ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 13: 24-43 – PARTE 1

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A Parábola do Trigo e do Joio, do Grão de Mostarda, e do Fermento – Parte 1

Nesses versículos, nós temos:

I – Uma outra razão pela qual Cristo pregava em parábolas (vv. 34,35). O Senhor proferiu todos estes ensinos através de parábolas, porque não havia chegado o tempo para a descoberta mais clara e direta dos mistérios do Reino. Para manter as pessoas comparecendo e esperando, o Senhor Jesus Cristo pregava utilizando parábolas, e não lhes falou sem utilizar parábolas, como, por exemplo, na ocasião desse sermão. Note que Cristo tenta todos os modos e métodos para fazer o bem às almas dos homens, e para fazer o melhor por elas. Se os homens não quiserem ser instruídos e influenciados por uma pregação direta, o Senhor tentará instruí-los através de parábolas. E a razão dada aqui é muito importante: para que as Escrituras fossem cumpridas. A passagem aqui mencionada é parte do prefácio para aquele Salmo histórico (78.2): ”Abrirei a boca numa parábola”. As palavras que o salmista Davi, ou Asafe, expressa em sua narrativa estão em harmonia com os sermões de Cristo; e este grande precedente serviria para justificar esse modo de pregar, mostrando que ele não era ofensivo, como alguns o consideravam. Aqui está:

1.O tema da pregação de Cristo; Ele pregava coisas que haviam sido mantidas em segredo desde a fundação do mundo. O mistério do Evangelho havia estado escondido em Deus, nos seus conselhos e decretos, desde o começo do mundo (Efésios 3.9; compare Romanos 16.25; 1 Coríntios 2.7; Colossenses 1.26). Se nos deliciamos com as descrições de coisas da antiguidade, e com a revelação de coisas secretas, quão bem-vindo o Evangelho deve ser para nós, pois ele tem em si tanta antiguidade e mistério! Elas estavam – desde a fundação do mundo – envoltas em tipos e sombras que agora passaram; e aquelas coisas secretas se tornaram aquilo que foi manifesto a nós e aos nossos filhos (Deuteronômio 29.29). 2. A maneira como Cristo pregou. Ele pregou por parábolas, que eram discursos sábios, mas figurativos, e que ajudavam a prender a atenção e levar a uma busca diligente. As pomposas instruções de Salomão, que estão repletas de analogias, são chamadas de provérbios, ou parábolas. Ê a mesma palavra. Mas tanto em palavras como em obras, “eis que está aqui quem é mais do que Salomão”; no Senhor Jesus Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria.

 

II – A parábola do joio, e a sua elucidação; elas devem ser tomadas juntas, pois a elucidação explica a parábola e a parábola ilustra a elucidação.

Observe:

1.O pedido dos discípulos ao Mestre; eles queriam que a parábola lhes fosse explicada (v. 36). O Senhor Jesus dispensou a multidão; e é de se temer que muitos deles tenham ido embora sem terem se tornado mais sábios do que quando vieram; eles ouviram um som de palavras, e isso foi tudo. Ê triste pensar que muitos ouvem os sermões sem que a Palavra da graça penetre em seus corações. Cristo foi para dentro de casa, nem tanto para seu próprio repouso, mas para uma conversa particular com os seus discípulos; a instrução era o objetivo maior de todas as suas pregações. Ele estava pronto para fazer o bem em todos os lugares; os discípulos aproveitaram a oportunidade e vieram a Ele. Aqueles que desejam ser sábios em todas as coisas, devem ser sábios para discernir e melhorar as suas oportunidades, especialmente de conversar com Cristo, de conversar com Ele a sós, meditando e orando de forma secreta. É muito bom, quando retornamos da assembleia sagrada, conversarmos uns com os outros sobre a mensagem que ali ouvimos, e em linguagem familiar nos ajudarmos uns aos outros a entendê-la e lembrá-la, e sermos tocados por ela; pois nós perdemos o benefício de muitos sermões através de conversas vãs e inúteis que temos depois de ouvi-lo. Veja Lucas 24.32; Deuteronômio 6.6,7. É especialmente bom, se possível, perguntar aos ministros da Palavra o significado da palavra escrita e pregada, pois os seus lábios devem guardar o conhecimento (Malaquias 2.7). As conversas particulares contribuiriam muito para que aproveitássemos melhor os discursos públicos. A frase proferida por Natã: “Tu és este homem”, foi o que tocou o coração de Davi.

O pedido dos discípulos ao Mestre foi: “Explique-nos a parábola do joio do campo”. Isso implicava em um reconhecimento de sua ignorância, algo que eles não tiveram vergonha de fazer. E provável que tenham captado o escopo geral da parábola, mas desejassem compreendê-la com mais detalhes, tendo a certeza de que a haviam compreendido corretamente. Aqueles que estão inteiramente predispostos aos ensinos de Cristo, são aqueles que estão conscientes da ignorância em que vivem, e desejam, sinceramente, ser ensinados. Ele ensinará os humildes (Salmos 25.8, 9), mas é necessário pedir isso. Se qualquer homem necessitar de instrução, peça-a a Deus. Cristo havia explicado a parábola anterior sem que eles pedissem; mas no caso desta parábola do joio, eles pediram a explicação.  As misericórdias que nós recebemos devem ser melhoradas, tanto por orientação como ao que pedir em oração, para o encorajamento em oração. A primeira luz e a primeira graça são dadas de um modo preventivo; porém, a sequência das bênçãos, os graus mais elevados da luz e da graça do Senhor, tem que ser pedida diariamente em oração.

2.A explicação que o Senhor Jesus Cristo deu da parábola, atendendo ao pedido deles. Jesus está sempre pronto para atender tais pedidos de seus discípulos. O sentido da parábola é representar para nós o estado presente e futuro do Reino dos céus, a igreja cristã. O cuida­ do de Cristo com ela, a inimizade do diabo contra ela, a mistura de futuros eventos bons e maus relacionados a ela. A igreja visível é uma parte do Reino dos céus; apesar de haver alguns hipócritas nela, Cristo a governa como Rei. E há um grupo nela – formado pelos súditos e herdeiros do céu – que a domina, por serem a sua melhor parte. A igreja é o reino dos céus sobre a terra.

Examinemos os detalhes da explicação da parábola.

(1). “O que semeia a boa semente é o Filho do Homem”. Jesus Cristo é o Senhor do campo, o Senhor da colheita, o semeador da boa semente. Quando Ele ascendeu ao céu, deu dons aos homens em todo o mundo; não só aos bons ministros, mas a outros bons homens. Note que toda e qualquer boa semente que houver no mundo veio das mãos de Cristo, veio de sua semeadura: verdades pregadas, graças plantadas, almas santificadas, são boas sementes, e tudo isto pertence a Cristo. Os ministros são instrumentos nas mãos de Cristo para semear a boa semente. Eles são empregados por Ele e estão sob as ordens dele; e o sucesso de seus labores só depende da bênção dele. E assim podemos dizer, com toda razão: É Cristo, e ninguém mais, que semeia a boa semente; Ele é o Filho do Homem, um de nós, para que não nos sintamos amedrontados pela sua grandeza. Ele é o Filho do Homem, o Mediador, e Ele tem toda a autoridade.

(2). “O campo é o mundo”; o mundo da humanidade, um grande campo, capaz de produzir bons frutos; muito se deve lamentar que ele produza tantos frutos ruins. Porém, nesta parábola, entendemos que o mundo é a igreja visível, que está espalhada pelo mundo todo, e que não está confinada a uma só nação. Observe que, na parábola, o mundo é chamado de “seu campo”; o mundo é o campo de Cristo, pois todas as coisas lhe foram entregues por Deus Pai. Qualquer poder e interesse que o diabo tenha no mundo, foi usurpado e obtido de modo injusto. Quando Cristo vier tomar posse, Ele virá para aquilo que é seu por direito. O campo é dele; e, pelo fato de ser dele, Ele teve o cuidado de semeá-lo com a boa semente.

(3). “A boa semente são os filhos do Reino”, os verdadeiros santos. Eles são: [

[1] Os filhos do Reino; não só em profissão de fé, como os judeus o eram (cap. 8.12), mas em sinceridade; judeus por dentro, israelitas de fato, incorporados em fé e obediência a Jesus Cristo, o grande Rei da Igreja.

[2] Eles são a boa semente, preciosos como sem entes (Salmos 126.6). A semente é a essência do campo, e o mesmo ocorre com a semente sagrada (Isaias 6.13). A semente é espalhada, e o mesmo ocorre com os santos. Eles estão dispersos, um está aqui e outro ali, apesar de em alguns lugares estarem semeados mais juntos do que em outros. A semente é aquilo de que se espera fruto; qualquer fruto de honra e serviço que Deus tenha desse mundo, Ele o obtém dos santos. Ele os semeou para si na terra (Oseias 2.23).

(4). “O joio são os filhos do Maligno”. Aqui está o caráter dos pecadores, hipócritas, e também de todos aqueles que são profanos e iníquos.

[1]. Eles são os filhos do diabo, como o maligno. Apesar de não levarem seu nome, eles têm a sua imagem, satisfazem as suas luxúrias, e dele têm a sua educação; o maligno domina sobre eles, e trabalha neles (Efésios 2.2; João 8.44).

[2]. Eles são o joio no campo desse mundo; eles não fazem o bem, mas ferem. São inúteis por si só, e danosos à boa semente, tanto pelas tentações corno pelas perseguições. Eles são ervas daninhas no jardim, embora tenham a mesma chuva, estejam no mesmo solo, e recebam o mesmo brilho do sol que as plantas boas recebem. Eles não servem para nada: o joio está entre o trigo. Deus assim ordenou que o bem e o mal estejam misturados nesse mundo, que o bem seja exercitado, que o mal seja inescusável, e uma diferença seja feita entre a terra e o céu.

(5). “O inimigo que o semeou é o diabo”; um inimigo jurado de Cristo e de tudo que é bom, da glória de Deus e do conforto e da alegria de todos os homens bons. Ele é um inimigo do campo do mundo, mesmo se esforçando para se apossar deste, ao semear nele o seu joio. Desde que Satanás se tornou um espírito mau, ele tem se dedicado a promover a iniquidade, e fez disso a sua ocupação, esforçando-se, assim, para trabalhar contra Cristo.

A respeito da semeadura do joio, observe na parábola:

[1]. Que ele foi semeado enquanto o homem dormia. Os magistrados dormiam, e, pelo seu poder, os ministros dormiam. Mas eram os ministros que, através de sua pregação, deveriam ter evitado esse dano. Satanás está atento a todas as oportunidades, e aproveita tudo o que possa ser vantajoso à propagação dos vícios e da profanação. O prejuízo que o diabo causa às pessoas em particular se dá quando a razão e a consciência estão adormecidas, quando estas virtudes baixam a guarda. Portanto, precisamos estar sóbrios e vigilantes. O joio foi semeado à noite, pois essa é a hora de dormir. Satanás governa nas trevas deste mundo; elas lhe dão a oportunidade de semear o joio (Salmos 104.20). Este triste evento ocorreu enquanto os homens dormiam; e não há remédio, pois os homens precisam ter um tempo para dormir. É impossível impedir que os hipócritas estejam na igreja. Da mesma forma, o lavrador, enquanto dorme, não pode impedir que um inimigo mine ou estrague o seu campo.

[2]. O inimigo se retirou logo após ter semeado o joio (v. 25), para que ninguém soubesse quem o fez. Quando Satanás está causando o maior dano, ele faz o máximo para se ocultar; pois, se ele for visto, os seus planos podem ser frustrados. E assim, quando vem semear o joio, ele se transforma em um anjo de luz (2 Coríntios 11.13,14). O inimigo seguiu o seu caminho, corno se não tivesse causado nenhum dano; este é o procedimento da mulher adúltera (Provérbio 30.20). Observe que esta é a propensão que os homens caídos têm ao pecado; se o inimigo semeia o joio, ele pode até mesmo se retirar, pois o joio brotará por si só, e causará grandes danos. Porém, quando a boa semente é semeada, ela precisa receber vários cuidados; ela precisa ser regada e cercada, caso contrário não frutificará.

[3]. O joio não apareceu até que a folha se formou, e produziu frutos (v. 26). Há muita maldade em segredo nos corações dos homens que está bem escondida, sob o manto de uma profissão de fé plausível, mas que aparece no final. Como a boa semente, também o joio fica bastante tempo sob os torrões, e assim que brota é difícil diferenciá-lo. Mas quando vêm os tempos de adversidade, quando o fruto tem que ser produzido, quando o bem deve ser feito mesmo que haja dificuldade e perigo para fazê-lo, então você poderá discernir entre o sincero e o hipócrita. Então você poderá dizer: Isto é trigo, e aquilo é joio.

[4]. Quando os servos se deram conta, reclamaram ao seu senhor (v. 27): “Senhor; não semeaste boa semente em vosso campo?”. Sem dúvida que ele o fez; seja lá o que houver de errado na igreja, nós temos a certeza de que não foi Cristo quem semeou o mal. Considerando a semente que Cristo semeou, nós bem que podemos perguntar, com surpresa: De onde vem esse joio? Note que o surgimento de erros, o aparecimento de escândalos e o crescimento da profanação são motivos de grande sofrimento para os servos de Cristo, especialmente para os seus ministros fiéis, que devem reclamar disso ao dono do campo. É triste ver tal joio, tais ervas daninhas, no jardim do Senhor; ver o bom solo desperdiçado, a boa semente sufocada, e tal imagem refletida contra o nome e a honra de Cristo, como se o seu campo não fosse melhor do que o do preguiçoso, que está repleto de espinhos.

[5]. O Senhor logo se deu conta de onde isso vinha (v. 28): “Um inimigo é quem fez isso”. Ele não coloca a culpa nos servos; eles não o podem evitar, pois fizeram o que estava ao seu alcance para evitá-lo. Os ministros de Cristo que forem fiéis e diligentes não serão julgados por Cristo, e, por esta razão, não devem ser criticados pelos homens devido à mistura do mal com o bem, dos hipócritas com os sinceros, no campo da igreja. É necessário que essas ofensas venham, e elas não serão postas contra nós, se cumprirmos o nosso dever, mesmo que não tenhamos o sucesso desejado. Apesar de dormirmos, não amamos o sono; apesar do joio ser semeado, não fomos nós que o semeamos nem o regamos, nem os aceitamos. Assim, a culpa não será posta à nossa porta.

[6]. Os servos foram muito solícitos em arrancar o joio pela raiz. “Queres, pois, que vamos arrancá-lo?” Note o zelo precipitado e a falta de ponderação dos servos de Cristo. Eles se mostraram prontos a agir; mesmo antes de terem consultado o Mestre. Eles se dispuseram a arrancar pela raiz tudo o que presumissem que era joio; esta ação representaria um perigo iminente para a igreja. Em outra situação, chegaram a dizer: “Senhor, queres que peçamos fogo do céu?”

[7]. O Senhor com muita sabedoria, impediu isso (v. 29). “Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele.” Não é possível a nenhum homem distinguir infalivelmente entre joio e trigo, pois ele pode se confundir; e assim aqui está a sabedoria e a graça de Cristo. Ele permitirá que o joio cresça, para que não coloque, de maneira alguma, o trigo em perigo. Certamente os ofensores escandalosos devem ser censurados, e devemos nos separar deles; aqueles que são, abertamente, filhos do maligno, não devem ter o acesso permitido às ordenanças especiais. Mas ainda assim é possível haver uma disciplina que seja tão equivocada em suas regras, ou tão condescendente em sua aplicação, a ponto de ser perturbadora para muitos que são, verdadeiramente, servos de Deus e conscienciosos. Grande cautela e moderação devem ser usadas pela igreja ao infligir e manter censuras, para que o trigo não seja pisado, nem arrancado. A sabedoria do alto é tão pura quanto pacífica, e aqueles que se opõe não devem ser desligados, mas instruídos, e isto deve ser feito com mansidão (2 Timóteo 2.25). Alguns entendem que se o joio continuar sob os meios da graça, ele pode se tornar um bom grão; portanto, tenha paciência com ele.

(6). “A ceifa é o fim do mundo” (v. 39). Este mundo terá um fim; apesar de continuar por muito tempo, ele não continuará para sempre; o tempo será, em breve, engolido pela eternidade. No fim do mundo haverá uma grande colheita, um dia de julgamento; na colheita, tudo está maduro e pronto para ser cortado: tanto o bem como o mal estarão prontos naquele grande dia (Apocalipse 6.11). Esta é a colheita da terra (Apocalipse 14.15). Na colheita, os segadores cortam tudo que estiver à sua frente; nem um campo, nem uma esquina é deixada para trás; assim, no grande dia, tudo deve ser julgado (Apocalipse 20.12,13). Deus preparou a colheita (Oseias 6.11), e ela não falhará (Genesis 8.22). Na colheita, todo homem colherá aquilo que plantou; o solo, a semente, a habilidade, e a dedicação de cada homem será manifestada (veja Gálatas 6.7 ,8). Então, aquele que semeou uma boa semente virá com alegria (Salmos 126.5,6), com a felicidade da colheita (Isaias 9.3). Nessa ocasião, os preguiçosos, que não araram devido ao frio, implorarão, e não terão nada (Provérbio 20.4). Eles clamarão: “Senhor, Senhor”, mas este clamor será em vão. Nessa ocasião, a colheita daqueles que semearam para a carne será um dia de pesar, de desespero e tristeza (Isaias 17.11).

(7). “Os ceifeiros são os anjos”: eles serão empregados, no grande dia, na execução da sentença correta de Cristo, tanto de aprovação como de condenação, como ministros da sua justiça (cap. 25.31). Os anjos são habilidosos, fortes e ágeis. São servos obedientes a Cristo, inimigos sagrados do maligno, e amigos fiéis dos santos; por isso, estão aptos a serem assim empregados. Aquele que colhe recebe um pagamento, e os anjos não serão deixados sem um pagamento pelo seu trabalho, pois aquele que semeou, e aquele que colheu, se alegrarão juntos (João 4.36); haverá alegria no céu, na presença dos anjos de Deus.

(8). O tormento infernal é o fogo, dentro do qual o joio será então lançado, e no qual será queimado. No grande dia, uma distinção será feita, e com ela haverá uma grande diferença; este será, de fato, um dia notável.

[1] O joio será então reunido e lançado fora. Os ceifeiros (cujo trabalho fundamental é juntar o grão) serão primeiro encarregados de juntar o joio e colocá-lo para fora. Note que apesar do bem e do mal estarem juntos nesse mundo, sem distinção, no grande dia eles serão separados. Nenhum joio estará então entre o trigo; nenhum pecador, entre os santos; então será possível discernir facilmente entre o justo e o ímpio, o que aqui é, às vezes, difícil de fazer (Malaquias 3.18; 4.1). Cristo não os tolerará para sempre (Salmos 1. 1 ss.). Eles juntarão e colocarão para fora do Reino todas as coisas perversas que ofendem, e todas as pessoas ímpias que cometem iniquidades. O Senhor iniciará este processo, e irá até o final. Toda doutrina, adoração e prática corrupta que ofenderam, que foram escândalos para a igreja, e pedras de tropeço para a consciência dos homens, serão condenadas pelo justo Juiz naquele dia, e consumidas pelo brilho da sua vinda. Toda a madeira, feno, e palha serão consumidos (1 Coríntios 3.12). E então ai daqueles que cometem iniquidades, e fazem disso um negócio, e persistem nisso; não só aqueles que viveram na última era do reino de Cristo na terra, mas também aqueles que viveram em todas os períodos. Talvez haja aqui uma alusão a Sofonias 1.3: “Consumirei… os tropeços com os ímpios”.

[2]. Eles serão então atados em fardos (v. 30). Peca­ dores do mesmo tipo serão atados juntos no grande dia: um monte de ateístas, um monte de hedonistas, um monte de perseguidores, e um grande monte de hipócritas. Aqueles que estiveram juntos no pecado, assim estarão na vergonha e na dor; e isso será um agravo de sua miséria. Mas o grupo dos santos glorificados terá a sua bênção aumentada. Oremos como Davi: “Não colhas a minha alma com a dos pecadores, nem a minha vida com a dos homens sanguinolentos” (Salmos 26.9), mas ajunte-a no feixe dos que vivem com o Senhor (1 Samuel 25.29).

[3]. Eles serão lançados em uma fornalha de fogo; tal será o fim dos perversos e nocivos, que são, na igreja, como joio em meio ao trigo; eles não servem para nada, a não ser para o fogo. E para lá irão, pois é o melhor lugar para eles. O inferno é uma fornalha de fogo, acesa pela ira de Deus, e mantida pelos montes de joio que são lançados dentro dela, e que estarão sendo eternamente consumidos. Mas o Senhor passa da metáfora para uma descrição dos tormentos que são concebidos para serem causados por ela. Haverá pranto e ranger de dentes; um sofrimento inconsolável e uma indignação incurável em relação a Deus, a si mesmos, e de uns para com os outros. Esta será a tortura infindável das almas condenadas. Conhecendo, assim, esses terrores do Senhor, sejamos persuadidos a não cometer nenhuma iniquidade.

(9). O céu é o celeiro no qual todo o trigo de Deus será reunido no grande dia da colheita. “Mas o trigo, ajuntai-o no meu celeiro”, diz a parábola (v. 30). Considere que:

[1]. No campo deste mundo, as pessoas boas são o trigo, o grão mais precioso, e a parte valiosa do campo.

[2]. Esse trigo será juntado em breve, juntado do meio do joio e das ervas daninhas: todos serão juntados em uma assembleia geral, todos os santos do Antigo Testamento, todos os santos do Novo Testamento, nenhum deles faltará. Reunirá os seus santos junto a si (Salmos 50.5).

[3] Todo o trigo de Deus será armazenado junto no celeiro de Deus. Alguns entendem que as almas são guardadas, na morte, como uma pilha de grãos (Jó 5.26), mas a reunião geral ocorrerá no fim dos tempos. O trigo de Deus então será reunido, e não estará mais espalhado. Haverá feixes de grãos, como também montes de joio. Os grãos de trigo serão, então, colocados a salvo, e não serão mais expostos ao vento e ao tempo, ao pecado e à dor; não serão mais separados, e embora estejam distantes no campo, estarão próximos no celeiro. O céu é um celeiro de grãos (cap. 3.12), no qual o trigo será não só separado do joio das más companhias, mas separado da palha de suas próprias corrupções.

Na explicação da parábola, isso é gloriosamente representado (v. 43): “Então, os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai”. Em primeiro lugar, eles têm uma grande honra no presente: Deus é Pai deles. Agora somos os filhos de Deus (1 João 3.2); o nosso Pai celestial é o Rei ali. Quando Cristo foi para o céu, Ele foi para o seu Pai, e nosso Pai (João 20.17). O céu é a casa de nosso Pai, e não somente isto, mas é o palácio de nosso Pai; é o seu trono (Apocalipse 3.21). Em segundo lugar, a honra que ali está reservada para eles é que brilharão como o sol naquele reino. Aqui eles estão obscuros e escondidos (Colossenses 3.3), o seu brilho é eclipsado pela sua pobreza, e pela pequenez de sua condição exterior; as suas próprias fraquezas e enfermidades, assim como a reprovação e a desgraça que são lançadas contra eles, os ocultam. Mas então eles brilharão como o sol por detrás de uma nuvem escura; na m01te, eles brilharão para si mesmos; porém no grande dia, eles brilharão publicamente perante todo o mundo, e os seus corpos serão semelhantes ao corpo glorioso de Cristo. Eles brilharão por reflexo, com uma luz emprestada da Fonte da luz. A sua santificação será aperfeiçoada, e a sua justificação se tornará pública. Eles pertencerão a Deus como seus filhos, e Ele mesmo produzirá o registro de todos os serviços e sofrimentos que enfrentaram por amor ao seu glorioso nome. Eles brilharão como o sol, a mais gloriosa de todas as coisas visíveis. A glória dos santos é, no Antigo Testamento, comparada com o firmamento e com as estrelas, mas aqui ela é comparada com o sol; pois a vida e a imortalidade são trazidas a uma luz muito mais clara pelo Evangelho, do que pela lei de Moisés. Aqueles que brilham como luzes nesse mundo, para que Deus possa ser glorificado, brilharão como o sol no outro mundo, para que possam ser glorificados. O nosso Salvador conclui, como antes, mandando que prestemos atenção; aqueles que têm ouvidos para ouvir, ouçam. A nossa felicidade está em ouvirmos essas palavras tão preciosas. A nossa obrigação é darmos ouvidos a elas.

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GESTÃO E CARREIRA

TER UMA VIDA AOS 30 X COMEÇAR UMA VIDA AOS 30.

Ter uma vida aos 30

Quando se ouve falar que os 30 são os novos 20, a conclusão a que se chega é que a faixa dos 20 anos não tem grande importância. Chamada até mesmo de adolescência estendida, essa fase não vem tendo a devida atenção, e os jovens acabam se perdendo em um turbilhão de desinformação que banaliza aquele que realmente é o período mais transformador da vida adulta.

Pesquisas mostram que 80% dos fatos substanciais e com consequências duradouras que levam ao sucesso na carreira, a uma boa situação financeira e à felicidade pessoal acontecem até os 35 anos: depois os adultos são levados a continuar (ou, se passivei, corrigir) as ações iniciadas na faixa dos 20 anos. Trata-se de um período especial demais p:ira não ser levado a sério.

Recentemente recebi um e-mail de uma senhora me perguntando se eu poderia orientar seu filho em relação à carreira, pois ele estava com muitas dúvidas. Orientei essa mãe para que seu filho me escrevesse diretamente e aproveitei para perguntar a idade dele, pois imaginei que se tratava das dúvidas recorrentes na escolha sobre qual faculdade ingressar aos 17 anos. Para o meu espanto, essa senhora me respondeu que a orientação profissional seria para o seu filho de 33 anos que nunca tinha trabalhado!

Meu espanto se deu não pelo fato da dúvida sobre carreira, pois isso é perfeitamente normal e recorrente para todos profissionais em qualquer idade, mas fiquei me questionando sobre as razões dessa mãe tomar a iniciativa no lugar do filho. O maior prejudicado com esse excesso de cuidado da mãe com absoluta certeza será esse filho de 33 anos.

Quando temos 20 anos, a impressão é de que existem décadas à frente para ganharmos cada vez mais, mas, os últimos dados do censo americano (infelizmente não encontrei dados do censo no Brasil) mostram que, em média, os salários chegam ao pico – e se estabilizam – aos 40 anos.

O que sugiro é para que todo jovem a partir dos 20 anos comece imediatamente sua experiência profissional, independentemente das dúvidas sobre qual carreira seguir. A dúvida não pode ser um impedimento de começar a desenvolver competências comporta mentais no trabalho.

Claro que deve cuidar paralelamente de sua qualificação acadêmica. Desenvolvimento acadêmico e experiência profissional sempre devem caminhar juntos.

Recomendo a todos um livro da Dra. Meg Jay chamado “A idade decisiva”, que aborda questões cruciais para essa faixa etária e compartilha relatos cativantes dos próprios jovens. #ficadica

DANIELA DO LAGO – é especialista em comportamento no trabalho, mestre em administração, coach de carreira, palestrante e professora na área de liderança e gestão de pessoas.  www.danieladolago.com.br

PSICOLOGIA ANALÍTICA

ATRAVÉS DE UM VIDRO SOMBRIO

Embora estejamos acostumados a olhar para nossa imagem em espelhos todos os dias, a maioria de nós não entende como eles funcionam – o que pode resultar em curiosos enganos reflexivos.

Através de um vidro sombrio

Passamos o dia rodeados por espelhos, seja quando dirigimos, andamos pelos corredores dos shoppings, escovamos os dentes ou ajeitamos os cabelos antes de sair de casa. No entanto, apesar de sua onipresença, esses objetos permanecem misteriosos. Nos contos populares e na ficção, eles podem nos levar para reinos mágicos, espirituais ou sobrenaturais: são capazes também de libertar vampiros sem alma ou invocar o lendário assassino conhecido como Candyman. E o espelho de Ojesed, que alcançou fama com Harry Potter, tem o notável poder de revelar o desejo mais profundo de seu espectador.

Talvez nosso fascínio venha do fato de que esses objetos quebram as expectativas. Não só costumamos achar incômoda a inversão entre direita e esquerda dos espelhos, como muitas das nossas intuições, duramente conquistadas sobre o funcionamento dessas superfícies reflexivas, estão erradas. O psicólogo Marco Bertamini e seus colegas da Universidade de Liverpool, na Inglaterra, identificaram três falsas crenças que, em geral, temos sobre esses objetos: primeiro, tendemos a acreditar que nos veremos no espelho assim que chegarmos à sua frente. Em outras palavras, superestimamos o que é visível em sua superfície.

Essa falha de cálculo é chamada de “erro inicial”. Segundo, a maioria de nós acredita que nosso reflexo no espelho (o contorno que podemos traçar com uma caneta em sua superfície) tem a mesma dimensão que nosso corpo. De fato, a projeção, como a vemos, é metade do nosso tamanho. Terceiro, é comum que imaginemos que nosso reflexo encolherá com a distância e que, se nos afastarmos o suficiente, poderemos ver nosso corpo inteiro em um espelho pequeno. Mas, na realidade, a distância não afeta a dimensão da projeção. Além disso, algumas pesquisas indicam que, de alguma forma, vemos as coisas nessa superfície menos reais. As ilusões que apresentamos aqui aproveitam o pouco que entendemos desse misterioso objeto.

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O MAIS HONESTO DE TODOS?

Bertamini e seus colegas Richard Latto e Alice Spooner, ambos então da Universidade de Liverpool, cunharam o termo “efeito Vênus” para descrever um fenômeno curioso que é exemplificado por representações artísticas da deusa romana do amor, a partir de famosos retratos do Renascimento. Em algumas pinturas, Vênus aparece com um pequeno espelho (que ela mesma, ou alguém próximo, segura) que reflete seu rosto.

Quando uma pessoa nos pede que descrevamos pinturas como Vênus ao espelho (ou Rokeby Venus), de Diego Velázquez, a maioria de nós diz que a deusa está olhando sua imagem refletida. O problema, no entanto, é que o espelho não está na linha de visão de Vênus – e, de acordo com as leis da óptica, se podemos ver seu rosto nessa superfície refletora, então a deusa também nos observa em vez de admirar sua própria imagem. Esse tipo de ilusão não se limita a pinturas: ocorre também nas fotografias e na vida real, fato do qual muitas produções de televisão e filmes se aproveitam.

Um dos motivos do efeito Vênus é que não temos muita habilidade para estimar a visão do ponto de vista dos outros. Os pesquisadores ainda não sabem se os antigos mestres incluíam esse recurso em seus trabalhos sem querer ou se era resultado de escolhas artísticas conscientes. Talvez nunca saibamos, mas parece provável que Velázquez – o criador do intrincado jogo de espelhos da pintura de As meninas – conhecesse bem essas superfícies refletoras e também nossa incapacidade de compreendê-las com clareza.

Atraves de um vidro sombrio3

DOIS PONTOS DE VISTA

O interesse de Kokichi Sugihara em ilusões surgiu do que a princípio parecia um problema num software. O engenheiro matemático da Universidade Meiji, no Japão, desenvolveu um programa de computador para ler planos de construção e outros desenhos de linha de objetos tridimensionais. Para testá-lo, ele alimentou as imagens do software com objetos impossíveis, como A escada de Penrose, de M. C. Escher, que parece subir e descer ao mesmo tempo. Para sua surpresa, o programa nem sempre enviava mensagem de erro, mas interpretava muitas dessas figuras como 3D sólidos que só pareciam irreais se visualizados de um ponto de vista específico. De- pois de ficar convencido de que a leitura do software estava correta, ele começou a construir “sólidos impossíveis”, inicialmente com papelão e, mais recentemente, com uma impressora 3D. No processo, Sugihara também produziu outras coisas improváveis. Suas ilusões mais recentes dependem de espelhos e simbolizam o axioma de que nem tudo é o que parece. (Para mais detalhes e modelos para fazer alguns desses objetos, visite o site de Sugihara em http://home.mims.meiji.ac. jp/~sugihara/Welcomee.html).

Na ilusão abaixo, um carro de brinquedo amarelo dentro de uma pequena garagem fica na frente de um espelho vertical, mas, no reflexo, a forma do telhado parece estar errada. O truque de Sugihara requer dois pontos de vista específicos e simultâneos – ver o automóvel diretamente e através do espelho. No entanto, a forma real do telhado não combina com a aparência de qualquer uma dessas perspectivas. Você pode construir seu próprio modelo de papel do telhado da garagem ambígua de Sugihara. Para isso, basta seguir o passo a passo pelos links da página inicial de seu site.

A mais nova ilusão de Sugihara mostra um espelho que não reflete metade de um objeto sólido colocado à sua frente. Mas não precisa lançar mão do colar de alho nem da água benta: é uma questão de perspectiva, mais uma vez. A parte inferior (não refletida) da imagem é um desenho 2D que fica nivelado no chão e parece ganhar volume apenas de um ponto de vista específico. Para fazer o seu próprio hexágono pela metade, acesse o link com o nome “Quarta geração: objetos parcialmente invisíveis” no site de Sugihara. Para ter melhor efeito, incline o espelho ligeiramente para baixo.

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UM PAR DE LUMINÁRIAS?

O psicólogo F. Richard Ferraro, da Universidade da Dakota do Norte, e sua esposa, Jacqueline Lee Foster Ferraro, estavam reorganizando a cozinha quando descobriram uma ilusão intrigante. Olhe para a imagem abaixo. Você vê duas luminárias ou uma e seu reflexo no espelho? Richard Ferraro sabia que eram duas porque tinha acabado de mover uma delas da sala de estar para a cozinha. Mas, enquanto estava sentado no sofá, ele não conseguia se livrar da sensação de que observava um único abajur refletido numa superfície (na realidade, uma passagem para a cozinha). O casal se juntou com a estudante Cassidy Brougham, da Universidade da Dakota do Norte, e mostrou essa mesma imagem a 100 estudantes do campus. A equipe revela que 72 pessoas viram uma luminária enquanto 28 enxergaram duas. A preferência do nosso sistema visual pelas explicações perceptuais mais fáceis para o que vemos ao redor, o chamado princípio da simplicidade, pode explicar essa inclinação.

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SUSANA MARTINEZ-CONDE e STEPHEN L. MACKNIK são professores de oftalmologia do Centro Médico SUNY Downstate, em Nova York. São coautores do livro Truques da mente (Zahar, 2011).