAR O MEDO

  • Seja transparente.
  • Seja sincero
  • Seja exigente, mas justo
  • Peça apoio
  • Ajude outros que estejam sentindo medo de forma inadequada ou desproporcional
  • Seja solidário com o outro
  • Seja integro
  • Seja agregador
  • Respeite para ser respeitado
  • Não inspire pela hierarquia nem pelo temor.

Inspire por valores, mas de forma bem pragmática: Dê resultados, supere suas metas, faça mais que o combinado. Sô assim você poderá dosar melhor seus sentimentos, pois quem não dá resultados já vive sob pressão e deixa a porta sempre aberta para o medo entrar.

 

12 MEDOS COMUNS AOS LÍDERES

  • Medo de decepcionar
  • Medo de não cumprir a meta
  • Medo de não se posicionar na hora certa
  • Medo de falar em público
  • Medo de tomar uma decisão errada
  • Medo de não ser capaz de esconder algo errado que está fazendo
  • Medo de perder o emprego
  • Medo de não agradar ao chefe
  • Medo da mudança Medo do desconhecido Medo do outro
  • Medo de acontecer algo inesperado ou indesejado que surpreenda

 

 

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.