ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 13: 1-23 – PARTE 2

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As Parábolas de Jesus – Parte 2

II – Nesses versículos, temos uma das parábolas que o nosso Salvador apresentou: a do semeador e da semente. Temos tanto a parábola em si, como também a sua explicação. As parábolas de Jesus eram tiradas de coisas comuns, habituais, não de alguma noção ou especulação filosófica, ou de fenômenos incomuns da natureza, apesar de serem suficientemente aplicáveis ao ponto em questão. Porém, as suas parábolas estavam fundamentadas nas coisas mais óbvias, aquelas que podemos observar todos os dias, e que estão até mesmo ao alcance daqueles que possuem a menor capacidade de entendimento. Muitas delas foram tiradas do ofício do agricultor, como a do semeador e do joio. Cristo escolheu fazer assim:

1.Para que as coisas espirituais estivessem mais claras, e, por similitudes mais familiares, fossem ainda mais fáceis de alcançar o nosso entendimento.

2.Para que as coisas mais comuns pudessem ser aplicadas à vida espiritual, e nós pudéssemos prestar atenção às coisas que tão frequentemente passam pela nossa vista. Para que meditássemos com prazer nas coisas de Deus, e assim, quando as nossas mãos estiverem mais ocupadas com o mundo, nós possamos – não só apesar disso, mas até mesmo com a ajuda disso – ter os nossos corações dirigidos ao céu. Assim, a Palavra de Deus falará conosco de modo familiar (Provérbio 6.22).

A parábola do semeador é suficientemente explicada (vv. 3-9). A sua explicação é feita pelo próprio Senhor Jesus Cristo, que sabia melhor do que todos o que era que Ele próprio queria dizer. Quando os discípulos perguntaram: “Por que lhes falas por parábolas?” (v. 10), eles sugeriram um desejo de que a parábola fosse explicada por causa das pessoas; porém, não era um descrédito ao conhecimento deles o desejo de que o Senhor Jesus explicasse a parábola para eles mesmos. O nosso Senhor Jesus graciosamente aceitou aquele pedido, e explicou o significado, e fez com que eles compreendessem a parábola. Ele dirigiu o seu discurso aos discípulos, mas a multidão continuava ouvindo, pois não nos é relatado que Ele a tenha dispensado, até o versículo 36. “‘Escutai vós, pois, a parábola do semeador, (v.18); vós a ouvistes, mas vamos revê-la”. Note que é de bom uso, e contribui muito para o nosso benefício e para a compreensão da Palavra, ouvir novamente aquilo que já ouvimos (Filipenses 3.1). “Vocês a ouviram, mas ouçam a sua interpretação”. Note que somos abençoados apenas quando ouvimos a Palavra corretamente, e com bons propósitos, e quando compreendemos o que ouvimos. Pode-se considerar que uma pessoa não estará ouvindo, se não estiver ouvindo com entendimento (Neemias 8.2). É, de fato, a graça de Deus que dá o entendimento; mas o nosso dever é prestar toda a atenção, dirigindo o nosso pensamento ao entendimento.

Vamos, portanto, comparar a parábola com a exposição.

(1). A semente semeada é a Palavra de Deus, aqui chamada de a palavra do reino (v. 19): o reino dos céus é o reino; os reinos do mundo, comparados a ele, não podem sequer ser chamados de reinos. O Evangelho vem do reino, e conduz a esse reino; a palavra do Evangelho é a palavra do reino; é a palavra do Rei, e onde ela estiver, ali estará o poder; ela é uma lei, pela qual nós devemos ser regidos e governados. Essa palavra é a semente semeada, o que para alguns parece uma coisa morta e seca, mas ela tem, de fato, uma riqueza dentro de si. Ê uma semente incorruptível (1 Pedro 1.23); é o Evangelho que produz frutos nas almas (Colossenses 1.5,6).

(2). O semeador que lança a semente é o nosso Senhor Jesus Cristo, e Ele mesmo o faz, ou o faz através de seus ministros (veja v. 37). As pessoas são a lavoura de Deus, o seu cultivo, este é o significado da palavra; e os ministros são cooperadores de Deus (1 Coríntios 3.9). Pregar a uma multidão é semear o grão; não sabemos onde a semente cairá, apenas cuidamos para que a semeadura seja boa, que seja limpa, e nos certificamos de que haja semente suficiente. Semear a preciosa Palavra é semear um povo no campo de Deus, o grão da sua eira (Isaias 21.10).

(3). O solo no qual essa semente é semeada são os corações dos filhos dos homens, que são de disposições e qualidades diferentes; da mesma maneira, o sucesso da palavra é diferente em cada um deles. Note que o coração do homem é como o solo, capaz de melhorar, de produzir bons frutos. É uma pena que muitos corações estejam como um solo não semeado, ou seja, como o campo do preguiçoso (Provérbio 24.30). A alma é o lugar apropriado para a Palavra de Deus residir, e trabalhar, e governar; a sua operação se dá na consciência. É o mesmo que acender ali a luz do Senhor. Agora, de acordo com o que somos, assim é a palavra para nós: A recepção depende do receptor. O mesmo ocorre com a terra; alguns tipos de solo dão muito trabalho, e por mais sementes que lancemos neles, não produzem frutos que sirvam para algum propósito. Porém, o solo bom produz abundantemente. O mesmo ocorre com os corações dos homens, cujos diferentes caracteres es­ tão aqui representados pelos quatro tipos de solo, dos quais três são ruins, e apenas um é bom. Note que muitos ouvintes não darão frutos, mesmo em se tratando daqueles que ouviram o próprio Cristo. Quem creu em nossa pregação? Quem deu crédito ao nosso relato? Essa parábola nos traz uma perspectiva melancólica sobre aqueles que ouvem o Evangelho ser pregado; ela sugere que um entre quatro produz frutos perfeitos. Muitos são chamados com um chamado comum, mas em poucos a escolha eterna está evidenciada pela eficácia desse chamado (cap. 20.16).

Observe agora os tipos de pessoas representadas por esses quatro tipos de solo.

[1] O solo ao pé do caminho (vv. 4-10). Havia trilhas através de seus campos (cap. 12.1), e a semente que nelas caiu nunca penetrou o solo, e assim os pássaros as pegaram. O lugar onde os ouvintes de Cristo estavam representava o caráter da maioria deles; para a semente, a areia na beira da praia era como o solo do caminho.

Observe, em primeiro lugar, que tipo de ouvintes é comparado com o solo do caminho; os que ouvem a Palavra e não a compreendem. Eles são os únicos culpados por esta situação. Eles não a levam em consideração, não a retém; eles não se comportam como se desejas­ sem receber o bem. São como a estrada; nunca houve a intenção de semeá-la. Eles vêm à presença de Deus como os seus filhos vêm, e se sentam diante dele como os seus filhos se sentam, mas o fazem simplesmente por costume, ou ainda para verem e serem vistos. Eles não se importam com o que é dito; as palavras entram por um ouvido e saem pelo outro, e não deixa neles nenhuma impressão duradoura.

Em segundo lugar, como eles chegam a ser ouvintes ineficazes. O iníquo, ou seja, o diabo, veio e levou aquilo que foi semeado. Esses ouvintes mecânicos, descuida­ dos e levianos, são uma presa fácil para Satanás; como ele é o grande assassino, também é o grande ladrão de sermões, e certamente nos roubará a Palavra se não ti­ vermos o cuidado de guardá-la. Esta situação é como a dos pássaros que pegam as sementes que caem no solo que não foi inicialmente arado, nem tratado depois de semeado. Precisamos revolver a terra do solo que não está cultivado, preparando os nossos corações para a Palavra, humilhando-nos a ela, dando-lhe toda a nossa atenção. Mas seremos como o solo da estrada se não tomarmos alguns cuidados: devemos cobrir a semente depois que a recebemos, através da meditação na Palavra de Deus e das nossas orações. Também precisamos dar atenção, com dedicação, às coisas que ouvimos. O diabo é um inimigo jurado, que luta para não recebermos os benefícios que nos são trazidos pela Palavra de Deus. E ninguém é mais amigo de suas intenções malignas do que os ouvintes descuidados, que estão pensando em alguma outra coisa, quando deveriam estar pensando nas coisas que pertencem à sua paz.

[2] O solo rochoso. Algumas caíram em locais pedregosos (vv. 5,6), que representam os ouvintes que vão além dos anteriores, que recebem algumas boas impressões da palavra, mas estas não permanecem (vv. 20,21). Note que é possível sermos melhores do que alguns outros, porém ainda não somos tão bons quanto deveríamos ser. Podemos ir além dos nossos vizinhos, e ainda não alcançar o céu. Observe, a respeito dos ouvintes que são representados pelo solo pedregoso: Em primeiro lugar, quão longe eles foram.

1.Eles ouviram a Palavra; eles não dão as costas a ela, nem se comportam como se fossem surdos para ela. O fato de alguém ouvir a Palavra, ainda que muito frequentemente, ainda que com seriedade, não levará a pessoa ao céu; é necessário crer na Palavra e confiar nela.

2.Eles ouvem bem, são rápidos para ouvir, e logo recebem a Palavra, estão prontos para recebê-la, e assim ela brota rapidamente (v. 5). Logo aparece sobre a terra aquilo que foi semeado em solo bom. Os hipócritas frequentemente têm um início na fé cristã que é semelhante ao dos verdadeiros cristãos, em termos de profissão de fé, mostrando-se até mesmo empolgados. Eles a recebem imediatamente, sem prová-la; “engolem-na” sem mastigar, e por esta razão não pode haver uma boa digestão. Aqueles que provam todas as coisas têm mais facilidade para se apegar àquilo que é bom (1 Tessalonicenses 5.21l. 3. Eles a recebem com alegria. Observe que existem muitos que ficam felizes por ouvir um bom sermão, mas que, contudo, não tiram proveito dele; eles podem gostar da Palavra, e ainda não serem transformados ou governados por ela. O coração pode se derreter sob a Palavra, mas ainda assim não ser derretido pela Palavra, muito menos derreter-se sobre a palavra, como em um molde. Muitos provam a boa palavra de Deus (Hebreus 6.5), e dizem encontrar doçura nela; mas alguma luxúria que lhes é querida (com a qual a Palavra não combina) se esconde por baixo da língua, e assim eles a cospem para fora.

3.Eles a suportam por um tempo, como um movimento violento, que continua enquanto a impressão da força permanece, mas logo ela se esgota. Muitos perseveram por um tempo, porém não perseveram até o final, e assim não alcançam a felicidade que é prometida àqueles que perseveram (cap. 10.22); eles corriam bem, mas algo os deteve (Gálatas 5.7).

Em segundo lugar, eles se retiraram, de modo que nenhum fruto chegou à perfeição. A vida deles se assemelhou ao grão, que, não tendo profundidade na terra para dela retirar a umidade, seca e murcha sob o calor do sol. E a razão para isto é:

1.Eles não têm raízes em si mesmos, nenhum princípio fixo e determinado em seus julgamentos, nenhuma resolução firme em seus desejos, e nenhum hábito enraizado em suas afeições. Não possuem nada firme que seja a seiva da força de sua profissão de fé. Observe:

(1) É possível que haja a folha verde de uma profissão de fé, mas sem que haja a raiz da graça; a dureza prevalece no coração, e o que há de solo e maciez está apenas na superfície; por dentro, eles não foram mais afetados do que uma pedra o seria. Eles não têm raiz; não são, pela fé, unidos a Cristo, que é a nossa Raiz; eles não provêm dele, e não dependem dele.

(2) Onde não houver um princípio, mesmo que haja uma profissão de fé, não podemos esperar que haja perseverança. Aqueles que não tiverem raízes não suportarão por muito tempo. Um navio sem lastro, apesar de a princípio navegar melhor que um navio carregado, certamente fracassará no teste das intempéries, e jamais chegará ao seu porto.

1.Os tempos de adversidade sempre chegam, e então aqueles que foram semeados entre as pedras não são bem-sucedidos. Quando a tribulação e a perseguição começam por causa do mundo, eles se sentem ofendidos.

Essa é uma pedra de tropeço no caminho que eles não conseguem transpor, e assim o abandonam. É nisto que resulta a profissão de fé dessas pessoas. Observe:

(1) Depois de um considerável vento de oportunidade, geralmente se segue uma tempestade de perseguições, para testar aqueles que receberam a Palavra com sinceridade, e aqueles que não agiram desse modo. O teste ocorre quando a Palavra do Reino de Cristo se torna a Palavra da paciência de Cristo (Apocalipse 3.10). Nesse teste, se verifica quem guarda a Palavra do Senhor, e quem não a guarda (Apocalipse 1.9). A verdadeira sabedoria consiste em nos prepararmos para esse dia.

(2) Quando chegam os tempos de adversidade, aqueles que não têm raízes se ofendem rapidamente. Eles primeiramente discutem com a sua profissão de fé, e então a abandonam; primeiro encontram algo de errado nela, e depois lançam-na fora. E, dessa forma, lemos a respeito da ofensa da cruz (Gálatas 5.11). Observe que a perseguição é representada, na parábola, pelo sol abrasador (v.6). Este é o mesmo sol que aquece e alegra aquilo que está bem enraizado, mas que queima e faz murchar aquilo que não tem a raiz de que precisava. Assim como a Palavra de Cristo, a cruz de Cristo também é, para alguns, o sabor da vida para a vida, e para outros é o sabor da morte para a morte. Desse modo, a mesma tribulação que leva alguns à apostasia e à ruína, funciona para outros como um peso de glória muito maior e eterno. As provas que agitam alguns, confirmam outros (Filipenses 1.12). Observe como, no final, eles logo se vão; como apodrecem tão rapidamente quanto amadureceram. Uma profissão de fé assumida sem a devida consideração também é geralmente abandonada sem a devida consideração: “Ela vem de forma leviana, e se vai de forma leviana”.

[3] O solo espinhoso. Algumas caíram entre espinhos (que são um bom guarda para a semente, quando está junto a uma cerca, mas uma má companhia, quando está no campo); e os espinhos brotaram, o que sugere que eles não apareceram, nem apenas se destacaram quando a semente foi semeada. Mais tarde, estes espinhos se mostraram prejudiciais à semente (v. 7). Essa semente vai mais longe que a anterior, pois ela tem raiz. Ela representa a condição daqueles que não chegam a rejeitar a sua profissão de fé, mas que não chegam a obter dela nenhum benefício de salvação. O bem que eles recebem através da Palavra é insensivelmente recoberto e sobreposto pelas coisas do mundo. A prosperidade pode destruir os preciosos efeitos da Palavra no coração, assim como a perseguição o faz. E o grande perigo é que ela o faz silenciosamente: as pedras prejudicaram a raiz; os espinhos prejudicam a frutificação.

No entanto, o que são esses espinhos que sufocam a semente?

Em primeiro lugar, as preocupações desse mundo. Preocupar-se com outro mundo apressaria a germinação dessa semente, mas o cuidado com esse mundo a sufoca. As preocupações mundanas são adequadamente comparadas com espinhos, pois elas vêm com o pecado, e são um fruto da maldição. Elas são boas até certo ponto, para preencher uma lacuna, no sentido de precaução; mas o homem que lida muito com elas deve estar bem prevenido (2 Samuel 23.6,7); elas são ardilosas, ofensivas e ferem, e o fim daqueles que se entregam às preocupações é amargo (Hebreus 6.8). Esses espinhos sufocam a boa semente. Note que os cuidados mundanos são grandes empecilhos para que desfrutemos a Palavra de Deus, e para que cresçamos na graça e no conhecimento do Senhor. Eles consomem aquele vigor da alma que deveria ser usado em coisas divinas. Eles nos distraem quanto ao nosso dever, e mais tarde nos causam os maiores problemas. Os espinhos apagam as centelhas das boas afeições, e acabam com a determinação que está contida nas boas decisões. Aqueles que são excessivamente atarefados, e que se mostram cuidadosos em relação a muitas coisas, normalmente negligenciam aquilo que é o mais necessário.

Em segundo lugar, o engano das riquezas. Há alguns que estão correndo o risco de cair em uma grande armadilha; são aqueles que, pela sua dedicação e trabalho, aumentam as suas posses, e assim o perigo que vem dos cuidados deste mundo parece ter acabado. Mas eles continuam dando ouvidos ao mundo, e aí está o grande laço (Jeremias 5.4,5). É difícil para tais pessoas entrarem no Reino dos céus: eles tendem a prometer a si mesmos aquilo que não está neles, mas nas riquezas. E assim passam a confiar nas riquezas, demonstrando uma complacência excessiva por elas; e isso sufoca a Palavra tanto quanto o cuidado o faz. Observe que o problema não é tanto a riqueza, mas sim a falsidade que a riqueza traz; isso sim causa o problema. Mas também não podemos acusar as riquezas de serem falsas conosco, a menos que depositemos nelas a nossa confiança, e aumentemos as expectativas que temos em relação a elas. E aí que elas sufocam a boa semente.

[4] O solo bom (v.18). Outras caíram em solo bom, e é uma pena que nem toda semente encontre um solo bom, pois assim não haveria nenhuma perda. Estes são os bons ouvintes da Palavra (v.23). Note que apesar de haver muitos que recebem a graça de Deus e a sua Palavra em vão, Deus ainda tem um remanescente que a recebe para um bom propósito; pois a Palavra de Deus não retornará vazia (Isaias 55.10,11).

Vemos que aquilo que distingue o solo bom dos demais tipos de solo é, em uma palavra, a frutificação. É por ela que os verdadeiros cristãos se distinguem dos hipócritas, por produzirem os frutos da justiça. ”Assim se­ reis meus discípulos” (João 15.8). O Senhor não diz que esse solo bom não tenha pedras nem espinhos; mas não há nenhum que prevaleça a ponto de prejudicar a frutificação. Os santos, os fiéis seguidores do Senhor nesse mundo, não são perfeitamente livres de pecar; mas, felizmente, são libertos do domínio do pecado.

Os ouvintes que representam o solo bom são:

Em primeiro lugar, ouvintes inteligentes; eles ouvem a Palavra e a entendem, eles entendem não só o seu sentido e significado, mas o seu próprio envolvimento com a Palavra. Eles a entendem como um homem de negócios entende do seu negócio. O Senhor Deus, em sua Palavra, trata com os homens como homens, de uma maneira racional, e Ele ganha a posse da vontade e da afeição abrindo o entendimento dos homens. Porém, o inimigo, Satanás, que é um ladrão e salteador, não vem por essa porta, mas procura chegar por outro caminho.

Em segundo lugar, ouvintes que frutificam, o que é uma evidência de sua boa compreensão: e esta também produz frutos. O fruto é, para cada semente, o seu próprio corpo, um produto substancial no coração e na vida, e que combina com a semente da palavra recebida. Nós, então, damos frutos quando agimos de acordo com a Palavra; quando o temperamento de nossas mentes e o senso de nossas vidas estão de acordo como o Evangelho que recebemos, e nós agimos conforme aquilo que nos é ensinado.

Em terceiro lugar, nem todos frutificam igualmente; alguns produzem 100 vezes, outros 60, e alguns 30. Note que, entre os cristãos, alguns são mais produtivos do que outros. Onde existe a verdadeira graça, também existem os seus graus; alguns alcançam maiores realizações em conhecimento e ações do que outros; nem todos aqueles que se dedicam a estudar a vida e o Evangelho do Senhor Jesus Cristo estão no mesmo nível. Nós devemos almejar o mais elevado dos graus, para produzir a cem por um, como aconteceu com o solo de Isaque (Genesis 26.12), sendo assim abundantes na obra do Senhor (João 15.8). Mas se o solo for bom, e o fruto vier na estação certa, se o coração for honesto, e a vida estiver de acordo com ele, aqueles que produzirem à razão de trinta por um serão graciosamente aceitos por Deus, e estes frutos serão abundantemente contabilizados para eles, pois nós estamos sob a graça, e não sob a lei de Moisés.

Finalmente, Ele conclui a parábola com um solene chamado à atenção (v. 9): “Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça”. Observe que o sentido da audição não pode ser empregado melhor do que em ouvir a Palavra de Deus. Alguns vivem para ouvir uma doce melodia, seus ouvidos são somente “as filhas da música” (Eclesiastes 12.4, versão inglesa KJV): não há melodia semelhante àquela da Palavra de Deus; outros vivem para ouvir coisas novas (Atos 17.21); não novas como aquelas.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.